Freeport – Lopes da Mota pede exoneração

O magistrado Lopes da Mota, presidente do Eurojust e que foi denunciado (uns delatores) pelos dois magistrados que titulam (titulavam?) o processo Freeport, foi castigado com 30 dias de férias forçadas.

Fica, assim, provado que aquele magistrado, que já havia estado envolvido numas manigâncias com a Fatinha de Felgueiras, tentou pressionar os seus dois colegas para arquivarem rapidamente o processo, “porque estavam a falar sozinhos…”

Como foi, amplamente divulgado, Lopes da Mota, foi colega de José Sócrates num dos governos de António Guterres e é muito próximo, se não militante, do PS.

O Ministro da Justiça já se apressou a dizer que será proposto brevemente, um substituto para presidente do Eurojust, o que comprova que Lopes da Mota foi para Bruxelas pela mão do governo socialista.

Interesante é saber que Lopes da Mota, por vontade própria, colocou em risco a posição já periclitante do seu camarada primeiro ministro, num processo tão sensível.

Sim, ninguem acredita que alguem lhe pediu para fazer o favorzinho…

Mário Crespo:

Uns gostam, outros não. Ninguém fica indiferente. É Jornalismo. Hoje no JN (via Blasfémias):

O Palhaço.

CAMPANHA Para Uma Vida Melhor, No Norte

.
APOIE E DIVULGUE, QUE NÃO CUSTA NADA E DÁ UM GOZO TREMENDO
.
Para mim, o Norte só acaba lá para as bandas do Mondego. Acaba o Norte onde o Sul começa. Já o disse antes nestas páginas, que a região norte deveria abarcar não só o Minho, Douro e Trás os Montes, mas também as Beiras, litoral e interior. É a minha ideia, devendo no entanto estar sozinho nesse pensamento.
Não é, no entanto, isso que aqui me traz hoje. Mais cedo ou mais tarde, por certo mais tarde que mais cedo, a regionalização virá, seja com uma região, como agora, seja com três, cinco, quatorze ou trinta e sete. Tantas quantas os mandantes deste nosso País, entenderem.
O que hoje me leva a escrever, é outra coisa. Para já, entendo eu, que a mais importante. Restituir ao Norte a sua real importância.
É por demais sabido que o Norte perdeu força, perdeu influência e até terá perdido o respeito de todo o restante País. Nós, os trabalhadores por excelência, o ganha pão de um País inteiro, somos hoje a zona mais pobre de Portugal, e uma das mais pobres da Europa. O respeito que antes tinham por nós, esfumou-se, e fazem da nossa região, gato-sapato. Basta ver o que os da capital nos tiram ou tiraram, sem se preocuparem connosco, sem se importarem com os prejuízos económicos que daí advieram. estou a falar, como é evidente, dos acontecimentos mais relevantes, como sejam o salão automóvel, o salão de moda e «aquelabebida air race», que do Porto, onde tinham um sucesso estrondoso, rumaram a Lisboa.
É preciso que as gentes portuguesas, mormente as gentes governamentais, saibam que estamos aqui, e que sabemos fazer valer os nossos direitos.
Para tal, é preciso afirmação e trabalho na defesa do que é nosso.
E no fundo, o que é que é nosso?
Nosso, são as nossas fábricas, os nossos produtos, as nossas casas, as nossas gentes, o nosso dinheiro.
E como poderemos nós, defender as nossas coisas? Consumindo-as, usando-as, incentivando os outros a fazerem o mesmo.
E é fácil, e não custa mais caro, e pode dar um gozo danado fazer as coisas do modo que eu faço.
Por isso, lanço esta campanha, para uma vida melhor, a Norte.
Como todos temos de comer e vestir e fazer férias e viver, sempre que possível faço da maneira que vos proponho. São oito medidas simples e fáceis de tomar.
. [Read more…]

E tudo o vento levou… há 70 anos

São cinco discos em DVD e edição em blue-ray pela primeira vez. É uma edição especial de “E Tudo o Vento Levou”, de Victor Fleming, que estreou nos cinemas há 70 anos. Mais de sete décadas só cimentaram o prestígio deste que é um dos grandes clássicos da sétima arte e, medidas as taxas de inflacção e correcção monetária, o mais rentável de sempre. Mesmo acima de Titanic.

gone-1512

Foi a 15 de Dezembro de 1939, que estreou em Atlanta, capital do estado norte-americano da Geórgia. Uma festa em grande, que faria corar de vergonha algumas das luxuosas ‘premieres’ dos dias de hoje. Foram três dias de festa e até um feriado estadual. Apesar do essencial da história se passar na Geórgia, quase todo o filme foi rodado na Califórnia.

Foi um sucesso de público e crítica. Ganhou dez Oscars, incluindo o de Melhor Filme, num recorde que durou 20 anos, até Ben-Hur, e continua a ser um dos 10 melhores filmes americanos de todos os tempos, segundo o American Film Institute.

[Read more…]

Sócrates vaiado no Alentejo

Uma vez fui com o PM inaugurar um centro de saúde em Extremoz, amplo, bem equipado, dos melhores que se construiram cá no país.

Antes da inauguração houve o costume, umas visitas para encher o olho, um almoço de encher a pança e vai devagarinho para te mostrares. O tipo que me acompanhava lá da região, fazia tudo para eu não ver, mas só não via quem não queria. O Alentejano é um povo digno, orgulhoso, estava a apanhar sol e assim ficava, nem um viva nem uma emoção.

Mas estes políticos acham que fazem um grande favor às gentes que visitam, se eles percebecem a alma deste povo, que eles tão maltratam, entenderiam que as palmas, quando as há, são as dos arregimentados, os da cor, foram de camioneta.

Só que hoje quem estava em Elvas eram os familiares dos soldados que iam jurar bandeira, queriam abraçar os entes queridos, estavam ali debaixo de chuva intensa, e o gajo fez-se fino e chegou com meia hora de atraso, por causa do mau tempo (explicou ele com um sorriso amarelo).

Pois é, senhor primeiro ministro, as pessoas vaiaram-no e bem, talvez para a próxima perceba que quem bate palmas tanto bate no Alentejo como em Freixo de Espada à Cinta, vão de camioneta, mas a maioria, no seu imenso saber, dizem para os seus botões: vá lá põe-te a milhas, não me tires o que não me podes dar!

Crónica de Basileia em imagens

Continuação daqui
237
Mercado de Natal
039
Servindo Vinho Quente (Gluhwein) no Mercado de Natal
042
Simpático grupo de suíços bebendo Vinho Quente (Glühwein) no Mercado de Natal
018
Rede de eléctricos rápidos no centro da cidade
[Read more…]

O homem não é o centro de nada

O homem não é o centro de nada e poderá não ser, tão pouco, o ser mais desenvolvido do planeta

 Todo o indivíduo está envolvido em sistemas de redes culturais e sociais que têm uma profunda influência no ser e no saber dos próprios indivíduos, criando identidades, visões do mundo e das coisas, convicções culturais e sentimentos muito diversos.

Na metafísica tradicional, todos os níveis “superiores” à matéria são realmente “metafísicos” isto é, estão para além da física e da matéria. Estes grandes pensamentos metafísicos constituíram estruturas interpretativas que os homens mais sábios foram dando às suas experiências mentais, também ditas espirituais.

 À medida que a evolução se desenvolve, novos horizontes são usados para recontextualizar e remodelar o saber, através dos resultados científicos das experiências modernas. Em minha opinião, todas as mentes racionais e lúcidas foram abandonando as interpretações metafísicas, por incongruentes e desnecessárias, e por não conseguirem uma aceitação perante o juízo do pensamento moderno. [Read more…]

Transparentemente opaco

O presidente do Tribunal Constitucional, Rui Moura Ramos, proibiu que as contas das campanhas eleitorais e anuais dos partidos políticos sejam publicamente divulgadas pela Entidade das Contas e Financiamentos Políticos.

Faltou apenas alegar que a medida se justifica a bem da transparência.

Opacamente transparente

Dilma Rousseff, a putativa sucessora de Lula da Silva, tem metido os pés pelas mãos na Cimeira de Copenhaga. O pior foi, no entanto, quando decidiu meter também as mãos pelos pés.

Na melhor das hipóteses foi uma gafe. Caso contrário, fugiu-lhe a boca para o que ela pensa ser verdade. Peça opinião ao seu psicanalista ou decida você mesmo.

O meio ambiente é uma ameaça ao desenvolvimento sustentável!!!

Ora, toma!

O padre apaixonou-se, e então?

Lá em Celorico toda a gente quer explicações do padre que se apaixonou por uma gaiata da terra. Mas que explicações?

Apaixonou-se, ponto, fez o que tinha a fazer, foi viver o seu amor que Cristo abençoa, não tem que dar explicações a ninguem. Olha , vi-a e fiquei como um bêbado à porta de uma taberna, sem saber se ía a sair se a entrar. Não é o que acontece a todos?

Qualquer daquelas pesssoas pode dar as explicações que espera do padre, a não ser que acreditem que o jovem padre falava todos os dias com o Senhor, o que lhe aconteceu com ele aconteceu com todos, é como um polícia vestido à paisana ao domingo, não sabe se mantem ou não a autoridade.

Querem saber como é que as pessoas se apaixonam? Isso queremos todos, a gente até se apaixona por pessoas que nunca viu, há lá explicações!

Mandem é rezar umas missas pela felicidade dos jovens, acolham-nos na vossa terra, exijam muitos meninos e ofereçam-se para padrinhos.

E, não esqueçam, naquela filosófica dúvida que nos traz os copos a mais, estamos sempre a entrar…

Vale do Tua como uma identidade própria

Nuno Castro Henriques, Presidente da direcção do IDP, apresenta o estudo “Tua Valley” que o instituto realizou sobre o Tua, um estudo que dá por adquirido que é necessário manter na totalidade a linha, porque ela é uma alavanca para o desenvolvimento da região.

Nesta apresentação efectuada a 17 de Janeiro de 2009 em Bragança num debate organizado pelo Movimento Civico da Linha do Tua, refere que um dos objectivos deste estudo e da sua eventual implementação é projectar o vale do Tua como uma identidade própria explorando património natural, produtos agrícolas e bens culturais já que “viajar no Vale do Tua é viajar na natureza da região e também na sua cultura“.

Refere ainda que as afinidades com outras terras do mediterrâneo que poderiam ser aproveitadas pelos autarcas de forma a criar uma rede maior de contactos.

Em relação ao projecto da construção da barragem, considera que “não há razões tecnológicas para continuar a investir num programa de barragens com tecnologia de 60 anos” e que o projecto “é um excelente negocio para a EDP mas um péssimo negócio para a região e para o país”.

Podem descarregar o programa directamente ou subscrever o podcast através deste link .
Duração Total: 19:07

O mistério de um inocente convite

O mistério de um inocente convite (suspense 7)

 Os testemunhos foram crescendo, crescendo, e foram sendo registados, um após outro. Havia necessidade de os tratar informaticamente, para elaborar uma conclusão que resultasse numa espécie de consenso que por sua vez levasse a uma acção e a uma estratégia comuns.

 Como a minha terceira mulher, terceira mais em termos extemporâneos do que cronológicos, tem imensas relações extra-conj…, perdão, intra-prisionais, conseguiu enviar toda a documentação para um amigo íntimo, que trabalha numa empresa encarregada da avaliação de professores, ligada ao ministério. Estragou tudo, porque a ex-ministra, desconfiada como era, pensou logo que havia por ali mão do Nogueira.

 Reconhecendo o fracasso, esse amigo íntimo valeu-se de uma amiga ligada à associação de mulheres desactivadas pelos maridos, por sua vez ligada a não sei quê de não sei quantos, dessas coisas que há para aí aos montes e que dão por nomes bestiais, criadas para a protecção do cidadãos e que não levam a lado nenhum. Uma porra!

 Então foi obrigada, por uma questão de coerência e lealdade, a dar uma conferência de imprensa, explicando o ponto da situação, calma e plausivelmente, a todos os jornalistas e a todas as senhoras suas correlegionárias nesta nobilíssima causa. [Read more…]

A máquina do tempo: o nosso coração também é árabe

Ouvimos aquí uma das «Cantigas de Santa María», do rei Afonso X de Leão e Castela (1252-1284) que, como sabemos utilizou na sua poesia o idioma galego-português. Este rei, embora tenha participado activamente na guerra da Reconquista, conservou na sua corte numerosos artistas, nomeadamente músicos mouros, dando assim um exemplo de tolerância para com os vencidos. Esta cantiga fala dos alarifes mudéjares, ou seja dos arquitectos e artífices mouros. Mudéjares eram os mouros aos quais foi permitido continuar a viver entre nós, mediante o pagamento de um tributo. Muitos deles eram artistas, cientistas, médicos… Afonso X, o Sábio, dedicou esta cantiga a esses artistas e artífices que embelezavam com a sua arte igrejas e palácios dos cristãos vencedores. [Read more…]

O Assis aprendiz…

O Assis, deputado que diz sempre três adjectivos que querem dizer o mesmo, para qualificar a ideia que quer transmitir, anda com a regionalização em bolandas. E repete, vezes sem conta, é preciso não ter pressa, sem atropelos, maturar a ideia…

Ora, o que é interessante, é que ele que acha que não deve haver pressa é o único que fala na regionalização. De um momento para o outro, num país onde as contas públicas estão numa situação dramática, em que a dívida externa já levou a que o “rating” do país desse um trabulhão, o desemprego cresce como em nenhum outro país, porque será que o grande Assis, não tem pressa com a regionalização ? Mas fala dela, uma e outra vez?

O nosso Fernando “felgueiras” Assis, bem quer lançar a ideia a ver se os tormentos desaparecem como por encanto, olha como é giro a gente falar da regionalização, do casamento gay, das “maiorias negativas”, interessa lá estarmos a “patinar” numa situação cada vez pior?

A regionalização não tem pressa, pois não, Fernando…

A babel de Paredes

Primeiro o espanto. Um mastro para uma bandeira custa um (1) milhão de euros? Depois leio melhor. Custa, pois. Mas nessa verba já está previsto um arranjo urbanístico numa área de três mil metros quadrados. Assim, tudo muda de figura.

Afinal, não se trata de um simples mastro para uma bandeira. É um monumento, garante o presidente da Câmara de Paredes, autor da ideia, que pretende assinalar os 100 anos da implantação da República.

Garantidamente este será um dos maiores mastros para bandeiras de todo o mundo. É quase tão alto quanto o monumento do Cristo-Rei, em Lisboa, tem mais 25 metros do que a Torre dos Clérigos, no Porto, e até é maior que o Big Ben, a famosa torre – relógio de Londres, que só mede 96 metros.

Para um mastro deste tamanho, está visto que a bandeira terá se ser à altura. Terá 25 por 16 metros. Imagino que o preço da bandeira já esteja no valor total a pagar.

E até parece que já vejo as romarias que se farão para ver este monumento. Ou talvez não, afinal deve ser visível de bem longe.

Como Se Fora Um Conto (ano de crise na venda de automóveis)

ANO DE CRISE NA VENDA DE AUTOMÓVEIS

Nos primeiros dias deste mês de Dezembro, há muito poucos portanto, resolvi trocar de carro. O que uso diariamente já é velho e está cansado, para além de ter começado a dar-me alguns problemas. Também não é de admirar, já que tem quase vinte anos e era a entrada da gama de um utilitário.

Pensei depressa e resolvi ainda mais depressa, tinha ouvido falar, em notícias na rádio, que até ao fim deste ano de 2009, várias marcas faziam descontos especiais para incrementar as vendas, a juntar à comparticipação do Estado na troca e abate de viaturas velhas.

Voltei a consultar as revistas da especialidade que semanalmente compro, vi quais as marcas e modelos que me poderiam interessar, e parti em busca do carro desejado.

Eu sei que há crise no comércio de automóveis. Toda a gente o sabe. Os representantes das marcas não se cansam de apresentar queixas pelas quebras nas vendas.

Eu sei que há necessidade de aumentar as vendas e o incentivo ao abate de carros com mais que um determinado número de anos é uma boa medida.

Também sei que esse incentivo, pelo menos para já, acaba, tendo no dia 31 de Dezembro o limite temporal. Depois, poderá voltar, mas só depois do Orçamento para 2010 ser votado e posto em prática.

Eu, que já fui durante muitos anos comerciante, muito embora num ramo totalmente diferente deste dos automóveis, sei que, se se espera um aumento das vendas num qualquer produto, se deve, atempadamente, prover o stock de quantidades suficientes.

Por todas estas razões, parti confiante para o primeiro stand, certo de que o carro que mais me interessava, lá estaria à minha espera, ávido de dono, e que seria recebido com música, flores, champanhe e passadeira vermelha.

A minha primeira escolha, que na realidade era a única na altura, era um Peugeot, modelo 207, na sua versão mais recente, 99g. Tinha um preço competitivo e a marca para além do valor do incentivo governamental, ainda oferecia mais um valor sensivelmente igual, pelo que o preço de tabela desceria consideravelmente. Como única exigência, eu não aceitaria que o carro fosse branco. [Read more…]

Acho bem, mas depois não se queixem

O artigo 1986 do Código de Direito Canónico estabelece a partir de agora que “é inválido o matrimónio entre duas pessoas, uma das quais baptizada pela Igreja Católica ou nela integrada e outra que não seja baptizada.”

Tem lógica. Que se case pela igreja quem é da igreja. Claro que assim menos gente se vai casar pela igreja (o número de casamentos civis em Portugal já ultrapassa  o número de casamentos religiosos), o que prejudica o negócio. Mas isso é problema deles, e há sempre generosas fontes de rendimentos, tipo Fátima.

Adenda: comentário de ASF, que dá outro tom à notícia:

Bastaram-me 15 minutos de pesquisa para perceber que isto não passou de uma peça de mau jornalismo do “i”

1. O Código Canónico (C. C.) já permitia o casamento entre uma pessoa baptizada e uma não baptizada antes desta modificação. Depois desta modificação continua a permiti-lo. São os chamados casamentos mistos (artigos 1124 e seguintes). A grande diferença relativamente ao casamento entre dois baptizados é que para se celebrar um casamento com um não baptizado tem de se obter autorização da Igreja.

2. Foram alterados três artigos (1086, 1117, 1124) relativos ao casamento entre uma pessoa baptizada e outra não baptizada. Mas as alterações dizem respeito a um pormenor relativo apenas às pessoas anteriormente ligadas à Igreja Católica e que se separaram da mesma através de um acto formal. O resto (basicamente, o que escrevi no ponto 1) mantém-se.

Conclusão: mais um exemplo de mau jornalismo; há que estar atento ao que se lê, mesmo se a notícia ataca a Igreja Católica…

http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/apost_letters/documents/hf_ben-xvi_apl_20091026_codex-iuris-canonici_it.html

A cultura também evolui

Este não é mais um post sobre Portugal vs Espanha, sobre o que um tem de bom ou o sobre o que outro tem de mau.

Mas permitam-me, ainda assim, fazer uma comparação directa entre estes dois países num aspecto tão simples quanto demonstrativo. Refiro-me a uma notícia de hoje do jornal El Mundo, onde se lê que Espanha irá descer o IVA de 16% para 4% nos livros electrónicos.

Por muito que quisesse evitar a confrontação, o meu subconsciente (ah, maldito!) rapidamente me fez aperceber que, felizmente para nuestros hermanos, no seu país há quem se preocupe verdadeiramente com a cultura e esteja atento aos seus meios de difusão mais recentes.

Por cá, onde a cultura é muitas vezes tratada mais como um fardo do que uma riqueza, resta-nos esperar que venha a ser adoptada uma medida semelhante. Até porque, estando Portugal tão virado (e bem) para as novas tecnologias, uma decisão deste género poderia ajudar a dinamizar um mercado praticamente inexistente no nosso país: precisamente, o dos livros electrónicos.

Obama e os bancos salvos da bancarrota

A gente nem acredita, mas a verdade é que há países que têm regras, onde se chamam os bois pelos nomes, se pedem responsabilidades e ajuda aos que entraram com os seus impostos, para salvarem bancos na bancarrota.

“Os bancos dos Estados Unidos receberam assistência extraordinária da parte dos contribuintes americanos para reconstruir a sua actividade e, agora que estão outra vez de pé, esperamos deles um compromisso extraordinário de apoio à economia”

Os banqueiros americanos, com as castanhas fora do lume, recuperados do risco de colapso, voltaram à conversa dos prémios e a querer travar a reforma do sistema regulatório do sector financeiro. Esta posições resultam do facto de o governo americano já ter cobrado grande parte das ajudas que concedeu, o que permitiu que os bancos recuperassem parte da sua autonomia habitual.

Nos argumentos do Presidente Americano, entra o facto incontroverso de que grande parte da culpa do que se passou deve ser assacada aos próprios bancos, pelo que é inaceitável que tudo volte ao mesmo e nenhuma, ou poucas lições, sejam retiradas.

E, basicamente, o que pede, para além do pagamento integral das ajudas que receberam? Que facilitem o crédito às Pequenas e Médias Empesas, para assim relançar a economia!

É parecido com a política cá do burgo, não é ?

A vida por um fio

Manila, Filipinas, 27 de Setembro. Chove há dias, graças ao furacão Ondoy. As ruas estão inundadas. A circulação é impossível mas há uma vida para fazer andar. Caminha-se como se pode. Uns pela rua, tentando pisar algo firme porque só a cabeça fica acima das águas. Outros preferem os fios da electricidade. O risco é um pouco menor que o que se pode pensar.

A electricidade foi cortada. Mas não se sabe quando regressa.

  manila

Esta imagem de Erik de Castro para a Reuters é uma das imagens do ano.

Salazar é mesmo o maior português de sempre

É fácil falar com amigos. É muito difícil falar deles. Criticar um amigo é difícil. Elogiá-lo é dificílimo.

Os amigos não são todos iguais: há aqueles de quem nos sentimos filhos, outros que despertam em nós uma espécie de instinto paternal, outros que são irmãos, outros ainda são vítimas ou carrascos de brincadeiras, nenhum deles menos amigo por isso.

Gosto das pessoas de quem gosto porque são humanas e apesar de serem humanas. Há, a propósito, uma frase que diz mais ou menos isto: apesar de conhecermos os nossos amigos, continuamos a gostar deles. Por isso, não vejo os amigos como heróis imaculados, à excepção de um que quase alcança esse estatuto.

Em quase todos os meus amigos vejo defeitos, alguns deles até irritantes. Devo, no entanto, confessar que desconheço defeitos nesse meu amigo. Aliás, posso dizer que tem tantas virtudes tão irritantes que chegam a ser os únicos defeitos que lhe encontro. Já sei que a sua sincera modéstia vai levá-lo a dizer que estive aqui a dizer disparates, mas terei de lhe perdoar, tal como ele me perdoará por estar a elogiá-lo.

Este meu amigo chama-se Rui Correia e tem a detestável mania de ser genuinamente bom em tudo o que faz. Não vou entrar em pormenores, mas sempre adianto que é professor e exerce essa profissão com a competência e a dedicação a que as suas qualidades como homem o obrigam. É professor de História na Escola Básica Integrada de Santo Onofre, nas Caldas da Rainha, é um daqueles professores que marca qualquer aluno que lhe passe pelas mãos, é um daqueles professores que vive absolutamente a escola em que trabalha, que fez parte de um conselho directivo que revolucionou a escola a ponto de ter sido considerada modelar por mais do que uma entidade, que esteve tão empenhado nesse trabalho executivo como empenhado esteve em não permanecer indefinidamente nesse lugar.

Também sei que a qualidade de uma escola não pode depender só das qualidades de uma pessoa e é evidente que as metas atingidas pela Escola de Santo Onofre se deveram a um conjunto de pessoas que a transformou naquilo que foi. No entanto, a verdade é que há indivíduos que fazem com que um grupo seja melhor e o Rui é um desses indivíduos. [Read more…]

Pode repetir em voz alta?

Esta é integralmente transcrita do Correio da Manhã. A notícia é vaga e muito sucinta, mas não deixa de ser curiosa.

Estudo britânico sobre produtividade

Limpeza mais útil do que a Banca

As empregadas de limpeza dos hospitais são muito mais úteis à sociedade do que, por exemplo, os banqueiros ou gestores, e por isso deveriam ter salários equiparados aos benefícios que trazem, afirma um estudo elaborado pela New Economics Foundation no Reino Unido. As funcionárias de limpeza criam uma riqueza de 11 euros por cada euro que ganham, ao passo que os banqueiros destroem 7,7 euros por cada euro que ganham.

Sem trabalho não há emprego

João César das Neves dixit:

(…) Os empregos primeiro criam-se, só depois podem ser ocupados. Muitos desempregados deveriam lançar o próprio negócio, sem acreditar na geração expontânea de tarefas. Trabalhar é ser útil, criar valor. O mal está na opinião pública, que começa por desprezar empresários e gestores, tratando-os como exploradores, parasitas ou pior. Depois, o Governo persegue-os com impostos, regulamentos e fiscalizações. No final, todos se surpreendem por faltarem postos de trabalho. (…)

(…) A quinta tolice é pensar que, porque o montante de trabalho é fixo, os empregados tiram empregos aos desocupados. Esta velha falácia é persistente, apesar de sempre negada. É trabalhando que se gera a necessidade de mais trabalho. Aqui não há partilha, mas crescimento. Ou queda se, em vez de aumentar o bolo, se lutar pela sua divisão.

Isto leva à estupidez suprema de considerar obsoletas e fora de prazo pessoas de certa idade, ainda com décadas de capacidade e eficácia à sua frente. Usar a reforma para promoção do emprego é um infame crime nacional, que estrangula empregos e paralisa a economia. (…)

PS : Aventado ao Blasfémias

No 5 Dias: o descaramento da indecência

Hitler & Stalin

Independentemente do juízo que possamos formar acerca do tipicamente italiano Berlusconi, existem limites que na política não podem nem devem ser ultrapassados. O bestial apelo à violência e desrespeito pela integridade física dos agentes políticos – sejam eles quem forem -, surge cada vez mais como apanágio de uma certa ideia de “liberdade” que pode num futuro não muito distante, virar-se contra os próprios promotores da agressão. Ainda há uns anos, aqueles que com gaudio sempre gostaram de exibir as chocantes imagens de Mussolini na Piazza del Loreto, indignaram-se com a execução dos Ceausescus ou de Saddam Hussein. Há um perceptível movimento pendular que a ninguém passa em claro, Berlusconis à parte.

No 5 Dias, há quem tenha perdido a vergonha e despudoradamente alinhe de forma aberta com os esquemas organizativos de Al Capone, Himmler ou da dupla Iezhov/Béria. Espancamentos à falta do morticínio puro e simples, eis a forma de ver a política sob o prisma dos caderninhos revolucionários que um Lenine tão bem aplicaria a muitos milhares que depressa chegariam a milhões. Não esqueceram nem aprenderam coisa alguma. Incrível.

E davam grandes passeios ao Domingo…

Em devido tempo e no local correcto, a caixa de comentários, já me pronunciei sobre este «post» do Tiago Mota Saraiva: acho vergonhoso que um Partido político, como é o caso do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu, ande a pagar viagens a bloggers para que eles possam visitar gratuitamente Bruxelas e possam ver, «in loco», como se vive bem na Europa.
Soube na altura, por fonte que me solicitou sigilo, que Fernanda Câncio também esteve presente nessa passeata, a par de outros que o assumiram, como Maria João Pires, também do Jugular, ou um tal de Paulo Pena. Não o revelei exactamente por causa desse pedido, mas agora que o Nuno Ramos de Almeida o tornou público, fui libertado do compromisso.
Não sei, nem me interessa, se o convite partiu de Rui Tavares ou de outro Deputado europeu do Bloco de Esquerda. Também não me interessa muito o súbito amor entre Fernanda Câncio e o Bloco. O que me interessa, isso sim, é que o meu dinheiro – sim, o meu e o de todos os contribuintes – seja desperdiçado por Partidos políticos que julgam que na Europa se pode gastar à tripa-forra. Nem que seja para convidar pessoas para darem grandes passeios ao Domingo – pessoas cujo interesse é completamente nulo para Portugal no contexto do Parlamento Europeu.
Um discurso, o do Bloco de Esquerda, que contrasta muito com a prática que acabamos de ver. Começo a pensar que, um dia no poder, o Bloco acabaria por ser mais do mesmo.

E agora… algo completamente absolutamente

Tua – Região vs País

Na sua intervenção no debate promovido pelo Movimento Cívico da Linha do Tua no passado dia 17 de Janeiro de 2009, João Branco da Quercus refere as diferentes incoerências entre o que se tem dito e escrito sobre o projecto da barragem de Foz Tua e o que tem sido feito.

Aponta nomeadamente a questão de o próprio Estudo de Impacto Ambiental referir que “os impactos socio-económicos para a regiao são muito negativos”, e questiona a valia do facto de a barragem ter um impacto positivo a nível nacional ser tão considerado na medida em que “o distrito de Bragança é uma das regiões mais pobres de Portugal e uma das mais pobres da Europa”.

Destaca ainda a importância que uma ligação do Douro a Puebla de Sanabria poderia ter no desenvolvimento de Turismo da Natureza associado ao Parque de Montesinho e numa óptica de complementaridade da oferta turística do vale do Douro.

Podem descarregar o programa directamente ou subscrever o podcast através deste link .
Duração Total: 08.10

A máquina do tempo: as papoilas afegãs e a liquidez do sistema financeiro internacional

Uma notícia destes últimos dias é a declaração, em entrevista ao diário britânico «Observer», do italiano Antonio Maria Costa, máximo responsável na ONU pelo combate ao crime e ao tráfico de droga, que nos vem garantir que o sistema financeiro internacional se salvou do colapso total devido a dinheiro proveniente do narcotráfico – «Os empréstimos interbancários foram financiados por dinheiro vindo do tráfico de droga e de outras actividades ilegais» (…)«Em muitos casos, o dinheiro da droga era a única liquidez disponível. Na segunda metade de 2008, a falta de liquidez era o maior problema do sistema bancário. Ter liquidez em capital, tornou-se num importantíssimo factor». [Read more…]

O empresário – criador de riqueza

Hoje, em vez de uns senhores muito importantes que nunca criaram um só posto de trabalho, o Prós e Contras trouxe-nos a voz de alguns empresários. A sua experiência, o seu entusiasmo a sua dedicação, o seu amor ao risco.

Desfilaram à nossa frente velhos e novos mas todos eles irmanados de uma vontade férrea de vencer, sem esmolas do Estado e sem negócios ultra escuros. A única coisa que precisam do governo é que não os asfixie com impostos, com legislação que parece dirigida a um qualquer inimigo.

Actividades há muito conhecidas são inovadas, transformadas em negócios que ultrapassam em muito as fronteiras, competem em mercados altamente competitivos e saem vencedores.

Esta gente empreendedora não pode ser confundida com os senhores muito importantes que vegetam e enriquecem nas empesas públicas, nos grupos económicos do regime, vivendo à mesa do orçamento e à custa de negócios preparados e lançados pelo Estado.

Nenhum de nós ouviu alguma vez falar deles, porque são gente de trabalho, precisam de inovar, vender, facturar e pagar salários, não fazem greves nem deslocalizações, não entram em “furacões”, nem recebem visitas de ministros e os jornalistas andam às voltas com uma qualquer Galp monopolista.

Por isso, quando temos ensejo de os conhecer, devemos saudá-los a eles e a todos quantos trabalham longe dos holofotes das notícias, criando postos de trabalho e riqueza.

E rezar para que um dia, um qualquer político, não se lembre deles…

Confissões de uma cobaia

A descoberta confirmou-se no dia em que cumpri 15 anos. Os exames médicos, cada vez mais minuciosos, arrastavam-se há meses e, embora nenhuma explicação me fosse dada, não era difícil de prever que em breve chegariam à conclusão que perseguiam.

Nas semanas anteriores, a presença das silenciosas criaturas de bata branca tinha-se tornado habitual. Circulavam pela casa sem qualquer espécie de controlo, a ponto de se ter tornado perfeitamente banal que eu despertasse a meio da noite com uma dessas criaturas à cabeceira da minha cama, a aplicar-me eléctrodos na testa de forma a estudar-me os padrões de sono.

E assim, no dia em que cumpri 15 anos, os meus pais sentaram-se comigo na sala de jantar para anunciar-me que eu estava nas mãos de uma equipa de especialistas no estudo da resposta sensitiva à estimulação neuronal, e que havia sido escolhido, de entre um grupo alargado de adolescentes, como objecto central de estudo. Contaram-me com evidente orgulho que me aguardava uma existência notável. Seria uma celebridade e as gerações vindouras teriam a agradecer-me o contributo inestimável para os avanços científicos que transformariam a humanidade. [Read more…]