ETICA E EDUCAÇÃO (11)

ETICA E EDUCAÇÃO (11)
Considerações sobre Ética e Educação para além da Escola

Todo o processo de aprendizagem vai interagir com a sociedade logo a partir do começo, pelo que a sociedade e a vida constituem, a par da escola e depois da escola, a terceira grande etapa. O ensino e a aprendizagem não se dão, e muito menos hoje, só nos âmbitos académicos. Aprende-se e ensina-se dentro e fora destes, mas sobretudo dentro da própria vida nos cenários do quotidiano.
Hoje, mais do que nunca, a ética encontra-se ligada a um apelo político e social perante clamorosas situações de injustiça, desigualdade e impunidade, adquirindo uma relevância social sem precedentes, como base de uma redefinição nos modelos das relações humanas. A postura ética da escola da vida obriga a incorporar todos estes anseios sociais e políticos, com vista a uma redobrada atenção à realidade, sem o que, toda a prática educativa se torna estéril. A postura ética universal obriga a condenar a exploração do ser humano, a falsificação e a mentira, o espezinhamento dos fracos e indefesos, a discriminação de raças, sexos, etnias, religiões, culturas e classes, a falsa moral, a injustiça, a corrupção a qualquer nível, o fatalismo ideológico e imobilizante.
Não nos podemos assumir como sujeitos de educação, de procura, de decisão, de transformação, de roturas e de opções, se não nos assumirmos, tal como disse atrás, como sujeitos éticos-sociais. Por isso eu entendi abordar a problemática da ética e da educação nas várias vertentes da vida, sobretudo naquelas mais gritantes. Todavia, aquilo que digo e manifesto é o meu ponto de vista, e o erro não é ter um ponto de vista, mas absolutizá-lo de modo a que outros o não tenham.
A cidadania, consciência de direitos, deveres e exercício da democracia deve tornar-se o eixo de toda a educação, nomeadamente da educação escolar, de modo a que o potencial de conhecimentos, práticas e valores que a envolvem integrem o homem numa plena e saudável participação comunitária. A ética e a educação trabalham a par no processo de auto-realização e auto-determinação do ser humano e na construção de uma sociedade saudável, mais dinâmica, mais verdadeira e eficaz, mais exigente nas suas nobres expressões, configuradas na verdade, na justiça e na beleza. Se o Homem não tem consciência de quem é, se não conhece a sua estatura e o seu lugar na vida globalizante dos dias de hoje, dificilmente poderá criar dentro de si o sentido da autonomia como requisito essencial da contemporaneidade. (Continua)

                        (manel cruz)

(manel cruz)

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