Arquivo para categoria cultura

A cultura de Marcelo(2)

Não creio que tenha dado a ideia de maniqueísta, essa forma simplista de pensar, em que o mundo é visto dividido entre o bem e o mal. Sabemos que a simplificação pode ser uma forma primária de pensamento, reduzindo os fenómenos humanos a uma relação de causa e efeito, certo e errado.
Mas não é disso que se trata. Deixei bem claro que há patamares de cultura, graus de cultura, profundidades de cultura, “qualidades“culturais que não se podem comparar. Não quero dizer com isto que os mais cultos e os menos cultos não mereçam o seu devido respeito e não tenham o seu merecido valor. O que me dá comichão é tentarem vender-me gato por lebre. Marcelo tem o valor que tem, ninguém lho tira, mas não tem aquele que tentam mostrar que tem. A sua actividade como comunicador da televisão não deve ser confundida com incultura,  mas  também não deve ser confundida com cultura, pelo menos no sentido da cultura que eu creio que Marcelo Rebelo de Sousa não tem. Não penso que Marcelo possui uma cultura sólida. Não o conheço suficientemente bem, mas penso que não tem nenhuma cultura especial para além da que lhe é necessária como comunicador privilegiado pelas circunstâncias e não pelo valor. Posso estar enganado mas nada me faz chegar à conclusão de uma cultura sólida. Se nele eu me apercebesse de que valia a pena ouvi-lo, sou suficientemente humilde para o confessar. Gostava de o ver, por exemplo, na TV, comentar, mas de forma convincente, o fenómeno da vida, o sentido da existência, o materialismo e o espiritualismo, ler e comentar de forma que valesse a pena ouvir “O espectáculo da vida” de Richard Dawkins, “Razão e Prazer” de Jean Pierre Changeux, “A alma está no cérebro” de Eduardo Punset (como ele, advogado), e não apenas a mostrar a sua habilidade histriónica no manejo de um enciclopedismo balofo.

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Inteligência cognitiva e emocional

(adão cruz)

Apesar do termo “inteligência emocional”, isto é, segundo Goleman, a capacidade de identificar os nossos próprios sentimentos e os dos outros e de gerirmos bem as emoções dentro de nós e nos nossos relacionamentos, e embora as definições tradicionais enfatizem os aspectos cognitivos como a memória e resolução de problemas, para mim a inteligência é só uma, dentro da sua complexa neuronalidade. Para mim, o auto-conhecimento emocional, o controle emocional, a auto-motivação, o reconhecimento de emoções em outras pessoas, a habilidade nos relacionamentos inter-pessoais, considerados como atributos da inteligência emocional, não são características que permitam separar a inteligência em peças. Sempre fui contra esta académica e artificial dicotomia, dado que a emoção é um fenómeno permanente e indispensável ao mais pequeno gesto vital, seja a emoção exógena seja a emoção endógena.
Tenho muita dificuldade em dissecar os sentimentos (diferentes de pessoa para pessoa) isto é, em definir as incomensuráveis formas e manifestações dos sentimentos, até porque antes dos sentimentos há as emoções (diferentes de pessoa para pessoa), que lhes dão origem, e antes das emoções (diferentes de pessoa para pessoa) há as imagens (diferentes de pessoa para pessoa) resultantes dos estímulos que as provocam e aos quais cada pessoa reage de forma muito diferente, conforme o seu padrão neural.
Assim sendo, os sentimentos constituem um mundo tão vasto de diferenças que me parece podermos incorrer em algum grau de estultícia, ao pretendermos dissecá-los, dimensioná-los, fraccioná-los, escaloná-los, hierarquizá-los, atribuir-lhes uma cronologia e uma metodologia intrínsecas, fora do campo neuro-científico. E muito menos separá-los, por exemplo dentro do cesto da inteligência, em cognitivos e emocionais, como se de fruta se tratasse.
Há um único contexto em que me parece legítimo atrevermo-nos a abordar parcialmente e de forma particular os sentimentos e com eles lidar como matéria, contexto esse que se situa apenas no campo da arte. No seio do contexto poético, literário e musical, por exemplo. Mesmo assim, com a prudência de nos contentarmos apenas com a plumagem, as cores, a luz e o som.

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A cultura de Marcelo

 

(adão cruz)

Em minha opinião, a cultura faz parte integrante da estrutura do ser humano. Mas entre os diferentes graus de cultura, da sua solidez e profundidade, da sua autenticidade e verdade, da sua sábia natureza intrínseca, pode haver diferenças abismais. A cultura constitui-se através da vida como qualquer um dos mecanismos de adaptação, enriquecendo o conhecimento e o saber nos emaranhados mecanismos fisiológicos e neurobiológicos da criatividade.

A verdadeira cultura, a cultura do saber autêntico, a cultura do percurso, a cultura do ser, transparece, muitas vezes, no homem verdadeiramente culto, de forma natural, no olhar, no fácies, na postura, no ser, na primeira amostra de comunicação. Nada em Marcelo Rebelo de Sousa me faz sentir que ele não é vulgar e que a cultura é o cerne da sua estrutura.

Tudo isto é um pouco como a nossa língua, que, como todos sabemos, não deve ser considerada um mero instrumento de comunicação, mas uma parte inseparável do todo que somos e da riqueza anímica que construímos através da vida. Um bom perfume deve ser sentido como parte integrante da personalidade de uma mulher e não como um cheiro. Uma boa decoração deve ser sentida pelo bom ambiente, pelo conforto e bem-estar que cria e não dar nas vistas apenas pelo estilo, pela forma e configuração dos objectos. Ao contrário do que hoje se vê em todos os lados, a cultura não é um enfeite, uma cosmética, uma roupagem mais ou menos vistosa.

Esta cultura do saber, a verdadeira e profunda cultura, nada tem a ver com a cultura-espectáculo, com a cultura-folclore, com a mais que ridícula cultura política, com a cultura do enciclopedismo superficial dos tagarelas, onde, e esta é a minha opinião, incluo, parcialmente, Marcelo Rebelo de Sousa.

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A Banda a Tocar

Na estação de Viana do Castelo nas Festas da Senhora da Agonia no ano de 2010.

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Veleiro não entra!


Aqueles que extensivamente utilizam a subversão armada no sudeste asiático e exploram mão de obra semi-forçada ou em semi-escravatura, recusaram a entrada em Macau, ao navio-escola Sagres.

A primeira questão a colocar, consistirá saber se tecnicamente sendo um navio de guerra, o Sagres fica sob a mira do articulado legal chinês que proíbe navios militares estrangeiros de atracar na “região especial”. Assim sendo, as autoridades de Pequim terão o Direito do seu lado.

A segunda interrogação, talvez de mais difícil resposta, reportar-se-á aos meandros diplomáticos e neste momento, não podemos vislumbrar se por detrás desta decisão aparentemente extemporânea e até ridícula, se esconderá qualquer quid pro quo luso-chinês. Mais tarde ou mais cedo se saberá.

A terceira questão, poderá ter uma certa relação com a situação interna em Macau, onde afinal, os iniciais entusiasmos pelo “regresso à pátria mãe” terão esfriado ao longo dos anos. Pois isso está mesmo a acontecer. A presença do Sagres III em Macau, trará à memória, os tempos em que para todos os efeitos a cidade era praticamente independente, gozava de uma grande prosperidade e a liberdade de expressão não era mera retórica para colocar olhos em bico. O que terão agora os decisores de vontades alheias – aqueles que em Lisboa entregaram Macau sem consulta popular – para dizer em público? Provavelmente nada, pois nem sequer saberão apontar no mapa, a situação geográfica do antigo território sob administração portuguesa.

Preferimos acreditar na primeira hipótese.

No fim de contas, os pequineses fizeram mais um grande “negócio da China”. Como no dia do hand-over dizia um atónito locutor da televisão tailandesa, no século XVI os chineses entregaram um lugarejo numa praia vazia e receberam-no de volta, transformado uma bela cidade pujante de vida e de riqueza. Com aeroporto, além de tudo e mais alguma coisa.

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A águia, o milhafre e a borboleta

(Recebi dois mails muito interessantes, que resolvi transformar em posts, com a devida autorização da Andreia. Este é o primeiro. As reticências significam que suprimi algum texto. Amanhã publicarei o segundo).
Dr. Adão:
 
Sou a Andreia, de Arouca,  bióloga e trabalho com águias de Bonelli. Estive no seu consultório em Julho passado e fiquei de lhe enviar fotografias das belezas que vou vendo nesta nossa encantadora Natureza. Peço imensa desculpa por só agora o fazer, mas como ando sempre a saltar de terra em terra, tinha deixado o seu contacto em Arouca.    (…) e já me sinto muito melhor. Estou cheia de energia para lutar e rapidamente voltar a estar apta a subir montanhas e fazer a minha vida normal.
 
Em anexo envio uma foto de uma águia de Bonelli que capturámos em Maio para colocação de um emissor/GPS. Pode ver o site do projecto em www.ceai.pt
 
Um milhafre-real que fotografei nos Pirinéus no ano passado, mas que existem também em Portugal. Eu estava num abrigo de um alimentador artificial de abutres e o milhafre apareceu para se alimentar também.
 
Por último, uma borboleta que fotografei em Fornos de Algodres. Foi a 2ª que vi, tendo sido a primeira observação no Gerês, onde trabalhei alguns anos. É uma “pavão-diurno” que põe os ovos nas urtigas.
 
Espero que aprecie.
 
Um abraço e até breve,

Andreia
P.S. Comprei e já estou a ler o livro ” O espectáculo da vida ” de Richard Dawkins e é realmente fascinante. Obrigada!

(Águia de Bonelli)

(Milhafre real)

(Inachis io)

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O Xarajib de Silves

 

“O palácio do Xarajib, de Silves, foi, no Ocidente, uma autêntica visão das “Mil e uma Noites”.

Cantaram-no os poetas com o mais alto requinte, adornaram-no os artistas com obras de estranho lavor, celebraram-no os historiadores, como encantadora residência principesca.

Dessa harmonia chegam até nós os ecos apagados, num suave murmúrio… E o Xarajib esplende, de novo, rebrilhando em vivos fulgores.

Ficaram célebres as suas noites de festa e de música, de poesia e de dança, de encantamento sem par; as suas tardes suaves e mornas, de doces afagos, de reflexos violetas e de branda penumbra; os seus dias claros e ardentes de tragédia e de luta, em que os pátios e os mosaicos das salas se tingiram do sangue da vingança e do crime; as suas madrugadas de terrores, de suspeitas e de alucinações; as suas manhãs de iluminura, aureoladas pela esperança de novas e felizes alianças; as suas horas de fogo e de guerra, em que tudo se joga e tudo se ganha ou perde.

Evocar o Xarajib é evocar uma época, um estilo de vida _ a época e o estilo de vida dos luso-árabes.” (1)

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Como Se Fora Um Conto – A Minha Tristeza e a Dona Ana da Casa Grande

Se estiver triste ou alegre ou se se sentir assim-assim, ou ainda se estiver mais sensível do que de costume, não leia. Esta é uma história penosa.

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É quase noite e é forte, a dor da tristeza. É sempre assim, não importando a razão porque se está triste. Desta vez em nada é diferente. Estou triste, e o tempo que tudo cura demora a passar.

É chato o estar triste. E ainda por cima as pessoas olham-nos de través e se tiverem oportunidade, fogem de nós. Para tristeza, basta-lhes a que carregam, não precisam de se aborrecer com a dos outros. Até eu me olho de través, e nessas alturas, se pudesse, ia-me embora de mim, e não voltava.

«Lembro-me que nos meus tempos de miúdo, perto da casa de meu avô, vivia uma senhora que estava sempre triste. Era uma mulher muito rica que vivia sozinha num enorme casarão, sem marido, sem filhos, sem qualquer familiar. Chamavam-lhe dona Ana da casa grande. À sua passagem, falava-se baixinho, comentando o que ninguém sabia. Amores antigos e impossíveis, diziam uns, enquanto outros se inclinavam para as hipóteses de assassinatos múltiplos, Leia o resto do post »

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Touradas

A análise e os conhecimentos que tenho sobre a independência da Catalunha, País Basco etc. permitem -me, quando muito, uma opinião, e não uma certeza sobre qual dos lados tem razão, e sobre o caminho a seguir. Isso, na realidade, é para quem lá vive, para quem sente de perto os problemas e para quem sabe verdadeiramente o que quer, e mesmo esses…muitas vezes contradizem-se. A quem está de fora, é difícil uma tomada de posição acertada. Mas todos temos direito à nossa forma de ver as coisas.
Quanto á opinião da Carla e do A. Pedro Correia de que a abolição das touradas na Catalunha não passa de uma manobra política para pôr de fora o último grande símbolo do Estado espanhol, não estou de acordo. Não quer dizer que não venha a jeito, mas tal maneira de interpretar só se torna redutora, ao fim e ao cabo,  de uma luta e de um movimento de resistência tenaz, que está acima de mera finalidade política, contra o sofrimento inútil e bárbaro de um ser vivo, para deleite de uma assistência sadomasoquista. É um movimento com 25000 assinaturas, emque se empenham directamente 180000 cidadãos, e em que Parlamento catalão decidiu, por 68 votos a favor, 55 contra e 9 abstenções, que as corridas estão fora da lei na região. Ou melhor, estarão a partir de 1º de janeiro de 2012. Abandonadas até por aficionados da velha guarda, as touradas sobrevivem à custa de subsídios do governo, o que não seria mau se as touradas fossem, como entende a nossa pianista da cultura, um caminho cultural.
A criminalização da tourada não foi, portanto, ao contrário do que muitos espalham, um golpe parlamentar, uma jogada política eleitoreira, uma manobra nacionalista visando distinguir a Catalunha do resto da Espanha, mas a última faena de uma dura luta popular, democrática, histórica, seguindo os trâmites exigidos pela ordem jurídica, após amplo debate canalizado institucionalmente desde novembro de 2008, à luz de depoimentos de cidadãos os mais diversos, etólogos, filósofos, toureiros e defensores dos direitos dos animais.

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Noções Gerais de Electricidade

“Eu não percebo porque é que o pássaro não apanha choque”*

(recém-encartado da escola pública) – * pergunta ao Cagalhães, jovem!

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Paga-se a Quem Levar Diplomas P’ra Casa*

Regime democrático remunera jovens ociosos em busca de alguma emoção

Financiamos transporte escolar, material escolar, refeição escolar, pessoal escolar, edifícios escolares (também conhecidos como escolas), bonés, tazos, skates, telemóveis e Magalhães.

Em troca oferecemos-te um diploma (ou vários). Não garantimos que funcione. O papel pode até ser muito áspero.

Favor contactar o Ministério da Educação e Associação Nacional de Pais.

* molduras não incluídas

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Allentejo em Aljustrel

Inaugurou no passado sábado, em Aljustrel, a exposição “Allentejo”, cujo texto de apresentação é o seguinte:

Convidaram-nos a expor no Alentejo.

A nossa vontade, enquanto colectivo sedeado no Algarve ( todo o artista é o criador e a sua circunstância ), seria levar todo o AlgarveAllgarve, falando português turístico- ao Alentejo.

Mas somos o Laboratório de Actividades Criativas, de Lagos, e a exposição acontece em Aljustrel, parte de um Alentejo remoto, a braços com a desertificação, com o esquecimento e arredado das preocupações dos príncipes e estrelas urbanas da cultura.

Nós, contra a desertificação, contra a exclusão, contra a centralidade metropolitana, contra o pretenso elitismo dominante, acreditamos na contaminação e o nosso desejo seria contaminar, a partir de uma pequena semente em Aljustrel, todo o Alentejo Allentejo.

As questões que cada um dos artistas presentes levanta, o seu talento, a sua arte, a sua entrega, ficam vincadas nesta tentativa irónica e solidária de trazer o mar ao centro do Alentejo, mimetizando a mentalidade reinante de que tudo o que não é litoral é apenas paisagem e, neste caso, um imenso mapa, vazio mar e de contemporaneidade.

Por todas as razões, e por acharmos que assim não é, seduz-nos mais o Allentejo.

Artistas presentes – A.Pedro Correia, Henrique Pereira, Jorge Pereira, Pedro Glória, Raymond Dumas e Sofia Fortunato. Mais informação aqui e aqui.

Também publicado no liberatura

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Vendem-se Chaves

Vende-se molho de Chaves a quatro horas da capital (Madrid).

Tem rio e possibilidade de construção de mega-barragem e reserva de caça de transmontanos.

Possibilidade de recursos petroleiros no sub-solo. Águas tépidas todo o ano.

Favor contactar o Ministério da Cultura.

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Vende-se a Torre dos Clérigos

Com boas vistas sobre um sítio longe de Lisboa, boa alvenaria e óptima exposição solar.

Projecto aprovado para garagem.

Favor contactar o Ministério da Cultura.

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Beleza da Livraria Lello de novo reconhecida

Os reconhecimentos têm sido muitos mas nunca são demais. Volta e meia surge a notícia de que a Livraria Lello, no Porto, é apontada como uma das mais belas do mundo. Agora ocorreu novamente, pelas teclas do jornal online dos EUA The Huffington Post.

A Lello foi apontada como a segunda mais bela do mundo, depois da tradicional número um, a igreja dominicana de Selexyz, em Maastricht, Holanda.

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António Feio (1954 – 2010)

 

Vi o António Feio duas vezes ao vivo, ambas no Teatro S. João: em «O que Diz Molero», de Dinis Machado, e na «Conversa da Treta», depois adaptada para televisão e alvo de infindáveis repetições.

Nos últimos anos, impressionou-me sobretudo a forma como falou, sem complexos, do cancro que o minava. Parecia não ter medo dessa luta desigual.

Morreu novo – 55 anos. Sim, não é costume dizer-se que a vida começa aos 50?

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Biblioteca Digital Mundial

Com apoio da Unesco, pode encontrá-la em www.wdl.org e saber mais no estrolabio.

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A ministra da cultura apoia a tauromaquia!

Eu já confessei que nunca entrei numa praça de touros, e tambem já disse que há actividades económicas e tradições que aconselham a não tomar decisões apressadas, mas não estava preparado para esta decisão da Ministra.

Antes de tudo, porque parece ser a primeira decisão, ninguem sabe se temos ou não política cultural, há uns subsídios que se retiram e que depois se voltam a dar, mais do mesmo, a verba inscrita no Orçamento não se percebeu bem se cresceu ou se diminuiu, os apoios desapareceram numa primeira leva, ou não, tambem não estou certo, enfim, uma baralhada sem fim!

Gabriela Canavilhas, é uma muito meritória pianista e gestora cultural, deixou-se perder com a luz que emana da função ministerial, não acrescenta nada, como aliás, outras e outros colegas que se desaparecessem ninguem notava. Mas abriu uma secção na Comissão para a Cultura, a favor da tauromaquia, com representantes do estado, granadeiros, toureiros e, claro, com a falta de sempre, ninguem ouve os touros.

No outro dia foi falar à Assembleia da República e parece que chamou ao Jorge Luis Borges, José, o que numa ministra da cultura deu azo a que o Pacheco Pereira, lá  da última fila, a tenha corrigido, com um aparte estridente.

Tudo coisas escusadas se lhe oferecessem um piano!

PS: a bem da verdade. é linda!

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Como Se Fora Um Conto – As Férias Grandes

No tempo da minha juventude, já lá vão muitos anos, e da de quase todos os que têm mais de trinta anos (os meus filhos mais velhos já têm), as férias grandes eram mesmo grandes. Tão grandes que, por vezes, nos víamos a pensar que nunca mais chegavam as aulas. Eram três meses inteirinhos, compridos, muito compridos, feitos de noventa dias a fazer pouco ou nada. Nessa altura, tínhamos, eu e os meus muitos primos e a maior parte dos meus amigos, a praia, desde as nove da manhã até mesmo ao final da tarde, uma estadia de uma ou duas semanas em casa de familiares no campo, e outras tantas em casa de outros familiares, na montanha. Mais tarde, na juventude dos meus filhos, as semanas na montanha tinham já acabado, com o desaparecimento dos familiares que por lá viviam.

Os meus primos, os meus amigos e eu, e mais tarde os meus filhos, pertencíamos a um grupo de privilegiados, uma vez que a maior parte da população das cidades não tinha as nossas possibilidades de escolha, nem muitos familiares predispostos a aturá-los durante parte das férias. Esses, passavam quase todo o tempo na Leia o resto do post »

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Os pés pelas mãos

(texto de Marcos Cruz)

OS PÉS PELAS MÃOS

A minha filha está na cozinha, em bicos de pés, a tentar chegar com as mãozitas a um pacote de bolachas que eu afastei o suficiente, julgo, da borda do balcão. Afinal, julgo mal: ela fez cair o pacote. Ponho-me a imaginar o que pensará ela sobre a conquista – se achará que foram as mãos as responsáveis, se atribuirá o mérito à inclinação dos pés, se premiará o conjunto ou se nem perderá tempo a reflectir sobre isso, que é o mais provável. O meu pai está na cozinha, sentado, a dizer-me que a ciência, mesmo sendo um cemitério de hipóteses, é o único caminho para a verdade, ao passo que a filosofia é, na generalidade, um amontoado de disparates. Segundo ele, a filosofia é apenas um degrau, um degrau que está abaixo da ciência. Eu pergunto-me, e pergunto-lhe por outras palavras, sem que ele mostre vontade de me ouvir, se esse degrau não estará para a ciência como os pés da minha filha estarão para as suas mãos na abordagem ao pacote de bolachas.

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