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Roberto, Deus, Jesus, A Bola e os burros do presépio
Colocado por José Freitas em Media, desporto em 29 de Agosto de 2010
“Deus mandou mais que Jesus”, diz hoje o jornal A Bola, só porque Roberto defendeu uma grande-penalidade no jogo entre o Benfica e o poderoso Vitória de Setúbal, ontem.
Do jornal oficial do Benfica não se espera grande coisa (ia-me saindo ‘grande merda’) mas esperava-se um pouco de contenção e de vergonha. Há uns dias estavam a crucificar o guarda-redes por causa dos ‘frangos’, hoje, porque defendeu um penalti depois de ter começado o jogo no banco, estão a coloca-lo como o espírito santo que iluminou o caminho de Jesus na obtenção dos primeiros três pontos.
Será que o jornal quer dizer que Deus protegeu Roberto e provocou a sua reabilitação no altar da catedral? Se assim é, Jesus levou uma reprimenda do pai por não ter colocado o jogador a titular? E isto faz do Vitória de Setúbal o quê? O exército de Satanás?
E o jornal A Bola e o brilhante autor do título são os burros do presépio? Espero que não, é que tenho muito respeito pelos burros.
Fim da Linha
Colocado por Adão Cruz em literatura, sociedade em 20 de Agosto de 2010

(adão cruz)
Texto de Marcos Cruz
Será que os pássaros vivem a crise? Será que há menos gente a dar-lhes migalhas nos jardins? E todos os outros animais? Será que partilham as angústias do Homem sobre o estado do mundo? Será que sofrem de forma indirecta? Pelo que me é dado ver, não. A generalidade dos animais ditos não racionais habituou-se a viver em liberdade, coisa de que o Homem, no exercício da razão, quis prescindir. Cioso da sua mais-valia, despediu-se da cadeia de ADN global para se fazer a uma vida destacada, para escrever uma história acima do universo, mero contexto, paisagem, folha lisa. Capítulo após capítulo, encontra-se hoje perante a realidade irrefutável de ter criado um Deus à sua imagem, chamado dinheiro, Deus esse que, cada vez menos, por ser filho de um Homem desligado, de um recorte físico do infinito, está em todo o lado. Ora, se a ideia de que a salvação e a felicidade se baseiam na posse é hoje do domínio da lógica, do código subjacente à vida da espécie, há então que lutar com unhas e dentes por esse Deus. A este raciocínio interpõe-se, no entanto, um problema: o que fazer com as pessoas que se sentem felizes sem possuir ou querer possuir a dita felicidade? Pois excomungá-las, atirá-las para outra espécie, uma espécie inventada, uma espécie nova, que, tendo em conta a teoria evolucionista, quem sabe justificaria a reciclagem do termo super-homem. Hum…, não, não faria sentido evocar anacronicamente uma estrutura mítica cuja falência teve, aliás, expressão retumbante na realidade. Fosse ele um pássaro, como admitia a célebre pergunta dos homens que o viam pela primeira vez a rasgar os céus, e ainda andaria aí, imune à crise, mesmo que não a salvar pessoas, mesmo que não a aliar-se ou a substituir-se ao Deus dinheiro. Mas, enfim, talvez lhe assentasse bem a designação de supra-homem, um “supra” ligado à superação, à sublimação, à transcendência – uma transcendência inclusiva, porém, não uma transcendência irresponsavelmente mística, magicamente religiosa. Cumprida essa limpeza, deixada a nova espécie ao sabor dos pássaros, aprendendo a voar, a ser livre, o Homem poderia retomar a escrita da sua obra-prima, do seu grandiloquente livro técnico, sem romance, com menos personagens e mais Deus disponível para cada uma delas, e tirando proveito de, através do erro, ter aprendido uma lição extraordinária, imprescindível ao desejado final feliz: reprodução, jamais.
Saramago – Pensar (Deus)
Colocado por Luís Moreira em cultura em 23 de Junho de 2010
Com a devida vénia transcrevo uma parte da carta de uma leitora do Público, Céu Mota de Santa Maria da Feira.
…Quero reter na minha memória estas palavras de Saramago :”Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar”. Quanto a mim é um dos melhores ensinamentos que nos podia deixar como herança. A sua obsessão por Deus, apesar de ateu, veio-lhe porque nunca parou de fazer perguntas, não parou de pensar.
Aliás, não foi o único. Vergílio Ferreira, outro escritor português, tambem ele ateu e candidato ao Nobel, escreveu uma obra que é intitulada precisamente, Pensar (1991)…” a grande obsessão do homem é dar um sentido à vida”…este último pensamento remete novamente para Saramago, numa frase que o Público deixou ocupar toda uma página: ” A nossa maior tragédia é não saber o que fazer com a vida”.
Deus está muito na cabeça dos escritores ateus, mas tambem na dos cientistas. Alguns querem conhecer a “música de Deus”…recriar o momento do BiG_BANG e, quem sabe, a partícula elementar, a partícula de Deus”. Por seu turno, ” há neurocientistas que se propõem encontrar o ponto de Deus, no cérebro…
” a necessidade de se ser homem, ou seja, Deus, pela sonho da definitividade. É o sonho mais obsessivo (…)
PS: está no Público em “cartas à directora”, página 42!
Saramago à procura de Deus
Colocado por Luís Moreira em sociedade em 20 de Junho de 2010
Não concordo absolutamente nada com a nota do Vaticano acerca da morte e da obra de Saramago, reduzindo os seus livros a um amontoado de axiomas marxistas-leninistas, de costas voltadas para o Homem e a sua Cruz. Sendo o que menos importa na vida e obra de Saramago a verdade é que o escritor em dado passo da sua vida colocou em causa o caminho “Marxista-Leninista” do partido de que era e continou a ser militante, sendo o primeiro subscritor de uma proposta para ser discutida num dos congressos do PCP.
Se há um fio condutor na obra de Saramago e a torna singular é, exactamente, a angústia de procurar que a Humanidade seja mais que a vulgaridade da vida terrena, com o seu cortejo de vaidades, mentiras, ódios e “ter” em vez do “ser”. Se em quase todas as obras essa procura é evidente, e fá-lo nos livros que afronta Deus no sentido de O questionar, de O colocar perante a evidência da obra imperfeira de quem se pretende perfeito, então o “Ensaio sobre cegueira” é uma prova insofismável.
Sabe-se que foi este livro que empurrou Saramago definitivamente para o Nobel. E que encontramos nós nesta obra, tão transcendente, para merecer ser traduzida em tantas línguas e ter chegado a uma grande produção de Hollywood? Todo um povo encontra-se de um momento para o outro cego, sem explicação possível, uma “cegueira branca” que não assusta e não angustia. Só uma mulher foge a esse destino trágico! Porquê a excepção? Porquê uma mulher? Vamos, descobrir ao longo da leitura, que esta mulher é mais que uma simples pessoa é um “SER”capaz de se “dar” aos outros, capaz de os “guiar”, de os manter no limbo da esperança, mostrar-lhes que o que perderam ( o material, o físico) nada é comparado com o que cada “ser” é capaz de descobrir dentro de si mesmo!
Hoje, no cemitério do Alto de S. João, quando a urna foi definitivamente tragada pelo fogo do crematório, mais do que nunca senti, que Saramago procurou toda a vida uma explicação, ou um final redentor para uma vida que lhe deu mais dúvidas do que certezas, e que não o preenchou, o que o levou à procura, escrevendo.
Uma grande obra literária tem sempre muitas leituras e aí reside grande parte da sua importância, mas que melhor homenagem se pode fazer a Saramago que entender esta sua angústia existencial , transcendental?
Andou o ateu Saramago, afinal, toda a vida à procura de Deus?
Ser homossexual é pecado
Colocado por Ricardo Santos Pinto em sociedade em 26 de Maio de 2010
A entrevista da qual retiro estes excertos saiu no caderno 2 do Público há umas semanas atrás. Os entrevistados são dois jovens cristãos, um adventista e um baptista. Sobre o casamento «gay» e a homossexualidade em geral, têm as opiniões que se seguem:
«O termo casamento pode ser desnecessário».
«Biblicamente, [a homossexualidade] é um pecado, como a hipocrisia e a gula. Não há pecados maiores e menores. E se ouvir dizer que não é pecado saio da Igreja.»
«Estou de acordo com as regras. Claro que não há uma Igreja perfeita. Perfeito é Deus. [E a homossexualidade] é abominável aos olhos de Deus.»
«Não podemos ir tão longe [ter pastores homossexuais]. Porque é um exemplo para a sociedade.
«A partir do momento em que o pecado entra no mundo há um desvio do plano de Deus. A homossexualidade tem de ser sempre um desvio do plano de Deus. Aceito e respeito que a Igreja não pode aceitar a homossexualidade, como não pode aceitar cobiça e roubo. A Igreja tem de ser o garante do normativo e não concebo que aceite qualquer um destes fenómenos.»
«Sei que não foi a vontade de Deus quando criou o homem que ele fosse homossexual.»
«Deus é perfeito, não falha. Deus cria e o homem vai degenerando.»
«Acreditamos que Jesus Cristo voltará para nos salvar do pecado. [Se Cristo vier a homossexualidade acaba], como todos os outros pecados.»
«Preferia que o termo fosse união de facto. Casamento não, porque é uma instituição divina.» Leia o resto do post »
Se Deus existisse… (a propósito da visita do Papa)
Colocado por Blogger Convidado em religião em 12 de Maio de 2010
Ontem já estava mal disposto. Não estranhei acordar de madrugada.
Por mais que tentasse, não me saíam da cabeça as restrições ao trânsito, a tolerância de ponto, os microfones forrados a ouro, os aviões que vão e que vêm e que irão tornar a ir e a vir.
E tudo isto, porque vem cá um personagem a quem deram o titulo de papa.
Para que não restem duvidas, sou ateu. Nem sequer considero o agnosticismo, porque só conheço uma pessoa que o professa e esse chama-se Manuel Alegre. De facto o único agnóstico político existente no Universo.
Só sabe que é de esquerda, nunca toma posições claras e definidas e embora a gente não negue a sua existência, sabemos perfeitamente que não existe.
Bom, agora o caso é mais complexo. Lembrámo-nos do objecto social desta Associação e fomos revê-lo. Lá está…..É nosso principal objecto promover o estudo dos fenómenos culturais, ideológicos, políticos e económicos do Mundo contemporâneo e em especial a sua incidência em Portugal……
Começava a ficar justificada a razão porque me sentia mal disposto.
É que nada justifica o “estardalhaço” desta visita. São mesmo suspeitas as razões que lhe estão subjacentes, assim como o facto de termos sido abençoados com uma estadia tão prolongada.
Não quero ferir sentimentos de ninguém, mas também reservo o direito de transmitir a minha opinião. E essa é a de que me parece que já era tempo de olharmos para o religioso sob outra perspectiva e num contexto moderno e adequado aos novos conhecimentos, de forma a todos termos direito ás nossas opções sem constrangimentos nem falsas promessas. Leia o resto do post »
O deus do homem
(em termos de conclusão do post anterior “Que deus?”, transcrevo uma pequena parte de um texto meu, já antigo)
Negando os limites da sua própria natureza e da sua imaginação, o Homem assume-se como centro do Universo e inventa um deus, seu pai, cuja ontológica preocupação máxima, permanente e eterna, é a salvação da alma deste ridículo micróbio, desprezando todos os outros seres cuja diferença está, apenas, num número inferior de neurónios!
Admitindo absurdamente a pré-existência de tal deus, a sua revelação exclusiva ao animal-homem, repito, apenas porque os neurónios deste são mais numerosos do que os do cão ou do macaco, faz rir.
Consideram os cientistas, após as últimas fotografias das sondas que foram até Marte, que este planeta deve ter contido muita água e provavelmente vida, há milhares de milhões de anos. Se assim for…que vida? Animais com mais ou menos neurónios do que o Homem? Sem neurónios mas com outro substrato da razão que não imaginamos? Outros seres, estruturas materiais desconhecidas, mas, eventualmente, muito mais complexas do que o Homem? Leia o resto do post »
Que deus?
(Dedico este post à nossa simpática Maria Monteiro)
Apoiado nas leituras de Pepe Rodriguez, doutorado em psicologia pela universidade de Barcelona, e um dos mais categorizados conhecedores e especialistas em matéria de seitas e religiões, permitam-me que construa algumas das minhas opiniões àcerca da ideia de deus.
Deus é um conceito recente dentro da evolução do nosso processo cultural. Mas a força deste conceito tornou-se tão poderosa que permitiu às instituições religiosas, que governam a presunção da sua realidade, a mudança radical dos comportamentos individuais e colectivos das relações humanas.
Há mais de dois milhões de anos a espécie humana sobrevivia e morria sem deus, num planeta inóspito, no meio de uma total indiferença em relação ao Universo. Há noventa mil anos atrás, uma parte da humanidade parece ter começado a pensar na ideia de uma possível existência para além da morte. Há trinta mil anos deus ainda não existia. Por essa altura começou a esboçar-se a ideia de um deus, mas a sua imagem e características eram as de uma mulher todo-poderosa. Daí o dizer-se que deus nasceu mulher. Só depois do terceiro milénio a.C. começou a surgir a ideia de um deus criador/controlador, mais ou menos como é imaginado pela humanidade actual. Leia o resto do post »
Abaixo de deus…acima de deus
Quando temos a sorte de fazer um diagnóstico correcto, sobretudo em situações graves, e conseguimos equacionar uma terapêutica adequada que resolva a situação, quase sempre o doente ou a doente diz: abaixo de deus foi o sr. dr. quem me salvou.
Não há muito tempo, uma doente minha e minha amiga, foi acometida de um síndrome coronário agudo grave, o que significa uma obstrução importante de uma artéria coronária, ou seja, uma situação de quase enfarte do miocárdio extenso. Teve a sorte da artéria recanalizar parcialmente, evitando, por assim dizer, o descalabro. No entanto, o perigo persistia, com a possibilidade de recidiva a cada momento. Isto é, a espada mantinha-se bem afiada por cima da cabeça. Por duas vezes recorreu ao hospital e por duas vezes recorreu ao médico assistente. Com toda a negligência e incompetência, quer num caso quer noutro, deram-lhe uma palmadinha nas costas e mandaram-na embora.
Resolveu vir ter comigo. Não foi difícil inteirar-me da gravidade da situação. Imediatamente foi realizado cateterismo cardíaco, com vista a angiografia coronária, tendo sido detectada uma lesão grave na principal artéria coronária. Foi feita uma angioplastia, isto é, uma desobstrução da artéria com implantação de um stent, um dispositivo metálico que impede a reestenose da artéria. Resumindo, foi afastado o perigo, e a morte, pelo menos por enquanto, meteu o rabo entre as pernas e foi-se embora.
A minha amiga virou-se para mim e segredou-me: é costume dizer-se, abaixo de deus foi o sr. dr. quem me salvou. Neste caso, acima de deus foste tu que me safaste. Se não fosses tu e as coisas fossem deixadas nas mãos de deus, bem lixada estava.
Eu respondi: olha minha menina, fico muito grato pelas tuas palavras e pelo teu reconhecimento. Apesar de nós médicos não andarmos em competição para ocupar o lugar de deus, a verdade é que é deprimente ficar sempre em segundo lugar, quando, se as coisas ficassem só nas mãos de deus, bem que os doentes iam pró galheiro.
Resumo resumidíssimo do que me ficou de Dawkins
(Texto enviado por uma amigo, colega oftalmologista, José Maria Soares)
Qual a maior ambição de um ser humano?
A vida eterna. Ao concluir ser essa aspiração impossível, de que se serviu para a manter? Das diferentes religiões que duma ou doutra forma lha prometem.
Porque ambiciona o homem uma vida eterna’
Porque tem memória e uma vida afectiva. Quer encontrar e perpetuar os seus afectos terrenos numa outra vida já que nesta tem de se submeter ao nasce, cresce, reproduz e morre. A única maneira que tem o homem para justificar a morte é a existência de uma outra vida, a extra-terrena.
Como nasceram as religiões?
Alguém a par daquelas e de outras ambições, de acordo com os interesses da comunidade, do estado civilizacional dos seus comparsas e da sua capacidade de digerir ficções, criou-as com mais ou menos sofisticações. Nasce assim uma religião, uma profissão e uma classe social : o clero. Leia o resto do post »
Deus contraria Jesus
Colocado por J. Mário Teixeira em Media em 14 de Janeiro de 2010
O empate do Benfica frente ao Vitória de Guimarães poderá ser muito mais grave do que se pensava.
Isto porque o treinador do Benfica, Jesus, afirmou quanto á táctica do jogo: ”Jogamos no seja o que Deus quiser”.
Certamente que a ideia de Jesus era ganhar, mas Deus não terá querido tal coisa, entendendo por bem o empate.
Este é um caso que poderá ser bem mais grave do que pode parecer. Poderá não ser apenas um desacordo entre Jesus e Deus. Poderá haver algo mais profundo: Jesus e Deus poderão ter preferências diferentes em matéria de clubes. E nada garante que o Patriarca não tenha achado que era tempo de mostrar ao filho quem manda.
Grandes mudanças poderão estar em perspectiva, acrescentando-se mais uma dúvida: alguém já avisou o Vaticano?
Quatro netos
Colocado por Adão Cruz em literatura em 4 de Janeiro de 2010
Aos quatro netos
Assim nascidos de uma virada
Do alto da minha escada os contemplo.
No fundo de mim mesmo
Lá no fundo da cratera
Onde ergui a minha escada
Ouço apenas a voz do medo
Entre o sonho e a quimera.
No cimo da cratera
Onde ainda chega o sol
E a noite amanhece
Nascem flores pequeninas
No seio da erva rasteira
e os degraus de nova escada
Para continuar a primeira.
Bento XVI quer diálogo com os ateus!!!
Bento XVI quer diálogo com os ateus!!!
Li o post do amigo João José Cardoso, intitulado a “arrogância dos ateus”, frase proferida por D. José Policarpo na mensagem natalícia. Apesar de o post de João José Cardoso ser curto, diz tudo, e, de facto, acaba como deve: “Não vou perder tempo com isso”. Seria a melhor solução.
E eu seguiria de bom grado o conselho do amigo João, marimbar-me-ia para estes disparates, se gostasse que me comessem as papas na cabeça, e se não tivesse recebido, logo a seguir, um texto enviado por um amigo do Canadá intitulado:”Papa deseja criar espaços de diálogo com agnósticos e ateus”.
Bento XVI assegurou que a Igreja precisa criar espaços de diálogo e de encontro com agnósticos e ateus, que em algumas sociedades representam um grande número de pessoas. Acrescento eu que está mais ou menos calculado que mais de metade da humanidade é ateia. Mas porque quer BentoXVI criar estes espaços de diálogo, com os filhos do diabo?
“Quando falamos de uma nova evangelização”, diz ele, “talvez essas pessoas se assustem. Não querem enxergar-se convertidas em um objecto de missão, nem renunciar à sua liberdade de pensamento e de vontade. Mas a questão sobre Deus segue desafiando-os” (a mim não, e creio que nenhum ateu sente esse desafio), “ainda que não possam crer no carácter concreto de sua atenção por nós. Penso que a Igreja também deveria abrir hoje uma espécie de ‘pátio dos gentios’, onde os homens possam, de alguma forma, manter contacto com Deus, sem conhecê-lo, antes de encontrarem o acesso a seu mistério, a cujo serviço se encontra a vida interior da Igreja” (a vida interior de muitos, que os há,…acredito, a vida exterior da igreja não, essa seria a vergonha de deus).
“Ao diálogo com as religiões deve-se acrescentar hoje todo o diálogo com aqueles que enxergam a religião como algo estranho, aqueles que desconhecem Deus” (os burros, os cegos de espírito) “e que, todavia, não gostariam de permanecer simplesmente sem Deus”, (quem o diz?) “mas aproximar-se dele, ao menos como Desconhecido” (quem disse tal coisa tão disparatada?). Leia o resto do post »
O funeral dos ciganos
Colocado por Luís Moreira em geral em 30 de Novembro de 2009
Intuí, no momento, que se passava alguma coisa com aquelas pessoas que conhecia há muito. Por razões que não interessam aqui, estava no funeral da mãe de um banqueiro. Havia incómodo, tristeza, mas tudo era como que de uma mera chatice se tratasse, uma coisa que havia que fazer quanto mais depressa melhor.
Noutro tempo, acompanhando alguem da família a um hospital, assisti às manifestações de dor de uma família cigana. O seu patriarca tinha morrido naquele hospital, e a família, acampada nos jardins, dava largas à sua dor, com cânticos, com choros, num cerimonial que tinha muito de místico.
A noite ía alta, o silêncio tinha caído sobre a grande cidade, e aqueles cantares ecoavam e arrastavam-se mil vezes, com uma nobreza que me emocionava. Foi nessa altura que me lembrei do sentimento que me havia aflorado, feito de intuição, no funeral de há anos atrás e que só agora compreendia.
A dor emocional é a expressão de quem experimenta o amor, não há uma sem outra, e foi essa falta que eu intuí. Se reduzirmos a vida ao prazer, se passarmos por cima dos sentimentos profundos que nos dão identidade, não somos mais que agentes de uma sociedade insaciável, onde não cabe o amor, a bondade, a solidariedade, a amizade.
Mas aqueles cantares, tinham uma dimensão mística, religiosa, como sempre tiveram as manifestações de expressão sentimentais que erguem o homem ao nível do artista, do cientísta, do político, do escritor, da mãe, gente que se dedica ao bem do seu semelhante e tenta compreende-lo.
Esta componente mística e religiosa do ser humano faz parte da sua essência, torna-o mais humano, menos dependente da ideia que tudo se compra, que tudo está ao alcance da voragem do prazer.
Muito do que se quer compreender quanto à religião passa por aqui, por esta linha, entre o homem que se quer omnisciente e omnipotente e o homem que procura, que sofre, que ama…
E o divertido da questão, é que o homem se revolta contra Deus por não o aceitar como omnisciente, omnipotente e omnipresente…
O Mundo é melhor com Deus do que sem Deus. Para mim, basta!
A mão de Henry é a mão do diabo
Colocado por Luís Moreira em Sem categoria em 21 de Novembro de 2009
Não é a mão de Deus. A mão de Maradona foi um prodígio de classe, "apenas" deu o que faltava ao "génio" de Maradona. Altura!
Dois jogadores a disputarem uma bola, a sós, em plena área onde o inglês podia ir com as mãos acima do seu 1,90 m de altura. A mão de Deus foi necessária para dar sentido à disputa.
Ainda hoje é dificil ver se anda, ou não, ali a mão de Deus. É tudo bonito, como de um bailado se tratasse.
A mão de Henry é a mão do "diabo", não é mão subtil, é mão, braço e ombro "sucateiros", arrebanha ganancioso uma e outra vez, face oculta de um querer vencer de qualquer jeito.
A mão de Maradona faz-nos sonhar,como tambem o teatro é fingimento, que nós perdoamos por ser tão belo e sonhamos. É o segredo do poeta esse "fingidor" criador de beleza a partir do nada.
E entre os dois há a mão de Vata a dar sentido humano a Deus e ao diabo, uma mão humana, receosa, envergonhada.
Foi o vento…
Escândalo: Manuel António Pina compara Deus à Ivone do «Caminho das Indias»!
Colocado por Ricardo Santos Pinto em Sem categoria em 23 de Outubro de 2009

Li e pasmei. Manuel António Pina, homem das Letras, bem considerado, compara na sua habitual crónica no JN o Deus da Bíblia à personagem Ivone do «Caminho das Indias», interpretado pela actriz Leticia Sabatella.
É um herege, Manuel António Pina. E ainda por cima, não percebe nada de Deus nem do «Caminho das Indias». Devia ter vergonha!
O caixeiro – viajante
Colocado por Luís Moreira em Sem categoria em 20 de Outubro de 2009
Sempre que passa por aqui é para vender alguma coisa. Aproveita as homenagens que de bom grado o país lhe vai concedendo numa tentativa de o acolher, mas o ódio do senhor não se contemporiza com lamechices.
Vive fora do país para mostrar quanto está ofendido, o país não o merece, a não ser para lhe entregar a Casa dos Bicos para lá meter os papéis, que em Espanha, não querem. Está ofendido porque os seus conterrâneos, democraticamente, rejeitaram as suas ideias políticas.Nunca mais esqueceu que um homenzinho de estatura igual lhe fez um agravo escusado, muito semelhante, aliás, ao que ele fez aos seus colegas no Diário de Notícias.
Este homem quando se viu com um grama de poder mostrou o carácter de que é feito, tentando impor uma ideologia num grande diário de comunicação social que, naquela altura, era bem mais influente do que é hoje, saneando pessoas porque não confessavam a mesma ideologia. É este homem a quem agora devemos vergar a cerviz, porque o que ele diz passou a ser a bíblia, que ele renega.
Odeia tudo e todos com especial carinho os que lhe vão prestando homenagens e que têm orgulho por verem nele um compatriota que ganhou um Nobel. Tem vergonha de ser português. Já me cruzei mais do que uma vez com ele no estrangeiro, ouve falar portugues mas faz de conta que não percebe, não vá os batráqios dirigirem-lhe a palavra.
É este homem que agora vem substituir a Bíblia, é um livro que ele percebe que põe os dele no lugar a que têm direito, e não pode com isso.
Vou passar a benzer-me sempre que o vir !
A Bíblia segundo Saramago
Colocado por João José Cardoso em literatura em 18 de Outubro de 2009
Por estes dias apareceu notícia de um inquérito encomendado pela Sociedade Bíblica Portuguesa segundo o qual:
Em breve deve aparecer outro garantindo que a maior parte dos portistas só lêem o Record quando se querem rir, pensei. Para que raio se faz um estudo destes? Para conhecer o mercado? Vai aparecer uma campanha dirigida ao nicho dos ateus tentando vender Bíblias?
Como tudo se explica, descubro agora que Saramago está a lançar um novo livro, na modalidade de lançamento de peso às igrejas.
"A Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana" – afirma. É verdade, embora crueldade, natureza humana e sobretudo bons costumes sejam conceitos a enquadrar na História, e ao tempo em que foi escrito o Antigo Testamento esses maus costumes eram apenas os do costume.
Devo confessar que como romance histórico até gosto da Bíblia embora não recomende a sua leitura de enfiada. Prestações suaves, até porque a edição original está perdida e a ordem das parcelas ficou um pouco arbitrária.
Já o Caim de Saramago até pode ser que o leia mas só depois de conseguir passar das primeiras páginas de uma ou duas obras anteriores que repousam na prateleira chamada Um dia destes ainda vos leio mas duvide que seja hoje, prateleira que depende um bocado da minha longevidade, donde como bom ateu sempre afirmo que Deus queira que os leia, e a medicina ajude, é claro.














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