um dia destes não precisamos de professores !
No meu tempo de aluno a filosofia de quem ensinava era esta: “Numa má educação o educando nunca tem a culpa” . Isto além de ser verdade ( o aluno é a parte passiva do acto de ensinar) mostrava uma grande generosidade por parte dos professores, assumiam a sua responsabilidade de profissionais, e por isso eram profundamente respeitados e socialmente valorizados.
Agora, é o contrário disto tudo. O que temos são os professores, arregimentados por sindicatos ideologicamente muito bem definidos, que co-governam a educação há 30 anos. É preciso ter coragem para dizer. Os sindicatos comunistas a quem o povo português nunca deu mais que 8% em eleições democráticas, governam, juntamente com a classe política a educação, e são tão responsáveis pelo estado a que chegou a escola como os sucessivos governos.
Mas o que na verdade me preocupa não é aquela evidência, bem pior é admitir que os professores não têm culpas, isso seria passar-lhes o maior atestado de incompetência. É como dizer, na verdade estares na escola ou não estares é a mesma coisa! Não se nota, não vales nada, o teu trabalho não tem consequências. Ora isto é falso, porque o trabalho do professor é determinante na qualidade do ensino. Mas só pode ser positivamente determinante se o professor reinvindicar para si próprio a responsabilidade que a sua função exige. Não é o que se vê . As reinvindicações não passam do ganhar mais, de chegarem todos ao topo da carreira, de não aceitarem a avaliação, de não terem responsabilidades.
Se não concorrem para a resolução dos problemas esperam que a escola mude ? É por ganharem mais que os alunos passam a ser melhores? É por chegarem todos ao topo da carreira que iremos ter alunos competentes? Eu que não sou professor e que pago esta merda toda, vou estar a favor dos professores e dos sindicatos porquê?
Afinal o argumentário é igual ao dos politicos: o mal está no povo! Mude-se!
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#1 por José Luiz Sarmento em 14 de Março de 2010 - 1:04
Essa história de os resultados do ensino serem bons ou maus faz-me lembrar uma pergunta que eu costumava fazer aos meus alunos quando os queria iniciar nos rudimentos do pensamento crítico. Perguntava-lhes eu:
“O que acham que é mais eficaz? Uma aspirina ou um martelo?”
A resposta era quase sempre que a pergunta não fazia sentido. Um martelo serve para uma coisa, uma aspirina para outra.
E eu retorquia:
“Pois é. Se o objectivo for pregar um prego, o martelo é mais eficaz. Se é aliviar uma dor de cabeça, então é mais aconselhável optar pela aspirina. Uma coisa só pode ser eficaz em relação a um propósito definido; e esse propósito só pode ser definido por referência a uma necessidade ou a um desejo humano.”
E concluía:
“Nunca acreditem em quem vos falar em eficácia em abstracto, nem em quem vos disser que uma coisa é boa ou má sem vos dizer por que que critério. Quem vos falar assim, seja professor, político, economista ou jornalista, estará com certeza a tentar enganar-vos.”
Os resultados escolares podem ser muito maus em relação ao que o senso comum espera deles. Mas isso não impede que sejam óptimos, maravilhosos até, do ponto de vista de certas agendas políticas e/ou de certas ideologias pedagógicas.
E pode crer: a esmagadora maioria dos professores que conheço – e conheço muitas centenas – não partilha nem destas agendas, nem destas ideologias. Estão muito mais do lado do senso comum, ou melhor, do bom senso. Porque se bom senso e senso comum fossem a mesma coisa, os professores não seriam tão atacados como são.
#2 por Luís Moreira em 14 de Março de 2010 - 1:23
Essa questão está há muitos anos resolvida, O José Luiz diz isso porque é o que acontece nas escolas. Não há objectivos definidos, processos de ensino consagrados, métodos de avaliação acordados e conhecidos por todos. Nada impede que eu de manhá ao chegar vá fazer o contrário de outro professor que, à mesma hora, esteja a dar a mesma disciplina. Até nos hospitais ( mil vezes mais complexos que uma escola) há protocolos de actuação em relação aos multiplos cenários que mudam todos os dias. Na escola o universo de utentes é estável, não há surpresas. Compare com o que acontece num hospital, ou numa fábrica…
#3 por Luís Moreira em 14 de Março de 2010 - 1:23
Essa questão está há muitos anos resolvida, O José Luiz diz isso porque é o que acontece nas escolas. Não há objectivos definidos, processos de ensino consagrados, métodos de avaliação acordados e conhecidos por todos. Nada impede que eu de manhá ao chegar vá fazer o contrário de outro professor que, à mesma hora, esteja a dar a mesma disciplina. Até nos hospitais ( mil vezes mais complexos que uma escola) há protocolos de actuação em relação aos multiplos cenários que mudam todos os dias. Na escola o universo de utentes é estável, não há surpresas. Compare com o que acontece num hospital, ou numa fábrica…
#4 por João José Cardoso em 14 de Março de 2010 - 1:26
Claro, hospitais, fábricas, escolas, é tudo a mesma coisa.
Nas escolas suponho que a ideia é fabricar autómatos, e realmente aí fazem falta os protocolos.
#5 por Luís Moreira em 14 de Março de 2010 - 3:02
Dizer que a escola não é governável é uma idiotice sem nome.
#6 por henrique em 14 de Março de 2010 - 9:07
Caro JJC, já leu o meu Manifesto Robotista? Ver aqui: http://inerte.horabsurda.org/?page_id=4965 o download é gratuito.
#7 por henrique em 14 de Março de 2010 - 9:13
Recebi resposta do Luís Moreira por email dizendo que as melhores notas eram de escolas privadas, logo, o ensino privado é melhor. Santa ignorância! Então se as médias são idênticas e as melhores notas são do privado, haverá muito mais escolas abaixo da média no privado do que no público. Digamos, e isso é de esperar aliás, que o ensino privado é para as classes mais altas e muito mais baixas, havendo no público principalmente classe média e remediada, daí que a distribuição das notas no público seja mais “normal”.
#8 por henrique em 14 de Março de 2010 - 9:18
E digo mais: os professores públicos e privados são da mesma massa, mas os do privado dariam tudo para mudar para o público onde têm melhores condições de emprego. E uma grande parte dos professores do privado são professores do público em acumulação. Logo, como explicar melhores resultados com piores professores?
#9 por henrique em 14 de Março de 2010 - 10:06
Primeiro, o Estado não obriga ninguém a colocar os seus filhos na escola pública. Isso é falso! Quem quiser pode pôr o seu filho numa escola privada. Não poder pagar é outra coisa. Mas se é o Estado que vai pagar esse luxo, deve então pagar a todos. Mas se pagar a todos, o público desaparece. Porque se o privado for pago pelo Estado, todos vão querer pôs os seus filhos no privado, pois claro. É mais fino ter o meu filho na mesma escola onde andaram os do Belmiro Azevedo. Mas será que o Belmiro não se aproveitou do Estado também?
#10 por Luís Moreira em 14 de Março de 2010 - 12:52
Henrique, não se preocupe com as minhas opções. Eu e todos os portugueses temos o direito de escolher o que queremos para os nossos filhos.
#11 por Luís Moreira em 14 de Março de 2010 - 12:54
Pois são a diferença é que uns ganham segundo o mérito e outros basta ficarem sentados à espera da progressão na carreira.São da mesma, é isso mesmo, Henrique…
#12 por Luís Moreira em 14 de Março de 2010 - 12:55
Nos hospitais depois arranjam as peças, deve ser isso henrique, nos hospitais não tratam de seres humanos…