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Como Se Fora Um Conto – O mês de Junho terminou, já acabaram as festas populares – o S. João -

À minha direita o mar, lá ao longe, à minha frente uma parede de pedra e à minha esquerda as duas senhoras já entradas na idade terceira, que ciciavam. Sentadas uma ao lado da outra, à mesa do café, falavam em surdina dos tempos de antigamente. Em cima da mesa estavam guardanapos, uma torrada de pão de forma, uma mirita, uma meia de leite e um pingo.

O tema da conversa era a festa do São João, comparando a de agora, com a de outrora.

Na verdade pouco se entendia da conversa, apesar dos meus esforços de atenção e do meu esticar de orelhas para aquele lado, já que conseguiam falar bastante baixo.

No entanto lá pude perceber sobre que conversavam e apanhar uma ou outra ideia. Essencialmente, adoravam o Porto e a sua festa da noite de S. João, mas não gostavam de barulho, nem dos martelos, nem da música que dos altifalantes saía e que se ouvia por toda a cidade, nem do ronco das recentes vovuzelas. Também lhes fazia falta o alho e a cidreira, e os bailaricos. Sim, os bailaricos que havia, e que assumo que ainda haja, toda a santa noite, em inúmeros pontos da cidade do Porto.

Aos poucos fui deixando de as ouvir. Catalisados pela conversa que eu entre-ouvia, os meus pensamentos começaram a tomar conta de mim.

Vi-me na minha meninice e também no fim da minha juventude. A revolução tinha acabado de acontecer e a «liberdade» tinha chegado.

Na altura a festa do S. João estava Leia o resto do post »

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S. João

(adão cruz - S.João - mais um 2010)

(Texto de Marcos Cruz)

S. JOÃO

João estava são, mas não tencionava ir ao S. João. Era uma contradição quase evidente, pois, no Porto, só não vai ao S. João quem estiver em má fase, morto ou doente. Mas João tinha uma explicação assaz convincente: o seu cão, pouco paciente, não lhe daria paz em noite tão exigente. Uma solução era deixar o cão na vizinha, mas esta, tripeira dos quatro costados, queria também ir à festa, e sozinha, sem atrelados. O que fazer, então? Das tripas coração? Talvez não. Afinal, o S. João não valia tanto, para o João, como aquele espanto de animal. No entanto, mais do que ninguém, estava o dono seguro de que quem troca o pão, mole ou duro, e a sardinha na brasa por passar, com o cão, em casa, um serão distinto, sem um grãozinho na asa, não sabe o que perde, pois como isso não há nada, nem o chouriço, o vinho, verde ou tinto, a martelo, nem a própria martelada. Bailarico popular é o S. João, e só ficam a ganhar os que lá vão. Foi já resignado à desdita que o João, acabrunhado, teve súbita visita de uma cantora de fado. Ainda ela lhe dizia que viera de Lisboa rever uma velha amiga mas não a tinha encontrado, logo o João, animado, deu corda à imaginação, pensando se não seria a sumida rapariga a sua vizinha do lado. Era mesmo, pois então, e foi em tom de cantiga que o bom do João propôs à querida fadista condição oportunista para lhe dar guarida até ao regresso da amiga: tomar-lhe conta do cão. Ela ficou convencida e, pronto, missão cumprida, lá foi ele, feliz da vida, cumprir também a tradição.

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Bem Que Lhe Parecia, e Tinha Razão

Depois de ler o artigo abaixo, de Fernando Moreira de Sá, escrevi sobre o meu S.João.

Aquele S. João que não tinha martelos mas tinha alho pôrro, que não tinha tantas roulottes mas tinha cidreira, que não estava espalhado por tudo quanto é cidade mas que tinha nas Fontaínhas o seu ponto principal, a par da Avenida dos Aliados, de Santa Catarina e da Batalha.

Aquele S.João que tinha Leia o resto do post »

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Bem me parecia…

…que alguma coisa justifica tanto amor a esta terra e a esta FESTA

Mas nada como ver a minha teoria confirmada por um grande “Senhor” como o Júlio Couto. Sim, sim, eu sou um dos muitos (e somos cada vez mais) que estão sintonizados no canal 13 da Zon (e parece que agora está também no 14 do Meo). E por falar em coisas da minha terra, esta semana dediquei o meu artigo no semanário Grande Porto ao blogue “A Baixa do Porto“.

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