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o dia de são lourenço é a festa de Vilatuxe
Colocado por Raul Iturra em história, sociedade em 12 de Agosto de 2010

São Lourenço de Vilatuxe, mártir cristão, patrono de Viletuxe
Parte de um livro que escrevo na actualidade
O reino da Galiza tinha já sofrido diversas invasões. Como nas lembranças sociais de Victoria, nas de Pilar há também uma memória social que as repete. Mas, ao contrario que no caso de Victoria e os seus pares. Porque para Victoria, a Conquista é uma benção que permite que um povo Nativo, seja primeiro um Reyno, depois um Estado e República independentes, autónomo. O que, como Pilar, a sua família e os seus pares, sabem que não é assim na Galiza. A Galiza é Celta, é Romana, é Sueba, é Visigótica, é Castellana, é Lusa, é Española, é autónoma, como Estado parte do Estado Español, entre os séculos antes de Cristo e o dia de hoje. Leia o resto do post »
Uma história antiga
Colocado por Adão Cruz em literatura em 31 de Julho de 2010

( Pormenor - adão cruz - )
Foi há muitos anos, quando eu era estudante do segundo ou terceiro ano de medicina. Estava no velho Café Progresso a estudar, ainda me recordo, umas coisas de embriologia, a estúpida abordagem da embriologia de então, que nada tem a ver com as maravilhosas lições de Richard Dawkins. Estava sentado numa daquelas pequenas mesas quadradas, mesmo junto à porta que dava para a Travessa Sá Noronha. Leia o resto do post »
sir jack goody
Colocado por Raul Iturra em antropologia, história em 30 de Julho de 2010

o meu antigo professor, orientador e mestre, fizera-me introduzir estudos do Gtupo Doméstico em Portugal
Ser-me-ia impossível continuar a teoria que uso para o meu novo livro, não referir ao meu antigo patrão, amigo, colega e orientador Jack Goody. Sus textos têm iluminado o meu caminho, como os dos meus dicípulos. No dia que mudei de Cambridge para o ISCTE, o Jack estava furioso, típico do seu temperamento…E, no entanto, fiquei. Não é fácil mudar Cambridge pelo ISCTE, hoje IUL. As facilidades para o trabalho que lá existem, como a Biblioteca, os Gabinetes, os debates, os Seminários, aos que ainda tenho acesso por ser membro do Senado dessa Universidade, apenas por ser Doutor de Cambridge com Agregação e especializado em Etnopsicologia da Infância, a primeira visão do mundo científico do Jack, que era graduado em Literatura e Letras por Oxford, mas que, após 4 anos de prisão em Auschwitchz, e de intermináveis leituras sobre as formas de vida em outros sítios, como no seu campo de prisão, mudou para Antropologia Social, temática do seu doutoramento em Cambridge, sob a orientação de Meyer Fortes. Os dois não apenas partilhavam as mesmas ideias, bem como trabalhavam e escreviam juntos, como eu com Jack.
Vou usar material inédito pata referir este excerto. Leia o resto do post »
Passar à História
Colocado por Adão Cruz em cultura, geral, literatura em 4 de Julho de 2010
(adão cruz)
Texto, sempre oportuno, de Marcos Cruz
PASSAR À HISTÓRIA
Saramago, Cavaco e os rodapés da história
Colocado por Ricardo Santos Pinto em política nacional em 20 de Junho de 2010
O Presidente da República Cavaco Silva não vai estar presente nas cerimónias fúnebres de José Saramago.
Ainda bem. Também não faz falta.
Seja como for, evita aliar à hipócrita mensagem que enviou a hipocrisia da sua presença. Tanta desfaçatez junta seria insuportável. Todos sabemos o que Cavaco pensa de Saramago e o que lhe fez enquanto Primeiro-Ministro.
Para além disso, Cavaco sabe melhor do que ninguém avaliar a dimensão das personagens e admito que não se sinta bem a homenagear alguém da grandeza de Saramago.
Cavaco Silva sabe bem que daqui a 100 anos, quando se fizer a História de Portugal deste período, Saramago será… Saramago, comparável apenas a um Pessoa ou um Camões, enquanto que ele, Cavaco, não passará de um obscuro governante de finais do século XX e inícios do século XXI.
Onde um volume não chegará para lembrar Saramago, um simples rodapé será demasiado para contar quem foi Cavaco.
Os nossos ancestrais amavam no Chile?
Colocado por Raul Iturra em antropologia, história, sociedade em 12 de Junho de 2010

Promaucaes ou clã Picunche do povo Mapuche, vestidos como antes
Queira o leitor lembrar, que ando a tentar entender o contexto da produção das crianças que cresceram. E que essa produção, não é o resultado de apenas a transferência de saber entre adultos e filhos de uma casa. Para entender esta pergunta, estudei as vidas de três raparigas de diversos continentes, nos anos 90 do Século XX: Victoria, do clã Picunche do povo Mapuche do Chile, Pilar, de Lodeitón, Paroquia de Vilatuxe, Pontevedra, Galiza, e Anabela, da aldeia de Vila Ruiva, Concelho de Nelas, Portugal. Analisei os seus pensamentos e os da sua família. De Pilar tenho já falado. De Victoria, apenas mencionado em outro ensaio, como é o caso de Anabela. Hoje vou introduzir Victoria, do clã Picunche do concelho ou municipalidade de Pencahue, que limita com a cidade de Talca, capital da Província denominada Maule.
Os Picunche eram denominados Promaucaes pelos conquistadores, no século XVI. Na altura que os Castelhanos foram ao país frio, o chile dos Quechua, esse habitantes da hoje República do Peru, esse inimigos imbatíveis, impossíveis de conquistar nas guerras índias (Villalobos,Sergio e tal. 1974; Lizana, 1909; Ovalle, 1646 Pedro de Valdivia, 1545-1542). Os purum auca, os inimigos imbatíveis para os habitantes do norte do sul do hoje Continente americano. Os que dançam, para os Castelhanos, os que se divertem, para quem fez uma enganada tradução mapudungun das palavras. Puru, feliz para os Mapuche e para os que Mapuche têm querido entender. Para os Mapuche, Picunche, as pessoas do Norte, donde che é pessoa, e Picun, Norte. Habitantes do Norte. Do Norte do rio Choapa, que separa os lugares nos quais viviam (ver mapa das etnias). Até Valdivia entregar as terras dos nativos, aos invasores, como relata ao Imperador Carlos V, nas suas cartas citadas. Eram sessenta as famílias invasoras. Terras asaltadas, beliscadas de volta, com raiva, com lanças, com flecha e arco, perdidas e tornadas a recuperar pela compra, séculos mais tarde. Picunche que teciam, teciam a lã dos guanacos locais da Cordilheira de Los Andes, das lamas e vicunhas importadas pelos prévios invasores Inca. Tinham uma horta em cada grupo consanguíneo de lares contíguos, ou rucas, feitas de madeira e barro. Madeira não elaborada, fibra de madeira, ramas de uma árvore, plantas de junco ou coligue entretecido e enchido com lama ou barro, a quincha, como o material é ainda denominado e usado por grande parte da população do país. Antigamente, pelos Pehuenche, os Huilliche, os Picunche, os Mapuche, as várias famílias dos Rauco. Os habitantes não parentes, as vezes inimigos outras aliados, conforme for a continência dos tempos. Por engano, eram denominados Araucanos pelos Castelhanos (SilvaPereira,1998;Bengoa,1985;Villalobos,1974). Cultivavam que hoje ainda cultivam: milho, feijão verde, cabaços ou pencas, donde Pencahue, ají, a quente guinda ou piri-piri; a batata que salvou a Europa e a fez crescer demograficamente e em proteínas, e mani ou amendoim. E outras plantas não conhecidas entre nos, nos verdes vales regados pelos canais de aguas tiradas aos rios circundantes, o branco Claro, e o navegável Maule. Espantados os Castelhanos de ver um homem com tanta mulher, até seis ou sete, e tanto filho. Varias Crónicas sobre o Chile, relatam a fertilidade das terras, a fertilidade das pessoas, a fertilidade do imaginário que adjudica um deus ou espírito a cada fenómeno natural, a cada animal, a cada pessoa. Até hoje, com nomes mortos na memória, mas vivos na dos Mapuche (ver Silva Pereira, 1998). Mapuche e Picunche compartiam os mesmos deuses, a mesma cosmogonia. Que os Castelhanos apagaram rapidamente nas Doutrinas ou Reduções para as quais transferiram esses habitantes. Habitantes que, em breve, se misturaram com os Castelhanos e outros da Espanha, que aí chegaram.
No dignity
Colocado por Daniela Major em história em 4 de Junho de 2010

Hoje depois das aulas, depois de umas horas ao computador mudei para o canal História e dei por mim a ver um documentário semelhante a um outro que já tinha visto, sobre os acontecimentos na Praça de Tiananmen há 20 anos atrás. Só depois, ao ler este texto do Sérgio Almeida Correia, é que percebi porquê.
O que aconteceu em Tiananmen faz-me sempre lembrar uma cena do início do século. E no fim de contas estávamos no fim do século Não sei explicar bem porquê sinceramente mas sempre tive a, sem dúvida, rídicula sensação de que há vinte anos o que aconteceu não devia ter acontecido. Há coisas que há vinte anos – como agora – não deviam ter acontecido. E é por isso que me faz impressão. O facto de ser recente, logo quando se pensava que depois de tudo aquilo já não devia acontecer.
As pessoas não gostam de se lembrar de Tiananmen. Provavelmente porque não gostam de ser lembradas que uma das maiores potências mundiais é uma ditadura. E porque no fundo era muito mais fácil se a China fosse um país pobre de extrema direita com um general no poder provavelmente já nos convinha lembrar Tiananmen.
Nesse documentário, uma das dissidentes dizia que enquanto os Direitos Humanos não forem respeitados na China ela vai continuar a lutar e vai continuar a manifestar-se. Porque esse era o seu dever. A China é uma país que não respeita os Direitos Humanos. É uma país onde não há Liberdade de Expressão, onde há vinte anos milhares de estudantes morreram e não porque eram perigosos reacionários. There´s no dignity. Deles e nossa. E isto tem que ser relembrado. Vezes e vezes sem conta.
(Esta fotografia é para mim, uma das melhores fotografias do século. Representa toda a luta de UM só homem por um ideal justo)
Rosa Coutinho: “Sede cruéis sobretudo com as crianças, as mulheres e os velhos para desanimar os mais corajosos”
Colocado por A. Pedro Correia em história em 2 de Junho de 2010
Morreu o homem que escreveu uma das mais vergonhosas cartas -em papel timbrado da República Portuguesa- da história de Portugal. Nós, seus contemporâneos, não o julgámos devidamente e, neste paísinho, não sei se o futuro o fará.
Todos temos uma responsabilidade moral perante a História, até (ou sobretudo) nos momentos mais radicais e conturbados. Louvá-lo hoje, e branquear a mancha, mais não fará do que envergonhar-nos colectivamente, além de insultarmos as centenas de milhares de mortos brancos e negros, portugueses e angolanos, que resultaram do processo da guerra civil em Angola.
Adenda: O leitor António Duarte (ver comentários) alerta-me para a possibilidade de falsificação da carta e contrapõe este texto de Pacheco Pereira. Dado o clima que então se vivia, com as inerentes manobras de contra-informação, não me custa admitir que seja falsa. Rosa Coutinho interferiu decisivamente no processo independentista angolano e, ao ter escolhido e priveligiado o MPLA como interlocutor, tem, também, a sua quota parte de responsabilidade na guerra civil que se seguiu, concitando os ódios de brancos e negros afectos a outras tendências. Até por isso, admito a possibilidade de falsificação.
Já era tempo, aliás, de se saber mais sobre o processo de descolonização. Muitos dos seus autores foram dizendo, ao longo dos anos, ser ainda cedo para revelarem tudo o que sabiam, prometendo que um dia o fariam. A verdade é que tais revelações não chegam à luz do dia, pese a avançada idade de muitos deles. Penso que Portugal teria a ganhar com algumas revelações sobre um processo que foi, claramente, mal conduzido e fez demasiadas vítimas, durante décadas. A mim cumpre-me, nesta adenda, publicar o verso e o reverso desta questão, assumindo que não possuo provas num sentido ou noutro e que não pretendo de forma gratuita enxovalhar a memória de ninguém. Caso seja falsa a carta, penitencio-me por a ter publicado, não escamoteando que a mesma é pública e corre na net -e noutros meios- há muitos anos.
Crescer
Colocado por Daniela Major em história em 1 de Junho de 2010
É porque esta razão que eu gosto é do século XVI. As únicas polémicas que há consistem nas interpretações das cartas do Chapuys e isto já me dá dores de cabeça suficientes (seja claro senhor!!).
E é por isto que a História do século XX me irrita profundamente. Não tanto a História, peço desculpa. Mas as pessoas que a estudam e que a ensinam. Porquê? Porque somos obrigados, e repito, obrigados a escolher um lado. Eu estudo o século XVI, a malta quer lá saber se eu acho que o Henrique VIII era um tirano, a Maria uma fanática e a Ana Bolena uma puta (a primeira afirmação é mais acertada que a segunda e que a terceira). E porquê? Porque já passámos a fase em que os simples rótulos não chegam. Porque percebemos que as coisas não são assim tão simples, raramente as são muito mais quando falamos de Historia. Os acontecimentos do passado, o que levou a eles não são simples, nunca os foram nem nunca serão tal como a Natureza humana não é.
Rui Ramos com todos os defeitos que pode ter, tem uma virtude. Contrariou e muito quase todos os historiadores que até agora escreviam sobre o Estado Novo. Pode não estar certo? Pode estar errado? Talvez, quem sou eu com os meus parcos conhecimentos para julgar isso. Mas sinceramente, teremos sempre que olhar para a História por apenas uma janela? Ver e aceitar ou considerar apenas uma interperetção? Bolas, vão ler as cartas do Chapuys e percebam que para cada uma há pelo menos quatro interpretações diferentes! E eu e todos os outros temos que lidar com isto. E Deus sabe o quanto isto me custa. Está na hora de crescer e enfrentar o passado e aceitar a noção de que sim a História é revisionista e as pessoas também.
José Garcia Domingues
Colocado por Frederico Mendes Paula em cultura, história em 22 de Maio de 2010
Realizou-se hoje em Silves uma sessão de homenagem ao Dr. José Domingos Garcia Domingues, considerado o maior arabista português do século XX, na altura em que se comemora o centésimo aniversário do seu nascimento.
A sessão, organizada pelo Centro de Estudos Luso-Árabes de Silves (CELAS), contou com a presença de três palestrantes, o Prof. Dr. António Rei, o Prof. Dr. António Dias Farinha e o Dr. Adalberto Alves, que evocaram a grande figura que foi Garcia Domingues e o contributo que deu para o conhecimento da história Luso-Árabe.
Durante a sessão foi lançada a segunda edição da sua obra “História Luso-Árabe”, em cuja introdução escreve o Dr. Adalberto Alves:
“Se não vivêssemos, actualmente, num tempo de total abastardamento ético, político, cultural e social, certamente que Garcia Domingues teria homenagens a nível nacional, como era seu direito e nosso dever.”
Do tabu desaparecido ao aparecimento da História
Colocado por Antonio Serzedelo em geral em 17 de Maio de 2010
O Paquete
Colocado por Adão Cruz em geral, literatura, saúde em 15 de Maio de 2010
(Não sei se já trouxe aqui ao Aventar esta pequena história, verdadeira. Se trouxe, não perde pela repetição).
O Paquete
O Paquete entrou ontem no serviço de urgência, inchado como um tonel, tenso como um balão a que só falta o alfinete para estoirar. Fígado, pulmões, ventre de pandeiro, tudo está encharcado como uma esponja, por um coração entupido.
Sem ar, como se morresse afogado, ou, dentro da linguagem médica, como peixe fora de água. Insuficiência cardíaca grave, insuficiência cardíaca descompensada, anasarca, os vários termos para rotular o sofrimento atroz de um jovem sem culpa, igual a tantos outros que jogam ténis.
Socorrido na primeira fase de compensação, e um tanto aliviado, é internado para estudo. Hoje de manhã veio fazer um ecocardiograma.
O Paquete tem vinte e seis anos e uma cara aciganada, morena de si e roxa da cianose. Começou a trabalhar como moço de trolha aos treze anos, vergado ao peso da tábua e do balde. À força de cachaços lá se erguia quando aninhava com o abafa. Nunca alguém o levara ao médico.
Não tive coragem de colher a sua história antes desta idade, a história da sua infância. A meio do exame diz-me o Paquete, a medo e quase em segredo: sr. doutor estou à rasca para mijar. Deixe-me ir mijar, pelas almas.
No meio de tais máquinas, perante aquela gente de bata branca que ele nunca vira mais gorda, o sofrimento da sua vida levava-o a pensar que pedir para mijar era quase um crime.
O Paquete tem uma gravíssima estenose mitral, com severa insuficiência mitral e tricúspide, e um coração do tamanho de uma melancia. Está numa fase inoperável, a rebentar pelas costuras. Se operado fosse, tudo não passaria de remendo em calças a desfazer-se.
Sem a mínima ideia do que se passa, ele submete-se, humilde, desconfiado, medroso como sempre aconteceu em toda a sua vida. Tem medo que lhe ponham a tábua à cabeça ou o balde na mão. E com aquela falta de ar! Ele que sempre pediu para o deixarem respirar um pouco, antes do peso de outra tábua e de outro balde.
O Paquete nunca fora ao médico e nunca ninguém lhe dera a mão para se erguer. Todos lhe esfacelaram o coração e a vida até rebentar! Pobre Paquete! Pobre barco tão frágil!
Com as lágrimas nos olhos saí do hospital e escrevi esta história de hoje, de há séculos. Escrevo-a em especial para os meninos e jovens que brincam, que jogam, que sonham, e que vão ao médico.
O paradigma da Grande Mesquita de Cordoba
Colocado por Frederico Mendes Paula em arquitectura e urbanismo, cultura, geral, história, religião em 4 de Maio de 2010
A história do Gharb Al-Andalus desperta sentimentos e emoções apaixonadas, discussões acesas e opiniões contraditórias. Foi um espaço de convivência de raças e etnias, de modelos de organização social e política, de experiências espirituais, de florescimento cultural. Apesar de, para muita gente, ser uma história de antagonismos e violência, para mim, quanto melhor a conheço, mais me convenço que foi essencialmente uma história de respeito e tolerância.
Várias vezes me interroguei sobre o facto de as disputas territoriais entre cristãos e muçulmanos terminarem invariavelmente com a demolição dos locais de culto de uns e outros. Inclusivamente na chamada “reconquista cristã” (termo que repudio), as mesquitas eram inicialmente “purificadas” (este outro termo não repudio, abomino) para nelas se celebrar o culto cristão, e mais tarde acabavam por ser demolidas. Demolidas porquê? Por ódio religioso? Por intolerância? Por violência gratuita?
Ao visitar a grande Mesquita de Cordoba fez-se luz no meu espírito.
A melhor definição de sempre
Colocado por Daniela Major em história, humor em 28 de Abril de 2010
Wolf Hall
Hilary Mantel, Civilização, p. 457
Veredicto: Compro. Já tinha saudades de livros sobre prostitutas narrados na terceira pessoa.
Posso acrescentar, que o senhor Cromwell para além de inspector do SEF também fazia tráfico de droga e de influências nas horas vagas. Era também conhecido por difamar pessoas e especialmente por arranjar falsos testemunhos para os amigalhaços (o seu preferido para fazer este papel era o seu subalterno- Richard Rich). Teve uma morte macaca porque os outros sócios do chefe do submundo o tal “Rei”, deixaram de engraçar com ele e finalmente perceberam que isto da boa administração não rendia as despesas em património cultural destruído.
(Pobre Catarina, era uma senhora simpática ela)
antropologia da criança
Colocado por Raul Iturra em antropologia, educação, sociedade em 8 de Abril de 2010

Huaso é uma denominação das pessoas ligadas a atividade pecuária em regiões de ocorrência de campos naturais do vale do Chile.
Tinha guardado este texto e não lembrava. Publico-o agora, escrito como foi desde um Ande da Cordillera de los Andes, texto que foi difícil de enviar por Internet pelas altitudes que cercavam os vales onde eu investigava. Publico-o na altura em que o Chile está dobrado mas não partido.
‘Losotros haulamos dos idiomas’ *
1. É o que diz Marcelo Castro Morales, o puto de dez anos que estudou comigo. Uma das quinze crianças a quem a escola C40 de Pencahue permitiu participar na pesquisa por mim realizada, no frio Inverno chileno. Leia o resto do post »
Be of good cheer
Colocado por Daniela Major em história, literatura, religião em 2 de Abril de 2010
Estava eu, ontem à noite, sossegadinha na minha cama a ler o Peter Ackroyd que interrompi durante meses em prol de um bem superior quando de repente me deparo com uma passagem excelente. Contava eu à meia noite e meia, o número de hereges cuja morte tinha sido da directa responsabilidade de Thomas More, (foram 7, embora o John Petyt tenha morrido na prisão por isso não sei bem se conta), quando o Ackroyd escreve isto:
Ah Thomas é curioso como mesmo no fim do mundo medieval as preocupações eram as mesmas. Sim, vocês viam o Lutero como um anti-cristo e o Tyndale era uma “beste” com uma ” brutyshe bestely mouth” mas não deixa de ser curioso como as coisas funcionam. More era católico e defendia uma fé antiga. Lutero era um homem novo como se chamavam. Tudo apontava para que quem morresse pela fé fosse Lutero e não More.
E enquanto eu reflectia na questão dos padres e Igreja e tudo, aparece-me isto. O novo destrói sempre o velho, já dizia o Beresford no “Felizmente há luar”. Mas nem por isso o velho é esquecido ou diminuído. Ou pelo menos, não o deve ser. E Sir Thomas é o melhor exemplo disso.
As mulheres não gostam de nós
Colocado por Raul Iturra em justiça, sociedade em 27 de Março de 2010

mulher a mandar no seu home
Com justa razão, parece-me a mim. Se lermos o livro de Durkheim de 1893, A divisão social do trabalho, podemos de imediato reparar que o mestre fala do trabalho social sem mencionar o trabalho doméstico em nenhuma das suas hipóteses como analisei no meu trabalho de 2007: O presente, essa grande mentira social, Afrontamento, Porto). Fala, e bem, do trabalho organizado conforme os costumes ou mecânica, e em obediência à lei ou orgânica (disponível em: http://classiques.uqac.ca/classiques/Durkheim_emile/division_du_travail/division_travail.html). É verdade que escreve vários textos sobre o matrimónio, nomeadamente, no Egipto, Japão e Roma e da família conjugal. Mas a minha intenção não é a de analisar o que a ciência social diz sobre essa temática, é, antes, tentar entender o(s) porquê(s) de que a mulher pode não nos amar.
Assim, pretendo fazer falar os meus sentimentos, os dos meus colegas masculinos heterossexuais, e das felonias cometidas por nós em relação às mulheres. Fazer falar o coração e os factos sociais que tenho observado durante anos, nas minhas pesquisas e o que pensam outros autores que têm investigado a relação homem – mulher. Essa permanente subordinação da fêmea ao macho.
Estes dois adjectivos, retirados da forma de falar costumeiras nas nossas sociedades e em outras, denotam de imediato a minha ideia que dá título ao texto: as mulheres não nos amam. Eu, acrescentaria em sub-título: e com justa razão.
Porque é que me parece que as mulheres não nos amam? Pelo sítio social no qual a colocámos, sempre a servirem o homem com quem casaram, com quem vivem ou se amancebaram. Mulheres que sabem não serem as únicas na vida dos seus homens, que aceitam as traições que esse ser comete com outras mulheres ou com outros homens.
Nem todas andam com os seus homens nos sítios que são para homens.
Combater o terrorismo com terror
Colocado por Raul Iturra em geral em 27 de Março de 2010

o terrorismo laico engendra terror de estado
A frase do cabeçalho tem estado a dar voltas na minha cabeça desde esse dia doce e alegre. Dia de hospital e melhoria e de conhecer a minha neta, como relatei no texto anterior.
As viagens foram sempre uma delícia, ou assim nos têm parecido à minha mulher e filhas: bem atendidos no avião, voos suaves e sem pressa. Sem se suspeitar dos vizinhos da aeronave nem das pessoas que nos acompanhavam até ao aeroporto. Era uma simples delícia…
Infelizmente, os que não deviam entraram em terras alheias pela cobiça do ouro preto que o país possuía. Primeiro, o Irão no Iraque, a seguir, o Iraque no Irão, duas vezes em menos de vinte anos. Não menciono o Vietname nem a Coreia: tiveram o seu tempo, longe das terras da Europa e das dos Estados Unidos da América.
Enquanto o pacificador do mundo, por nome Estados Unidos da América, tentava pacificar a eterna guerra entre palestinianos e israelitas sem sucesso, os proprietários do ouro negro batiam-se entre eles. Era uma guerra denominada santa entre ismaelitas, como Saddam Hussein, ou chitas, ora no Irão, ora no Iraque.
A guerra santa ultrapassou fronteiras até ao Afeganistão governado a sangue e fogo pelos Talibães, até entrarem as forças comandadas pelas Nações Unidas e a União Europeia, que tiveram que acalmar também as guerras separatistas das Antigas Jugoslávia e União Soviética. Guerras acalmadas pelas forças da União Europeia e dos Estados Unidos. Histórias todas, bem conhecidas por nós, por serem do nosso tempo. Novas Repúblicas apareceram e a paz entre elas eram resguardadas pelas forças americanas e europeias.
Guerras de terror que nunca mais acabam, especialmente pela liderança do príncipe muçulmano Ossana-bin-Laden, que nunca se sabe onde mora nem desde onde comanda as suas forças para, como disse um dia, acabar de vez com os infiéis ou não crentes em Alá.
As consequências foram duras. Enquanto os Talibãs governavam o Afeganistão. Retirados do poder, as forças norte-americanas e europeias nomearam um Presidente muçulmano de ideias políticas pacifistas, que hoje manda nesse país, enquanto no Irão os Islâmicos Aiatolas mantinham, sob o poder do terror, a população. Os islamitas do Iraque caíram duas vezes sob o mando dos Presidentes dos Estados Unidos, George Bush pai e filho, estado estrangeiro que cativou o petróleo iraquiano, até à chegada ao poder do islamita por parte de pai e cristão por parte de mãe, o metodista americano, Barack Hussein Obama, aparentado com o islamista Saddam Hussein. É a guerra que está na agenda do 44º Presidente dos Estados Unidos, para ser terminada em breve e devolver ao Iraque o petróleo que os Presidentes Bush dos EUA, confiscaram com lucro pessoal (para eles) e uma parte para o Estado Norte-americano. O pouco que ficava era para o povo muçulmano do Iraque.
Poemas do ser e não ser
Delicadamente
ela abriu a blusa e levantou os olhos
decidida.
Era uma mulher de guerra combatida
daquelas cuja face conta a história.
Mansamente baixou a medo as alças do soutien
inclinou a cabeça e fechou os olhos
à espera da minha mão.
Depois
comemos pão de centeio molhado num golpe de azeite
bebemos um capitoso vinho
e fomos à procura de uma paisagem com cegonhas.
antropologia da criança.o que era já não sou, ou torne a ser
Colocado por Raul Iturra em antropologia, humor, sociedade em 13 de Março de 2010

o autor do texto, em bebé
Porquê falar de família hoje? A resposta é simples: temos em frente de nós o começo dum século. E o começo dum século que é um milénio, conforme as contas que os humanos fazemos. Já temos pensado, desde antigamente, que mil anos íamos viver, mas nunca dois mil. E a dois mil entramos, ainda ao 2010. Porém, quais, as perspectivas? Milhentas, como costumamos dizer; em todos os aspectos: nos trabalhos, nas leis, nas uniões associativas dos governos, na nova tecnologia. Será porque o milénio começa que há tanta mudança, ou calhou que, na altura do milénio, mudanças históricas estavam a acontecer? Pelo menos no elo para o qual virei o olhar do leitor, a família. Elo que mais nos interessa por causa de ser base da interacção de pessoas que reproduzem, transferem, duma geração a outra, a forma de viver. Leia o resto do post »













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