Etiquetas de Posts cinema
Dorian – o filme
Colocado por Daniela Major em cinema em 18 de Abril de 2010

Toda a gente conhece a história de Dorian Gray: o rapaz belíssimo que vende a alma para que seja o seu retrato que envelhece e não ele. Ao mesmo tempo, Dorian vai-se tornando mais perverso, mais corrupto, mais cruel. Nada disto tem efeito nele, mas sim na sua pintura.
O filme segue esta história mas adiciona alguns volte-faces interessantes. No livro, sempre se deu atenção a Basil, o homem que pinta o retrato. É normal pois diz-se que Basil é o alter-ego de Óscar Wilde. Contudo, para mim, a personagem mais interessante, talvez até mais que o próprio Dorian, sempre foi Lord Henry que corrompe Dorian. E este filme, esta nova versão, dá a Henry uma renovada importância. É ele o responsável pela transformação terrível que se dá em Dorian, mas ele Henry nunca se transforma em algo semelhante. E porquê? O filme oferece uma excelente explicação.
Este filme é também mais gráfico que o livro sendo que o espectador fica com uma muito boa ideia da crueldade e perversão de Dorian Gray algo que no livro não é totalmente explícito e devia ser. Dorian é afinal aquilo que qualquer pessoa se pode tornar, se as condições em seu redor permitirem.
Quando as crianças autistas podem ir tranquilas ao cinema
Colocado por José Freitas em cinema, sociedade em 2 de Abril de 2010
Para a maior parte das crianças, ir ao cinema é um acto banal. Seja com familiares ou através de iniciativas das escolas, volta e meia sentam-se no escuro e desfrutam de um filme. Este acto social e cultural é difícil ou improvável para uma criança autista. Pelo menos em total tranquilidade.
No dia 10 de Abril, alguns milhares de pequenos portadores desta deficiência vão ao cinema em 47 cidades dos EUA. Vão ver “Como treinares o teu dragão” graças a 93 ecrãs ‘sensoriais’. As luzes não vão apagar-se, apenas reduzido o seu brilho. O som será também mais reduzido que numa sessão normal. Não haverá publicidade nem trailers. Apenas o filme.
É uma iniciativa do “Sensory Friendly Film”, uma iniciativa da AMC Entertainment e da Autism Society. Acontece uma vez por mês, ao sábado de manhã. Em grande parte por causa de Marianne Ross.
Em 2007, Marianne levou a filha, Meaghan, de 7 anos, ao cinema para ver “Hairspray”. Escolheu uma sessão do início da tarde, por norma menos concorrida. Mas Meaghan, ao ver o seu ídolo, Zac Efron, não resistiu. Feliz, saltou da cadeira, dançou, pulou, bateu palmas. Marianne e Meaghan foram convidadas a sair da sala, devido a queixas de outros espectadores.
Frustrada e zangada por ter visto a felicidade da filha interrompida assim, como contou à revista Time, Marianne contactou o representante local da AMC, pedindo uma projecção especial. Dan Harris interessou-se. Conversou com a mãe da criança e sugeriu algumas adaptações para tornar os ecrãs mais amigáveis dos sentidos para crianças autistas.
Filosofia de bolso (11)
Colocado por J. Mário Teixeira em geral em 22 de Março de 2010
Para quem gosta de sonhar, ler um livro é óptimo.
Para quem gosta que lhe contem um sonho, o melhor é ir ao cinema ver a adaptação do livro.
Rosebud (Memória descritiva)
Colocado por XXX Carlos Loures XXX em cinema, memória descritiva em 22 de Fevereiro de 2010
O edifício do Cinema Rex, na hoje degradada zona lisboeta do Intendente, foi sede da Federação Espírita Portuguesa, fundada em 1925. Ficava ao lado do Real Coliseu onde depois abriu a garagem Auto Lis, junto ao belo chafariz do Desterro. Quando a Ditadura Nacional se transformou, por obra e graça do referendo de 1933, em Estado Novo, a Federação seria perseguida pelo regime e, em 1939, a sede passou a ser um cinema – o Rex. A propriedade do edifício continuou a ser da Federação Espírita, mas a exploração foi atribuída a um particular, o senhor Eduardo Ferreira, um «industrial», como o classificam os documentos, que procedeu às obras de adaptação e construiu um belo cinema com capacidade para 478 espectadores.
Por cima da sala de cinema, equipada com um palco que podia funcionar para espectáculos teatrais, havia um grande salão onde se celebravam carnavais e réveillons. O cinema encerrou em 1967, reabrindo em Dezembro do ano seguinte com o nome de Teatro Laura Alves. Actualmente, implantado na zona mais degradada do centro de Lisboa, está transformado numa feia superfície comercial. Leia o resto do post »
Daniela Ruah – Investigação Criminal
Colocado por Luís Moreira em cinema em 18 de Fevereiro de 2010

A agente Kensie Blye ” a excepcional e bonita ” polícia filha de um marine, é a Lisboeta Daniela, oriunda de uma família judia, passou pelos Morangos e outras coisas que poucos terão visto mas que, ao fim de um ano, mais coisa menos coisa, aí está em Holliwood a dar cartas.
Estreia hoje às 21.30 h no Canal Fox Crime! Somos capazes como todos os outros, basta ter talento, confiança e trabalhar. Claro que sair cá do país dos boys e das girls é meio caminho andado para o êxito. Fico contente por ver uma portuguesa vencer lá fora, o país está como está porque há muito que está amordaçado pelos interesses medíocres das elites, os mesmos que se passaram para o lado do inimigo sempre que Portugal esteve a ferro e fogo.
Pois é meus jovens, fujam a tempo e horas, há uma UE aí de fronteiras abertas onde o talento é apreciado, não conheço nenhum jovem licenciado que se tenha arrependido de ir lá para fora e conheço muitos e vivi o ambiente. O meu filho andou por lá, muitos outros ficaram por lá, ninguém que voltar, ou antes voltam pelo amor ao país e ao sol, ao mar, às gentes, à luz…
Isto é um sítio mal frequentado por esta gente que nos governa, e não são só os ministros…
Invictus
Colocado por Daniela Major em geral em 7 de Fevereiro de 2010

A pergunta ecoa-nos na mente, desde o encontro de Mandela com Pieenar. Como o fazemos? Como nos inspiramos, onde vamos buscar força quando temos que ser os melhores, melhores que todos os outros?
E a resposta é nos dada quando Pieenar e a equipa de raguêbi visitam Robben Island. Aí, o capitão da equipa ouve a voz de Mandela a recitar o Invictus e percebemos como ele, Mandela, o fez, e percebemos como é que a África do Sul foi ganhando todos aqueles jogos, mesmo que a final tenha sido adulterada. Percebemos como Mandela conseguiu unir o país, conseguiu perdoar as pessoas que o tinham colocado na prisão, percebemos como é que viveu anos e anos dentro de uma cela minúscula e sair de lá, ainda acreditando que tinha forças para liderar um país.
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A noite em que o George Clooney jantou lá em casa
Colocado por XXX Carla Romualdo XXX em cinema, literatura em 6 de Fevereiro de 2010
E contra todas as probabilidades, à hora marcada, a campainha soou. Tirei o avental, admito que possa ter dado uma última espreitadela ao espelho, e fui abrir a porta. Lá estava ele, com o sorriso estudado e o fato aprumadíssimo, mas no seu olhar pareceu-me entrever alguma desconfiança. É natural, pensei, não é todos os dias que uma estrela de Hollywood vem jantar à Rua do Bonjardim.
Dei-lhe as boas vindas, agradeci a previsível garrafa de vinho e conduzi-o à sala. Ele mostrou um interesse diplomático pela casa, apreciou à distância alguma das fotos dispersas pela sala, olhou mais de perto uma peça de cerâmica, sem contudo se atrever a tocar-lhe, ensaiou uma espreitadela à varanda, mas desanimou-se e acabou por ir sentar-se no sofá. Movia-se com à vontade, num exercício de informalidade muito trabalhada.
Eu sentei-me no outro extremo da sala e a conversa foi avançando aos tropeções, em grande parte graças à minha fraca habilidade para evocar filmes nos quais ele tivesse contracenado. Depois um arranque titubeante, comigo a falar-lhe de filmes protagonizados por outros actores, perdi a paciência e confessei-lhe que sempre o vira como um Cary Grant dos tempos modernos, com a mesma subtil combinação de charme ingénuo e de atrevimento pouco picante. Ele gostou da ideia e, aproveitando o momentâneo idílio, resolvi servir o jantar. Leia o resto do post »
O que António Pedro Vasconcelos diz que sabe sobre as mulheres
Colocado por XXX Carla Romualdo XXX em cinema, sociedade em 3 de Fevereiro de 2010
A revista de domingo do Público inclui todas as semanas um texto que parte, ao que se explica, de uma conversa, com a jornalista Ana Sousa Dias, e que pretende dar resposta à questão “O que eu sei sobre os homens/ as mulheres”.
Nesta última semana, o convidado era o cineasta António Pedro Vasconcelos (APV) e o excerto da conversa colocado em destaque dizia:
“Não estou a ver uma mulher a ler Montaigne, um dos meus autores de cabeceira”.
Ora, esta afirmação, só por si, já me pareceu motivo mais que suficiente para ler o que APV diz que sabe sobre as mulheres. O taxativo, ainda que circunstancial, “não estou a ver” deixa pouca margem para que alguma criatura do sexo feminino mais afoita se abalance a qualquer um dos volumes dos “Ensaios”.
Seria esta afirmação reveladora de um profundo conhecimento das mulheres ou de um despudorado machismo? Já não era possível voltar a página e ignorar o que o APV sabe sobre as mulheres. Leia o resto do post »
O Filme da Minha Vida
Colocado por Fernando Moreira de Sá em arte, cinema, cultura, geral em 31 de Janeiro de 2010
Ora vamos lá ver quais são os “Filme da Minha Vida” de cada um dos nossos leitores e dos restantes aventadores. A culpa é do Luís Moreira. Eu dou o tiro de partida:
“Shine – Simplesmente Genial” é o filme da minha vida. Uma interpretação inolvidável de Geoffrey Rush roçando a perfeição e que lhe garantiu o Óscar para melhor actor em 1996.
Shine – Simplesmente Genial conta-nos a história de um pianista fora do comum com uma personalidade fora do mundo e dominado por um pai que queria ver o filho a realizar os seus sonhos frustrados, dominando-o de uma forma doentia – lembrando aqueles papás que inscrevem os meninos para estes realizarem as suas obsessões artísticas goradas. A personagem, interpretada por Geoffrey Rush, é simplesmente genial mas inadaptada ao real levando-o ao colapso e a um internamento num hospício.
A sensibilidade de David e a sua genialidade marcam este filme realizado por Scott Hicks em 1996, na Austrália e vencedor de inúmeros prémios, entre os quais se destacam um Óscar e respectivas sete nomeações.
Passados todos estes anos e com tantos filmes visionados, este Shine continua a estar no topo dos meus filmes e, por isso mesmo, continuar a considerá-lo como “O Filme da Minha Vida”.
(Outros: Ondas de Paixão de Lars Von Trier; O Fabuloso Destino de Amélie de Jean Pierre Jeunet; O Pianista de Roman Polanski; Os Padrinhos todos; Dune de David Lynch; Todos os da série Guerra das Estrelas; As Pontes de Madison County e As Cartas de Iwo Jima ambos de Clint Eastwood; The Doors de Oliver Stone; Control de Anton Corbijn; Lost In Translation e Virgin Suicides ambos de Sofia Coppola; entre tantos outros que neste momento não me lembro, sobretudo de ficção científica de que sou consumidor compulsivo).
António Campos – o bom selvagem (Memória descritiva)
Colocado por XXX Carlos Loures XXX em cinema, cultura, memória descritiva em 27 de Janeiro de 2010
Falei aqui no fenómeno de vitalidade que Manoel de Oliveira representa no panorama cultural português. Apesar de cumpridos em Dezembro passado os 101 anos, continua a trabalhar. Um outro caso invulgar no nosso cinema foi o de António Campos, não pela longevidade, mas pela persistência com que, indiferente a êxitos e a inêxitos, prosseguiu na senda que para si mesmo traçou. Um realizador que, começando como Oliveira, pelo cinema documental, raramente, ao longo do seu percurso, se afastou dessa via.
António Campos (Leiria, 29 de Maio de 1922 — Figueira da Foz, 8 de Março de 1999) foi um dos primeiros cineastas em Portugal a dedicar-se à prática do filme documentário, seguindo um conceito de antropologia visual. Explorou o filme etnográfico, recorrendo às técnicas próprias do chamado cinema directo. Foi um dos elementos fundadores do movimento do Novo Cinema em Portugal. Começou, na sua cidade, Leiria, em cuja Escola Secundária trabalhava como funcionário administrativo, fazendo pequenos documentários por si custeados até que, depois de 1970, passou a trabalhar na Fundação Calouste Gulbenkian, trabalhando apenas naquilo de que gostava – no cinema. Leia o resto do post »
O problema da História
Colocado por Daniela Major em cinema, cultura, história em 21 de Janeiro de 2010
O problema de se escrever sobre História, ou de se realizar um filme sobre um qualquer tema ou personagem Histórica é quase sempre a questão da fidelidade aos factos. Muito poucos filmes ou mesmo livros (Wolf Hall grita-me uma vozinha no meu cérebro) são acurados. Isto acontece por muitas razões e parece-me que a primeira é que muitas vezes a realidade não é tão excitante como a ficção. E isso não é condenável, uma obra de arte não tem que factual. Podemos depois falar em puro desconhecimento de factos por parte de escritores ou realizadores ou mesmo diferentes interpretações deles.
O que salta à vista é uma questão que acaba por estar acima de tudo isto: Nem sempre, na História, é possível saber-se tudo. Mesmo que se saiba muito sobre um assunto e mesmo que haja factos que estejam mais que provados, há sempre outros factos e aspectos e pormenores que não se sabem, ora porque não há fontes ou porque elas são muito problemáticas ou por outra razão qualquer. Por outro lado, também há certezas na História. Quando se diz que os nazis mataram 6 milhões de judeus, isto é um facto não há volta a dar.
Memória descritiva: Manoel de Oliveira
Colocado por XXX Carlos Loures XXX em cinema, cultura, memória descritiva em 19 de Janeiro de 2010
Pode-se gostar ou não dos filmes de Manuel de Oliveira, o que não se pode é deixar de sentir admiração por um homem que tem dedicado toda a sua vida ao cinema e que, aos 101 anos (completou-os em 11 de Dezembro) continua a rodar filmes e a manter projectos em carteira. Como se tivesse 20 anos, idade em que nos sentimos eternos. Numa entrevista dada no final do ano a Gregorio Belinchón do El País, a propósito da estreia em Espanha de «Singularidades de uma Rapariga Loira», com o entusiasmo de um jovem explicou o porquê da escolha – «O filósofo Spinoza dizia que nos julgamos livres porque ignoramos que os nossos actos são comandados pelas mais obscuras forças. Ortega y Gasset, que de dia para dia mais me agrada, fala do homem e da sua circunstância. Isto define o que penso da paixão». Leia o resto do post »
E o globo de Ouro vai para…
Colocado por Daniela Major em geral em 18 de Janeiro de 2010
Christoph Waltz
O senhor mereceu. Sem dúvida, a melhor interpretação do ano, que nos revelou um actor extraordinário e invulgar. Talvez seja essa a melhor coisa acerca de C. Waltz. O facto de não vir de um meio fabricado, artificial. Waltz é um actor puro. E por isso espero vê-lo nos Óscares.
O vídeo e o discurso aqui. O Hans Landa ia chorando.
(E é um senhor bastante…vá, composto)
O que se passa por esse mundo fora
Colocado por José Magalhães em cinema, sociedade em 13 de Janeiro de 2010
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O filme de James Cameron está nas bocas do mundo. A caminho de ser o filme mais lucrativo de sempre, os críticos continuam divididos.
Agora surge uma outra polémica. O filme, dizem, não é próprio para pessoas sensíveis. A classificação, que impõe a idade mínima para poder ser visto, e que era aqui em Portugal «para maiores de seis anos», vai passar para um dos escalões acima. Se calhar até, «só para adultos». E isto porque, por esse mundo fora, há casos de depressões e até de tentativas de suicídio, provocados pelo visionamento do filme. Isto com pessoas sensíveis é assim!
Em Portugal, não há casos desses. Os Portugueses são fortes, física e mentalmente. As dificuldades por que passamos, os problemas de todos os níveis que vivemos, a falta de empregos, os ordenados baixos (para os afortunados que têm trabalho remunerado), a crise no ensino, a crise política, a crise económica, a crise e a crise, e ainda a crise governamental que a todos nos afecta, dão-nos uma capacidade (de sacrifício e de aguentar as adversidades) que se calhar os outros povos, chamados de evoluídos e economicamente estáveis, não possuem.
Desta forma não sofremos por não termos o que os outros têm. Não entramos em depressão porque há países nos quais os seus habitantes vivem muito melhor que nós. E acima de tudo não nos passamos dos carretos porque um filme retrata uma vida que não existe e que se existisse seria muito boa e até, quem sabe, fantástica.
Nós os Portugueses, somos fantásticos.
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Aventar… aliás Avatar
Colocado por Vitor Silva em cinema em 11 de Janeiro de 2010
Pelos vistos só eu é que não achei fabuloso o Avatar…claro que tem uma animação espantosa, uns efeitos especiais de última geração…e o nome é um óbvio trocadilho que James Cameron quis fazer com o nome do nosso blog, mas que me interessa isso? A mim pelo menos essas questões técnicas não fazem parte do meu critério de avaliação do que pode ser um bom filme.
O que achei mesmo mais interessante foi o facto de dois dos principais filmes dos ultimos dois fins de ano, o Wall-E em 2008 e o Avatar em 2009 terem mais ou menos o mesmo tema: a forma como tratamos o nosso planeta.
Se Wall-E mostrava uma Terra apocalíptica abandonada ao lixo que os humanos já não queriam ou conseguiam suportar, Avatar documenta o estado mental (e as acções concretas) que nos leva a esse final.
Sim, eu percebi que o Avatar não é passado na Terra, mas toda esta história de explorar até ao tutano os recursos de uma região só porque eles valem rios de dinheiro, ou o por de lado qualquer questão ética porque importante mesmo é o futuro de uma corporação traz me à memória alguns exemplos terráqueos passados inclusive no nosso país…

A máquina do tempo: há 32 anos…
Colocado por XXX Carlos Loures XXX em cinema, cultura em 25 de Dezembro de 2009
Não gosto do Natal. Não sou crente, pelo que a face religiosa da quadra nada me diz. É a festa da família, dizem. A minha família, felizmente, não precisa de dias especiais para se reunir, nem de datas certas para manifestarmos o nosso amor e estima uns pelos outros. Porém, não consigo fugir totalmente aos tentáculos deste polvo comercial que, em Dezembro, esbraceja para sacar às pessoas em geral, crentes ou não, tudo o que possa. E depois é o sortilégio da comida – não gosto do Natal, mas adoro alguns dos acepipes que lhe estão associados. Contradições…
E assim, todos os anos nos reunimos na ceia da noite de 24 ou no almoço do dia 25. Em 1977, eu, minha mulher e os filhos, com os meus pais, estávamos à mesa, embora já tivéssemos almoçado. Eu ainda fumava e estava a contas com uma cigarrilha, acompanhado pelo meu pai que só fumava em ocasiões especiais e se encarregava de um puro. A televisão estava ligada, com o som desligado, e ninguém estava a dar-lhe atenção. Começaram a dar filmes e fotografias do Charlot e pensámos que era mais um programa natalício. Como todos, dos mais novos aos mais velhos, éramos seus admiradores, subi o som. Então percebemos – Charles Chaplin tinha morrido. O lugar-comum «o mundo ficou mais pobre» teve aqui total cabimento. Sem Charlot, o mundo ficava mesmo mais pobre.

Chegou aos Estados Unidos da América em 1912 integrado na companhia de Karno. Um dos seus colegas era Arthur Stanley Jefferson, que se viria a tornar conhecido como Stan Laurel, o «Estica» da famosa dupla «Bucha e Estica». O produtor Mack Sennett, contratou Chaplin. Em 1919, fundou a United Artists com Mary Pickford, Douglas Fairbanks e D. W. Griffith. Apesar de o sonoro ter surgido em 1927, Chaplin só o usou no final da 1930. Tempos Modernos foi sonorizado, embora praticamente não tivesse diálogos. Chaplin, numa das cenas finais, canta num restaurante uma canção totalmente em mímica, onde os versos não significavam nada pois a personagem representada por Charlot não sabia a letra. Uma cena inesquecível.
O Grande Ditador (The Great Dictator, 1940), de que se mostra um fragmento no final deste texto, foi o seu primeiro filme com diálogos. Era uma sátira a Adolf Hitler e ao nazismo, filmada e lançada nos Estados Unidos um ano antes da entrada do país na Guerra. O papel de Chaplin era duplo: o de Adenoid Hynkel, clara alusão ao nome de Hitler, e o de um barbeiro judeu. Quando tomou conhecimento do Holocausto, Charlie lamentou ter brincado com o regime nazi, pois com o horror não se brinca
Premiar o Talento:
Colocado por Fernando Moreira de Sá em cinema em 24 de Dezembro de 2009
É um prazer ver jovens talentosos serem, paulatinamente, reconhecidos pela excelência do seu trabalho.
O Aventar sobre eles falou no começo desta aventura. Mais tarde foi a imprensa local. Agora foi a vez da nacional através do JN. Eles merecem.
E cinema para todos
Colocado por XXX Carla Romualdo XXX em cinema, televisão em 22 de Dezembro de 2009
Se, nesta época de Natal, a cada um fosse dada a possibilidade de pedir um presente que beneficiasse a todos, e estando certa de que haveria muita gente a encarregar-se da paz no mundo, da igualdade de direitos e oportunidades, de governantes honestos e competentes, e por aí fora, eu pedia filmes antigos na televisão pública.
E quem achar que isto é supérfluo pode parar agora de ler que isto não vai melhorar, aviso já. Leia o resto do post »
eh pá, vamos lá manter o nível !
Colocado por XXX Carlos Ruao XXX em cinema, cultura em 14 de Outubro de 2009
… e não percam tempo com minudências: uma cervejinha europeia e fica logo tudo mais calmo !
Sacanas sem lei e as palavras de Tarantino
Colocado por José Freitas em cinema em 10 de Outubro de 2009
A diferença está nos diálogos. Ponto. É nos textos, nas linhas, nas palavras que está a diferença do cinema de Quentin Tarantino. E “Sacanas sem lei” confirma isso mesmo. Sim, claro que há as imagens. Ao contrário de João César Monteiro, Tarantino sabe que o cinema vive das imagens, senão poderia ser apenas uma rádio novela.
Esse conhecimento permite-lhe criar enfeites para os diálogos. Mesmo nas cenas de acção, Tarantino está a falar. Mesmo nas cenas de amor, é ainda Tarantino a falar. Mesmo quando há silêncios, são as palavras que lá estão. Mesmo quando utiliza, e isso ocorre inúmeras vezes, referência cinéfilas, as palavras dançam-nos nos olhos. Já viram entrevistas do homem? Pois claro, está sempre a falar, não se cala. Sim, tal como Vasco Pulido Valente escreve melhor do que fala.
“Sacanas sem lei” é um filme extraordinário porque tem diálogos extraordinários. Não é pela história, baseada num filme italiano, repleta de fantasias típicas do ex-funcionário de um vídeo clube. Não é ainda pelas imagens, embora tenham uma excelente fotografia e sejam filmadas de forma irrepreensível. O que marca são as palavras.
O primeiro capítulo do filme, com um impecável Christoph Waltz, é brilhante e define todo o filme. Como uma lição de vida, é ali que descobrimos se vamos ou não gostar do filme. O jogo de palavras e de idiomas é magnífico e é um tratado sobre como se deve construir um diálogo agressivo para cinema. Com requinte. Mais à frente, no bar francês, são os diálogos que pesam. Mesmo quando as armas se fazem ouvir, ainda estamos a escutar o texto, ainda bebemos o que disseram os protagonistas. E quando as armas se calam, é um outro diálogo que estabelece a ligação para o que há-de vir.
“Sacanas sem lei” é um grande filme, que confirma apenas a capacidade de Tarantino para escrever. Algo que já tínhamos visto em “Cães Danados” e “Pulp Fiction”.
manual sobre a verdadeira escuta!
Colocado por XXX Carlos Ruao XXX em cinema, cultura em 30 de Setembro de 2009
«A escuta telefónica pode ser empregue indiscriminadamente, mas a sua eficácia fica ilustrada por esta transcrição de uma conversa entre dois chefes de gang da área de Nova Iorque cujos telefones estavam sob escuta do FBI.
anthony: Está lá? Rico?
rico: Está lá?
anthony: Rico?
rico: Estou.
anthony: Rico ?
rico: Estou a ouvir mal.
anthony: És tu, Rico? Não estou a ouvir.
rico: O quê?
anthony: Estás a ouvir-me ?
rico: Está lá ?
anthony: Rico?
rico: A ligação está má.
anthony: Estás a ouvir?
rico: Está lá?
anthony: Rico?
rico: Está lá?
anthony: Telefonista, a ligação está má.
telefonista: Desligue e torne a ligar.
rico: Está lá?
Por causa desta evidência, Anthony (o Peixe) Rotunno e Rico Panzini foram condenados e estão a prestar serviço, por quinze anos, em Sing Sing por posse ilegal de erva.»
woody allen, «para acabar de vez com a cultura» 1966. trad. jorge leitão ramos. bertrand editora.
ass. anarquista mulder (especialista em scullys, escapes e tubos de ensaio)
viva a suíça !
Colocado por XXX Carlos Ruao XXX em cinema, cultura, justiça em 28 de Setembro de 2009
a suíça em um belo país. o próprio nome «s-u-í-ç-a» é belo. a suíça é o mais limpo país do mundo. a suíça tem bancos. a suíça tem os bancos mais limpos do mundo. a suíça tem neve. a neve na suíça é branca. os suíços são poliglotas. enquanto as salas e os países têm cantos, a bela suíça tem cantões. a suíça é íntegra. a suíça é neutral. durante a segunda grande guerra, a suíça nunca albergou espiões nazis. a suíça nunca toma partido. a suíça tem emigração portuguesa que trata de limpar o país. se os portugueses de portugal cospem no chão, os portugueses da suíça limpam os escarradores dourados dos suíços. a suíça já bateu o pé à grande frança num europeu de futebol. a suíça não tem mar. a suíça é um in-shore. eu nunca gostei da suíça porque não tenho bom gosto. quem tem bom gosto não pode deixar de gostar da suíça. a suíça tem queijos. a suíça tem chocolates. a suíça só faz bem ao mundo e se por acaso faz mal é só ao colesterol. os suíços são os melhores europeus de que há memória. tudo isto já sabíamos. apenas não sabíamos que os suíços têm um sistema judicial que funciona e que está atento a toda e qualquer injustiça universal. qual baltazar garzón qual quê ? a suíça acabou finalmente de prender o grande pedófilo franco-polaco roman polanski. três décadas depois de abusar da norte-americana samantha geimer e de ter fugido dos estados unidos da américa, a suíça apanhou-o. foi simples. o isco foi a pretensa homenagem ao abjecto realizador no festival de cinema de zurique. ora o ingénuo homem lá aterrou na suíça e deitaram-lhe as mãos. agora querem extraditá-lo para que a justiça se faça. a velha europa está escandalizada. também a polónia, a pátria de joão paulo II. três décadas passadas samantha geimer já perdoou ao senhor e gostaria de viver em paz. a suíça não. justiça é justiça. a suíça não perdoa a um realizador demente que expõe todas as suas perversões pessoais em «repulsa», «faca na água», «a semente do diabo» (uuiiii!!!) ou «o inquilino» - onde o referido esquizofrénico se veste de mulher e pinta os lábios (de mulher!!!!). a suíça diz e muito bem: a arte não é desculpa para perversidades ! a suíça não se impressiona com «pianistas» ! viva a suíça !
ass: anarquista duval
Gargantas Fundas
Colocado por Luís Moreira em cinema, política nacional em 26 de Setembro de 2009
Linda Lovelace foi a primeira e a melhor de todas ou pelo menos a mais autêntica. Nas garras da Mafia que naquela altura controlava a pornografia, e que se calhar continua a controlar, com um filme de baixo custo (20 000 dólares) facturou milhões e deu milhões a ganhar, com um enredo simples como uma anedota bem contada.
Depois tivemos gargantas fundas que trouxeram para a ribalta casos e factos, com enredos muito complexos e importantes e que ajudaram a uma sociedade mais livre e a um jornalismo mais responsável. Desde Watergate à Mónica do Gabinete Oval há de tudo, a maioria não passa de crimesinhos rasteiros de interesses, de manipulação de quem lê, mostrando pouco para esconder muito, criando factos que servem primeiras páginas.
Agora temos “trombones” dentro do “fosso da orquestra” a tocar ao arrepio da partitura, em vez da indicação de sinais, de evidências para iniciar o caminho, entregam-se pseudos factos, dossiers, que podem ter a leitura que se lhes quer dar. Para uns são crimes de deontologia para outros direito de informar.
Não levantam o rabinho da cadeira, tudo se resume a uns faxes, a uns e-mails que a verdade não merece mais, contactos prévios nem pensar que se podem perder as “notícias” tão laboriosamente conseguidas e, na véspera, tudo tentou para contactar mas não conseguiu, está aí a secretária a confirmar.
E depois a garganta canta ossanas no momento certo, tudo coincidências, tudo jornalismo.
É no que dá o dia de reflexão…
Fui ao cinema – Abraços rotos
Colocado por Luís Moreira em cinema em 17 de Setembro de 2009
Tenho que confessar que fui ver a Penélope! Desta vez o Almodovar enrola a questão, é dificil como habitualmente, mas o golpe de asa não se dá. Há ali vidas paralelas, presentes e passados, emoções, paixões e segredos, mas não ganha asas, patina.
Momentos de bom cinema, concerteza, mas não é um grande filme, longe disso. Actores seguros em registo credível, a maioria “actores Almodovar”, com o humor subtil de quem olha para a vida com uma certa distância, não a pode levar completamente a sério. É pesado demais.
E, claro, a Penélope, linda de morrer!


















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