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PSD – é bom poder optar…

Há quem diga que o PSD apresenta estas propostas encostadas muito à direita, para ter margem de negociação. Na altura de negociar o Orçamento, vai às trocas com o PS, dá cá esta alteração na Constituição que eu dou-te folga no Orçamento. Pode ser, até pode ser que esteja a tirar força ao povo, porque agora quem quer mudar de governo tem que ir para eleições, e se for  o Presidente a ter essa possibilidade, abre a porta aos arranjinhos de gabinete.

Mas no que diz respeito à Saúde, a coisa é mais séria, há muito quem não entenda que o que está em cima da mesa é a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde.E com um SNS a funcionar como até aqui, não tem futuro, há que salvá-lo. Como? Complementando-o com os privados. Dizem-me que isso seria aceitar uma saúde para os pobres e outra para os ricos. Já há! E sabem porquê? Porque o SNS não se aguenta sendo” universal e tendencialmente gratuíto”.

O que está verdadeiramente em equação é haver uma boa saúde gratuíta para quem não pode pagar, essa é que é a questão! Os ricos terão sempre uma boa prestação de cuidados de saúde, se não for aqui no país, é num sítio qualquer, têm dinheiro, vão onde é preciso, o Estado tem é que assegurar que os pobres sejam beneficiados com a prestação de bons cuidados de saúde. E, isso, só é possível, se o Estado tiver meios de equipamento, instalações e humanos do melhor. Não os poderá ter se continuar a querer prestar todos os cuidados médicos a toda a população.

Quanto à Educação, as escolas privadas não deixam de crescer, resultado da inexorável degradação da escola pública, que é pasto de lutas corporativas, experiências pedagógicas votadas ao fracasso e ao arrepio dos verdadeiros interesses dos alunos.É, bem melhor,que o estado tome a iniciativa de promover uma concorrência transparente e deixar as famílias optar.

Defender a escola pública e o Serviço Nacional de Saúde , bem como o Estado Providência, não é querer que o estado preste serviços universais que são impossíveis de prestar com qualidade é, antes, promover as medidas necessárias para que o Estado assegure os direitos conquistados, mas sem precisar de os prestar na sua totalidade..

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A Frase

“Colégios privados estão a perder clientes”, José Rodrigues dos Santos há um minuto atrás no Telejornal da RTP1.

No meu tempo, as escolas tinham alunos (e professores também); agora têm clientes. Quanto é o tombo?

Estou mesmo a ficar velho.

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Violência na Escola – algumas pistas

No post anterior procurei mostrar que em Portugal, quem está fora das escolas, vê este problema barricado em dois lados: o esquerdo e o direito. De um lado a culpa é da sociedade, do meio, da cultura, blá, blá, blá… Do outro, a culpa não pode morrer solteira e temos que castigar, mas…

A verdade é que a Escola Pública se centrou nos alunos em vez de se centrar nas aprendizagens. Esta realidade tornou irrespirável o ambiente em muitas salas de aula – é verdade que alguns professores lidam melhor com estas coisas que outros, mas a todos é comum uma verdade: ensinar é tarefa quase impossível e aprender é algo ainda menos verosímil.
Como o centro de tudo são os meninos e meninas sem educação, ninguém quer saber o que se aprende ou, melhor, o que eles aprendem: tudo gira em torno duma mentira!

Como é que isto se expressa? Do que falámos, Nós os que estamos lá, quando falamos disto?
Situações de hoje que parecem “normais” e que passam sem qualquer punição:
- o professor a falar e ao mesmo tempo, “todos” os alunos falam uns com os outros ignorando todos os pedidos e ordens dos professores;
- os alunos que se levantam e vão aos lugares dos outros dar “croques”, picar, riscar, bater, insultar… E tudo parece normal;
- alunos que não passam uma única linha, que não resolvem um único exercício, que não têm material… ” Eu não tenho lápis, não passo… E não quero saber… Mas, o que é que quer… Ó… passe o Stor”
- alunos que lançam bocas, que fazem ruídos, insultam quando os professores falam ou tentam manter a ordem…
O que vos digo é real: em boa parte das salas de aula deste país, algumas destas situações são diárias – ninguém ensina, ninguém aprende e todos se enganam mutuamente.

E se cada um de nós pensar mais em violência e menos em indisciplina, hoje é normal os alunos insultarem-se uns aos outros – um minuto num corredor de uma escola e qualquer “estranho” ficaria… “Então porco, estás bom?” “Ó filho-da-puta vais levar no focinho”, “A tua mãe é uma puta”… Isto, sem exageros, são os sons nossos de cada dia.
Depois a dimensão física das agressões é horripilante – roubos, murros, empurrões, cuspidelas… TODOS os dias em todas as escolas.
Pensem só nisto: se em Mirandela está como está, imaginem como estão Porto, Lisboa… Setúbal… Pensem…
(continua)

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Não há acordo possível

Com uma proposta que é pior que o pesadelo Maria de Lurdes.

Aroncilhe na Imagem (SEMPRE na frente!)

Aroncilhe na Imagem (SEMPRE na frente!)

O low profile de Isabel parace ter adormecido as coisas, mas com essa capacidade não consegue disfarçar outra – a de que o ME está transformada na maior secção do Ministério das Finanças.
Uma coisa há de positivo – deixaram-se das tangas da qualidade da educação, de que isto tudo é para melhor, etc…
Assumem que é tudo uma questão financeira.
Muito bem. Vamos então à guerra no terreno onde ela tem que ser feita – o da política pura e dura.
A pergunta que todos podemos fazer: a educação custa muito dinheiro? Mas… já não se lembram do que ainda estamos a pagar pela ignorância do Salazar?

Quero com isto avançar um primeiro argumento para justificar o que me parece MUITO evidente – a Educação e a qualificação das pessoas têm que ser a nossa prioridade número um porque é a única coisa que nos pode valorizar quando comparados com outros povos.
Mas, apesar de parecer o Sócrates a falar, quero com estas palavras significar uma mudança TOTAL na realidade presente – na escola quase tudo tem que mudar, nomeadamente os currículos e a sua centralidade: temos, enquanto sociedade, que responder à pergunta:
- o que é que se aprende nas escolas públicas?
Pois… eu nem vos dou a resposta… CEF, EFA… Novas Oportunidades… zero reprovações…
Voltaremos em breve a esta discussão.

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Ministra, Professores, Partidos, Sindicatos, movimentos

Tenho aventado com alguma insistência a ENORME vitória que os Professores conseguiram! Uma vitória com TODAS as letras: V-I-T-Ó-R-I-A.

Tal certeza resulta da permanente presença das temáticas em torno da classe no espaço mediático, no espaço púlbico e no palco político e partidário.

De uma maneira ou de outra há muita gente a tentar apanhar a onda – o Paulo Portas tem sido o mais descarado e dele espero pouco, ou mesmo nada, tão convencido que estou de que será ele a moleta do Governo.

O movimento gerado pela classe só aconteceu porque houve Professores.

Só aconteceu porque houve sindicatos.

Só aconteceu porque houve movimentos.

Só aconteceu porque aconteceram todos, uns e outros e importa muito pouco perceber quem aconteceu mais.

Agora, não aconteceu porque havia partidos. Não aconteceu porque há partidos. Entendo onde eles querem chegar e aplaudo todas as iniciativas parlamentares, mas a centralidade deve ser colocada entre o Ministério e os sindicatos, representantes democraticamente eleitos dos professores.

É às estruturas sindicais, representantes, de facto, de mais de 50% da classe (obviamente, há professores que não estão sintonizados com as direcções sindicais, mas estando de fora, limitam-se a dizer que não) que compete representar os professores.

O que exigimos, enquanto professores é que o Mário Nogueira, meu camarada da FENPROF e o João Silva, meu homónimo da FNE tenham a capacidade de perceber o que quer a ESCOLA PÚBLICA. Se o conseguirem, vamos sair todos a ganhar.

Todos não, porque talvez o Paulo Portas fique a perder.

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