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	<title>Aventar &#187; Raul Iturra</title>
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	<description>Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.</description>
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		<title>E a doença, filho? O novo fascismo que nos pune com terramotos</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Mar 2010 18:09:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raul Iturra</dc:creator>
				<category><![CDATA[ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[justiça]]></category>
		<category><![CDATA[regiões]]></category>
		<category><![CDATA[sismos]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[direitos humanos]]></category>
		<category><![CDATA[doença]]></category>
		<category><![CDATA[ecologia e ambiente]]></category>
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		<category><![CDATA[terramotos]]></category>

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		<description><![CDATA[As doenças são causadas pelo novo terramoto de hoje no chile, 11 de Março às 11.25 a.m., no minuto e que a Presidenta Socialista do Chile transfere a banda presidencial ao antigo colaborador do ditador.


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<li><a href='http://www.aventar.eu/2009/09/25/democracia-e-fascismo/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Democracia e fascismo'>Democracia e fascismo</a></li>
<li><a href='http://www.aventar.eu/2009/11/15/o-fascismo-era-isto/' rel='bookmark' title='Permanent Link: O fascismo era isto'>O fascismo era isto</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 379px"><img src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/91/Michelle_Bachelet_Banda2.jpeg/369px-Michelle_Bachelet_Banda2.jpeg" alt="" width="369" height="599" /><p class="wp-caption-text">o adeus à a Presidência do Chile</p></div>
<p><em>À memória da minha Pátria, esse país frio, chamado Chile,<br />
que luta pela justiça que permita finalmente aliviar o luto, 41 anos depois, dia da mudança dos mandos e do perigo do regresso ao passado recente&#8230;</em></p>
<p>Acaba uma Presidência na dobrada mas não partida, República do Chile, e começa outra. Haverá mais doença?</p>
<p>Deixa, pequeno, tentar explicar o que é a doença. Talvez, com as minhas palavras. Essas que tenho sempre guardadas para ti. A doença, pequeno? Parece-me um estado.<br />
Esse estado do corpo que nos retira de andar com os outros. Esse estado do corpo que muitos dizem ser um estado da alma. Esse estado do corpo que acaba por ser o que nos fere  e nos deixa sem horizontes. Esse estado do corpo, por vezes transitório, por vezes permanente, que retira de nós o desejo de fazer mais do que falar ou mal de nós por não estarmos activos &#8211; ou mal dos outros porque nos tiraram a alma. Estado do corpo que não passa, porque o corpo é apenas a carcaça dentro da qual as nossas ideias andam. E vivemos sujeitos a ela, a essa terrível palavra que denominamos doença. Da qual fugimos. Fugimos ao pensar, sempre, que o nosso estado ideal de vida é estarmos sempre bem, com o pensamento claro, o corpo direito e o trabalho a ser realizado.<span id="more-1055137"></span><br />
A doença retira de nós o prazer de viver porque nos faz sentir pouco úteis aos outros. Mas, principalmente, pouco agradáveis a nós próprios. A doença, meu filho, é um problema social. Não é apenas o problema do indivíduo, da pessoa só, de quem transfere o que sofre, ao corpo. Ou com a alma que o habita. Ou com o espírito que mexe o corpo. Ou com essa substância, (que é como diz quem não pensa na alma), que faz pensar o corpo. E o faz sentir. Permite-me, filho, que eu assim queira definir a doença: a inutilidade social.<br />
É verdade que muitos estudiosos já dela falaram, como Malinowski no seu tempo, especialmente em 1923, no seu Crime e Costume nas sociedades primitivas; ou o seu professor Durkheim, em 1912, no seu Estruturas elementares da vida religiosa; ou o discípulo de Charcot e de Bauer, Freud, em 1919, no seu Totem e Tabu . Ou os estudiosos dos nossos dias, como Silva Pereira, em 1998, com o seu O Machitún: um ritual curativo Mapuche, ou Cristiana Bastos ao falar de A política da produção do conhecimento e os movimentos de resposta à Sida, em 1998, ou essa excelente médica, Berta Nunes que, em 1997, nos fala no O saber médico do povo, e tantos outros, como àqueles que Jesus de Miguel faz falar, em 1980, em La Antropologia médica em Espanha. Esses que sabem de nós, pessoal ou socialmente, e que nos diagnosticam e nos querem entender, como o próprio John Murra que, em 1975, contextualiza o corpo no eco- sistema andino e relata como os Quechua do Perú sabem mexer o corpo em altitudes diferentes, sem adoecer por isso, como o diz no seu Formaciones económicas y políticas <em>del mundo andino</em>. E tantos outros, que o teu pai pouco entende. Embora entenda, sim, que querem que saibamos que todo o ser humano tem limites. Que todo o ser humano não pode agir conforme a sua vontade, que todo o ser humano tem dias sim e dias não. Que todo o ser humano se deve afastar um dia dos outros, para não dar o seu mal a esses outros, por os amar. E assim não os ferir. Porque, reitero, filho, a doença é um mal social.</p>
<p><strong>1.Mas, doença de quem? </strong>Antes de mais, queiras desculpar-me que te denomine filho. A nossa língua é doente e carrega o acento em todo o ser que tem erecção, em todo o género masculino. Porque falo para ti, filho ou filha. Esses que eu tenho como descendentes. Eis uma primeira doença, a doença do símbolo, do que representa para nós uma entidade humana. Sempre hierarquizada. Distinta entre pobres e ricos, entre os que mandam e os que devem calar e obedecer. Doença simbólica da falta de debate.<br />
Uma segunda doença, pequeno. Essa da falta de cruzar palavras que nos dêem a entender que, no mundo, somos todos iguais, mas nem sempre equivalentes. Não porque tu saibas mais e outro menos, mas porque tu tens poder e o outro não consegue ter. Doença de mando, eu diria. Doença social que apaga o corpo. Doença social que tira das palavras a sua forma de espada de combate. Para lutar com ideias. Para esgrimir conceitos. Para se ajudar com palavras.<br />
Esta doença é a pior que nos pode cair por cima. Tanto falaram os Enciclopedistas, esses seres pragmáticos dos Séculos XVII e XVIII, para definirem uma igualdade sã, no meio do debate e do voto, duma reunião de pessoas a habitarem o mesmo sítio: a República governar-se pelas palavras comparadas. Doença que ainda existe, Enciclopedistas que ficaram no meio da denominada erudição dos que têm conhecimento e definem os símbolos sem reparar, como fazem Berta Nunes e Silva Pereira, que há outros conceitos definidos pelos que vivem dentro do pragmático experimentar quotidiano, fora da auto proclamada erudição, capazes de darem nomes aos assuntos da forma que a memória do seu grupo entende. E que nós não conseguimos entender sem a traduzir para a nossa própria compreensão do entendimento pragmático, do dia a dia, da vida que, dizem, é dado através da Antropologia.<br />
Uma primeira doença, a do símbolo. Uma segunda, a falta de debate, o silêncio de quem pensa ter sempre razão. Porém, guarda uma terceira dentro de si, a incompreensão. A incompreensão dos que se fecham nas suas ideias a pensarem que têm sempre razão, sem ouvir, para entender e trocar galhardetes, armas de entendimento. Sem preencher os vazios do modo particular de entender uma verdade. Esta, a terceira doença, oculta na primeira, a dos símbolos e derivada da segunda, a da incompreensão &#8211; a verdade é sempre verdadeira para quem a pensa. Desculpa, meu filho, definir o conceito com a mesma palavra. Não tenho outra alternativa. A verdade parece ser a ideia do que nos faz bem, ou a ideia, conforme a pensemos, daquilo que pretendemos e desejamos, por sim ou por não, que nos faça bem. Porém, a verdade é ambivalente: duma parte, a satisfação entre o desejo do que se quer conseguir para o nosso bem-estar e alegria; doutra, a consciência social do bem estar de todo um grupo que procura a sua felicidade.</p>
<p><!--more--></p>
<p>Eis uma quarta doença escondida no social dos conceitos, o utilitarismo da nossa vida. Ao nascermos, somos entregues a um grupo já existente e classificado em hierarquias, genealogias, a distinguir entre parentes vizinhos e amigos, compadres e inimigos, lobbies para apoiar, lobbies para afundar. Classificações feitas através da memória histórica, da económica e da social, que entrega ao grupo todo o indivíduo por meio dos ritos de passagem que separam o permitido do proibido, o incentivado do tabu ou proibido, diferente conforme o lobby, diferente conforme a tradicional distinção feita entre meninos e meninas, homem e mulher, jovem e velho, amigo ou inimigo, da minha ou da outra ideologia. Distinção socializada e feita pública nos ritos de passagem, quer nos povos muçulmanos, quer nos povos cristãos, quer ainda nos animistas, como os Nalu que estudou Amélia Frazão na Guiné-Bissau, ou os Xavante de Angela Nunes no Brasil, ou os Mapuche Rauco do Luís Silva Pereira. Ou dos meus Mapuche Picunche, lá nesse Chile da dedicatória. Ou entre nós, em bairros e aldeias, onde o utilitarismo que anima as coisas e as imagens, dá vida aos objectos que representam agires por nós desejados e politicamente apoiados pela autoridade que, das almas dos objectos, tira lucro. Utilitarismo na procura do bem que a natureza nos possa dar, nos possa oferecer, se soubermos procurá-lo para satisfazer o nosso prazer ético ou estético. É dizer, filho, na harmonia da beleza dum movimento; ou na solidariedade dos que se juntam para viverem sem serem feridos pelos que têm a força. Essa que já referi num outro texto. Fugir da força, ou saber confrontá-la, é parte da cura da doença social. Doença social que é cronológica na História dos povos, que dura o tempo que durou em Portugal, na Espanha, que dura no Chile. Doença do prazer de ter e existir em todos os grupos. Porém, todos os grupos procuram definir um comportamento de ganho, de felicidade, de utilidade na sua interacção.<br />
Como Malinowski, já citado, diz em 1923 no seu <em>Crime e Costume na Sociedade Primitiva</em>: há uma lei que organiza o comportamento, à qual todos se subordinam. Essa lei é o costume dum povo, que nós denominamos cultura. E que o referido Freud no seu <em>Totem e Tabu</em>, já citado, define como uma doença infantil por se transferir o que se sente a uma imagem para deitá-lo fora de nós. Sentimento que ele denominou neurótico, por acontecer na nossa civilização. Doença que refere outra vez no seu texto: <em>A civilização e os descomtentamentos</em>,(1930) 2005, quando indica como essa lei, que escoa por cima de nós, desgosta-nos e combatemos.<br />
Combatemos com amor pelo grupo, combatemos pelo medo ao incesto, pelo interiorizar dos tabus que a cultura nos impinge e que nós sabemos aceitar. Ideia da doença útil que Levi-Strauss tão claramente combate e debate no seu Totemismo Hoje, brilhante argumento feito em 1962, a defender essa quinta doença social oculta: a falta de solidariedade que o utilitarismo traz; a falta de respeito para o desenvolvimento da inteligência construída em ideias adscritas às em imagens no seu agir animista ritual. Que identifica em torno da imagem, a figura interactiva dum povo. Que descreve o que esse povo faz e deve fazer. Imagens diferentes conforme a utilidade procurada pelo lobby. E pelo objectivo da sua hierarquia social como indivíduo dentro do grupo do lobby. Imagens que representam o que nós pensamos e queremos, que desenvolvem o nosso imaginário enquanto tecemos a história que anima essa imagem pelos nossos criada ou, as vezes, por nós. Essa, que os próprios povos cristãos politicamente permitidos, constroem e veneram, enquanto criam orgulho e identidade social.<br />
Donde, uma sexta doença social é o desapreço aos que respeitam e veneram, aos que ajoelham e oram, aos que pedem com ideias para não terem que produzir e se armar de escravos. Ou, ainda, matam os da outra imagem: essa doença não solidária do utilitarismo que eu respeito e acredito, se tu mandas pelas armas, mas grito e espanco, se provo, perante o mundo, a tua maldade. Como no Chile tem acontecido. Como foi em Espanha, como foi em Portugal, no Kosovo, no Randa, em Timor. Como na Tanzânia curou esse discípulo de Malinowski, Julius Nyerere</p>
<p>Filho, a cultura tem esse mal-estar pelas doenças do nunca acabar de entender o que cada grupo quer e faz ou quer e o não deixam pensar. Doença que nasce da concorrência entre seres que querem ganhar para eles o bem utilitário que os faça sentir bem. De quem é a doença? Do corpo. Qual o corpo? O corpo social. Porquê? Porque quer ver-nos a pensar e agir duma mesma maneira. Donde, a inveja é mais uma sétima doença, de entre as milhares de doenças, ao serem sociais, que se esconde no falar hierárquico dos que exibem a mentira de serem iguais e acabam por tentar andar com as roupas novas e o derradeiro modelo de carro a correr pelas estradas feitas para passear. É dura a vida, pequeno! E como pode contagiar! Qual, será então, a nossa doença?</p>
<p><strong>2. A nossa doença</strong>Permita-me, filho, que diga que a nossa doença advém daí. Do desapreço que recebemos, dos desapreços que sentimos. Quando o fascismo torna a ser dono de um país destruído.Quando a terra tremeu as 11.25 da manhã de hoje, ao ser transferida a banda presidencial da socialista Michele Bachelet ao novo Presidente: o que faltava por cair no Chile, derrubou-se nesse minuto Da concorrência, à qual esse sentimento do lobby que ganha, nos obriga sentir. Do correr entre milhares, para sempre chegar primeiro. Sem reparar que há os que não querem correr. Ou, não podem. De que há os que querem calma e paz e silêncio, e nós ouvimos barulho. Esse que não é das Canções sem palavras de Schubert, que me acompanham enquanto faço este texto para ti.<br />
A doença social acaba na individual, acaba no acamar para descansar do olhar crítico dos que possuem o que nós já tivemos e que o tempo nos fez deixar. Acaba por nos acamar quando há um patrono que manda trabalho sem nos consultar, com horas a mais, sem segurança social que nos garanta esse dia de repouso, esse dia de contar as horas para poder dançar sem mais fazer que rir. Esse dia, que é o tempo de estar com aqueles que fizemos. E ter essa companhia para passar os dias. Uma doença, que nasce de se habituar a andar em silêncio, a seguir o tanto falar que a ocorrência concorrencial da vida nos impingiu na alma, no pensamento, na ideia, na cultura de crime e castigo que tivemos de viver. A doença aparece no olho, no estômago, no pé, mas é a alma que aí a quis colocar, que a quis pôr. Ao longo da vida, corremos mil provas para a ganhar. E, provas corridas e ganhas ou perdidas, o que queremos é que a vida seja a lealdade carinhosa dos que acompanhamos e quisemos nós próprios, acompanhar. Desses que não guardam silêncio e podem falar de si perante os seres amados, os seres em quem nós confidenciamos, os seres que constroem o elo da nossa vida de prazer.<br />
A vida, que Freud nos diz, tentamos fazer e não conseguimos, porque, como lhe diz Malinowski, em 1926, através de Jones, esse discípulo de Freud com quem o nosso pai da Antropologia discute, a vida está definida antes de nós nascermos e à mesma ficamos colados. Colados para sermos premiados se andamos pela via do meio, punidos se andamos pela via contrária. Via pela qual, tantos gostam de andar.<br />
A doença, meu filho, é não deixar mudar os agires dos lobbies que brincam à justiça sem direitos humanos, sem fronteiras. A justiça deles, que mata. A justiça deles, que os une na mentira de dizer que amam aos outros, esses que exploram. E quando levantamos a voz por querermos mudar tudo o que os donos do mundo mandam, a sociedade passa a ser o grande hospital dos doentes que atribuem a si próprios, e espalham pelo seu corpo, a falta de amor solidário que apoia. E dividem o mundo entre os meus e os teus. Seja qual for a cronologia de idade: os meus, são todos jovens justos, sãos e sábios. Os cães do hortelão. Os outros, velhos doentes, a traírem certas denominadas causas justas. O burro do Sancho.<br />
Será que sem mudança a vida pode continuar? Será que sem mudança a vida existe? Não será que a doença nasce por nos opormos ao novo, sem entender o facto das novas ideias? Sem distinguir entre o passado e o futuro? Sem distinguir entre o agarrar a pasta até morrer e deixar a geração vindoura sem recursos, destituídos? Lamentamos o pé, lamentamos o estômago, e não vemos a necessidade de dar a todos a sua parte no agir em grupo, não o respeito, mas o trabalho que permita ser útil materialmente ao ser que está vivo e precisa, porém, agir. A pior doença, é a falta desse direito humano que governa as nossas vidas só quando a impomos. E que devia funcionar só pelo facto de entender que todo o ser humano tem direito a uma vida não conculcada, igualmente distribuída. Porém, filho, a pior das doenças é essa falta de direitos humanos reconhecidos, tenhamos ou não recursos. O salário mínimo garantido. Mais ainda, a ocupação que gostamos, o recurso mínimo garantido. Mais ainda, ou ainda mais, a companhia dos que amamos, mínima garantia garantida. Para a doença não passar a ser individual e matar esse que não foi em vida garantido.<br />
Porém, a doença humana passa a ser a solidão que procura refúgio no imaginário. Porém, a doença humana passa a ser, pôr de parte, esse que um dia foi útil e que mais tarde, é inútil. Aos olhos dos outros. Aos olhos do social. E, na doença, procuram salvar os direitos humanos que, de certeza, jamais respeitaram. Como acontece com vários que, enquanto geriam, apertavam e matavam, e que, quando apertados e julgados, até testemunham estarem decadentes e pedem para serem acudidos por iguais nas atrocidades que fizeram na vida. Como O Grande Ditador da Alemanha que Chaplin desenhara para o povo entender, como O Velho Ditador que Garcia Márques nos descrevera para o povo perceber. Como os dos outros países que o teu pai pede para não nomeares, não vá a transição demorar ainda mais a se querer fazer. Como diz a Dama de Ferro que como o Velho Ditador, matou milhares nas Malvinas, pelo que, ela está-lhe agradecida e o defende no seu lobby.<br />
Atrocidades que ao mundo não convencem, mas fazem tremer vários de entre os iguais à Dama de Ferro e ao Velho Ditador que, apoiando o vendedor de mentiras, vêem a sua causa afundar-se em conjunto com a causa do Velho Ditador condenado. E condenados à forca, há hoje vários. Com outros vários a tremerem. Diferentes desses que ficam doentes por terem que mexer para não sentir. Os violadores da lei ficam doentes quando passam a sentir que a sua justiça não foi entendida. Mais ainda, que não entenderam jamais os símbolos sociais, os encheram de doenças, e tentaram matar os seus símbolos. O que, felicidade para a História, jamais conseguiram. Que o diga Timor, que o diga Chile. Antes morrer que aceitar. E os matadores do mundo morrem na sua elegante cadeia.<br />
A doença, filho, é um mal social. Mata em vida o assassínio. Mata na memória social pela lembrança metafórica que deixam.<br />
Terei uma imagem na minha cabeça enquanto faço debater os eruditos? Não. Tenho duas: o ladrão que matou o isolado na sua casa que ardia. Num 11 de Setembro de 1973. Morre na minha memória o matador, esse real, não o de Almodóvar. Deve morrer para termos uma justiça que nos permita conviver em debate. E continua vivo, o morto, cujo símbolo é mundial. Excepto na sua terra. Como sempre acontece.<br />
Porque, a pior das doenças, a que mais mata em vida, filho querido, é a falta de justiça. Essa que só, anos depois, é reconhecida. Eis a cura. Para tanta tristeza que abate em vida. E mata o doente enquanto mata a sua família.<br />
Têm razão os eruditos invocados: a doença é social. Mas, é uma doença social na base da falta dos direitos humanos que este século tem-nos fartado de mostrar.<br />
Filho, não vai chorar. Dá cá um abraço e vamos lutar pela justiça hierarquicamente distributiva entre todos os que têm fome e sede dela.<br />
Vamos calar Schubert.  A doença precisa de discrição e luto para se curar. Foi o que aprendi dos eruditos citados. Foi o que aprendi da prisão que me dá a vida. Prisão que tem cadeia se eu me quiser deixar encadear.<br />
Filho, filha, vamos preparar o entendimento a partir do trabalho de campo que me fez escrever este texto. Para entregar mais uma reflexão sobre os poderosos do mundo e os fracos, ao senhor professor que te ensina. Queira ele debater comigo. Vamos melhorar a nossa doença enquanto condenamos, por lei democrática, os abusos de poder. A falta de amor, em síntese. Em síntese de aplicação dos direitos humanos como lei do Estado. Restituamos a soberania duma nação. Vamos acabar com as doenças e juntarmos as mãos em paz e união.</p>
<div class="mceTemp mceIEcenter">Apenas quem é hoje em dia uma lembrança, teria respeitado e feito respeitar a soberania da nação.</div>
<div class="mceTemp mceIEcenter">
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img src="http://buenaleche.files.wordpress.com/2008/07/963445610_20e79ba4b6.jpg" alt="" width="500" height="394" /><p class="wp-caption-text">Salvador Allende, a metáfora do respeito à Soberania da Nação</p></div>
</div>
<p>Vilatuxe, Pencahue e Vilaruiva, Dia da Mudança da Presidência da República,</p>
<p><strong>Bibliografia </strong></p>
<ul>
<li>Bastos, Cristiana, 1998: &#8221; A política da produção do conhecimento&#8221;<br />
in Etnográfica, Vol. II, N.1, C.E.A.S.: Lisboa</li>
<li>Freud, Sigmund, 1918: Totem and tabu, A.A, trans.,<br />
New York: Moffart, Yard.</li>
<li>(1930) 2005: A civilização e os seus descontentamos<br />
Alianza Editorial: Madrid</li>
<li>Iturra, Raúl, 1999: &#8221; Crianças, os senhores do mundo, esmagam os fracos?&#8221;,<br />
in A Página da Educação, Ano 8, N 84, Outubro 99: Porto</li>
<li>1999: Desejo-te, porque te amo. O heterogéneo saber sexual das crianças.<br />
200 páginas na gaveta por falta de editor.</li>
<li>Levi-Strauss, Claude, 1962: Le tomémisme aujourdhui,<br />
PUF: Paris</li>
<li>Malinowski, Bronislaw, (1926) 1966: Crimen y costumbre en la sociedad salvaje,<br />
Madrid: Ariel.</li>
<li>Miguel, Jesús de, 1980: La antropologia médica en España,<br />
Barcelona, Anagrama</li>
<li>Murra, John V., 1975: Formaciones económicas y políticas del mundo andino,<br />
Instituto de Estudios Peruanos: Lima</li>
<li>Nunes, Berta, 1997: O saber médico do povo,<br />
Fim de Século: Lisboa.</li>
<li>Silva Pereira, Luís, &#8220;O Machitún.un ritual curativo Mapuche&#8221;<br />
in Etnográfica, C.E.A.S.: Lisboa</li>
</ul>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 315px"><img src="http://elperiodistaonline.cl/de_archivo/files/2009/09/Sebastian-Pi%C3%B1era.jpg" alt="" width="305" height="290" /><p class="wp-caption-text">Antigo colaborador do ditador, Sebastián Piñera, novo Presidente do Chile</p></div>


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</ol></p>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>o pecado de masculinizar a mulher</title>
		<link>http://www.aventar.eu/2010/03/10/o-pecado-de-masculinizar-a-mulher/</link>
		<comments>http://www.aventar.eu/2010/03/10/o-pecado-de-masculinizar-a-mulher/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 10 Mar 2010 22:00:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raul Iturra</dc:creator>
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		<category><![CDATA[submissão]]></category>

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		<description><![CDATA[Debato a submissão da mulher que admite licença para agir socialmente


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<li><a href='http://www.aventar.eu/2009/12/12/o-terceiro-pecado/' rel='bookmark' title='Permanent Link: O terceiro pecado'>O terceiro pecado</a></li>
<li><a href='http://www.aventar.eu/2010/03/07/mulher/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Mulher'>Mulher</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 210px"><img src="http://www.aventar.eu/aventar/wp-content/uploads/2010/03/we-can-blog-it.jpg" alt="" width="200" height="239" /><p class="wp-caption-text">a mulher pensada por vários homens</p></div>
<p>Grande surpresa a minha! Os meus colegas ensaístas tinham reservado um dia especial para comemorar o Dia Internacional da Mulher. Solicitaram-me que não escrevesse a 8 de Março porque a escrita, nesse dia, era apenas para senhoras. No entanto, tornei a ver o texto escrito a 7 de Março, reproduzido no dia proibido.</p>
<p>No entanto, muitas mulheres escreveram nesse dia, as do nosso grupo e outras convidadas. E vários de nós, homens, que tínhamos escrito, no dia prévio, sobre a mulher. A frase desse dia, o slogan ou estandarte por falar assim, é retirada de uma Canção dos Beattle <em>You can work it out.</em> Por outras palavras, podes fazer crescer ou podes conseguir. A intenção do slogan desse dia, que nem devia existir, porque somos todos iguais, é humilhar a mulher ao dizer que ela também pode crescer, também pode trabalhar, também tem forças para conseguir ser um outro ser como os homens. O mais irónico é a palavra blog, um caderno de rascunhos, de ideias novas de apontamentos para não esquecer. Mas a palavra blog numa frase como esta, refere a capacidade adquirida pelo sexo feminino de ser capaz de desenvolver as suas qualidades como os outros fazem. Aliás, a frase foi colocada por um grupo de homens que deu licença às mulheres para, nesse dia especial, poderem demonstrar que eram pessoas de poder, como os homens pensam que são. Salientem-se ainda, que o sítio em que a frase foi escrita, é denominado blog e é gerido ou administrado por homens. Há uma ou duas mulheres que, timidamente, acompanham essa gestão, excepto duas de apelido semelhante, mas que são convidadas a participar na escrita desde outro blog.</p>
<p><span id="more-1055040"></span></p>
<p>Normalmente, uso a palavra como blogue, por não ter tradução. Em todas as línguas são iguais e como a nossa língua lusa usa a letra <strong>e</strong> em quase todas as palavras &#8211; como dizer <strong>eagua</strong> por água, por exemplo, ou acrescenta um <strong>e</strong> a todas as palavras consonantes, como esta mesma de blog, ou o nome Malen passa a ser Malene, e outros que, na pressa do tempo não me deixa pensar mais, porque queria falar – eis outra: falare, ou Schubert, com a e a seguir a letra t – da masculinização que os homens fazem das mulheres. Masculinização não por fazer delas homens, mas para submetê-las sob a sua protecção. Nos meus 20 anos, passados já quarenta e vários trocos, as mulheres eram as pessoas que iam um passo atrás do homem, ou agarrada ao braço do homem que ela acompanhava, pai, marido ou filho crescido. Poucas trabalhavam e ficavam em casa a organizar a vida doméstica ou a comandar sobre as que organizavam a vida familiar para elas. As guerras eram para homens, enquanto as mulheres eram enfermeiras ou tomavam conta de seres masculinos acobardados como mães. Era o seu papel fundamentalmente diferente do dos homens. Hoje em dia, tudo tem mudado, em ideias, porque nos factos, as mulheres praticamente precisam de licença do sexo <em>oposto</em> para gerir a sua vida.</p>
<p>É verdade que elas têm filhos e os educam, preparam a comida e tratam da roupa. Os homens não foram criados para isso e não sabem nada da vida doméstica, excepto se são pais abandonados com filhos, o que na Europa muito acontece. O caso contrário, é mais comum, as mulheres ficam sós com as crianças, porque não sabem colaborar na vida doméstica, ou porque se aborrecem de ter outra pessoa em casa que espera ser servida, até ao ponto de ter que se masculinizar, deitar o homem fora e passar não apenas ao sustento da prole, bem como de tomar conta do trabalho do qual todos vivem, desse ordenado que é o sal –<em>sale</em>-, o condimento do lar.</p>
<p>Aos meus 40 anos comecei a ver mulheres a concorrerem com os homens por postos de trabalho, mas observei também que entre um e outra, ele era mais bem pago pelo mesmo desempenho de labores públicos.</p>
<p>Critico os meus congéneres masculinos, sejam heterossexuais, homossexuais ou bissexuais, aí não há problema, por fazerem do dia da mulher um dia especial e colocarem esse emblema que me parece muito mal: nós também podemos lutar, crescer, sermos capazes de fazer o que o sexo feminino faz. É um insulto que não tem perdão, é um pecado. Bem sabemos os da cultura ocidental o que é pecado: a condenação do comportamento social que suja os afazeres e a reputação.</p>
<p>Confesso que nem todos são assim, mas os seres humanos masculinos com os que debato dentro destas linhas, quiseram fazer &#8211; fazer<strong>e – </strong>um favor às mulheres e permitiram um dia de gestão feminina.</p>
<p>Masculinizar uma mulher, é permitir-lhe apenas por uma vez, fazer o que eles fazem e envergonham-na se não entrar na luta com os másculos, que sabem muito bem mandar sobre ela e muitas delas, permitem a humilhação de serem uma entidade sempre de pé atrás.</p>
<p>Quem me dera ser mulher! Não teria aceite tamanha desonra. Assim como me é difícil passar a ser um subordinado de mulheres que têm sofrido na vida e batem no próximo que as acompanha.</p>
<p>Há muito para dizer, mas o tempo e o espaço o não permitem.</p>
<p>A meu ver, o trato com as senhoras deve ser de uma forma naturalmente amiga, elegante e gentil, como espero que elas o sejam também comigo.</p>
<p>Critico duramente o Aventar pela sua arrogância. Porque não trabalharmos juntos todos os dias, suavizar o tratamento das feridas por outros sem que a ferida, ainda que pareça não acontecer?</p>
<p>Trabalharmos juntos e em pé de igualdade, com um pequeno se não: elegância para elas, respeito pelo seu trabalho. E não apenas uma permissão de um dia para fazerem o nosso trabalho…. A mulher operária, médica, secretária…, é do sexo sedutor e nós, sedutores. Donde:</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 360px"><img src="http://www.jardimdeflores.com.br/floresefolhas/JPEGS/Camellia_japonica.jpg" alt="" width="350" height="285" /><p class="wp-caption-text">mínima gentileza para uma pessoa igual</p></div>
<p>que eu cultivo para mim e a mulher amada. Se assim não fosse, não teria camélias para mim.</p>
<p>O pecado não está perdoado. É simples: Marguerite Yourcenar, o prémio Nobel do Chile em literatura, Gabriela Mistral, Teresa de Calcutá, Diane Spencer, a pintora mexicana Frida Kalo, e a médica e doutora em artes de defesa, Michelle Bachelet, que esta quinta-feira entrega o seu cargo de Presidenta do Chile, ao fascismo que tornou a um pais dobrado, mas não partido…</p>
<p>E guardo respeitoso silêncio pelas mulheres que aceitaram uma parva proposta… que é também pecado…</p>


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</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>os amores são como o vento</title>
		<link>http://www.aventar.eu/2010/03/09/os-amores-sao-como-o-vento/</link>
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		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 18:13:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raul Iturra</dc:creator>
				<category><![CDATA[sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[direitos humanos]]></category>
		<category><![CDATA[justiça]]></category>
		<category><![CDATA[mudança]]></category>
		<category><![CDATA[política nacional]]></category>

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		<description><![CDATA[Debato as mudanças do amor


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 392px"><img src="http://poesialusa.blogs.sapo.pt/arquivo/namoro.jpg" alt="" width="382" height="253" /><p class="wp-caption-text">Namoro, ele e ela em procura da igualdade</p></div>
<p> <em>para Maria da Graça</em></p>
<p>O título precisa  uma certa certa definição. Amores há muitos e de diversas maneiras. Há o amor à Mãe, há o amor à Pátria, há, finalmente, o amor à Humanidade, e dentro de Humanidade, há o amor personalizado. Esse amor a dois, que é nosso melhor alimento espiritual e que dá força para continuar a vida.</p>
<p>Vivemos num país de brandos costume, como é denominado Portugal, que causam estragos se nós sabermos por não saber precaver situações de alto risco. Apenas durante estas duas passadas semanas, tivemos uma hecatombe na Madeira, como já comentara num ensaio anterior; a seguir, e por esse descuido, o Chile ficou de joelhos: nem partido nem quebrado, mas sim, dobrado. Faz dos dias antes desta data, a Turquia ficou de rastos. O que segue, não é sabido. Quem nos dera sermos bruxos ou uma divindade qualquer. Conheceríamos assim o futuro e aprenderíamos a gerir o presente.</p>
<p>Mas o presente tem um senão. Especialmente em amores privados. O homem quer mandar, assim foi habituado desde a sua mais tenra infância, e não consegue suportar o machismo crescente da mulher. Pelos menos, na minha geração que não a dos mais novos: novos são meus netos que, a todo minuto, devem começar a namorar, especialmente o mais velho, que neste Junho faz dez anos. A sua pequena irmã de sete, já pretende ter sedutores, porque imita a mães que é linda como o sol, sabe que é assim e, sem se exibir, aceita com paciência as simpatias dos seus colegas e compatriotas holandeses e ingleses. Tomás segue os passos do pai, que está sempre a trabalhar no seu Museu da Insurreição, que bem dirige. É um genro de bom feitio e lindo, como o seu filho, meu neto. Nem um nem o outro, reparam se são pretendidos ou não, não têm vaidade, não se exibem. <span id="more-1054910"></span></p>
<p>Acontece que há esse tipo de amar que não comanda e que dá ideias para o outro ir em frente: coma paciência, sem seduções permanentes, sem a libido sempre a rebentar de desejo, libido que e uma força da natureza que não nos permite amar. O amor é simples, casto, envergonhado, sabe ser prazenteiro com a pessoa dos seus sonhos e tem medo que ela o não saiba entender e o puna e corrija sistematicamente e trate dele como um filho e não como companheiro. Não é bem o meu caso, mas pode, as tantas, acontecer</p>
<p>Ainda mais, hoje em dia, como tenho referido em outros ensaios deste sítio de debate académico, é aprovada a liberdade de amar, com justiça, esse reconhecimento a expansão da liberdade de expressão emotiva e libidinal. Como diz Freud em 1922 no seu texto o <em>Ego e o Id</em> &#8211; por tê-lo lido em francês, é para mim <em>Le Moi et le Ça</em>-, esse amor entre homens, entre senhoras e o habitual amor heterossexual, que a maior parte de nós usamos, respeitando os outros. Estudado por Mèlanie Klein, Alice Miller, Wilfred Bion especialmente em 1968 no seu <em>Experiences of Goup </em>e Boris Cyrulnik, os meus santos padroeiros na volubilidade do vento do amor. Especialmente Cyrulnik em 2001: <em>Les vilains petits canards</em>, Odile Jacob, ÇParis, versão lusa do mesmo ano. Piaget, Lisboa. Todos definem, de formas diferentes essa inaudita capacidade de amar e de construção humana quando os ventos sopram do avesso.</p>
<p>O que eu não consigo respeitar, e que a dama dos meu sonhos, me queira corrigir sistematicamente. O amor é travado, a paixão não consegue acordar, mas confesso que o desejo dessa companhia sem trabalho e a passear, é um vento de tipo alísio, que vai do quente para o frio e procura a nossa expansão libidinal, se somos seres iguais e tratados como tal.</p>
<p>A liberdade da mulher é como o vento: sopra para ir trabalhar, para tomar conta dos filhos, satisfazer o seu parceiro, ou procurar alívio a sua congestão de querer dar a luz e educar aos filhos sós, por ser os pais indivíduos que não prestam na educação: não foram ensinados.</p>
<p>Os amores são como o vento, e como o vento muda de força no seu sopro. Tendo que soprar para todos os sítios ao mesmo tempo, pagando a conta do seu descontentamento quem acompanha e procura essa companhia da mulher dos seus sonhos, pela qual sopramos coo o vento, para rir e brincar com ela de forma gentil, sem desespero, como acontece com muitas delas. Mal sopra um vento contra os seus sentimentos, nos pagamos os sarilhos que, sem se saber porque, aparecem. Mas, com santa paciência, cá vamos vivendo a intempérie do dia em que ao vento calham soprar contra elas, donde, conta nós.</p>
<p>O amor é como o vento, aparece de repente de todos os cantos e lá vamos nos apagando os fogos, pelo amor a mulher dos nossos sonhos…</p>
<p>Apenas um comentário ao meu ensaio da manhã, que causara surpresa… uma resposta tenra e amorosa… com dignidade e respeito…</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 333px"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_3i6ROTVOQZk/Sj6Nyasdx8I/AAAAAAAACm0/YPZn-6x18sk/s400/Briga+marido-mulher.jpg" alt="" width="323" height="323" /><p class="wp-caption-text">em procura da igualdade</p></div>


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		<title>A conheci e nada pedi. Um poema</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 15:00:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raul Iturra</dc:creator>
				<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[carinho]]></category>
		<category><![CDATA[direitos humanos]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[intimidade]]></category>
		<category><![CDATA[justiça]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[um dia amor..]]></category>

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		<description><![CDATA[Debato o meu econtro com a mulher dos meus sonhos e a nossa solidaria colaboração.


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<p>Entrei na sala de aulas. Era o meu dia de proferir uma lição. A lição da semana. Não olhei para sítio nenhum, conforme meu hábito, nem falei. Distraia-me. Distrair-se no começo da elocução, era um pecado. Um grave pecado. O meu dever era ensinar. Para ensinar, deve-se estar concentrado. Todos o sabiam e por isso não me falavam. Era sabido por todos que no meio da conferência, ia parar, calar e dizer, caramba, estava tão dentro dos meus pensamentos, que me esqueci de cumprimentar. Todos riam. Mas ninguém falava. Conhecido era que qualquer frase ia danar-me, perdia o fio da memória, esquecia a frase seguinte. A prova era dura. Era meu costume enviar as habituais seis páginas da temática que ia proferir, vários dias antes. Todos liam e sabiam do que eu ia tratar. Carregado de textos, enquanto falava, procurava citações em livros sinalizados por mim com pequenos colantes amarelos escritos com a ideia central para desenvolver ao longo de 45 minutos. Nenhum minuto mais, nenhum minuto menos. O título da aula era a minha hipótese, e os pequenos colantes que marcavam diversos sítios dos vários textos, as ideias substantivas para provar a central. Esses 45 minutos voavam como borboletas, com os meus olhos fixados em cada flor que ai estava. Olhava-as, mas não as vias. Bem sabiam as minhas borboletas que um pequeno sussurro delas, encurtava o meu pensamento e não ia saber como continuar. Cada dez minutos, contava uma anedota para aligeirar a lição e aliviar a forçada concentração a que as obrigava. Borboletas femininas, borboletas masculinas, de curta idade, à tarde e à noite, adultos que trabalhavam durante o dia e apareciam às 18.15 – a minha lição devia começar às 18, mas eu dava quinze minutos de tolerância, porque, em hora de ponta, as deslocações eram cumpridas e pesadas, porque um café para estarem acordados, porque um queque para entreter a fome. Porque a conversa de corredor era obrigatória. Porque milhares de motivos entretinham as minhas borboletas.</p>
<p><span id="more-1054833"></span></p>
<p>Aprenderam dois factos: que a hora era a hora; e as temáticas: era a aula escrita antes, era o seminário que se seguia, era a tutória no gabinete com leitura prévia, o texto escrito era entregue previamente, debate entre quatro, e o seminário final do segundo tempo de aula no decorrer da semana. Eram cento e quinze minutos comigo em silêncio e dois ou quatro falavam ou liam os seus trabalhos. Cansados já do trabalho do dia, mandava desmobilar a sala para confrontar as borboletas e nesse olhar profundo e palavras ao ouvido do outro, e exposição decorria em trinta minutos, sempre interrompidos por mim para acordar os dormentes e cansados trabalhadores estudantes.</p>
<p>E um dia, eu fiquei distraído. Levantei os olhos e vi-a. No fundo da sala, toda penteada e séria, sem se distrair do que se falava, sem falar com a companheira de bancada, ouvia fixamente. Dentro do recinto de aula. Lá, fora, no corredor, não era comigo, não ficava para conversas, também devia eu falar o dia todo. Era um docente trabalhador, por causa das infindáveis reuniões, de inacabáveis reuniões do Conselho Científico, do Departamento, do Pedagógico, tantas, que eu ficava farto.</p>
<p>Mas nesse dia, levantei os olhos, e vi-a, era semelhante à mulher dos meus sonhos: elegante, esguia, bem vestida, séria dentro do recinto de aula, sempre a rir no corredor e a contar anedotas. Esqueci-me da frase seguinte e tive que improvisar. Os olhos da cor do mar, o corpo esguio, o bem penteado cabelo, a simpatia do olhar, o silêncio persistente no dia de aula, cativaram-me. Mas, o meu lema: há discentes e docentes e o único laço que os une é o do saber. Ou não se cumpre com o dever. Era uma alegria vê-la ai todas as terças e quintas. O ano findou, o tempo passou, ia eu morrendo e os meus antigos orientados fizeram a festa dos livros de Raúl Iturra. Ela estava só, mas presente. Comprou um livro meu, reconheci-a, agradeci a mensagem semanal que aparecia no meu computador e convidei-a para casa sob o pretexto de consultar ideias minhas para o meu novo livro. Desde esse dia, nunca mais faltou, reescreveu o meu mau português gramatical, continuou com outros textos meus e aprendi a escrever.</p>
<p>Tão linda e sedutora, que me foi impossível não colar a foto neste texto, que, de certeza vai fixar.</p>
<p>Temperamento? Ás vezes feliz, outras em sofrimento. Mas esse mês de Junho de 2009, em que fui escrever para sua casa, ficaram, para sempre na minha alma.</p>
<p>Eu nada pedi, tudo me foi dado. Era e é um poema de mulher, a mulher dos meus sonhos… A imagem fala por mim. Há que dar tempo ao tempo para estarmos em Junho outra vez e na sua casa… com esse sonho de mulher, cruzando o rio e a ser esperado… com um riso permanente…que alegra a minha vida.</p>
<p>Talvez nem fixe o texto, é para ela. É melhor a surpresa do luso português iturriano como é denominado, e a surpresa de se ver na net, em breve… esse sonho de mulher…</p>
<p>Ontem foi o dia Internacional da mulher, dia que, para respeitar os mandos, fez-me escrever um texto no dia prévio e a noite…com essa imagem sempre comigo.</p>


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		</item>
		<item>
		<title>Mulher</title>
		<link>http://www.aventar.eu/2010/03/07/mulher/</link>
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		<pubDate>Sun, 07 Mar 2010 19:00:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raul Iturra</dc:creator>
				<category><![CDATA[sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[direitos humanos]]></category>
		<category><![CDATA[homem]]></category>
		<category><![CDATA[homens e mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[mulher]]></category>

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		<description><![CDATA[Analiso a fidelidade de mulheres e homens em carta enderçada ao minha neta e ao meu bebé, Maria da Graça


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<li><a href='http://www.aventar.eu/2009/11/03/homem-velho-e-mulher-nova-filhos-ate-a-cova/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Homem velho e mulher nova filhos até à cova'>Homem velho e mulher nova filhos até à cova</a></li>
<li><a href='http://www.aventar.eu/2010/03/08/quem-me-dera-que-o-dia-da-mulher-me-fosse-indiferente/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Quem me dera que o dia da Mulher me fosse indiferente:'>Quem me dera que o dia da Mulher me fosse indiferente:</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 326px"><img src="http://www.cantinhodameiga.com/elegante_senhorafig.jpg" alt="" width="316" height="504" /><p class="wp-caption-text">Ideal de mulher, rara na sociedade capitalista</p></div>
<p>Para a nossa neta May Malen, de três meses e três dias, e para o meu bebé, Maria da Graça</p>
<p><strong> </strong>Quem saiba de gramática e sintaxes, dir-me-ia que escrever esta palavra, este substantivo, ficava pendurado por não ter artigo, adjectivo qualificativo, estar no meio de uma frase ou revelar a intenção de colocar a palavra no meio, como se diz no castelhano castiço, da nada e da coisa nenhuma. Ou dicionário que me apoia diz ser uma pessoa adulta do sexo feminino.</p>
<p>E os problemas começam. O que será sexo feminino. Sabemos que o substantivo sexo representa órgãos genitais diferentes dentro da mesma espécie do género humano ou diferença física ou conformação especial que distingue o macho da fêmea. E os problemas continuam entre macho e fêmea. Não deve ser preciso consultar o dicionário para nada. É necessário deixar falar ao coração, aos nossos sentimentos, as idades de vida. A mulher começa por ser a pessoa que nos amamenta, que satisfaz o apetite do corpo que cresce. Matar essa fome que o crescimento causa. A energia do se desenvolvimento, precisa ser alimentada com litros de leite para os décimos de centímetros que a criança usa na vida até a sua autonomia total.</p>
<p>Autonomia heterogénea: ou gatinhar, ou se agarrar ao corpo dos pais porque confia</p>
<p><span id="more-1054462"></span></p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 345px"><img src="http://comps.fotosearch.com/bigcomps/BNS/BNS113/FAM17.jpg" alt="" width="335" height="520" /><p class="wp-caption-text">família unida enquanto não se saibam os segredos de...</p></div>
<p>neles.</p>
<p>Uma confiança criada pelo sorriso, alegria, brincadeiras. Faz-me lembrar de imediato que a nossa primeira mulher, é a mãe, a seguir, a mulher que amamos já adultos, a que desperta a nossa libido e nos dá, pelo menos na minha história de vida, mais mulheres como filhas para criar, ensinar e divertir. Mulheres crescidas que procuram o seu par, que abandonam aos seus para andar com o seu homem. Mulheres que fazem dos seus pais, avôs, velhos ou novos. Avôs que têm o se dia apenas para eles e os netos. Poucas horas, mas a hora do avô e da avó que o acompanha. Horas sagradas que nos tira o tempo com prazer. Horas sagradas, por ser o papel dos avôs apenas entreter e cuidar, sem se intrometer na educação que os seus filhos dão aos seus. Felonia capital.</p>
<p>Há pois, a mulher bebé, a mulher noiva, a mulher que da filhos, a mulher que acorda a libido masculina, e, hoje em dia, a mulher que ama uma companheira.</p>
<p>Ter-me-ei enganado ao começo ao definir a mulher como fêmea adulta? Serão todas as mulheres fêmeas adultas ou apenas uma criadora de crianças? Será que todas as mulheres são mães que criam e amamentam? E o que é ser fêmea? É o nome dado, geralmente, a todos os seres do sexo que pare ou põe ovos. Fêmea é o ser com uma cavidade entre as pernas, pela qual entre o macho para semear o seu esperma e gear mais mulheres….ou rapazes.</p>
<p>Se falo de mulher, é porque a histórias quis que eu tiver mulheres como descendentes, excepto um. Se conto com os dedos, cinco, delas… por enquanto.</p>
<p>A mulher é uma dádiva divina, sem quem nada faríamos. Não tenho a mínima dúvida da mulher ser sempre mãe, em qualquer grupo social, etnias, ou nativos. Entre nós, há um ditado: os filhos das minhas filhas, netos meus são; os filhos dos meus filhos, o são o não o são.</p>
<p>Trágica ideia de dúvida sobre a fidelidade masculina, trágica ideia de inevitável fidelidade feminina. Seja verdade ou não. É mais masculino, que tem mais mulheres penetradas; é mais feminina quem tem tido como o seu copulador, ao pai da sua descendia. Como se orgulhava a nossa Senhora mãe: tenho tido apenas um homem na minha vida, o meu marido. O vice-versa que sempre uso, nesta história não tem cabimento. Segredos de família que não consigo revelar.</p>
<p>Apenas uma coisa é certa para mim, como macho; toda mulher é mãe. E mais nada a dizer. Essa relações segredas que nos relata Margueritte Yourcenar ou Simon de Bouvoir, o Hannah Arendt, ou as análises de Alice Miller, de Melanie Klein, de Françose Dolto e as minha próprias, são tragicamente verdade. Esse segredo da mulher que tem um amante que nem a sua melhor amiga sabe. Os homens, apenas suplementamos o orgasmo se contam. O se seduzimos a quem seduzir-nos <strong><a href="http://richardinternet.blogspot.com/2009/10/por-que-o-homem-promiscuo-e-o-bom-o.html" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/richardinternet.blogspot.com/2009/10/por-que-o-homem-promiscuo-e-o-bom-o.html?referer=');">Por que o homem promíscuo é o bom, o garanhão enquanto a mulher promíscua é simplesmente puta?</a> </strong></p>
<p>As mulheres cansam-se de nós, procuram alternativas, públicas ou privadas. As Senhoras de Casa, nada dizem. Edith Piaf, Elizabeth Taylor, Maria Callas, com triunfos nas mãos, nada têm calado. São as que mais interessam, mulheres de vida pública triunfante, que guardam com fechadura lacradas, as sua vidas privadas, excepto, até onde se saiba, Lucrécia Borgia. Uma pessoa sem pudores, que usa seu corpo para ter prazer com qualquer pessoa, que fale palavras de baixo calão, que se atire nos braços do primeiro homem que vê, enfim, uma pessoa sem vergonha. Lucrecia Borgia, porém.</p>
<p>Ou as mulheres, que nóa, machos querem tomar conta de nós, mandar em nós ou corregir as nosssa faltas, faladas ou escritas. Mulheres sedutoras que semean em nón o temor de sermos parvos. Amo. Sou amado. Há uma mulher. Sou um homem. As correções fustigam de parte a parte e ficamos mal, tristes por não ter tido a mínima intenção de ferir. Mas que ficamos como putos, deeus nos valha! Ficamos e a líbido baija.</p>
<p>Ser mulher é que ve, ouve e cala. Para os homens, canto o mesmo estribilho: ou há respeito mútuo, ou ficamos sempre a crescer. Como a minha neta, a May Malen. A sua mãe, mulher que adora ao seu marido, deve guardar estas páginas para o dia que ela for adulta… ou aceitar os desvarios que possa cometer…</p>


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		<title>Renascer</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Mar 2010 11:05:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raul Iturra</dc:creator>
				<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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		<description><![CDATA[História de vida de mi sobrina e ahijada Alejandra, en el renascer de lo que podia haber sido una enfermedad y ya no lo es.


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para Alejandra, el el día de su cumpleaños&#8230;</p>
<p><em>Nascí</em>, es primera palabra del libro de Charles Dickens, David Copperfield, escrito entre 1849 y 1850. Esa palabra que da título al primer capítulo del libro.</p>
<p>Tu también, apenas que muchos años después, casi ciento y sesenta e cinco años después, más o menos. La edad de una Señora nunca se dice, especialmente si es Toro Iturra de Iribárren. Las Toro adoran quitarse la edad, las Iturra, no podrían hacerlo mejor. Tú, no serás igual, eres demasiado moderna, fuerte y valiente<span id="more-1054416"></span></p>
<p>Naciste ese 8 de Marzo de 1976, justo a tiempo para comenzar tus estudios. Comenzaste en una escuela inglesa de Southapton, en Gran Bretaña. Más tarde, porque así lo decidió el patrón de la casa, tu padre, volvieron a Chile y tu madre, con lágrimas en los ojos por la amargura de haber vuelto a un país tan odiado en esos tiempos, te traducía tus libros a los ocho años de tu edad, para que aprendieras Castellano Todos tus tíos querían oírte hablar en inglés: era tan elegante!, pero nada conveniente para tu bienestar. A tus diez años, hablabas fluidamente las dos lenguas y eras la reina de los estudios, porque tu madre te enseñó. Años más, años menos, la verdad es que volviste a Chile en 1984 y habías nascido diez años antes.</p>
<p>Te conocí de tres meses, cuando tu tía Gloria y tus primas Paula y Camila, tenían, la primera, diez años más que tú o así me parece, y la segunda, apenas un año más vieja. Te enseñaron inglés, la lengua de ellas, y con las palabras enredadas éntrelos dos idiomas, sólo sabías decir en correcto castellano, como ya escribí para ti: “No me ensucien el agua”.</p>
<p>Yo te conocí en Noviembre de 1975, en el aeropuerto gallego de La Bacoya. Estábamos en España a investigar la vida de los niños de otros para mis trabajos en la Universidad de Cambridge, del Reino Unido, donde yo trabajaba. Eras así: ni que tus abuelas te hubieran criado, andabas como querías, te ensuciabas como se te antojaba y tu madre, siempre elegante, te cuidaba el día entero y te cambiaba de ropa cien veces por día. Primero usaste la ropa da Camila, no había dinero en esa aldea de Vilatuxe, en la parte alta de una de los tres provincias gallegas, Pontevedra, la parte alta, donde en el invierno nevaba y durante el verano nos moríamos de calor.  Los Iturra tuvimos que irnos a Cambridge en Febrero de 1976 y se que quedaron en la casa de amigos míos, María de los Dolores Domínguez, Madó por sobrenombre, psiquiatra en el Hospital Conxo de Compostela, donde los dos atendían pacientes y daban clases. La casa de de los llamados orates en Conxo, eran atendidos y los futuros analistas recibían clases de tu padre e Mado, en la Facultad</p>
<p>de Medicina de la Universidad de Compostela, que estaba en ese mismo hospital. Madó vivía con su compañero, el profesor primario Luís Ferradas, que te llevaba a pasear. Finalmente, se fueran a nuestra casa de Cambridge 2123, en 53 Bateman St., Departamento B, y en Octubre de ese año a la de Southampton, donde tus padres comenzaran a trabajar.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><em><span lang="ES">Nascí</span></em><span lang="ES">, es primera palabra del libro de Charles Dickens, David Copperfield, escrito entre 1849 y 1850. Esa palabra que da título al primer capítulo del libro.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span lang="ES"><span style="font-size: small;">Tu también, apenas que muchos años después, casi ciento y sesenta e cinco años después, más o menos. La edad de una Señora nunca se dice, especialmente si es Toro Iturra de Iribárren. Las Toro adoran quitarse la edad, las Iturra, no podrían hacerlo mejor. Tú, no serás igual, eres demasiado moderna, fuerte y valiente</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span lang="ES"><span style="font-size: small;">Naciste ese 8 de Marzo de 1976, justo a tiempo para comenzar tus estudios. Comenzaste en una escuela inglesa de Southapton, en Gran Bretaña. Más tarde, porque así lo decidió el patrón de la casa, tu padre, volvieron a Chile y tu madre, con lágrimas en los ojos por la amargura de haber vuelto a un país tan odiado en esos tiempos, te traducía tus libros a los ocho años de tu edad, para que aprendieras Castellano Todos tus tíos querían oírte hablar en inglés: era tan elegante!, pero nada conveniente para tu bienestar. A tus diez años, hablabas fluidamente las dos lenguas y eras la reina de los estudios, porque tu madre te enseñó. Años más, años menos, la verdad es que volviste a Chile en 1984 y habías nascido diez años antes.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span lang="ES"><span style="font-size: small;">Te conocí de tres meses, cuando tu tía Gloria y tus primas Paula y Camila, tenían, la primera, diez años más que tú o así me parece, y la segunda, apenas un año más vieja. Te enseñaron inglés, la lengua de ellas, y con las palabras enredadas éntrelos dos idiomas, sólo sabías decir en correcto castellano, como ya escribí para ti: “No me ensucien el agua”.</span></span></p>
<p><span lang="ES">Yo te conocí en Noviembre de 1975, en el aeropuerto gallego de La Bacoya. Estábamos en España a investigar la vida de los niños de otros para mis trabajos en la Universidad de Cambridge, del Reino Unido, donde yo trabajaba. Eras así: ni que tus abuelas te hubieran criado, andabas como querías, te ensuciabas como se te antojaba y tu madre, siempre elegante, te cuidaba el día entero y te cambiaba de ropa cien veces por día. Primero usaste la ropa da Camila, no había dinero en esa aldea de Vilatuxe, en la parte alta de una de los tres provincias gallegas, Pontevedra, la parte alta, donde en el invierno nevaba y durante el verano nos moríamos de calor.<span> </span>Los Iturra tuvimos que irnos a Cambridge en Febrero de 1976 y se que quedaron en la casa de amigos míos, María de los Dolores Domínguez, Madó por sobrenombre, psiquiatra en el Hospital Conxo de Compostela, donde los dos atendían pacientes y daban clases. La casa de de los llamados orates en Conxo, eran atendidos y los futuros analistas recibían clases de tu padre e Mado, en la Facultad de Medicina de la Universidad de Compostela, que estaba en ese mismo hospital. Madó vivía con su compañero, el profesor primario Luís Ferradas, que te llevaba a pasear. Finalmente, se fueran a nuestra casa de Cambridge 2123, en 53 Bateman St., Departamento B, y en Octubre de ese año a la de Southampton, donde tus padres comenzaran a trabajar.</span></p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 636px"><img src="http://www.andaluciaimagen.com/Tr%C3%AAs-meses-de-idade-do-beb%C3%AA-gerado-pela-avo_113027.jpg" alt="" width="626" height="436" /><p class="wp-caption-text">Alendra, mi ahijada, a jugar cuando era bebé</p></div>
<p>Tus padres eran reyes para el trabajo especialmente tu madre que enseñaba Tu padre investigaba. Y todas las fiestas, pasábamos juntos en una de las dos casas, con los Vio Giacaman y los Tapia Soko. En la tardes, amigos portugueses, te daban el té, Guida e Zé o José, que fueron muy amigos y vecinos.</p>
<p>Y creciste. Y te hiciste kinesióloga en la Universidad Católica de Talca, especializaste tus estudios y ganaste el premio de la mejor graduada de siempre, en esa Universidad. To práctica fue en un Hospital de Santiago, especialista en personas quemadas.</p>
<p>El resto tú lo sabes. La niña más encantadora del mundo, siempre a estudiar, con palabras directas para las personas, cuando las relaciones andaban mal. Me visitaste en Portugal a tus ocho años, con tus padres, tía Gloria y primas Paula y Camila. Uds. dormían en la casa de los Zé, y mi familia en la mía. Era pequeña la casa, hasta que viniste por tu cuenta a mi casa nueva, con terrazas tan grandes, que uno se podía hundir e ellas, en los años dos mil. Tu madre y Paula, ya habían estado acá antes todo un mes,  en 1998 o 99. Estoy cierto que fue en el 98. Llevé a tu madre a Sevilla en uno de mis Volkswagen y nos asamos de calor durante una semana.</p>
<p>En los años noventa, me dejaran ir a Chile, y ahí estabas tú con la Torada toda y tu abuela Flora, e Talca.</p>
<p>Más tarde en la vida, dos hecatombes pasaron: una enfermedad tuya de la que estás renaciendo, en compañía de tus padres y de Cristián Irribárren, tu hombre.</p>
<p>A quién se le ocurre comprase una casa en el piso décimo séptimo. Solo a Uds.! Caramba!</p>
<p>Pero como el ave Fénix, el fuego que nos quema nos hace renacer. Si no me creen, vean esto:</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><img src="http://static.latercera.com/20100304/710715_400.jpg" alt="" width="400" height="263" /><p class="wp-caption-text">Chile renasce de cenizas, Alitade fortaleza. Feliz re-nascimiento, ahijada</p></div>


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		<title>Natureza, lucro, catástrofes</title>
		<link>http://www.aventar.eu/2010/03/06/natureza-lucro-catastrofes/</link>
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		<pubDate>Sat, 06 Mar 2010 14:00:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raul Iturra</dc:creator>
				<category><![CDATA[ambiente]]></category>
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		<description><![CDATA[Debato comom a ambição pelo lucro, causam desgoverno que resultam em catátrofes


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<p>Continua a ser-me difícil não desabafar sobre as catástrofes acontecidas durante estes pesados dias. Dias pesados, porque nem os sentimentos, nem o espírito nem o corpo são capazes de suportar as hecatombes ocorridas ao longo destes dias em diferentes partes do mundo. Sítios do mundo geograficamente distantes uns dos outros, unidos apenas pela parte mais pesada e difícil de suportar do ser humano, os sentimentos. Esses sentimentos ou emoções que comandam a nossa racionalidade, atributos que definem o nosso pensar e dizer, ou operação do espírito de que nascem as nossas opiniões ou juízos. Juízo ou discurso, argumento, proposição, observação dos acontecimentos que arrasam o nosso sentir ou aptidão para receber as impressões do exterior na nossa consciência íntima.<span id="more-1053720"></span></p>
<p>É um discurso, semelhante a um discurso, esta primeira parte das minhas palavras. Mas, não tenho outras. Todas as palavras relacionadas com sentimentos, racionalidade, hecatombes, catástrofes, têm sido gastas nos ensaios prévios a este. Era um sábado 27 de Fevereiro deste ano de 2010, em tudo parecia como um dia de sábado, esse dia da semana que mais gostamos, porque não corremos, porque é cumprido, porque ainda fica o dia seguinte de folga, que é domingo. Pode chover, pode haver trovoada, pode estar frio, nos estamos agasalhados. Esses poucos de nós que podemos guardar-nos do gélido inverno, enquanto muitos outros andam pelas ruas da amargura dos sem abrigo, dos que trabalham como se fosse segunda-feira, dos que andam a limpar as ruas. Dos que tentam defender-se do pior inverno da minha memória.</p>
<p>No entanto, esse sábado especial, trouxe notícias dilacerantes, duras, de terror. Hecatombe tinha acontecido no arquipélago da Madeira, terramoto tinha acontecido no Chile. De um começo de noite agasalhado para começar um sábado de descanso – para os que descansam ao sábado, o meu sábado é o melhor dia porque sou capaz de escrever em silêncio horas a fio, ninguém está em casa, apenas Bach, Beethoven e Chopin. E o telefone.</p>
<p>Esse telefone que me anuncia, no meio da manhã, que o Chile tinha sofrido o pior dos terramotos dos últimos cem anos dos seus duzentos anos de vida como República independente. As casas tinham caído, as ruas estavam arrasadas, os incêndios apareciam em todos os cantos das cidades do centro sul do país. E as réplicas, e as casas que continuavam a ruir cada vinte minutos. Na Madeira, essa semana, os riachos tinham levado casas, pessoas e bens, desmoronaram partes do cerro onde casas tinham sido construídas a intempérie e risco de deslizarem se chovesse muito, investimentos perdidos. Investimentos para convidar turistas a passearem pelo que tinha sido, durante anos, o jardim do Éden. Como no Chile, que guardava esse centro do pais até oitocentos quilómetros ao sul, como uma relíquia para vender paisagens e passeios aos turistas. Os dois sítios tinham essa beleza como a da imagem do início do texto. Na Madeira, ao longo dos anos, os leitos dos rios secaram e neles se construíram casas, vendidas a preços difíceis de pagar, as casas dos socalcos do cerro tinham jardins com flores de um aroma perfeito. Como todo esse centro sul do Chile, que guardava partes das cidades velhas, do tempo da colónia da monarquia espanhola, preservadas para passear estrangeiros pelo século XVI em frente. Um negócio que rendia milhares de euros na Madeira, de pesos no Chile.</p>
<p>E essa é a minha ideia. Chorar, já chorei tudo o que podia, até se secarem as gotas que me caíam dos olhos. Tentar saber dos nossos, nunca tinha poupado tanto em telefone como nesses dias amargos em que as partes mais antigas da capital do Chile se desmoronava em apenas noventa e nove segundos, e cidades, orgulho do país, como Curicó, palavra da língua mapudungum dos Mapuche do Chile, que em Castelhano significa águas pretas, perdera o seu centro histórico, a duzentos quilómetros ao sul de Santiago, e Talca, ou Tralca, palavra do castelhanismo do mapudungum, que significa trovão e que era sempre comparada a Paris e Londres, esse rim da aristocracia chilena, com as suas indústrias, fábricas, cultivo da <em>remolacha </em>ou beterraba utilizada no fabrico de açúcar, essas casas de três pátios com palmeiras, quintais e fontes de água, foram arrasadas. Os prédios mais modernos, feitos para os que queriam lares próprios, ruíram ou para o lado direito, outros para o lado esquerdo, conforme o vaivém do sismo. Os caboucos tinham sido feitos pouco aprofundados para construir estacionamentos subterrâneos e as vigas de ferro para segurar os prédios, poupadas e com pouco cimento. Talca ficou arrasada, o hospital ruiu, os doentes em tendas de campanha passaram a ser atendidos nas ruas, e as mortes a intempérie começou entre os mais velhos e as crianças. Nem notícias podia ouvir, entre os meus soluços e o tremendo desgarro de não saber onde estavam os meus, esse sábado dormi para esquecer os factos no meio da minha estonteada solidão de homem sem família, ou com a família dispersa em sítios distantes. Sem meio segundo de comunicação.</p>
<p>E reagi. Não podia ser. A causa dos desastres nos meus dois países, é o lucro que rende a venda de casas construídas nas ribeiras secas, em socalcos onde se pensava que sobre eles nunca mais choveria. O lucro dos proprietários das terras secas, dos prédios novos, da ambição de os levantar até dezassete andaras, todos feitos com paredes de vidro para mostrar ao público a elegância e conforto das casas e do bem que se vivia, acabaram em menos de um minuto.</p>
<p>A causa do terramoto no Chile e da catástrofe da Madeira, é apenas devido à ambição de lucro ou dos governos, que deviam legislar e planificar para salvar vidas com antecedência. Não tenho dúvida que a terra tremeu, que é sabido que a terra treme, que há tsunamis. O balneário de Constituição, a praia de Talca, ficou arrasado por um tsunami que devorou as orgulhosas casa construídas mesmo junto do mar, em terrenos cimentados, como as de Talcahuano e Concepción. O orgulho latifundiário, a riqueza das vendas da produção, permitiu num país pobre, endividar-se para ter casa na cidade e casa na praia. A causa dos desastres é a ambição do lucro dos que têm hierarquia para mandar e a usam para enriquecer, como foi, também, o caso do sul de França, que passados dois dias foi fustigado pelo furacão Cinthia alagando as casas, matando gente até os salvadores de pessoas em risco, num Concelho que tem uma lei que proíbe, por causa da vila ficar ao pé do mar, construir abaixo do nível das suas águas, no entanto, por conveniência do concelho, para lucrar, foi desrespeitada a lei e permitida a construção de casas com cais para veleiros. Cinquenta e três mortos e percas em bens.</p>
<p>No Japão sabe-se que a terra treme todos os dias e sabe-se também que naquele país têm sabido construir casas que defendem os seus habitantes até dos tsunamis ao flutuarem na água, sem se afundarem. O Japão bem sabe que um terramoto no Chile, produz inundações nas suas ilhas. E defende-se, sem cobrar mais por isso, como acontece na Madeira e no Chile, construídos recentemente para lucrar e comerciar com os turistas, carregando no preço de propriedades, ou de casas para o verão…que nestes dias foram levadas pela ambição das autoridades ao cobrarem impostos ou ao gerirem (mal) o que são terras baldias por serem, durante um tempo, leitos secos de rios que um dia se lembraram de entrar e semear desgraças.</p>
<p>Sim, a natureza treme, todos sabemos isso, mas o terramoto é causado pelo afã de lucrar de proprietários e autoridades.</p>
<p>Como vão pagar, doravante, tamanha felonia, se o lucro apenas quer mais-valia, causa de desastres.</p>
<p>Terramoto e o desastre que defino como o resultado da ambição da riqueza das nações… que acabam por ter que se endividar por causa da sua orgulhosa procura de mais-valia quando se pensava que nada, nunca, podia acontecer.</p>
<p>E hoje choros, mas de raiva pela irresponsabilidade dos governantes que não apenas incentivam o lucro, bem como ganham com ele… à custa de mortos, desaparecidos e o terror das pessoas, que no seu desespero, passam de seres honesto a ladrões…imitação da vida dos seus governantes…e dos aldrabões que ganham dinheiro… retirado da falta do mesmo, até enganar os tontos que não entendem que a natureza pode-nos jogar más passadas….</p>


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		<title>Obrigado pelo apoio na tragédia do Chile</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Mar 2010 21:35:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raul Iturra</dc:creator>
				<category><![CDATA[sismos]]></category>
		<category><![CDATA[obrigado]]></category>

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		<description><![CDATA[A tragédia que abanou ao Chile este 27 de Fevereiro de 2010 e que continua a punir sem motivo nenhum, tem sido acompanhada pelas pessoas do Aventar e pelos meus colegas da vida académica, pelos vizinhos e amigos. Queria agradecer. O  Chile está  dobrado, mas nunca quebrado. O futuro já começou a partir dos escombros&#8230;


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A tragédia que abanou ao Chile este 27 de Fevereiro de 2010 e que continua a punir sem motivo nenhum, tem sido acompanhada pelas pessoas do Aventar e pelos meus colegas da vida académica, pelos vizinhos e amigos. Queria agradecer. O  Chile está  dobrado, mas nunca quebrado. O futuro já começou a partir dos escombros&#8230;</p>


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		<title>As catástrofes da natureza</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Mar 2010 21:30:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raul Iturra</dc:creator>
				<category><![CDATA[antropologia]]></category>
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		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[avaliação]]></category>
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		<category><![CDATA[política nacional]]></category>

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		<description><![CDATA[As catátrofes da naturez são resultado de crimes, desobediência, não aceitar dádivas, desobedecer a lei.


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 456px"><img src="http://messiah.sites.uol.com.br/Fe/imagens/Expulsos.jpg" alt="" width="446" height="308" /><p class="wp-caption-text">Adão e Eva expulsos do Paraiso</p></div>
<p>Falamos de catástrofe quando acontece uma grande desgraça que atinge muitas pessoas. Normalmente e da forma que tenho escrito nestes dias, adjudico o conceito às desgraças que têm acontecido no arquipélago da Madeira, na República do Chile e em toda a Europa do Norte, ao longo deste interminável, inacabável e fustigante, inverno das nossas vidas. Estes anos de 2009 e 2010. Tenho, por engano meu, pensado a natureza como elemento geográfico esquecendo, pelo facto das desgraças que nos acontecem, que o ser humano faz parte da natureza. Ao escrever sobre o ser humano como uma entidade que procura lucro e mais-valia, esqueci-me que estes dois conceitos fazem parte do pensamento das pessoas. O lucro e a mais valia não existem como elementos da natureza. Formam parte do pensamento, do cálculo, da procura da riqueza e do bem-estar, conceitos que fazem parte do pensamento económico do ser humano. Pensamento económico que tenho definido noutros textos como o trabalho que cria um conjunto de leis que presidem à produção e distribuição das riquezas. Donde, riqueza é o resultado da acumulação de bens poupados e investidos para render moeda.<span id="more-1053961"></span></p>
<p>Por pensar em conceitos dessa índole, tinha-me esquecido do criador desses bens, de quem prepara o seu bem-estar, o ser humano. Mas não apenas o ser humano. É, em conjunto, o ser humano e o seu trabalho. Trabalho definido como a criação de artefactos, semear a terra, produzir, conceito que Adam Smith em 1776, no seu famoso livro <em>Um inquérito sobre as causas e motivos da riqueza das nações</em>, um tratado contra o mercantilismo, define como a inclinação do ser humano para a produção. No livro I, páginas 3 a 77 do livro que uso, a primeira edição, define trabalho como bens criados pelo ser humano sem intervenção do estado como os seus precursores, os mercantilistas Bentham e os Mills, pai e filho, defendiam.</p>
<p>Smith é considerado o pai da economia moderna, e é considerado o mais importante teórico do <a title="Liberalismo econômico" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Liberalismo_econ%C3%B4mico" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Liberalismo_econ_C3_B4mico?referer=');">liberalismo económico</a>. Autor do livro anteriormente citado e que torno a referir por causa das hiperligações contidas dentro do título em azul, que abre o livro completo: &#8220;<a title="Riqueza das Nações" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Riqueza_das_Na%C3%A7%C3%B5es" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Riqueza_das_Na_C3_A7_C3_B5es?referer=');">Uma investigação sobre a natureza e a causa da riqueza das nações</a>&#8220;, a sua obra mais conhecida, e que continua como referência para gerações de economistas, na qual procura demonstrar que a riqueza das nações resulta da actuação de indivíduos que, movidos apenas pelo seu próprio interesse (<em>self-interest</em>), promovem o crescimento económico e a inovação tecnológica.</p>
<p>Smith ilustrou bem o seu pensamento ao afirmar &#8220;não é da benevolência do padeiro, do açougueiro ou do cervejeiro que eu espero que saia o meu jantar, mas sim do empenho deles em promover seu&#8221;<em>auto-interesse</em>&#8220;, ideias que analiso no meu livro <em>A economia deriva da religião</em>, 2003, Afrontamento, Porto.</p>
<p>Não da benevolência, é da venda em dinheiro que se paga o bem produzido pelo trabalho, definida a importância por David Ricardo em 1812 e defendida por Marx na sua obra, especialmente em 1862 e 1863: Teoria da mais-valia.</p>
<p>Porquê esta cumprida introdução, que é praticamente o texto do meu ensaio? Porque antes de todos estes académicos, da por mim denominada sabedoria doutoral, definirem o trabalho, aconteceu uma catástrofe que obrigou o homem a trabalhar, quer dizer, a gastar as suas forças humanas na produção de bens para alimentar o seu corpo.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 292px"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_Fae5iQHEK6g/R9XaStPgttI/AAAAAAAABoA/l3eK243-Mzo/s320/ad%C3%A3o+e+eva.jpg" alt="" width="282" height="320" /><p class="wp-caption-text">Adão, Eva, a serpente tentadora e a catásrofe da humanidade</p></div>
<p>Belzebu quis angariar mais forças, tentou os seres humanos e a partir desse dia, andou sempre a persegui-los, e eles, cheios de medo, a fugirem.</p>
<p>Apareceu um anjo, repreendeu o casal pela sua desobediência e mandou-os, em nome de Deus, sairem do Jardim e irem trabalhar.</p>
<p>E as hecatombes começaram.</p>
<p>É evidente que o texto está escrito por antigos hebreus, retiradas as metáforas do que acontecia na terra. As catástrofes entre os seres humanos eram tantas e tão difíceis de governar, que foi necessário criar divindades humanas chamadas Reis e escrever uma tábua que continha a lei do comportamento humano, ditando como este devia ser. Foi denominada essa tábua <em>os Dez Mandamentos</em>, esses que nunca se cumprem, pelo que foi necessário acrescentar, através do tempo, leis positivas para punir os desobedientes, os faltosos.</p>
<p>Se o leitor se lembra deles, melhor compreenderá o motivo para o aparecimento de um Código Penal, um Código Civil, os de Processamento Penal e Civil e as leis mais recentes para proteger dos que procuram lucros, o operariado, e dos libidinosos, as crianças.</p>
<p>As catástrofes da natureza, no meio do medo, são atribuídas a esta falta de Adão e Eva. Eis porque, em hecatombes, como as dos dias que vivemos, os templos enchem, enquanto outros, como na época de Moisés, que desapareceu para ouvir as leis ditadas por uma divindade, o povo começou a levantar-se, a roubar, a pilhar, como acontece nestes dias na cidade de Concepción, no Chile.</p>
<p>A metáfora, bem pensada, explica o terror que o céu inspira, ou a falta dele, até ao ponto de ter que se enviar o exército para resguardar a propriedade privada e levar para a cadeia os ladrões. A metáfora bíblica, passa a ser uma verdade não só para todos os dias, como também para os dias de hecatombes. Pode-se aplicar a sabedoria dos dez mandamentos para entender o desgoverno que os cataclismos causam e o terror que provocam. Metáfora feita realidade, o pior dos castigos para os que sabem cumprir a lei….mas que também precisam da lei para agir. Se observármos o comportamento quotidiano ao longo da vida de uma pessoa, verificamos que os Mandamentos, em vários momentos da vida, nunca são cumpridos. Como diz o meu amigo escritor Carlos Loures, o imaginário popular precisa sempre de um faltoso para lhe atribuir o mal que ele próprio comete.</p>
<p>Não sou homem de fé, mas sim um analista que sofre por este comportamento sacrílego em dias ditos normais, e em dias de crises económicas e punição por parte da natureza….da que nós, seres humanos, somos parte….</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 550px"><img class=" " src="http://storage.msn.com/x1pGHpas_o48ln0ERE5gRpmzAG1APtosrzTBZZpIZSNydroghB4dRnviXEuEHt_wYeehME8g7MgoNrm6AjiM1zF4L-mSwnGrm7XAjO0VuNPAHBFF6cArZ8BSLN2nVybljMsQz5YYYGPBSCTehGZPkl17w" alt="" width="540" height="422" /><p class="wp-caption-text">Proibição entrar ao Paraiso</p></div>
<p><strong> </strong></p>


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		<title>Bandeira chilena, símbolo da solidariedade</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Mar 2010 21:25:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raul Iturra</dc:creator>
				<category><![CDATA[sismos]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
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		<category><![CDATA[política internacional]]></category>
		<category><![CDATA[solidariedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Notícia do jornal chileno La Tercera, escrito por Andrés Lópes, Constituición, Chile a 4 de Maço de 2010, reporuzido na Secção Colobo, Diário de Notícias on line do dia seguinte


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			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><img src="http://static.latercera.com/20100304/710715_400.jpg" alt="" width="400" height="263" /><p class="wp-caption-text">Bruno y bandeira do Chile fazem parte de angariação de fundos</p></div>
<h3>&#8220;Comencé a excavar por mis cosas, vi la bandera y la mostré sin intención&#8221;</h3>
<h5>Bruno Sandoval, artesano, sostiene una ajada bandera chilena en Pelluhue. Se transformó en un ícono del maremoto que afectó la zona centro-sur de Chile.</h5>
<h5><em>por <a href="mailto:">Andrés López, Constitución</a> &#8211; 04/03/2010 &#8211; 07:10 </em></h5>
<p><span id="more-1054083"></span></p>
<p><strong>Bruno Sandoval</strong> (26) dice que nunca se imaginó el impacto que generaría su imagen sosteniendo una ajada y sucia bandera chilena en medio de los escombros que dejó el tsunami en Pelluhue, en la zona sur del Maule.</p>
<p>La fotografía apareció en diarios, televisión y luego se hizo habitual en redes sociales como Twitter y Facebook, como símbolo de la tragedia. Este fin de semana será esa misma imagen la que identificará a la teletón Chile ayuda a Chile.</p>
<p>Pero Sandoval no estuvo a la hora del terremoto en esa playa. Este artesano de profesión estaba en Talca con unos familiares, pero viajó en cuanto amaneció a buscar a su madre, que estaba en Pelluhue. En ese balneario, Sandoval se instalaba todos los veranos para vender pulseras y aros a los veraneantes, frente a la parroquia de la localidad.</p>
<p>&#8220;Primero fui a ver a mi hijo y luego me conseguí un auto con un amigo y me fui a Pelluhue&#8221;, recuerda Sandoval, quien detalla que en el camino era difícil percatarse de la magnitud del desastre, por la niebla imperante.</p>
<p>&#8220;Cuando llegué a Pelluhue no había nada. El pueblo estaba vacío. Mi casa estaba totalmente destruida y mi madre no estaba por ningún lado&#8221;, asegura. Allí había dejado varias cosas, incluso su perro. &#8220;Mi mascota estaba muerta y mi auto parecía un acordeón&#8221;.</p>
<p>Sandoval dice que comenzó a buscar a los vecinos. Corrió al centro del pueblo, pero no vio a nadie. Otras personas que habían llegado al pueblo durante la mañana le comentaron que mucha gente había huido a los cerros para protegerse del maremoto.</p>
<p>Fue en la cima donde se encontró con su madre. A pesar de que quedó más tranquilo, el mar se había llevado todo el dinero ahorrado durante el verano. Por eso, bajó nuevamente para revisar si quedaba algo entre los escombros.</p>
<p>&#8220;Cuando volví, comencé a cavar desesperado entre el barro y vi la bandera. Estaba casi destruida y llena de barro. La miré y me di cuenta que tenía un hoyo al medio&#8221;, afirma. &#8220;Cuando la estaba examinando miré al frente y veo que dos reporteros me están sacando una foto. Así comenzó todo&#8221;, recuerda.</p>
<p>Sin embargo, Sandoval reconoce que en ese momento no se imaginó lo que provocaría su imagen. &#8220;Yo mostré la bandera sin intención. Ahora me doy cuenta que al ver que estaba rota, simbolizaba que era todo el país que estaba roto por el terremoto. Estamos sucios y embarrados, igual que la bandera, pero aún estamos en pie. Saldremos adelante con la unión de todos&#8221;. &#8220;Estoy contento de que esta imagen sirva de esperanza para los chilenos, pues hemos sufrido mucho. Ojalá todo salga bien y se pueda reconstruir la zona y el país&#8221;, agrega.</p>
<p><strong>LA CAMPAÑA TELEVISIVA</strong></p>
<p>La Fundación Teletón confirmó que la imagen de Bruno Sandoval será la foto oficial del evento que se organizará entre el viernes y el sábado. Incluso, se han enviado a imprimir las invitaciones del evento con la fotografía.</p>
<p>&#8220;Esa foto representa el espíritu que queremos. Vamos a levantarle el ánimo a la gente&#8221;, comenta Ximena Casajeros, directora ejecutiva de la Fundación Teletón. &#8220;Ese joven es un hombre que, a pesar de haber perdido su casa, se levanta entre los escombros y siente orgullo de ser chileno, a pesar de no tener nada y de estar embarrados. Eso queremos demostrar, ese orgullo&#8221;, comenta.</p>
<p>El artesano sigue escéptico: &#8220;Nunca pensé que mi imagen iba a recorrer el mundo. No pensé que un hecho fortuito iba a generar tanta esperanza&#8221;.</p>
<p>Fonte: Diário de Notícias do 5 de Março de 2010</p>


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