Arquivo para categoria cultura

O que hoje é pedofilia ainda ontem era arte

Ganimedes, príncipe troiano, era uma bela criança por quem Zeus se apaixonou. Incendiado de paixão pelo rapazito loiro, Zeus  (que era, no que respeita aos prazeres sensuais, um omnívoro) transformou-se em águia e, descendo dos céus sobre o indefeso Ganimedes, raptou-o e levou-o para o Olimpo, onde consumou a relação que,  aos olhos de hoje, não escaparia a ser classificada como pedófila.

Na Praça da República, no Porto, exactamente em frente ao varonil quartel militar, garante do comportamento ordeiro, há uma bela estátua do escultor Fernandes Sá que representa o rapto de Ganimedes. Se o leitor fizer a experiência de se colocar de frente para a estátua, verá como ela lhe surge emoldurada pelo edifício do quartel, quase se diria protegida sob a alçada militar. Leia o resto do post »

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Na Madeira: a Photographia – Museu Vicentes

Por Angela Camila Castelo-Branco


A Photographia – Museu “Vicentes encontra-se instalada no antigo estúdio fotográfico de Vicente Gomes da Silva (1827 – 1906), que iniciou a sua actividade como retratista, por volta de [1853].
Em 1865, Vicente Gomes da Silva adquire o prédio localizado à Rua da Carreira e aí constrói o seu “atelier fotográfico”.
Entre Dezembro de 1886 e Agosto de 1887, Vicente Gomes da Silva e já sob a direcção de seu filho Vicente, Júnior (1857-1933), são realizadas obras de ampliação do antigo “atelier”. Edifício que se mantém até aos nossos dias, e constituindo, deste modo, um ex-líbris da arquitectura dos “ateliers” fotográficos do século XIX.

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Do Sentido do 8 de Março…

No dia 8 de Março de 1857, um grupo de operárias têxteis, em Nova Iorque, decidiu fazer greve, ocupando, para o efeito, a respectiva fábrica. Reivindicando a redução do horário de trabalho de 16 para 10 horas e  contestando o facto de receberem apenas um terço do salário pago aos homens,  pela prestação do mesmo trabalho, as operárias foram fechadas nas instalações dessa fábrica em que veio a deflagrar um incêndio e, nesse dia de luta pela igualdade de direitos laborais, morreram cerca de 130 mulheres.

153 anos depois, apesar do reconhecimento internacional dos Direitos das Mulheres, da Igualdade de Oportunidades e do combate a todas as formas de discriminação de que se destaca, pela sua transversalidade, a discriminação em função do sexo, as mulheres continuam, em muitos sectores de actividade, a não ter o produto do seu trabalho reconhecido em igualdade de circunstâncias com o sexo masculino. E se esta realidade ocorre ainda no Ocidente, no planeta é esta a realidade maioritária do mundo laboral. Leia o resto do post »

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Dois tipos de mentalidade em confronto – ainda a propósito das touradas (Memória descritiva)

No Parlamento da Catalunha prossegue a discussão sobre a abolição das corridas de touros no território da comunidade catalã. Ontem as alegações e a intervenção de peritos nas diversas áreas envolvidas, foram quase todas no sentido da defesa da continuidade das touradas. Na sessão da manhã, depuseram, entre outros, Hervé Schiavetti, «maire» de Arles e presidente da União das Cidades Taurinas de França, e o filósofo Francis Wolff, professor da Sorbonne, e autor de uma “Filosofía de las corridas de toros”. Na sua intervenção, declarou que a corrida «já não é a festa nacional de Espanha, pois agora é património mundial».

De uma forma geral, as alegações basearam-se nas banalidades do costume, salientando-se no entanto, na intervenção de Schiavetti a chamada de atenção para a vertente económica do assunto: «Não se trata apenas de um elemento cultural, mas também de uma questão económica; hoje em dia criar touros e aquilo que a criação comporta, constitui um forma imprescindível da gestão do território». O que põe o dedo na ferida.

E lembrou que só em França a exploração que inclui a criação do touro, implica a manutenção de mais de 300 000 hectares de reservas húmidas. Um ganadeiro catalão voltou a chamar a atenção que se os deputados catalães aprovarem a lei, serão responsáveis pela extinção desta espécie animal. Vale tudo, não só os deslocados apelos aos princípios conservacionistas como até disparatadas comparações políticas, como a de um indivíduo de Tarragona, ligado ao negócio das touradas, que comparou a eventual abolição das touradas com a censura franquista. Leia o resto do post »

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Um bilhete da TP de Lourenço Marques-Lisboa. Sem volta (I)


“Há 35 anos inventámos a palavra retornado. Mas eles não retornavam. Eles fugiam. Retornados foi a palavra possível para que outros – os militares, os políticos e Portugal – pudessem salvaguardar a sua face perante a História. Contudo a eles o nome colou-se-lhes. Ficaram retornados para sempre. Como se estivessem sempre a voltar.”

Este post da Helena Matos surge como quase resposta à campanha de promoção de um conjunto de textos coligidos em livre de saison politique que ultimamente tem sido promovido nos santuários do costume. Os dislates do politicamente correcto de alguns conjugam perfeitamente os interesses que hoje servem os seus mais lídimos herdeiros directos, exactamente os mesmos que hoje acorrem a Moçambique à cata de desinteressados negócios. Há coisas que não mudam.

Tudo começou há uns meses quando uma bastante efémera “ex-residente em Lourenço Marques” decidiu editar a sua experiência pessoal, sendo sem surpresa apoiada pelo carpidismo militante que sempre arranja um espaço reactivo para as suas ilusórias verdades de convenção. Essa também ex-menina e autorajamais viveu em Lourenço Marques, a Maputo cujas avenidas o Sr. primeiro-ministro ontem entusiasmadamente percorreu em mini-maratona de salutar oxigenação pulmonar. A dita ficcionista, Isabela de seu nome, limitou-se a vegetalizar-se num buraco-negro de paranóia circunscrito a pouco mais de 400m2. Filha de um tipo de homem a quem local e depreciativamente se designava de maguérre (1), diz ter assistido a um infindo rol de iniquidades caseiras. Por isso mesmo, sendo branca, aparentemente loura e confortavelmente alvenarizada em residência na Matola – uma espécie de melhorado Cacém local – , sentiu como absoluta missão agigantar a pequenina, grotesca e marginal figura paterna, fazendo-a subdividir-se tal como uma amiba, a todo o corpo colonial estabelecido em Moçambique. As lamentáveis aldrabices grasnadas pela ignorância de uma totalmente desconhecida realidade, tornam-se em factos que se compõem uma perfeita ficção de cordel mais própria das sebentas “revolucionárias” e justificativas de outros tempos, estão, no entanto, muito longe da verdade do período final da presença portuguesa em Moçambique. Afinal tudo se resume a uma questão de facturação, à procura de um suburbano êxito à Harry Potter. A ficção vende bem e se for sob patrocínio alinhado, melhor ainda.

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A «tradição» das touradas (Memória descritiva)

No 2º volume dos « Cadernos de Lanzarote», José Saramago reproduz um artigo que publicou na revista Cambio 16. Transcrevo dois trechos:

«O touro entra na praça. Entra sempre, creio. Este veio em alegre correria, como se, vendo aberta uma porta para a luz, para o sol, acreditasse que o devolviam à liberdade. Animal tonto, ingénuo, ignorante também, inocência irremediável, não sabe que não sairá vivo deste anel infernal que aplaudirá, gritará, assobiará durante duas horas, sem descanso. O touro atravessa a correr a praça, olha os “tendidos” sem perceber o que acontece ali, volta para trás, interroga os ares, enfim arranca na direcção de um vulto que lhe acena com um capote, em dois segundos acha-se do outro lado, era uma ilusão, julgava investir contra algo sólido que merecia a sua força, e não era mais do que uma nuvem. Em verdade, que mundo vê o touro?» (…)

«O touro vai morrer. Dele se espera que tenha força suficiente, brandura, suavidade, para merecer o título de nobre. Que invista com lealdade, que obedeça ao jogo do matador, que renuncie à brutalidade, que saia da vida tão puro como nela entrou, tão puro como viveu, casto de espírito como o está de corpo, pois virgem irá morrer. Terei medo pelo toureiro quando ele se expuser sem defesa diante das armas da besta. Só mais tarde perceberei que o touro, a partir de um certo momento, embora continue vivo, já não existe, entrou num sonho que é só seu, entre a vida e a morte».

Quando José Saramago leu o texto a sua mulher, Pilar, disse – «Não podes compreender…” Tinha razão» diz o escritor»Não compreendo, não posso». É sempre o que os defensores das touradas, quando vêem que os seus «argumentos» não são aceites, dizem. Quem acha que as touradas são um espectáculo degradante e advoga a sua proibição imediata «não compreende». Porque, dão a entender, para compreender uma coisa tão poética, tão tradicional, é preciso ter uma sensibilidade especial. Leia o resto do post »

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Afinal, são mesmo os músicos os que mais perdem com a pirataria

lucros-musica

Hoje tenho de me penitenciar. Errei. Admito que terá sido por desconhecimento, mas não fui mal intencionado. No passado disse e escrevi que não eram os músicos os mais prejudicados pela pirataria de música. Errei. Os músicos são, de facto, os mais prejudicados.

A imagem do disquinho que acompanha este texto permite verificar que são os músicos, artistas individuais ou bandas, aqueles que menos recebem. Todos os outros agentes em redor da indústria da música ganham mais com a capacidade técnica e criatividade dos artistas. Sim, daqueles que ganham menos. Logo, quanto mais pirataria menos recebem os artistas.

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Poesia do Socialismo Português (Poesia & etc.)

Entre a tempestade que assolou Portugal e o caudal de terríveis notícias que ia chegando do Chile, flagelado por um sismo de elevada magnitude, no sábado, 27 de Fevereiro, pelas 16 horas, no auditório do Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, teve lugar o lançamento do livro “Poesia do Socialismo Português no percurso de 1850 a 1974”, da autoria de Sílvio Castro e publicado pelas Edições Colibri. Sílvio Castro (1931) é um escritor brasileiro, poeta, ficcionista, ensaísta e titular da cátedra de Língua e Literatura Portuguesa na Universidade de Pádua. Este seu estudo tem como objectivo central demonstrar a existência, no período considerado, de um recorrente projecto de associar a poesia à realidade sociopolítica do País.

Estas balizas temporais (1850-1974) marcam os limites entre as primeiras manifestações do socialismo em Portugal e a Revolução de Abril, carregada de ideologia socialista. Durante este período, o poema revolucionário, interventivo e de luta, foi uma constante na poesia portuguesa. Naturalmente que a poesia produzida durante estes mais de 120 anos reflecte uma paleta de cores que começa no socialismo utópico, adentra-se pelo socialismo científico e, por vezes, crítica ou laudatoriamente, emerge, ou imerge. do socialismo real. É esse persistente fenómeno que o estudo de Sílvio Castro aborda, analisando as obras de poetas portugueses que tipificam essa constante e ilustrando as análises com poemas escolhidos.

A apresentação, a cargo do Professor Manuel G. Simões, traduziu-se numa excelente apreciação da obra, da qual vou transcrever alguns trechos mais significativos:

«Em primeiro lugar apraz-me registar o que este livro é e o que não é, servindo-me, para isso, das próprias palavras do Autor: “Este é um estudo sobre a poesia portuguesa no amplo espaço de duas “Modernidades”: aquela Romântica e a Novecentista. Entretanto, ainda que estruturalmente ligado a uma metodologia histórico-literária – e preso em modo central à análise da criação do fenómeno poiesis – não deve ser tomado como uma história da poesia do Portugal moderno e contemporâneo. Isto porque é uma tentativa de síntese crítica da criação da poesia ligada a um particular e muito específico produto: a política. E, mais ainda, ao Socialismo português.» Leia o resto do post »

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Romeu Correia (Poesia & etc.)

A revista “Nova Síntese” (Edições Colibri), publica no seu número 4, saído este mês e dedicado ao tema “O rural e o urbano no neo-realismo”, um texto do Professor Alexandre Castanheira, com o título “Romeu Correia, um neo-realista esquecido”. O texto começa com uma citação do crítico literário João Gaspar Simões que, no jornal Sol de 21 de Maio de 1949, dizia sobre “Trapo Azul”, o romance de estreia de Romeu Correia: «Um jovem cheio de talento que insuflou ao “neo-realismo” decrépito uma vida que o “neo-realismo” nunca tivera entre nós».

Não vou referir-me hoje ao magnífico estudo de Alexandre Castanheira, nem dissecar esta precipitada notícia necrológica de Gaspar Simões, crítico inteligente, mas controverso, que considerava decrépito um movimento que ainda mal ensaiara os primeiros passos. Basta consultar as datas de publicação de importantes livros de Alves Redol, Soeiro Pereira Gomes, Manuel da Fonseca, Fernando Namora, Carlos de Oliveira e de tantos outros para verificar que muitas das grandes obras do neo-realismo português não tinham ainda sido publicadas em 1949. Mas o texto incentivou-me a escrever hoje sobre Romeu Correia. Leia o resto do post »

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A Lusofonia, espaço ideal para a cultura galega (Memória descritiva)

Neste vídeo podemos ouvir um breve trecho de uma canção popular açoriana, que Adriano Correia de Oliveira tornou muito conhecida, cantada pela lisboeta Raquel Tavares e pela galega de Mós (Vigo), Uxía Senlle – “Morte que mataste Lira”. Um belo mosaico lusófono. O espectáculo “Cantos na Maré”, onde este vídeo foi gravado, realizou-se em 19 de Dezembro passado, em Pontevedra.

Uxía Senlle é uma cantora galega de que aqui tenho falado por diversas vezes, dada a sua estreita relação com a cultura portuguesa. Numa entrevista recente dada a Margarida Martins, do Portal Galego da Língua, fez diversas afirmações que demonstram a sua convicção na unidade entre as duas vertentes da língua. Não vou transcrever essa entrevista, mas apenas salientar alguns dos seus aspectos mais relevantes.

«É um grave erro estratégico não afirmar que galego e português são a mesma língua», disse Uxía que em dado momento conta como nasceu o projecto “Cantos na Maré”: Leia o resto do post »

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A Azeitão siamesa: Bangkok


Os thais chamam à sua capital Krung Thep Mahanakhon (กรุงเทพมหานคร), pelo que se o caro leitor se referir a Bangkok (Banguecoque em português) em frente de um tailandês comum, este não compreenderá de que lugar se está a falar. Isto tem uma explicação. Bangkok foi criada por portugueses em meados do século XVII e, traduzido para português, quer dizer tão só Azeitão ou “aldeia das azeitoneiras” (Ban = aldeia + Kók/กอก = oliveira).

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Mata-Cães ou o criador e a criatura (Poesia & etc.)

Em meados dos anos 80, entre as muitas coisas que fazia, tinha a meu cargo a leitura de originais de uma pequena editora – a Salamandra, do Bruno da Ponte e do Veiga Pereira. Como sempre acontece a quem tem essa responsabilidade, era obrigado a ler muitos textos sem qualquer interesse, muitas vezes sem qualidade e, portanto, sendo de gente desconhecida, sem viabilidade de edição. Fazia um pequeno relatório de leitura e depois os donos da editora tomavam as suas medidas.

Muito raramente, era surpreendido pelo aparecimento de textos que se distinguiam no meio desse amálgama de lixo produzido por infatigáveis escrevinhadores. Devo abrir um parêntesis para vos confessar que o ler grandes doses de má literatura, acaba por embotar a capacidade crítica. Começa-se a ler um texto já com a ideia de que se vai ler mais uma pessegada. O pior é que quase sempre se acerta. Leia o resto do post »

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Portugal-Tailândia: os 500 anos de uma grande embaixada


A Embaixada de Portugal ofereceu a esta comunidade cerca de 800.000 bath – que na Europa não é nada, mas para os Karen uma fortuna – para a edificação de uma escola dotada de biblioteca com ligação à internet, luz eléctrica, ventoínhas e até um pequeno laboratório de físico-química para aulas de introdução ao meio natural. Ao chegarmos à aldeia, fomos recebidos com júbilo por professores, autoridades locais e miudagem. Sem que ninguém o pedisse, retiraram da parede a bandeira portuguesa, aglomeraram-se no centro da sala e deixaram-se fotografar com a bandeira do longínquo país dos “farangues” para lá dos montes e oceanos que lhes quis oferecer uma migalha de dignidade que tantos outros, ricos e poderosos, lhes recusam. Confesso que me senti orgulhoso, pois desta gente nada temos a ganhar: aqui não temos interesses geopolíticos a defender, não somos candidatos à mercearia das barganhas comerciais nem seguimos o calculismo da intriga diplomática. Portugal veio a esta aldeia no fim do mundo só e apenas para fazer o bem. Isto lembrou-me a velha história que aqui venho contando sobre o sentido profundo e transcendente da missão portuguesa no mundo, uma ideia de fraternidade que outrora aqui trouxe missionários, capitães e soldados em busca de um novo lar português.

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Escrever ou blogar, eis a questão (Memória descritiva)

A propósito da mini-polémica que aqui se desencadeou sobre o universo dos blogues, entre o aventor Carlos Fonseca e o artista plástico Leonel Moura, lembrei-me de um artigo de Pierre Assouline que, em 26 de Janeiro passado, foi publicado no “le Monde des livres” sobre os escritores blogueres. Antes de mais, temos uma inauguração pessoal – resolvi adoptar o verbo blogar. Blogar – verbo transitivo (do inglês to keep a blog). Não sou pioneiro, outros já o utilizam há tempos. Mas vamos ao tema.

Segundo diz Assouline, são mais raros do que se pode julgar os homens de letras que blogam e por duas razões: uma boa parte deles não mantém qualquer convívio com o computador e com o universo que se encontra subjacente, e os que estão ligados à net depressa se apercebem de que a manutenção de um blogue representa um exercício de regularidade e um acréscimo de trabalho que obrigam a sacrificar todos os dias algumas horas do tempo de escrita. Assouline não o diz, mas eu acrescento que, além do tempo que se ocupa a redigir os textos, o vício de consultar o blogue diversas vezes ao dia, ler e responder a comentários, transforma-nos em blogo-dependentes.

Diz o jornalista francês que o facto de não ser meio a que os escritores se afeiçoem facilmente, constitui ainda mais razão para referir aqueles que não só se aventuram por esses caminhos, como dão também um prolongamento de tinta e papel ao seu diário on line, como é o caso de José Saramago, de 87 anos, e do romancista francês Èric Chevillard, de 46 anos. Não vou transcrever as entrevistas, disponíveis na net, apenas referir um ou outro aspecto do conteúdo do texto de Assouline. Leia o resto do post »

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Portugal-Tailândia: 500 anos!

O pescador André, um dos últimos luso-siameses residentes no ban Protuguet em Ayutthaya. Nas imagens, as ruínas do bairro e igreja portuguesa da antiga capital do Sião. Estes são os Centenários que verdadeiramente importam.

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Gabriela Mistral

Foto da petisa ao ganhar o prémio Nobel

Tinha eu, se bem me lembro, doze ou treze anos, quando a vi pela primeira vez. Ela tinha vários anos mais, sempre calada e silenciosa. Falava quando lhe parecia bem. A maior parte da sua vida, do seu dia, das suas noites, em silêncio. Exprimia os seus sentimentos por escrito. Vestia sempre uma roupa larga, tecida num tipo idêntico à serapilheira, que raramente mudava. Raramente também tomava banho, somente lavava o interior do seu corpo e as partes públicas. Não cheirava mal, apenas quando bebia a sua bebida preferida, a sangria, essa bebida que combinava um nadinha de vinho, muita água e açúcar, que bebia várias vezes ao dia. Tinha o mau hábito de arrotar após as refeições, costume que ninguém apreciava, era de um som e fedor repelente.
Gabriela foi o nome por si escolhido por puro prazer e Mistral, porque sentia ser o vento que soprava com força e tudo varria. Tal como ela com os seus versos e os prémios que vencia. Tanto quanto me lembro (escrevo exercitando as minhas memórias pessoais), nasceu na vila de Vicuña, no Vale de Elqui, situada no norte do Chile. Nasceu de mãe madura e assistida por uma parteira, que sofreu imenso a tirar a criatura do ventre materno, vinha mal posicionada e quase asfixiada, nesse 7 de Abril, dia do seu nascimento no ano de 1889. Viveu até 1957, relembro esse dia e o pranto que não cessava de cair dos meus românticos olhos e coração e do amor que sentia pela sua poesia e pela sua pessoa. Viveu apenas 68 anos, faleceu a 10 de Janeiro, dia da sua entrada na eternidade, poucos meses antes do seu próprio aniversário. Leia o resto do post »

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Até ao último grão de pólvora!


Dois luso-tailandeses

Hoje, junto do cemitério onde jazem cerca de 200 restos mortais de luso-siameses, evoquei essa tragédia. Aquela gente lutou até ao último grão de pólvora e não vacilou ao decidir lutar pela sua liberdade. Uma lição de heroísmo que integra as mais vibrantes páginas da saga portuguesa nos confins desta Ásia que celebrará proximamente a aliança na paz e na guerra entre dois povos. Os luso-siameses terão compreendido perfeitamente o sentido daquela façanha que hoje evocámos. Os tailandeses, todos falando um excelente português, compreenderam, também eles, que os portugueses não vieram aqui apenas para fazer business pois, chegada a hora decisiva, lutaram ombro a ombro com os siameses na defesa da terra comum, não deixaram cair a bandeira e não tentaram, como outros, fugir e salvar os cabedais. Morreram pela sua liberdade; é tudo.Isto merecia uma coprodução épica luso-tailandesa ou o nome de uma avenida lisboeta: Avenida dos Heróis de Ayutthaya.

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Antes de ser o navio escola Sagres


Lançado ao mar em Hamburgo, a 30 de Outubro de 1937, o Leo Schlageter foi construído para servir como navio escola da Kriegsmarine. Numa fase de rápida expansão da marinha alemã e após os acordos de limitação de tonelagem celebrados com os ingleses, Berlim decidiu-se pela construção de uma esquadra de alto mar, cujo fim estratégico seria a intercepção das principais vias comerciais atlânticas.

A tripulação na festa da passagem do equador

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A Ginjinha e o engraxador

A oliveira que se vê à direita da foto é o meu encanto. Veio da Palestina no âmbito de um intercâmbio e sendo árvore de terreno aberto ,terreno seco e ambiente mediterâneo, dá-se aqui no meio da multidão. Milagre?

No centro vê-se a Estrela de David em homenagem aos mortos Judeus de 1506 em que uma terrível carnificina assolou Lisboa. Do lado esquerdo, em frente da oliveira a Igreja de S. Domingos, comida pelo fogo assassíno, recuperada deixando à mostra os efeitos do fogo que lavrou com uma intensidade medonha, o que lhe dá um ambiente medieval muito interessante. O tecto, em “labaredas”, reproduz o fogo e o chão de pedra original, gasto pelos séculos e por milhões de pessoas que ali ocorreram, toca-nos como um livro aberto na página certa, lembra-nos os desgraçados que dali saiam “confortados” para morrerem nas piras que ardiam no largo em frente. Leia o resto do post »

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Olga Roriz… boring!

Na última sexta-feira fui ao Teatro Nacional S. João ver o espectáculo de Olga Roriz chamado Electra baseado / inspirado no clássico com o mesmo nome.

É verdade que a história é trágica, que existe uma coreografia, que não é um espectáculo literal, que a dança contemporânea não é das artes mais simples de apreender, e que se contam pelos dedos de uma mão os espectáculos de género que eu já vi.

Isso contextualiza a minha opinião… mas não a muda.
De qualquer forma anima-me o facto de outras pessoas com quem falei terem a minha opinião… embora isso provavelmente só queira dizer que são tão básicos como eu.

Resumindo… pelo menos no próximo ano, da próxima vez que tiver um conflito de agenda entre um espectáculo da Olga Roriz ou uma reunião da Campo Aberto já sei o que vou escolher…

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