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O Guerra

Tinha o Zé oito anos, quando na escola em que estudava chegou um colega que se chamava Guerra, que era bem mais crescido de corpo do que qualquer um dos demais colegas. Mas por razões que a ignorância de então jamais apurou, era um miúdo mentalmente frágil, atrofiado pelo medo, inseguro e submisso.

Naquelas idades as crianças revelam uma particular maldade. Razão pela qual o Guerra logo se transformou no “bombo da festa” da rapaziada da turma.

Todos mandavam nele. Todos lhe batiam. Todos. Incluindo o Zé, que arrastado por aquela corrente de maldade e crueza, sentia gáudio em exibir autoridade e domínio sobre aquele gigante submisso.

Um dia, o Guerra encontrou o Zé sozinho no recreio e pediu-lhe um lápis porque lhe haviam roubado o dele. Abordou-o medrosamente e disse-lhe:

- “Emprestas-me um lápis? Mas não me batas!…

O Zé ficou a olhar para aquele gigante de contradições. Tinha o nome Guerra, era mais crescido do que ele e pedia-lhe que não lhe batesse. Naquele momento as lágrimas vieram-lhe aos olhos. Como sempre acontece, quando relembra esta história.

Lágrimas de arrependimento, de remorsos por todo o mal que sofreu aquele frágil gigante e em que ele foi cúmplice. Quando lhe deu o lápis sentiu que esse seu acto tinha sido o único gesto humano que tivera para com ele, ao fim de meses de escola.

O Guerra afastou-se numa humildade servil que o expunha a toda a violência. E o Zé não foi capaz de o acompanhar de regresso à sala de aulas onde o Guerra se refugiava durante os intervalos, pois sentiu que preferia estar sozinho do que acompanhado por uma ameaça.

Naquele dia sentiu-se o pior e o mais cobarde de todos os miúdos. Ganhou consciência de todo o mal que lhe havia feito, da crueldade de que era capaz. Naquele dia o Guerra atormentou-o por todos os males que lhe havia feito.

No dia seguinte, o Zé estava decidido a falar com ele, a pedir-lhe desculpa, muito embora o castigo estivesse sempre dentro de si.

Tarde demais: os pais do Guerra mudaram-no da escola para uma outra onde teria melhor acompanhamento. Ninguém na turma percebeu ao certo o que era isso. Dizia-se que tinha ido para uma escola de malucos. Mas o Zé sabia que malucos eram todos os que violentaram a sua inocência e a sua fragilidade.

Nunca mais o Zé viu o Guerra ou dele teve notícias. O rosto do Guerra, as suas expressões, ainda hoje as revê com a mesma nitidez da dos tempos de escola. Não sabe se superou as suas fragilidades, se fez amigos ou se continua um gigante submisso. Sabe que consciente ou inconscientemente o seu rosto se espelha na sua memória sempre que vê uma qualquer humilhação ou injustiça. O Guerra é para o Zé a definição de humilhação e de injustiça. E uma razão para desejar um mundo mais humano.

Um mundo que o Guerra não teve.

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Diálogos com a Ciência – A simbologia da palavra na Ciência Militar – Debate

Na terceira parte desta conferência e a pretexto da atribuição do prémio Nobel da paz ao presidente dos EUA, Barack Obama, quer o general Loureiro dos Santos, quer Rodrigues do Carmo discutiram o estado do mundo a nível geoestratégico. Desde a intervenção dos EUA no Afeganistão à crescente importância do Irão, não esquecendo também o papel crescente da China no mundo do séc. XXI.

Duração total: 39:13
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Também disponível em vídeo na TV.UP.

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Diálogos com a Ciência – A simbologia da palavra na Ciência Militar – Rodrigues do Carmo

Rodrigues do Carmo foi o segundo interveniente desta sessão dos Diálogos com a Ciência dedicada à simbologia à simbologia da palavra na Ciência Militar.
A sua intervenção centrou-se na ideia de palavra como meio de controlo e modelação da realidade. Neste contexto passamos pela Novilingua de Orwell até ao politicamente correcto da actualidade.

Duração total: 25:28
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Diálogos com a Ciência – A simbologia da palavra na Ciência Militar – General Loureiro dos Santos

A segunda conferência dos Diálogos da Ciência começou com a intervenção do General Loureiro dos Santos que explorou a relação entre alguma da linguagem do teatro e a guerra. No fundo a guerra é um palco onde diferentes actores se confrontam.
Nos últimos 20 anos, para além de novos actores, também surgiram novos teatros de guerra que têm vindo a reformular a “Surpreendente Trindade” que é a guerra e são estas relações que são abordadas nesta intervenção.

Duração total: 38:44
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Kissinger- Clínton

Kissinger-Clinton

A Newsweek traz um diálogo entre Kissinger e Hillary Clinton. Tudo paleio de chacha, daquele que estamos fartos de ouvir desde Nixon e mesmo antes. A conversa de Kissinger cheira a ranço. As tretas de Clinton cheiram a requentados em micro-ondas.

Mas numa coisa, apenas, me detive. Diz Kissinger, aquele Nobel da Paz (?!), amigo de Soares, que foi um dos principais responsáveis pelo vergonhoso e sujo golpe do Chile, e pelo assassínio de tanta gente bem intencionada, boa e pacífica, que, terminar a guerra, passou a ser considerado, segundo muitos, como a retirada das forças, única estratégia de saída. Ou então, segundo este santo estratega, após a vitória pelas armas, ou a vitória decorrente da diplomacia ou da extinção da guerra a pouco e pouco.

Coitados, andam todos a tentar sair de cara lavada, desta fossa onde se enfiaram e enfiaram o mundo. Mas não há detergente capaz de limpar a merda que vão deixar nas páginas da história. Leia o resto do post »

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Assombroso discurso de um veterano da guerra do Iraque

Bem sei que hoje devíamos só falar de coisas amáveis para não deixarmos o ano com azedumes. Mas este discurso de um soldado americano, veterano da guera do Iraque é, por assim dizer, imperdível. O Adão Cruz chamou-me a atenção para ele e, depois de o ouvir, não resisti à tentação de o partilhar com quem ainda não o ouviu. Está legendado em castelhano. Vejam e ouçam este impressionante documento:

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Contradições…

Ver um homem receber o Prémio Nobel da Paz e defender a “necessidade da guerra”, é como ver alguém a viver na Era da Informação e do Conhecimento a defender a necessidade da estupidez.

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à deriva….

O Dr Rolf Dahmer partilha comigo os seus óptimos textos analíticos sobre o que se passa, no  mundo da política e da economia.

 

Não é a primeira vez que publico no Aventar alguns dos seus textos.

 

“A estratégia sem táctica é o caminho mais lento para a vitória.

Táctica sem estratégia é o ruído antes da derrota.”

 

Sun Tzu (544 – 496 A.C. – um dos maiores estrategistas militares de todos os tempos e autor de “A arte da guerra”

 

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Os ensinamentos da “Arte da Guerra” de Sun Tzu também têm aplicação no campo civil, isto é, político, empresarial, cultural e ecológico.

 

Sendo assim, esta breve citação mostra-nos o actual estado das coisas, tanto em Portugal como no resto da União Europeia, assim como em grande parte do mundo.

 

Com efeito, o que vemos e ouvimos quando abrimos os telejornais diários é o “ruído antes da derrota”.

 

 

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