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as culturas da cultura: infantil, adulto, erudito (II parte)

continuação daqui

a cultura do adulta

adulto a se habilitar para a corrida pela vida

2ª Parte excerto um livro meu: O imaginário das crianças. Os silêncios da cultura oral

1ª e 2ª edição, Fim de Século. Uso o texto de 2ª edição, 2007

A cultura do adulto

Tal como a infância, parece-me que a vida adulta não tem idade. É verdade que há textos legais que definem capacidades, com base na cronologia; contudo, o convívio que tenho mantido com tanto ser humano ao longo da vida, nas minhas diferentes idades e em continentes diversos, assim como em trabalhos de campo diversificados e prolongados, tem-me feito pensar que a cronologia está correlacionada com uma multiplicidade de factores.

Um deles parece ser o lugar social que se ocupa: quem define o que deve ser feito e quem obedece com o seu desejo de aceitar.

Um outro factor diz respeito ao maior ou menor envolvimento e entendimento que uma pessoa tem dos valores aceites pelos indivíduos de um grupo, classe, país ou Estado. Outro ainda diz respeito à passagem do tempo histórico que, em correlação com a tecnologia, vai acumulando experiência social que constrói uma memória. A lembrança de pessoas que convivem é heterogénea, porque foram criadas em épocas diversas, ainda que necessariamente próximas. Dessa lembrança nascem a capacidade de entender contextos e a aceitação de aspectos da vida de que gostamos e que nos desagradam, assim como se desenvolvem alianças estratégicas e associações.

O ser humano, como tenho observado, é mutável, porque é resultado da história. E a ideia que temos do adulto é apenas um paradigma, uma definição, uma expectativa: o seu comportamento varia conforme os objectivos individuais e sociais. Quer nos bairros quer nas aldeias e etnias que estudei, os mitos definem expectativas e comportamentos, aparentemente hegemónicos, definindo objectivos comuns, coincidam ou não com o objectivo da construção de cada um através da sua vida. Um outro factor é, ainda, aquilo em que se acredita e o futuro que se espera alcançar.

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mis nietos

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como aprender siendo abuelo

Los vi ese día, todos ellos juntos, a hablarme por es maravillosa máquina llamada Skype. No son muchos, eran cuatro, uno se perdió al nacer, ese pequeño de una hora, que ahora vive en nuestras emociones y sentimientos. Como los otros tres, que están en nuestra presencia cuando es posible, y se pelean entre ellos para hablar con el Grand Pa, Oppa Daddy o el Abuelo, depende de su lugar de nacimiento y del idioma que hablen. Leia o resto do post »

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A ministra da cultura apoia a tauromaquia!

Eu já confessei que nunca entrei numa praça de touros, e tambem já disse que há actividades económicas e tradições que aconselham a não tomar decisões apressadas, mas não estava preparado para esta decisão da Ministra.

Antes de tudo, porque parece ser a primeira decisão, ninguem sabe se temos ou não política cultural, há uns subsídios que se retiram e que depois se voltam a dar, mais do mesmo, a verba inscrita no Orçamento não se percebeu bem se cresceu ou se diminuiu, os apoios desapareceram numa primeira leva, ou não, tambem não estou certo, enfim, uma baralhada sem fim!

Gabriela Canavilhas, é uma muito meritória pianista e gestora cultural, deixou-se perder com a luz que emana da função ministerial, não acrescenta nada, como aliás, outras e outros colegas que se desaparecessem ninguem notava. Mas abriu uma secção na Comissão para a Cultura, a favor da tauromaquia, com representantes do estado, granadeiros, toureiros e, claro, com a falta de sempre, ninguem ouve os touros.

No outro dia foi falar à Assembleia da República e parece que chamou ao Jorge Luis Borges, José, o que numa ministra da cultura deu azo a que o Pacheco Pereira, lá  da última fila, a tenha corrigido, com um aparte estridente.

Tudo coisas escusadas se lhe oferecessem um piano!

PS: a bem da verdade. é linda!

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Barclay James Harvest em Vila Nova de Gaia

Por esta não esperava eu, Barclay James Harvest nas arribas de Gaia. É hoje às 22h, oferta gentil da autarquia. Eu vou de metro.

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Como Se Fora Um Conto – O Descalabro do J

O Descalabro do J

O estrondo, enorme e contínuo, baralha as ideias, impede o pensamento e perturba o imperturbável caminhar das horas e dos dias.

As casas, os prédios e as pontes, caem como baralhos de cartas, lançando a destruição à sua volta. As estradas, as ruas e os caminhos, desaparecem, deixando no seu lugar, uma amálgama de trilhos sem sentido e sem indicação de rumo.

No meio de tanta desgraça, J sente-se perdido. Olha à sua volta e só a devastação e a ruína se encontram à vista. O desespero ameaça tomar conta das suas acções. As soluções não existem, os caminhos não se vêm, a solidão está presente.

Os familiares, mesmo que voltassem com os seus esforços e cheios de boa vontade, não apagariam a tristeza nem acalmariam a desesperança.

J é a imagem personificada do desânimo.

Ao seu lado, não tem companheiros de infortúnio. Ninguém repara no seu sofrimento, ou ao menos se importa. Cada um tem a sua própria dor. E as dores dos outros são sempre privadas. Leia o resto do post »

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José Garcia Domingues

 

Realizou-se hoje em Silves uma sessão de homenagem ao Dr. José Domingos Garcia Domingues, considerado o maior arabista português do século XX,  na altura em que se comemora o centésimo aniversário do seu nascimento.

A sessão, organizada pelo Centro de Estudos Luso-Árabes de Silves (CELAS), contou com a presença de três palestrantes, o Prof. Dr. António Rei, o Prof. Dr. António Dias Farinha e o Dr. Adalberto Alves, que evocaram a grande figura que foi Garcia Domingues e o contributo que deu para o conhecimento da história Luso-Árabe.

Durante a sessão foi lançada a segunda edição da sua obra “História Luso-Árabe”, em cuja introdução escreve o Dr. Adalberto Alves:

“Se não vivêssemos, actualmente, num tempo de total abastardamento ético, político, cultural e social, certamente que Garcia Domingues teria homenagens a nível nacional, como era seu direito e nosso dever.”

 

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O paradigma da Grande Mesquita de Cordoba

 A história do Gharb Al-Andalus desperta sentimentos e emoções apaixonadas, discussões acesas e opiniões contraditórias. Foi um espaço de convivência de raças e etnias, de modelos de organização social e política, de experiências espirituais, de florescimento cultural. Apesar de, para muita gente, ser uma história de antagonismos e violência, para mim, quanto melhor a conheço, mais me convenço que foi essencialmente uma história de respeito e tolerância.

 Várias vezes me interroguei sobre o facto de as disputas territoriais entre cristãos e muçulmanos terminarem invariavelmente com a demolição dos locais de culto de uns e outros. Inclusivamente na chamada “reconquista cristã” (termo que repudio), as mesquitas eram inicialmente “purificadas” (este outro termo não repudio, abomino) para nelas se celebrar o culto cristão, e mais tarde acabavam por ser demolidas. Demolidas porquê? Por ódio religioso? Por intolerância? Por violência gratuita?

Ao visitar a grande Mesquita de Cordoba fez-se luz no meu espírito.

 

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Como Se Fora Um Conto – O Sr Adérito, Engraxador

Já lá vão muitos anos, mas as lembranças fluíam com rapidez.

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Sentado à mesa de um café da baixa Portuense, olhei os meus sapatos e pensei em quanto me saberia bem que aquele café tivesse um engraxador. Apeteceu-me ter os sapatos limpos, escovados e a brilhar.

Se ao menos ainda houvesse engraxadores! Já há muito que os não via. Os últimos estavam naquela entrada da rua Sampaio Bruno, quase em frente à Casa da Sorte. Havia também um ou dois, que paravam na Praça da Liberdade, quase na esquina da rua da ‘engraxadoria’.

Antigamente, não havia café que não tivesse um, e havia trabalho para todos. Todo o homem que se prezasse gostava de ter os sapatos a brilhar. Hoje são raros, os engraxadores, já que sapatos a brilhar ainda os vai havendo, e homens que se prezem ainda há um ou outro.

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As mulheres não gostam de nós

mulher a mandar no seu home

Com justa razão, parece-me a mim. Se lermos o livro de Durkheim de 1893, A divisão social do trabalho, podemos de imediato reparar que o mestre fala do trabalho social sem mencionar o trabalho doméstico em nenhuma das suas hipóteses como analisei no meu trabalho de 2007: O presente, essa grande mentira social, Afrontamento, Porto). Fala, e bem, do trabalho organizado conforme os costumes ou mecânica, e em obediência à lei ou orgânica (disponível em: http://classiques.uqac.ca/classiques/Durkheim_emile/division_du_travail/division_travail.html). É verdade que escreve vários textos sobre o matrimónio, nomeadamente, no Egipto, Japão e Roma e da família conjugal. Mas a minha intenção não é a de analisar o que a ciência social diz sobre essa temática, é, antes, tentar entender o(s) porquê(s) de que a mulher pode não nos amar.

Assim, pretendo fazer falar os meus sentimentos, os dos meus colegas masculinos heterossexuais, e das felonias cometidas por nós em relação às mulheres. Fazer falar o coração e os factos sociais que tenho observado durante anos, nas minhas pesquisas e o que pensam outros autores que têm investigado a relação homem – mulher. Essa permanente subordinação da fêmea ao macho.

Estes dois adjectivos, retirados da forma de falar costumeiras nas nossas sociedades e em outras, denotam de imediato a minha ideia que dá título ao texto: as mulheres não nos amam. Eu, acrescentaria em sub-título: e com justa razão.

Porque é que me parece que as mulheres não nos amam? Pelo sítio social no qual a colocámos, sempre a servirem o homem com quem casaram, com quem vivem ou se amancebaram. Mulheres que sabem não serem as únicas na vida dos seus homens, que aceitam as traições que esse ser comete com outras mulheres ou com outros homens.

Nem todas andam com os seus homens nos sítios que são para homens.

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Sobre a transferência do Museu Nacional de Arqueologia

O que pode querer um Ministério da Cultura que estabelece o prazo de um mês para o Director do Museu Nacional de Arqueologia abandonar as actuais instalações do Museu?

Pretenderá que ele cumpra a ordem de serviço?

É óbvio que o Ministério sabe que a ordem não tem qualquer viabilidade de ser cumprida. Não teria, em condições operacionalmente rigorosas, mesmo que tivesse sido acatada em Agosto, como se alega.

Assim sendo, o Ministério sabe que a ordem não vai ser cumprida. Atira o Director do Museu para uma situação de desobediência. Deixa-o de mãos atadas, com a cabeça no cepo. Leia o resto do post »

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PAI

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Vida fora tu correste

Passo lento, certo, seguro

Nunca foste uma alma errante

Eras fácil de encontrar

E agora que já morreste

De ti digo e asseguro

Nem todo o bom mareante

Se encontra no alto mar

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Agora, és rio, és calma

Nada te fere ou ofende

Já não tens frio

É branca e pura

A brisa que afaga a tua alma

E te acaricia com doçura

Transparente

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Já nada nos separa

Aguarda por mim

Tranquilamente

És eterno

Eu estou só de passagem

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Vou ter contigo

Repara

E nesse dia, por fim

Espera por mim

E, enquanto o relógio não pára

Guarda-me um lugar para a viagem

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Mente cultural

Para Manuela Raminhos

Crianças brincam enquanto a sua mente cultural trabalha

Parecia-me que começara o texto com uma gralha. Todo o cabeçalho ou definição deve começar por um artigo. Mas, como se trata de um conceito, retirar o artigo não é gralha, é apenas reduzir o campo de pesquisa do que se quer falar do conceito e não a universalidade do fenómeno, que acaba, assim, por nada definir. Se disser a mente cultural, falo de actividades múltiplas; se digo mente cultural, reduzo a ideia a um fenómeno que pode acontecer universalmente. E falar de Antropologia de forma hermenêutica, é aprofundar no campo do significado do conceito e não da acção do conceito, que varia de sociedade para sociedade. Leia o resto do post »

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a rapariga do violino. história de infância

Era a menina mais linda e querida de todas, doce como o mel, não de muitos beijos, subtituidos por palavras bonitas e poéticas. As suas primas a adoravam e não eram capazes de passar sem ela. Ia de casa em casa as visitar e em todas elas dormia, excepto se a avó mais querida, estava só, a Avó Graça, uma mãe para ela.

É verdade que a rapariga do violino tinha a sua própria mãe, querida, mas muito longe, em outro país essa mãe Marta, no mesmo no que morava o tío primo Luís, mas bem mais longe de onde morava o seu pai, Ludgero.

Pai no Brasil, mãe na Inglerra a tirar um curso especial, esse famoso Skype da Avó Mãe Graça, era uma joia: podia vê los e falar com eles como se estivessem muito perto, como costumava fazer com o tio primo Luís. Que a levava as costas, era o seu cavalo.o havia semana em que os pais não falassem com ela e a ouvissem. Os pais no perguntavam da escola, contavam lhe histórias e o que eles faziam.

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Sufismo no Gharb Al-Andalus

 

“Eu quero ser nada…para poder compreender tudo”

Shaykh Hisham Kabbani

A derrota dos Almorávidas na batalha de Ourique marca o início de um novo período de fraccionamento do Andalus em reinos independentes, que ficou conhecido como os segundos Reinos de Taifas.

É um período conturbado e de digladiação de várias facções muçulmanas e destas com os cristãos, já que os Almorávidas em declínio, os Reinos de Taifas que logram a independência e os recém-chegados Almóadas detêm o poder em diferentes áreas da região.

Durante este período o Sul do Gharb Al-Andalus constitui-se no Reino da Taifa de Silves, inicialmente governada pela família dos Banu Al-Mallah, mas posteriormente dominada por aquele ficou na história como o grande Mestre do Sufismo no Gharb Al-Andalus, Abu Al-Qasim Ibn Qasi.

Se o período das primeiras taifas constituiu o expoente da poesia Luso-Arabe, representada por figuras como Al-Mu’tamid e Ibn Amar, as segundas taifas ficaram como o expoente da filosofia Misticista Islâmica, representada por Ibn Qasi e o movimento Muridíno.

Natural de Silves, Ibn Qasi era provavelmente um muladi, ou descendente de cristãos convertidos, de origem romana, dado que se pensa que o seu nome de família viria do romano Cassius.

Funcionário da alfândega de Silves opta por uma vida de meditação e recolhimento, entregando metade dos os seus bens aos pobres e refugiando-se numa Zauia ou Azóia onde inicia um caminho na busca de Deus, fundando uma confraria designada por Movimento Muridíno.

Essa Zauia daria origem ao famoso Ribat da Arrifana, em Aljezur, que constrói com a restante metade dos seus bens, e que se torna sede da sua Cavalaria Espiritual, e incluía uma mesquita, celas para os seus discípulos e cavalariças. Leia o resto do post »

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Poesia Luso-Árabe

“A noite lavava as sombras

Das suas pálpebras com a aurora.

Ligeira corria a brisa.

E bebemos! Um vinho velho cor de rubi,

Denso de aroma e de corpo suave”

Poema escrito por Al-Mu’tamid

 

No ano de 1031 cai o Califado de Córdoba e o Al-Andalus divide-se em reinos independentes, que ficaram conhecidos pelo nome de Reinos de Taifas (do Árabe Muluk At-Tawaif ou reinos fraccionados).

O poder centralizado do Califado Omíada, cada vez mais dependente de uma máquina administrativa pesada e geradora de pesados impostos, aliado aos desejos de autonomia das inúmeras etnias que povoavam o Andalus, estão na origem deste fraccionamento do poder político.

No Sul do território hoje ocupado por Portugal, o Gharb Al-Andalus,  constituem-se 4 reinos de taifas _ um grande reino na zona mais a Norte com capital em Batalyaws (Badajoz), um reino correspondendo à região do Baixo Alentejo com capital em Mârtula(Mértola) e dois reinos no actual Algarve, concretamente os reinos de Xilb (Silves) e Xanta Marya Ibn Harun (Faro).

 

É neste período que floresce uma cultura Hispano-Arabe, sobretudo ao nível da poesia, resultado de uma identidade local criada pela fusão de elementos étnicos árabes, berberes, judeus, hispano-romanos e hispano-godos. Leia o resto do post »

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Os Berberes

No meu artigo “O Gharb Al-Andalus” fiz por várias vezes referência aos Berberes sem explicar em concreto quem é esse povo habitante do Norte de África. Justifica-se assim uma explicação.

Em primeiro lugar devo dizer que utilizarei preferencialmente a designação Amazigh e não Berbere, pelo sentido depreciativo que está na sua origem.

De facto o termo Berbere vem do nome bárbaro e foi a designação que os Romanos deram às populações que viviam no Norte de África quando da sua conquista.

Imazighen, plural de Amazigh, quer dizer “homens livres” em Tamazight, designação dada ao conjunto de línguas dos Imazighen.

Recentes análise ao ADN realizadas nas populações Amazigh revelaram que não se pode falar de uma raça Berbere, mas sim de várias etnias, já que se provou terem raízes em lugares tão distintos como o Sul da Península Arábica (actual Iémen), a região sub-Sahariana e a Europa.

Essas origens remontam a um período de há cerca de 30.000 anos. A migração para o Norte de África terá sido iniciada há cerca de 10.000 anos, considerando-se que os Amazigh constituem a sua população residente desde há 5.000 anos.

Sabe-se que os romanos não influenciaram a sua sociedade, pelo facto de ocuparem espaços distintos no território, o campo versus cidade.

O mesmo não se poderá dizer dos Árabes, que conquistando o Magrebe no século VII, expulsaram os Amazigh das regiões férteis e os empurraram para as montanhas e o deserto.

Até ao século XII é travada uma guerra pelo território e pela islamização dos Amazigh, que apesar de aparentemente submetidos nunca abdicaram da sua identidade, organização social e governo das áreas em que viviam. Leia o resto do post »

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O Gharb Al-Andalus

Poucas pessoas conhecem a história de Portugal entre os anos de 711 e 1246. Fomos habituados a renegar o nosso passado Árabe, a acreditar que isto já era “nosso” antes da sua chegada e que reconquistámos a nossa terra em meados do século XIII.

Felizmente que hoje existe uma visão completamente diferente que se orgulha do legado Árabe na nossa cultura e nos nossos genes.

Este artigo pretende, de uma forma resumida, dar a conhecer aos leitores os principais acontecimentos ocorridos nesse período e alguns personagens, nossos antepassados, que os protagonizaram.

No início do séc. VIII a Península Ibérica encontrava-se numa situação catastrófica em termos de vazio de poder e pobreza, levando os seus habitantes a pedir ajuda ao então recém-chegado ao Norte de África, Governador do Magrebe, um Sírio de nome Mussa Ben Nossair.

No ano de 710 Mussa ordena a um berbere chamado Tarif Ben Shamaun que faça uma incursão de reconhecimento e em 711 dá-se a primeira invasão, comandada por um outro berbere chamado Tarik Ibn Zyad, que deixa o seu nome no célebre rochedo de Gibraltar (do Árabe Gibraltar = Jebel Tarik, ou a montanha de Tarik).

A conquista, se lhe podemos assim chamar, dá-se de forma extremamente rápida pelo facto de se efectuar através de uma política de alianças e de respeito pelos direitos cívicos e políticos das populações, culminando com a conquista de Toledo, a capital dos Visigodos.

No ano seguinte Mussa Ben Nossair comanda a segunda invasão, liderando exércitos maioritariamente Árabes, e conquista Sevilha, dirigindo-se depois para Norte ao encontro de Tarik.

Em Sevilha encarrega o seu filho Abdelaziz Ben Mussa de conquistar o Gharb Al-Andalus (Ocidente do Andalus) ou simplesmente AL-Gharb (O Ocidente).

A conquista dá-se nos anos seguintes, ficando o território actualmente ocupado pelo Sul de Portugal sob o comando de Árabes do Yemen, liderados por Abu Sabbah Al-Yamani.

Refira-se que a estrutura dos exércitos muçulmanos era muito semelhante àquela que hoje utiliza a NATO _ contigentes de vários países, com os seus comandos próprios, sujeitos a um comando unificado.

Estes contigentes não só desencadeavam as acções militares, como ficavam encarregues da governação dos territórios que conquistavam.

Como veremos adiante, este facto será determinante para futuras aspirações de auto-determinação e independências de algumas regiões. Leia o resto do post »

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Contrastes

“A imagem de Marrocos nos relatos de viagens dos Portugueses (1870-1996)” é uma compilação de textos de viajantes portugueses a este país do Norte de África, da autoria de Abdelmouneim Bounou, publicada pela Universidade Sidi Mohammed Ben-Abdellah de Fés em 1998.

Neste textos é patente o fascínio que Marrocos exerce nos viajantes portugueses, os sentimentos que neles desperta, o mistério que encerra.

O texto que se segue é um extracto das “Viagens a Marrocos” de Rui da Câmara publicado originalmente em 1876 pela Livraria Internacional no Porto:

“CONTRASTES ENTRE EUROPEUS E MOUROS

Conserva esta raça, apesar de separada do continente por um estreito braço de mar, os costumes, os trajes, os traços da sua fisionomia como nos primeiros tempos: por aqui se verá quão diferente é em tudo dos nossos hábitos:

O europeu monta pela esquerda e com estribos compridos; o mouro pela direita e com estribos muito curtos.

O europeu ferra os seus cavalos com ferraduras abertas; o mouro com ferraduras fechadas, afectando a forma de boca de cântaro.

O europeu monta em selim raso e leve; o mouro em seiras pesadas.

O europeu leva as ilhas dos seus cavalos apertadas; o mouro completamente largas.

O europeu leva os alforges á garupa e divididos em dois; o mouro leva-os ao pescoço do cavalo e a um lado.

O europeu, se monta um burro, aguilhoa-o atrás na garupa; o mouro adiante, entre as espáduas.

O europeu usa armas curtas e de alcance; o mouro armas compridas e de pouco alcance.

O europeu prefere a pólvora de grão miúdo; o mouro prefere a pólvora de grão grosso. Leia o resto do post »

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Dicionário de Futebolês – prefácio

capa_para_pirulito_Bola_de_futebolGosto tanto de futebol que chego a gostar mais de futebol do que do Benfica, o que, tendo em conta os últimos 20-30 anos, só pode ser saudável. Não renego a necessária irracionalidade com que o clubismo deva ser vivido, mas, como em muitas outras coisas na minha vida, procuro não ceder à estupidez, especialmente se estiver em público, porque acredito que há coisas que só devemos fazer ou dizer no recato do nosso lar. É por isso que, encerrado na sala com a Sporttv, deixo escapar palavreado impróprio, especialmente nas muitas ocasiões que o meu clube me tem proporcionado para me revoltar ou para me entristecer.

Devo esta atitude quase correcta ao meu pai, que, nos inúmeros jogos a que assistimos, nunca se exaltou a não ser com a qualidade do futebol, nunca lhe tendo ouvido um insulto a nenhum dos intervenientes no espectáculo. Também por isso, nos estádios, sou de uma discrição a toda a prova, até porque, ainda por cima, a irracionalidade agressiva que aí campeia é algo que me desagrada visceralmente e, por prudência cobarde, parto sempre do princípio de que não vale a pena arriscar o palminho de cara que Deus me deu, que não é nada de especial, mas não é para estragar.

Ao longo destes anos como espectador e ocasional candidato a atleta, tenho-me deliciado com comportamentos e linguagens que, podendo ser perigosos, não deixam de ser cómicos. Nos últimos anos, aliás, partilhei essa paixão com um amigo, entretanto falecido, o jornalista Manuel Dias, que juntava à paixão pelo Futebol Clube do Porto uma imensa cultura nascida de uma vida profissional intensíssima, com destaque para os anos que passou n’ O Primeiro de Janeiro (e muito a propósito, no dia de hoje, amigo de José Maria Pedroto). Um dos nossos passatempos preferidos consistia em assistir às transmissões televisivas, comentando não só o jogo, mas também – e muito – o linguajar futebolês, cultivado por comentadores, treinadores, dirigentes e até espectadores. Leia o resto do post »

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Sobre o acordo ortográfico – ao correr da pena

Das várias leituras que tenho feito sobre qualquer ortográfico, não descortinei, até hoje, nenhuma razão científica para que se tenha realizado. Talvez isso se deva ao facto de não haver nenhuma razão científica. A ortografia, quando nos metemos por acordos e discórdias, é, na minha opinião, uma questão afectiva e político-económica, uma mistura explosiva, portanto.

A maioria dos adversários do acordo cai no erro habitual de querer disfarçar o afecto com argumentos aparentemente racionais e sempre alarmistas. Na verdade, o acordo não fará desaparecer a língua de Camões ou de Eça, que, aliás, usaram ortografias diferentes um do outro e da actual, sendo que a pronúncia do nosso épico seria, com certeza, diferente da nossa. Também não é sério afirmar que o desaparecimento das consoantes mudas será a morte de alguma consciência etimológica, porque, na verdade, essa consciência está apenas ao alcance de alguns privilegiados que puderam aprender a língua materna num tempo em que o Ensino era mais exigente e que juntaram a isso o estudo do Latim. Pelo meio, ainda aparece recorrentemente o arremesso patriótico de que não devemos curvar-nos perante os brasileiros, como se a unificação ortográfica nos obrigasse a sambar ou como se o portuguesinho não vivesse já deslumbrado com tudo o que é brasileiro, facto tristemente verificável na antroponímia telenoveleira ou nas pálidas tentativas de desnudação carnavalesca, no Inverno de Fevereiro, ou, ainda, na substituição forçada da palavra “bicha” por “fila”.

A fraqueza dos argumentos com que atacam o Acordo, no entanto, não fortalece quem o defende. As declarações feitas por responsáveis da “Lusa”, do “Sol” ou do “Record” no programa “Páginas de Português” da Antena 2, no dia 3 de Janeiro (pode ouvir-se aqui), falam todas muito da importância do mercado, essa espécie de argumento único que a tudo se sobrepõe, mesmo quando se fala de Cultura e de Humanidades. De resto – e voltando, ainda, ao mercado –, não acredito que um autor português passe a vender mais no Brasil por causa da nova ortografia e vice-versa. Para além disso, entre os vários defensores, há a consciência de que as modificações serão mínimas, o que nos leva a perguntar se por tão pouco valerá a pena modificar uma ortografia, ainda para mais quando sabemos que a fonética imporá, salvo erro, uma grafia “receção” em Portugal e “recepção” no Brasil (pois, lá o “p” não é mudo). Leia o resto do post »

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