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	<title>Aventar</title>
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	<description>Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.</description>
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		<title>Pol&#237;tica do p&#227;o e circo</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Sep 2010 23:36:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Fliscorno</dc:creator>
				<category><![CDATA[política nacional]]></category>
		<category><![CDATA[carlos queiroz]]></category>
		<category><![CDATA[FPF]]></category>
		<category><![CDATA[futebol]]></category>
		<category><![CDATA[laurentino dias]]></category>
		<category><![CDATA[selecção]]></category>

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		<description><![CDATA[Há coisas que me fazem confusão. Uma delas é não me sair a lotaria mas isso consigo explicar por não jogar. Outra, para a qual boçal é o epíteto que me ocorre, consiste no insistente uso de títulos académicos entre as pessoas ligadas ao desporto. Lembra-me amiúde a comparação com um paliativo que se usa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: 0px; border-left-width: 0px; margin-right: 0px" title="image" border="0" alt="image" align="left" src="http://www.aventar.eu/aventar/wp-content/uploads/2010/09/image.png" width="217" height="166" /> Há coisas que me fazem confusão. Uma delas é não me sair a lotaria mas isso consigo explicar por não jogar. Outra, para a qual boçal é o epíteto que me ocorre, consiste no insistente uso de títulos académicos entre as pessoas ligadas ao desporto. Lembra-me amiúde a comparação com um paliativo que se usa para compor uma lacuna. Mas não é isto que aqui me traz.</p>
</p>
<p> <span id="more-1072468"></span>
<p>Nestas coisas da bola, que no geral pouco me dizem, há um aspecto que me ultrapassa. Acho <a href="http://desporto.publico.pt/noticia.aspx?id=1454113" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/desporto.publico.pt/noticia.aspx?id=1454113&amp;referer=');">indecente</a> a forma como a malta que paga as contas da selecção de futebol está a tratar Carlos Queiroz. Apesar de não valorizar o seu trabalho na selecção, que do meu ponto de vista não qualificado foi fraco (como é que é que pode não ter como objectivo o primeiro lugar, contentando-se com metade do caminho?), o facto é que quem pode não tem tomates para o despedir. Em vez disso, arrastam-se num vergonhoso <a href="http://desporto.publico.pt/noticia.aspx?id=1454104" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/desporto.publico.pt/noticia.aspx?id=1454104&amp;referer=');">castelo kafkiano</a> para com ele correr. </p>
<p>Parece que despedir Queiroz é caro, pois em causa estará uma elevada indemnização negociada no contrato do treinador. O que me traz a mais uma coisa que me custa entender e que é ninguém apontar o dedo a quem lavrou um tão favorável ao contratado e tão lesivo para o contratador. </p>
<p>Finalmente, há a atitude de Queiroz que me escapa. Depois de uma sinuosa qualificação que quase deixara a selecção fora do mundial e de a sua equipa ter ficado a meio caminho da final, vangloria-se dos resultados em vez de colocar o lugar à disposição.</p>
<p>Estão, portanto, bem uns para os outros e com isso pouco me importaria não fosse um pequeno detalhe: a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Panem_et_circenses" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Panem_et_circenses?referer=');">política do pão e circo</a> é paga com os nossos impostos. E um <a href="http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Desporto/Interior.aspx?content_id=1654301&amp;tag=Mundial%202018" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Desporto/Interior.aspx?content_id=1654301_amp_tag=Mundial_202018&amp;referer=');">novo rombo</a> já paira sobre nós.</p>
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		<title>Manifestação, somos todos ciganos</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Sep 2010 18:15:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João José Cardoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[ciganos]]></category>
		<category><![CDATA[lisboa]]></category>
		<category><![CDATA[manifestação]]></category>
		<category><![CDATA[porto]]></category>

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		<description><![CDATA[No sábado, pelas 15 e 30, frente ao Consulado da França no Porto, manifestação contra as deportações sarkonazis de ciganos. À mesma hora, em Lisboa, outra no mesmo sentido, na embaixada de França. As manifestações têm outro sabor quando não são provincianas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" title="deportação de ciganos" src="http://liberatura.files.wordpress.com/2010/08/deportacao.jpg?w=460&amp;h=288" alt="" width="459" height="288" /></p>
<p>No sábado, pelas 15 e 30, frente ao C<a href="http://maps.google.pt/maps?um=1&amp;ie=UTF-8&amp;q=consulado+fran%C3%A7a+porto&amp;fb=1&amp;gl=pt&amp;hq=consulado+fran%C3%A7a&amp;hnear=Porto&amp;cid=0,0,3233524732633314272&amp;ei=hed_TJr3MtfPjAfc-ZBR&amp;sa=X&amp;oi=local_result&amp;ct=image&amp;resnum=1&amp;ved=0CBYQnwIwAA" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/maps.google.pt/maps?um=1_amp_ie=UTF-8_amp_q=consulado+fran_C3_A7a+porto_amp_fb=1_amp_gl=pt_amp_hq=consulado+fran_C3_A7a_amp_hnear=Porto_amp_cid=0_0_3233524732633314272_amp_ei=hed_TJr3MtfPjAfc-ZBR_amp_sa=X_amp_oi=local_result_amp_ct=image_amp_resnum=1_amp_ved=0CBYQnwIwAA&amp;referer=');">onsulado da França no Porto</a>, manifestação contra as deportações sarkonazis de <a href="http://www.aventar.eu/2010/08/23/no-aventar-cigano-entra-e-e-bem-vindo/" target="_blank">ciganos</a>. À mesma hora, em Lisboa, outra no mesmo sentido, na embaixada de França.</p>
<p>As manifestações têm outro sabor quando não são <a href="http://www.aventar.eu/2010/08/30/a-pena-de-morte-nos-estados-unidos-e-a-hipocrisia-da-manifestacao-contra-a-lapidacao/" target="_blank">provincianas</a>.</p>
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		<title>os filhos e as suas mães</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Sep 2010 17:40:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raul Iturra</dc:creator>
				<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[cortesia]]></category>
		<category><![CDATA[direitos humanos]]></category>
		<category><![CDATA[filho]]></category>
		<category><![CDATA[mãe]]></category>

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		<description><![CDATA[Estou agradecido da tua mãe. Empenha-se em trabalhar, sabe rir no minuto certo, mas ai! se fazemos birra: as birras não podem ser aceites, ensina arrogância. Arrogância, dirás? O que é isso? É pensar que somos melhor que os outros.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 391px"><img src="http://api.ning.com/files/x7p0yuCwu9txYK3CeI4fZttE6hHR1YlwC8*pqZivu7N5TXzzRZjVHObOjOWiUBs9-JKQf9eF*EDiecPoMUNiqVog8n2JjCzW/untitled.bmp" alt="" width="381" height="305" /><p class="wp-caption-text">...tempos em que o Manuel era bebé...com a sua mãe a acaricia-lo</p></div>
<p><strong>…</strong>para Manuel Melo…</p>
<p>Deve ser a primeira vez que falo contigo. Deve ser a primeira vez que me endereço a ti. Nunca nos temos visto, jamais olhado uma foto tua. Mas atrevo-me a endereçar-te estas palavras. A ti, enquanto penso na tua mãe. Bem sei que já és quase um menino que oferece presentes à mamã. Tomas conta dela, te enterneces quando a vês aparecer, como eu próprio, avô como sou agora, gritava de alegria quando estava coma mãe que me dera a vida</p>
<p>Não há ternura maior, que dar a vida a outro, cria-lo, amamenta-lo, lutar para ser ela quem trate de ti.</p>
<p>Bem sabes que nem sempre pode estar contigo, mas faz todos os esforços possíveis para sair cedo de casa e tornar cedo e estar contigo. Cansada do trabalho, acaba por se encostar um pouco em casa para ouvir-te, tratar dos teus trabalhos, ou brincar comigo.</p>
<p>Penso que a tua mãe não te mima, é apenas carinhosa e gosta que andes limpo e vestido como pensas. Como a minha mãe fazia comigo: se descalço, sem sapatos pois, se nadar, ir para a praia, pois, se andar com amigos, uma tarte esperava por nós, pois.</p>
<p><span id="more-1072449"></span></p>
<p>Nos homens, mal sabemos cuidar às nossas crianças. Há uma grande diferença entre homem e mulher: as senhoras, durante nove meses, começam a engrossar o corpo porque um pequeno estar a crescer dentro dela. O nascimento não sem dor, mas essa dor dura um instante. A minha neta mais nova, May Malen Isley, acaba de completar os seus oito meses: não sabe falar, mas adora brincar com os colares e braceletes da mãe&#8230; e a imita de uma maneira simpática e divertida: não é uma senhora, é uma menina que só fala <em>dadadada</em>, ou <em>mamamama</em> sons que emite, não sabe falar ainda. Adora a sua casa porque está a mãe com ela e espera que o pai apareça para andar de cavalitas pelos andares da casa.</p>
<p>Nós, homens, sentimos ternura pelos nossos pequenos, mas é difícil demonstrar. Apesar de ter sido pai &#8211; mãe das nossas filhas ao longo da sua infância, tive que começar a aprender a pentear, engomar, lavar roupa, trabalhar, lava-las à escola e ir procura-las as horas adequadas as 15.30 da tarde, com neve ou com sol.</p>
<p>Talvez um dia sejas pai, porque vás crescer e vás-te namorar. Não esqueças como essa mãe te trata, não tenhas medo de ficar só com as tuas crianças. Podes ver que outros homens já o têm feito e com imenso amor, sem punir nem envergonhar. Ensina aos teus pequenos, no distante futuro, a se comportarem contigo como o mesmo amor que um dia tu vás dará eles.</p>
<p>Estou agradecido da tua mãe. Empenha-se em trabalhar, sabe rir no minuto certo, mas ai! se fazemos birra: as birras não podem ser aceites, ensina arrogância. Arrogância, dirás? O que é isso? É pensar que somos melhor que os outros.</p>
<p>Calo, nada mais digo. São muitas palavras para um pequeno da tua idade. Aliás, a tua mãe deve explicar muitas coisas y explicar, cansa.</p>
<p>Felicidades para ti do avô de quatro netos: duas meninas e dois meninos. Uma, da tua idade, outros mais velhos, mas sabem brincar a bola comigo</p>
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		<title>As melhores frases de José Sócrates (III)</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Sep 2010 11:15:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Santos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[política nacional]]></category>
		<category><![CDATA[as melhores frases]]></category>
		<category><![CDATA[josé sócrates]]></category>

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		<description><![CDATA[]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/sfYlQJEeVpk?fs=1&amp;hl=pt_BR"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/sfYlQJEeVpk?fs=1&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object></p>
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		<title>as culturas da cultura:infantil, adulto, erudito (III Parte)</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Sep 2010 01:04:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raul Iturra</dc:creator>
				<category><![CDATA[antropologia]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[direitos humanos]]></category>
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		<description><![CDATA[Tem chamado a minha atenção o tipo de textos que são utilizados na escola para orientar as crianças dentro do real que o adulto doutor define, e que contrasta com o real que a criança entende dentro do seu imaginário. A pequenada recebe, hoje em dia, definições que necessariamente não surgem aos seus olhos.

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			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><img src="http://bp2.blogger.com/_yOS3ha1lFbk/RqqAd_vfX7I/AAAAAAAAAZQ/qjFE3gdUK70/s400/Gato-de-toga.gif" alt="" width="400" height="358" /><p class="wp-caption-text">em procura de habilitações</p></div>
<p><em>3ª Parte excerto um livro meu: O imaginário das crianças. Os silêncios da cultura oral, 1ª e 2ª edição, Fim de Século. Uso o texto de 2ª edição, 2007</em></p>
<p>A cultura dos doutores</p>
<p>Queira o leitor ter a paciência de entender que me refiro àqueles seres, distantes das aldeias, que pensam por e para a infância.</p>
<p>Não me refiro a eruditos locais, dos quais já falei antes. Vou referir &#8211; me ao conjunto de pessoas que se exprimem por meio de textos e domesticam o imaginário local da criança, quer dizer, do futuro adulto.</p>
<p>O adulto é, como temos visto, uma criatura de compromisso: aceita sem sentimento e emoção os deveres e responsabilidades que assume, vive no meio da reciprocidade e da solidariedade e não foge dos deveres sociais que estão, normalmente,</p>
<p><span id="more-1072356"></span></p>
<p>para além de si próprio e do seu pequeno grupo doméstico. O adulto vive para além do prazer, como diria Freud (1920). Contudo, o seu comportamento social pode dar-lhe uma serenidade e uma calma dentro das quais podem entrar, ou ter lugar também, a alegria e a tristeza, as quais, assumidas, facilitam a interacção e a comunicação com os outros, ajudam à delimitação do próprio ser e a delimitar o ser dos outros. Esta individualização, ainda não construída, não existente na infância, é parte da interacção entre essas duas culturas que já referi.</p>
<p>A cultura do doutor é diferente. É, no entanto, igualmente importante, por ser intermediária entre a do adulto e a da criança.</p>
<p>É preciso, antes, definir para o leitor o que entendo por doutor: é o intelectual que percebe e analisa o real de uma forma racional, abstracta, que está na posse do saber erudito ou científico herdado de vários séculos de conhecimento experimental. Para as crianças da aldeia, o doutor faz parte de um conjunto de adultos, para além dos significativos. O personagem é douto porque domina, ou parece dominar, esse saber que apresenta o real teoricamente e faz do real uma teoria sem sentimentos. É, com certeza, uma pessoa que faz parte da sua cultura. Pode ou não falar a mesma língua das crianças ou dos adultos que ensina. Pode aceitar os mesmos princípios de reprodução que os seus leitores, tem sentimentos e vida quotidiana como o resto do grupo. Mas vê e ensina esse comportamento por meio de símbolos universalizantes e metafóricos (Lacan, 1953; Bourdieu, 1978; Iturra, 1986), através de um método que ordena a sua lógica de maneira diferente da lógica dos não doutores.</p>
<p>Emprego este conceito porque é um hábito da Europa Ocidental, especificamente em Portugal, denominar desta maneira quem parece ser capaz de generalizar o que se vê através de uma teoria, especialmente se possui uma habilitação académica. No</p>
<p>Século XII, a Europa fundou e criou um conjunto de grupos para interpretar os factos. Começou pela Universidade, como a de Paris; as de Oxford e Cambridge na Grã-Bretanha, outras em Itália, Espanha e Portugal; ao mesmo tempo, desenvolveu-se um movimento de criação de escolas para crianças em Veneza nas quais se ensina contabilidade e a tratar de mercadorias e troca.</p>
<p>No século XIX, bem sabemos, organizou-se a escola para treinar os pequenos nos saberes dos adultos, saberes especializados, diferentes e diversos dos que o quotidiano exigia na prática. Um ensino de signos subordinado a uma simbologia mais ampla que a simbologia dos grupos locais, e que passou a ser o saber desejado e dominante no governo da interacção, até aos dias de hoje: a escrita, a leitura e a aritmética. A própria legislação dos Estados começou, pouco a pouco, a ocupar-se com a regulamentação do acesso a uma instituição que fosse capaz de expandir entre toda a população o conhecimento e, também, a entregar instrumentos de saber, colocando toda a população sob o mesmo tipo de entendimento. O domínio da tecnologia, quer para a indústria, quer para o campo, acabou por fazer do conjunto de indivíduos dos diversos grupos sociais, como tenho já dito em outros textos (Iturra, 1990<em>b </em>e 1991), cidadãos capazes de entender as formas dominantes de fazer trocas, de produzir e comerciar, assim como capazes de entender a lei unificadora (v. Assier-Andrieu, 1987; Hosbawm, 1975 e 1994; Hazard, 1939). A cultura do doutor é a teoria que faz do real uma metáfora espalhada obrigatoriamente, e por igual, entre a população.</p>
<p>Bem pode o doutor ser alguém que participe da cultura nacional, mas o seu saber acaba por ser reificante do quotidiano. Como sobre este tipo de análise se têm debruçado muitos autores, especialmente os que estudam, professores, não vou discutir o assunto neste texto (v. Mónica, 1978; Cortesão, 1993; Stoer, 1992; Bernstein, 1971; Durkheim, 1938; Bourdieu, 1984; Cruzeiro, 1990; Benavente, 1990; Nóvoa, 1991 e 1992; Canário, 1992, etc.).</p>
<p>O que me interessa dizer é mais simples e directo: todo o adulto que vive a fantasia para poder optar, envia a criança, que vive o real para poder agir e entender, a uma instituição que passa a ser central na vida de todos: a escola, seja esta primária, secundária ou, eventualmente, universitária. A escola é uma instituição formal, hoje em dia obrigatória, que treina a população em conhecimentos teóricos e em formas de interacção diferentes da solidariedade vicinal ou familiar ou de amizade. Mas a simbologia usada na escola para representar o real, mesmo na escola actual, é de tal forma diferente da do quotidiano que faz do texto que treina um <em>puzzle </em>para os mais novos, os quais acabam por não o entender, embora o memorizem para serem bem-sucedidos, (Iturra, 1990; Cortesão, 1993; Benavente, 1990).</p>
<p>Tem chamado a minha atenção o tipo de textos que são utilizados na escola para orientar as crianças dentro do real que o adulto doutor define, e que contrasta com o real que a criança entende dentro do seu imaginário. A pequenada recebe, hoje em dia, definições que necessariamente não surgem aos seus olhos.</p>
<p>Aí, onde há uma terra que é vista pela criança ser trabalhada para produzir e poder vender e assim assegurar a reprodução, a lição fala de que “O Homem foi transformando o meio em que vivemos como uma necessidade que o Homem tem” (pág. 46, 4.º ano), embora não acrescente de que necessidade se trata. Convida, em seguida, o estudante a “mostrar respeito e carinho pela vida” (pág. 46, texto 4.º ano, 1988). A ideia seguinte, à qual o leitor é conduzido, é a de que “a Natureza precisa de plantas, animais, rochas, água e montanhas. Precisa de ar puro, aves, insectos, de chuva e de sol. Precisa de flores e do chilrear dos passarinhos”</p>
<p>(pág. 47), acrescentando, em destaque: “E o Homem precisa da</p>
<p>Natureza”. Esta frase merece um comentário para entender como o saber dos doutores tenciona incutir ideias por meio de metáforas, aparentemente verdadeiras, expressas em frases curtas e sem contexto. Em primeiro lugar, dota de personalidade uma entidade material que, para a infância, é trivial, habitual e sem vida. A forma e o conteúdo do parágrafo, como de resto de todo o texto, desfocam os aspectos importantes da reprodução social que constituem ideias motoras da cultura. O texto de <em>Meio Físico e Social, </em>que tenho vindo a citar, coloca os seres humanos acima de tudo, sem mencionar que eles próprios são parte da dita natureza. E faz um relato, no pretérito perfeito, de tudo o que tem acontecido na construção do meio físico que é também designado social pelos “sacrifícios que são necessários”; porque, acrescenta, “o homem precisa de derrubar florestas, matar animais, desfazer rochas, perfurar montanhas, desviar rios; para fazer casas, para abrir estradas, para levantar fábricas, para construir pontes, para cultivar terrenos” (pág. 47). Estas ideias são úteis para entender o agir do ser humano sobre a matéria, apresentadas como se o pensamento da criança fosse analógico, isto é, devolvendo por escrito o que se vê e se sabe experiencialmente.</p>
<p>O saber do doutor omite um aspecto central na explicação que toda a criança conhece já: a finalidade económica com que o agir é feita, factor desprezável por material. A cultura, dentro da qual o saber científico é transmitido, é uma cultura que idealiza ou fantasia com o real para o qual está a preparar o futuro produtor.</p>
<p>O objectivo de uma análise que omite o elo central do real deve ser criar agentes produtores cujo objectivo na vida passe a ser o trabalho produtivo e não o debate de ideias. O texto que tenho usado, para explorar as formas e conteúdos das teorias experimentais usadas no ensino, romantiza o real para quem o conhece de forma pragmática. Eu diria que este tipo de texto procura criar uma adesão emotiva à aprendizagem racional, enquanto ensina comportamentos sociais. Corresponde, por um lado, aos factos; por outro lado, os factos estão organizados para entusiasmar, para dinamizar abstractamente a mente que é ensinada. Noutras instâncias afectivas, como a catequese e o lar, o mito de que o trabalho é aborrecido e fruto do pecado e culpa do Homem trava a dinâmica produtiva e o imaginário económico que cria riqueza industrial: o lucro. De facto, trabalhar não é fácil nem tem beleza em si. A solidariedade de que nos falava Durkheim (1899) desaparece perante o que deve ser ensinado hoje: a concorrência.</p>
<p>Pode existir amor e coesão entre as pessoas, mas o que é dominante é a concorrência, o ganhar aos outros, comparar resultados de afazeres; porque é bom bater os vizinhos e ser melhor do que eles, não porque isso seja em si uma satisfação ou um avanço para o desenvolvimento do indivíduo. O texto é um continuado salientar do etnocentrismo, uma forma de apresentar o que de melhor os nacionais têm feito através do tempo, projectando os cidadãos de hoje num passado de sucessos e glória; assim se explica sermos descendentes dos proprietários do universo. O debate político que vai decorrendo entretanto, o facto de um país como Portugal viver na cauda socioeconómica e intelectual de uma União Monetária Europeia, não é objecto de estudo nem de análise. Tudo se passa na ciência do doutor como se houvesse um constante entretenimento, um permanente atingir de objectivos que não são os do discente.</p>
<p>Afiro os resultados escolares das crianças que tenho estudado, e posso apreciar o bem que fazem o seu trabalho do lar e o pobre que é o resultado da aprendizagem escolar. Esta aprendizagem está separada do comportamento pragmático, estando a criança exposta a duas realidades diferentes: uma, o que o grupo doméstico empreende dentro do contexto da teoria económica com o qual se debate; outra, a euforia intelectual que a letra escrita deve causar na mente infantil. Este desencontro resolve-se de forma muito simples: por meio do pensamento mágico com que a mente é alimentada. No texto de matemática para o 1.º e 2.º ano, a primeira etapa do primeiro ciclo, empregam-se histórias como <em>Branca de Neve</em>, <em>O Sapo</em>, que fazem magia com a geometria e outras. É o emprego de ideias culturais de um grupo de população, tidas como universais para o conjunto de crianças, como se estas fossem todas iguais e semelhantes no Estado-nação. Eu diria que é a maneira de impedir a entrada dos pequenos nas ideias que criam ideias que nos movimentam na interacção social. A iniciação à leitura do 1.º ano, por exemplo, apresenta símbolos que a burguesia aprecia, como meninos loiros que vão elegantemente à escola, sem nunca terem um aborrecimento. As ideias assim simbolizadas pretendem representar uma cultura unívoca, feliz, uma cultura cujo objectivo é o indivíduo separado de todos os factores do real, que possui meios que permitem uma distensão e uma felicidade, pelo menos, externa. Os desenhos deste texto mostram dois meninos sorridentes, Nuno e Valéria, a confrontarem-se se com o mundo que existe fora deles, o mundo que não lhes diz respeito.</p>
<p>Longe de mim pensar que é infelicidade o que se deve entregar à infância; bem como longe de mim pensar que o doutor tem uma vida atribulada, excepto, talvez, quando deve preparar provas para ser avaliado, ou quando sofre emotivamente, quando é enganado ou entende mal. O próprio pequeno, que já tem suficientes atribulações para entender as letras e os números, já tem a sua quota de infelicidade, a par e passo com a alegria. No entanto, se a vida social tem altos e baixos, alegrias e infelicidade; se é uma corrida para ganhar dinheiro, porquê apresentar só uma parte do real que parece ser mágico? É uma maneira de formar seres humanos que fiquem logo desapontados com as actividades, deveres e obrigações, e não entendam a sua própria tristeza, depressões e perdas.</p>
<p>Para um mundo cujo objectivo é ganhar, a felicidade aparece como o meio utilizado pelos doutores para incutir o saber. No texto <em>Meu Livro, Meu Amigo </em>(1987), para o 4.º ano de escolaridade, aparecem, logo ao início, um menino e uma menina que, no meio da relva e das flores e cada um com o seu animal preferido ao pé, lêem sorridentes e com olhos imaginários. É verdade que o imaginário de crianças é assim, bem trabalhado pela ciência que sabe o duro e difícil que é passar do afazer emotivo da vizinhança e do lar para o racional da instituição que ensina teoria. Adquirir o conhecimento é um trabalho duro e não existem elementos de apoio nas casas: o confronto com o saber é silencioso e isolado.</p>
<p>Excepto na casa do próprio doutor que, por viver no meio dos livros e teorias, ladeia os mais novos com abstracções que servem depois para aprender. O conjunto de textos, o convívio com docentes dos vários ciclos de ensino, a minha vida nas aldeias e na universidade como docente levam-me a propor a hipótese de que o saber, a cultura do doutor, composta para o quotidiano pela própria actividade social, é no campo intelectual uma tentativa de afastar a pequenada do que é denominado subjectivo, para entrar no campo analítico do objectivo. Quer dizer, uma passagem do <em>Decameron </em>(1353) para Descartes e Pascal. Uma transição para formas de interacção governadas por uma independência sábia, livre, independente e autónoma, ainda que sem entender, ou dar a entender, opções, alternativas e conjunturas.</p>
<p>A análise destes últimos três conceitos permite um melhor entendimento da interacção social e dos objectivos individuais, autónomos, onde cada um possa ser recurso afectivo e racional de si próprio para depois entrar em contacto necessário com os outros, isto é, partilhar.</p>
<p>De opções e alternativas falei quando fiz referência aos adultos.</p>
<p>De conjuntura é preciso falar agora. A passagem do tempo é um facto tão habitual que nem reparamos nele. Os pequenos, ainda menos. É como se tudo fosse igual, como se, durante um período de vida, o meio social e material fossem imutáveis, atravessados com o orgulho de crescer: cada dia que passa, mais uma habilidade louvada pelos adultos. Este facto é uma continuidade no meio de um conjunto de mudanças e desenvolvimentos que acontecem em redor do ser humano. O erudito, ao qual tenho chamado doutor ao longo do texto, retira da infância a capacidade de entender a variabilidade das relações e do poder. Do poder e da sua mudança, não se fala nos manuais, embora se diga que houve reis, expansão territorial, ou conceitos abstractos como democracia ou ditadura, todos eles mencionados como factos que não parecem influenciar os comportamentos; as lições continuam situadas no tempo remoto ou no presente abstracto.</p>
<p>É como se a cultura erudita pensasse que a criança entrega a responsabilidade dos acontecimentos aos adultos que lidam com eles. São o professor, ou a professora, os pais e os avós, ou outros adultos, que detêm o poder do tempo e controlam as mudanças do que acontece em casa, na escola, na rua, nos sítios vizinhos.</p>
<p>O tempo histórico, que influencia o comportamento e o entendimento dos factos e das relações, desaparece da afectividade individual com a leitura e a aprendizagem da criança. Assim, o real não é apresentado como heterogeneidade, como processo que faz variar o que existe; o real é apresentado, com sábia e estratégica fantasia, como se fosse estável. No entanto, a criança apercebe-se de que há um <em>antes </em>e um <em>agora, </em>um <em>ontem </em>e um <em>hoje</em>; e distingue idades em correlação com capacidades. O jogo é um dos locais onde isto se aprende. As palavras <em>grande, puto, velhote, moço, rapariga,</em></p>
<p><em>senhora, senhor </em>denotam a percepção da passagem do tempo.</p>
<p>Mas a influência que esta passagem tem em cada ser, e nas interacções sociais, não surge nos textos e, em consequência, na memória. A construção da mesma é resultado do presente e das decisões da autoridade; ou do milagre que uma divindade possa efectuar.</p>
<p>A conjuntura é a época de curta duração onde as interacções sociais e o seu governo mudam; é um tempo propício para transitar para outros comportamentos. Influenciam a economia, a técnica, o correr das ideias, o poder que as coordena. O conceito de <em>transição, </em>que designa o que ocorre, cada vez que uma nova tecnologia passa a ser dominante, como tenho definido em outros textos (1984 e 1989), quer eu, quer Godelier, quer um conjunto de colegas com os quais trabalhamos o conceito desde</p>
<p>1979 (v. Godelier e a <em>Revue de Sciences Sociales</em>, n.º 114), e o de <em>conjuntura, </em>desenvolvido especialmente por Gramsci (1921), analisam o movimento da sociedade como entidade política e religiosa.</p>
<p>Durkheim (1889) tinha já uma clara ideia da importância das mudanças. A cultura do doutor, que conduz ao homogéneo como ideal de vida, mesmo que nas aulas possa fazer referências orais a factos passados que lhe parecem importantes para entender o presente, omite o que eu ando sempre a referir: comparar comportamentos (ou uso do método comparativo) para que a infância entenda cedo a coexistência da felicidade e da tristeza.</p>
<p>O método comparativo permite observar comportamentos, instituições e ideias de uma mesma cultura, ou de culturas diferentes em confronto, e deduzir dos mesmos a reprodução da conduta.</p>
<p>O facto que mais marca a passagem do tempo pela vida na infância é o do ritual, assim como o da doença e os seus processos de readaptação à ordem social: são eles que, na prática, definem o tempo ético do grupo. Vê-se esta ideia na lição do livro <em>Meu Livro, Meu Amigo </em>(1987), num texto cujo título é “Não Quero” (pág. 95): trata do amor à verdade, apesar do confronto com a autoridade e da eventual punição, e é uma história de Guerra Junqueiro, onde se definem três comportamentos: o desejo individual que contraria a norma social (não vou à escola), o remorso que a consciência social coloca na mente do rapaz do conto, e a figura – punitiva – da mãe que define a verdade e a honra da casa. A cultura dos doutores, em consequência, é o conjunto estruturado da racionalidade derivada de Descartes (1637) que serve para submeter ao respeito das normas os pequenos que tacteiam na vida social.</p>
<p>A cultura erudita isola a infância do real total, subordinando-a ao real parcial definido institucionalmente para acautelar a reprodução nacional. É assim que se preparam trabalhadores, na nossa sociedade industrial, que produzam bens para o mercado que procura, com eles, lucro privado que o Estado converte em renda nacional.</p>
<p>Subordinação e substituição</p>
<p>As três culturas vivem uma interacção que não é inocente.</p>
<p>Tem um propósito que diz respeito à conjunturalidade do tempo, desta vez o de cada indivíduo ao longo da sua vida; e o problema que a mortalidade humana, bem como os nascimentos, representa para o grupo. Especialmente numa sociedade como a ocidental, onde tem deixado de haver hierarquias, saberes ou ofícios herdados, e tem passado a imperar a mais requintada autonomia e individualidade.</p>
<p>No entanto, é necessário lembrar um facto estrutural: tanto os adultos, eruditos ou não, como as crianças vivem dentro dos parâmetros de uma cultura católica, isto é, onde os conceitos de pecado, culpa e expiação são elaborados cuidadosamente para estabelecer os limites do comportamento.</p>
<p>A culpa é um sentimento criado para subordinar os seres humanos a uma disciplina social, onde as iniciativas e comportamentos individuais estão controlados pelo próprio grupo e as suas ideias.</p>
<p>É claro que a sociedade é um conjunto de seres humanos que são criados para ser indivíduos autónomos, com capacidade de decisão e habilidade para desenvolver o seu imaginário em benefício pessoal e do seu grupo. Emerge, porém, uma contradição entre livre vontade e solidariedade. Esta contradição, sentida individualmente por todos, traz consigo o perigo da agressividade entre os seres humanos. O grupo organiza o conceito de pecado para salvaguardar uma conduta positiva que permita uma interacção solidária. O conceito é socializado de forma detalhada, subordinando as pessoas a um agir homogéneo; por isso, é guardado nas instâncias políticas, nos mitos, nos ritos e nas instituições, instâncias que colaboram no ensino dos pequenos. É por isto que a inter-relação entre as três culturas é de subordinação dos mais fracos, os que pecam, aos tidos por mais fortes na ética e na virtude.</p>
<p>O conceito de subordinação (Iturra, 1989) manifesta-se numa afectividade, simultaneamente de sinal positivo e negativo: no positivo, é a entrega da afectividade e do amor que gera uma relação íntima entre pessoas (normalmente, a criança adere aos adultos e desenvolve um vínculo estreito, quanto o adulto é dinamizador do afazer e do comportamento); no negativo, é o fugir da razão que é apresentada e agir conforme se pensa e sente, ou conforme o que o seu próprio grupo de pares exige. No caso do</p>
<p>Nuno que não quer ser pastor, a sua atitude parece ambígua: por um lado, faz exactamente como o pai manda; por outro, observa outras possibilidades que o seu imaginário lhe oferece. As regras e normas, quer públicas quer privadas, resguardam a existência de limites dentro do necessário estímulo à autonomia necessária para viver dentro de uma sociedade concorrencial como a nossa; e os rituais são formas de introduzir cada indivíduo no comportamento esperado para a sua idade. A listagem dos pecados, quer dizer, a lista do que deve ser feito e do que deve ser evitado, define esses limites para a conduta, e o olhar do grupo social colabora ou reforça o controlo social, porque resguarda e assegura o comportamento conforme o código estabelecido pela mente humana.</p>
<p>Assim, o Nuno sabe que deve aceitar o que o pai manda: tratar das ovelhas; ao mesmo tempo, observa e participa das actividades da sua família; e, por último, o pai não se zanga por o pequeno querer experimentar outras vias. O pai entende o seu papel de adulto orientador e, ao mesmo tempo, estimulador do imaginário do seu filho que, um dia, devido à passagem do tempo, virá a substituí-lo nas suas actividades, como pastor ou tractorista.</p>
<p>Não é, pois, só e apenas o fixar dos limites do comportamento das pessoas que é uma tarefa social ou um objectivo; há também que entender o objectivo individual para modelá-lo. Estes limites do agir são necessários devido ao crescimento de novos seres humanos e à chegada de outros. Há sempre seres humanos a aparecer no grupo, porque nascem; e seres humanos a desaparecer porque perdem a sua habilidade para entender ou porque morrem.</p>
<p>Os que nascem precisam de ser treinados para entender as normas de comportamento, os conceitos e os símbolos, aprender o código de comunicação entre pessoas, a língua, bem como o significado das palavras e do lugar que ocupa cada ser humano no meio dos outros. Ao mesmo tempo, a sociedade quer continuar e, como resultado, está a prever a desaparição das pessoas.</p>
<p>Esta desaparição é a morte, mas também a doença ou a ausência.</p>
<p>O que é um processo contínuo para a reprodução social é o trabalho, seja manual ou especializado. E é para esse trabalho, que envolve gestão de recursos, que os mais novos são habilitados, pelo simples facto de o desenvolverem em conjunto com os adultos.</p>
<p>Normalmente, a Antropologia trata disto quando estuda os sistemas de herança. Mas é no dia-a-dia que a aprendizagem que habilita para substituir tem lugar. A interacção entre as culturas infantil e adulta tem este objectivo. A do erudito ou cultura doutoral retira o neófito do seu grupo social e investe nele saberes e ideias que o incorporam noutras alternativas. Sendo dominante, a tecnologia industrial de reprodução está baseada na racionalidade da gestão; a habilitação que esta cultura dá serve para abrir alternativas que retiram o trabalho do grupo local e o colocam em lugares que dão lucro a outros. Acontece com o caso do David: cresceu no meio do trabalho rural e, já mais adulto, passou a ser empregado de uma padaria, embora sem abandonar os estudos, que en este ano de 2010, o fez polícia da Guarda Nacional Republicana. Opções procuradas após aprendizagem do que é o real.</p>
<p>E desta maneira acontece com todos os pequenos que, na medida do seu crescimento, vão abandonando o lugar no qual têm morado para assistir às aulas do segundo e terceiro ciclos e, eventualmente, frequentar o ensino superior. Coo o Joel Ferreira, Anabela Lopes e outros, dos que tenho falado en outros cantos deste livro.</p>
<p>A substituição fica em risco, porque a permanência noutros lugares abre novas possibilidades, desconhecidas no sítio de origem.</p>
<p>Com este risco pelo meio das relações (o facto de se saber que o mundo é imenso e que há formas que acabam com a vida social), a substituição para a continuidade social é assegurada pela dita subordinação. Dos grupos domésticos que tenho conhecido na vida rural e na vida urbana, não existe quase nenhum que não esteja já a preparar, e até a desejar, a saída do lar dos mais novos.</p>
<p>As três culturas sabem claramente que o futuro existe para alguém, na medida em que tenha trabalho algures. Este trabalho fora do grupo acaba por ser a segurança da substituição, ao entregar recursos alternativos ao tradicional modo de fazer as coisas; é também resultado da prescrição que manda que as crianças aprendam fora do lugar onde foram feitas. A cultura do adulto é a via que apoia a cultura da criança para subordinar-se à cultura do doutor.</p>
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		<title>Extremos (no JN)</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Sep 2010 21:00:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adão Cruz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Extremo da inutilidade Extremo da barbaridade]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-medium wp-image-1072434" title="Monarquia" src="http://www.aventar.eu/aventar/wp-content/uploads/2010/09/Monarquia-300x285.jpg" alt="" width="300" height="285" /></p>
<h3>Extremo da inutilidade<span id="more-1072433"></span></h3>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-1072458" title="Mon 1" src="http://www.aventar.eu/aventar/wp-content/uploads/2010/09/Mon-1-300x128.jpg" alt="" width="300" height="128" /> <img class="alignnone size-medium wp-image-1072459" title="Mon 2" src="http://www.aventar.eu/aventar/wp-content/uploads/2010/09/Mon-2-300x129.jpg" alt="" width="300" height="129" /> <img class="alignnone size-medium wp-image-1072460" title="Mon 3" src="http://www.aventar.eu/aventar/wp-content/uploads/2010/09/Mon-3-300x114.jpg" alt="" width="300" height="114" /></p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-1072435" title="enola-gay" src="http://www.aventar.eu/aventar/wp-content/uploads/2010/09/enola-gay-300x300.jpg" alt="" width="300" height="300" /></p>
<h3>Extremo da barbaridade</h3>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-1072461" title="eno 1" src="http://www.aventar.eu/aventar/wp-content/uploads/2010/09/eno-1-264x300.jpg" alt="" width="264" height="300" /> <img class="alignnone size-medium wp-image-1072462" title="en 2" src="http://www.aventar.eu/aventar/wp-content/uploads/2010/09/en-2-258x300.jpg" alt="" width="258" height="300" /> <img class="alignnone size-medium wp-image-1072464" title="en 4" src="http://www.aventar.eu/aventar/wp-content/uploads/2010/09/en-4-226x300.jpg" alt="" width="226" height="300" /> <img class="alignnone size-medium wp-image-1072465" title="en 5" src="http://www.aventar.eu/aventar/wp-content/uploads/2010/09/en-5-261x300.jpg" alt="" width="261" height="300" /></p>
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		<title>The melting point: Wikileaks, Pentágono e Obama</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Sep 2010 17:25:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Fonseca</dc:creator>
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		<category><![CDATA[política internacional]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/kAEU9AwbKPo?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" src="http://www.youtube.com/v/kAEU9AwbKPo?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://wikileaks.org/" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/wikileaks.org/?referer=');">O portal Wikileaks</a> transformou-se em autêntico quebra-cabeças do Pentágono e dos governos dos EUA e de outros países ocidentais. As revelações de informação secreta levaram o fundador do ‘site’, o australiano Julian Assange, e restantes colaboradores, a dispersar os respectivos servidores por vários países, entre os quais a Suécia. <a href="http://www.publico.pt/Media/wikileaks-servidores-em-bunker-do-tempo-da-guerra-fria_1453690" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.publico.pt/Media/wikileaks-servidores-em-bunker-do-tempo-da-guerra-fria_1453690?referer=');">Neste país, o local de abrigo é um &#8220;bunker&#8221; do tempo da Guerra Fria.</a></p>
<p style="text-align: justify;">A coragem de Assange e companheiros causou uma espiral de incomodidade nas chefias militares norte-americanas, quando utilizaram o Wikileaks para verter, na Internet, um conjunto de 75 mil documentos secretos relativos à intervenção no Afeganistão.</p>
<p style="text-align: justify;">Todavia, o portal Wikileaks, além de outros conteúdos incómodos, descodificou e difundiu igualmente o vídeo que encima este ‘post’. As imagens, <a href="http://www.elmundo.es/elmundo/2010/04/07/comunicacion/1270672146.html" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.elmundo.es/elmundo/2010/04/07/comunicacion/1270672146.html?referer=');">igualmente publicadas em &#8216;el mundo&#8217;,</a> demonstram a forma bárbara como, a partir de um helicóptero, soldados norte-americanos assassinaram o fotógrafo da Reuters, Namir Noor-Eldeen, e mais onze civis inocentes. Além da barbaridade do crime, é possível ouvir a abjecta linguagem usada dos “heróis” que o perpetraram. Aconteceu em Bagdad em 2007 e nem a Reuters logrou ter explicações das razões do ignominioso acto.</p>
<p style="text-align: justify;">Claro que, como tinha sido avisado, Assange vem a ser perseguido pela ousadia. A procuradora-chefe da Suécia, Marianne Ny, <a href="http://www.elmundo.es/elmundo/2010/09/01/internacional/1283334063.html" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.elmundo.es/elmundo/2010/09/01/internacional/1283334063.html?referer=');">decidiu reabrir uma investigação contra Assange</a>, por suspeição de crimes de violação e assédio, com base em queixa de duas cidadãs suecas. Julian Assenge, ao afrontar poderosos sustentáculos do imperialismo norte-americano, está naturalmente consciente que, doravante, nunca terá uma vida fácil e muito menos tranquila.</p>
<p style="text-align: justify;">Iraque e Afeganistão trazem, todavia, outra figura para este ‘melting point’ da política internacional actual. É o presidente Barack Obama que já aqui elogiei, a propósito da reforma em que se empenhou do sistema de saúde, nos EUA.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-1072424"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Com efeito, Obama fez ontem um estranho e inquietante discurso, justamente a propósito da “retirada” das tropas dos EUA do Iraque. A imprensa livre e conectada com a esquerda norte-americana, <a href="http://www.thenation.com/blog/154423/obamas-awkward-speech-not-quite-peace-and-nowhere-near-prosperity" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.thenation.com/blog/154423/obamas-awkward-speech-not-quite-peace-and-nowhere-near-prosperity?referer=');"> The Nation por exemplo,</a> lembra que, até 2011, ainda permanecerão no Iraque 50.000 soldados. O custo em dinheiros públicos do país, sublinha o senador democrata, Russ Feingold, já atingiu 700 biliões de dólares. E tal custo continuará a incrementar ali, no Iraque, e no Afeganistão, onde a intervenção dos EUA tem aumentado de intensidade e de meios utilizados. Porém, uma das maiores surpresas do discurso de Obama assentaria no elogio do antecessor, George Bush, ao afirmar:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Ninguém pode duvidar do suporte do Presidente Bush às nossas tropas ou do seu amor ao nosso país e do seu compromisso com a nossa segurança</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Sabemos que, face às ofensivas da direita norte-americana, do ‘Tea-Party’ da cabotina Sarah Palin, da polémica à volta da construção da mesquita em Nova Iorque, Barack Obama se encontra espalmado na luta para assegurar a continuidade do poder. Mas, a agir assim, também o perderá, juntamente com a dignidade e a coragem de mudança que muitos cidadãos dos EUA e do mundo lhe reconheceram.</p>
<p style="text-align: justify;">O poder, esse amaldiçoado instrumento de domínio das sociedades humanas, acaba por corromper. Mesmo sem ser absoluto, corrói absolutamente, até às entranhas do próprio idealismo. E Barack Obama parece estar em processo de degeneração.  </p>
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		<title>Lisboa, 100 Cidades Contra a Lapidação &#8211; Mas parece que Infelizmente a Liberdade de Expressão, Não! A Do Povo Iraniano Não! Que Até É Causa de Morte</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Sep 2010 16:19:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>De Puta Madre</dc:creator>
				<category><![CDATA[geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Deixei o texto que se segue no Mural da Pág. de facebook Do &#8220;Lisboa, 100 cidades Contra a Lapidação&#8221;. Não Obtive resposta. Enderecei ao Mural de um dos elementos da Organização. Mas entretanto fica também no Aventar! Para que seja Aventado! Se Aventadores com alma considerarem a Demanda Y Indignação Justas que Aventem. Senão que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: left;"><span style="font-weight: normal;">Deixei o texto que se segue no Mural da Pág. de facebook Do &#8220;Lisboa, 100 cidades Contra a Lapidação&#8221;. Não Obtive resposta. Enderecei ao Mural de um dos elementos da Organização. Mas entretanto fica também no Aventar! Para que seja Aventado! Se Aventadores com alma considerarem a Demanda Y Indignação Justas que Aventem. Senão que o silêncio cúmplice da iniquidade os leve a fazer chacota de um Povo para os dias em que estiverem a Par na Igualdade de Direitos Humanos. Com a Morte Y Liberdade Alheia, haja outra demanda que não o passatempo para preencher o vazio de uma vida sem Ideais Dignos de Luta. </span></h3>
<h3 style="text-align: left;">&#8220;Há Coisas que é Bom que se saibam Y na Altura Certa! Já que se Apela a um Objectivo de 1000 Pessoas para a próxima Manifestação em Prole do Povo Iraniano &amp; Seus Direitos Humanos &#8211; como se de um Concurso festivaleiro em Arraial de Feira se tratasse: A MORTE Y A LIBERDADE ALHEIA! A Estrangeira! De Humanos que são mortos até  à pedrada, como se essa forma de morte se traduzisse em atraso civilizacional de quem a Padece! HAJA RESPEITO PELO POVO IRANIANO!</h3>
<h3 style="text-align: left;">6 Políticos Portugueses estiveram na Manifestação! Significa que 259 370 Portugueses estiveram lá! Representados por eles! Não necessitamos de APALHAÇAR A MORTE ALHEIA! A LIBERDADE ALHEIA! Era Bom que esta Organização Justificasse O PORQUÊ DE NÃO TER AUTORIZADO A LEITURA DE MENSAGENS DE IRANIANOS? ISSO SIM! DEVE SER MOTIVO DE CORRECÇÃO!</h3>
<h3 style="text-align: left;">Por Último: MUITO OBRIGADA CRISTIANO RONALDO ( SEGUE O TEXTO do<a href="http://f-se.blogspot.com/2010/08/obrigada-cristiano-ronaldo-sem-ti-esta_31.html" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/f-se.blogspot.com/2010/08/obrigada-cristiano-ronaldo-sem-ti-esta_31.html?referer=');"> <span style="color: #000000;">F-Se</span></a> PARA perceberem este Obrigada )</h3>
<h3 style="text-align: left;">PS: Estejam à Vontade Para atirarem as Pedras que Quiserem, os meus 15 meses de #Iranelection na Conta @Dputamadre dão-me ROSTO LIMPO! VOZ LIMPA! ATIREM! CORAGEM QUE tal COMO Uma IRANIANA ENTERRADA até ao pescoço EU Não me Desviarei.</h3>
<h3 style="text-align: left;">*Agradecia Uma Resposta! OU SEJA: UM PEDIDO DE DESCULPAS PÚBLICO AO POVO IRANIANO &#8211; É o mínimo, básico Y elementar. Pois não aprecio Santidades Cívicas vazias.&#8221;</h3>
<p style="text-align: left;">* Adenda ao post que seguiu para o Mural de Uma das Organizadoras.</p>
<p style="text-align: left;">Espero que por aqui Passe alguém  Y que leia  este Post&#8230; Y que Faça Por mim esta questão também à Organização Y Peça Igual Resposta.</p>
<p style="text-align: left;">Obrigada.</p>
<p style="text-align: left;">Y Sim. Obrigada Cristiano Ronaldo.<span style="color: #888888;"> </span><a href="http://f-se.blogspot.com/2010/08/obrigada-cristiano-ronaldo-sem-ti-esta_31.html" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/f-se.blogspot.com/2010/08/obrigada-cristiano-ronaldo-sem-ti-esta_31.html?referer=');"><span style="color: #888888;">( No meu blog-Individual podem descobrir Porquê!! )</span></a></p>
<p style="text-align: left;">Glória Martins &#8211; De Puta Madre pela Blogosfera Y @Dputamadre no Twitter</p>
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		<title>As melhores frases de José Sócrates (II)</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Sep 2010 15:40:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Santos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[política nacional]]></category>
		<category><![CDATA[as melhores frases]]></category>
		<category><![CDATA[josé sócrates]]></category>

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		<description><![CDATA[]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/b0YJRMyIiYk?fs=1&amp;hl=pt_BR"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/b0YJRMyIiYk?fs=1&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object></p>
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		<title>Analfabetismo</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Sep 2010 13:57:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Castelo-Branco</dc:creator>
				<category><![CDATA[centenário da república]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>

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		<description><![CDATA[O Público tem divulgado uma série de textos alusivos à comemoração do centenário da República. Por regra, o tom laudatório predomina, escamoteia a realidade histórica e reafirma as superstições que ao longo de gerações, foram insistentemente inculcadas nas mentes dos portugueses. O analfabetismo na sua versão mais moderna que sem dúvida é a iliteracia, torna-se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.aventar.eu/2010/09/01/analfabetismo/computadora-computadora-analfabetismo_u10601594-2/" rel="attachment wp-att-1072406"><img src="http://www.aventar.eu/aventar/wp-content/uploads/2010/09/computadora-computadora-analfabetismo_u106015941.jpg" alt="" title="computadora-computadora-analfabetismo_~u10601594" width="293" height="278" class="aligncenter size-full wp-image-1072406" /></a><br />
O Público tem divulgado uma série de textos alusivos à comemoração do centenário da República. Por regra, o tom laudatório predomina, escamoteia a realidade histórica e reafirma as superstições que ao longo de gerações, foram insistentemente inculcadas nas mentes dos portugueses. O analfabetismo na sua versão mais moderna que sem dúvida é a iliteracia, torna-se assim, numa preciosa ferramenta para a manutenção de um teimoso olhar para um passado, onde a divagação ocupa o lugar de primazia, relegando a análise multidisciplinar, para o âmbito de um número muito restrito e díspar de curiosos da história. Simplificando, a narrativa do preconceito é de fácil divulgação, atinge o objectivo político e torna os eventos identificáveis em termos sociais, atravessando sem distinção de extractos, todo o corpo nacional. É esta afinal, a exclusiva e mais perene vitória do defunto PRP.</p>
<p>No mais moderado e credível texto do Centenário divulgado pelo Público, <a href="http://jornal.publico.pt/noticia/31-08-2010/analfabetismo-e-educacao-popular-19905476.htm" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/jornal.publico.pt/noticia/31-08-2010/analfabetismo-e-educacao-popular-19905476.htm?referer=');">Joaquim Pintassilgo</a> aborda os temas do analfabetismo e da educação popular, que aparentemente tiveram os seus defensores em entrecruzadas trincheiras, quando não opostas. De facto, o problema da escola e da formação já vinha de longe e o chamado Iluminismo pombalino, num afã imediatista de concentração de poderes à laia de modernização do Estado e liquidação das informalmente aceites autoridades multipolares numa sociedade predominantemente rural, comprometeu de forma irreversível, a criação das desejáveis elites de que o país, apesar de tudo ainda imperial, necessitava. A escola tacitamente confiada aos clérigos como aliás, passe o anacronismo do conceito, a &#8220;assistência social&#8221;, foi uma das primeiras vítimas do desejo do controlo absoluto de um poder político emergente que de imediato, identificava a velha nobreza e a Igreja, como os principais adversários. Rapidamente, o restrito corpo discente viu-se sem mestres capazes, expurgado pelas maciças expulsões e sobretudo, pelo progressivo estiolar da investigação, compilação de registos e arquivos e também, da necessária salvaguarda da formação dos instrumentos humanos que garantiam a normal continuidade e adequação da administração pública. Mais tarde, os republicanos, encandeados pelos grandes princípios generalizantes que de fora chegavam, totalmente submeteram o seu &#8220;programa&#8221; a um sem número de artigos, onde o populismo fácil de mera propaganda assimilável pela massa citadina, garantia uma audiência minoritária, fazia vista e sobretudo, era ruidosa. Os grandes mitos do sangue, da terra e do altar da Monarquia, tornaram-se naquela trilogia que na prática, acabava por justificar a outra, a parisiense ressonância que incendiara a Europa. Numa Lisboa que de novo se transformara numa terra de muitas e desvairadas gentes, estava criado o cadinho essencial para a agitação permanente condicionante da política e mais ainda, que  tolhia de receios uma população de extracto médio, imbuída por um geral respeito e aceitação da ordem estabelecida pelo liberalismo constitucional, este sim, introdutor das tais sempre aguardadas novidades e progressos que fizeram Portugal caminhar naquele sentido europeu reclamado pela burguesia.</p>
<p><span id="more-1072405"></span>O populismo teve como principal arma, o recurso ao inflamado discurso nacionalista. Assim aconteceu no dealbar das novas nações-Estado do centro e leste europeu, onde nalguns casos, revivificaram-se idiomas há séculos secundarizados por outros, originários da potência que tutelava o território que as contingências das quase ininterruptas guerras, foram integrando em espaços mais dilatados. No caso português, um Estado em crónica crise financeira e sem o necessário apoio de um sector privado que garantisse a chegada dos meios técnicos modernizantes do todo, via-se obrigado a acorrer à acção em sectores que normalmente, deveriam pertencer ao labor de empresários interessados em engrossar cabedais e à própria promoção pessoal, naquele oitocentista sentido da filantropia, criação de riqueza e velar do bem estar geral das sociedades liberais da revolução industrial. Bem pelo contrário, as vias férreas, os portos, estradas, universidades e escolas técnicas, estavam sempre dependentes desse Estado que estava longe de possuir os recursos que desde o fim do ciclo brasileiro, foram drasticamente diminuindo as suas possibilidades. Criava-se desta forma, o ciclo crónico do défice público e do recurso ao dinheiro que do estrangeiro chegava,  submetendo o fraco sector privado, a uma informal dependência do Estado.</p>
<p>A falsa &#8220;questão da Monarquia&#8221;, punha-se como elemento agregador de uma heterogénea camada de revoltados, que não tendo conseguindo ascender aos pretendidos lugares que garantiam uma tranquila, mas quase sempre frugal subsistência, colocou-se na oposição ao regime. Tem sido esta, uma constante na vida política portuguesa e é um facto que chega aos nossos dias, apontando-se facilmente a cupidez de &#8220;classe&#8221;, as &#8220;cumplicidades de clube&#8221; e a &#8220;ganância pelo enriquecimento fácil&#8221;, como óbices à modernização do país, entendida esta nos seus múltiplos aspectos da educação e cultura, justiça, administração pública e até, na defesa militar de um património pluricontinental que era entendido como uma invariável sempre presente e querida, embora totalmente desconhecida pela grande maioria da população. O Império existia, estava nos mapas e garantia nas mentes, um certo estatuto que satisfazia a opinião pública. Isso bastava. Paralelamente, apresentava-se a laicização, como um imprescindível instrumento para encontrar um outro ethos que facilmente resvalou na impressionável oratória republicana, para um histriónico pathos que acabou por fatalmente contaminar o restrito, mas decisivo microcosmos nacional que era a capital do país.<br />
Não tendo em conta a necessidade da concentração de esforços familiares para a obtenção de recursos monetários que tornassem aceitável a vida do núcleo, propagou-se a ideia de uma forçosa e imprescindível política de educação que na óptica dos directórios republicanos, só ao Estado competiria. A criação de centros republicanos &#8211; alguns ainda nominalmente existentes &#8211; que faziam a vez da educação primária, consistiu antes de tudo, numa tentativa de fidelizar futuros contingentes militantes para a luta política de conquista do poder do Estado que proporcionava rendas, lugares administrativos e também, aquelas interdependências com um sector empresarial sempre carente de meios financeiros.</p>
<p>Tal como mais tarde Salazar ressuscitaria esta política, o nacionalismo foi habilmente aproveitado na grande fase de comemoração de diversos Centenários, sobressaindo o de Camões e o de Vasco da Gama, habilmente republicanizados como exemplos de uma perdida grandeza. Pombal serviu como esteio, naquele sentido centralizador que hegemonizava o Estado e principalmente, os detentores do seu poder. Logicamente, o PRP transformou a questão do analfabetismo, como a pedra fundamental do atraso português e como bem explicita Joaquim Pintassilgo, não tendo em consideração o próprio desinteresse dos núcleos familiares sempre dependentes do trabalho de todos os seus componentes. Aparece então a refulgente luz da &#8220;alfabetização por decreto&#8221;, princípio basilar que tem sofrido algumas alterações de adequação aos tempos, mas que ainda hoje faz de tarimba na luta política. Numa fase conturbada da evolução para novas realidades sociais, a adequação do país aos ímpetos modernizadores provenientes da Europa, dependeu quase sempre de iniciativas de entidades ou figuras cimeiras do Estado. Na verdade, as obras mais perenes &#8211; e que foram pelo PRP ostensivamente secundarizadas, quando não combatidas &#8211; chegaram pela decisiva acção da própria rainha, uma francesa educada naquele sentido bastante regalista de dever que a sociedade liberal impunha. O que os exaltados tribunos pela República não souberam ou quiseram entender, foi a certa similitude de situações que se verificavam no seio das mais prósperas sociedades industrializadas europeias, onde numa Londres financeiramente hegemónica à escala mundial, existia uma colossal massa de miseráveis que remetia os pés descalços lisboetas, à categoria de aceitável componente social do tempo. No entanto, um factor fundamental que passou despercebido, consistiu na própria dinâmica da sociedade britânica, onde a contestação das instituições liberais conformadas pela Monarquia, não foi além da luta pelos direitos cívicos &#8211; as sufragistas, por exemplo &#8211; e o labour do sindicalismo que jamais puseram em causa a estabilidade do regime político. Em Portugal, prevaleceu a superstição salvadora de uma súbita quebra da continuidade ou evolução gradual, identificando-se uma instituição, ou melhor, um homem, como a grande questão nacional a resolver de imediato, surgindo todas as demais, como naturais dependências. O Ultimatum e a demente e nefasta espiral populista dele decorrente, acabaram por conformar a opinião pública de Lisboa, especialmente aquela que ociosamente enchia as ruas da capital e se prestava ao serviço da agitação, no tempo em que os &#8220;anarquistas&#8221; apareciam como justificativo que rotulava as mais díspares ocorrências denunciadoras do mal estar. Daí à mitificação de um passado distante e ainda possível de recuperar através do abrupto e paradoxal corte com um tempo presente que afinal o justificava, tornou-se naquela necessidade que o belicoso sector que o PRP representou. Este heteróclito partido, decididamente afrancesou os fervilhantes impulsos nacionalistas republicanos, que à &#8220;esquerda&#8221; &#8211; uma parte da maçonaria e ramificações carbonárias, o &#8220;anarquismo&#8221; &#8211; e à &#8220;direita&#8221; &#8211; maçonaria e sectores abastados de proprietários rurais e empresários urbanos -, criariam as condições que o Estado Novo aproveitaria para consolidar a própria República que tão bem lhe serviu. O extenso programa oratório de construção de escolas primárias e secundárias, tendo sido iniciado na fase final do reinado do rei D. Carlos I &#8211; e incentivado durante o governo do caçador no terreno republicano que foi João Franco -, encontraria o seu apogeu durante o governo de Salazar, acompanhado pelo culto aos símbolos da bandeira, hino e instituição presidencial, cuja explicação era remetida para um passado com o qual os precursores republicanos disseram querer definitivamente cortar.</p>
<p>A República portuguesa deve afinal a sua sobrevivência, à imperiosa necessidade orgânica da sua segunda versão, o Estado Novo que nela colheu o nacionalismo e construiu a sua escola.</p>
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