Sou insuspeito para falar em defesa de José Sócrates, por tudo aquilo que já escrevi nesta casa. E não estou interessado em ocupar o lugar anunciado para blogger que defenda o Primeiro Ministro.
Não gosto é de rir quando me fazem de parvo.
O que aconteceu ontem na apresentação da Estratégia Nacional para a Energia até 2020, o Primeiro-Ministro ser apresentado como “José Trocas-te” não foi uma gaffe: foi um claro achincalhamento de uma figura do Estado.
Não importa se gostamos ou não das pessoas. Eu próprio não gosto nem do estilo nem do conteúdo político do Primeiro-Ministro. Não posso é aceitar que alguém ache que tem o direito de numa sessão oficial gozar descaradamente o Chefe de Governo e vir dizer que foi um engano.
Não foi um engano, obviamente. Basta ouvir a solenidade e a firmeza com que foi dito.
Acho de muito mau tom aplaudir-se um acto de ridicularização pública, num acto oficial, de uma figura do Estado. Não reconheço tal direito a locutor algum, não importa o visado. E não aceito, porque se vive em democracia, e quem lá está não subiu ao poder por nenhum golpe de Estado, nem usurpou o poder. Foi eleito. Ou melhor, foi reeleito. E duvido que neste momento, alguém queira tomar o barco da governação.
Há momentos para tudo: um acto oficial não é sítio ou momento apropriado para um qualquer locutor se armar em esperto, quando foi pago para fazer um trabalho que deve ser feito com competência e seriedade. Se quer fazer comédia, que mude de ramo.
Quero ver se um dia alguém vai achar a mesma graça quando o mesmo acontecer a quem se respeita ou estima. O mal é estas coisas começarem e, ainda por cima, serem aplaudidas. É que quando se começa a baixar de nível, perde-se legitimidade para se demandar por respeito.
ADENDA: acreditando na versão apresentada aqui, sou a considerar que existiu efectivamente uma gaffe, e lamento as invocadas razões pessoais e emotivas da mesma.
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#1 por Ricardo Santos Pinto em 17 de Março de 2010 - 18:35
«Não está nada provado». Eh eh, essa costuma ser a defesa dos socratistas.
Olha, em relação ao Pinto da Costa também não está nada provado. Ganhou sempre em Tribunal. E no entanto…
#2 por Carlos Loures em 17 de Março de 2010 - 18:51
E, no entanto, eu continuo a preferir usar argumetos políiticos e não o lixo, real ou não, da vida privada dele. Quanto ao Pinto da costa, está tudo provado – ouçam-se as escutas. Porém, estas não foram autorizadas. É absolvido por erros processuais da acusação. E, nesse caso, as questões pessoais não contam; só as que têm a ver com irregularidades desportivas.
#3 por Fernando em 17 de Março de 2010 - 19:28
Assim mesmo é que é bonito, presunção de inocência para todos menos para a hipótese de gafe. Concordo com o autor do comentário 2 mas acho que ele anda a perder tempo a discutir com esta gente. Agora é tudo de propósito ninguém se engana. Anda tudo doido.
#4 por João José Cardoso em 17 de Março de 2010 - 21:22
Afinal foi mesmo gaffe, e justificada
http://tinyurl.com/yfph9x8
#5 por Pedro em 17 de Março de 2010 - 22:18
Gaffe? Não, foi propositado, então não se vê logo? Propositado é a hipótese mais simples e lógica, gaffe é uma hipótese absurda e rebuscada. Não se está mesmo a ver?
#6 por Ricardo Santos Pinto em 18 de Março de 2010 - 1:28
Não, Carlos, segundo a tua lógica nada está provado. Porque só fica provado se o Tribunal der como provado, algo que não aconteceu. E desculpa lá, mas o processo Face Oculta, onde tudo está bem provado – basta ler as escutas – é tudo menos privado.
Ou só funciona para o Pinto da Costa? Que coerência!