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Salgueiro Maia, o maior português do séc. XX

Há uns meses atrás, o Aventar lançou uma petição para salvar a casa onde nasceu Salgueiro Maia, em Castelo de Vide. Uma casa que, como se pode ver pelas imagens, está em avançado estado de degradação.

Entretanto, com o vírus que nos afectou em Outubro, perdemos as centenas de assinaturas que já tínhamos reunido e tivemos de começar tudo de novo. Muitos dos que assinaram inicialmente não voltaram a fazê-lo.

Passados todos estes meses, sentimos que cumprimos o nosso dever de homenagear aquele que, na minha humilde opinião, foi o maior português do século XX. Nas palavras de Sophia de Mello Breyner,

Aquele que na hora da vitória
respeitou o vencido

Aquele que deu tudo e não pediu a paga

Aquele que na hora da ganância
Perdeu o apetite

Aquele que amou os outros e por isso
Não colaborou com a sua ignorância ou vício

Aquele que foi «Fiel à palavra dada à ideia tida»
como antes dele mas também por ele
Pessoa disse

Em sete meses, reunimos mais de 600 assinaturas. Como é nosso dever, serão endereçadas à Assembleia da República, à Câmara Municipal e Assembleia Municipal de Castelo de Vide e à Associação 25 de Abril. Ainda não é tarde para salvar a Memória da Revolução.

Obrigado a todos.

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25 de Abril – o dia que vale uma vida!

Andava o cheiro no ar, as coisas iam mudar, dava-se a entender que se sabia mais do que na realidade se sabia, todos tinhamos contactos, amigos em posições privilegiadas, o tempo adensava-se. Naquela madrugada, mesmo ouvir canções que sabíamos proíbidas e que nunca se ouviam na rádio, não tirou a maioria da rotina. O grande medo era se Kaulza e outros anti-democratas se antecipavam e levavam a efeito um golpe de extrema direita.

Acordei com o telefone, mais estridente que o habitual, do lado de lá um amigo avisava-me que era preciso ir para a rua, o gajo era dos que estava “por dentro” e eu a julgar que era mais uma bravata, pois que escutasse a rádio, ele estaria no Martim Moniz. E a rádio dava música militar, mas conversa e notícias népias, nada, até que chegou a voz firme do locutor. “Cidadãos fiquem em casa, o MFA está na rua, quer evitar-se a todo o custo um banho de sangue. Pede-se a todo o pessoal médico que se dirija para os hospitais. É a hora da liberdade!”

O que se seguiu já contei em ” O Largo do Carmo“, vou uma e outra vez áquele lindo largo, hoje cheio de esplanadas, o sítio onde me encostei com duas hipóteses de fuga, se aquilo desse para o torto, os jovens militares de G3, o jovem e sereno Capitão, o Dr. Sousa Tavares em cima do Chaimite com um megafone, os tiros, a rendição…

Noites e dias sem dormir, uma torrente de sentimentos e de experiências, a vida palpitante como um filme em que participavamos, sem guião, e onde todas as esperanças eram possíveis.

Obrigado, Capitães de Abril !

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Memória descritiva: Otelo

Foi numa tarde de sábado do Verão de 1974, dia 13 de Julho, mais precisamente. Em casa do meu compadre Joaquim Reis, na Parede, eu, ele, o Jaime Camecelha, as respectivas mulheres, estávamos à volta de umas cervejas e de uns petiscos que a comadre Lurdes preparara. Excepcionalmente, naquele dia não fôramos a nenhuma manifestação e gozávamos o merecido descanso, após uma semana de trabalho e de luta. As crianças estavam numa sala ao lado com uma merenda adequada.

Na televisão, víamos distraidamente uma cerimónia qualquer transmitida em directo. Demos mais atenção quando vimos que estava ali toda a Junta de Salvação Nacional. O general Jaime Silvério Marques fazia um discurso balofo onde exaltava a juventude de espírito dos membros da Junta de Salvação Nacional, todos eles oficiais generais, chamando a esse ilustre grupo os louros da Revolução de Abril. Nós ríamos e íamos comendo, bebendo e conversando. Era a conversa de xaxa do costume.

Foi então que um jovem major de cabelos precocemente embranquecidos, elevou a voz e perguntou: «-Dá-me licença, meu general?» Silvério Marques apanhado de surpresa disse que sim. Spínola que conhecia bem aquele major de artilharia esboçou um sorriso. Acho que foi o meu compadre quem disse, referindo-se ao major: «- Este gajo parece o Nasser!».E o «nasser» sai-se com esta:

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No Largo do Carmo – Largo Salgueiro Maia

Para o Quartel do Carmo está lá o Marcelo! Era a palavra de ordem na Baixa de Lisboa. A multidão, a maioria gente jovem, subia o Chiado em direcção ao Largo.

 

Quando lá cheguei o Quartel já estava cercado pelas forças do 25 de Abril. O que chamava de imediato a atenção era a idade imberbe dos soldados, G3 a tiracolo. Foi para mim um choque, tinha saído da vida militar há 3 anos ainda me lembrava das técnicas de segurança para quem usa uma arma de guerra. Não passavam por ali.

 

Procurei o comandante, estava no centro de um espaço livre junto à  porta do quartel .Impressionava a serenidade, a ideia que passava é que a missão era para cumprir . A serenidade de quem estava preparado para morrer. Em cima de um chaimite, o Dr. Francisco Sousa Tavares gritava palavras de ordem, "belo alvo" pensei para comigo.

 

Depois o ultimato, as rajadas de G3 contra a parede do quartel, a entrada de dois civis, que ninguem sabia quem eram e que depois se soube serem os intermediários. A entrada do carro que transportava Spínola, o chaimite que foi lá dentro buscar os presos, a gritaria, os murros no carro que transportava Marcelo.

 

Na Baixa ainda havia movimentações de tropas da GNR, cozidas às paredes da estação do Rossio. A fragata que ameaçara bombardear o Terreiro do Paço, face à cobertura do fogo de artilharia instalado no Cristo Rei, já abandonara o Tejo.

 

Salgueiro Maia, dever cumprido, recolhia ao quartel em Santarém à sua vida profissional e familiar. Morreu como viveu. Digno e sereno!

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Maria Monteiro – Salgueiro Maia: Um sonho que continua inacabado

 

Casa de Salgueiro Maia em Castelo de Vide, objecto da Petição que lançámos para a sua preservação

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E no fim do dia descansou… – Breve biografia de Salgueiro Maia (I)

Foi de Santarém que, na madrugada do dia 25 de Abril de 1974, partiram as forças do Exército destinadas a ocupar Lisboa e os principais pontos de apoio do regime. Comandados pelo capitão Salgueiro Maia, um dos membros do clandestino Movimento das Forças Armadas, os heróis da revolução saíram da Escola Prática de Cavalaria e em pouco tempo estavam na capital. Um dia intenso, fértil em emoções e em acontecimentos, que culminou, ao fim da tarde, com a rendição de Marcello Caetano e a sua saída para o exílio. Nasceu Fernando José Salgueiro Maia em 1944 em Castelo de Vide, filho de um ferroviário, que devido à sua profissão era obrigado a mudar frequentemente de residência. Andou assim pelo país todo, passando grande parte da infância e adolescência entre a terra natal, Tomar e Pombal. Desde cedo que começou a evidenciar as características que o celebrizaram: forte determinação, grande frontalidade, enorme coragem, propensão para a liderança. Resistente do ponto de vista físico, inteligente a nível psicológico. Em 1964, com vinte anos, ingressa na Academia Militar. Ainda não tem consciência política do país, do regime que o governa e da situação colonial que em breve o espera. Mais de dois anos de estudos na Amadora e a chegada a Santarém e à Escola Prática de Cavalaria. A revolução começa aqui. Ele não o sabia, ninguém sequer o imaginava, mas foi aqui que tudo começou. A Guerra Colonial estava no auge e o alferes Salgueiro Maia é enviado para Moçambique, onde chega a Dezembro de 1967. Com vinte e três anos, cheio de ilusões, acredita profundamente na missão que vai encetar. «A guerra era também a possibilidade de combater pela dignidade de uma sociedade pluriracial e pluricontinental em que acreditava. De resto, não vi dezenas de colegas de cor que estudavam comigo no colégio Nun’Álvares, de Tomar, e na própria Academia? Não havia, pois, motivos para descrer dos intuitos da guerra e dos propósitos do exército.» – viria a dizer anos mais tarde em relação ao pensamento que o norteava.

 

 

As capacidades de comando, que já revelara nas ingénuas brincadeiras de criança e adolescente, revelam-se de novo na guerra, mas aqui com outro grau de importância. Quando regressa à metrópole, um ano depois, já como tenente, é um homem totalmente diferente. Pelo meio, ficou a adopção de uma criança moçambicana pela Companhia de Comandos, a visão clara daquilo que, afinal, era a guerra e, mais importante do que tudo, a percepção clara do regime corrupto e decadente que governava Portugal. No fundo, a desilusão completa. A tal consciência política que antes lhe faltava. «Havia de ser bonito… Eu pela Avenida da Liberdade abaixo até ao Terreiro do Paço…», chega a referir em plena guerra, como que prevendo o futuro. É então cometida uma das primeiras injustiças em relação à sua acção: a recusa da medalha de Comando, apenas pelo facto de não ter feito o curso de Comandos em Portugal. Outras injustiças se seguiriam.

Regressado a Santarém, é colocado na instrução da Escola Prática de Cavalaria. Aos subordinados, conta as «estórias» da guerra e da sua experiência pessoal. A partir de certa altura, faz mesmo gala de não esconder a repulsa em relação ao actual estado do regime. Com os superiores, arranja problemas exactamente por essa razão. A despeito disso, é promovido ao posto de capitão em 1970 e no ano seguinte embarca para a Guiné, com a missão de comandar a Companhia de Cavalaria 3420. A desilusão em relação ao regime acentua-se e a revolta em relação à guerra atinge um ponto limite. Ainda na Guiné, começa a participar nas reuniões embrionárias daquele que viria a ser conhecido como o MFA – Movimento das Forças Armadas. Em Julho de 1973, conhece Otelo Saraiva de Carvalho. Em plena messe dos oficiais, lê a «Seara Nova» e até os livros de Karl Marx. Regressa ao continente em Outubro de 1973, com as sementes da revolta a fervilhar no seu ânimo. As reuniões tendentes a organizar um golpe de estado são cada vez mais frequentes. «Portugal e o Futuro», de António de Spínola, é publicado em Fevereiro de 1972 e vai concorrer de forma marcante para o fim do regime. «Este livro surge, além do mais, como um imperativo moral de quem não pode conter-se.» – refere o autor na introdução da obra. A 16 de Março, dá-se a primeira tentativa de golpe. Golpe preparado «em cima dos joelhos», com fraca adesão militar, sem grandes possibilidades de êxito. Salgueiro Maia é um dos que se mostra contra a iniciativa e, por isso mesmo, se recusa a participar. A coluna do Regimento de Infantaria n.º 5 sai das Caldas da Rainha em direcção a Lisboa, mas não chega à capital, pois os seus principais responsáveis são presos ainda antes da partida. Mas, agora mais do que nunca, a revolução é uma questão de tempo. O MFA marca novas tentativa para daí a um mês, entre 20 e 29 de Abril, e Otelo assume a liderança do plano de operações. A 17 de Abril, entrega a Salgueiro Maia o comando da missão operacional e dá-lhe a entender que há generais envolvidos no golpe, quando tudo não passava, afinal, de um movimento de capitães. No dia 22, todas as unidades entram estado de alerta. A hora H fica desde logo marcada para as três da madrugada do dia 25 de Abril. Pelas 22 horas e trinta minutos do dia anterior, João Paulo Dinis, aos microfones da rádio, anunciara a música «E Depois do Adeus», de Paulo de Carvalho. Era a primeira senha, o início das movimentações militares. À meia noite e meia, Leite de Vasconcelos lê no programa «Limite», da Rádio Renascença, a primeira quadra de «Grândola, Vila Morena», de Zeca Afonso. «Grândola, Vila Morena / Terra da fraternidade / O povo é quem mais ordena / Dentro de ti / Ó cidade». É a senha definitiva e o aviso para a saída dos quartéis. É então que, em plena Escola Prática de Cavalaria, Salgueiro Maia entra em acção. Assume as capacidades de liderança que já manifestava desde criança e dirige-se aos seus subordinados. «Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os sociais, os corporativos e o Estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o Estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser, fica aqui.» Um discurso forte, vibrante, motivador, que poderia ter sido resumido a uma única frase. A tal que Salgueiro Maia também disse. «Há alturas em que é preciso desobedecer!»

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I Tertúlia do Aventar – Salgueiro Maia e a Memória da Revolução

 

Tertúlia do Aventar – «Salgueiro Maia e a Memória da Revolução». Hoje, 5 de Dezembro, 18 horas. Com Carlos Abreu Amorim e João Teixeira Lopes. Clube Literário do Porto (à Ribeira).

 

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I Tertúlia do Aventar: Salgueiro Maia e a Memória da Revolução

 

Tertúlia do Aventar – «Salgueiro Maia e a Memória da Revolução». Sábado, 5 de DEzembro, 18 horas. Com Carlos Abreu Amorim e João Teixeira Lopes. Clube Literário do Porto (à Ribeira).

 

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I Tertúlia do Aventar: Salgueiro Maia e a Memória da Revolução

 

«Salgueiro Maia e a Memória da Revolução», com Carlos Abreu Amorim e João Teixeira Lopes. Sábado, dia 5 de Dezembro, às 18 horas, no Clube Literário do Porto (à Ribeira).

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I Tertúlia do Aventar

 

«Salgueiro Maia e a Memória da Revolução», com Carlos Abreu Amorim e João Teixeira Lopes. Sábado, dia 5 de Dezembro, às 18 horas, no Clube Literário do Porto (à Ribeira).

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Petição para salvar a casa onde nasceu Salgueiro Maia

 

Como sabem os nossos leitores, o Aventar está a promover uma Petição para salvar a casa onde nasceu Fernando Salgueiro Maia em Castelo de Vide.

Infelizmente, quando já contávamos com centenas de assinaturas, fomos atacados por «hackers» coreanos e os vírus acabaram por destruir grande parte dos nossos ficheiros, entre os quais aquele que continha as assinaturas.

Neste momento, resolvemos a situação e alojámos a petição num «site» próprio de petições, mas as assinaturas que tínhamos perderam-se.

Assim, pedimos que todos aqueles que assinaram voltem a fazê-lo. Não por nós, mas pela memória de Salgueiro Maia, que deve ser preservada. Para assinar, agora com toda a segurança, basta carregar na imagem da barra lateral.

As nossas desculpas por uma situação que nos penalizou muitíssimo.

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Os Juízes que investigam Sócrates são bufos…

Incapazes de compreenderem que  um país decente e democrático, não pode ter um Primeiro Ministro sobre o qual recaem, uma e outra vez, suspeitas de favorecimento de amigos, de atropelo à lei, de tirar cursos ao domingo, de controlar bancos privados com o dinheiro do Estado, de mentir à Assembleia da Republica, de calar telejornais, de falsificar fichas pessoais enquanto deputado, passaram em desespero de causa a chamar "bufos" a quem tem o dever de investigar.

 

E a quem tem o dever de não deixar que as provas sejam destruídas, conforme a opinião de ilustres penalistas e que teve vencimento, como se vê pelo arquivar em vez de destruir.

 

É óbvio que o Juiz titular do processo, o juiz local, é independente no que se refere à instrução daquele processo e não tem que receber instruções de quem quer que seja. Que isto não agrade a quem quer calar as vozes independentes que ainda se fazem ouvir na Justiça é que é um autêntico escândalo.

 

João Palma, Presidente do Sindicato do Ministério Público, ainda ontem na televisão, dizia que o ministro que inventou a "espionagem política" ia ter que a explicar. É que hoje trava-se uma luta sem tréguas na Justiça. Entre os que querem "abafar" tudo (como aquele militante do PS, Presidente do Eurojust, que fez umas ameaças aos colegas acerca do Freeport) e os que sabem que se não avisarem a opinião pública tudo morre no ar condicionado do poder.

 

Mas agora passou-se a uma outra fase da operação. Quem critica Sócrates não é patriota. E acenam-se com créditos, com amizades e com contactos, já perceberam que no país de Sócrates estas ameaças funcionam.

 

Esquecem, todavia, que há pessoas que nunca precisaram de mudar a sua opinião ao sabor de interesses pessoais ou partidários. E muito menos de utilizar o nome honrado de Salgueiro Maia para atacarem quem não pensa de igual forma. Foi para isso que se fez o 25 de Abril!

 

Como fui eu que convidei, pessoalmente, o senhor Coronel Vasco Lourenço, para nos falar de Salgueiro Maia e face ao que foi aqui comentado por outro Capitão de Abril, irei  agradecer ao Presidente da Associação 25 de Abril, da qual sou sócio, e desvinculá-lo do convite que lhe fiz.

 

Lá estaremos, dia 5 de Dezembro, com outras pessoas e outras opiniões sobre Salgueiro Maia. É assim em democracia. Os heróis não são propriedade de ninguém!

 

Prometemos que vamos continuar a opinar com a independência e a liberdade que lhes devemos, de todas a melhor forma de  perpétuar a madrugada libertadora!

 

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Os mortos têm dono?

Não é por acaso que temos a expressão  deve estar às voltas no túmulo,  usada quando entendemos que uma determinada homenagem póstuma não honra o homenageado, seja pela sua natureza, seja pela dos seus intervenientes.

Também tenho umas irritações deste género. Em particular chateia-me que os que mandaram Ernesto Che Guevara para o suicídio bolivariano, nomeadamente Fidel Castro às ordens do Politburo que então governava a URSS e estava farto das heterodoxias do revolucionário sul-americano, apareçam ainda hoje como fiéis herdeiros do seu pensamento.

Se Che não tivesse embarcado na armadilha que lhe montaram, como teria reagido ao evoluir da política cubana? Teria continuado em rota de colisão com o pseudo-socialismo soviético?

O facto é que ninguém sabe. Os mortos fazem-nos falta, mas não são nossos.

 


Ninguém é dono dos ses que podemos construir sobre o que acharia hoje Fulano ou Sicrano sobre o estado a que chegou a democracia portuguesa.

É que se muitos se preocupam com as más companhias de José Sócrates, eu digo que é ele a má companhia, sempre o foi, exemplo de arrivista sempre metido em trapalhadas obscuras, pisando quem for preciso para satisfazer uma ambição pessoal desmedida, político de uma geração que se fez em busca da carreira e cuja única causa sempre foi a sua. Não consigo defender um estado de direito onde os governantes passam incólumes a despeito de ser pública e notória a forma como se usam do estado em proveito próprio.

O que pensaria sobre isto Salgueiro Maia? Ninguém sabe, nem os que dele estiveram mais próximos, nem os que nunca o conheceram pessoalmente.

Ninguém é dono do pensamento dos outros, mesmo tendo sido seu camarada, nem das homenagens que quem o entende lhe queira fazer. Muito menos quem não é capaz de entender que num blogue se podem expressar ideias contrárias,e que mesmo com alguns abusos de linguagem consigamos coexistir pacificamente.

A terra é de quem a trabalha como os filhos de quem os ama, lembrava Brecht referindo-se a Salomão. E os mortos de quem os homenageia, acrescento eu, mesmo que tal por vezes nos traga amargos à boca.

 

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I Tertúlia do Aventar – Salgueiro Maia e a Memória da Revolução

 

Cartaz de Isac Caetano

 

No dia 5 de Dezembro, dando continuidade à Petição lançada para preservar a casa onde nasceu Salgueiro Maia, petição essa que em breve voltará a estar disponível no nosso blogue, o Aventar vai promover a sua primeira Tertúlia. «Salgueiro Maia e a Memória da Revolução» é o tema e o Clube Literário do Porto, junto à Ribeira, o local. O coronel Vasco Lourenço, um dos capitães de Abril e o Presidente da Associação 25 de Abril, está desde já confirmado como um dos oradores.

Como é óbvio, todos estão convidados. Para celebrar um momento único da história de Portugal. Para relembrar alguém a quem muito devemos. A quem TUDO devemos. É no Sábado de 5 de Dezembro às 18 horas.

No fim da Tertúlia, vamos todos para o «Verso em Pedra», a poucos metros do Clube Literário do Porto. Está ali a francesinha original, tal qual foi inventada há décadas atrás. Um prémio para quem aguentar o molho original.

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Petição para salvar a casa de Salgueiro Maia

 

O Aventar lançou uma petição para salvar a casa onde nasceu o capitão Salgueiro Maia em Castelo de Vide. Uma casa que se encontra em estado de degradação evidente e em perigo de ruína. Para assinar a petição, que será enviada à Assembleia da República, basta colocar nesta caixa de comentário o nome e respectivo Bilhete de Identidade. Já temos centenas de assinaturas e, enquanto a respectiva página na barra lateral não está disponível, terá de ser este o método utilizado (coisas da mudança do wordpress para os blogs do Sapo. Salvar a memória de Salgueiro Maia é salvar a nossa memória comum. Façamos alguma coisa por todos nós. Um agradecimento final à Maria Monteiro, a autora da foto e a primeira a alertar para o estado de destruição da casa.

 

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Petição Salgueiro Maia


O Aventar acaba de lançar uma petição para salvar a casa onde nasceu o capitão Salgueiro Maia, em Castelo de Vide. Uma casa que se encontra em estado de degradação evidente e em perigo de ruína. Para assinar a petição, que será enviada à Assembleia da República, basta carregar na foto da barra lateral e preencher os dados pessoais. Esta petição estará ao dispor dos interessados no Aventar e em mais nenhum local. Se não pretender que o nome seja publicado no blogue, bastará assinalá-lo. Salvar a memória de Salgueiro Maia é salvar a nossa memória comum. Façamos alguma coisa por todos nós. Um agradecimento final à Maria Monteiro, a autora da foto e a primeira a alertar para o estado de destruição da casa.</p>

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