Etiquetas de Posts crianças

Guerra! uma carta para os meus descendentes

crianças a fugir da fome e da morte

…guerra não é apenas um conflito bélico, é também e crise económica que vivemos… conflito que as crianças sofrem e não se sabem defender como fala esta imagem… a ida era alegre, hoje em dia é se terror, fome e fugida…o que pensam as crianças, analisadas por um adulto que os observa?

Meu querido puto,

Andas a brincar na tua bicicleta de duas rodas, pelas ruas do bairro. Ris e pareces muito feliz e contente. Até largaste as fraldas, por pensares ser adulto ao manipulares a tua bicicleta. Corres e não só ris, como atacas. Atacas qual carga de cavalaria, perante um inimigo imaginário, esse que é desenhado pela tua ideia da guerra. Para ti, a guerra passa por ser uma brincadeira. E ainda bem. Porque, meu puto, seria bom que a guerra fosse uma brincadeira e não essa realidade espantosa, dura e terrível, que vês reflectida na cara dos teus pais. Uma cara de tristeza e de depressão. Palavras que nem entendes, como não deves entender a palavra guerra.

Leia o resto do post »

, , , ,

3 Comentários

o kaos da criança. a economia deriva da religião

crianças a rir entre alternativas opostas e contraditórias, esse seu kaos...

1. Introdução

A vida da criança parece ser uma grande paz. É o ser que depende de outros, é acarinhado, é cuidado, é considerado como o senhor da casa. Ou não. O mundo não é a preto e branco. A vida social tem por característica ser heterogénea. Um conceito com o qual tenho já tanto batido, que remeto para os meus textos. Apenas lembrar que é heterogénea por existir o carinho ao pé da mágoa, o beijo ao pé do berro, o exemplo ao pé do desatino. Tudo isto, entre adulto e criança. Ou entre crianças. A criança é denominada o centro do lar por estar a ser ensinada a comportar-se. A comportar-se entre os outros com respeito e subordinação; ou com decisão amável para saber dizer não. À criança é-lhe ensinado os limites do seu afazer e da sua interacção. Ai dos pais ou adultos que o não saibam fazer! A crítica social cai forte sobre eles e, ainda por esse temor do que vão dizer se… o grupo da criança é comedido com a mesma. E, no entanto, a criança vive em kaos. Kaos, esse conceito da mitologia grega que diz que do espaço inacabado e profundo, surgiu o Olimpo desde o qual foi espalhada Gaeia ou a maternidade de todos os negócios do mundo. Uma maternidade endereçada a manter a calma e a serenidade entre as pessoas. Como Hesiodo e Homero descrevem nos seus texto do Século VIII antes da nossa era. A criança vive no caos descrito pela tradição grega, transferida como foi ao nosso imaginário. Imaginário já povoado de realismo político por Aristóteles nos seus tratados, especialmente o da Öikonomia ou as actividades reprodutivas dentro de um lar. Toda criança vive necessariamente dentro de um Kaos por não entender as opções dos seus adultos na vida da cidade ou Polis, como Aristóteles designa no Século IV antes da nossa era.

Leia o resto do post »

, , ,

Nenhum comentário.

Publicidade e marketing infanto-juvenil…

Se o melhor de tudo são as crianças… nãos as explorem nem às famílias!

Das Leis dos Livros:

“LEI DAS PRÁTICAS COMERCIAIS DESLEAIS
 
Práticas comerciais consideradas agressivas em qualquer circunstância
São consideradas agressivas, em qualquer circunstância, as seguintes práticas comerciais:
e) Incluir em anúncio publicitário uma exortação directa às crianças no sentido de comprarem ou convencerem os pais ou outros adultos a comprar-lhes os bens ou serviços anunciados…”

“CÓDIGO DA PUBLICIDADE
Restrições ao conteúdo da publicidade

Artigo 14.º
Menores

1 – A publicidade especialmente dirigida a menores deve ter sempre em conta a sua vulnerabilidade psicológica, abstendo-se, nomeadamente, de:
a) Incitar directamente os menores, explorando a sua inexperiência ou credulidade, a adquirir um determinado bem ou serviço;
b) Incitar directamente os menores a persuadirem os seus pais ou terceiros a comprarem os produtos ou serviços em questão;
c) Conter elementos susceptíveis de fazerem perigar a sua integridade física ou moral, bem como a sua saúde ou segurança, nomeadamente através de cenas de pornografia ou do incitamento à violência;
d) Explorar a confiança especial que os menores depositam nos seus pais, tutores ou professores.
2 – Os menores só podem ser intervenientes principais nas mensagens publicitárias em que se verifique existir uma relação directa entre eles e o produto ou serviço veiculado.”

Há que tornar a posições veementes em torno do marketing e da publicidade infanto-juvenil! Que enxameiam o mercado de consumo e atingem as crianças e os jovens nas suas fragilidades mais frisantes!
Leia o resto do post »

, , , , ,

6 Comentários

120 milhões de pobres na UE!

O que representa cerca de 25% do total da população da UE! Segundo outro  critério pode calcular-se em 80 milhões! Destes 19 milhões são crianças.

Bruxelas estabeleceu como objectivo tirar 20 milhões da pobreza o que representa baixar para 20% o índice de pobreza. Estes números estão correlacionados com a taxa de desemprego que a UE espera conseguir baixar para 25% entre as pessoas dos 20 aos 64 anos.

Na verdade, é com a criação de emprego que se conseguirá combater a pobreza e a exclusão social e não com subsídios, embora ajude temporariamente.. É um passo gigantesco que os 27 membros tenham conseguido chegar a acordo sobre uma matéria tão importante.

Há, agora, que cada Estado membro estabeleça um objectivo adequado à sua situação particular e fixar um quadro de acção, para que tudo possa ser agregado ao nível europeu pela Rede Europeia Antipobreza.

O velho ditado,sempre actual. ” Não me dês um peixe, ensina-me a pescar” !

, , , ,

10 Comentários

o crescimento das crianças em vilatuxe

Fundada no Século XI, recostruida no Século XIX, 1864,centro de eunióes dos fregreses

1 Durante os anos 1995, 1996 e 1997, fiz trabalho de campo entre os Picunche do Valle Central do Chile. Do que fica dos Picunche. Hoje são a memória de costumes que não têm explicação para eles. E não se denominam Picunche, eles próprios: ou são proprietários, ou inquilinos, ou pessoas habilitadas pelos seus estudos superiores, como se pode ver das genealogias que construí no trabalho de campo. Conheci aos Picunche em criança, de forma diferente a como os conheci em adulto, ou em criança adulta. Eram para mim, pessoas habituais. Até para mandar em elas. Anos mais tarde, saí do Chile e não voltei durante trina e três anos. Em 1994 fui oficialmente convidado a visitar o País e dar cursos e conferências. Retornei á terra que conhecia no Valle Central, terra na qual tinha vivido por dois anos e meio em 1971, até esse Setembro trágico de 1973, que me devolveu á Inglaterra. Ver essa terra outra vez, foi uma emoção. Visitei o Concelho de Pencahue, da Província de Talca e encontrei um arquivo deixado pelos espanhóis, que se tinham apoderado do País em 1542. E a minha visão mudou. A minha visão ia já mudada. E entendi aos Picunche, como nunca o tinha feito antigamente. Resultado de esse entendimento, sã as notas que escrevo em este texto. Em conjunto com as notas que fiz de Vilatuxe, a aldeia Galega que tinha estudado a partir dos anos setenta. Fui vinte e cinco anos depois. E entendi Vilatuxe de forma diferente, como o digo em estas notas. Os anos mudam às pessoas. As políticas mudam os contextos. Entretanto, não abandonei Vila Ruiva, em Portugal, que faz 17 anos que conheço e estudo. É desse conjunto de vivências, notas, convívio quotidiano com os habitantes, que me ocorreu continuar a elaborar uma tese que faz já tempo, ando a pensar e continuo a defender em este livro. Enquanto oiço a minha querida Nozze de Fígaro, que me inspira o como eram as pessoas vivas na memória social que faz indivíduos que hoje são. Leia o resto do post »

, , ,

2 Comentários

Pedro e o lobo

O compositor russo Sergei Prokofiev, decidiu, em 1936, compor um tema musical que permitisse explicar às crianças as sonoridades dos diversos instrumentos musicais que compõem uma orquestra. Pedagogicamente, cada personagem é representado por um instrumento.

No entanto, o mesmo título tem sido usado para identificar uma das fábulas atribuídas a Esopo (autor grego do Séc. VI A.C., cuja existência vagueia entre a lenda e a realidade), – embora também surja em algumas publicações como “Pastorinho e o lobo” – cujo enredo consubstancia, como é normal nas fábulas, uma mensagem também ela pedagógica, para crianças e adultos, e que ainda hoje, usualmente, é invocada.

“Pedro e o lobo” é, pois, mais conhecido como a fábula do pequeno pastor que de tanto brincar às falsas ameaças da presença de um lobo, resulta que quando o lobo efectivamente surge, já ninguém o leva a sério e ela acaba por perder as suas ovelhas.

Todavia, ambas têm inegável mérito: a composição musical de Sergei Prokofiev visa cativar e instruir a criança pelos caminhos das sonoridades e da música; a fábula, no seu natural pendor metafórico e alegórico, ensina que não devemos enganar os outros, cuidando do crédito das nossas palavras.

Aproximar as crianças à música, guiá-las nos caminhos dos sons, faz parte integrante de um saudável processo de crescimento. Mas, também, os adultos só têm a ganhar se se propuserem a essa mesma descoberta, educando e apurando os sentidos e a percepção.

O mesmo se diga de incutir responsabilidade e cuidados nos mais novos, ensinado-os a não enganar os outros, dando-lhes referências de cuidados a ter quanto ao que valem as suas afirmações. Um sentido de responsabilidade no que se diz, no que se afirma, na interacção com os outros. O mesmo valendo – de modo ainda mais vincado, porque a maturidade por isso demanda – para os adultos: para nos levarem a sério no que dizemos, temos de o dizer com seriedade. Sob pena de, tal como o Pedro – ou o Pastorinho – de Esopo, de tanta ameaça falsa, ninguém acreditar quando ela for verdadeira.

, , , , , , , , ,

Nenhum comentário.

O melhor do mundo são as crianças

Sempre me meteu dó a tendência dos adultos para desprezaram a sabedoria infantil. Confundem miúdos com cotas em miniatura, e não ligam pevide à sua avisada voz.

O que sucedeu após o terramoto que tantos estragos fez no Chile, mais precisamente na ilha de Robinson Crusoe devia servir de lição e ser ensinado em todas as escolinhas para velhos do mundo:

pouco antes das 4:00 de sábado, Martinna Maturana ouviu a mãe a falar ao telefone. O sismo violento tinha acabado de acontecer e o avô, que vive em Valparaíso, ligou para avisar. «Aqui está tudo bem», respondeu-lhe a mãe da menina. Mas Martinna avisou a mãe que tinha ouvido ruídos estranhos. Como esta não lhe ligou, foi avisar o pai, que é cabo em Robinson Crusoe. Também ele lhe disse que não havia problema nenhum.

A Martina não desistiu, e do alto dos seus 12 anos dirigiu-se ao alarme da ilha, fazendo-a accionar como pôde.

Salvou a vida a 700 humanos, adultos incluídos, que saltaram da cama e assim evitaram o tsunami, substituindo as autoridades chilenas que se esqueceram de lançar o alerta.

Boa Martina. Agora prepara-te para aturar os adultos. Fizeste o que toda a gente faria no teu lugar, se fossem adultos com 12 anos, claro.

, , , ,

Nenhum comentário.

Mente cultural

Para Manuela Raminhos

Crianças brincam enquanto a sua mente cultural trabalha

Parecia-me que começara o texto com uma gralha. Todo o cabeçalho ou definição deve começar por um artigo. Mas, como se trata de um conceito, retirar o artigo não é gralha, é apenas reduzir o campo de pesquisa do que se quer falar do conceito e não a universalidade do fenómeno, que acaba, assim, por nada definir. Se disser a mente cultural, falo de actividades múltiplas; se digo mente cultural, reduzo a ideia a um fenómeno que pode acontecer universalmente. E falar de Antropologia de forma hermenêutica, é aprofundar no campo do significado do conceito e não da acção do conceito, que varia de sociedade para sociedade. Leia o resto do post »

, , , , ,

Nenhum comentário.

Infância pobre é para toda a vida!

Cientistas nos US chegaram à conclusão que uma infância pobre até aos cinco anos marca para sempre o ser humano, não só no seu desenvolvimento mas tambem a nível neurobiológico e na saúde para o resto da vida.

“Descobrimos que as crianças que crescem em ambientes desfavoráveis reagem de forma desproporcionada ao stress, e conseguimos medir isso através de avaliações hormonais e neurológicas, utilizando scanners cerebrais, e mais recentemente com análises genéticas”.

Estes estudos vêm comprovar o que o senso comum já observava, principalmente em pequenos agregados urbanos em que todos se conheciam, quem tinha boas condições de vida singrava quem vivia na pobreza mostrava-o na escola e nas relações com os outros miúdos da mesma idade. E na idade adulta quem é conhecido e venceu são os filhos de quem já naquela altura eram os senhores da cidade.

O ascensor social é muito pouco eficaz, mas grande parte da derrota vem, sabemos agora, do facto da pobreza e dos maus tratos marcarem para sempre a saúde das pessoas e permanecem para toda a vida. Isto mostra que o apoio social não é um custo, é um investimento, porque recupera pessoas para a vida profissional activa e, dessa forma, gasta menos do que ter pessoas que são um fardo social.

Erradicar a pobreza não é só um imperativo civilizacional é tambem um objectivo fundamental para termos pessoas mais capazes de contribuirem para o bem estar de todos!

, , ,

1 Comentário

Pediatra violou 103 menores nos US!

Oa abusos terão acontecido há uma década mas tudo indica que será o pior caso de pedofilia nos US e que chegou aos tribunais.

Earl Bradley, pediatra americano foi ontem acusado de ter violado 102 raparigas e um rapaz desde o ano de 1998. Há vários filmes dos actos feitos pelo médico e que foram encontrados no seu consultório.

Para além da pedofilia, há algo que não bate certo nestes casos. Desde a rapariga que foi raptada e que vive numa cave anos e anos e ninguem dá por nada, até às crianças que são violentados por adultos e que ninguem dá conta e quem dá conta não diz nada, como aconteceu aqui em Portugal com o caso Casa Pia e as famosas fotografias escondidas numa gaveta e que mostravam pessoas importantes e conhecidas nestes actos criminosos.

A verdade ( e lamento profundamente aquelas pessoas que tudo fazem mas as suas condições de vida não lhes permite defender efiscazmente os seus filhos menores) é que há uma espécie de conluio, de benevolência entre violentadores e todos nós. A vizinha grita mas nós seguimos a velha máxima ” entre marido e mulher não metas a colher” ; vimos um adulto bater numa criança e achamos que sendo filho não temos nada com isso;  vimos um velho ser agredido por um energúmeno e achamos que devemos seguir com a vidinha, e assim por diante…

Estes casos acontecem porque andamos todos a tratar da vidinha, cada um por si, esta sociedade já nem sequer é capaz de proteger quem é mais fraco, e não é só em termos de violência fisica. Há quatro milhões de pessoas pobres em Portugal e assobiamos para o alto; nos US há uma guerra na sociedade e entre os partidos porque Obama quer proteger quarenta milhões de pobres com seguros de saúde e há quem ache que essa medida é injusta; ( devem mesmo morrer sem cuidados médicos!).

Se a justiça, a generosidade escasseiam e a impunidade campeia, ficamos surpreendidos com estes crimes porquê? São o resultado do Homem que fomos criando e da sociedade que desenvolvemos!

PS: E, pronto, lá vou eu para a caminha com a consciência tranquila depois desta prática!

, , , ,

4 Comentários

Nem todo o perigo é tão perigoso como a cabeça de alguns adultos

É mãe galinha? Super-pai? Salta-lhe o coração quando o seu filho quer subir a uma árvore? Desata aos gritos se ele brinca com um pau? Esconde o martelo para que ele não dê uma martelada num dedo? E um fogo? O seu filho já acendeu um fogo? Já usou um canivete? Você acha que o ajuda afastando-o de TODO o perigo? Gever Tulley acha que não. Decida-se, o seu filho é uma criança ou uma alface? Ou melhor, quer o seu filho pronto para enfrentar o mundo, ou para ser devorado por ele? Ou de outra forma: quer que o seu filho compreenda o mundo e o risco ou está à espera que o mundo se adapte a si e ao seu medo do risco?

, , ,

Nenhum comentário.

O Guerra

Tinha o Zé oito anos, quando na escola em que estudava chegou um colega que se chamava Guerra, que era bem mais crescido de corpo do que qualquer um dos demais colegas. Mas por razões que a ignorância de então jamais apurou, era um miúdo mentalmente frágil, atrofiado pelo medo, inseguro e submisso.

Naquelas idades as crianças revelam uma particular maldade. Razão pela qual o Guerra logo se transformou no “bombo da festa” da rapaziada da turma.

Todos mandavam nele. Todos lhe batiam. Todos. Incluindo o Zé, que arrastado por aquela corrente de maldade e crueza, sentia gáudio em exibir autoridade e domínio sobre aquele gigante submisso.

Um dia, o Guerra encontrou o Zé sozinho no recreio e pediu-lhe um lápis porque lhe haviam roubado o dele. Abordou-o medrosamente e disse-lhe:

- “Emprestas-me um lápis? Mas não me batas!…

O Zé ficou a olhar para aquele gigante de contradições. Tinha o nome Guerra, era mais crescido do que ele e pedia-lhe que não lhe batesse. Naquele momento as lágrimas vieram-lhe aos olhos. Como sempre acontece, quando relembra esta história.

Lágrimas de arrependimento, de remorsos por todo o mal que sofreu aquele frágil gigante e em que ele foi cúmplice. Quando lhe deu o lápis sentiu que esse seu acto tinha sido o único gesto humano que tivera para com ele, ao fim de meses de escola.

O Guerra afastou-se numa humildade servil que o expunha a toda a violência. E o Zé não foi capaz de o acompanhar de regresso à sala de aulas onde o Guerra se refugiava durante os intervalos, pois sentiu que preferia estar sozinho do que acompanhado por uma ameaça.

Naquele dia sentiu-se o pior e o mais cobarde de todos os miúdos. Ganhou consciência de todo o mal que lhe havia feito, da crueldade de que era capaz. Naquele dia o Guerra atormentou-o por todos os males que lhe havia feito.

No dia seguinte, o Zé estava decidido a falar com ele, a pedir-lhe desculpa, muito embora o castigo estivesse sempre dentro de si.

Tarde demais: os pais do Guerra mudaram-no da escola para uma outra onde teria melhor acompanhamento. Ninguém na turma percebeu ao certo o que era isso. Dizia-se que tinha ido para uma escola de malucos. Mas o Zé sabia que malucos eram todos os que violentaram a sua inocência e a sua fragilidade.

Nunca mais o Zé viu o Guerra ou dele teve notícias. O rosto do Guerra, as suas expressões, ainda hoje as revê com a mesma nitidez da dos tempos de escola. Não sabe se superou as suas fragilidades, se fez amigos ou se continua um gigante submisso. Sabe que consciente ou inconscientemente o seu rosto se espelha na sua memória sempre que vê uma qualquer humilhação ou injustiça. O Guerra é para o Zé a definição de humilhação e de injustiça. E uma razão para desejar um mundo mais humano.

Um mundo que o Guerra não teve.

, , , , , , , , , , ,

3 Comentários

Repor a família tradicional

Repor a família no centro da política social, sem motivos morais, mas porque é a melhor forma de proteger crianças e adultos.

A maior preocupação, não é a forma de relação dos pais, mas a que mais e melhor estabilidade e qualidade der às crianças e aos adolescentes.

E daqui se parte para políticas concretas e que o Estado deve promover: a) apoiar activamente o papel do pai e as responsabilidades partilhadas entre ele e a mãe. b) substituir incentivos fiscais por apoio público à família nos momentos chave c) construir redes de apoio para ajudar adultos e crianças a ultrapassar situações de divórcio ou de rupturas .

É desta forma séria que se discutem os problemas inerentes à família, na velha e democrática Inglaterra. À direita, não se resiste à tentação de se ver na família tradicional e no casamento um superior princípio moral, à esquerda, não se resiste à tentação de desvalorizar em absoluto esta forma de vida.

A verdade é que famílias intactas produzem excelentes resultados no futuro das crianças (quando comparados com os resultados de crianças criadas em outros ambientes) e não interessa se há ou não casamento, o que interessa é que exista família intacta: pai, mãe e filhos.

Não há, nestas propostas, qualquer sentido moralista, mas sim porque é na família tradicional que as crianças e adultos concretizam o seu maior potencial.

PS: ver Martim Avilez Figueiredo no i “Politics for a new generation,the progressive moment” de 2007 e “The progressive manifest” de 2004 -livros de Antony Giddens.

, , , , ,

14 Comentários

Um desejo para 2010

Num país em que a população está num crescente processo de envelhecimento, pondo em perigo a continuação da própria nação; onde a dívida pública é galopante; onde o desconcerto das instituições, sejam públicas ou privadas, face às demandas da cidadania se enraíza cada vez mais, desrespeitando-se princípios básicos de legalidade com a maior das facilidades; e onde a República capitula às adversidades e usa a comunicação social para mascarar essa realidade, a preocupação que ronda o casamento homossexual, principalmente em sede de adopção, parece-me, uma vez mais, mais um exercício autismo lusitano.

Confesso que, a mim, a adopção de crianças por casais homossexuais faz-me enorme confusão, tal como o próprio casamento homossexual, enquadrando a questão na óptica do secular instituto do casamento e da génese deste. Mas faz-me ainda mais confusão que o actual processo de adopção seja tão estúpido, anacrónico e obstrutivo a quem quer dar uma vida melhor a crianças que se vão amontoando em instituições, sem afectos ou referências. É desumano tanto para as crianças que perduram nas instituições, como para quem quer tomar conta delas e ampliar as suas famílias.

Pior ainda, é que nada se tem feito de verdadeiramente válido para apoiar as famílias. Para apoiar o aumento da natalidade.

Somos, antes, uma país que fez do baixo custo da mão-de-obra uma bandeira de competitividade, sem nunca perceber que haveria um custo social terrível a pagar. E a factura aqui está: não há dinheiro para ter filhos, não há dinheiro para ter casa, não há dinheiro para ter carro. Excepto se for emprestado. E aqui temos um povo mal pago e endividado, a quem é dito que para vencer os desafios do futuro é preciso ser mais produtivo, apostar na qualidade e ser inovador.

Este não é um artigo a favor ou contra o casamento homossexual.

É um artigo contra a incapacidade da República em resolver os seus problemas e desviar as atenções daquilo que é essencial à sobrevivência futura da nação.

É um artigo a favor de que os assuntos com verdadeiro interesse para o futuro do país, passem a estar na ordem da agenda política e do debate nacional.

Quando se falou do aborto, falou-se de concepção, de liberdade, mas muito pouco se falou de família excepto para justificar a manutenção de uma dada estatuição penal, como se fosse esta a base programática de construção e de apoio à família.

Quando se fala de casamento entre homossexuais, agita-se o tema da adopção, mas não se aborda nem rumos civilizacionais nem a vergonha que é o actual sistema de adopção que protelam a entrega de crianças, à sombra sabe-se lá de que interesses institucionais.

É urgente debater a família, estabelecer prioridades sociais e de rendimento, passando por políticas de educação, de saúde, laborais e fiscais. É urgente cuidar do essencial, e deixar o acessório. Ou o problema não será que país vamos deixar aos vindouros, mas antes a que vindouros vamos deixar isto?

Desejo que em 2010, haja vontade de falar do futuro do país além do TGV, das escutas, de homossexualidade ou de aeroportos.

Desejo, mas não espero.

Entretanto: Feliz 2010!

, , , , , , , ,

1 Comentário

Os gays aceitam esta vergonha?

O PS diz que aprova o casamento gay mas deixa de fora a “…adopção atendendo ao superior interesse das crianças…”

Eu nunca disse isto, tenho dúvidas, não percebo o interesse na palavra “casamento” mas enfim, se as pessoas são mais felizes…

Quanto à adopção, e depois de umas belas conversas com as meninas da Jugular, estou profundamente crente que o mais importante é o caracter das pessoas, não a sua orientação sexual.

Vir do seu próprio campo o mais vergonhoso, rasteiro e afrontoso argumento é que me deixa em paz, tantas foram as vezes que me chamaram homofóbico.

Os senhores deputados da quota do Simplex, não se demitem? Não deixem assim, um pobre cidadão, que teve a honestidade de colocar dúvidas, mas que se modificou e muito, em relação a estes temas. Mudei de ideias por ser fraquinho nas minhas convicções? Do lado dos homossexuais porta vozes, só havia ambição?

Eu é que me sinto incomodado por alguem vir dizer que “…o superior interesse das crianças…” não fica salvaguardado com a adopção por homossexuais?

Eu, o homofóbico?

, , , ,

5 Comentários

Adopção por casais «gay»: Uma discriminação inaceitável

O Governo acaba de aprovar uma proposta de lei que permitirá o casamento entre pessoas do mesmo sexo. No entanto, ao arrepio das normas constitucionais, considera que há casais de primeira e casais de segunda em Portugal: os casais de primeira são constituídos por duas pessoas de sexo diferente e podem adoptar crianças; os casais de segunda são constituídos por duas pessoas do mesmo sexo e não podem adoptar.
Concordo, obviamente, com a adopção por parte dos casais «gay». As crianças ficam tão bem entregues como se o fossem a um casal heterossexual. Mas não é isso que está em questão. Estou apenas a falar de Justiça e, em última instância, de Constitucionalidade. Dizendo a Constituição que não pode haver discriminações a este nível, esta legislação, a ser aprovada pelo Parlamento, vai colocar casais que são iguais em tudo perante a Lei mas que, afinal, não têm os mesmos direitos. Contrariando aquilo que, no fundo, os nossos Tribunais já fazem no dia-a-dia, ou seja, entregar a guarda de crianças a pais que vivem em uniões de facto com pessoas do mesmo sexo.
Trata-se, pois, de uma discriminação intolerável. E de uma inconstitucionalidade. E as inconstitucionalidades são para ser removidas, como, penso, acontecerá muito em breve.
E ver que os apoiantes da causa «gay» andam todos contentes por serem discriminados perante a Lei…

, , , , ,

18 Comentários

Vítimas de violência doméstica: que nunca vos faltem as facas!

Na sequência do post anterior do FMS permitam-me que vos pergunte:
- Têm 10 anos! O vosso (cruzes! credo! canhoto!) Pai, separado da mãe e fora de casa, teima em aparecer por lá para se servir dela. Um dia têm a possibilidade de pegar numa faca e fazer justiça?
Fazem o quê?
Espetam?
Pois… Aqui ao lado foi isso que aconteceu e podem acreditar nisto: qualquer semelhança com a ficção, é pura realidade

, ,

1 Comentário

Olha prá Zèzinha…

A Zèzinha há 30 anos que anda de emprego em emprego pagos por nós todos. Nada a segura, é com o CDS, é com o PSD, é com o PS e agora é com o PSD na AR e com o PS na CML.

 

Sempre muito politicamente correcta e com opiniões chegadas aos movimentos mais conservadores, gente de poder que lhe vai dando acesso aos empregos, à comunicação social.

 

No DN não está por menos e titula " A coisificação da criança ".

 

" Não há discriminação quando se trata diferentemente o que é diferente,  nem o que é diferente passa a ser igual através da alteração de alguns artigos do Código Civil" .

 

" A única consequência será destituir de qualquer sentido o casamento civil, que, ao perder os seus pressupostos e objectivos, fica reduzido a um contrato subtraído à liberdade das partes, por uma inexplicável ingerência do Estado".

 

"Porque se duas pessoas do mesmo sexo se podem casar não há razão para proibir o casamento a termo certo ( 5,10,20 anos) ou o casamento poligâmico (um homem e três mulheres, uma mulher e três homens). Fazia mais sentido a devolução desse contrato às partes, hetero ou homossexuais, permitindo que cada um estabelecesse livremente o modelo da sua união."

 

"Quanto à adopção, enquanto o casamento envolve duas partes, a adopção implica terceiros,crianças que não têm capacidade de exprimir a sua vontade e, por isso, precisam de quem as represente."

 

" O casamento homo acarreterá, automaticamente, o direito a adoptarem."

 

" Esta lei pode ser a consagração da "coisificação" das crianças, a sua utilização como uma coisa, um adorno de uma mera simbologia. Uma irresponsabilidade atroz para a qual ninguem recebeu mandato!"

 

PS: esta do adorno é bem real

, , ,

2 Comentários

Resquícios de fascismo no Colégio Militar

A Lei é para ser aplicada e não fica do lado de fora dos muros do Colégio Militar. Não podemos dizer que só põe lá os filhos quem quer, como se isso justificasse a violência de quem é adulto sobre crianças. Não justifica!

 

E o Colégio Militar pode ser o melhor colégio do mundo que tambem não é justificação. E as praxes tambem não são justificação, e a tradição tambem não. Numa palavra, a violência exercida sem ser em defesa própria é um crime e como tal deverá ser tratada.

 

É isso que estão a fazer os pais das crianças que foram brutalizadas, accionando a Justiça e levando o assunto para os tribunais civis e criminais. Não só é um crime previsto na Lei, e com uma cobertura penal que pode ir a cinco anos, como há prejuízos físicos e psicológicos que podem e devem ser revertidos por indemnizações financeiras.

 

A verdade é que, como vem hoje nos jornais, os oficiais sabiam da violência dos castigos que eram aplicados pelos chamados "graduados" sobre os mais pequenos, e nada fizeram, o que préfigura tambem um crime. Que deve ser investigado. E caso se confirme esse conhecimento, os oficiais devem ser punidos militarmente e serem accionados judicialmente.

 

Estes são os resquícios do "fascismo", de quarenta anos, em que a Lei só se aplicava sobre alguns e não sobre todos. Em que havia gente que estava acima da Lei. Eram estas coisas humilhantes e discricionárias a faceta mais ignóbil do "fascismo", o dia a dia  pequenino e sem grandeza, o ser expulso da cidadania na sua própria terra!

 

Tolerância Zero!

 

, , , , ,

Nenhum comentário.

Crianças vs. restaurantes

Uma escapadela de fim de semana, a criança já vai quase nos três anos e a gente começa a devanear com um tímida recuperação de uma coisa parecida com uma vida social.

Como uma ida a um restaurante decente, por exemplo. A esperança ilumina-se quando espreitando a carta descobrimos que milagrosamente, entre o creme de espargos, o carpaccio de novilho e o crocante de frutos silvestres existe um inesperado esparguete à bolonhesa. Ah, isto vai agradar-lhe. O restaurante, sendo carote e de aspecto cuidado, tem poucos clientes a esta hora. Tudo parece bem encaminhado.

Conduzem-nos a uma mesa um pouco mais afastada, como aliás é comum quando levamos crianças ainda por civilizar, o que, de resto, os pais agradecem. Uma revista do Ruca até aí escondida é o trunfo que a ferinha não esperava e que parece suficiente para entretê-la.

Há um número alarmante de copos e talheres sobre a mesa que nos fazem lembrar a última experiência num restaurante semelhante em que a ferinha, sonolenta e desesperada com a lentidão da cozinha que nunca mais lhe fazia chegar o leite creme, resolveu usar os pãezinhos de sete cereais como arma de arremesso e os copos de água como alvo. Mas isso foi há uns meses e a ferinha já não faz essas coisas.

A música ambiente é agradável, ainda que um pouco pedante, como parecem ser, aliás, os ocupantes das outras mesas. Esboço uma tentativa de dar início a um diálogo adulto e interessante, agora que a ferinha se mostra contente com a revista. O meu par aceita o desafio e conseguimos, por segundos, sustentar a aparência de que mantemos um diálogo inteligente e adulto. E então ouve-se aquela vozinha, tão melodiosa e, ainda assim, capaz de se fazer ouvir a uma distância de um quilómetro. “Mamã, o Ruca fazeu chichi nas cuecuas”.

O chefe de sala olha com horror para nós, antevendo o desastre, mas todos respiramos de alívio quando constatamos que, de facto, apenas a revista do Ruca, sobre a qual tombou o copo da água, parece ter tido um acidente.

Tem, então, início uma sucessão de desastres de magnitude vária. Talheres que caem ao chão emitindo o máximo ruído possível, guardanapos de linho mergulhados no prato da sopa, arroz saltitante e que se gruda à cobertura aveludada e aparentemente caríssima dos estofos das cadeiras, saleiros avant-garde transformados em carrinhos que se lançam em loucas perseguições pela mesa, a nossa refeição devorada às pressas e à vez para que possamos conter a espiral de destruição que está em marcha.

Finalmente, ante a visão do prato de arroz doce, as tréguas parecem chegar. A cada colherada que leva a boca a ferinha parece tranquilizar-se. Respiramos fundo, os olhares afastam-se por fim de nós. Talvez ainda nos atrevamos a pedir café. Nesse momento de paz, irrompe um som inconfundível, escandalosamente inconfundível.

“Mamã, dei um pum”.

Pedimos a conta e vamos passar a tarde ao parque. A partir de amanhã voltamos à pizzaria.

, ,

14 Comentários