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Presente e futuro da Advocacia: uma questão de República (7)

Continuando o que escrevi aqui.

Além das matérias exclusivamente respeitantes aos Advogados e à Ordem dos Advogados (OA), existe um conjunto de questões da Justiça que de modo directo e incisivo influenciam quer o estado quer o rumo da Advocacia em Portugal.

Será essa sumária abordagem que se farei a partir de agora, e que se reporta a problemas sérios e graves da nossa República que, por isso, dizem respeito a todo o cidadão. Uma abordagem assumida e necessariamente política. Pois que política advém do grego “politiká”, ou seja assuntos públicos, o que diz respeito ao público. Tal como República, do latim “respublica”, se reporta à coisa (“res”) pública, à administração da coisa pública, do que é público.

Nos últimos anos, tem-se assistido a uma mudança de paradigma (no sentido de modelo) no modo como é encarada a administração da Justiça por parte da classe política. E tal mudança é de fulcral importância, pois que é a classe política que faz as leis que ditam as regras de funcionamento e as competências das instituições da República – com especial relevo, no presente caso, para os tribunais – bem como as soluções a dar aos casos apresentados à Justiça. Já que a actividade de um Juiz é mesmo essa: aplicar o Direito ao caso. Direito, esse, criado mormente pelo Parlamento e, em certas matérias ou condições, pelo Governo.

O controlo parlamentar sobre a actuação do Governo, é atenuado quer pela lógica funcional parlamentar – o partido maioritário no Parlamento, que assim forma Governo, não vai verdadeiramente fiscalizar o Governo de quem é “pai”- quer pela perversa e má prática política lusitana de que o Chefe de Governo pode acumular o cargo de líder do partido pelo qual foi eleito.

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Os dias do fim – 13 de Fevereiro de 1910


Teixeira de Sousa

É a edição de Domingo do «JN», maior e mais ilustrada do que o costume. Dois «cartoons» marcam a primeira página. Num deles, dois pobres conversam enquanto vasculham o lixo. «Um papel assinado?» – pergunta um. «Isso deve ser um programa político» – responde o outro. No segundo cartoon, um homem sentado à mesa: «Como tudo muda! Antigamente os bifes… eram maiores.»
Ainda na capa, é publicado um extenso «dossier» intitulado «A Onda Vermelha» – o grande aumento da criminalidade que se está a verificar em Portugal.
No noticiário político, o Conselheiro Teixeira de Sousa vai assistir a uma reunião do Partido Regenerador em Cascais. Segundo se diz, no último Conselho de Ministros houve graves desavenças por causa de uma comissão ilegal que foi concedida ao general Baracho.
O rei recebeu ontem Francisco Pires Bordalo, Melchior Guedes e Manuel Luis Lima Perfeito de Magalhães, representantes da Associação Comercial de Lamego, e ainda Henrique Taviera, presidente da Associação Industrial Portugesa. Os presentes ofereceram ao monarca uma caixa para tabaco feita de uma só peça de madeira de cerejeira, com ornamentação em ouro. O objectivo da comitiva era pedir ao monarca o prolongamento da Linha da Régua até Lamego.
Faltam 235 dias para a instauração da República.

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Os dias do fim – 12 de Fevereiro de 1910

É Sábado. Na política nacional, Francisco Beirão não parece disposto a continuar à frente do Governo depois do falhanço das negociações relativas à reforma da lei eleitoral. Diz a boataria que lhe sucederá um Governo liderado por Júio de Vilhena.
Saiu a público o primeiro número da revista «Alma Nacional», dirigida pelo republicano António José de Almeida.
Morreu ontem o Conde de Tattenbach, que esteve em Portugal durante alguns anos como ambaixador da Alemanha. Ainda do estrangeiro, um sacerdote foi envenenado em Roma enquanto rezava a missa. Em Paris, começou a ser representada a peça Chantecler, no Teatro de Port Saint-Martin.
Faltam 236 dias para a instauração da República.

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Os dias do fim – 9 de Fevereiro de 1910


via Póvoa 2010

Hoje, dia 9 de Fevereiro de 1910, não houve jornais. Ontem, comemorou-se a Terça-Feira de Carnaval, razão pela qual os jornalistas e tipógrafos não trabalharam.
No dia 8, o tema do dia era precisamente o Carnaval, com dois cartoons alusivos à quadra e um longo texto sobre a história do Carnaval.
Em Lisboa, fala-se da possibilidade de organizar uma grande Exposição Internacional, da qual faria parte a construção de um grande palácio no alto do Parque Eduardo VII.
No noticiário internacional, aventa-se, segundo informações vindas da capital francesa, que o cometa Halley vai chocar com a Terra. Dá-se também conta de um crime em Paris, com duas mulheres degoladas por motivos passionais.
Ainda no que respeita à criminalidade, a D. Maria Rosa de Almeida foi assaltada no Porto. Roubaram-lhe, no largo dos Lóios, uma bolsa que ela trazia no avental com 5 meias libras, 10$000 réis em dinheiro e um vigésimo da Lotaria de Lisboa.
Morreu José Galiza, «estimado e importante alquilador» do Porto. Foi ele que estabeleceu o serviço de carros eléctricos entre Vila do Conde e a Póvoa.
O «Jornal de Notícias», dirigido por Alfredo de Figueiredo e com 42 mil exemplares de tiragem diária, já é o jornal com maior circulação no norte do país.
Faltam 239 dias para a instauração da República.

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Ainda o Regicídio (Centenário da República)

Este texto é um apêndice de um outro que aqui publiquei no dia 1 de Fevereiro. Como disse na altura, o meu intuito não é resolver o mistério do Regicídio, mas sim esclarecer sobre o que se passou na tarde daquele dia, em 1908, no Terreiro do Paço. Não porque não gostasse de desvendar esse mistério, mas porque os dados que permitiriam saber o que verdadeiramente esteve por detrás do atentado têm sido sistematicamente ocultados.

Embora se saiba, sem margem para dúvidas, que uma conjura de monárquicos, mais concretamente de gente da Dissidência Progressista, liderada por José de Alpoim e pelo visconde da Ribeira Brava, esteve na base da conspiração. Diz José Luciano de Castro, em «Documentos Políticos»: «Os dissidentes, que para a generalidade do país, são os principais responsáveis da tragédia do 1 de Fevereiro de 1908, e que, se não destruíram a monarquia foi porque não puderam».

No meu romance «A Sinfonia da Morte» encontro uma explicação plausível e na qual acredito; mas trata-se de uma ficção, onde as suposições (plausíveis ou não) são permitidas. Inclusivamente, nos chamados romances históricos, é pelos hiatos da documentação histórica que a teia da ficção passa e se constrói. Mas hoje, ainda não vos falarei da tal célula clandestina dentro da própria Carbonária, a «Coruja» que terá, segundo se julga saber, planificado o crime. Isso ficará para um outro texto. Hoje vou falar do que se passou no Terreiro do Paço em 1 de Fevereiro de 1908, cerca das 17 horas. Leia o resto do post »

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Vergonha, precisa-se

As revelações feitas acerca das escutas no processo “Face oculta”, na esteira do que vem acontecendo há anos acerca de condutas impróprias do Primeiro-Ministro, demonstram o pântano de que falava Guterres.

Para mim não está em causa a ilegalidade de certas escutas, nem a obrigação de as destruir. O que está em causa é que, uma vez publicadas, as mesmas não foram postas em causa por nenhum dos envolvidos, não houve nenhuma acusação de adulteração, de falsificação ou do que fosse. Nada. Apenas a crítica e a indignação em se revelar o que deveria, em parte, estar destruído.

Juridicamente não concordo com a divulgação de escutas declaradas nulas (e atente-se que parte das escutas transcritas não se reportam ao Primeiro-Ministro).

Como cidadão e republicano, entristece-me constatar que esta realidade governativa que as transcrições das escutas revelam, é apenas a deprimente radiografia da minha pátria.

Pelo silêncio nesta sede – ninguém ousar pôr em questão a veracidade das transcrições -, só se pode concluir que aquilo que lá está é verdade, e isso é do mais vergonhoso. E que num qualquer país, verdadeiramente civilizado, levaria à demissão do Chefe de Governo, por iniciativa própria ou por iniciativa presidencial.

Não teremos nenhuma das duas, como é evidente, porque não existe mais uma réstia de vergonha que seja.

Até mesmo porque à Oposição, em geral, não interessa perder um alvo fácil de corrosão política, e o PSD, em particular, não tem qualquer solidez para se confrontar seriamente com o PS.

Já Cavaco Silva, tem uma grande oportunidade para assegurar o segundo mandato: forçar o PS a apresentar um candidato (que não é difícil de sustentar, dadas as diversas reacções alérgicas que a disponibilidade de Manuel Alegre cedo provocou) para, com Manuel Alegre – que teve mais uma inábil estratégia de arranque de candidatura, agora ao aparecer colado ao Bloco de Esquerda –, dividir a Esquerda e ganhar à primeira volta. Depois é só deixar o PSD arrumar a casa e encontrar um líder com um mínimo de substância, e fazer cair o Governo no momento certo – ou seja, a mesma estratégia de Jorge Sampaio que abriu as portas do poder ao PS -, e José Sócrates poderá ainda sair de um pesadelo governativo como pobre vítima.

Tudo será mais um jogo, onde a vergonha é retórica, não é regra.

Face ao teor das transcrições – influências e perversões institucionais e partidárias, carreiras meteóricas, salários principescos, tráficos, manipulações, etc. -, pergunto-me onde está, efectivamente, a moral da sociedade em perseguir e condenar um carteirista?

A República precisa, urgentemente, de vergonha. E só a vamos conseguir quando se conseguir afastar dela quem a não tem.

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A propósito de “Mudar – a Justiça”

Por natural interesse, segui a leitura feita pelo Luís Moreira aqui e aqui no Aventar, do livro “Mudar” de Pedro Passos Coelho quanto à Justiça.

Não li o livro, pelo que sobre o mesmo não me posso pronunciar directamente. Mas li o que em sede de Justiça, Pedro Passos Coelho conversou, defendeu, segundo o que o Fernando Moreira de Sá aqui relatou.

Falarei, pois, do que Luís Moreira escreveu acerca da Justiça segundo o  teor  do livro. E tentarei ser sucinto, pois nem quero tornar-me repetitivo em relação a futuros textos que viso publicar em breve.

A qualificação técnicas dos magistrados, principalmente dos magistrados judiciais, não penso que cause empeno à Justiça. Estou certo, até, que hoje estão muito melhor preparados para iniciar a carreira do que estará um advogado – por culpa do modelo perpetuado na Ordem dos Advogados que a actual Direcção está atentar adequar às exigências de hoje.

O que faltará, sim, é a perspectiva humana da consolidação e do amadurecimento a quem se entrega o poder de, efectivamente, julgar os outros. A culpa não é dos magistrados, é do actual modelo permitir que alguém com vinte e poucos anos seja juiz. Lamento, mas não acredito que tenha a maturidade suficiente para tal, com o devido respeito por eventuais honrosas excepções. Ainda para mais, face ao progressivo enraizamento da lógica sindical dentro de ambas as magistraturas.

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Quando a República capitulou à banca: o empréstimo de 1919

A participação de Portugal na 1ª Guerra Mundial teve enormes custos, não só humanos como financeiros e económicos. A economia ressentiu-se fortemente no pós-guerra, a par do fluxo migratório de muita mão-de-obra portuguesa que se seguiu, no processo de reconstrução dos países que haviam sido palcos de guerra.

A banca portuguesa precisava de financiamento, e o Estado foi o seu fornecedor: quatrocentas mil Libras, entregues aos principais bancos, com a obrigação de pagarem tal empréstimo em Libras-ouro.

Corria o ano de 1925 e nenhum pagamento havia sido feito. Os bancos auxiliados iam adiando a sua obrigação, ao mesmo tempo que argumentavam com o pagamento não em Libras-ouro mas sim em Escudos. E o tempo passava.

Houve quem não se calasse, e demandasse pelo cumprimento que era devido por parte da banca. Um homem de coragem, entre outros, que não se inibiu de criticar publicamente o incumprimento dos bancos, foi Arthur Cupertino de Miranda, dono de uma Casa Bancária no Porto que mais tarde se transformaria no Banco Português do Atlântico.

O empréstimo dado à banca e o seu não pagamento constituía uma clara violação contratual em prejuízo do erário público e uma distorção das regras da concorrência. Arthur Cupertino de Miranda demandava que o Estado agisse e cobrasse o que lhe era devido. Mas o tempo continuava a passar.

O resultado é que em finais de 1925, Arthur Cupertino de Miranda, entre outras personalidades, foi arrastado para o “caso Banco Angola Metrópole” de Alves Reis. Foi implicado e detido à conta do famoso processo de emissão de notas de 500 Escudos, com o claro intuito de calar uma voz incómoda quer à banca quer às conivências particulares de políticos e de gestores, numa época em que o Banco de Portugal era uma instituição privada, ainda que, formalmente, controlada pelo Governo.

Um processo crime serviu de motivo para perseguição política, submetendo a investigação criminal e a própria Justiça a lógicas de interesses privados, havendo mesmo aplicação retroactiva de legislação criminal mais gravosa.

Arthur Cupertino de Miranda foi ilibado, assim como outras personalidades que foram vítimas por se baterem pela verdade e pela justeza. Mas as raízes tinham-se firmado: a República, nas suas diversas instituições, capitulou aos interesses da banca.

Olhando ao que se passa actualmente no país, após mais de 30 anos de democracia constitucional, continuamos a identificar claros reflexos na República de hoje, o que foi e o que representou o empréstimo de 1919.

Adenda: a quem queira perceber  melhor e aprofundar a temática, aconselho a leitura do livro de Francisco Teixeira da Mota, “Alves Reis – uma história portuguesa”.

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O Regicídio (Centenário da República)

Já muita coisa foi dita sobre o Regicídio de 1 de Fevereiro de 1908, data sobre a qual passa hoje o 102º aniversário. As versões do que se passou são muitas e, segundo pude apurar, raramente se aproximam da verdade. As que li nos jornais da época, contradiziam-se entre si. As próprias imagens divulgadas não são aceitáveis. Por exemplo, o desenho que vemos acima, publicado na «Ilustração Portuguesa» (e reproduzido de uma revista de Londres), não é rigoroso. A perspectiva que vemos só poderia ter sido tomada já na Rua do Arsenal. Ora, o Buíça que vemos a ser acutilado pelo oficial da Guarda, ficara ainda no Terreiro do Paço, de onde disparara, aí sendo morto.

Aliás, está errada, como todos as outras reconstituições que foram aparecendo em publicações portuguesas e estrangeiras, dezenas e dezenas de versões iconográficas do atentado. São todas elas mais ou menos fantasiosas. Ou seja, podem ter um ou outro pormenor correcto, mas logo falham, por exemplo, na localização dentro do landau dos quatro membros da família real, no posicionamento dos regicidas ou na correcção do cenário. Leia o resto do post »

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Faltam 434 dias para o fim do Mundo…

O caso desesperado dos clientes do BPP é um escândalo que, típico da nossa inveja, passa ao lado da esmagadora maioria dos portugueses. Aliás, o sentimento dominante é “eles são ricos, que se entendam”. Estamos a falar, na esmagadora maioria dos casos, das poupanças de uma vida de trabalho de gente séria e honesta. Sim, os ricos que o povão despreza, esses, trataram de vida a tempo e horas com o nosso dinheiro, safando-se, à tangente, de ficar sem o graveto que tinham no BPP através da intervenção do Estado – intervenção essa que serviu, apenas e só, para resolver o problema a meia dúzia de “amigos”. (Declaração de interesses: não conheço nenhum dos lesados nem fui/sou cliente desse banco. Felizmente!).

Outra matéria que o povão adora é as pensões dos políticos. Outra escandaleira das grandes mas tratada pela imprensa de forma grosseira. Não são os políticos, são meia dúzia de tratantes que, entre outras coisas, são ou foram políticos. Isto de generalizar dá audiências mas cria injustiças como a dos clientes do BPP.

Entretanto, hoje é 31 de Janeiro e começaram as comemorações do centenário da República. Se é verdade que os jornais falam do tema, não o é menos que o tratam aos olhos da intriga política actual: Os eventuais recados de Cavaco ao Governo, os estados de alma de Manuel Alegre.

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Independência do Chile e República em Portugal

Durante este ano de 2010, por acaso e coincidência, Chile e Portugal comemoram dois importantes aniversários: a liberdade do Reyno do Chile, não é gralha, é e forma da escrita do Século XIX, e a implantação da República em Portugal.

As duas Nações eram reinos, pertenciam a uma monarquia, com pouca simpatia e renitência. As duas nações queriam ver-se livres das monarquias que as dominavam. A do Chile, era avassaladora, com um Rei longe da Pátria como a denominavam os crioulos, é dizer, filhos de espanhóis nascidos no Chile, proprietários de fazendas e e possuidores de um título nobiliário, normalmente de Duque ou Conde. Em Portugal o leque era mais amplo: os Monarcas residiam dentro do Estado, eram os proprietários de terras e Paços e tinham uma cumprida genealogia de serem aristocratas desde a época do primeiro Rei Afonso Henriques, até o dia em que a Monarquia foi derrubada, em 5 de Outubro de 1910. Leia o resto do post »

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Confiança: o outro grande défice nacional

Para além do défice das contas públicas, existe um outro défice desastroso para uma sociedade, que é o défice da confiança. Em Portugal, dos partidos políticos ou das instituições da República não vem qualquer sinal que restaure a confiança que é indespensável a uma sociedade saudável. E as razões são várias, como:

- Não se sabe quanto tempo mais se terá emprego, ou sequer se haverá;

- Não se sabe se as poupanças estão seguras;

- Não se sabe quando se terá uma decisão judicial, e se chegará a tempo;

- Não se sabe com o que se pode contar dos serviços públicos e das forças policiais;

- Não se sabe sabe sequer com o que é que se pode contar das instituições da República;

Face ao nosso endividamento externo, e aos olhos dos nossos credores, a questão muito simples que se coloca é esta: Se nós não confiamos, como podem os de fora confiar neste país?

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Centenário da República: o 28 de Janeiro de 1908

Vou hoje lembrar o dia 28 de Janeiro de 1908, um marco na caminhada para a proclamação da República. Porque o Partido Republicano não fora criado com o objectivo de ser mais um partido a participar nas disputas parlamentares. O objectivo dos republicanos era, desde o início, a tomada do poder, o derrube da Monarquia, a proclamação da República.

Sabendo-se isto, é evidente que o comportamento dos partidos monárquicos e do próprio rei, não foram os mais adequados. Pelo contrário – com displicência de quem nada teme, foram, dia a dia, caso a caso, escândalo a escândalo, fornecendo achas para a fogueira em que a Monarquia se iria consumir.

Os partidos do Poder estavam fragilizados. Em 1901, João Franco, seguido por 25 deputados, saíra do Partido Regenerador, criando o Partido Regenerador Liberal. No Partido Progressista dera-se também uma cisão: em 1905, José Maria Alpoim, visconde da Ribeira Brava, com mais seis deputados, saiu e criou a Dissidência Progressista. Verificando o rei D. Carlos que a rotatividade entre os partidos Progressista e Regenerador não correspondia às exigências da governação, estabeleceu em 1907 uma ditadura administrativa com João Franco à cabeça.

Neste quadro em que os partidos se digladiavam, enfraquecidos internamente, e a própria Casa Real se desacreditava com a questão dos adiantamentos, com o despesismo ostensivo de D. Carlos e com uma crónica de escândalos que o monarca alimentava, o Partido Republicano movia-se com facilidade, explorando os erros cometidos pelos adversários. E gozava de um amplo apoio popular, pois o povo vivia mal, como sempre vivera, só que agora, mercê da propaganda republicana, tomava consciência da sua miséria. Brito Camacho, dizia sobre João Franco, “havemos de obrigá-lo a transigências que rebaixam ou às violências que comprometem”. Leia o resto do post »

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Uma pessoa fica sem fala…

…quando lê uma notícia como ESTA e já não se admira com ESTA. Já sobre ESTA o Aventar está a dedicar vários especiais.

Mas a nossa vida é igualmente feita de futilidades como ESTA, ESTA, ESTA e ESTA.

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Presente e futuro da advocacia: uma questão de República (1)

No passado dia 23, no Teatro Gil Vicente, em Cascais, teve lugar o 1º Encontro Nacional de Jovens Advogados, promovido pelo Instituto de Apoio aos Jovens Advogados (IAJA), no qual tive o prazer de intervir como orador.
Havia dois amplos temas previstos: “Os jovens Advogados e as novas tecnologias” e “ Presente e futuro dos jovens Advogados portugueses”. Este último tema, suficientemente amplo para se abordar tudo quanto os oradores e, depois, os participantes no debate, quisessem opinar. Sendo certo que todos puderam intervir para dar a sua opinião.
Por força de tal amplitude temática e de oportunidade de intervenção, foram abordadas diversas e importantes matérias, tais como:
- As novas ferramentas e tecnologias ao serviço do Advogado, e as poupanças obtidas em benefício quer do profissional forense quer do cliente;
- A massificação e a limitação de acesso à profissão, a par da defesa intransigente dos valores éticos e deontológicos que uma massificação irá pôr em causa, bem como que atitude tomar face aos advogados que não pagam as quotas e que usufruem dos mesmos serviços de todos aqueles que pagam;
- O estatuto do Advogado-estagiário, suas competências e limites, a par das garantias dos cidadãos que recorram aos seus serviços;
- O combate ao processo de desjudicialização da resolução de conflitos, sendo que a justa composição dos litígios que envolvam direitos, liberdades e garantias deverá ser feita por um juiz, garante de imparcialidade;
- O combate às custas judiciais que impedem a classe média de aceder à Justiça;
- A reformulação do Apoio Judiciário para que possa beneficiar a classe média e para que o beneficiário possa escolher o seu Patrono;
- A dignificação do Advogado Oficioso, e do seu papel e estatuto na sociedade e na defesa dos valores fundamentais da cidadania;
- O combate ao afastamento do Advogado quer dos tribunais quer dos expedientes com que se substituiu procedimentos que outrora garantiam a segurança do tráfego jurídico e comercial.
- Pugnar pela relação de confiança entre advogado e cliente, combatendo as tendências de usurpar tal confiança em benefício da investigação criminal, bem como a tendência de transformar o Advogado em delator do Cliente.
- Apelar a uma maior participação dos advogados na sua Ordem, não com vista ao unanimismo mas à contribuição com ideias e soluções;
- A criação de um organismo vocacionado para o acompanhamento e apoio aos Advogados que exerçam o Apoio Judiciário;
- Reconfigurar e reforçar a ligação entre o Patrono e o Advogado-estagiário, dando maior responsabilidade ao responsável pela orientação do estágio do candidato à advocacia;
- A crescente complexidade dos regimes jurídicos e a via da especialização para assegurar ao cliente um melhor desempenho por banda do profissional forense;
- O Estado das contas da Caixa de Previdência dos Advogados e Solicitadores que é felizmente positivo, e as vantagens de se iniciar o mais cedo possível os descontos.
Foram estas as principais matérias abordadas ao longo da manhã e da tarde do passado dia 23.
Foi pois com indignação que vi boa parte da imprensa a dar relevo, não ao conteúdo dos assuntos abordados nas intervenções e no debate que se seguiu, mas antes ao desentendimento que houve entre Carlos Pinto de Abreu e a organização do Encontro. O jornalismo português prefere, claramente, a chicana ao conteúdo, o “fait-divers” à informação, como se pode ver aqui, aqui, aqui, aqui e aqui. Com muito leves excepções aqui e aqui.
Mais me indignou ainda a Associação Nacional de Jovens Advogados Portugueses (ANJAP) afirmar que naquele encontro não se previa abordar matérias realmente importantes e até fracturantes da advocacia, havendo falta de ambição nos tema,s tal como se pode ler aqui, e aqui e aqui.
É, pois, falso que as ditas matérias não tenham sido abordadas e debatidas. A não ser que se entenda que todas as matérias acima elencadas são pouca coisa, não são importantes ou fracturantes.
De qualquer modo a ANJAP poderia ter participado e trazer a debate aquilo que achava importante, aquilo que acha que faltaria. O que claramente não fez.
Durante os próximos tempos irei abordar as principais matérias que foram abordadas e debatidas naquele evento, que identificam quer os problemas e desafios da advocacia quer as actuais tendências legislativas e seus perigos, tanto para a República e regular funcionamento das suas instituições, como para a preservação dos fundamentos da cidadania que a todos nós dizem respeito e da paz social a que todos temos direito. E não me inibirei em dar a minha opinião e de avançar soluções.
Haja mais gente com vontade de sair da fácil crítica e de assumir ideias, ao invés da confortável dormência da lusa maledicência inconsequente e intoxicante.

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Centenário da República: a bandeira nacional

Este texto, com ligeiras diferenças, foi publicado em 5 de Outubro de 2009.

Às 9 da manhã de 5 de Outubro de 1910, a bandeira da República foi içada na varanda dos Paços do Concelho de Lisboa. José Relvas fez a proclamação do regime e a nova insígnia nacional, que andava em milhares de mãos, feita artesanalmente, muitas vezes com as cores ao contrário, lá subiu no mastro perante uma multidão que enchia o Largo do Pelourinho (ou do Município). Estas mudanças são sempre traumáticas para quem as sofre com elas não concordando. As duas principais cidades do País eram maioritariamente republicanas e esse factor foi decisivo.

Num país com 80% de analfabetos, as elites culturais eram também maioritariamente pelo fim da Monarquia. Mas, naturalmente, havia um número elevado de monárquicos mesmo entre os que contestavam a situação existente. Desde 1890, com a cedência perante o ultimato britânico, a instituição monárquica sofrera um rude golpe. Não sei onde foram os actuais monárquicos buscar a ideia de que a República foi implantada contra a vontade dos Portugueses.

Desde as comemorações camonianas de 1880, o ideal republicano vinha-se impondo entre grande parte da população – mas, além do ideal político subsidiário da Revolução Francesa de 1789,os dislates, na política e na vida pessoal, de D. Carlos foram uma das alavancas para o triunfo da República. Leia o resto do post »

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Centenário da República: o Ultimato

Um dos acontecimentos que mais contribuiu para o desgaste e descrédito da instituição monárquica foi a questão do Ultimato que, em 11 de Janeiro de 1890, faz hoje 120 anos, o governo britânico (que designava o documento por «Memorando») entregou ao governo português exigindo a retirada das forças militares existentes no território compreendido entre as colónias de Moçambique e Angola, a maior parte nos actuais Zimbabué e Zâmbia), a pretexto de um incidente ocorrido entre portugueses e Macololos. A zona era reclamada por Portugal, que a havia incluído no famoso Mapa Cor-de-Rosa (que vemos acima), editado pela Sociedade de Geografia de Lisboa, em 1881, reivindicando, a partir da Conferência de Berlim de 1884/5, uma faixa de território que ia de Angola a Moçambique. Vejamos o mapa em versão simplificada.


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Destra Sinistra: os blogues que eu leio são melhores que os teus

Por ser a frase da semana, escrita pelo Vacas e logo sobre a revista das ditas ( Playboy): “É caso para dizer que a humilhação desce à medida que o dinheiro sobe.

João Vacas no 31 da Armada

Podia ser a profissão das irmãs anteriores sobretudo agora que se aproximaram da classe média: “ Os sociólogos olham para isto de outra forma, mas sem que isso signifique que o conceito “classe média” ganhe grande tracção“.

Pedro M. no Margens de Erro

E entretanto até o insurgente se insurge sobre as manas calorentas neste inverno rigoroso:Ruth Marlene e Jessica na Playboy: uma questão de preço“.

AAA no Insurgente

Como os 800 euros das manas, também a A PIDE nunca existiu recorda Medeiros Ferreira.

JMF no Córtex Frontal

Mas não são só as manas que aportaram na classe média: “No dia em que cumpro 29 anos realizei um sonho de vida“…

no apipocamaisdoce

Tal como as manas nos demonstraram, o diabo está nos detalhes: “Só o diabo sabe por que é que no ano em que a República faz cem anos o Papa Bento XVI vem visitar-nos“.

ITM no Albergue Espanhol

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Centenário da República: a génese do movimento republicano

Adiante explicarei porque comecei com o hino da «Maria da Fonte», interpretado pelo Vitorino, esta crónica, a primeira de uma série que, ao longo do ano, irei dedicando ao Centenário da proclamação da República em Portugal que, como sabemos, se celebra em 5 de Outubro. Sem a preocupação de ordenação cronológica, irei dedicando textos a momentos significativos no caminho para a queda do regime monárquico que vigorava desde a fundação do País. Hoje, falarei dos alvores do movimento republicano. Leia o resto do post »

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99 ANOS DEPOIS

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MUDARAM A BANDEIRA, MUDARAM TUDO. FOI PARA MELHOR OU PARA PIOR?
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Há noventa e nove anos, a Monarquia caiu.
Nesse dia, muitos dos nossos antepassados, alguns, muito poucos, ainda vivos, julgaram que os tempos maus tinham acabado. Julgaram que dias de prosperidade, de saúde, de beleza, de muitas coisas boas, aí viriam. Para trás tinha ficado a miséria, a corrupção e o atraso.
Meu avô, Republicano que andou metido nas lutas e atentados anteriores à implantação da República, disse, antes de morrer (1966), que dos ideais que tinha, poucos ou nenhuns tinham sido satisfeitos. Felizmente para ele, faleceu antes do 25 de Abril, ou, se lhe tivesse sobrevivido, alguns anos depois, teria tido mais uma grande desilusão.
A 5 de Outubro de 1910, a nossa bandeira deixou de ser azul e branca para passar a ser vermelha e verde. Na altura, felizmente, não tiveram coragem de mudar o centro da bandeira. No entanto, nessa altura, a maioria dos Portugueses quis, sem sombra de dúvida, o fim da Monarquia e a implantação da República. Há vinte anos que o ideal Republicano vinha crescendo, e a nova bandeira, feita artesanalmente andava, às escondidas ,a circular de mão em mão.
Todos os anos, por esta altura, o Presidente em exercício faz a sua alocução ao País. Hoje, não foi diferente e o sr dr Cavaco Silva, lá esteve, no jardim da cascata, a cerca de sete quilómetros do local onde foi implantada a República (para não interferir nas eleições autárquicas) exortando o povo para se unir em torno dos grandes ideais republicanos. Não sei bem para quê, já que parece que ninguém em Portugal acredita ainda nesses ideais. O discurso do Presidente, foi curto, directo e sem escutas (ou seria com pouca gente a escutá-lo?). O sr dr Cavaco Silva não esteve presente nas comemorações do 5 de Outubro.
Por seu lado, o nosso Primeiro, discursou na Câmara Municipal de Lisboa, porque gosta das coisas feitas no seu sítio tradicional.
No próximo ano será comemorado o centenário desta implantação. Será que nessa altura, já a nossa Constituição vai permitir que exista, se o povo o quiser, a Monarquia em Portugal, ou vai continuar a ser proibido?

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JM
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