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caluda! fuga, silêncio e fantasia

O que os adultos pedem às crianças

É o que se grita às crianças. É o que os adultos gritam às crianças, quando os adultos calculam. Quando os adultos querem pensar e pensar sem a pequenada em frente. Ou, com a pequenada em frente. Que, ao não saber o que os adultos falam, falam elas. Porque desejam ser ouvidas. E nem sempre ouvidas são. Porque o adulto tem que pensar, decidir, optar. E a pequenada fica confundida, confusa, contrariada. Ainda que não saiba que é assim que fica. E foge. E não ouve. E refugia-se na fantasia. Foge para a rua, não ouve e continua a falar, tece ideias dos contos de fadas.

1. Foge. Foge para a rua, para os amigos da rua. Eles sabem e dão acolhimento, dão camaradagem, dão ternura. Essa ternura que os adultos parecem não ter para eles, por mandarem calar. Os amigos da rua constituem um grupo unido que transfere afectividade, mesmo que dentro das disputas. Mas afectividade, essa que pode existir porque não há laços de hierarquia consanguínea, familiar, paternal, maternal. São, esses amigos da rua, todos iguais. Com a diferença de quem sabe jogar melhor ao berlinde, quem sabe atirar o pião de forma mais acertada, quem emboneca a boneca com fitas mais brilhantes. A hierarquia entre eles, define-se pelas habilidades. A hierarquia dentro de casa, é de idade. E de origem. Os filhos do papá, os filhos da mamã, os filhos do papá e da mamã, esses meios-irmãos que até avós e tios diferentes têm entre eles. Donde, a concorrência de qual é o papá mais valente, vive-se no seio do lar; e de qual é a mamã mais diligente, vive-se dentro da casa. Na rua, os adultos desaparecem para ficar o domínio da conversa apenas a aferir as habilidades para a brincadeira e o jogo. Os adultos que calculam, precisam de gritar e dizer caluda aos pequenos, enquanto combinam como vão fazer para repartir a autoridade entre esses papás que são e vivem fora, esses papás que o não são e vivem dentro. A escola, os deveres, o convívio, são secundárias. A distribuição entre os ancestrais consanguíneos, é que a conversa rival primária: o teu papá não aparece, a tua mamã anda apaixonada pela outra família e o novo bebé…Na rua,

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As ditaduras e a instrução

claustro mosteiro trapenses

 Para a Sra. Dra. D. Dulce de Freitas.

Este espaço de debate, tem sido usado para esclarecer os conceitos de educação e de instrução. Tema recorrente neste espaço, mas ainda não esclarecidos. Pelo que novamente os trago para debate, à luz das minas conversas com uma amiga, que eu denominava Titucha e que muito me esclareceu. 

1. Os eruditos.

A ditadura não é virtual, é a materialidade da acumulação do poder nas mãos de apenas uma pessoa que governa. A ditadura não é virtual, assume todos os poderes para mandar como entende. Para agarrar qualquer um que pense de forma diferente. Qualquer um que deseje a divisão do comando do poder.

A ditadura apoia-se, normalmente, nas armas e na proibição de pensar de todos os seres que queiram ser diferentes. Principalmente, na proibição de pensar. Os perigos para uma ditadura não são os opositores políticos: esses são assassinados. Os seus perigos são os intelectuais das ciências definidas, normalmente, como sociais.

De entre eles, qualquer um capaz de pensar de forma diferente e organizar forças para se opor ao ditador. Ditador nunca eleito pelo voto, sempre apoiado pelos interesses de proprietários de bens de produção, a sua gestão e a sua autoridade sobre a força de trabalho, gestores que os possuem e os querem libertar. O objectivo do ditador é lucrar, ganhar, triplicar o poder sobre os bens e as pessoas.

A ditadura é a cobiça dos proprietários que apertam os laços sociais, da memória e do pensamento, para lucrar sem pagar e aumentar a mais o valor já incrementado na democracia formal gerida entre proprietários de bens e proprietários de força de trabalho. Tal e qual Tomás de Aquino define, tal e qual Ludwig Feurebach, professor de Karl Marx, apela para a greve, como Aristóteles tinha já definido, como Durkheim fala mais tarde, como Wagner escreve nas suas quatro óperas, escritas entre 1848 e 1874: O Anel dos Nibelungos, como Max Weber analisa na sua obra a tirania religiosa para os diferentes grupos de fé espalhados pelo mundo no seu texto publicado em alemão em 1920 y em castelhano em 1984, a primeira edição dos seus textos escritos entre 1898 e 1905, reunidos num texto denominado Ensaios sobre sociologia da religião, que como começa com o seu afamado A ética protestante e o espírito do Capitalismo, e continua com os textos Las sectas protestantes y el espíritu del o capitalismo, publicado em 1915, assim como La ética económica de las religiones universales. Ensaios de Sociologia comparada de la religión, de 1920 Textos todos reunidos em edição Castelhana da Editorial Taurus de Madris, a partir de vários ensaios, publicados como Gesammelte Aufätze zur Religionssozociologie. Leia o resto do post »

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Educa-se em casa; ensina-se na escola

acordar o imaginário da criança

Para a Senhora Ministra da Educação pensar na Antropologia da Educação e novos planos de aprendizagem, Professora Doutora Isabel Alçada.

Duas palavras com diferente sentido, mas coordenadas entre si.

Hoje em dia, o mais debatido é o conceito de educação, as formas de educar, quem vigia essa educação e qual é o seu objectivo. Em curto espaço de tempo, entre finais do Século XX e os começos do Século em que vivemos, as formas de educar têm-se confundido com a noção de instrução. O debate é forte e parece não ter uma orientação. Especialmente em países como o nosso, em que a noção de educar é entregue aos docentes. No meu ver, grande erro. Antes de começar estas linhas, perguntava a uma amiga do coração o que era educar para ela. De imediato lembrou-me que a situação actual não permite a hipótese que dá título a este texto: as crianças passam o dia desde cedo de manhã, até tarde e noite. De imediato consultei a minha amiga pessoal quem me tirara a dúvida: os pais devem ajustar os seus horários de trabalho aos da denominada educação. Leia o resto do post »

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antropologia da criança.o que era já não sou, ou torne a ser

o autor do texto, em bebé

Porquê falar de família hoje? A resposta é simples: temos em frente de nós o começo dum século. E o começo dum século que é um milénio, conforme as contas que os humanos fazemos. Já temos pensado, desde antigamente, que mil anos íamos viver, mas nunca dois mil. E a dois mil entramos, ainda ao 2010. Porém, quais, as perspectivas? Milhentas, como costumamos dizer; em todos os aspectos: nos trabalhos, nas leis, nas uniões associativas dos governos, na nova tecnologia. Será porque o milénio começa que há tanta mudança, ou calhou que, na altura do milénio, mudanças históricas estavam a acontecer? Pelo menos no elo para o qual virei o olhar do leitor, a família. Elo que mais nos interessa por causa de ser base da interacção de pessoas que reproduzem, transferem, duma geração a outra, a forma de viver. Leia o resto do post »

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e agora..que fazemos? o pib no chile

Com a morte de Émile Durkheim, coube ao seu discípulo e sobrinho, Marcel Mauss, orientar a Revista Anual L’Année Sociologique, por si fundada em 1896, editada em Paris por Feliz Alkan. Por respeito ao seu desaparecido parente, quase um pai parra ele, quer por consanguinidade, quer por desenvolverem juntos o que Durkheim tinha aprendido na École Normal Superieur de Paris, Mauss deu continuidade à publicação, acrescentando-lhe um novo título: II série. A primeira série era a do seu tio, a segunda, dele. É nesta Revista, que escreve o seu famoso texto sobre reciprocidade, intitulado: Essai sur le don. Forme et raison de l’echange dans les sociétés archaïques, passando, mais tarde, a ser denominado apenas por Ensaio sobre a dádiva. E de dádiva, passa a ser designada reciprocidade, que eu analiso exaustivamente no livro editado em 2008, pela Afrontamento, para o qual remeto o leitor para maiores detalhes técnicos, científicos e históricos.

O que, de momento, me interessa é a reciprocidade. Defini-a como uma troca de bens com mais-valia, isto é, faz parte de um comércio feito sem moeda, caracterizando-se pelo intercâmbio de bens que não se têm por bens que se possuem. Nunca a pensei como uma dádiva que não espera recompensa, quase uma forma de caridade que tudo dá sem nada esperar em retorno.

Até que um dia deste ano de 2010, a 27 de Fevereiro, uma hecatombe abala o Chile e milhares de pessoas ficam sem casa e muitas outras morrem. Ainda não sabemos quantas, como relato no meu ensaio de Terramotos. Memórias Apagadas. Durante menos de um minuto, a terra tremeu na República do Chile, cidades completas ruíram, deixando as pessoas na rua, sem casas nem bens. Em sítios onde nunca antes tinha tremido, como a capital e todo o centro, desde Santiago até Temuco, 800 quilómetros de desolação, de terras abertas que engoliam seres humanos, que sumiam casas, que derrubavam paredes. Cidades inteiras ficaram sem habitações, sem ruas, sem abastecimento de água e de energia eléctrica, com os iminentes tsunamis sempre a ameaçar o que tinha ficado em pé. Histórias que todos sabemos

O problema não é voltar a mesma história. O problema é: o que fazemos agora?

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E a doença, filho? O novo fascismo que nos pune com terramotos

o adeus à a Presidência do Chile

À memória da minha Pátria, esse país frio, chamado Chile,
que luta pela justiça que permita finalmente aliviar o luto, 41 anos depois, dia da mudança dos mandos e do perigo do regresso ao passado recente…

Acaba uma Presidência na dobrada mas não partida, República do Chile, e começa outra. Haverá mais doença?

Deixa, pequeno, tentar explicar o que é a doença. Talvez, com as minhas palavras. Essas que tenho sempre guardadas para ti. A doença, pequeno? Parece-me um estado.
Esse estado do corpo que nos retira de andar com os outros. Esse estado do corpo que muitos dizem ser um estado da alma. Esse estado do corpo que acaba por ser o que nos fere  e nos deixa sem horizontes. Esse estado do corpo, por vezes transitório, por vezes permanente, que retira de nós o desejo de fazer mais do que falar ou mal de nós por não estarmos activos – ou mal dos outros porque nos tiraram a alma. Estado do corpo que não passa, porque o corpo é apenas a carcaça dentro da qual as nossas ideias andam. E vivemos sujeitos a ela, a essa terrível palavra que denominamos doença. Da qual fugimos. Fugimos ao pensar, sempre, que o nosso estado ideal de vida é estarmos sempre bem, com o pensamento claro, o corpo direito e o trabalho a ser realizado. Leia o resto do post »

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o pecado de masculinizar a mulher

a mulher pensada por vários homens

Grande surpresa a minha! Os meus colegas ensaístas tinham reservado um dia especial para comemorar o Dia Internacional da Mulher. Solicitaram-me que não escrevesse a 8 de Março porque a escrita, nesse dia, era apenas para senhoras. No entanto, tornei a ver o texto escrito a 7 de Março, reproduzido no dia proibido.

No entanto, muitas mulheres escreveram nesse dia, as do nosso grupo e outras convidadas. E vários de nós, homens, que tínhamos escrito, no dia prévio, sobre a mulher. A frase desse dia, o slogan ou estandarte por falar assim, é retirada de uma Canção dos Beattle You can work it out. Por outras palavras, podes fazer crescer ou podes conseguir. A intenção do slogan desse dia, que nem devia existir, porque somos todos iguais, é humilhar a mulher ao dizer que ela também pode crescer, também pode trabalhar, também tem forças para conseguir ser um outro ser como os homens. O mais irónico é a palavra blog, um caderno de rascunhos, de ideias novas de apontamentos para não esquecer. Mas a palavra blog numa frase como esta, refere a capacidade adquirida pelo sexo feminino de ser capaz de desenvolver as suas qualidades como os outros fazem. Aliás, a frase foi colocada por um grupo de homens que deu licença às mulheres para, nesse dia especial, poderem demonstrar que eram pessoas de poder, como os homens pensam que são. Salientem-se ainda, que o sítio em que a frase foi escrita, é denominado blog e é gerido ou administrado por homens. Há uma ou duas mulheres que, timidamente, acompanham essa gestão, excepto duas de apelido semelhante, mas que são convidadas a participar na escrita desde outro blog.

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os amores são como o vento

 

Namoro, ele e ela em procura da igualdade

 para Maria da Graça

O título precisa  uma certa certa definição. Amores há muitos e de diversas maneiras. Há o amor à Mãe, há o amor à Pátria, há, finalmente, o amor à Humanidade, e dentro de Humanidade, há o amor personalizado. Esse amor a dois, que é nosso melhor alimento espiritual e que dá força para continuar a vida.

Vivemos num país de brandos costume, como é denominado Portugal, que causam estragos se nós sabermos por não saber precaver situações de alto risco. Apenas durante estas duas passadas semanas, tivemos uma hecatombe na Madeira, como já comentara num ensaio anterior; a seguir, e por esse descuido, o Chile ficou de joelhos: nem partido nem quebrado, mas sim, dobrado. Faz dos dias antes desta data, a Turquia ficou de rastos. O que segue, não é sabido. Quem nos dera sermos bruxos ou uma divindade qualquer. Conheceríamos assim o futuro e aprenderíamos a gerir o presente.

Mas o presente tem um senão. Especialmente em amores privados. O homem quer mandar, assim foi habituado desde a sua mais tenra infância, e não consegue suportar o machismo crescente da mulher. Pelos menos, na minha geração que não a dos mais novos: novos são meus netos que, a todo minuto, devem começar a namorar, especialmente o mais velho, que neste Junho faz dez anos. A sua pequena irmã de sete, já pretende ter sedutores, porque imita a mães que é linda como o sol, sabe que é assim e, sem se exibir, aceita com paciência as simpatias dos seus colegas e compatriotas holandeses e ingleses. Tomás segue os passos do pai, que está sempre a trabalhar no seu Museu da Insurreição, que bem dirige. É um genro de bom feitio e lindo, como o seu filho, meu neto. Nem um nem o outro, reparam se são pretendidos ou não, não têm vaidade, não se exibem. Leia o resto do post »

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A conheci e nada pedi. Um poema

a mulher do meus sonhos

Entrei na sala de aulas. Era o meu dia de proferir uma lição. A lição da semana. Não olhei para sítio nenhum, conforme meu hábito, nem falei. Distraia-me. Distrair-se no começo da elocução, era um pecado. Um grave pecado. O meu dever era ensinar. Para ensinar, deve-se estar concentrado. Todos o sabiam e por isso não me falavam. Era sabido por todos que no meio da conferência, ia parar, calar e dizer, caramba, estava tão dentro dos meus pensamentos, que me esqueci de cumprimentar. Todos riam. Mas ninguém falava. Conhecido era que qualquer frase ia danar-me, perdia o fio da memória, esquecia a frase seguinte. A prova era dura. Era meu costume enviar as habituais seis páginas da temática que ia proferir, vários dias antes. Todos liam e sabiam do que eu ia tratar. Carregado de textos, enquanto falava, procurava citações em livros sinalizados por mim com pequenos colantes amarelos escritos com a ideia central para desenvolver ao longo de 45 minutos. Nenhum minuto mais, nenhum minuto menos. O título da aula era a minha hipótese, e os pequenos colantes que marcavam diversos sítios dos vários textos, as ideias substantivas para provar a central. Esses 45 minutos voavam como borboletas, com os meus olhos fixados em cada flor que ai estava. Olhava-as, mas não as vias. Bem sabiam as minhas borboletas que um pequeno sussurro delas, encurtava o meu pensamento e não ia saber como continuar. Cada dez minutos, contava uma anedota para aligeirar a lição e aliviar a forçada concentração a que as obrigava. Borboletas femininas, borboletas masculinas, de curta idade, à tarde e à noite, adultos que trabalhavam durante o dia e apareciam às 18.15 – a minha lição devia começar às 18, mas eu dava quinze minutos de tolerância, porque, em hora de ponta, as deslocações eram cumpridas e pesadas, porque um café para estarem acordados, porque um queque para entreter a fome. Porque a conversa de corredor era obrigatória. Porque milhares de motivos entretinham as minhas borboletas.

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Mulher

Ideal de mulher, rara na sociedade capitalista

Para a nossa neta May Malen, de três meses e três dias, e para o meu bebé, Maria da Graça

Quem saiba de gramática e sintaxes, dir-me-ia que escrever esta palavra, este substantivo, ficava pendurado por não ter artigo, adjectivo qualificativo, estar no meio de uma frase ou revelar a intenção de colocar a palavra no meio, como se diz no castelhano castiço, da nada e da coisa nenhuma. Ou dicionário que me apoia diz ser uma pessoa adulta do sexo feminino.

E os problemas começam. O que será sexo feminino. Sabemos que o substantivo sexo representa órgãos genitais diferentes dentro da mesma espécie do género humano ou diferença física ou conformação especial que distingue o macho da fêmea. E os problemas continuam entre macho e fêmea. Não deve ser preciso consultar o dicionário para nada. É necessário deixar falar ao coração, aos nossos sentimentos, as idades de vida. A mulher começa por ser a pessoa que nos amamenta, que satisfaz o apetite do corpo que cresce. Matar essa fome que o crescimento causa. A energia do se desenvolvimento, precisa ser alimentada com litros de leite para os décimos de centímetros que a criança usa na vida até a sua autonomia total.

Autonomia heterogénea: ou gatinhar, ou se agarrar ao corpo dos pais porque confia

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Renascer

Para Alejandra, el el día de su cumpleaños…

Nascí, es primera palabra del libro de Charles Dickens, David Copperfield, escrito entre 1849 y 1850. Esa palabra que da título al primer capítulo del libro.

Tu también, apenas que muchos años después, casi ciento y sesenta e cinco años después, más o menos. La edad de una Señora nunca se dice, especialmente si es Toro Iturra de Iribárren. Las Toro adoran quitarse la edad, las Iturra, no podrían hacerlo mejor. Tú, no serás igual, eres demasiado moderna, fuerte y valiente Leia o resto do post »

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As catástrofes da natureza

Adão e Eva expulsos do Paraiso

Falamos de catástrofe quando acontece uma grande desgraça que atinge muitas pessoas. Normalmente e da forma que tenho escrito nestes dias, adjudico o conceito às desgraças que têm acontecido no arquipélago da Madeira, na República do Chile e em toda a Europa do Norte, ao longo deste interminável, inacabável e fustigante, inverno das nossas vidas. Estes anos de 2009 e 2010. Tenho, por engano meu, pensado a natureza como elemento geográfico esquecendo, pelo facto das desgraças que nos acontecem, que o ser humano faz parte da natureza. Ao escrever sobre o ser humano como uma entidade que procura lucro e mais-valia, esqueci-me que estes dois conceitos fazem parte do pensamento das pessoas. O lucro e a mais valia não existem como elementos da natureza. Formam parte do pensamento, do cálculo, da procura da riqueza e do bem-estar, conceitos que fazem parte do pensamento económico do ser humano. Pensamento económico que tenho definido noutros textos como o trabalho que cria um conjunto de leis que presidem à produção e distribuição das riquezas. Donde, riqueza é o resultado da acumulação de bens poupados e investidos para render moeda. Leia o resto do post »

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Chile, um país em recuperação

destas casas cresceram outras

É-me impossível parar a escrita sobre a tragédia do Chile. Examinar a imagem, mostra-nos de imediato como um prédio em construção (em tijolo e zinco), ruiu no meio de outros prédios pintados de branco e direitos. A casa estava já ocupada pelos proprietários ou construtores, porque um dos maiores castigos do Chile, é a falta de habitação. A maior parte da população vive, como explico em ensaios anteriores, em casas cujos materiais de construção se resumem a zinco, papelão e cartão. O desenvolvimento económico do país nos últimos vinte anos, permitiu aos mais pobres saírem das suas casas de «brinquedos» para casas mais sólidas. Sólidas até um certo ponto, porque são feitas pelos moradores desconhecedores das técnicas de construção. Desde o nascimento do Chile, como narra Isabel Allende no seu livro de 2006: Inês del Alma Mia, Arreté, Barcelona – versão portuguesa do mesmo ano, Difel, Lisboa, intitulado Inês da Minha Alma, que existem os alarifes ou mestre-de-obras, arquitectos aprendidos com a prática e com estudos matemáticos nas Universidades do seu tempo. O seu primeiro trabalho é dividir a terra em palmos, medida que equivale a 8 polegadas ou 22 centímetros, medida, tomada com a mão aberta, que vai da extremidade do dedo polegar à ponta do dedo mínimo.

 Largos palmos de terra eram adjudicados aos colonizadores, os que, com a ajuda do alarifes, desenhavam as casas de apenas um piso (térreas), sem mais construções por cima, por causa da necessidade de usar pedra trabalhada por canteiros, e coladas para construir um prédio com cimento e gemas de ovo. Pedras canteadas usadas na construção de prédios certos e duradouros, de vários andares, como as igrejas, os paços ou a sede do governo.

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Chile: uma reportagem

São Alberto do Chile, trabalho com operários para construir o país

Alberto Hurtado Cruchaga ou São Alberto do Chile, que reconstrói o país nos anos 50 do Século XX com os operários.

Lembro-me que pelos anos 50 do Século XX, havia um programa de música folclórica chilena, de René Largo Farias. O título do programa radiofónico – não havia televisão nesses tempos – era simpático: Chile rie e canta, acrescentando o nome do posto da rádio. E com Largo Farias, todos cantávamos. Era o país das festas, dos bailados, do ballet clássico, de música de ópera e dos desfiles, dos eternos desfiles. Por tudo e por nada, o Chile desfilava e era dia de folga. O 21 de Maio, por ter perdido dois heróis, o Capitão Arturo Pratt Chacón, e o nosso parente, o tenente Ignácio Carrera Pinto. Batalha perdida como valentes, no meio de uma guerra começada contra o Peru e a Bolívia em 1879, guerra ganha pelo empenhamento dos soldados chilenos que em duas batalhas cruciais, acabaram por ganhá-la: a coragem da morte dos heróis, e a toma do pão de açúcar denominado o morro de Arica, a 8 de Junho de 1880. Datas marcadas na história do país como dias de glória e de heroicidade, dias que mereciam festas, cantos e danças. Chile, mais uma vez, estava a dançar e a cantar. E os meses de Setembro desde 1810, esses dias do 18 e 19, em que se comemorava a declaração da independência do Chile da Monarquia Espanhola, acabada de se completar a 5 de Abril de 1818, na Batalha de Maipú, sítio de veneração da Nossa Senhora do Carmo ou Virgen del Carmen, padroeira do Chile. O seu dia é o dezasseis de Julho, desde 1818, dia de folga, procissão e dança. Dia Santo.

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Os terramotos do Chile. Memórias apagadas

Vulcão Villarica do Chile, sempre em erupção


Primeiro um silêncio profundo. A seguir os cães ladram, antes, tinham cantado os galos, as galinhas gorgolejavam. As pessoas calam sem saber porquê. Um segundo de silêncio. Um segundo apenas, como se estivesse medido por um cronómetro. E a hecatombe aparece com um ruído ensurdecedor. Agarra-se a uma árvore, foge-se de um buraco que abre, não sabemos como, na terra ao pé de nós. Os gritos começam. Das pessoas. Os ateus rezam, as beatas falam em palavrões, todos tentam agarrar-se a todos, todos fogem de todos. Tenta-se andar, e gatinhamos, tenta-se correr e bate-se com a cabeça contra as pedras. Correr, mas para onde? Ai há outro buraco, um fogo aparece do fundo da terra, e foge não sabemos para onde. Prende-se a um prédio. Era a nossa casa, fica em cinzas, as pedras dos prédios abatem-se sobre nós, o céu fica obscuro se for de dia, vermelho se for de noite. Os nossos já não estão, procuramos e não os encontramos. Os carros, pesados, suavemente deslizam pelo asfalto até desaparecerem num buraco aberto na estrada. Há outros atrapalhados debaixo das marquises dos prédios que servem de garagem. Guardados para sempre. Sem utilidade, insubstituíveis.

A terra salta para cima, a terra mexe para a direita, a terra mexe para a esquerda. No meio, nós. Se a terra vai para a direita, tentamos balançar o nosso corpo para a esquerda num equilíbrio impossível. A senhora gorda corre como gazela nos seus sessenta anos, agarramo-nos ao seu traseiro, esbofeteia; o velho recupera a sua agilidade e salta entre passeio e passeio para não se afundar nas fendas da estrada. Os pássaros grasnam no ar em bandos, como se se quisessem esconder dentro das nuvens para não ver o horror de Dante que aparece na terra. Os mais amorosos acodem aos mais desvalidos. Queremos tornar a casa e refugiar-nos debaixo da cama. Casa não há, apenas um buraco que arde e nos engole se não formos resgatados pelos mais calmos que, em quatro patas, sim patas, começam a resgatar os eminentes desaparecidos, esses que nunca mais são encontrados. Centenas de pessoas morrem, as camas do hospital que ruiu, são levadas a correr para os buracos do que era uma rua. Os dos prédios do décimo quinto andar, atiram-se, em desespero ao ar, caída que mata, como mata ficar dentro do andar que cai sobre os seres humanos com outros seres humanos dentro. Pessoas que desistem da vida e se deixam estar no sítio em que não deviam. A gritada é impossível, não tem destino. Apenas um: o silêncio que aparece após os saltos da terra, essa que um minuto depois, tem uma réplica, os sons subterrâneos reaparecem e já não queremos mais. Ficamos deitados. Não falamos, não reagimos, não acudimos. A adrenalina paralisa o corpo. Olhamos par a natureza e geografia conhecidas, nada existe nunca mais. O meu vizinho vai-se embora em sangue, nada há para o ajudar que não seja a o sangue dos outros que o fogo consome e ardem. Como as casas. Como as estradas. Como os parques subterrâneos. Como a minha mãe, como o meu filho. O ânimo come o valor da vida.

Um minuto. Apenas um minuto. Quase um minuto se tanto. E a terra muda de lugar.

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Antropologia no ISCTE-IUL, segunda parte

Bronislaw Malinowski, fundador da Antropologia Britânica, nosso antecedente

Falava ontem de recrutamento dos docentes do Departamento de Antropologia Social do ISCTE, ou Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, hoje IUL ou Instituto Universitário de Lisboa. Os dois, quase universidades. Por outras palavras, nem Universidades formais nem institutos politécnicos. O problema não era o nome da instituição, o problema era a licença para manter e sustentar mais uma Universidade Pública ao longo do país.

Universidades privadas haviam muitos, mas eram sustentadas pelas altas propinas de matrícula que os estuantes deviam pagar e com o apoio, mais diminuído que o outorgado as 12 universidades públicas, da parte, nesses anos, do Ministério da Educação. Nesses anos, digo, porque hoje em dia o ensino superior, é dizer Universidades e Institutos de ensino Superior, encontram-se baixo a alçada do novo Ministério de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

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Mente cultural

Para Manuela Raminhos

Crianças brincam enquanto a sua mente cultural trabalha

Parecia-me que começara o texto com uma gralha. Todo o cabeçalho ou definição deve começar por um artigo. Mas, como se trata de um conceito, retirar o artigo não é gralha, é apenas reduzir o campo de pesquisa do que se quer falar do conceito e não a universalidade do fenómeno, que acaba, assim, por nada definir. Se disser a mente cultural, falo de actividades múltiplas; se digo mente cultural, reduzo a ideia a um fenómeno que pode acontecer universalmente. E falar de Antropologia de forma hermenêutica, é aprofundar no campo do significado do conceito e não da acção do conceito, que varia de sociedade para sociedade. Leia o resto do post »

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violência ou criminalidade intra- familiar

criança punida apesar das lei de protecção de jovens e crianças, comum em Portugal

Violência intra-familiar não é um tema fácil de abordar. Pensa-se sempre que um grupo de parentes ou seres humanos relacionados entre si, por laços de consanguinidade ou de afinidade, é um grupo feliz. No seio do grupo, cabe aos adultos protegerem os mais novos orientando-os desde muito cedo na vida, pelas sendas do amor, o respeito filial ou o respeito que os pais têm pelos filhos. Pelo menos, é assim que eu penso.

Mas a realidade parece ser outra. Não foi por acaso que coloquei a imagem de uma criança punida, com as marcas de uma bofetada recebida na sua pequena cara. Bofetada de quem se desconhece a autoria e o motivo da punição material, reflectida na cara triste e sofrente de quem não entende qual o mal que fez para receber tamanho castigo. Castigo reiterado ao longo do tempo pela pequena da imagem, e por muitas outras mais.

Essa bofetada marca pelo menos três aspectos da vida da infância. A primeira é visível e não precisa ser comentada, a imagem fala o que as palavras da pequena não sabem dizer porque as desconhece ou, ainda, porque não espera que o seu adulto a use contra ela. Essa bofetada pode ser o resultado de quem tem raiva contra si próprio e desabafa nos mais pequenos, como comenta Sigmund Freud em 1905 em húngaro, traduzido para inglês por Hoggart Press, Londres, em Obras Completas, Volume VII,1953: Three essays on Sexuality, ou Melanie Klein em: Inveja e Gratidão (1943 em alemão, 1954 em inglês e em luso brasileiro, 1991), Imago, Brasil, Alice Miller (1981 em alemão), 1998: Thou Shalt not be aware. Societie’s Betrayal of te Child, Pluto Press, EUA, ou Françoise Dolto, 1971: L’Évangile au risque de la psychanalise, Editons du Seuil, Paris, textos que comento no meu livro: O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade Repositório ISCTE e Internacional, em: http://repositorio.iscte.pt/, ou http://www.rcaap.pt.

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a liberdade de expressão revisitada

É  impossível deixar de lembrar e rememorar uma e outra vez, os acontecimentos do Século XVIII no continente europeu e as repercussões em terras do dito mundo novo. Digo dito mundo novo e não novo mundo de forma directa, porque de novo nada tinha para os habitantes nativos do continente descoberto pelos europeus. Nativos que moravam nas terras hoje denominadas Estados Unidos de Norte Américas, o Canadá, México.
Os monumentos, especialmente no sul das terras do Norte, eram impressionantes edifícios dedicados aos deuses que adoravam e para os sacrifícios oferecidos às divindades, ou seres humanos nascidos para se preparar para a morte na idade da puberdade e que eram criados em paços especiais e treinados para uma morte temprana, com alegria e felicidade: não pertenciam às famílias, pertenciam aos deuses, como tenho relatado em detalhe em outro ensaio anterior a este.
Novo era para para os europeus que começaram a explorar a terra além dos seus reinos e algumas repúblicas, especialmente na Itália.
Os mais ousados eram no das Monarquias do Estado Britânico, da Espanha e Portugal. No Século XV já andavam a explorar terras denominadas hoje  o sub continente da Índia e o continente africano, que não sabiam que eram continentes, é dizer, um conjunto de pequenas monarquias, principados, ou simplesmente etnias. Leia o resto do post »

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a rapariga do violino. história de infância

Era a menina mais linda e querida de todas, doce como o mel, não de muitos beijos, subtituidos por palavras bonitas e poéticas. As suas primas a adoravam e não eram capazes de passar sem ela. Ia de casa em casa as visitar e em todas elas dormia, excepto se a avó mais querida, estava só, a Avó Graça, uma mãe para ela.

É verdade que a rapariga do violino tinha a sua própria mãe, querida, mas muito longe, em outro país essa mãe Marta, no mesmo no que morava o tío primo Luís, mas bem mais longe de onde morava o seu pai, Ludgero.

Pai no Brasil, mãe na Inglerra a tirar um curso especial, esse famoso Skype da Avó Mãe Graça, era uma joia: podia vê los e falar com eles como se estivessem muito perto, como costumava fazer com o tio primo Luís. Que a levava as costas, era o seu cavalo.o havia semana em que os pais não falassem com ela e a ouvissem. Os pais no perguntavam da escola, contavam lhe histórias e o que eles faziam.

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