Poemas do ser e não ser
Delicadamente
ela abriu a blusa e levantou os olhos
decidida.
Era uma mulher de guerra combatida
daquelas cuja face conta a história.
Mansamente baixou a medo as alças do soutien
inclinou a cabeça e fechou os olhos
à espera da minha mão.
Depois
comemos pão de centeio molhado num golpe de azeite
bebemos um capitoso vinho
e fomos à procura de uma paisagem com cegonhas.
Os enfermeiros, os pilotos da TAP, os salários e a minha estupidez
Colocado por José Freitas em sociedade em 22 de Março de 2010
Só posso ser estúpido. A sério. Só uma clara e inevitável estupidez me impede de perceber onde estão os argumentos sensatos dos sindicatos dos enfermeiros e dos pilotos da TAP.
Vejamos os primeiros. O Ministério da Saúde propôs pagar aos enfermeiros em início de carreira – reforço: em início de carreira – 1201,48 euros (aumento de 17,7%), isto é, mais 180 euros do que é pago actualmente. O sindicato da classe não gostou e quer um salário-base de 1510 euros. Vai daí, marcam-se quatro dias de greve, de 29 de Março a 1 de Abril.
A chefe do sindicato alega que o Governo “ainda não conseguiu explicar por que razão os enfermeiros não podem receber salários iguais aos de outras carreiras da função pública, como a dos professores”. Eu, trabalhador por conta de outrem, também não consigo perceber porque é que há outros trabalhadores por conta de outrem que ganham mais. Devem ser mais bonitos.
Apontamentos de Óbidos (15)
Colocado por J. Mário Teixeira em fotografia em 22 de Março de 2010
Borboleta Esvoaçante
Colocado por Blogger Convidado em política nacional em 21 de Março de 2010
(Um artigo de Francisco Moita Flores, Presidente da Câmara de Santarém, sobre as Directas no PSD)
Espero que Passos Coelho ganhe as eleições. Não sou militante do PSD. Mas amo o meu país. E gosto da palavra Pátria. Sabe-me bem até ao tutano dos ossos. E da palavra escrita em Português. Somos o povo do desenrasca. Desorganizado. Capaz da genialidade do improviso. Incapaz de se organizar. Séculos de barafunda. Inventámos o mundo e esbanjámos sempre aquilo que o mundo nos entregou. Mas somos a Pátria do afecto, do abraço, da festa. E resmungões. Mais refilões do que revolucionários. Incapazes de consolidar elites criadoras. Fogem daqui a sete pés. Somos exportadores de inteligência. Se a inteligência pagasse IVA, o ministro das finanças não precisava de PEC.E adoramos o decadentismo.
Não sou militante do PSD, dizia. Mas nas sua listas, liderei o projecto Santarém. Na primeira eleição passámos dos oito mil votos, de média histórica, para doze mil votos. Coisa que só uma vez o Prof. Cavaco Silva conseguira numa das suas maiorias absolutas. Ganhámos. O mais impávido e sobranceiro bastião socialista ribatejano caiu feito em cacos.Agora, nas últimas autárquicas, chegámos aos 22 mil votos. Não volto a recandidatar-me a Santarém. O trabalho que estamos a fazer e o crédito a favor do PSD é de tal forma que só a palermice pode fazer com que não dure muitos anos.
Se hoje evocamos a primavera e a poesia
Colocado por Carla Romualdo em música em 21 de Março de 2010
porque não havemos de lembrar também, antes que o dia se esgote, o sr. Johann Sebastian Bach, que veio ao mundo a 21 de Março de 1685?
Dia mundial da poesia?
Colocado por Adão Cruz em arte, literatura, poesia em 21 de Março de 2010
Dia mundial da poesia?
Comemora-se hoje o dia mundial da poesia. Não é coisa que eu engula facilmente.
Por todo o país e, provavelmente, por todo o mundo há tertúlias e coisas mais ou menos engraçadas. Algumas coisas boas, e outras de pouco ou nenhum valor. A pergunta mais corrente será: O que é a poesia? O que é ser poeta?
Daniel Barenboim, um dos maiores pianistas e maestros da actualidade, diz que é impossível falar de música, e que são muitas as definições de música, mas que, na prática, se limitam a descrever uma reacção subjectiva. Todas elas parecem dizer muito e não dizem nada.
Sem querer pôr-me à ilharga de Barenboim, eu também digo que não sei o que é a poesia, e duvido muito de quem diz que sabe. Desde a respiração de Deus à depuração absoluta da palavra, já ouvi de tudo. Parecem dizer muito e não dizem nada.
Isto, porque a poesia é um sentimento, o sentimento poético, como o sentimento do amor, o sentimento da alegria, o sentimento da tristeza, o sentimento do medo. O mesmo acontece na arte, ou sentimento artístico, seja qual for a expressão artística, plástica, musical etc. E o sentimento é um fenómeno muito complexo. Ler mais »
Directas PSD #4:
Colocado por Fernando Moreira de Sá em política nacional em 21 de Março de 2010
Eu gosto mais de usar a seguinte frase: “Rabo escondido com o gato de fora“. Vejamos:
1. O famoso, pelas piores razões, António Preto apoia e colabora afincadamente com Paulo Rangel. Este não sabia. Nem eu. Nem o Pedro Picoito…
2. Morais Sarmento consegue ser, simultaneamente, árbitro e jogador. Alguém acredita que Aguiar Branco não consegue as assinaturas?
3. Call center de António Preto + Actores contratados = Ruptura
Sobre as eleições directas no PSD podemos sempre recorrer a uma conhecida frase publicitária: “Ele há coisas fantásticas”!
Adenda de última hora:
“Tome-se, só para exemplo, o caso da educação. Sócrates não teve pejo em apresentar como relatório da OCDE um estudo privado encomendado à la carte. Sócrates não hesitou em lançar os quadros interactivos perante uma plateia de estudantes simulada, composta por crianças contratadas. Sócrates nunca enjeitou a encenação, repetida dezenas de vezes, da distribuição de computadores Magalhães, que, no minuto seguinte, eram retirados aos alunos. Este padrão de comportamento diz tudo sobre a substância da política do PS.” Escrito por Paulo Rangel em 17/9/2009…
Louvor e Simplificação de Álvaro de Campos
Colocado por João José Cardoso em geral em 21 de Março de 2010
(FRAGMENTO)
- de Mário Cesariny de Vasconcelos
«Coitado do Álvaro de Campos!»
«Tão isolado na vida! Tão deprimido nas sensações!»
«Coitado dele, enfiado na poltrona da sua melancolia!»
«Coitado dele, que com lágrimas (autênticas) nos olhos,»
«Deu hoje, num gesto largo, liberal e moscovita
«Tudo quanto tinha, na algibeira em que tinha pouco, àquele
«Pobre que não era pobre, que tinha olhos tristes profissão.» Ler mais »
Os golos da superioridade benfiquista
Colocado por A. Pedro Correia em futaventar em 21 de Março de 2010
Desta vez não houve túneis, nem árbitros, nem penaltis, nem expulsões. Houve duas equipas em campo, uma muito superior à outra no resultado e atitude. Houve duas claques, uma muito melhor do que a outra, pelo menos dentro do campo. Houve duas posturas, uma mais objectiva do que a outra. Houve três golos de um lado e um frango monumental do outro. Está o jogo resumido.
Filosofia de bolso (10)
Colocado por J. Mário Teixeira em geral em 21 de Março de 2010
Quremos tudo comandado à distância, para depois gastar dinheiro e tempo no ginásio a queimar as gorduras do comodismo.
BPP – 600 milhões foram à vida!
Colocado por Luís Moreira em economia em 21 de Março de 2010
Primeiro eram 300 milhões de euros agora já vai nos 600 milhões. Lembram-se que a massa que lá entrou depois das tropelias do Rendeiro foi garantida pelo Estado, o mesmo que nos vem agora ao bolso aumentando os impostos? Pois é, quem paga é cá ” a malta” a tal que não pagaria mais impostos, segundo esse grande estadista que dá pelo nome de José Sócrates!
Os accionistas, que achavam que podiam receber o dobro de taxa de juro, andam agora de candeias às avessas a mover acções em tribunal contra o João Rendeiro que jura, sem se rir, que vai pedir uma indemnização ao Estado! E o mais certo é ganhar ou pelo menos ficar com um trunfo para a troca. Eu deixo cair a acção e tu pagas! Mas o Diogo Vaz Guedes que tinha lá muita massa, vai processar não só o Rendeiro, mas também o Estado, o Banco de Portugal,, auditorias e a actual gestão do BPP!
E porquê? perguntarão vocemecês. Porque as suas propostas de viabilizar o banco não foram aceites!
“You can never hold back spring”: Tom Waits
Colocado por Carla Romualdo em música em 21 de Março de 2010
não repares que tremo
Colocado por A. Pedro Correia em geral, poesia em 21 de Março de 2010
não repares que tremo
se me tocas. que a pele
se eriça sob os dedos.
não repares que morro
se me tocas. o corpo
esvai-se sob o toque.
não repares que tremo.
toca-me. é pelos dedos
que melhor me matas.
.
Violência e indisciplina na escola
Colocado por João Paulo em educação em 21 de Março de 2010
Neste fim-de-semana TODOS falaram porque Mário Nogueira e o Conselho Nacional da FENPROF aparecem, obviamente, como a VOZ dos Professores. É apenas a demonstração da importância que TEMOS na sociedade Portuguesa.
A FENPROF sugere que a prevenção deve ser prioritária em relação à punição: acredito, desculpem-me camaradas, que Jacques de la Palice não diria melhor.
Mas, a FENPROF disse mais:
– as condições, nomeadamente ao nível dos recursos humanos tem que ser objecto de um projecto tipo, “Parque Escolar”, porque não são as paredes, nem os computadores que criam boas escolas. A presença de equipas multidisciplinares (psicólogos, educadores sociais, animadores, assistentes sociais, terapeutas) é urgente e o aumento do número de funcionários auxiliares é igualmente prioritária.
- a carga burocrática, absolutamente desnecessária e que nada acrescenta ao acto educativo tem que terminar: o horário dos PROFESSORES TEM que ser usado para aquilo que é a sua função, dar e preparar aulas, trabalhar com os alunos; não somos burocratas, nem técnicos oficiais de contas.
- “conferir ao professor, a exemplo do que acontece já em algumas comunidades espanholas, o estatuto de autoridade pública e a figura jurídica da presunção da verdade;”
E esta última referência tem merecido comentários ao longo do dia, quer por parte da Srª Ministra, quer por parte do Presidente de alguns pais.
A Srª Ministra, no seu habitual registo, “não sei de nada, só vim aqui ver a bola” diz que a proposta da FENPROF é uma possibilidade.
O sr. que não refiro o nome para não sujar o Aventar deseja que as faltas continuem a ser todas iguais, sejam elas justificadas ou injustificadas.
Sem margem para dúvidas: 99% dos problemas de indisciplina nas escolas são CULPA (com as letras todas) dos PAIS dos meninos. Eu, como Pai de dois alunos da Escola Pública, exijo que 99% dos alunos da “minha” escola não se percam por causa de alguns pais que não cumprem o seu papel.
Por mim, Pais de alunos violentos devem ter sanções financeiras.
Valsa das Flores e Versos à Primavera
Colocado por Carlos Fonseca em música, sociedade em 21 de Março de 2010
Na minha homenagem à Primavera, recorro a ‘Valsa das Flores’, editada por Adya Classic. E, não sendo escritor, e muito menos poeta, atrevo-me a publicar uns singelos versos, meus, à Primavera:
Oh Mãe Natureza, imploro-te com amor
Manda o Sol suave, doce e reluzente
Trazer a Primavera no matinal alvor
Para valer a este mundo carente.
Que os campos se vejam floridos,
De manhãs e tardes de mil cantares
E de misteriosos voos destemidos
De aves livres em todos os lugares.
Oh Primavera de sentidos sonhos
Volta a abençoar-me o frágil coração
E incandesce de brilho os meus olhos.
Regressa, dá aos novos as esperanças
Porque, dizia o sábio Poeta de então,
O melhor do mundo são as crianças.
A (in)diferença entre indisciplina e violência
Colocado por João Paulo em educação em 21 de Março de 2010
O espaço mediático continua a ter referências mais ou menos explícitas a questões de indisciplina e / ou violência.
E permitam-me que possa reflectir sobre esta temática procurando ilustrar esta questão sob duas perspectivas: a de Pai e a de Professor.

Num post anterior procurei mostrar o que pode ser o dia-a-dia numa escola. A indisciplina é algo que faz parte das relações entre poderes divergentes – entre pais e filhos, netos e avós, alunos mais velhos e alunos mais novos, jogadores e treinadores…
A formação inicial dos professores não permite uma grande aprendizagem nas metodologias que permitem gerir esta realidade – é a experiência e o contacto real, em contexto de escola, com os alunos que permite ir realizando uma profissionalização que vai ajudando a construir as competências necessárias.
E, boa parte desta realidade surge porque na sociedade a instituição responsável pela Educação, não EDUCA – a família, seja lá o que isso for.
As pressões que hoje TODOS exercem sobre as famílias levam as pessoas a:
a) trabalhar de sol a sol, com tempo para os filhos ao fim-de-semana e apenas no Centro-comercial;
b)viver dos rendimentos sociais e, sendo tudo dado, nada é preciso fazer, só exigem.
Os “putos” chegam-nos às mãos convencidos que podem tudo e não têm regras: ir à casa de banho é quando querem, material, que tragam os profs… Calados, só se estiverem “motivados”… Enfim, como antes escrevi, para onde vais Escola Pública, onde todos nos enganamos? Uns a fazer de conta que ensinam e outros a fazer de conta que aprendem…
Off shores a 5%
Colocado por Luís Moreira em economia, política nacional em 21 de Março de 2010
Já sabe só paga impostos porque quer. Quem sacou a massa e a escondeu nos off-shores agora pode lá ir buscá-la, lavá-la e investi-la. Paga 5% !
Quem tem lucros nas empresas e os mostrou, clarinhos como a água doce, paga 25%! E a pergunta é: se você tivesse muita massa num off-shore, escondido, sem possibilidade de lhe mexer, ou para lhe mexer ter que pagar por baixo e por cima comissões e silêncios, não pagaria 25% para ter o dinheirinho de volta?
Feita à medida para resolver a “Operação Furacão” a tal que envolve grandes e importantes empresas, e que, como se vê , passou num ápice de um caso de prisão para um caso de receita para o Estado.
A iamginação é um instrumento poderoso na governação dos Estados modernos…
Por falar em violência
Colocado por João Paulo em futaventar em 21 de Março de 2010
A Primavera no coração dos homens: Chaplin e Yeats
Colocado por Carla Romualdo em cinema, música, poesia em 21 de Março de 2010
Chaplin tinha 63 anos quando filmou “Luzes da Ribalta”.
Mas reparem na candura infantil com que vai saltitando enquanto canta: “É o amor, o amor, o amor, o amor, o amor”.
Coisas & Olhos
Colocado por De Puta Madre em geral em 21 de Março de 2010
“jetzt
schreibst du.”
Paul Celan
Desobedece
traça e sega
sob um coração
a nudez das coisas
agora. As coisas que só tu habitas
deflagram sem, a rigor, nada de ti
te obrigar a entregá-las
puras
agora. Há um riso
clandestino
deduz os olhos
embriaga o amor
agora. Reconheceste só
os olhos apodrecem-te
pássaros em metal
asas de cinza
agora. Ultrajadas as coisas habitam-te
tu dentro delas conflagras
poeira e sol
agora. O breve amor
ainda te pendura
no vento
gomos de sangue
agora. Faz uma lotaria
nos sentidos que dás
às coisas
armadilhas
a tua língua
agora. Dói beijar respirar
a boca sobre as coisas
útero de mel
agora. Não morras
sem me desprezar
remo na face
inundada
agora. Ninguém sabe
os nossos olhos
no corpo o desejo
do sexo
agora. Lavras os olhos
no fio a que atas as coisas
a cicatriz é varanda
molhada delas
agora. Sentir ciúme é fácil
nos olhos
perco o pranto mergulho
na piscina de pulgas
agora. Espesso das coisas
admito o coração
no salto
da carne
agora. Não há aquilo
a amizade um bem uma coisa
é uma coisa um bem a amizade
agora. Para não perder
as coisas mais pequenas nos olhos
vejo melhor
agora. Amo-te só
só te amo
aqui
só a morte
chega
amar-te
agora. Um disparate a lembrança
no coração
dilacera-te
agora. Lado a lado
sem esquecer
todas as coisas
prolongam-nos uma distância
agora. O amor sempre
doente
eu amei sempre
a imperfeição
agora. Sou simples
complico-te
tal como és
agora. Agora mesmo passa
por aqui entra fica,
guarda
os olhos
blindados
agora. Brinca com as pedrinhas
azambrado sob a lua
a concha na mão
o vazio a suster
agora. O frio delicadamente
revira dentro das camisolas
o corpo só isso
agora. Faço amor
dou contigo
corpo adentro
persigo-te
agora. Ajeito as lágrimas
ligeiramente feridas
ficam a jeito
agora. Tudo
dorme comigo
antes despenhando-se
contigo
agora. Apanho tudo
o fundo a pé-coxinho
cabra-cega a infância
agora. O véu cicatriza
a ignorância a justiça
o teu sexo crescendo
cerejeira
agora. Ultrapassa a loucura
escreve a vaidade
ultra-light
agora. Perdi o medo
custa-me andar
por aí
onde estás?
agora. Um desprazer
o elmo durando face
anagrama o ódio
gorila
agora. Desvio até
os olhos
que te viram dentro
segredos
agora. Passas tempo
sei aí
beber
para saciar
dói
agora. Faz o desespero
absoluto
não voltes
volta
agora. Essa densa apoderação
alarga a presença das coisas
os olhos HI-FI
recuperam-se
agora. Se a morte fosse uma flor
seria buganvília –
folha denuncia a delicadeza
em que dissimulas a vida
agora. Um sentido
partilha e esconde
a colheita a identidade
só o lume pulsa intacto
agora. Funâmbulo
no débil leme onde embriagas
a noite – escreves: antes pétala
embrumada num final perplexo.




















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