A pseudo-gaffe “José Trocas-te”

Colocado por J. Mário Teixeira em 17 de Março de 2010


Sou insuspeito para falar em defesa de José Sócrates, por tudo aquilo que já escrevi nesta casa. E não estou interessado em ocupar o lugar anunciado para blogger que defenda o Primeiro Ministro.

Não gosto é de rir quando me fazem de parvo.

O que aconteceu ontem na apresentação da Estratégia Nacional para a Energia até 2020, o Primeiro-Ministro ser apresentado como “José Trocas-te” não foi uma gaffe: foi um claro achincalhamento de uma figura do Estado.

Não importa se gostamos ou não das pessoas. Eu próprio não gosto nem do estilo nem do conteúdo político do Primeiro-Ministro. Não posso é aceitar que alguém ache que tem o direito de numa sessão oficial gozar descaradamente o Chefe de Governo e vir dizer que foi um engano.

Não foi um engano, obviamente. Basta ouvir a solenidade e a firmeza com que foi dito.

Acho de muito mau tom aplaudir-se um acto de ridicularização pública, num acto oficial, de uma figura do Estado. Não reconheço tal direito a locutor algum, não importa o visado. E não aceito, porque se vive em democracia, e quem lá está não subiu ao poder por nenhum golpe de Estado, nem usurpou o poder. Foi eleito. Ou melhor, foi reeleito. E duvido que neste momento, alguém queira tomar o barco da governação.

Há momentos para tudo: um acto oficial não é sítio ou momento apropriado para um qualquer locutor se armar em esperto, quando foi pago para fazer um trabalho que deve ser feito com competência e seriedade. Se quer fazer comédia, que mude de ramo.

Quero ver se um dia alguém vai achar a mesma graça quando o mesmo acontecer a quem se respeita ou estima. O mal é estas coisas começarem e, ainda por cima, serem aplaudidas. É que quando se começa a baixar de nível, perde-se legitimidade para se demandar por respeito.

ADENDA: acreditando na versão apresentada aqui, sou a considerar que existiu efectivamente uma gaffe, e lamento as invocadas razões pessoais e emotivas da mesma.

481 Leituras

, ,

Se gostou deste artigo subscreva o nosso Feed RSS

  1. #1 por Ricardo Santos Pinto em 17 de Março de 2010 - 18:35

    «Não está nada provado». Eh eh, essa costuma ser a defesa dos socratistas.
    Olha, em relação ao Pinto da Costa também não está nada provado. Ganhou sempre em Tribunal. E no entanto…

  2. #2 por Carlos Loures em 17 de Março de 2010 - 18:51

    E, no entanto, eu continuo a preferir usar argumetos políiticos e não o lixo, real ou não, da vida privada dele. Quanto ao Pinto da costa, está tudo provado – ouçam-se as escutas. Porém, estas não foram autorizadas. É absolvido por erros processuais da acusação. E, nesse caso, as questões pessoais não contam; só as que têm a ver com irregularidades desportivas.

  3. #3 por Fernando em 17 de Março de 2010 - 19:28

    Assim mesmo é que é bonito, presunção de inocência para todos menos para a hipótese de gafe. Concordo com o autor do comentário 2 mas acho que ele anda a perder tempo a discutir com esta gente. Agora é tudo de propósito ninguém se engana. Anda tudo doido.

  4. #4 por João José Cardoso em 17 de Março de 2010 - 21:22

    Afinal foi mesmo gaffe, e justificada

    http://tinyurl.com/yfph9x8

  5. #5 por Pedro em 17 de Março de 2010 - 22:18

    Gaffe? Não, foi propositado, então não se vê logo? Propositado é a hipótese mais simples e lógica, gaffe é uma hipótese absurda e rebuscada. Não se está mesmo a ver?

  6. #6 por Ricardo Santos Pinto em 18 de Março de 2010 - 1:28

    Não, Carlos, segundo a tua lógica nada está provado. Porque só fica provado se o Tribunal der como provado, algo que não aconteceu. E desculpa lá, mas o processo Face Oculta, onde tudo está bem provado – basta ler as escutas – é tudo menos privado.
    Ou só funciona para o Pinto da Costa? Que coerência!

(não será publicado)