Diz-se que há grande possibilidade de o Governo cair

ἄνδρα μοι ἔννεπε, μοῦσα, πολύτροπον, ὃς μάλα πολλὰ πλάγχθη, ἐπεὶ Τροίης ἱερὸν πτολίεθρον ἔπερσεν
Hom. Od. 1.1

***

Um apontamento da actualidade leva-me a revisitar tema que, como sabeis, ou sabereis, me agrada particularmente discutir. Não, não estou a falar do AO90. Refiro-me a este “do governo [sic] cair”.

 

A regra que proíbe contracções na presença de um infinitivo pessoal é aparentemente simples de aprender. Em suma, é incorrecto o recurso à contracção de preposição com artigo ou pronome, quando estes iniciam uma oração infinitiva. Por exemplo, na presença de um infinitivo pessoal, os imaginados dos, das, dele, dela, deles, etc., são efectivamente de os, de as, de ele, de ela, de eles, etc..

Vejamos três casos concretos: [Read more…]

Retrospectiva e uma nótula explicativa

With an eye toward future replication and extension studies, we address a range of conceptual and methodological issues that scholars should further elaborate, expand, and refine.
— Saito et al. (2022)

***

A confeção não existe no Brasil. Basta perguntar-lhe, a ele, ao Vocabulário da ABL:

E a confecção?

A confecção existe no Brasil.

No entanto, onde se adopta a escrita em português europeu, por causa daquele “critério fonético (ou da pronúncia)”, inventado em cima do joelho e aplicado às três pancadas, acontece exactamente o contrário, pois debalde procuramos confecção em dicionários com AO90.

Encontramos apenas nos dicionários em português europeu de qualidade, ou seja, sem AO90: [Read more…]

Eu não pagaria taxas destas

Furthermore, most people within the top 1 percent are what Leona Helmsley called “little people,” as in “Only the little people pay taxes.” The ultra-rich — the 0.1 percent, the 0.01 percent, the 0.00001 percent — pay much lower tax rates than the merely rich.
Paul Krugman

***

A fiscalidade leva-me a regressar ao excelente Krugman.

Perante esta publicação no Diário da República, quem paga as “novas taxas para a freguesia” deve protestar e recusar-se a pagar e quem cobrou essas taxas deve devolver o valor e exigir a respectiva correcção. Além disso, repare-se que estas “novas taxas para a freguesia”, no singular, poderiam ser “nova taxa para a freguesia”, sim, mas também “nova taxa pára a freguesia” — adiante.

Efectivamente, há muitas ocorrências afins no sítio do costume e ninguém se mexe: nem a autoridade (desautorizada desde que o “agora facto é igual a fato (de roupa)” veio à tona), nem quem, na presença de *fatos, cobra e paga as tais “novas taxas”. Sendo verdade que ficar especado a especular é uma prática indígena — e um interessante caso grafofonémico — a história do espetador a espetar descansa-nos quanto à norma a seguir: a de 1945/73.

Exactamente.

Por outro lado e mudando de assunto, estivera eu em Nova Iorque e teria ido ver este fabuloso Knicks–Celtics.

Neste instantâneo da partida, vemos os meus dois jogadores predilectos da NBA da actualidade: Jalen Brunson (com a bola) e o inconfundível Neemias Queta (para completar o ramalhete, à direita, temos Towns e White).

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

***

Efectivamente, não pára

A *redação, também *março, depois *afeta, mas não pára. Não pára? Duas vezes? Sim, pára. Exactamente.

Uma óptima segunda-feira, graças à RTP

O progresso ortográfico português

I don’t trust him one iota.
Cycling Mikey

Streets and shoesAvenues
Jim Morrison

… indicating that Chinese would face perceptual difficulties in these sounds.
–Zhang & Liao (2023)

***

Prestes a terminar 2025, feito o ponto da situação orçamental, quer aqui, quer no Público, convém responder a duas perguntas:

  1. Em termos de montra, o problema esgota-se no OE, na CGE e no DR?
  2. Porque é que Objetivamente é uma coleção da Objectiva?

Começando pela primeira pergunta, responda-se não. Pessoa muito chegada pediu-me recentemente informações sobre as alterações da lei laboral. Remeti-a para sindicalista de conhecimento comum. O documento encontra-se aqui (pdf) e aquilo que nele se lê justifica o não ainda agora indicado.

Repare-se naquela inspectiva

e nestes respectivos

Acordo Ortográfico de 1990? Para quê?

Portanto, não.

No que diz respeito à segunda pergunta, a resposta é [Read more…]

Efectivamente, de facção

Não é a primeira vez que a excelente facção surge no jornal que, irresponsavelmente, há uns anos, anunciou a poupança de letras. Os meus agradecimentos a Marques Mendes e a António Filipe por terem estimulado estas facções.

Efectivamente, o Acordo Ortográfico de 1990 não é adoptado

Efectivamente.

Recordando:

Exactamente.

Houve um fato que determinou a transmissão

Hikaru strikes at the center, with c5, following the general rule: if there’s a move on the flank, you strike in the center.
Daniel Naroditsky (1995-2025)

Ne mettons pas la morue avant les boeufs, comme on dit par ici.
Astérix

***

Antes de 2012, nenhum fato determinaria qualquer transmissão. Essa impossibilidade de fatos determinarem transmissões era um dado adquirido. Todavia, a cegueira ortográfica e a aversão a pareceres levou a que, comme si de rien n’était, nos aparecesse isto:

Quando?

Hoje.

Onde?

No sítio do costume.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

***

David Bell (1959-2025)

Receção e recepção: a aproximação ortográfica

Consultar o magnífico Dicionário de Luís de Camões é um prazer e um sofrimento, além de uma necessidade. O sofrimento deve-se ao facto de estar contaminado pelo chamado acordo ortográfico (AO90).

Entrar na letra R acaba por nos proporcionar um divertimento amargo.

Encontramos aí vários verbetes dedicados à recepção da obra de Camões em diferentes países.

Os textos escritos por estudiosos portugueses começam pela palavra-coisa “Receção”. Já o brasileiro Gilberto Mendonça Teles assina o verbete “Recepção de Camões na Literatura Brasileira”.

O chamado acordo ortográfico, se bem se lembram, servia para exterminar ou esbater as diferenças ortográficas.

Refaçamos uma síntese. Com o AO90:

1 – palavras com diferentes grafias passaram a escrever-se da mesma maneira;

2 – palavras com diferentes grafias mantiveram diferentes grafias;

3 – palavras com a mesma grafia passaram a escrever-se de maneira diferente (como é o caso de receção, em Portugal, e recepção, no Brasil);

4 – apareceram duplas grafias quando só havia uma (nós, portugueses, por exemplo, podemos escrever “expetativas” e “expectativas”).

Sobre o primeiro ponto, muito haverá a dizer, mas os outros três deixam tudo dito acerca da comédia que é o AO90.

Marchesín & colegas estão decepcionados e isso é óptimo

Por dois motivos:

1-Significa que o Boca não ganhou ao Benfica.

2-Quer dizer que não estão *dececionados — e não estar *dececionado é espectacular.

Marchesín & colegas estarem decepcionados indica-nos igualmente que o jornal A Bola efectivamente continua a não adoptar o AO90, mesmo sem a tal manifesta apatia disfarçada de resistência silenciosa. Mas isso, pois, já sabemos há imenso tempo.

Intersetado não é gralha

A ocorrência de intersetado deveria preocupar muita gente. Pior: a co-ocorrência no mesmo texto de intersetado e intersetaram demonstra coerência e anula a habitual desculpa de mau pagador da gralha. Evidentemente, os suspeitos do costume continuam a assobiar para o lado. Isto acontecia antes do AO90? Não, não acontecia. E acontece porquê? Porque interceptado>intercetado>intersetado é muito simples e interceptado>intersetado uma improbabilidade, para não arriscar uma impossibilidade.

O teor da notícia merece comentários, sim, mas hoje é domingo.

PS: Obrigado, Manuel Araújo, pelo alerta.

Explique-se a Augusto Santos Silva o seguinte:

Progressão rima com expressão e com exceção.

Não sei se era essa a intenção.

A composição do novo Parlamento é uma má notícia para todas as forças políticas, com exceção da extrema-direita. Especialmente má para o PS, o que, só por si, deveria preocupar os democratas e as forças económicas e sociais responsáveis. Mas a expressão quase residual obtida pelos partidos mais à esquerda e a não-progressão da IL num contexto de forte crescimento à direita são também sinais de alerta.

Augusto Santos Silva

Afinal de contas, é um fato ou um facto?

Exactamente.

Moro na Bélgica há imensos anos e, garanto-vos, nunca tive contatos sociais

Obrigado, A Bola.

A resistência silenciosa, pois, pois.

Ninguém pára o Benfica (efectivamente)

Efectivamente, ninguém pára o Benfica. Isso é bom. E não é de agora. Também é bom saber-se que esta é a imagem clara da adopção do Acordo Ortográfico de 1990. Convém que alguém pare com isto.

Independentemente da propaganda, a ruptura prova que o jornal A Bola não adopta o Acordo Ortográfico de 1990

Exactamente. Efectivamente. Independentemente da propaganda e apesar da alegada resistência silenciosa, a ruptura não engana.

O Diário da República em 2024: três momentos

‘Wait a minute, before you answer… You saw that fat man.’
‘Yes.’
‘His name is Mel. He’s from California. I don’t know his real name, but he calls himself Mel. I happen to know that in Detroit his name is Hennessy’
‘ You know him , then.’
— Arthur Miller, Focus

***

Chegados a 2025, reflictamos acerca destes três momentos ocorridos em 2024.

Comecemos pelo momento isto não são gralhas, senhores:

Passemos agora ao momento isto é grave, gravíssimo:

Terminemos, pois, com um momento isto é velho e relho, sim (cf. p. 7 deste pdf), mas continua tudo como dantes:

Até breve.

***

Notícia Aventar: o Record não adopta o Acordo Ortográfico de 1990

Just loosen him up,
And make him feel bright.
I think that’s all right.
Now add lemonade…
Sid

***

Não é novidade, mas há sempre quem passe ao lado destas coisas — por exemplo, quem escreve “agora facto é igual a fato (de roupa)” e afins. Se hoje fosse sexta-feira, desejar-vos-ia um óptimo fim-de-semana, com os respectivos hífenes. Mas hoje, como sabereis, não é sexta-feira. Os meus agradecimentos ao excelente Manuel M., obviamente, pela aquisição deste precioso exemplo de ortografia.

***

One Diretion?

It’s very boring.
Sam Shepard

***

Não é novidade — pelo menos, para quem anda atento àquilo que efectivamente se passa –, mas a notícia da morte de Liam Payne veio dinamizar o fenómeno.

No fim destas linhas, encontrareis uns fragmentos, recolhidos na CNN Portugal e Euronews.

Note-se que não há nestas notícias qualquer registo de Direction. Há uma ocorrência de Directioner (“ser um Directioner era isso para mim”) — e é tudo.

Note-se.

Além dos One Diretion, também temos o xis fator, também conhecido como X-Fator.

Conheceis?

Ide ao fim destas linhas.

Já agora, se quiserdes qualquer informação adicional, já sabeis, podereis obtê-la junto do Recrutamento da Unidade de Assuntos Jurídicos de Recursos Humanos, através, obviamente, de contato.

Assim vai a ortografia em português europeu.

Agora, os fragmentos: [Read more…]

O dia 12 de Setembro de 2024 será recordado

In categorical perception, discrimination of sounds across a category boundary is easier than discrimination of sounds within a category.
— Boersma & Chládková (2013) (pdf)

***

Efectivamente, o dia 12 de Setembro é um dia importante, como são especialmente importantes todos os dias desde 1 de Janeiro de 2012. Qualquer dia, disse isto há uns tempos,  o contato e o fato serão a norma europeia — ou aceites na norma europeia, a par do facto e do contacto, ao abrigo das facultatividades e a reboque do erro, patrocinado (nomeadamente) por quem um dia escreveu “agora facto é igual a fato (de roupa)” e justificado (temo o pior) pela frequência de uso. Já dizia o outro: Quia parvus error in principio magnus est in fine.

Fica o apanhado de hoje. [Read more…]

Fumos, ruídos e outros fatos semelhantes

Mantenho aquilo que é o meu direito ao silêncio.
António Lacerda Sales

Pelas razões que já referi, não tenho nada a responder.
Nuno Rebelo de Sousa

***

Há deputados incomodados com os silêncios de Lacerda Sales e de Rebelo de Sousa. Todavia, não vejo qualquer deputado incomodado com o permanente silêncio de quem escreveu “agora facto é igual a fato (de roupa)“. É silêncio antigo, mas sem referir razões. No entanto, aparentemente, não incomoda.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

***

O novo álbum de Lenny Kravitz

Ça posera un problème pour la Grèce parce que ça n’a pas très bien marché.
— Michel Foucault (2019: 201)

***

O actual primeiro-ministro de Portugal, na ausência de comentários de antigos primeiros-ministros desse mesmo país, deveria perder alguns (poucos) minutos a reflectir acerca destes fenómenos: os One Diretion, os Artic Monkeys e o novo álbum de Lenny Kravitz (Blue Eletric Light). Poderia acrescentar os fator issues, mas são contas de outro rosário

É um problema para Portugal, mas a vista grossa, pelos vistos, é feitio. Exactly. Or should I spell exatly? Mon cœur balance.

Primeira nótula: Hoje, por mero acaso (informático), fui obrigado a estar em casa durante a hora do almoço. Resolvido o problema (e terminada a refeição), liguei o televisor na RTP Internacional, em vez de ir espreitar, alhures, aquilo que se passava no Croácia-Albânia. Ainda bem.

Segunda nótula:  Há pouquíssimas horas, para curar um ataque de saudade, pus-me a ouvir o Buddha of Suburbia, do David Bowie, mas na versão feat. Lenny Kravitz… Efectivamente, o Kravitz. Ele há coisas… Adiante. Siga.

***

 

É proibido contatar

Efectivamente. Os meus agradecimentos ao excelente Manuel M. Já agora, e porque hoje é sábado, Santana Lopes ainda não se retractou relativamente ao “agora facto é igual a fato (de roupa)”.

Esperemos que o programa do XXIV Governo Constitucional seja chumbado

… noch nicht das Ende erreicht.
Hans-Georg Gadamer

***

Exactamente.

Esperemos que o programa do XXIV Governo Constitucional (pdf) seja chumbado.

Porquê?

Comecemos por dois motivos.

O primeiro é este:

O segundo é este:

Aparentemente, são o mesmo motivo.

Efectivamente, são motivos diferentes.

Há mais, de outra índole.

Por exemplo, [Read more…]

Quereis esclarecimentos adicionais? Há *contatos…

Tu dì al professore che li raccoglierò per lui
Tano Cariddi

***

Efectivamente, *contatos.

Continuação de uma óptima semana.

***

 

A propósito d’A São na campanha do PS,

de José Pacheco Pereira, regressemos a A São solidária e a função diacrítica de há uns tempos.

A propósito deste título: Carta de condução e cartão de cidadão no telemóvel já têm o mesmo valor dos documentos físicos

W h o
A r e  y o u
Who   is   born
In   the   next   room
So   loud    to   my   own
That  I  can  hear  the  womb
Opening   and    the    dark   run
Over the ghost and the dropped son
Behind  the  wall  thin as a wren’s bone ?
In  the  birth  bloody  room  unknown
To  the  burn  and  turn  of  time
And  the  heart  print  of  man
Bo w s   n o   b a p t i s m
Bu t   d a r k   a l o n e
Blessing       on
The  wild
Child.
Dylan Thomas

***

 

Sim,
é verdade
que a carta de
condução e o cartão
de cidadão no telemóvel
passaram a ter o mesmo valor
dos documentos que trazemos na carteira.
Mas só “em território nacional“, ou seja, só em Portugal:

Curiosamente, a alteração à Lei 19-A/2024 foi
publicada durante a semana passada, no
sítio do costume de 7 de Fevereiro,
no qual encontramos mais
provas do completo
falhanço do
AO90:

Completo falhanço “em território nacional”, sim, mas não só.

Continuação de uma óptima semana.

***

Depois de Martial, eis André Gomes

Ihr naht euch wieder, schwankende Gestalten,
Die früh sich einst dem trüben Blick gezeigt.
Goethe

***

Há dias, houve aquela notícia sobre Martial.

Hoje, temos esta sobre o excelente André Gomes.

O mesmo padrão: pára e redação.

Efectivamente, o AO90 só atrapalha.

É, não é?

É.

***

 

Estranhas formas de escrita

New vision and new language
To camouflage the fall (*)

************************
Give me mercy
A new language (**)
— Ian Astbury

***

Como me escreve o excelente leitor do costume, eis

Um espetáculo, com espectadores.

Efectivamente.

No meio deste turbilhão, outro excelente leitor enviou-me esta notícia:

Exactamente: pára e redação.

Ou seja, uma redação com pára.

Das duas, uma: ou redacção com pára ou para na redação (credo!).

Tertium non datur.

No sítio do costume, como é óbvio, temos hoje mais do mesmo.

Calma, já lá vamos. [Read more…]