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	<title>Aventar &#187; Miguel Dias</title>
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	<description>Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.</description>
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		<title>Retornar</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Mar 2010 03:13:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[geral]]></category>
		<category><![CDATA[áfrica]]></category>
		<category><![CDATA[retornados]]></category>

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		<description><![CDATA[O Nuno contou aqui a sua África. Permitam-me que lhes conte a minha. Sem o ser, porque nasci em Angola e para cá vim anos antes do 25 de Abril- também eu sou um retornado,  sociologicamente falando.  Mas a minha África é uma África contada. À excepção de uma esporádica temporada já depois do 25 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-1054404" href="http://www.aventar.eu/2010/03/07/retornar/mais-uma-foto-da-marginal/"><img class="alignnone size-medium wp-image-1054404" title="Mais-uma-foto-da-Marginal-(" src="http://www.aventar.eu/aventar/wp-content/uploads/2010/03/Mais-uma-foto-da-Marginal--300x192.jpg" alt="" width="300" height="192" /></a></p>
<p>O Nuno contou <a href="http://www.aventar.eu/2010/03/06/um-bilhete-da-tp-de-lourenco-marques-lisboa-sem-volta-i/">aqui</a> a sua África. Permitam-me que lhes conte a minha.</p>
<p>Sem o ser, porque nasci em Angola e para cá vim anos antes do 25 de Abril- também eu sou um retornado,  sociologicamente falando.  Mas a minha África é uma África contada. À excepção de uma esporádica temporada já depois do 25 vivida na Guiné-Bissau, o meu passado  africano foi vivido em Lisboa.  Na calçada dos Poços dos Negros seguimento da Calçada do Combro,  ou na Buraca, Miratejo, Barreiro, Amadora ou Queluz. Bairros de lata, sociais ou simplesmente prédios de gente humilde, onde viviam familiares e amigos. No Rossio onde se juntavam aos magotes. A África dos sábados ou domingos em que se almoçava pela tarde fora cachupa ou funge e se ouvia as histórias dos mais velhos .  M;ussulo,  Maianga,  Rangel, Huíge, Benguela, Lobito,Quitexe, Malange, são lugares que conheço de ouvido como a palma da mão. Tudo sítios que visitei em Lisboa.</p>
<p><span id="more-1054386"></span></p>
<p>Uma África sobretudo de cabo-verdianos  vindos de todos os cantos do mundo, muitos angolanos, alguns guineenses pouco moçambicanos, raros são tomenses. Pretos, brancos, mestiços, monhés,  todos aliás mestiços no coração, eram sobretudo o nós que se distinguia do eles. Eles os tugas. Nós os pretos, os africanos, os retornados. Tratados perjorativamente não poderia ser porventura de outra forma. Afinal era gente que trazia outros hábitos e outra liberdade. Era gente habituada a cair e a levantar-se. A cair de novo e levantar-se outra vez.  O que não dizia muito com a forma de ser indígena.</p>
<p>Os anos entretanto passaram e tudo isso se esbateu. A malta foi-se diluindo uns nos outros e hoje pouca gente há que se reveja nesse registo. Herdei o crioulo vincado (ou fincado como se diz em crioulo) da minha mãe e mais umas &#8211; poucas- palavras de quimbundo, que a mesma me foi ensinando. É isto e pouco mais. Não conheço, portanto, a África de que o Nuno nos fala.</p>
<p>Nem conheço a África do indigenato,  do assimilado ou do calcinha de Luanda, do mestiço, do mainato . Do branco de segunda. Não conheço os massacres de 61 no norte de Angola ou nos musseques de Luanda. Nem o assisti ao massacre de estivadores no Pidgiguiti. Nunca ouvi os gritos  de gente a ser chacinada. Não sei o que é um chefe de posto ou um cipaio ou um administrador. Nunca vi um  contratado sem contrato.  Não vivi na pele a exploração dos que cultivavam café e depois de o venderem ainda ficaram a dever.  Nunca tive de tratar ninguém com as costas em carne viva depois de uma estadia nos calabouços na Pide. Nem conheço as meninas violadas na puberdade. Nunca vi cabeças de pretos a servirem de bolas de futebol. Não sei o que é o cheiro de napalm. Nem sei o que é racismo a sério, e muito menos vi pretos serem-lhes barradas a entrada num restaurante de Lourenço Marques ou de Luanda.</p>
<p>Entretanto embarco este mês para lá. Um dia retornado, para sempre retornado.</p>

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		<title>Eu não lhes perdoo</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Mar 2010 00:09:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[desporto]]></category>
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		<description><![CDATA[Diz que os aventistas armaram prá aí um trinta e um do escafandro e má não sei o quê e eu a ver a minha vida a andar pra trás que não tinha onde debitar.  Bem, a coisa lá se resolveu. Por sinal sem a minha ajuda, que eu tenho mais o que fazer e se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-1054178" href="http://www.aventar.eu/2010/03/06/eu-nao-lhes-perdoou/2-3/"><img class="alignnone size-medium wp-image-1054178" title="2" src="http://www.aventar.eu/aventar/wp-content/uploads/2010/03/2-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>Diz que os aventistas armaram prá aí um trinta e um do escafandro e má não sei o quê e eu a ver a minha vida a andar pra trás que não tinha onde debitar.  Bem, a coisa lá se resolveu. Por sinal sem a minha ajuda, que eu tenho mais o que fazer e se não for aqui vou fazer a minha vida para outro lado, pois claro, que eu só cá vim ver a bola e o resto é letra. (mas por acaso, ó  Ricardo, tive com a ratinha e ela mandou-te um beijinho repinicado. Diz para apareceres que está com saudades ).</p>
<p>Mas ele há males que vêm por bem. Perdendo-se a ocasião, escusei de agradecer a lagartagem, o que muito me calhou.  Não é que o fosse fazer.  Muito pelo contrário. Aliás, como sempre, lá estão eles a intrometeram-se em conversa de gente graúda. Mas quem é que lhes disse que podiam espetar três secos aos andrades, assim sem mais nem menos.  Pediram autorização, porventura?</p>
<p>A gente a guardar o melhor bocado para véspera e vêm estes caramelos tirar-nos o gostinho da boca. O gostinho de ganhar o campeonato no estádio do pastor alemão ou do ladrão, do c&#8230;aramachão, ou lá do que é que é. Enfim, como sempre os cabelinhos à fosga-se a entrarem na festa sem serem convidados.</p>
<p><span id="more-1054161"></span></p>
<p>Dito isto, cumpre-me  confidenciar  - todos os leitores e colegas de blog não benfiquistas façam o favor de se retirar que a conversa a partir daqui é privada &#8211; o seguinte: as minhas pernas tremem, o meu coração palpita e a minha voz embarga-se.  Suores frios assolam-me pela noite. Pesadelos hediondos não me deixam dormir.</p>
<p>Definho, camaradas. Bem sei que tudo corre bem, os árbitros roubam e o puto marca. Copiosamente,  a chuva cai , mas a  equipa  continua a jogar com se nada fosse. Dir-me-ão, Deus é benfiquista e o filho é o nosso mister. É certo e sabido, não hajam dúvidas. Porquê então tanta aflição?</p>
<p>Eu temo, meus amigos, mesmo assim temo. Temo pelo demo que não dorme e cuja perfídia é infinita  e tremo pela ânsia do temer.  O arcepispado, que em outros tempos não se metia nestas coisas, conluiu-se com a besta e visa agora contrariar a ordem natural e divina das coisas.  Mal comungados com quem não ouso pronunciar o nome, pretende tirar-nos aquilo que por direito é nosso. Os três pês conjungam-se agora com um quarto.</p>
<p>Há, pois, que  ser vigilante, não baixar a guarda e muita cautela, cházinho de tília e caldos de galinha. Velha. A galinha. Não  confundir com frangos.</p>

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		<title>Tri Maria</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Feb 2010 23:25:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[geral]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8230;aposto com quem quiser que amanhã haverá um título assim num jornal desportivo junto de si!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-1053191" href="http://www.aventar.eu/2010/02/27/tri-maria/dimaria7-2/"><img class="alignnone size-medium wp-image-1053191" title="dimaria7" src="http://www.aventar.eu/aventar/wp-content/uploads/2010/02/dimaria71-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a></p>
<p><span id="more-1053185"></span></p>
<p>&#8230;aposto com quem quiser que amanhã haverá um título assim num jornal desportivo junto de si!</p>

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		<title>Um post  exclusivamente para a malta</title>
		<link>http://www.aventar.eu/2010/02/21/um-post-exclusivamente-para-a-malta/</link>
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		<pubDate>Sun, 21 Feb 2010 23:13:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Até os resultados da bola ajudaram à coisa.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/QYEC4TZsy-Y&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;rel=0&#038;color1=0x3a3a3a&#038;color2=0x999999"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/QYEC4TZsy-Y&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;rel=0&#038;color1=0x3a3a3a&#038;color2=0x999999" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p>Até os resultados da bola ajudaram à coisa.</p>

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		<title>Mais uma vez a senhora da foto</title>
		<link>http://www.aventar.eu/2010/02/20/mais-uma-vez-a-senhora-da-foto/</link>
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		<pubDate>Sat, 20 Feb 2010 23:00:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[geral]]></category>
		<category><![CDATA[política nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Nobre]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;É com palavra e actos que nos inserimos no mundo humano; e esta inserção é como um segundo nascimento, no qual confirmamos e assumimos o facto original e singular do nosso aparecimento físico original. Não nos é imposta pela necessidade, como o labor, nem se rege pela utilidade , como o trabalho. Pode ser estimulada pela presença, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-1052176" href="http://www.aventar.eu/2010/02/20/mais-uma-vez-a-senhora-da-foto/hannaharendt_byfredstein-3/"><img class="alignnone size-medium wp-image-1052176" title="hannaharendt_byfredstein" src="http://www.aventar.eu/aventar/wp-content/uploads/2010/02/hannaharendt_byfredstein2-236x300.jpg" alt="" width="236" height="300" /></a></p>
<p>&#8220;É com palavra e actos que nos inserimos no mundo humano; e esta inserção é como um segundo nascimento, no qual confirmamos e assumimos o facto original e singular do nosso aparecimento físico original. Não nos é imposta pela necessidade, como o labor, nem se rege pela utilidade , como o trabalho. Pode ser estimulada pela presença, mas nunca condicionada, pela presença dos outros em cuja companhia desejamos estar; o seu ímpeto decorre do começo que vem do mundo quando nascemos, e ao qual respondemos  começando algo de novo por nossa iniciativa. &#8221;</p>
<p><span id="more-1052175"></span>Claro que isto vem a propósito de Fernando Nobre.</p>

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		<title>Papoilas Saltitantes</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Feb 2010 01:27:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Lamento informar os meus leitores que não estou em condições de cumprir com as minhas obrigações. Ressaco. Uma semana sem ver o  Benfica jogar produz-me este efeito.Na quinta-feira indrominaram-me com uma cena alemã  marada, como se fosse um jogo do Glorioso. Bateu mal. Agora se me dão licença vou ali ao Cerco e prá semana [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-1052158" href="http://www.aventar.eu/2010/02/20/papoilas-saltitantes/droga-papoulas/"><img class="alignnone size-medium wp-image-1052158" title="droga papoulas" src="http://www.aventar.eu/aventar/wp-content/uploads/2010/02/droga-papoulas-300x198.jpg" alt="" width="300" height="198" /></a></p>
<p>Lamento informar os meus leitores que não estou em condições de cumprir com as minhas obrigações.</p>
<p>Ressaco.</p>
<p><span id="more-1052155"></span></p>
<p>Uma semana sem ver o  Benfica jogar produz-me este efeito.Na quinta-feira indrominaram-me com uma cena alemã  marada, como se fosse um jogo do Glorioso. Bateu mal.</p>
<p>Agora se me dão licença vou ali ao Cerco e prá semana a gente fala. Entretanto entretenham-se com o seguinte:</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=nJNMnBhf-Ds" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.youtube.com/watch?v=nJNMnBhf-Ds&amp;referer=');">http://www.youtube.com/watch?v=nJNMnBhf-Ds</a></p>

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		<title>A problemática do Tempo e do Espaço- contributos para uma análise critíca das filosofias de Galvão Bueno e Gabriel Alves</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Feb 2010 11:54:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[desporto]]></category>
		<category><![CDATA[futaventar]]></category>
		<category><![CDATA[geral]]></category>
		<category><![CDATA[benfica]]></category>
		<category><![CDATA[fcp]]></category>
		<category><![CDATA[futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Alves]]></category>

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		<description><![CDATA[Gabriel Alves e Galvão Bueno, são sem dúvida os maiores filósofos de bola ainda em actividade.Ambos platónicos, a realidade comezinha da matéria não lhes interessa. Seria de esperar que como comentadores desportivos olhassem para o jogo que decorre no relvado. Mas não, Bueno e Alves, olham, tal como Platão,  para o alto, para o transcendente. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-1051089" href="http://www.aventar.eu/2010/02/14/a-problematica-do-tempo-e-do-espaco-contributos-para-uma-analise-critica-das-filosofias-de-galvao-bueno-e-gabriel-alves/ramires_benfica/"><img class="alignnone size-medium wp-image-1051089" title="ramires_benfica" src="http://www.aventar.eu/aventar/wp-content/uploads/2010/02/ramires_benfica-300x247.jpg" alt="" width="300" height="247" /></a></p>
<p>Gabriel Alves e Galvão Bueno, são sem dúvida os maiores filósofos de bola ainda em actividade.Ambos platónicos, a realidade comezinha da matéria não lhes interessa. Seria de esperar que como comentadores desportivos olhassem para o jogo que decorre no relvado. Mas não, Bueno e Alves, olham, tal como Platão,  para o alto, para o transcendente. No pensamento destes homens, espaço e tempo adquirem contornos que ultrapassam a percepção empírica.</p>
<p><span id="more-1051066"></span></p>
<p>Bueno, por exemplo,  nesta simples pergunta : <em> o juiz marca falta na área&#8230; será que foi penalti? , </em>inverte de forma sublime o bom-senso corriqueiro do <em>foi penalti&#8230;será que o juiz marca? , </em>dúvida que terá assolado ontem os adeptos do Porto, quando o Ruben Micael caiu na área. Ora, se Jesualdo fosse leitor de Bueno, saberia que tudo o que se passou foi que o <em>jogador foi para o chão e caiu. </em>Sem razão para protestos, portanto.  Bem sei que lhe ocorreram as palavras de Thierry Henry, esse grande ético dos nossos tempos: <em>se o árbitro não queria que a gente ganhasse deveria tê-lo dito antes do jogo. </em>Mas para Bruno Paixão &#8211; indubitávelmente um dos melhores árbitros portugueses- gamar o Porto, é, nas palavras do Grande Gabriel, <em>algo de substantivo que não precisa de ser adjectivado. </em></p>
<p>Já quanto ao golo do Benfica é preciso perceber a importância de Ramires,  somente adjectivável pelas palavras de Mestre Alves. Trata-se de um jogador que <em>joga pela direita pela esquerda e pelos flancos. </em>Só assim se percebe a qualidade daquele centro para a cabeça de Cardoso. O  Tacuara não tem o <strong>tempo </strong>de salto de um Jardel, que segundo Alves, rondavam os<strong> 78cm</strong>, mas foi o que bastou para facturar. Registo no entanto que, tal como venho afirmando nos meus posts anteriores, o Benfica não está bem. Dizem que é cansaço, mas não. A verdade é que Jesus no início da época adoptava uma táctica inventada por Alves, o 3.4.3.3, e agora, não se percebe porquê, joga num limitado 4.4.2 clássico.</p>
<p><em>Adenda: Há um momento sublime no Benfica-Belenenses protagonizado pelo guarda-redes Bruno Vale. Depois de defender com a mão fora da área leva as mãos à cara. Não se tratou de uma tentativa de enganar o árbitro fingindo que a bola tivesse acertado no nariz. Bruno Vale tapava os olhos como que dizendo se não os vejo a eles como poderão eles me ver ? Uma das questões filosóficas mais importantes alguma vez colocadas por um jogador da bola.</em></p>

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		<title>Nelson</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Feb 2010 21:39:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Dias</dc:creator>
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		<title>As noites de lua cheia&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Feb 2010 00:27:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Dias</dc:creator>
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		<category><![CDATA[lua cheia]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8230; é um filme de Rohmer de que gosto muito. Aliás, como quase todos os filmes de Rohmer. Não vou falar do filme ( há por aí, desde que o homem bateu a bota,  uma data de caixas dvd disponíveis no mercado)que faz parte da série comédias e provérbios. O provérbio que dá o lema [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-1050188" href="http://www.aventar.eu/2010/02/10/as-noites-de-lua-cheia/joaopereira2/"><img class="alignnone size-medium wp-image-1050188" title="joaopereira2" src="http://www.aventar.eu/aventar/wp-content/uploads/2010/02/joaopereira2-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a></p>
<p>&#8230; é um filme de Rohmer de que gosto muito. Aliás, como quase todos os filmes de Rohmer. Não vou falar do filme ( há por aí, desde que o homem bateu a bota,  uma data de caixas dvd disponíveis no mercado)que faz parte da série comédias e provérbios. O provérbio que dá o lema ao filme  reza assim: &#8220;aquele que tem duas mulheres perde a alma, aquele que tem duas casas perde a cabeça&#8221;.  Quanto ao senhor da foto está tudo dito.</p>
<p><span id="more-1050172"></span>Volto ao meu post anterior para falar de Nenem Prancha, esse grande  Hegeliano (de esquerda ou de direita está por saber), que, partindo de Heráclito, postulava que tudo é &#8220;passageiro, excepto o motorista e o revisor&#8221;. Prancha cabe aqui porque sinto que Jesus ( outro hegeliniano, de direita não hajam dúvidas) parece-me confrontar-se nos dias que correm com um grande dilema. Jesus, tal como o grande Prancha enunciou de forma genial &#8220;&#8230;jogador de futebol, tem que ir na bola na bola com a mesma disposição com que vai num prato de comida&#8221;, fez da relação dos jogadores do Benfica com a bola, a mesma que câes à volta de uma cadela com cio. Sinto, parece-me, suspeito, que os nossos jogadores andam de barriga cheia e de colhões vazios. Foi algo que já pressenti no jogo de Setúbal, que a presença do Sobrenatural de Almeida, não me permitiu evidenciar.  Mas a verdade é que o  jogo de ontem era para goleada histórica e não passou de uma goleada corriqueira. Não gostei.</p>
<p>Uma palavra de apreço para o senhor Silva Muniz, a única coisa que se parece com o jogador de futebol a norte da segunda circular.</p>

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		<title>O melhor jogador em campo</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Feb 2010 12:05:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[desporto]]></category>
		<category><![CDATA[geral]]></category>
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		<description><![CDATA[O futebol não é apenas um desporto. É filosofia disposta num esquema tático de 4 4 2. Metafísica à baliza. Um quarteto defensivo formado por ontologia, ética, religião e moral. No meio campo, lógica e epistemologia. Nas alas estética e linguística . Política e economia a pontas de lança. Tudo isto servido por uma reserva [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-1049479" href="http://www.aventar.eu/2010/02/07/o-melhor-jogador-em-campo/evocando-os-espiritos/"><img class="alignnone size-medium wp-image-1049479" title="Evocando os espiritos" src="http://www.aventar.eu/aventar/wp-content/uploads/2010/02/Evocando-os-espiritos-202x300.jpg" alt="" width="202" height="300" /></a></p>
<p>O futebol não é apenas um desporto. É filosofia disposta num esquema tático de 4 4 2. Metafísica à baliza. Um quarteto defensivo formado por ontologia, ética, religião e moral. No meio campo, lógica e epistemologia. Nas alas estética e linguística . Política e economia a pontas de lança. Tudo isto servido por uma reserva de luxo, onde suplentes frequentemente utilizados como retórica, psicologia, psicánalise, antropologia, sociologia e semiótica, saltam do banco para resolver as partidas.</p>
<p>Mas, apesar do que se possa pensar a, sua pátria não é a Grécia nem  a Alemanha é o seu expoente máximo. Filosofia futebolística fala-se em português , e todas as outras línguas são menores. É evidente que tal como no campo, o Brasil ganha com larga vantagem. A atestá-lo estão figuras como Valter Matheus, Galvão Bueno e Nenem Prancha, homens cujo pensamento deveria ser ensinado em todas as faculdades de letras. No entanto, neste Olimpo ombreia um português cuja importância não poderá nunca ser menosprezada. Referimo-nos, como o leitor mais cultivado já deduziu, a Gabriel Alves, injustamente ignorado pelos nossos irmãos brasileiros sem algum chauvinismo. Talvez porque a escola Alvesista constitui um contraponto platónico de raiz lusitana, ao Sambismo aristotélico da tradição brasileira.</p>
<p><span id="more-1049478"></span></p>
<p>Este panorama, é claramente dominada por homens do jornalismo, sendo Matheus, antigo presidente do Corithians, o único dirigente desportivo, que atingiu este Olimpo. Seria no entanto injusto não referir duas importantes correntes portuguesas: o SousaCintrismo, mais empiríco e o PintoCostismo transcendental, pioneiros que abriram novas portas para linhas que despontam hoje debaixo da alçada da escola Vieirista. Seria também injusto, não referir o papel de técnicos e jogadores. Apesar de limitados pela sua disponibilidade, sempre que chamados aos debates, algumas figuras produziram linhas de pensamento coerentes e não menos profundas, ainda que sem a profusão quantitativa dos acima mencionados. Quem se poderá esquecer da famosa frase de Dádá, que resume a todo o programa do verdadeiro futebolista filósofo  : <em>“Tragam- me a problemática que eu chego com a solucionática”</em>. Neste âmbito, bem conhecidos  são o Jardelismo estudado em ambos os lados do Atlântico e cuja prolixidade é sobejamente apreciada. E é claro, o JoãoPintismo, ainda que claramente referenciado ao PintoCostismo, não deixou de lhe dar uma nova perspectiva e colorido.</p>
<p>Não pretendo maçar o leitor com a minha pretensa erudição. Sou apenas um amador auto didacta, que mais não quer do que partilhar convosco o entusiasmo do pouco que sabe. Mas a propósito do jogo de ontem venho evocar duas figuras fundamentais. Nenem Prancha e Nelson Rodrigues.</p>
<p>Nelson Rodrigues é uma figura excêntrica ao mundo do futebol, tendo ficado mais conhecido pela sua obra literária e dramática. A sua filosofia  futebolística versava o tema da realidade. A pergunta fundamental de Rodrigues é o que é a realidade? Tomando como exemplo o jogo de ontem, a realidade será o golo mal anulado do Setúbal ou dois penaltis por assinalar a favor do Benfica? Rodrigues dedicou uma vida inteira a estudar esta problemática. A solucionática que encontrou foi o Video. Assim se o Video mostra que o golo do Setúbal é legal, então o vídeo é burro, logo ficaram dois penaltis por marcar.</p>
<p>Já quanto ao penalti falhado do Cardozo e ao golo na própria do David Luiz, a questão que se coloca é se Deus existe? Que diabo, DavidLuiz como mandam as regras do centralismo democrático, quis mandar a chincha para a tomba da mironga do cabuletê, e não é que esta entra baliza adentro a rir-se. Para Rodrigues como para Kant esta pergunta nunca poderá ser respondida. Se Deus existe como poderia permitir tal injustiça. Mas como então explicar o golo na própria do Ricardo Silva? Não se trata aqui do inverso da medalha. Para responder a tais questões, Rodrigues cria um patamar transcendental a que dá o nome de <em>Sobrenatural de Almeida</em>, a quem atribui a responsabilidade por estas ocorrências. Trata-se de uma figura que paira em todos os estádios e que teima em intervir nos jogos como se de um décimo terceiro jogador de tratasse (reparem que presença do treze não é inocente) . De acordo com esta linha de pensamento  aquele penalti falhado pelo Cardozo foi defendido pelo <em>Sobrenatural de Almeida. </em>Donde se prova mais uma vez que o video é burro, ao mostrar a bola a bater no barra<em>. </em>É pois com algum espanto que vejo A Bola de hoje eleger como melhor de jogador em campo um tal de Bruno Ribeiro, que ninguém sabe quem é nem viu jogar, quando toda percebeu que <em>Sobrenatural de Almeida fez uma exibição do outro mundo(nota dez).</em></p>
<p>Ainda a propósito do penalti falhado, Nenem Prancha, remete-nos para a dimensão política da problemática, aliás o seu tema predilecto, a que pretendo voltar em posts futuros. Segundo Prancha: <em>Penalti é tão importante que só deveria ser cobrado por presidente do clube. </em>Ainda para mais quando se trata de um penalti decisivo no último minuto. Seguindo este raciocínio, a culpa do empate de ontem só pode ser atribuído a Jesus, não o de Nazaré, mas o de Alcantâra. Após o apito do Árbitro, competia-lhe mandar aquecer o Luís Filipe Vieira, ou na ausência deste o Rui Costa. Só estes estavam plenamente conscientes da importância do momento. Só eles sabiam como marcar aquele penalti. Só eles estariam à altura das responsabilidades.</p>

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