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	<title>Aventar &#187; Blogger Convidado</title>
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	<description>Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.</description>
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		<title>Eleições Presidenciais: Brasil deve ter a sua primeira Presidenta da República a partir de 2011</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Aug 2010 13:00:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Blogger Convidado</dc:creator>
				<category><![CDATA[política internacional]]></category>
		<category><![CDATA[brasil]]></category>
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		<description><![CDATA[Por PEPE CHAVES* As eleições presidenciais de outubro de 2010, no Brasil, remontam um panorama inédito: a eminência de se eleger a primeira presidenta da história. No final de agosto, pouco mais de um mês antes das eleições, uma pesquisa do instituto Datafolha apontava uma diferença superior a 20% em favor da candidata do PT [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por <strong>PEPE CHAVES</strong>*</p>
<p>As eleições presidenciais de outubro de 2010, no Brasil, remontam um panorama inédito: a eminência de se eleger a primeira presidenta da história. No final de agosto, pouco mais de um mês antes das eleições, uma pesquisa do instituto Datafolha apontava uma diferença superior a 20% em favor da candidata do PT (Partido dos Trabalhadores), Dilma Rousseff, sobre o segundo colocado, José Serra, do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira).</p>
<p>Indicada pelo presidente Lula para sucedê-lo, Dilma Rousseff, trabalhou como chefe do Gabinete Civil em seu governo, ocupando um dos cargos mais importantes e cobiçados do primeiro escalão. Dilma é mineira, formada pela UFMG, uma das principais universidades do país, mas viveu a maior parte de sua vida no Estado do Rio grande do Sul, onde se casou e teve filhos. <span id="more-1072298"></span></p>
<p>No Brasil, Dilma é vista como uma “ex-guerrilheira”, que lutou em prol do comunismo contra a ditadura militar nos anos 60 e 70, inclusive, pegando em armas, se embrenhando na mata, sofrendo perseguições e usando vários “nomes de guerra”. Ela participou de grupos da guerrilha armada, acusados de promover sequestros, assaltos e até mortes, em detrimento da luta contra a ditadura militar.</p>
<p>Presa pelo governo militarista naqueles anos de chumbo, Dilma diz ter sofrido agressões e torturas por parte dos milicos. Mas a Terra girou&#8230; Muitos da luta armadas e foram dessa vida, mas outros ficaram para contar as histórias. E hoje, nestes tempos democráticos, o cenário é outro: Dilma Roussef reaparece como uma fênix sobre as cinzas do seu passado sombrio e, talvez, vive agora um dos melhores momentos de toda sua vida política no limiar dessas eleições de 2010. </p>
<p>Apoiada pelo governo Lula e já faz algum tempo saiu em campanha não assumida (o que seria teoricamente impedido pela legislação eleitoral&#8230;) Lula ultrapassou José Serra rapidamente nas pesquisas. A surgir sempre ao lado do presidente Lula em aparições públicas, a candidata Dilma tenta agora absorver o mesmo prestígio arrebatado pelo presidente, que atingiu, segundo as pesquisas, níveis recordes de popularidade na história do país. Para tanto, Dilma galga sobre o largo lombo da máquina estatal domada pelas mãos de Lula e segue a prometer o continuísmo, a execução de programas e planos de governos implantados pelo correligionário petista, após receber um país economicamente planificado do (inimigo) governo anterior.</p>
<p>Um desses programas é o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que consiste num verdadeiro ‘pacotão’ de bilhões de reais para aplicação em obras nas mais distintas regiões do país &#8211; diga-se, programa esse, duramente criticado pela oposição por suposto uso eleitoreiro por parte do governo. Em verdade, o PAC não decolou totalmente do papel, sendo executada, até então, somente parte das obras anteriormente anunciadas, o que se tornou também objeto de denúncias oposicionistas.</p>
<p>Outro ponto explorado por Lula e agora também por Dilma, tem sido a descoberta de petróleo na camada pré-sal do litoral brasileiro. Ainda que não haja atualmente no planeta, nenhuma tecnologia disponível para tão profunda exploração marítima, o governo Lula alardeou a descoberta e já traça plano e executa gastos com uma mera manchete. Este “cabo eleitoral” travestido de “galinha dos ovos de ouro”, conta, desde já, com cifras milionárias, além de planejamentos, até então, puramente oníricos. Tal comportamento, que mais tem a ver com um plano de marketing ostensivo, tem sido motivo para elevar à moral da estatal Petrobras no mundo, além, claro, de alavancar cabides de empregos; transferências de recursos destinados a “projetos”; além da criação de uma agência reguladora (Petrosal) para a suposta exploração. Tudo isso, sem que se retire antes, uma gota do óleo que estaria na camada pré-sal e o que é pior: sem se saber como isso seria feito.</p>
<p>Mas, de todas as “benesses” do Governo Federal, nenhuma foi mais bem recebida pelo povo e tão bem explorada politicamente como a “bolsa-família”, que consiste na distribuição de dinheiro público às famílias carentes devidamente cadastradas pelo governo. A bolsa-família é entendida por muitos como a maior jogada de marketing, não do governo Lula, mas do PT para se perpetuar no poder.</p>
<p>O fato de dar dinheiro, em vez de se empregar as famílias de baixa renda de todo o imenso território nacional, vem colocar na mesa de muita gente, a comida que estava em falta. Mas, evidentemente, também se tornou uma maneira de esta mesma população &#8211; que se constitui em quase a maioria votante do país e que vive à margem da sociedade &#8211; continue refém de um grupo político e assim, seguir elegendo àqueles que lhes trouxe tamanha benesse “gratuita”.</p>
<p>Nada de gerar empregos; nada de aplicar com eficácia políticas de despolarização da economia nacional; nada das prometidas reformas nos mais diversos setores da máquina social. O simples fato de o contribuinte pagar diretamente aos pobres, se revela como o pivô de todas as reeleições pós-Lula, até então.</p>
<p>É bom lembrar que o governo tido como o mais popular da história, também passou por maus pedaços, envolvido que esteve em tantos e grossos escândalos políticos de seus mais destacados integrantes, dos quais, o presidente Lula – teoricamente responsável por seus subordinados – escapou ileso ao alegar “não saber” de nada. E ainda assim, o presidente tem em mãos o poder de indicar ministros ao Supremo Tribunal Federal e, às vezes, até sai em campo para bronquear os ministros que o desagrada.</p>
<p>Junto com o governo Dilma, vem um temor por grande parte da sociedade: a volta da censura aos meios de comunicação, haja vista que esta, fora manifestada em diversas oportunidades pelos atuais mandatários. Basta dizer que temos no Brasil, atualmente, um jornal censurado. ‘O Estado de S.Paulo’, foi impedido judicialmente de abordar uma determinada operação da Polícia Federal que acusa de evasões de divisas o empresário Fernando Sarney, filho do ex-presidente José Sarney (hoje, aliado político de Lula). Além disso, o Plano Nacional de Direitos Humanos apresentado pelo atual governo, se trata de uma declaração de cerceamentos sociais à moda comunista e em nada contribui para um país como o Brasil dos tempos atuais.</p>
<p>Não foram medidas ou políticas eficazes que colocaram em destaque o governo Lula, mas sua popularidade se fez sob a esmola atirada aos pobres. Esmola essa, que consiste em recursos públicos repassados legal e oficialmente, pelo governo federal aos paupérrimos, imensa maioria do país, que não deseja outro presidente que lhe retire o dinheiro do qual se tornou eterno refém. Por isso, o continuísmo; por isso, o medo da população de que “mudanças” realmente incisivas e efetivas possam ocorrer num país, cuja economia herdada e então planifica, não fora sequer arquitetada pelo atual governo – que hoje faz tudo para se gabar daquilo que não foi ele que fez. </p>
<p>A impopularidade manifestada na falta de carisma das oposições ao governo federal, talvez, foi a maior aliada de Lula e Dilma nessa correria eleitoral. Nenhum candidato soube se colocar perante o povo (sim, este, que elege presidentes), se apresentando como uma nova opção; nenhum outro candidato apresentou qualquer outra opção, que ameaçasse o dito marketing petista. Verdade seja dita e sob nossos olhares crus, podemos dizer que não houve um plano de marketing por parte da oposição, que fosse capaz de superar a bolsa-família petista, que elegeu e reelegeu Lula e, doravante, deverá também, eleger e reeleger Dilma.</p>
<p>O candidato do PSDB, José Serra, que busca à presidência pela terceira vez, não soube se portar como um verdadeiro oposicionista e, mesmo se o fosse, o povo, já estava “comprado” pela bolsa-família. Serra demorou a escolher o seu vice, Índio, fato que caracterizou, na prática, a falta de uma identidade política à sua chapa. Em termos gerais, poucos conheciam o seu vice e não foi demonstrada anteriormente, a menor cumplicidade, seja ideológica ou política entre eles. </p>
<p>Além disso, mais uma vez, dotado de poder junto ao PSDB, Serra suprimiu outros membros do partido, potencialmente capazes de desenvolver uma candidatura genuinamente presidencial e que até poderiam alcançar níveis mais elevados de popularidade no atual pleito.</p>
<p>A terceira colocada nas pesquisas, Marina Silva (PSOL), ex-secretária de Meio Ambiente do governo Lula, também não teve chances na disputa. Diante do gigante PT, armado de suas metralhadoras feitas com aço da máquina pública, Marisa mais se aparentou a um pássaro fora do ninho, ocupado agora por pássaros de toda espécie. </p>
<p>A candidatura de Marina Silva, bem como as dos demais candidatos que constam atrás de seu nome nas pesquisas, foram campanhas frágeis, tímidas e com pouco poder de difusão e por isso, sem a menor persuasão social.</p>
<p>De acordo com as pesquisas, o panorama que temos, será mesmo uma vitória de Dilma Rousseff já no primeiro turno. Neste caso, curiosamente, a candidata Marina, que detém quase 10% do eleitorado, teria o seu apoio dispensado, tanto por PT quanto pelo PSDB, enquanto num eventual segundo turno, o mesmo poderia valer mais que ouro.</p>
<p>Enfim, eleições, bolsa-família, PAC, pré-sal, Lula, Dilma, Brasil, 2010&#8230; Fato é que pelo menos uma pessoa que passou pelo governo Lula, falou algo muito interessante, bem antes de ocupar cargo no poder, mas que cabe como luvas nesses momentos actuais: “trocaram o logus da posteridade, pelo logo da prosperidade” , já dizia nos anos 80, o ex-ministro lulista da Cultura, Gilberto Gil. </p>
<p>* Pepe Chaves é editor do diário digital Via Fanzine (www.viafanzine.jor.br), em Minas Gerais, Brasil.</p>

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		<title>Como afugentar ciganos</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Aug 2010 17:18:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Blogger Convidado</dc:creator>
				<category><![CDATA[sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[ciganos]]></category>
		<category><![CDATA[sapos]]></category>
		<category><![CDATA[superstições]]></category>

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		<description><![CDATA[Enquanto o Sarkozy e o Berlusconi fazem de tudo para expulsar os ciganos dos seus países, há quem em Portugal os queira longe dos seus estabelecimentos comerciais. Certamente que já repararam que alguns cafés para afugentar os ciganos têm vindo a colocar nas suas vitrinas, ou na entrada, sapos, pensando que estes batráquios são &#8220;repelentes&#8221; de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1072114" title="2010-08-22-12h31m00" src="http://www.aventar.eu/aventar/wp-content/uploads/2010/08/2010-08-22-12h31m00.jpg" alt="" width="600" height="461" /></p>
<p>Enquanto o Sarkozy e o Berlusconi fazem de tudo para expulsar os ciganos dos seus países, há quem em Portugal os queira longe dos seus estabelecimentos comerciais. Certamente que já repararam que alguns cafés para afugentar os ciganos têm vindo a colocar nas suas vitrinas, ou na entrada, sapos, pensando que estes batráquios são &#8220;repelentes&#8221; de ciganos.</p>
<p>Como o povo português em geral, os ciganos não estão alheios às superstições,  e sendo o sapo um bicho usado em feitiçarias e bruxarias não deixava ninguém indiferente e no passado os ciganos rezavam para não ver nenhum.</p>
<p>Hoje o sapo é encarado como mais um bicho, isto porque 50% dos ciganos em Portugal são evangélicos, e sendo assim essas superstições foram extintas das suas vidas&#8230;</p>
<p>Por isso perdem tempo e dinheiro ao colocarem sapos de louça nas vitrines e nas entradas dos estabelecimentos, pelo contrário, hoje os mais novos para brincar com a situação até beijam os sapos de louça.<br />
Arranjem outra, porque essa já é antiga!</p>
<p style="text-align: right;"><strong>Bruno Gonçalves</strong></p>

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		<title>No Aventar cigano entra e é bem vindo</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Aug 2010 21:00:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Blogger Convidado</dc:creator>
				<category><![CDATA[política internacional]]></category>
		<category><![CDATA[ciganos]]></category>
		<category><![CDATA[expulsões]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>

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		<description><![CDATA[A Europa que nos têm vindo a idealizar caminha para trás ao invés de ir para a frente: os fundamentos são utópicos e falsos, o que a França está a fazer com os cidadãos europeus ciganos dos estados membro da UE Roménia e Bulgária choca com o desejo de uma Europa onde a liberdade e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1072044" title="ciganos-choupalinho" src="http://www.aventar.eu/aventar/wp-content/uploads/2010/08/ciganos-choupalinho.jpg" alt="" width="650" height="427" /></p>
<p>A Europa que nos têm vindo a idealizar caminha para trás ao invés de ir para a frente: os fundamentos são utópicos e falsos, o que a França está a fazer com os cidadãos europeus ciganos dos estados membro da UE Roménia e Bulgária choca com o desejo de uma Europa onde a liberdade e circulação de pessoas é um pilar.</p>
<p>A França é das maiores potências europeias e assim sendo faz pode e manda contra tudo e todos! A UE, quanto a mim, apenas esteve como um espectador um pouco indignado com todo este processo do Sr. &#8220;Sarkonazi&#8221;, as sanções não vão existir porque o poder é a facilidade de colocar o dedo ao nariz e xiuuuuuuu!</p>
<p>A Itália prepara-se também para copiar o que os franceses estão a fazer, tratar as pessoas como se fossem lixo.</p>
<p>Esta onda de facilismo que a UE está a permitir vem por aí abaixo, sonhei com o Paulo Portas a cancelar as suas férias para &#8220;imitar&#8221; os &#8220;palhaços&#8221; da extrema-direita daqueles dois países e propor o mesmo no parlamento português, há sonhos que são evidentes e não vai demorar muito para que o PP esteja com unhas e dentes a propor o mesmo em Portugal. Porque há muito que o desejo do PP é expulsar tudo o que é cigano e imigrante!&#8230;</p>
<p>Se eu não escrever nas próximas semanas é porque fui vítima da expulsão do governo português, sou cigano! O Paulinho certamente que vai propor que não desmantelem os submarinos antigos para lá nos colocarem e deixarem-nos no meio do Pacífico, pois quanto mais longe do Atlântico, melhor!</p>
<p style="text-align: right;"><strong>Bruno Gonçalves<span style="font-weight: normal;">, cigano, mediador sócio-cultural e membro d</span></strong>a Direcção Nacional do SOS Racismo</p>
<p style="text-align: right;">Foto: <em>Acampamento Cigano no Choupalinho</em>, Coimbra, JJCardoso</p>

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		<title>Pedro Passos Coelho, a democracia e a educação</title>
		<link>http://www.aventar.eu/2010/08/18/pedro-passos-coelho-a-democracia-e-a-educacao/</link>
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		<pubDate>Wed, 18 Aug 2010 11:19:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Blogger Convidado</dc:creator>
				<category><![CDATA[educação]]></category>

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		<description><![CDATA[Por SANTANA CASTILHO* Para uns vai rápido, para outros demasiado lento. Mas Pedro Passos Coelho vai fazendo o seu caminho, como se fazem todos os caminhos: andando. O discurso de Passos Coelho no Pontal foi racional, fortemente assertivo mas suficientemente cauteloso. Faltou-lhe emoção e faltou-lhe educação (referência à, bem entendido). Deixem-me glosar o que este [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4>Por SANTANA CASTILHO*</h4>
<p>Para uns vai rápido, para outros demasiado lento. Mas Pedro Passos Coelho vai fazendo o seu caminho, como se fazem todos os caminhos: andando. O discurso de Passos Coelho no Pontal foi racional, fortemente assertivo mas suficientemente cauteloso. Faltou-lhe emoção e faltou-lhe educação (referência à, bem entendido). Deixem-me glosar o que este parágrafo tem de implícito.</p>
<p>Comecemos pela construção do caminho. Pedro Passos Coelho não deverá governar refém de populismos que dêem votos fáceis. Mas só governará se ganhar as eleições. E as eleições ganham-se com votos. Nem tão simples como o raciocínio do senhor de La Palisse, nem insanável como adiantarão os discípulos de Maquiavel. A resposta passa pelo controlo dos tombos que toda a construção de caminhos supõe. Pedro Passos Coelho precisa de convencer para ganhar partidários e, com eles, votos. Mas fina-se se se ficar pela lógica imediatista da democracia dos últimos anos, que se contentou com rituais eleitorais e reduziu o resto da vida pública à ditadura da maioria. Acima de tudo, se Pedro Passos Coelho quer mudar (e é vital que mudemos) tem que abraçar os grandes, ainda que em desuso, pilares da verdadeira democracia: informação e discussão. Não chegará ao líder do PSD arrimar-se às urnas com os incondicionais laranjas mais os ódios à rosa murcha. Precisa de construir um caminho com outro tipo de legitimidade democrática: aquela que assenta na apresentação e exposição dos problemas e na respectiva discussão com os que queiram e se sintam mais preparados. Só assim a decantada abertura dos partidos à chamada sociedade civil e aos não alistados (mais de 95 por cento dos portugueses) passa da forma ao espírito. <span id="more-1071888"></span></p>
<p>A educação, que é um belo exemplo do que acabo de equacionar, tem estado, notória e infelizmente, ausente das preocupações publicamente expressas por Passos Coelho. É natural que não pensemos todos do mesmo modo e as opiniões que outros têm sobre os problemas não devem ser escrutinadas na lógica dicotómica e redutora do bom ou do mau, ignorando o espaço que vai do melhor ao pior. Mas se as decisões que melhor servem a situação do país são para mim tão claras como a água cristalina, por que razão o actual e o governo anterior seguiram caminhos tão diversos? Por que tiveram dificuldade em compreender o que para mim é claro? Porque o conhecimento de que nos socorremos é bem díspar? Ou porque o problema não passa por compreensão nem conhecimento, mas radica em interesses? As divergências de opinião podem ser superadas por uma discussão civilizada. As divergências de interesses persistem para além do voto. O comportamento político do PSD no início da presente legislatura feriu gravemente a confiança dos professores. Permito-me recordar a Pedro Passos Coelho que, quando no início da legislatura foi preciso passar a aplicar decisões tomadas no que tocava ao modelo de avaliação do desempenho dos professores, surgiram divergências de interesses até então dissimulados pelas palavras de circunstância, aos quais sucumbiram desastradamente os compromissos. Pedro Passos Coelho parece desconhecer o fenómeno ou menosprezar o tempo político para o inverter. Há factos que muitos desconhecem e que têm que ser trazidos ao debate social, rapidamente, sob pena de mais tarde não haver tempo para os traduzir em compromissos credíveis. Quem, honesta e descomprometidamente se debruce sobre as sucessivas mudanças operadas no sistema de ensino nos últimos 36 anos facilmente concluirá que nunca se chegou a uma conclusão sobre o que é fundamental mudar. Questionando tudo, nunca nos pusemos de acordo sobre o mais importante.</p>
<p>No Pontal, Pedro Passos Coelho condicionou a aprovação do orçamento de 2011 ao não aumento, directo ou indirecto, dos impostos. Esse aumento está previsto no PEC pela supressão dos benefícios fiscais, no que toca à educação e à saúde. Como alternativa, Passos Coelho exige a redução da despesa pública. Em causa estão 500 milhões de euros. No Pontal, Passos Coelho falou para militantes que se contentam só com o que ele diz. Mas Passos Coelho tem que falar para o país, que quer ouvir o que ele ainda não disse. Onde se corta na despesa pública? Que papel reserva à escola pública e que papel reserva ao ensino privado? Recentemente, o Governo exibiu os 600 milhões de euros de custo do insucesso escolar para relançar a ideia de abolir os chumbos, sem que o líder do PSD se tenha referido à matéria, com a profundidade exigível a quem quer ser primeiro-ministro. Dentro dos 7 mil milhões de euros do orçamento do Ministério da Educação queimam-se, sem resultados, muitos milhões. Que ideias tem o PSD e o seu líder para aí intervir, quando chegar ao governo?</p>
<p>Não me parece que Pedro Passos Coelho queira abrir uma crise política gratuita, que o prejudicaria e ao país. Outrossim, creio que Pedro Passos Coelho compreendeu que não é possível acordar com Sócrates e que, assim, terminou um primeiro ciclo do seu caminho. O segundo, que terá iniciado no Pontal, exige-lhe uma demarcação clara do PS e uma cuidada preparação do que vier a propor. Bem mais cuidada do que aquela que revestiu a iniciativa da revisão constitucional. Em educação, 150.000 professores causticados esperam conhecer uma visão global para um sistema onde as interacções sectoriais não se compadecem com vagas abstracções selectivas.</p>
<p> * Professor do ensino superior, no «Público»</p>

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		<title>A ministra ignora ou esconde?</title>
		<link>http://www.aventar.eu/2010/08/04/a-ministra-ignora-ou-esconde/</link>
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		<pubDate>Wed, 04 Aug 2010 13:00:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Blogger Convidado</dc:creator>
				<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[chumbos]]></category>
		<category><![CDATA[isabel alçada]]></category>
		<category><![CDATA[ministra]]></category>
		<category><![CDATA[países nórdicos]]></category>

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		<description><![CDATA[Por SANTANA CASTILHO* Quando exprime certezas, erra grosseiramente. Quando responde, afunda-se em equívocos. Quando analisa, não vê os factos. Catita no vestir e no pentear, eis Isabel, leve no pensar, ministra da Educação e fantasista por compulsão. A vacuidade e a imprecisão continuada do discurso, primeiro em entrevista ao Expresso de 31 de Julho, depois [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_VT9UyElHCCM/SsJg2rQ788I/AAAAAAAACNc/C7XNjzeQM5s/s400/Ministra+da+educa%C3%A7%C3%A3o,+Isabel+Al%C3%A7ada.jpg" class="alignnone" width="350" height="229" /><br />
Por <strong>SANTANA CASTILHO*</strong></p>
<p>Quando exprime certezas, erra grosseiramente. Quando responde, afunda-se em equívocos. Quando analisa, não vê os factos. Catita no vestir e no pentear, eis Isabel, leve no pensar, ministra da Educação e fantasista por compulsão.<br />
A vacuidade e a imprecisão continuada do discurso, primeiro em entrevista ao Expresso de 31 de Julho, depois a vários canais televisivos para emendar a proposta de banir os chumbos, obriga ao exercício penoso de contraditar e esclarecer. Não cabendo tudo, escolho o mais danoso. O Expresso perguntou: pondera então alterar as regras de avaliação durante o seu mandato? A ministra respondeu: pondero. O Expresso insistiu: e está disposta a lançar esse debate para acabar com os chumbos? A ministra respondeu: sem dúvida. O Expresso considerou: muitos dificilmente concordarão com o fim da retenção. A ministra respondeu: por uma questão de tradição. Quando se deu conta da leviandade da proposta e de que muitos não concordavam, a ministra veio às televisões dar o dito por não dito, socorrendo-se dos países do norte da Europa, cuja realidade ignora.<br />
O objectivo de qualquer sistema de ensino é que todos aprendam. Mas em todos os sistemas há os que falham. A quantidade dos que falham é consequência de uma gama enorme de variáveis. Umas podem ser intervencionadas directamente pela escola e pelos professores. Outras não. Dependem dos próprios alunos. Das famílias. Da cultura vigente. Da consciência cívica dominante. Da qualidade dos sistemas políticos, da competência dos que mandam, da natureza das escolhas que são feitas e das prioridades que se estabelecem. Os métodos pedagógicos variam.<br />
Mas nenhum sistema sério <span id="more-1071151"></span> diploma a ignorância como tem sido feito pelos dois últimos governos de Portugal. Esta é a questão e este é o conceito do tradicional chumbo: enquanto um cidadão não sabe o que está estipulado, o Estado sério não diz que ele sabe. E assim postas as coisas, obviamente que há chumbos nos países do norte da Europa. Invoco, por todos, o caso da Noruega e socorro-me da publicação oficial “Facts About Education in Norway, 2010”. Na página 11 verifica-se que só 56 por cento dos alunos do secundário completaram o respectivo ciclo de estudos no tempo previsto. Houve 27 por cento de abandonos ou chumbos, 12 por cento que necessitaram de mais tempo e 6 por cento que ainda o tentavam concluir no momento da recolha dos dados (27+12+6 dá 45 e não 44, mas o erro é da própria publicação citada). Não se chumba lá? Nas páginas 22 e 23 estão as tabelas da relação do número de alunos para cada professor: 4 no pré-escolar, 12 no básico, 8,5 no secundário e 11,9 no superior. Ora a nossa ministra da Educação disse ao Expresso que turmas de 15 e menos alunos apresentam baixas taxas de sucesso, quando ela sabe bem que essas são turmas com os alunos mais problemáticos do nosso sistema e só por isso, que não pela dimensão, registam baixos índices de aproveitamento. Foi séria tal referência? Na página 8 da publicação que cito, verificamos que mais de 40 por cento das escolas básicas da Noruega são de reduzida dimensão, tendo crianças de idades e níveis diferentes a serem leccionadas na mesma sala (escândalo, paradigma de outro século, segundo os cânones de Isabel Alçada). Se formos à Suécia, a situação é análoga. Os países do norte fazem o contrário do que aqui acaba de ser imposto. Como comentaria a ministra se a tivessem confrontado com a realidade que ignora ou manipula?<br />
Referindo-se às competências que os alunos devem adquirir no ensino básico, a ministra teve o topete de dizer ao Expresso que “nem existe documento que as defina”. Grosseira mentira. Existe e sobre ele correram rios de tinta.<br />
Isabel Alçada distorceu os factos quando falou de Inglaterra, onde o insucesso escolar está na ordem do dia. Basta só ver o número dos que não obtêm o certificado que lhes abre as portas das universidades.<br />
Isabel Alçada não faz a mínima ideia do que se passa na Finlândia ou finge que não sabe, o que é pior. Mais de um quarto dos alunos do sistema tem apoios complementares e 8,5 por cento são objecto de educação especial, segundo uma tipologia rigorosa que aqui foi banida. Todo o ensino é totalmente gratuito e a profissão de professor é das mais prestigiadas. Os normativos duram décadas. O direito ao ensino obrigatório pode ser revogado se os alunos não cumprirem as regras. Um comité aprecia as infracções e pode determinar soluções alternativas. Esta é uma questão tabu que não se discute entre nós, por complexos políticos. Boa parte dos alunos que não aprende nem deixa aprender não quer estar na escola. As famílias desses alunos pensam e agem como eles. Faltam, agridem, perturbam e nada acontece. Realidade bem diferente da dos países do norte da Europa, onde a fortíssima consciência e cultura cívicas impedem situação semelhante.<br />
Termino com números, colhidos das estatísticas oficiais da OCDE e relativos a 2006, expressos em dólares americanos. Portugal gastou com cada aluno do básico, secundário e superior, por ano, respectivamente, 5908, 7052 e 9724. Pela mesma ordem, eis os gastos dos nórdicos. Finlândia: 7570, 6585 e 12845. Noruega: 9781, 12559 e 16235. Dinamarca: 8854, 10400 e 15391. Suécia: 8032, 8610 e 16991. Se atendermos ainda a que desde 2005 as nossas despesas com a educação diminuíram sempre e fortemente, o contraste diz o que Isabel Alçada escondeu.</p>
<p>* No Público.</p>

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		<title>Locomotiva Alemã acelera</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Jul 2010 09:00:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Blogger Convidado</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O índice do clima de negócios do Instituto de Economia de Munique (ifo), publicado hoje, registou este mês uma subida de quase quatro pontos,a maior dos últimos 20 anos, passando de 101,8 para 106,2 pontos, foi hoje anunciado. &#8220;A economia alemã está de novo em ambiente festivo&#8221;, afirmou na capital da Baviera o presidente do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O índice do clima de negócios do Instituto de Economia de Munique (ifo), publicado hoje, registou este mês uma subida de quase quatro pontos,a maior dos últimos 20 anos, passando de 101,8 para 106,2 pontos, foi hoje</p>
<p>anunciado. &#8220;A economia alemã está de novo em ambiente festivo&#8221;, afirmou na capital da Baviera o presidente do ifo, Hans-Werner Sinn, durante a apresentação dos novos números.</p>
<p><a href="http://dn.sapo.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1625081" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/dn.sapo.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1625081&amp;referer=');">http://dn.sapo.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1625081</a></p>
<p>Comentário</p>
<p>A locomotiva económica alemã voltou a funcionar, os passageiros nas carruagens podem recostar-se e em breve tudo fica como dantes no quartel de Abrantes? Nem por isso.</p>
<p>Uma vez que os gigantescos problemas estruturais mundiais e comunitários não se encontram solucionados, podendo a qualquer momento irromper de novo com violência redobrada, também desta vez e tal como em Fevereiro 2007* trata-se de uma “flor de pânico” – enfim: sol de pouca dura.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Rolf Damher</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>* </strong>Em 2007, num prenúncio da actual crise, na Alemanha já tivemos o caso de uma “flor de pânico”. Na altura, o presidente do Instituto de Economia de Munique (ifo), Prof. Dr. Hans-Werner Sinn, e eu vaticinámos, independentemente um do outro, o carácter passageiro da alegáda retoma. Só o descobrimos quando o Prof. Sinn leu o meu comentário – ele tinha utilizado o conceito “Supernova”. E tivemos razão, infelizmente.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>

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		<title>A efemeridade dominante</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Jul 2010 13:00:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Blogger Convidado</dc:creator>
				<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[ensino superior]]></category>
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		<description><![CDATA[POR SANTANA CASTILHO* No passado dia 12, as vagas manifestadas para entrar num curso público de ensino superior foram o tema das notícias e dos debates nos órgãos de comunicação social. Meia dúzia de notícias e opiniões esgotaram o assunto. É assim a efemeridade dominante, que aborda as coisas pela rama. É assim desde que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>POR SANTANA CASTILHO*</strong></p>
<p>No passado dia 12, as vagas manifestadas para entrar num curso público de ensino superior foram o tema das notícias e dos debates nos órgãos de comunicação social.<br />
Meia dúzia de notícias e opiniões esgotaram o assunto. É assim a efemeridade dominante, que aborda as coisas pela rama. É assim desde que o bem-estar na Europa começou a ser alicerçado sobre o saber científico e os países cujos modelos invejamos ensaiaram os primeiros passos na senda do desenvolvimento a que virámos costas porque pedia esforço e organização. Fracassado o comércio fácil com a Índia e o Brasil, fracassadas as colónias e fracassada agora a mendicidade comunitária, tudo expedientes para enriquecermos sem trabalho, é mais que tempo<br />
de nos voltarmos para nós próprios e de nos ocuparmos com a recuperação do tempo perdido.<br />
Por altura do recente debate sobre o estado da Nação, o estado da educação foi omisso. Falámos compreensivelmente da crise, sob o espectro das múltiplas rupturas que o astronómico número da divida (dizem que se aproxima dos 500 mil milhões de euros, somada a pública à privada) justifica. Mas não dedicámos um minuto, e era bom que o tivéssemos feito, à história recente das políticas educativas, caracterizadas pela<br />
incapacidade de delinear um percurso sólido e autónomo (e sublinho o autónomo), socialmente aceite para não ser posto em causa a cada curva do destino. Outrossim, temos vivido em sucessivas ondas de diferentes fogachos iluministas que, antes de serem substituídos, são mantidos, é bom que o reconheçamos, porque muitos portugueses, políticos, professores, pais e alunos deles procuram colher benefícios<br />
imediatos, com desprezo por perspectivas de futuro, mais ainda de futuro colectivo. <span id="more-1070300"></span><br />
Pessimista embora, como muitos me julgam, acredito que superaremos as tremendas dificuldades económicas e financeiras que se nos apresentam. Mas receio que o engenho que a isso nos conduza se fique por soluções do imediato, como é culturalmente o nosso estigma, num ciclo vicioso de que não saímos. E é aqui que volto à discussão que não se fez quando anunciaram as 53986 vagas para acesso ao<br />
ensino superior público ou se discutiu o estado da Nação. Quem se recorda já que a introdução do “numerus clausus” em 1976 veio rotulada de medida transitória, que visava harmonizar as vocações dos jovens com o mercado de trabalho? Ora o transitório ficou perene, como é hábito, e o Estado nunca organizou o “numerus clausus” em função do mercado mas tão-só em função das disponibilidades das instituições. E ainda bem que o não fez, porque o direito ao saber e a seguir uma vocação não deve ser subordinado às necessidades do mercado. Mas o Estado tão-<br />
pouco se ocupou de informar atempadamente os jovens das saídas profissionais existentes, o que seria de utilidade máxima. O “numerus clausus” nunca foi um mecanismo de selecção mas um instrumento de exclusão, num contexto de procura largamente superior à oferta. Hoje, com uma oferta próxima da procura, medicina e um ou outro curso excluídos, era mais que tempo de voltarmos a mecanismos credíveis de<br />
selecção, aqueles que permitem a entrada de todos a partir dos patamares mínimos definidos (que diferença de nível existe entre um 17,9 e um 18,1?) e de centrar a discussão no verdadeiro problema do ensino superior.<br />
A missão da Universidade é a transmissão de conhecimento às novas gerações, o desenvolvimento desse conhecimento através da investigação científica e a preservação do património intelectual e científico colectivo. Mas, ultimamente, os sistemas político e económico passaram a exigir-lhe uma investigação aplicada que dê resultados imediatos no sistema produtivo e uma actividade de ensino que actue<br />
no “capital humano” em subordinação à mesma lógica imediatista e produtiva (é este o desígnio mascarado de Bolonha). Esta situação está a gerar uma adulteração da missão atrás citada. Estão a criar-se situações de dependência da Universidade de mecanismos de mercado, de subserviência a lógicas empresariais, numa palavra, de domesticação da tradicional independência científica e cultural da Universidade, com a<br />
consequente alienação da actividade pedagógica dos seus docentes, absorvidos pelas respostas de sobrevivência a uma autêntica indústria de financiamento. O poder tem reduzido em termos reais o financiamento das universidades e incentivado políticas expansionistas quanto à admissão de alunos e busca de novos públicos. De caminho, tem-se esquecido do número de professores necessários e da qualidade da sua<br />
formação. E os professores vão-se esquecendo da missão da Universidade na voragem da sobrevivência imediata. A resposta às objecções dos senhores bastonários da Ordem dos Advogados ou da Ordem dos Médicos passa por aqui. O anacronismo dos números, quando falamos das necessidades do mercado ou do interesse das pessoas, passa por aqui, pela indústria do financiamento e pela teoria do “capital humano”, abundante, barato, mal formado e pouco exigente.<br />
Erasmo de Roterdão foi professor na Universidade de Cambridge. Isaac Newton escreveu lá os seus “Principia Mathematica”. Por lá passaram, entre tantos outros, cientistas como Charles Darwin e Stefan Hawkings, poetas como Byron ou John Milton, filósofos como Ludwig Wittgenstein e Bertrand Russell e políticos como Ghandhi e Nehru. Teriam eles sido eles se Cambridge estivesse bolonhizada?</p>
<p>* no «Público»</p>

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		<title>Auto-estima, precisa-se!</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Jul 2010 07:00:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Blogger Convidado</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Caro Galo de Barcelos! Deixa-te de queixas e de complexos de inferioridade. Muda de estratégia, deixa de reagir e aje, explorando os teus próprios pontos fortes que são muitos. No passado já foste muito bem capaz e tiveste sucesso. Já te dei mais que uma vez dicas como se faz. Se te quiseres libertar das [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Galo de Barcelos!</p>
<p>Deixa-te de queixas e de complexos de inferioridade. Muda de estratégia, deixa de reagir e aje, explorando os teus próprios pontos fortes que são muitos. No passado já foste muito bem capaz e tiveste sucesso. Já te dei mais que uma vez dicas como se faz. Se te quiseres libertar das sombras dos outros, toma as respectivas medidas e ficarás ao sol sempre quando te apetecer e nunca à sombra dos outros.</p>
<p>Para isso, a crise ajudar-te-á, baixando através dos duros factos gradualmente as resistências à inovação social ainda existentes.</p>
<p>Rolf Damher</p>
<p>P.S. Lembra-te: o Sr. Schäuble não vai poder ajudar-te, pois a Alemanha, embora sofrendo a um nível mais elevado, encontra-se no mesmo rumo do declínio e já não há “cacau” da Alemanha nem de Bruxelas que te salve. Cada um vai ter que produzir o seu próprio “cacau” para haver “cacau” de novo.</p>
<p><strong> </strong></p>

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		<title>Como as eleições brasileiras vão chamar a atenção do mundo (III)</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Jul 2010 13:00:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Blogger Convidado</dc:creator>
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		<category><![CDATA[eleições brasileiras]]></category>
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		<description><![CDATA[Por CHICO JUNIOR continuação daqui Agendadas para outubro deste ano, as eleições no Brasil vão permitir que o povo brasileiro escolha candidatos para os cargos de Presidente, Senadores, Deputados Federais, Governador e Deputados Estaduais. Os três primeiros cargos estão relacionados à esfera federal, os seguintes se referem às unidades que compõem a Federação. A Presidência [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por <strong>CHICO JUNIOR</strong></p>
<p>continuação <a href="http://www.aventar.eu/2010/04/18/como-as-eleicoes-brasileiras-vao-chamar-a-atencao-do-mundo-ii/">daqui</a></p>
<p>Agendadas para outubro deste ano, as eleições no Brasil vão permitir que o povo brasileiro escolha candidatos para os cargos de Presidente, Senadores, Deputados Federais, Governador e Deputados Estaduais. Os três primeiros cargos estão relacionados à esfera federal, os seguintes se referem às unidades que compõem a Federação. A Presidência da República é o mais alto posto e recebe maior atenção por ser lugar onde os olhares dos demais países se deitam. Dentre os mais bem cotados e conhecidos a disputar a vaga estão a ex-ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, o ex-governador de São Paulo, José Serra, e a ex-senadora do Acre, Marina Silva &#8211; todos afastados dos respectivos cargos para darem andamento a candidaturas, oficializadas recentemente.</p>
<p>Além da responsabilidade de comandar o Poder Executivo de uma nação emergente que conquista espaço geopolítico e econômico, quem vencer as eleições presidências precisará tratar de complicadas questões internas e externas. Internamente, uma delas é a de obter base política no Legislativo a fim de conseguir a chamada governabilidade do País. Em outras palavras, é preciso oferecer cargos e outras benesses para que os projetos do Governo sejam aprovados no Parlamento. Em 2002, quando tomou posse, o Presidente Lula enfrentou uma situação desta ordem e foi nela (ou dela) que se originou o escândalo denominado por Mensalão &#8211; uma espécie de benefício financeiro dado aos parlamentares para votar a favor das propostas da presidência. <span id="more-1069713"></span></p>
<p>Para demonstrar o tamanho do problema, explica-se que o Poder Legislativo brasileiro é bicameral composto pelo Senado Federal e pela Câmara dos Deputados. Cada uma das 26 unidades federativas e mais o distrito federal, a capital do País, é representada por três senadores que totalizam 81 membros. A Câmara, com 513 parlamentares, representa proporcionalmente a população das unidades federativas, também conhecidas como estados – a com maior número de representantes é São Paulo com 70 deputados, as menores possuem, no mínimo, oito, como Roraima, por exemplo. Essas complicações podem dificultar andamento de projetos significativos para o avanço do crescimento do País.</p>
<p>No além-mar do território brasileiro, outro terreno espinhoso está nas relações internacionais. O Brasil é responsável pelo comando da Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti (Minustah). Ao país latino-americano cabe supervisionar as nações socorristas e supostamente evitar quaisquer tentativas de aproveitamento dos recursos naturais e de mão-de-obra barata, senão escrava, devido a penúria enfrentada pelos haitianos. Com os cerca de 230 mil mortos, 1,2 milhão de desabrigados e estimativa de atendimento para apenas um dentre cada três haitianos, as dificuldades enfrentadas pelo país da América Central são desesperadoras. Apesar disso, ombreadas pelo Governo Federal, empresas brasileiras parecem se aproveitar da operação militar e assim conquistaram o direito de construir uma usina hidrelétrica no país. </p>
<p>No campo diplomático, sob a batuta dos Estados Unidos, o acordo nuclear entre Brasil e Irã teve gosto de azedume com o ácido das sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU). Ainda na relação internacional com a Casa Branca, as demandas de retaliação aprovadas pelo Congresso Brasileiro contra produtos norte-americanos põem o governo brasileiro entre a cruz e a espada. Esses são alguns dos complexos temas a serem herdados por quem há de vir a se assentar na cadeira presidencial do Palácio do Planalto nos primeiros dias de 2011.</p>
<p><strong>CHICO JUNIOR</strong></p>
<p>Chico Junior é brasileiro, graduado em jornalismo e em teologia, autor do blog <a href="http://polipensamento.blogspot.com/" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/polipensamento.blogspot.com/?referer=');">Polipensamento</a>.</p>

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		<title>A solidez de um livro, segundo Sobrinho Simões</title>
		<link>http://www.aventar.eu/2010/07/07/a-solidez-de-um-livro-segundo-sobrinho-simoes/</link>
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		<pubDate>Wed, 07 Jul 2010 10:00:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Blogger Convidado</dc:creator>
				<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[livro]]></category>
		<category><![CDATA[maria de lurdes rodrigues]]></category>

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		<description><![CDATA[Por SANTANA CASTILHO No livro que acaba de lançar, Maria de Lurdes Rodrigues cita Max Weber para justificar a sua acção política, movida, diz ela, pela “ética das convicções”. Atentem, generosas leitoras e leitores, ao naco de prosa que a ex-ministra escolhe para caracterizar quem tem vocação para a política (no caso, ela própria): “… [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por <strong>SANTANA CASTILHO</strong></p>
<p>No livro que acaba de lançar, Maria de Lurdes Rodrigues cita Max Weber para justificar a sua acção política, movida, diz ela, pela “ética das convicções”. Atentem, generosas leitoras e leitores, ao naco de prosa que a ex-ministra escolhe para caracterizar quem tem vocação para a política (no caso, ela própria):</p>
<p>“… Só quem está certo de não desanimar quando … o mundo se mostra demasiado estúpido ou demasiado abjecto para o que … tem a oferecer … tem vocação para a política …” (in “A Escola Pública Pode Fazer A Diferença”, p. 18)</p>
<p>Freud ensinou-nos que nenhuma palavra ou pensamento acontecem por acidente. Uma coisa são os erros comuns, outra, os actos falhados. É falhado o acto que leva Maria de Lurdes Rodrigues a citar, assim, Weber, para justificar a sua acção política. E fez tudo o que fez, confessou-nos no circo do lançamento, com grande alegria, qual pirómana que se baba de prazer ante as cinzas da escola pública que deixou.</p>
<p>Eis as entranhas de uma coisa que não é pessoa, que não tem alma, e que não aguenta mais que 18 páginas para dizer, de modo obsceno, o que pensa dos que esmagou com sofrimento.</p>
<p>O livro é híbrido e frio, como a autora. É um relatório factual e burocrático sobre as suas tenebrosas medidas de política educativa. A excepção a este registo está na introdução, um arremedo ensaísta de alguém que chegou a ministra sem nunca ter percebido o que é uma escola e para que serve um sistema de ensino. Permitam-me duas notas factuais a este propósito e a mero título ilustrativo: <span id="more-1069568"></span></p>
<p>1. A autora introduz, como grande tema de debate sobre políticas educativas, o nível de conhecimentos adquiridos na escola. Interroga-nos assim: “… Os adultos que fizeram a quarta classe da instrução primária no tempo dos nossos avós sabiam mais do que os jovens que hoje concluem o 9º ano? …” (obra citada, p. 11). A questão é intelectualmente pouco honesta. Porque compara 4 anos de escolaridade com 9. Porque é formulada por alguém que contribuiu definitivamente para que não se possam hoje comparar resultados escolares, coisa que, apesar das dificuldades, se podia fazer na época a que alude.</p>
<p>2. A ex-ministra diz que não fez uma reforma da educação, que tão-só concebeu e aplicou medidas. Se é surpreendente o conceito (“reforma” foi palavra-chave citada até à exaustão na vigência do Governo que integrou), entra em delírio surrealista quando escreve (p.15): “… Não se pode considerar que o conjunto das medidas configurem uma reforma da educação, porque de facto não foi introduzida uma mudança nos princípios de funcionamento do sistema educativo, ou uma mudança na sua estrutura e organização …”. Não mudou princípios de funcionamento do sistema educativo, nem mudou a sua estrutura e organização? E os estúpidos somos nós? Enxergue-se e tenha decoro.</p>
<p>Segue-se o Diário da República narrado aos papalvos por 20 euros e 19 cêntimos. Registam-se apoios, listam-se colaboradoras e colaboradores e referem-se reuniões. Nenhuma dúvida, nenhum apreço pelo contraditório que lhe foi oposto, muito menos qualquer riqueza dialéctica. Um deserto, numa imensa auto-estrada de propaganda.</p>
<p>Ao longo dos últimos 5 anos, fundamentei nesta coluna de opinião a oposição a cada uma das 24 medidas que o livro distingue, pelo que tão-só recordo as mais emblemáticas das que a autora refere: a aberração pedagógica e social, que nacionalizou crianças e legitimou a escravização dos pais, baptizada como “escola a tempo inteiro”; o logro do ensino profissional (Maria de Lurdes fala de 28.000 alunos em 2005, para dizer que os quadruplicou em 2009. Mas conta mal. No ano- lectivo de 2004-05 tinha 92.102 alunos no conjunto dos cursos que ofereciam formação profissional); a demagogia de prolongar para 12 anos o ensino obrigatório (na Europa a 27 só 5 países foram por aí) sub-repticiamente sustentada pela grosseira manipulação estatística que lhe permite afirmar que no ensino secundário temos um professor para cada 8,4 alunos (p.90), pasmem quantos conhecem a realidade; a insistência no criminoso abandono de milhares de crianças com necessidades educativas especiais, por via da decantada aplicação da Classificação Internacional de Funcionalidade; a engenharia financeira e administrativa (depois veremos onde nos conduzirá), que está a transferir para a propriedade de uma empresa privada, por enquanto detida pelo Estado, todo o património edificado; e, “the last, but not the least”, a fraude pedagógica imensa que dá pelo nome de Novas Oportunidades, forma de diplomar a ignorância na hora, gerando injustiça e semeando ilusões.</p>
<p>Na cerimónia do lançamento do livro que acabo, sumariamente, de analisar, Sobrinho Simões, um cientista de grande gabarito e um homem de muitos méritos, referiu-o como “o mais sólido”que leu até hoje. Quem dedicou a vida a combater o cancro com o rigor da ciência, não podia, estou seguro, afirmar o que afirmou, se tivesse analisado a produção técnica e legislativa que sustenta a racionalidade do livro que elogiou. Mas a vida actual é assim. Muitos sucumbem, adaptando-se a esta sociedade doente. Continuo felizmente de saúde. Por isso choro quando vejo cair os melhores. </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; background: white; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-outline-level: 2;">No livro que acaba de lançar, Maria de Lurdes Rodrigues cita Max Weber para justificar a sua acção política, movida, diz ela, pela “ética das convicções”. Atentem, generosas leitoras e leitores, ao naco de prosa que a ex-ministra escolhe para caracterizar quem tem vocação para a política (no caso, ela própria):</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; background: white; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-outline-level: 2;">“… Só quem está certo de não desanimar quando … o mundo se mostra demasiado estúpido ou demasiado abjecto para o que … tem a oferecer … tem vocação para a política …” (in “A Escola Pública Pode Fazer A Diferença”, p. 18)</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; background: white; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-outline-level: 2;">Freud ensinou-nos que nenhuma palavra ou pensamento acontecem por acidente. Uma coisa são os erros comuns, outra, os actos falhados. É falhado o acto que leva Maria de Lurdes Rodrigues a citar, assim, Weber, para justificar a sua acção política. E fez tudo o que fez, confessou-nos no circo do lançamento, com grande alegria, qual pirómana que se baba de prazer ante as cinzas da escola pública que deixou.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; background: white; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-outline-level: 2;">Eis as entranhas de uma coisa que não é pessoa, que não tem alma, e que não aguenta mais que 18 páginas para dizer, de modo obsceno, o que pensa dos que esmagou com sofrimento.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; background: white; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-outline-level: 2;">O livro é híbrido e frio, como a autora. É um relatório factual e burocrático sobre as suas tenebrosas medidas de política educativa. A excepção a este registo está na introdução, um arremedo ensaísta de alguém que chegou a ministra sem nunca ter percebido o que é uma escola e para que serve um sistema de ensino. Permitam-me duas notas factuais a este propósito e a mero título ilustrativo:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; background: white; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-outline-level: 2;">1. A autoraintroduz, como grande tema de debate sobre políticas educativas, o nível de conhecimentos adquiridos na escola. Interroga-nos assim: “… Os adultos que fizeram a quarta classe da instrução primária no tempo dos nossos avós sabiam mais do que os jovens que hoje concluem o 9º ano? …” (obra citada, p. 11). A questão é intelectualmente pouco honesta. Porque compara 4 anos de escolaridade com 9. Porque é formulada por alguém que contribuiu definitivamente para que não se possam hoje comparar resultados escolares, coisa que, apesar das dificuldades, se podia fazer na época a que alude.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; background: white; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-outline-level: 2;">2. A ex-ministra diz que não fez uma reforma da educação, que tão-só concebeu e aplicou medidas. Se é surpreendente o conceito (“reforma” foi palavra-chave citada até à exaustão na vigência do Governo que integrou), entra em delírio surrealista quando escreve (p.15): “… Não se pode considerar que o conjunto das medidas configurem uma reforma da educação, porque de facto não foi introduzida uma mudança nos princípios de funcionamento do sistema educativo, ou uma mudança na sua estrutura e organização …”. Não mudou princípios de funcionamento do sistema educativo, nem mudou a sua estrutura e organização? E os estúpidos somos nós? Enxergue-se e tenha decoro.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; background: white; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-outline-level: 2;">Segue-se o Diário da República narrado aos papalvos por 20 euros e 19 cêntimos. Registam-se apoios, listam-se colaboradoras e colaboradores e referem-se reuniões. Nenhuma dúvida, nenhum apreço pelo contraditório que lhe foi oposto, muito menos qualquer riqueza dialéctica. Um deserto, numa imensa auto-estrada de propaganda.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; background: white; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-outline-level: 2;">Ao longo dos últimos 5 anos, fundamentei nesta coluna de opinião a oposição a cada uma das 24 medidas que o livro distingue, pelo que tão-só recordo as mais emblemáticas das que a autora refere: a aberração pedagógica e social, que nacionalizou crianças e legitimou a escravização dos pais, baptizada como “escola a tempo inteiro”; o logro do ensino profissional (Maria de Lurdes fala de 28.000 alunos em 2005, para dizer que os quadruplicou em 2009. Mas conta mal. No ano- lectivo de 2004-05 tinha 92.102 alunos no conjunto dos cursos que ofereciam formação profissional); a demagogia de prolongar para 12 anos o ensino obrigatório (na Europa a 27 só 5 países foram por aí) sub-repticiamente sustentada pela grosseira manipulação estatística que lhe permite afirmar que no ensino secundário temos um professor para cada 8,4 alunos (p.90), pasmem quantos conhecem a realidade; a insistência no criminoso abandono de milhares de crianças com necessidades educativas especiais, por via da decantada aplicação da Classificação Internacional de Funcionalidade; a engenharia financeira e administrativa (depois veremos onde nos conduzirá), que está a transferir para a propriedade de uma empresa privada, por enquanto detida pelo Estado, todo o património edificado; e, “the last, but not the least”, a fraude pedagógica imensa que dá pelo nome de Novas Oportunidades, forma de diplomar a ignorância na hora, gerando injustiça e semeando ilusões.</p>
<p>Na cerimónia do lançamento do livro que acabo, sumariamente, de analisar, Sobrinho Simões, um cientista de grande gabarito e um homem de muitos méritos, referiu-o como “o mais sólido”que leu até hoje. Quem dedicou a vida a combater o cancro com o rigor da ciência, não podia, estou seguro, afirmar o que afirmou, se tivesse analisado a produção técnica e legislativa que sustenta a racionalidade do livro que elogiou. Mas a vida actual é assim. Muitos sucumbem, adaptando-se a esta sociedade doente. Continuo felizmente de saúde. Por isso choro quando vejo cair os melhores.</p>
<p>In «Público»</p>

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