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A crise à média luz

(Desculpem mas não resisto à transcrição deste texto de Marcos Cruz)

Não é de hoje que, para mim, a decifração da mensagem mediática devia constar dos programas do ensino básico. Todos os dias vejo pessoas a viver no passado e no futuro, atormentadas que estão pelo agoiro jornalístico, agora tão comprazido nesta possibilidade de chupar a crise até ao tutano, como se esta fosse não a madrasta que tanto lamentam, mas a costeleta mais apetitosa que já alguém lhes pôs na mesa. Desculpem os que acharem este discurso uma irresponsabilidade, mas estou plenamente convicto de que a melhor maneira de responder a todas as crises, e também de as evitar, é estar presente em cada momento, é aquilo a que comummente chamamos ter sangue frio. Só assim um piloto de avião pode pensar em aproveitar a percentagem mínima de hipóteses de salvação que se lhe apresentam se os motores do aparelho deixarem de funcionar. Leia o resto do post »

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Combater o terrorismo com terror

o terrorismo laico engendra terror de estado

A frase do cabeçalho tem estado a dar voltas na minha cabeça desde esse dia doce e alegre. Dia de hospital e melhoria e de conhecer a minha neta, como relatei no texto anterior.

As viagens foram sempre uma delícia, ou assim nos têm parecido à minha mulher e filhas: bem atendidos no avião, voos suaves e sem pressa. Sem se suspeitar dos vizinhos da aeronave nem das pessoas que nos acompanhavam até ao aeroporto. Era uma simples delícia…

Infelizmente, os que não deviam entraram em terras alheias pela cobiça do ouro preto que o país possuía. Primeiro, o Irão no Iraque, a seguir, o Iraque no Irão, duas vezes em menos de vinte anos. Não menciono o Vietname nem a Coreia: tiveram o seu tempo, longe das terras da Europa e das dos Estados Unidos da América.

Enquanto o pacificador do mundo, por nome Estados Unidos da América, tentava pacificar a eterna guerra entre palestinianos e israelitas sem sucesso, os proprietários do ouro negro batiam-se entre eles. Era uma guerra denominada santa entre ismaelitas, como Saddam Hussein, ou chitas, ora no Irão, ora no Iraque.

A guerra santa ultrapassou fronteiras até ao Afeganistão governado a sangue e fogo pelos Talibães, até entrarem as forças comandadas pelas Nações Unidas e a União Europeia, que tiveram que acalmar também as guerras separatistas das Antigas Jugoslávia e União Soviética. Guerras acalmadas pelas forças da União Europeia e dos Estados Unidos. Histórias todas, bem conhecidas por nós, por serem do nosso tempo. Novas Repúblicas apareceram e a paz entre elas eram resguardadas pelas forças americanas e europeias.

Guerras de terror que nunca mais acabam, especialmente pela liderança do príncipe muçulmano Ossana-bin-Laden, que nunca se sabe onde mora nem desde onde comanda as suas forças para, como disse um dia, acabar de vez com os infiéis ou não crentes em Alá.

As consequências foram duras. Enquanto os Talibãs governavam o Afeganistão. Retirados do poder, as forças norte-americanas e europeias nomearam um Presidente muçulmano de ideias políticas pacifistas, que hoje manda nesse país, enquanto no Irão os Islâmicos Aiatolas mantinham, sob o poder do terror, a população. Os islamitas do Iraque caíram duas vezes sob o mando dos Presidentes dos Estados Unidos, George Bush pai e filho, estado estrangeiro que cativou o petróleo iraquiano, até à chegada ao poder do islamita por parte de pai e cristão por parte de mãe, o metodista americano, Barack Hussein Obama, aparentado com o islamista Saddam Hussein. É a guerra que está na agenda do 44º Presidente dos Estados Unidos, para ser terminada em breve e devolver ao Iraque o petróleo que os Presidentes Bush dos EUA, confiscaram com lucro pessoal (para eles) e uma parte para o Estado Norte-americano. O pouco que ficava era para o povo muçulmano do Iraque.

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o medo que o adulto tem da criança

para os homens que são pais.

filhas a rirem do pai

1. O problema.

Estou certo de que o titulo deste texto, não é um titulo que pareça ser verdadeiro. Até parece uma invenção da minha parte, propor que o adulto tenha medo da infância. Na nossa cultura ocidental bem como na maior parte das culturas ou modos e maneiras de pensar, a ideia parece ser ao contrário. Até as artes dedicam a sua estética a salientar o amor que a criança recebe. Amor do qual ninguém parece duvidar pela pratica do sentimento, um conceito de sui. Sentimento racionalizado que coloca outra questão. E esta outra questão é simples: porquê tanta insistência em amar os pequenos? Será por ser um sentimento nem sempre praticado? Será uma questão que tenta lembrar o tabu que significa o não tomar conta da infância? Assunto este que não parece problemático na quotidiana interacção social nem estimulante para pensar.

No entanto, é problemática para mim. Estou habituado a observar que o que é socialmente mandado e não obedecido, pode fazer mal. E, para que mal não faça, é reiterado como norma de comportamento entre as pessoas. Como é para os adultos o facto social de estarem devotados de criar a pequenada. Como é que a fidelidade entre adultos é parte do bem criar a infância. A não relação reprodutiva entre consanguíneos, tem feito parte de divisão social dos sentimentos, espalhados na interacção entre conhecidos e desconhecidos ao longo da vida. O respeito à lei, o temor à polícia, a aceitação das hierarquias, o desejo de bem-estar, é ideias culturais que o adulto deve transferir à infância, tal e qual a fidelidade e lealdade entre eles, já referida. Talvez, uma simples análise das histórias de crianças nos possa revelar a necessidade de enfatizar a valentia, o saber lutar, resistir, aceitar mas com critica. Donde, a insistência do amor i.e., respeito e cuidados do adulto pela criança, levanta questões em mim. Como deve levantar em muitos adultos, que se importam analisar a interacção adulta criança. Não posso deixar de reconhecer que há amor à pequenada, que a pequenada faz ilusão, que a pequenada é desejada entre as pessoas. Não há ninguém que não se queira ver reproduzido noutro ser derivado de si, em fazer berço dos braços para acarinhar esse ser feito. Em criar pensamentos que introduzam os mais novos dentro da vida social. Criança feita por nós, na relação íntima com mais alguém. Se acontece ser natural pensar, cantar, instruir, construir ideias para transferir, beijar, sorrir e lutar pelo ser que fizemos, porquê passa a ser necessário desenhar, cantar, escrever, debater, raciocinar, abstrair dentro da cultura um facto que parece ser normal? Não será necessário lembrar aos adultos o tipo de relações com a nova geração? Porém, ideias desenhadas para orientar esta interacção entre os adultos e  infância

2. A paixão.

Duas pessoas encontram-se um dia olhando-se nos olhos. Os olhos, a dita janela da alma do corpo. E do pensamento. E gostam, e os olhos sorriem e penetram profundamente no sentimento de quem aceita esse olhar sedutor. Nasce uma paixão entre esses seres até uma nova entidade humana nascer um dia. Novo ser resultado da culminação do amor entre dois. Cume que, no começo, nada tem de vendavais. E se vendavais houver, como falta de meios para alimentar, como pranto á noite, como fraldas, como cuidado que querem introduzir os pais dos pais, como falta de licença para fazer esse ser, como existência de outros afectos com outra pessoa, enfim, todos esses vendavais são abatidos pela paixão, é dizer, pela atracção dura e tensa de dois corpos que só se sabem entender e se procurarem. E mais nada a fazer. Eis que a mente humana criou o mito da concepção virginal para salientar a identidade de quem pode mudar a matéria e abater a morte. Em todas as culturas de todas sociedades. Donde, o ser feito é uma continuidade de dois adultos. Donde, o ser feito identifica os adultos sintetizados nele. É o que se diz ser complementar o amor. Amor, um entendimento do contexto do outro e um respeito a esse contexto, uma companhia a esse contexto. Uma idealidade de vida, uma amabilidade na vida a dois. Como a nossa sociedade manda.

É aí que nasce o primeiro medo do adulto à criança: o de interromper o contexto a dois, o entendimento a dois. Um rompimento da paixão se ela não incluir o novo ser que fez. Paixão que podia ser a três, a quatro, a mais, se se entender e sentir que todo novo ser é mais um membro do casal original e não um intrometido como tenho observado acontecer. Romantismo, pode dizer o leitor? Mas, quem pode procriar e amar e manter a paixão sem romantismo? Será a materialidade reprodutiva, a posse de recursos, a possibilidade de juntar pessoas e bens que guarda o amor, e o amor com desejo e compreensão, a paixão? Responda o leitor.

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Filosofia de bolso (3)

- O medo e a coragem são a raiz da vida. Principalmente o medo: somos treinados para ter medo, e para ter coragem perante o medo. Dificilmente somos treinados para ter coragem pela coragem, sem ideia de medo.

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Who’s afraid of the big, bad wolf?

Recentemente fui passar um fim-de-semana ao campo. Fiquei naquilo a que se chama uma “casa de hóspedes”, destas em que a estada decorre num ambiente familiar, e que funciona às mil maravilhas se calha a gente de gostar da família que lá vive. Da família, felizmente, pouco vi, porque os seus amáveis membros rapidamente deixaram os hóspedes com a empregada e fugiram para os seus divertimentos equestres. Chegámos já de noite e não foi nada fácil descobrir o monte no qual se erguera a casa que nos receberia. Caminhos enlameados, nem uma única placa informativa, escuro como breu numa noite sem estrelas.

“Porque está tão escuro?”, perguntava esta citadina acagaçada. “Porque estamos no campo”, respondia o meu companheiro, que, como todos os que cresceram no campo, tem um gosto especial por me fazer sentir inapta sempre que deixamos a cidade para trás.

É verdade, no campo não há luz. E a escuridão, como sabem todas as crianças, é um território alarmante porque nele há espaço para que tomem corpo todos os nossos temores. Pousei o inútil GPS e fiquei a olhar pela janela do carro, enquanto o carro avançava a custo sobre trilhos de lama. Vi bandos de homens brandindo garrafas partidas, alcateias de lobos esfomeados, reuniões de feiticeiras aborrecidas com a interrupção, vi tudo isto e mais alguma coisa até que ao meu lado ouvi uma voz tranquilizadora: “É ali, já a vejo”.

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Quatro netos

               (adao cruz)

(adao cruz)

Aos quatro netos

Assim nascidos de uma virada

Do alto da minha escada os contemplo.

No fundo de mim mesmo

Lá no fundo da cratera

Onde ergui a minha escada

Ouço apenas a voz do medo

Entre o sonho e a quimera.

No cimo da cratera

Onde ainda chega o sol

E a noite amanhece

Nascem flores pequeninas

No seio da erva rasteira

e os degraus de nova escada

Para continuar a primeira.

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Não tenham medo!

Não tenham medo! Ouvi esta frase da boca de João Paulo ll e fiquei impressionado, havia qualquer coisa que só ele sabia, e esta emoção que me transmitiu, não a coloquei em dúvida. Soube-me bem, apaziguou-me.

Mas que pensar desta coisa extraordinária que é sabermos que quer a Irlanda, quer a Grécia, souberam que estavam na bancarrota pelo Financial Times? E isto em dois países em que a democracia está instalada, onde a comunicação social deveria ser livre, onde os governos deveriam falar verdade .

Na comunicação do Presidente da República os perigos apontados, a situação caracterizada, é de tal forma diferente da apresentada pelo governo, que um deles está a mentir. O que temos certo é que há instituições internacionais que nos andam a avisar, sabemos que há a velha máxima : “se há alguma coisa que possa correr mal, corre mesmo ” , há mesmo quem desconfie que ainda há grandes “buracos negros” não descobertos, que 2010 será um manancial de más notícias…

E agora ? Tenho medo ou não?

E se tiver medo faço o quê? O governo anda a anunciar o fim da crise desde o dia em que ela começou, os partidos da oposição estão à espera que tudo corra mal para então, conversarem com o PS, sem Sócrates. E nós, lemos o Financial Times?

Não sai aí mais um “escândalo socrático” para que possamos ter direito à verdade? O homem ía à vida e nós podíamos dormir descansados!

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Falando de sentimentos

Falando de sentimentos

 Ao ler o magnífico texto de Raul Iturra, “ No rasto da sexualidade caminha o amor…”, eu gostaria de deixar aqui a minha humilde opinião acerca deste e de outros sentimentos. Tenho muita dificuldade em dissecar os sentimentos (diferentes de pessoa para pessoa) isto é, em definir as incomensuráveis formas e manifestações dos sentimentos, até porque antes dos sentimentos há as emoções (diferentes de pessoa para pessoa), que lhes dão origem, e antes das emoções (diferentes de pessoa para pessoa) há as imagens (diferentes de pessoa para pessoa) resultantes dos estímulos que as provocam e aos quais cada pessoa reage de forma muito diferente, conforme o seu padrão neural.

Sem falar na apropriação do sentimento (o sentimento de si), na reflexão e na consciência que sucedem ao sentimento (diferentes de pessoa para pessoa). A emoção causada pelo apontar de uma arma, por exemplo, e o sentimento de medo, bem como a reflexão e a consciência a que leva essa emoção são muito diferentes entre um filho meu e um filho das favelas do Rio de Janeiro.

Assim sendo, os sentimentos constituem um mundo tão vasto de diferenças que me parece podermos incorrer em algum grau de estultícia, ao pretendermos dissecá-los, dimensioná-los, fraccioná-los, escaloná-los, hierarquizá-los, atribuir-lhes uma cronologia e uma metodologia intrínsecas, fora do campo neuro-científico. E mesmo aí (!?), quando o conseguiremos? Penso que nem é muito seguro abordá-los com algum grau de confiança dentro dos campos da psicologia, da filosofia e da sociologia. Há um único contexto em que me parece legítimo atrevermo-nos a abordar parcialmente e de forma particular os sentimentos e com eles lidar como matéria, contexto esse que se situa apenas no campo da arte. No seio do contexto poético, literário e musical, por exemplo. Mesmo assim, com a prudência de nos contentarmos apenas com a plumagem, as cores, a luz e o som.

Quando a “Biologia do espírito” for uma ciência incontestável dentro da neurobiologia, como espero, aí sim, podemos analisar e dissecar os sentimentos como fazemos hoje com as orações de um texto. Sem medo de que eles percam a beleza da mais nobre essência do ser humano.

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Quem tem medo morre duas vezes

Uma das óperas de Mozart foi retirado da lista da Ópera do Estado de Berlim

por medo de um ataque terrorista. É um exemplo chocante de capitulação

preventiva: neste ponto, ao que parece, os terroristas não precisam mesmo

de emitir uma ameaça específica, a fim de nos intimidar.” (DER SPIEGEL 27.09.2006)

 

 

 

Foi esta notícia (traduzida por mim do alemão) de 27 de Setembro 2006 que repassei e comentei no meu mail abaixo referido.

 

O que aconteceu há 3 anos em Berlim é um dos exemplos do que não se deve fazer em caso algum:

 

1º Reagir capitulando preventivamente

2º Reagir proibindo – p.ex. minaretes – e/ou procurando a confrontação com métodos autoritários que podem ir até às guerra preventivas.

 

Os “istas” das mais diversas facetas adoram comportamentos deste tipo, pois sabem quem reage assim encontra-se na mó de baixo e em vias de uma derrota psíquica que antecede à física.

 

Hoje não vou repetir o que significa agir, ou seja, a 3ª hipótese e única forma de saír airosamente do atoleiro. No entanto, peço desculpa por me estar a repetir mais uma vez enviando o seguinte texto:

 

“A complexidade gera insegurança. A insegurança, por sua vez, gera medo. É desse medo que nos queremos proteger. Por isso o nosso cérebro filtra tudo o que é complicado, impenetrável e incalculável. O que resta é um aspecto parcial – aquilo que já conhecemos. Porém, como este aspecto parcial se encontra entrelaçado com o todo que não queremos ver, cometemos muitos erros – o fracasso é logicamente programado. Sem dicção aborrecida e academizada, mas sim com muito juizo e humor, Friedrich Dörner, um dos primeiros premiados Leibnitz da comunidade investigadora alemã, nos mostra todos os pequenos, cómodos e tão humanos erros de pensamento pelos quais, no melhor dos casos, só paga um e, no pior, todo o globo.

 

Recensão do livro “The Logic Of Failure: Recognizing And Avoiding Error In Complex Situations” do catedrático alemão de psicologia e investigador de complexidade Prof. Doutor Dietrich Dörner, pelo jornal alemão “Rheinischer Merkur/Christ und Welt”.

 

Como se consegue evitar caír em paralogismos é conhecido mas só uma minoria o admite: basta desactivar esse filtro que no “nosso cérebro filtra tudo o que é complicado, impenetrável e incalculável”. E isto faz-se reduzindo os factos de cada situação complexa e impenetrável ao seu teor energético-estratégico.

 

Exemplo prático: quando uma empresa se encontra em declínio, costuma tecer-se um sem-fim de considerações sobre possíveis causas, efeitos e medidas de salvação. Não raras vezes dá-se a culpa aos clientes que não compram, pensa-se, com espírto de contabilista, em malabarismos financeiros ou então pede-se ao estado para nos socorrer – vai-se ao IAPMEI, claro. Desligando o tal “filtro”, rapidamente chega-se à conclusão que se está perante uma desarmonia que precisa de ser eliminada. Com outras palavras: o nosso produto já não preenche as reais necessidades dos clientes. Daí, basta seguir o seguinte conselho

 

„A melhor hipótese de aumentar a venda de um

produto consiste no seu melhoramento“.

David Ogilvy

 

e já está*. Isto não será uma verdade de La Palisse? Claro que é, mas pergunto: como é que tanta gente importante, formada nas melhores faculdades e principescamente paga, não consegue ver o óbvio? A resposta é fácil: porque não conseguiram desactivar o tal filtro ficando, assim, impedidos de ver o mundo com outros olhos e, assim, soluções viáveis. It’s the strategy, stupid….!!!

 

RD

 

* Até tenho conhecimento de uma empresa em declínio onde aparentemente tudo batia certo: imagem, grau de notoriedade, publicidade, qualidade do produto, preço, assistência técnica, etc. Foi tudo analizado segundo o last state of arts das (pseudo-) ciências da gestão. E nada. Quando finalmente alguém com o “filtro desligado” se lembro aprofundar o inquérito aos clientes, ficou a saber que a culpa ds baixa de vendas era dos prazos de entrega irregulares. Bastou preencher este “factor mínimo” e a empresa voltou ao sucesso.

 

 

 

A perda de poder solidário do ocidente ficou mais uma vez

óbvia. Todavia, não é com armas e violência que pode ser

reconquistado. Assim, vamos recuando mais e mais até que

um dia as cruzes nas igrejas cederem o lugar à meia-lua.

 

RD

Rolf Damher – convidado 

 

SPIEGEL ONLINE, 09/27/2006

 

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Darth Vader ao tapete

 Cá por casa, nos últimos tempos, e pela mão do meu filho de três anos, cruzámos o umbral da terra dos medos. O vento que uiva lá fora, o estalar de uma viga no sótão, um cão que ladra com fúria numa varanda próxima, um sapo gigante que nos aborda na rua e que se revela afinal campanha publicitária do anfíbio que alberga estas páginas, a densa escuridão que engole o corredor quando os interruptores se apagam.

 

Encontrámos também, é certo, muitas ajudas para vencer o medo: falar alto, cantarolar, acender todas as luzes da casa, dizer muito alto OS MONSTROS NÃO EXISTEM, lembrar a fada Sininho, ir buscar a espada do Dartacão, que às vezes também se transforma numa espada Jedi, dormir agarrado ao ursinho, e tantas outras coisas.

 

E depois é só escorraçar o já esfarrapado medo, enxotá-lo, abrir-lhe a porta para que possa descer as escadas com uma perna a lamber a outra, e ficar a rir dessa figura desengonçada.

Mas ao medo da gente crescida não se expulsa de qualquer maneira.

 

Incrustado na carapaça que nos reveste, agarrado ao estômago, cravado como uma lapa, aceita esbater-se nos dias de sol, mas está sempre a postos, preparado para regressar. Alimenta-se de palavras gordas: futuro, mudança, crise, morte, solidão. E nunca se distrai, o sacana.

 

Há dias, movida mais por uma vaga nostalgia juvenil do que pela necessidade de arranjar entretenimento familiar para um fim de tarde, fui ver uma exposição dedicada à saga da “Guerra das Estrelas” num centro comercial.

Não sabia que à hora a que cheguei começava uma animação teatral acerca dos Jedis, a ordem de cavaleiros sábios que aprenderam a dominar o lado luminoso da Força. Munidos de sabres de luz de plástico (há anos que espero que a alguém ocorra que é disso mesmo que eu preciso para o Natal), os actores convidavam as crianças a subir ao palco para começar a sua formação como Jedis.  

Um pequenito, com sete ou oito anos, e um ar que fazia lembrar o Harry Potter, lá foi, empurrado pelos pais, amedrontado e tímido, para o meio dos Jedis. O espectáculo continuou com umas lições sobre a Força e o manejo do sabre de luz, até que a inconfundível marcha imperial começou a ouvir-se e o miúdo sentiu que alguma coisa má ia acontecer. Darth Vader entrou na sala.

Não se riam se vos disser que eu, que já deveria ter idade para ver tudo isto com a sobranceria dos adultos, estremeci com a entrada da criatura. Este Darth não trazia bandeira monárquica, apenas a capa negra esvoaçante e um sabre carregadinho da energia do lado negro da Força, e a cada passo seu em direcção ao palco, víamos o pobre miúdo ficar cada vez mais pequeno.

Mas não gritou nem fugiu, não chamou pela mãe nem trepou pelas pernas dos cavaleiros Jedi. Ficou quieto e em silêncio, pálido e digno, não afastou o olhar da máscara negra, e quando os Jedi lhe disseram que se concentrasse, erguesse a mão e se juntasse a eles no uso da Força, essa energia luminosa que une todos os seres, e que se nutre da bondade, da sabedoria, da serenidade, vimo-lo agachado em palco, com a mãozita erguida e o rosto sério, concentrado na derrota do lado negro, esse que irrompe da violência, da inveja, do ressentimento, do medo.

E claro que assistimos ao milagre, vimos o colossal Darth Vader vacilar, perder o equilíbrio, e tombar aos pés de um catraio trinca-espinhas, mas cheio de fé.

Uma sala cheia de trintões a braços com o esforço de não se deixar dominar pela inveja aplaudiu o pequeno herói tranquilo.  

Desde esse dia tenho andado a pensar: se ele foi capaz, será que eu também sou?

 

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A Suiça escolheu o medo

"Quem luta com monstros deve velar para que,

ao fazê-lo, não se transforme também … o abismo

também olha para dentro de ti."

Friedrich Nietzsche

 

 

O Osama Bin Laden, se ainda for vivo, hoje deverá estar a esfregar as mãos de contente. Com efeito, devido ao medo subliminarmente sentido perante uma islamização, com o seu voto de hoje, a Suiça abandonou praticamente o seu estatuto de país neutro tornando-se, visível perante todo o mundo, um “combatente” ao lado de god’s own country and his partners in misleadership. Welcome to the crew, Switzerland!

 

Tal como todos os outros vizinhos e restantes países do assim chamado 1º mundo, a Suiça optou pela reacção em vez da acção. E acção teria significado, identificar as mais profundas causas espirituais-psíquicas desse crescente insegurança, para seguidamente passar à acção: p.ex. no sentido do meu esboço estratégico “New Deal”. Lembrem-se: a única solução pacífica que evitará uma enorme tragédia a nível mundial, é mudarmos do nosso actual comportamento introvertido-egocêntrico para um comportamento extrovertido-sóciocêntrico.

 

O que provavelmente irá acontecer agora, é que com o voto dos suiços a ameaça por forças antagónicas, até aqui apenas latente, se materialize. Por exemplo através de atentados de forças islámicas radicais ou apenas a sua ameaça. Portanto, os “monstros” até aqui apenas existentes nas cabeças das pessoas, darão lugar a “monstros” reais os quais precisam de ser combatidos.

 

E isto significa: com os “monstros” a aparecerem, as pessoas ver-se-ão confirmadas nos seus mais profundos receios o que irá atiçar uma espiral negativa – tal como nos restantes países que resolveram combater os problemas reagindo com meios materiais-mecanicistas e não agindo com medidas energéticas-estratégicas. Nesta situação, no fim poderá acontecer que na tão civilizada e idílica Suiça situada em pleno coração da Europa, ganhe, nas próximas eleições gerais, um governo populista da direita a maioria absoluta. Vade retro satanás!

 

E o que está a acontecer com a nossa Alemanha em vias de ficar sem rei nem roque que já encontrou o seu “monstro” no Afeghanistão e continua incapaz de aperceber-se que o “inimigo” vem de dentro em consequência dos nossos próprios actos?

 

RD

 

 Rolf Damher – convidado

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Angústias sem refúgio

Ando cheio de angústias, o que virá, o que foi e não me faz feliz, que não posso mudar e que bem seria diferente se tivesse a maturidade ou o conselho avisado.

 

E as angústias estranhas às minhas decisões, ao arrepio da bondade ou do simples bom senso. As angústias resultam da culpa ou da ignorância?

 

Sou culpado porque não fiz tudo o que estaria ao meu alcance ou porque não sabia mais ?

 

Movimentar-me neste labirinto de sentimentos,empurra-me para um cenário em que as coisas tomam dimensões que não são reais e isso potencia o sentimento de culpa. Mas a ignorância tambem não é refúgio para a angústia. Que culpa se pode ter de algo que se teme e que não aconteceu? Carrego o sentimento de medo e de angústia que dominou a minha infância?

 

Há mais angústia no que pode acontecer do que no facto em si mesmo, como seja preferível o ataque, à sombra que ameaça e que nos mantém em alerta. É a angústia um estado de alerta? Estou melhor preparado para me defender e a angústia é o preço a pagar? Ou a angústia é um sentimento que me destrói sem controle? A angústia é inútil ?

 

Onde posso encontrar lenitivo para a angústia ? Na convicção profunda que fiz sempre o melhor que estava ao meu alcance ou na capacidade de viver a vida, com os seus fantasmas, as suas ameaças e os seus momentos felizes?

 

Ando cheio de angústias, sempre que vejo as folhas a cair, a noite a apropriar-se do dia, a chuva que cai e que me dá um sentimento de fragilidade como se fora uma criança.

 

As angústias tambem se partilham. Desculpem ou obrigado. Fica a vosso cargo.

 

 

 

 

 

 

 

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