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As dinastias berberes no despontar de Bortuqal

 

 

“Por muito pouco que eu viva saberei devolver aos muçulmanos todas as províncias que lhes tomaram os cristãos durante este período calamitoso. Para combater os nossos inimigos enchê-las-ei de cavaleiros e de peões que ignoram o repouso, que não sabem o que é viver na moleza, que não sonham senão em domar e treinar os seus cavalos, em cuidar das suas armas e em precipitar-se para o combate à primeira ordem.”

Com estas palavras Yussuf Ibn Tachfin parte de Sevilha acompanhado por Al-Mu’tamid, rei de Sevilha, Al-Mutawakil, rei de Badajoz e Abdallah, rei de Granada, para defrontar as forças de Afonso VI de Castela e Leão, que tinham sido reforçadas com tropas enviadas por Rodrigo Diaz de Vivar, o famoso El-Cid, O campeador, comandadas pelo seu vassalo Alvar Fañez.

Os Almorávidas respondiam assim ao pedido de auxílio feito pelos Reinos do Al-Andalus reunidos na conferência de Sevilha.

Os dois exércitos defrontam-se em 1086 na batalha de Zalaca, nos arredores de Badajoz, na qual as forças do Islão esmagam as dos Cristãos.

Mas Yussuf não tinha vindo ao Andalus para perpetuar os Reinos das Taifas. “Libertar a península dos cristãos tal foi o nosso único fim quando vimos que estavam quase a ser os seus donos e, por outro lado, quanta era a incúria dos príncipes muçulmanos, o seu pouco entusiasmo em fazer a guerra, as suas lutas intestinas e o seu gosto pelos prazeres. Cada um deles não tinha outra preocupação senão esvaziar as suas taças, escutar cantadeiras e divertir-se”.

Aceitando a fatwa lançada pelos alfaquies da Hispânia, destrona os reinos das taifas, elimina os seus chefes, poupando a vida apenas a Al-Mu’tamid, que desterra para Marrocos, e unifica o Al-Andalus no ano de 1091 sob o poder Almorávida, estabelecendo Sevilha como sua capital.

Desde os tempos do Califado de Córdoba que a Hispânia Muçulmana não tinha o seu território governado por uma entidade centralizada.

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Do Magrebe ao Andalus

 

A conquista Árabe do Magrebe (maghrib significa em Árabe ocidental) é promovida pelo Califado Omíada de Damasco e tem como resultado a criação de uma unidade política submetida ao seu poder.

A tarefa é confiada ao general Oqba Ibn Nafi, que no ano de 670 comanda um exército através do deserto do Egipto com a missão de submeter todas as tribos berberes do Norte de África.

Na sua marcha para o Ocidente funda a cidade de Kairouan na actual Tunísia, onde fica sediado o governador da Ifriqiya, e atinge a costa atlântica no ano de 684, onde reza a história que terá entrado com o seu cavalo no mar e, olhando para o céu, exclamou: “Deus grande! Se o meu caminho não fosse parado por este mar, eu continuaria, para os reinos desconhecidos do Ocidente, pregando a unicidade do Teu nome sagrado, e passando à espada as nações rebeldes que adoram outros deuses que não Tu.”

Oqba dirige-se então para Sul, submetendo as terras férteis dos vales do Oued Ziz e Oued Draa.

 

O Jebel Mussa, montanha que domina o Estreito de Gibraltar

 

Em 712 o seu sucessor Mussa Ibn Nossair empreende a conquista do Al-Andalus, iniciada uma ano antes por um berbere do Rif, sob o seu comando, chamado Tarik Ibn Ziyad.

A marca de Tarik ficará para sempre no nome do Estreito de Gibraltar, com origem no Árabe Jebel Tarik ou Montanha de Tarik.

Os berberes do Rif terão uma participação decisiva no processo da conquista Árabe do Magrebe e da própria invasão do Al-Andalus.

Já em 710 um outro Rifenho de nome Tarif Ben Shamaún tinha feito uma primeira incursão de observação em terras Hispânicas, deixando o seu nome no local onde desembarca, a cidade de Tarifa.

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Sufismo no Gharb Al-Andalus

 

“Eu quero ser nada…para poder compreender tudo”

Shaykh Hisham Kabbani

A derrota dos Almorávidas na batalha de Ourique marca o início de um novo período de fraccionamento do Andalus em reinos independentes, que ficou conhecido como os segundos Reinos de Taifas.

É um período conturbado e de digladiação de várias facções muçulmanas e destas com os cristãos, já que os Almorávidas em declínio, os Reinos de Taifas que logram a independência e os recém-chegados Almóadas detêm o poder em diferentes áreas da região.

Durante este período o Sul do Gharb Al-Andalus constitui-se no Reino da Taifa de Silves, inicialmente governada pela família dos Banu Al-Mallah, mas posteriormente dominada por aquele ficou na história como o grande Mestre do Sufismo no Gharb Al-Andalus, Abu Al-Qasim Ibn Qasi.

Se o período das primeiras taifas constituiu o expoente da poesia Luso-Arabe, representada por figuras como Al-Mu’tamid e Ibn Amar, as segundas taifas ficaram como o expoente da filosofia Misticista Islâmica, representada por Ibn Qasi e o movimento Muridíno.

Natural de Silves, Ibn Qasi era provavelmente um muladi, ou descendente de cristãos convertidos, de origem romana, dado que se pensa que o seu nome de família viria do romano Cassius.

Funcionário da alfândega de Silves opta por uma vida de meditação e recolhimento, entregando metade dos os seus bens aos pobres e refugiando-se numa Zauia ou Azóia onde inicia um caminho na busca de Deus, fundando uma confraria designada por Movimento Muridíno.

Essa Zauia daria origem ao famoso Ribat da Arrifana, em Aljezur, que constrói com a restante metade dos seus bens, e que se torna sede da sua Cavalaria Espiritual, e incluía uma mesquita, celas para os seus discípulos e cavalariças. Leia o resto do post »

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Poesia Luso-Árabe

“A noite lavava as sombras

Das suas pálpebras com a aurora.

Ligeira corria a brisa.

E bebemos! Um vinho velho cor de rubi,

Denso de aroma e de corpo suave”

Poema escrito por Al-Mu’tamid

 

No ano de 1031 cai o Califado de Córdoba e o Al-Andalus divide-se em reinos independentes, que ficaram conhecidos pelo nome de Reinos de Taifas (do Árabe Muluk At-Tawaif ou reinos fraccionados).

O poder centralizado do Califado Omíada, cada vez mais dependente de uma máquina administrativa pesada e geradora de pesados impostos, aliado aos desejos de autonomia das inúmeras etnias que povoavam o Andalus, estão na origem deste fraccionamento do poder político.

No Sul do território hoje ocupado por Portugal, o Gharb Al-Andalus,  constituem-se 4 reinos de taifas _ um grande reino na zona mais a Norte com capital em Batalyaws (Badajoz), um reino correspondendo à região do Baixo Alentejo com capital em Mârtula(Mértola) e dois reinos no actual Algarve, concretamente os reinos de Xilb (Silves) e Xanta Marya Ibn Harun (Faro).

 

É neste período que floresce uma cultura Hispano-Arabe, sobretudo ao nível da poesia, resultado de uma identidade local criada pela fusão de elementos étnicos árabes, berberes, judeus, hispano-romanos e hispano-godos. Leia o resto do post »

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