Etiquetas de Posts direitos humanos
E a doença, filho? O novo fascismo que nos pune com terramotos
o adeus à a Presidência do Chile
À memória da minha Pátria, esse país frio, chamado Chile,
que luta pela justiça que permita finalmente aliviar o luto, 41 anos depois, dia da mudança dos mandos e do perigo do regresso ao passado recente…
Acaba uma Presidência na dobrada mas não partida, República do Chile, e começa outra. Haverá mais doença?
Deixa, pequeno, tentar explicar o que é a doença. Talvez, com as minhas palavras. Essas que tenho sempre guardadas para ti. A doença, pequeno? Parece-me um estado.
Esse estado do corpo que nos retira de andar com os outros. Esse estado do corpo que muitos dizem ser um estado da alma. Esse estado do corpo que acaba por ser o que nos fere e nos deixa sem horizontes. Esse estado do corpo, por vezes transitório, por vezes permanente, que retira de nós o desejo de fazer mais do que falar ou mal de nós por não estarmos activos – ou mal dos outros porque nos tiraram a alma. Estado do corpo que não passa, porque o corpo é apenas a carcaça dentro da qual as nossas ideias andam. E vivemos sujeitos a ela, a essa terrível palavra que denominamos doença. Da qual fugimos. Fugimos ao pensar, sempre, que o nosso estado ideal de vida é estarmos sempre bem, com o pensamento claro, o corpo direito e o trabalho a ser realizado. Leia o resto do post »
o pecado de masculinizar a mulher
Colocado por Raul Iturra em história, saúde, sociedade em 10 de Março de 2010

a mulher pensada por vários homens
Grande surpresa a minha! Os meus colegas ensaístas tinham reservado um dia especial para comemorar o Dia Internacional da Mulher. Solicitaram-me que não escrevesse a 8 de Março porque a escrita, nesse dia, era apenas para senhoras. No entanto, tornei a ver o texto escrito a 7 de Março, reproduzido no dia proibido.
No entanto, muitas mulheres escreveram nesse dia, as do nosso grupo e outras convidadas. E vários de nós, homens, que tínhamos escrito, no dia prévio, sobre a mulher. A frase desse dia, o slogan ou estandarte por falar assim, é retirada de uma Canção dos Beattle You can work it out. Por outras palavras, podes fazer crescer ou podes conseguir. A intenção do slogan desse dia, que nem devia existir, porque somos todos iguais, é humilhar a mulher ao dizer que ela também pode crescer, também pode trabalhar, também tem forças para conseguir ser um outro ser como os homens. O mais irónico é a palavra blog, um caderno de rascunhos, de ideias novas de apontamentos para não esquecer. Mas a palavra blog numa frase como esta, refere a capacidade adquirida pelo sexo feminino de ser capaz de desenvolver as suas qualidades como os outros fazem. Aliás, a frase foi colocada por um grupo de homens que deu licença às mulheres para, nesse dia especial, poderem demonstrar que eram pessoas de poder, como os homens pensam que são. Salientem-se ainda, que o sítio em que a frase foi escrita, é denominado blog e é gerido ou administrado por homens. Há uma ou duas mulheres que, timidamente, acompanham essa gestão, excepto duas de apelido semelhante, mas que são convidadas a participar na escrita desde outro blog.
os amores são como o vento
Colocado por Raul Iturra em sociedade em 9 de Março de 2010

Namoro, ele e ela em procura da igualdade
para Maria da Graça
O título precisa uma certa certa definição. Amores há muitos e de diversas maneiras. Há o amor à Mãe, há o amor à Pátria, há, finalmente, o amor à Humanidade, e dentro de Humanidade, há o amor personalizado. Esse amor a dois, que é nosso melhor alimento espiritual e que dá força para continuar a vida.
Vivemos num país de brandos costume, como é denominado Portugal, que causam estragos se nós sabermos por não saber precaver situações de alto risco. Apenas durante estas duas passadas semanas, tivemos uma hecatombe na Madeira, como já comentara num ensaio anterior; a seguir, e por esse descuido, o Chile ficou de joelhos: nem partido nem quebrado, mas sim, dobrado. Faz dos dias antes desta data, a Turquia ficou de rastos. O que segue, não é sabido. Quem nos dera sermos bruxos ou uma divindade qualquer. Conheceríamos assim o futuro e aprenderíamos a gerir o presente.
Mas o presente tem um senão. Especialmente em amores privados. O homem quer mandar, assim foi habituado desde a sua mais tenra infância, e não consegue suportar o machismo crescente da mulher. Pelos menos, na minha geração que não a dos mais novos: novos são meus netos que, a todo minuto, devem começar a namorar, especialmente o mais velho, que neste Junho faz dez anos. A sua pequena irmã de sete, já pretende ter sedutores, porque imita a mães que é linda como o sol, sabe que é assim e, sem se exibir, aceita com paciência as simpatias dos seus colegas e compatriotas holandeses e ingleses. Tomás segue os passos do pai, que está sempre a trabalhar no seu Museu da Insurreição, que bem dirige. É um genro de bom feitio e lindo, como o seu filho, meu neto. Nem um nem o outro, reparam se são pretendidos ou não, não têm vaidade, não se exibem. Leia o resto do post »
A conheci e nada pedi. Um poema
Colocado por Raul Iturra em educação, poesia, sociedade em 9 de Março de 2010

a mulher do meus sonhos
Entrei na sala de aulas. Era o meu dia de proferir uma lição. A lição da semana. Não olhei para sítio nenhum, conforme meu hábito, nem falei. Distraia-me. Distrair-se no começo da elocução, era um pecado. Um grave pecado. O meu dever era ensinar. Para ensinar, deve-se estar concentrado. Todos o sabiam e por isso não me falavam. Era sabido por todos que no meio da conferência, ia parar, calar e dizer, caramba, estava tão dentro dos meus pensamentos, que me esqueci de cumprimentar. Todos riam. Mas ninguém falava. Conhecido era que qualquer frase ia danar-me, perdia o fio da memória, esquecia a frase seguinte. A prova era dura. Era meu costume enviar as habituais seis páginas da temática que ia proferir, vários dias antes. Todos liam e sabiam do que eu ia tratar. Carregado de textos, enquanto falava, procurava citações em livros sinalizados por mim com pequenos colantes amarelos escritos com a ideia central para desenvolver ao longo de 45 minutos. Nenhum minuto mais, nenhum minuto menos. O título da aula era a minha hipótese, e os pequenos colantes que marcavam diversos sítios dos vários textos, as ideias substantivas para provar a central. Esses 45 minutos voavam como borboletas, com os meus olhos fixados em cada flor que ai estava. Olhava-as, mas não as vias. Bem sabiam as minhas borboletas que um pequeno sussurro delas, encurtava o meu pensamento e não ia saber como continuar. Cada dez minutos, contava uma anedota para aligeirar a lição e aliviar a forçada concentração a que as obrigava. Borboletas femininas, borboletas masculinas, de curta idade, à tarde e à noite, adultos que trabalhavam durante o dia e apareciam às 18.15 – a minha lição devia começar às 18, mas eu dava quinze minutos de tolerância, porque, em hora de ponta, as deslocações eram cumpridas e pesadas, porque um café para estarem acordados, porque um queque para entreter a fome. Porque a conversa de corredor era obrigatória. Porque milhares de motivos entretinham as minhas borboletas.
Mulher
Colocado por Raul Iturra em sociedade em 7 de Março de 2010

Ideal de mulher, rara na sociedade capitalista
Para a nossa neta May Malen, de três meses e três dias, e para o meu bebé, Maria da Graça
Quem saiba de gramática e sintaxes, dir-me-ia que escrever esta palavra, este substantivo, ficava pendurado por não ter artigo, adjectivo qualificativo, estar no meio de uma frase ou revelar a intenção de colocar a palavra no meio, como se diz no castelhano castiço, da nada e da coisa nenhuma. Ou dicionário que me apoia diz ser uma pessoa adulta do sexo feminino.
E os problemas começam. O que será sexo feminino. Sabemos que o substantivo sexo representa órgãos genitais diferentes dentro da mesma espécie do género humano ou diferença física ou conformação especial que distingue o macho da fêmea. E os problemas continuam entre macho e fêmea. Não deve ser preciso consultar o dicionário para nada. É necessário deixar falar ao coração, aos nossos sentimentos, as idades de vida. A mulher começa por ser a pessoa que nos amamenta, que satisfaz o apetite do corpo que cresce. Matar essa fome que o crescimento causa. A energia do se desenvolvimento, precisa ser alimentada com litros de leite para os décimos de centímetros que a criança usa na vida até a sua autonomia total.
Autonomia heterogénea: ou gatinhar, ou se agarrar ao corpo dos pais porque confia
Renascer
Colocado por Raul Iturra em educação, poesia, sociedade em 7 de Março de 2010
Para Alejandra, el el día de su cumpleaños…
Nascí, es primera palabra del libro de Charles Dickens, David Copperfield, escrito entre 1849 y 1850. Esa palabra que da título al primer capítulo del libro.
Tu también, apenas que muchos años después, casi ciento y sesenta e cinco años después, más o menos. La edad de una Señora nunca se dice, especialmente si es Toro Iturra de Iribárren. Las Toro adoran quitarse la edad, las Iturra, no podrían hacerlo mejor. Tú, no serás igual, eres demasiado moderna, fuerte y valiente Leia o resto do post »
Chile, um país em recuperação
Colocado por Raul Iturra em política internacional, sismos em 2 de Março de 2010

destas casas cresceram outras
É-me impossível parar a escrita sobre a tragédia do Chile. Examinar a imagem, mostra-nos de imediato como um prédio em construção (em tijolo e zinco), ruiu no meio de outros prédios pintados de branco e direitos. A casa estava já ocupada pelos proprietários ou construtores, porque um dos maiores castigos do Chile, é a falta de habitação. A maior parte da população vive, como explico em ensaios anteriores, em casas cujos materiais de construção se resumem a zinco, papelão e cartão. O desenvolvimento económico do país nos últimos vinte anos, permitiu aos mais pobres saírem das suas casas de «brinquedos» para casas mais sólidas. Sólidas até um certo ponto, porque são feitas pelos moradores desconhecedores das técnicas de construção. Desde o nascimento do Chile, como narra Isabel Allende no seu livro de 2006: Inês del Alma Mia, Arreté, Barcelona – versão portuguesa do mesmo ano, Difel, Lisboa, intitulado Inês da Minha Alma, que existem os alarifes ou mestre-de-obras, arquitectos aprendidos com a prática e com estudos matemáticos nas Universidades do seu tempo. O seu primeiro trabalho é dividir a terra em palmos, medida que equivale a 8 polegadas ou 22 centímetros, medida, tomada com a mão aberta, que vai da extremidade do dedo polegar à ponta do dedo mínimo.
Largos palmos de terra eram adjudicados aos colonizadores, os que, com a ajuda do alarifes, desenhavam as casas de apenas um piso (térreas), sem mais construções por cima, por causa da necessidade de usar pedra trabalhada por canteiros, e coladas para construir um prédio com cimento e gemas de ovo. Pedras canteadas usadas na construção de prédios certos e duradouros, de vários andares, como as igrejas, os paços ou a sede do governo.
Chile: uma reportagem
Colocado por Raul Iturra em política internacional em 1 de Março de 2010

São Alberto do Chile, trabalho com operários para construir o país
Alberto Hurtado Cruchaga ou São Alberto do Chile, que reconstrói o país nos anos 50 do Século XX com os operários.
Lembro-me que pelos anos 50 do Século XX, havia um programa de música folclórica chilena, de René Largo Farias. O título do programa radiofónico – não havia televisão nesses tempos – era simpático: Chile rie e canta, acrescentando o nome do posto da rádio. E com Largo Farias, todos cantávamos. Era o país das festas, dos bailados, do ballet clássico, de música de ópera e dos desfiles, dos eternos desfiles. Por tudo e por nada, o Chile desfilava e era dia de folga. O 21 de Maio, por ter perdido dois heróis, o Capitão Arturo Pratt Chacón, e o nosso parente, o tenente Ignácio Carrera Pinto. Batalha perdida como valentes, no meio de uma guerra começada contra o Peru e a Bolívia em 1879, guerra ganha pelo empenhamento dos soldados chilenos que em duas batalhas cruciais, acabaram por ganhá-la: a coragem da morte dos heróis, e a toma do pão de açúcar denominado o morro de Arica, a 8 de Junho de 1880. Datas marcadas na história do país como dias de glória e de heroicidade, dias que mereciam festas, cantos e danças. Chile, mais uma vez, estava a dançar e a cantar. E os meses de Setembro desde 1810, esses dias do 18 e 19, em que se comemorava a declaração da independência do Chile da Monarquia Espanhola, acabada de se completar a 5 de Abril de 1818, na Batalha de Maipú, sítio de veneração da Nossa Senhora do Carmo ou Virgen del Carmen, padroeira do Chile. O seu dia é o dezasseis de Julho, desde 1818, dia de folga, procissão e dança. Dia Santo.
Os terramotos do Chile. Memórias apagadas

Vulcão Villarica do Chile, sempre em erupção
Primeiro um silêncio profundo. A seguir os cães ladram, antes, tinham cantado os galos, as galinhas gorgolejavam. As pessoas calam sem saber porquê. Um segundo de silêncio. Um segundo apenas, como se estivesse medido por um cronómetro. E a hecatombe aparece com um ruído ensurdecedor. Agarra-se a uma árvore, foge-se de um buraco que abre, não sabemos como, na terra ao pé de nós. Os gritos começam. Das pessoas. Os ateus rezam, as beatas falam em palavrões, todos tentam agarrar-se a todos, todos fogem de todos. Tenta-se andar, e gatinhamos, tenta-se correr e bate-se com a cabeça contra as pedras. Correr, mas para onde? Ai há outro buraco, um fogo aparece do fundo da terra, e foge não sabemos para onde. Prende-se a um prédio. Era a nossa casa, fica em cinzas, as pedras dos prédios abatem-se sobre nós, o céu fica obscuro se for de dia, vermelho se for de noite. Os nossos já não estão, procuramos e não os encontramos. Os carros, pesados, suavemente deslizam pelo asfalto até desaparecerem num buraco aberto na estrada. Há outros atrapalhados debaixo das marquises dos prédios que servem de garagem. Guardados para sempre. Sem utilidade, insubstituíveis.
A terra salta para cima, a terra mexe para a direita, a terra mexe para a esquerda. No meio, nós. Se a terra vai para a direita, tentamos balançar o nosso corpo para a esquerda num equilíbrio impossível. A senhora gorda corre como gazela nos seus sessenta anos, agarramo-nos ao seu traseiro, esbofeteia; o velho recupera a sua agilidade e salta entre passeio e passeio para não se afundar nas fendas da estrada. Os pássaros grasnam no ar em bandos, como se se quisessem esconder dentro das nuvens para não ver o horror de Dante que aparece na terra. Os mais amorosos acodem aos mais desvalidos. Queremos tornar a casa e refugiar-nos debaixo da cama. Casa não há, apenas um buraco que arde e nos engole se não formos resgatados pelos mais calmos que, em quatro patas, sim patas, começam a resgatar os eminentes desaparecidos, esses que nunca mais são encontrados. Centenas de pessoas morrem, as camas do hospital que ruiu, são levadas a correr para os buracos do que era uma rua. Os dos prédios do décimo quinto andar, atiram-se, em desespero ao ar, caída que mata, como mata ficar dentro do andar que cai sobre os seres humanos com outros seres humanos dentro. Pessoas que desistem da vida e se deixam estar no sítio em que não deviam. A gritada é impossível, não tem destino. Apenas um: o silêncio que aparece após os saltos da terra, essa que um minuto depois, tem uma réplica, os sons subterrâneos reaparecem e já não queremos mais. Ficamos deitados. Não falamos, não reagimos, não acudimos. A adrenalina paralisa o corpo. Olhamos par a natureza e geografia conhecidas, nada existe nunca mais. O meu vizinho vai-se embora em sangue, nada há para o ajudar que não seja a o sangue dos outros que o fogo consome e ardem. Como as casas. Como as estradas. Como os parques subterrâneos. Como a minha mãe, como o meu filho. O ânimo come o valor da vida.
Um minuto. Apenas um minuto. Quase um minuto se tanto. E a terra muda de lugar.
Antropologia no ISCTE-IUL, segunda parte
Colocado por Raul Iturra em antropologia, educação, história em 27 de Fevereiro de 2010

Bronislaw Malinowski, fundador da Antropologia Britânica, nosso antecedente
Falava ontem de recrutamento dos docentes do Departamento de Antropologia Social do ISCTE, ou Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, hoje IUL ou Instituto Universitário de Lisboa. Os dois, quase universidades. Por outras palavras, nem Universidades formais nem institutos politécnicos. O problema não era o nome da instituição, o problema era a licença para manter e sustentar mais uma Universidade Pública ao longo do país.
Universidades privadas haviam muitos, mas eram sustentadas pelas altas propinas de matrícula que os estuantes deviam pagar e com o apoio, mais diminuído que o outorgado as 12 universidades públicas, da parte, nesses anos, do Ministério da Educação. Nesses anos, digo, porque hoje em dia o ensino superior, é dizer Universidades e Institutos de ensino Superior, encontram-se baixo a alçada do novo Ministério de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.
Mente cultural
Colocado por Raul Iturra em antropologia em 26 de Fevereiro de 2010
Para Manuela Raminhos

Crianças brincam enquanto a sua mente cultural trabalha
Parecia-me que começara o texto com uma gralha. Todo o cabeçalho ou definição deve começar por um artigo. Mas, como se trata de um conceito, retirar o artigo não é gralha, é apenas reduzir o campo de pesquisa do que se quer falar do conceito e não a universalidade do fenómeno, que acaba, assim, por nada definir. Se disser a mente cultural, falo de actividades múltiplas; se digo mente cultural, reduzo a ideia a um fenómeno que pode acontecer universalmente. E falar de Antropologia de forma hermenêutica, é aprofundar no campo do significado do conceito e não da acção do conceito, que varia de sociedade para sociedade. Leia o resto do post »
violência ou criminalidade intra- familiar
Colocado por Raul Iturra em antropologia, educação, justiça, política nacional, sociedade em 25 de Fevereiro de 2010

criança punida apesar das lei de protecção de jovens e crianças, comum em Portugal
Violência intra-familiar não é um tema fácil de abordar. Pensa-se sempre que um grupo de parentes ou seres humanos relacionados entre si, por laços de consanguinidade ou de afinidade, é um grupo feliz. No seio do grupo, cabe aos adultos protegerem os mais novos orientando-os desde muito cedo na vida, pelas sendas do amor, o respeito filial ou o respeito que os pais têm pelos filhos. Pelo menos, é assim que eu penso.
Mas a realidade parece ser outra. Não foi por acaso que coloquei a imagem de uma criança punida, com as marcas de uma bofetada recebida na sua pequena cara. Bofetada de quem se desconhece a autoria e o motivo da punição material, reflectida na cara triste e sofrente de quem não entende qual o mal que fez para receber tamanho castigo. Castigo reiterado ao longo do tempo pela pequena da imagem, e por muitas outras mais.
Essa bofetada marca pelo menos três aspectos da vida da infância. A primeira é visível e não precisa ser comentada, a imagem fala o que as palavras da pequena não sabem dizer porque as desconhece ou, ainda, porque não espera que o seu adulto a use contra ela. Essa bofetada pode ser o resultado de quem tem raiva contra si próprio e desabafa nos mais pequenos, como comenta Sigmund Freud em 1905 em húngaro, traduzido para inglês por Hoggart Press, Londres, em Obras Completas, Volume VII,1953: Three essays on Sexuality, ou Melanie Klein em: Inveja e Gratidão (1943 em alemão, 1954 em inglês e em luso brasileiro, 1991), Imago, Brasil, Alice Miller (1981 em alemão), 1998: Thou Shalt not be aware. Societie’s Betrayal of te Child, Pluto Press, EUA, ou Françoise Dolto, 1971: L’Évangile au risque de la psychanalise, Editons du Seuil, Paris, textos que comento no meu livro: O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade Repositório ISCTE e Internacional, em: http://repositorio.iscte.pt/, ou http://www.rcaap.pt.
a liberdade de expressão revisitada
Colocado por Raul Iturra em história, política nacional, sociedade em 22 de Fevereiro de 2010
É impossível deixar de lembrar e rememorar uma e outra vez, os acontecimentos do Século XVIII no continente europeu e as repercussões em terras do dito mundo novo. Digo dito mundo novo e não novo mundo de forma directa, porque de novo nada tinha para os habitantes nativos do continente descoberto pelos europeus. Nativos que moravam nas terras hoje denominadas Estados Unidos de Norte Américas, o Canadá, México.
Os monumentos, especialmente no sul das terras do Norte, eram impressionantes edifícios dedicados aos deuses que adoravam e para os sacrifícios oferecidos às divindades, ou seres humanos nascidos para se preparar para a morte na idade da puberdade e que eram criados em paços especiais e treinados para uma morte temprana, com alegria e felicidade: não pertenciam às famílias, pertenciam aos deuses, como tenho relatado em detalhe em outro ensaio anterior a este.
Novo era para para os europeus que começaram a explorar a terra além dos seus reinos e algumas repúblicas, especialmente na Itália.
Os mais ousados eram no das Monarquias do Estado Britânico, da Espanha e Portugal. No Século XV já andavam a explorar terras denominadas hoje o sub continente da Índia e o continente africano, que não sabiam que eram continentes, é dizer, um conjunto de pequenas monarquias, principados, ou simplesmente etnias. Leia o resto do post »
a rapariga do violino. história de infância
Colocado por Raul Iturra em música, saúde em 19 de Fevereiro de 2010
Era a menina mais linda e querida de todas, doce como o mel, não de muitos beijos, subtituidos por palavras bonitas e poéticas. As suas primas a adoravam e não eram capazes de passar sem ela. Ia de casa em casa as visitar e em todas elas dormia, excepto se a avó mais querida, estava só, a Avó Graça, uma mãe para ela.
É verdade que a rapariga do violino tinha a sua própria mãe, querida, mas muito longe, em outro país essa mãe Marta, no mesmo no que morava o tío primo Luís, mas bem mais longe de onde morava o seu pai, Ludgero.
Pai no Brasil, mãe na Inglerra a tirar um curso especial, esse famoso Skype da Avó Mãe Graça, era uma joia: podia vê los e falar com eles como se estivessem muito perto, como costumava fazer com o tio primo Luís. Que a levava as costas, era o seu cavalo.o havia semana em que os pais não falassem com ela e a ouvissem. Os pais no perguntavam da escola, contavam lhe histórias e o que eles faziam.
…a religião é o ópio do povo…
Colocado por Raul Iturra em história, sociedade em 18 de Fevereiro de 2010
É bem sabido que esta frase não é minha. Foi escrita por Marx no seu livro de 1843, para criticar o seu antigo mestre Georg Hegel, que em 1820 tinha escrito o seu texto Filosofia do Direito, livro que desqualificava ao povo. Marx tinha sido educado na escola jesuíta de Triers a sua cidade e mais tarde no Ginásio de Triers, onde escrevera O amor de Jesus e a união dos cristãos, na base do Evangelho de São João.~
Marx era luterano e recebeu educação luterana e casou com uma baronesa da Prúsia, católica. Uniram se em matrimónio, e entre a fé de Marx e de Johanna von Westphalen, souberam lutar pela liberdasde de expressão especialmente essa do povo mal pagão que não tinha mais valia, era retirada pelos proprietários dos medios de produção nas vendas dos bens fabricado pelo operariado ao cobrar mais pela mercadoria do que pagavam em salários as suas ideias foram mudando e criaram a teoria do materialismo histórico, com base na economia e nas suas ideias de fé. Nada tinham contra a religião. Até a defendiam por ser parte das formas de pensar do povo, os seus amigos, que mais tarde denominaram o proletariado. Leia o resto do post »
E eu que pensava que tinha liberdade de expressão…
Colocado por Raul Iturra em Media, política nacional em 17 de Fevereiro de 2010
Apareci em Portugal, sem saber como nem por onde, a convite da Gulbenkian e do ISCTE, hoje IUL. Vinha da Universidade de Cambrige, onde ensinava e era Doutor em Ciência. Devia estar em Portugal apenas dois meses, não tinha mais licença de Jack Gody. Aliás, vinha do País da liberdade de expressão e da revolução temprana.
Pensei: se o UK é país de expressões livre, quanto mais não será Portugal que fez a sua Revolução apenas em 1974! Pareceu-me bem e fui ficando. Esses dois meses pasaram a ser 31 anos!
Esses 31 anos em que pensei que a liberdade de expressão era tão grande, que fiz em Portugal o que no Chile não me permitiam: falar e criticar a política do Governo, almoçar com o Presidente da República, sair com os meus discentes. Sem saber como, todo isso acabou. O Governo que nos quer orientar anda a levar-nos pelas ruas da amargura. A primeira felonia, escutas telefónicas, mas com aparência de outras intrigas palacianas.
A seguir, a ameaça do fecho do jornal «Sol» por revelar esta temática das escutas e outras ervas sobre o Primeiro-Ministro que nos governa, ou que pretende governar-nos. Mas não parou aí quem pretende ser um excelente Engenheiro, tanto, que em honra do socialismo que penso e executo e do meu Senhor Pai, apoiei a quem tem um aparente dom de mando e votei por ele.
Revelo assim o segredo da urna de voto, porque me sinto ameaçado. A minha liberdade de expressão acabou com o mandato do fechar o Semanário «Sol» Leia o resto do post »
a paixão que mata o amor
Colocado por Raul Iturra em antropologia, arte, literatura, poesia em 15 de Fevereiro de 2010

A morte de Beatriz
Para a mulher que respeito e amo, ela sabe quem é….
O povo português anda preocupado pelas batalhas políticas. Nem sabemos quem nos governa: se é o primeiro-ministro ou a oposição. E se é a oposição, qual é, entre todos os presidentes dos partidos das bancadas que fazem do governo uma minoria, o que exerce o poder? Minoria que, estrategicamente, procurará convénios com os partidos mais pequenos que apoiam o governo minoritário, com condições eternas.
Devo confessar que é um tema interessante, apaixona-me no meu querer saber de como vamos resolver a crise económica que nos atormenta e empobrece, como vamos criar mais postos de trabalho, como vamos agasalhar os que têm frio e fome especialmente em dias de festa, como o carnaval. Povo teimoso que, com frio e tudo e sem dinheiro, passeia e anda pelas ruas da alegria, esquecendo assim as da amargura.
No entanto, quando estamos no meio de outros problemas, sobretudo emotivos, o que o governo faça ou não, passa para segundo plano nos nossos interesses. Até um certo ponto. A crise económica entra nos nossos sentimentos e ficamos fracos para o amor. Bem queríamos amar sem preocupações e oferecer presentes, mas a carestia de vida em que este fraco governo nos meteu, faz-nos mais pobres ainda: de recursos e de emoções.
Os recursos, podem ser resolvidos, o amor também. Um nada de optimismo coloca-nos nas portas da serenidade e da paz. Requisito mínimo, para sabermos conviver em permanente conflito político, especialmente nós, que apoiamos o governo de minoria e os seus aliados. Leia o resto do post »
no me ensucien el agua!
Colocado por Raul Iturra em humor, sociedade em 13 de Fevereiro de 2010
Alejandrita tomando baño a sus tres años
Era su hábito decir. Un hábito que no sabíamos si era para respetar o para reír… Leia o resto do post »
amor fraterno
Colocado por Raul Iturra em sociedade em 12 de Fevereiro de 2010
AMOR FRATERNO

Blanquita ainda menina
Há quem guarde a sua vida pessoal como um segredo crucial para a sobrevivência da Nação, mas, especialmente, os escritores, sem darem por isso, revelam nos seus romances a sua vida privada. Como Isabel Allende do Chile fez no início da sua carreira de escritora, como Gabo Garcia Márquez, na sua pessoal Colômbia, ou os prémios Nobel do Chile, Gabriela Mistral que ocultava o seu nome real Lucila Godoy Alcallaga,
Gabriela Mistral Consulesa em Lisboa
ou assim pensava ela, e Pablo Neruda que todos sabiam que tinha esse horroroso nome de Neftalí Reyes Basoalto. Foi ele próprio quem o confessou nas tertúlias da sua casa La Sebastiana que ficava ao pé da nossa, em Valparaíso. La Sebastiana, foi uma das três que conseguiu possuir: as outras chamavam-se Isla Negra em Alagarrobo, praia do Pacífico Central do Chile, e La Chascona, em Santiago, a capital do país.

Pabço Neruda na sua casa de La sebastiana, Valpariso
Excepto Lucila, a quem conhecera na minha infância, todos os outros escritores não se incomodavam com a forma de como eram nomeados (nome real ou nome fictício). Gabriela não o permitia na sua arrogância de solteirona pobre que passou a ser rica, não sabia falar, apenas escrever, e a sua vida privada só se tornou pública quando o nosso excelente escritor Volodia Teitelboim, falecido aos 91 anos, no começo deste Século, esse Amigo que inspirava respeito e admiração, escreveu para a Editorial Sudamericana, Santiago, em 1991, 1ª edição: Gabriela Mistral, Pública e Secreta. Leia o resto do post »















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