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Votaram, não foi?

Não há outra maneira de dizer: temos um primeiro-ministro que em almoços com compinchas planeia desembaraçar-se de jornalistas. Podia preocupar-se com o desemprego, ou com a dívida pública. Mas não.
Temos um primeiro-ministro que é uma vergonha. A  única maneira que arranjo para justificar a sua ascensão ao poder é que todos à volta dele são tão ou mais medíocres que ele. Isso ou a estupidez inerente de muitas pessoas. Temos um Primeiro Ministro que é tão medíocre que precisa de manipular a comunicação social. Temos um Primeiro-Ministro que não sabe conviver com críticas de espécie nenhuma.
Temos um Primeiro-Ministro que se pavoneia por tudo o que é sítio (almoço das mulheres, a sério?) com aquilo que ele julga serem triunfos.
Temos um Primeiro-Ministro que acha que tudo e todos se deve vergar perante a sua vontade, porque ele, coitadinho, está a fazer um esforço, está a tentar melhorar a situação do país.
Temos um Primeiro-Ministro que vive num Estado Demócratico mas é como se não vivesse.
Temos um Primeiro-Ministro que vem de um partido onde militam pessoas como Mário Soares e (militou) Manuel Alegre mas continua a agir como um pequeno Salazar.
E temos um povo que votou nele. Temos um povo que acha tudo isto muito normal, porque têm mais com que se preocupar.
E por isso, temos um povo que merece.

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A inesgotável fonte jornalística

A fonte anónima diz o que pensamos, o que escutamos, o que desconfiamos, desonerando a nossa pessoa de explicar, fundamentar ou provar.
A fonte anónima facilita a vida, e dá credibilidade sem compromisso.
A fonte anónima abre segredos, viola segredos, sem responsabilidades.
A fonte anónima é indesmentível, não conhece contraditório, e é sempre investigação.
A fonte anónima transforma a fuga de informação em sapiência, e as nossas palavras em palavras dela.
A fonte anónima dá sempre jeito, principalmente quando não existe.

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A Década das Redes Sociais:

Este texto foi (ou vai ser) publicado no semanário Primeira Mão e foi escrito no passado dia 29 de Dezembro. Porém, ao ver ontem o programa Eixo do Mal da SIC Notícias, cuja escolha foi idêntica, decidi partilhar com o Aventar esta minha opinião de facto mais relevante da década finda. E já agora: qual foi, para vocês, o facto mais relevante?

Quando se olha para trás e se pensa em tudo o que passou de 2000 até 2009 podemos sempre procurar fazer uma escolha, subjectiva, daquilo que foi mais relevante. O 11 de Setembro e o terrorismo Islâmico, a eleição de Obama, a campanha pelo ambiente e nesta a forte componente mediática de Al Gore, a China e as restantes potências emergentes (Índia, Brasil, etc.), o Iraque, o Euro e o alargamento da União Europeia, a crise internacional dos últimos anos, entre tantos outros factos relevantes.

A ter de escolher um e apenas um, não posso deixar de sublinhar a força adquirida por um dos mais relevantes fenómenos da Era Digital: as Redes Sociais. Basta pensar num dado impressionante: o número de utilizadores das redes sociais na internet é de tal grandeza que, se todos habitassem no mesmo país, este seria o 3º mais populoso do planeta. O Myspace, o Facebook, o hi5, a blogosfera, o Orkut, o YouTube, o Twitter, o Flickr, o Second Life ou o Linkedln, fazem parte do quotidiano de milhões e milhões de pessoas, instituições e empresas. No caso português, somos o 3º país europeu com maior penetração das redes sociais (fonte: Comscore).

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E agora uma coisa completamente igual – um editorial do DN

A propósito disto, tenho a dizer o seguinte:

 

No primeiro parágrafo, o editorialista  recorre à habitual pobreza argumentativa que consiste em afirmar que todas as classes profissionais devem ser tratadas da mesma maneira, porque são classes profissionais. Não haverá classes profissionais em que todos possam ter a possibilidade de aceder ao topo da carreira? Não será que um professor em fim de carreira desempenha as mesmas funções que um outro no início? O que é um lugar de topo na carreira docente?

     O autor considera que a decisão ministerial de acabar com a divisão em categorias é um “gesto carregado de valor simbólico”, como que reduzindo esse acto a um favor feito a uma classe refilona. O calculismo que parece presidir à actuação de Isabel Alçada terá visto nesse gesto a oportunidade de ganhar terreno negocial. A verdade, porém, é que a criação dessas duas categorias, tal como foi posta em prática, constituiu uma dos momentos mais absurdos – e foram muitos – do legado de Maria de Lurdes Rodrigues. Acabar com isso é muito mais do que um acto simbólico, é um imperativo ético.

     Seguidamente, o autor ajusta contas com o passado, afirmando que “raríssimas foram as vozes entre eles que tiveram a inteireza de denunciar em público a farsa na qual se transformara a pretensa avaliação em vigor.”

 

Deduzo que o jornalista que escreve esta peça – porque deve ser um jornalista – tenha investigado o suficiente para saber, sem margem para dúvida, que as vozes foram raríssimas e a avaliação uma farsa. Do mesmo modo, só através de uma aturada investigação se pode concluir que os créditos para progressão na carreira foram “amealhados tantas vezes sem critério” (sublinhado meu) ou que os relatórios eram feitos em “copy-paste”. É essa mesma investigação rigorosa e nada facilista que confere ao jornalista toda a legitimidade para lançar sobre uma classe inteira o anátema de “laxismo moral”.

Sou professor há mais de vinte anos e já vi de tudo na profissão, incluindo laxismo. Sou leitor de jornais há mais de vinte anos e já li de tudo, incluindo falta de rigor. Só tenho um problema: por uma questão de exactamente de rigor, sou avesso a generalizações e procuro, por isso, sopesar afirmações e só por brincadeira me dá para andar a dizer mal por atacado dos portistas, das mulheres, dos jornalistas ou dos professores. Se eu fosse jornalista, faria o mesmo. Se fosse jornalista e me fosse concedido o direito de escrever editoriais, teria ainda mais cuidado com as minhas opiniões, porque acredito, sinceramente, que escrever um editorial, tal como dar uma aula, não é o mesmo que estar a conversar descontraidamente com amigos, exercendo o saudável direito de dizer disparates, que é o que faz qualquer treinador de bancada, tratando-se de futebol, ou qualquer pedagogo de sofá, quando o tema é educação.

     Um jornalista deve produzir afirmações responsáveis e comprováveis, sob risco de cair num “laxismo moral” que acaba por constituir um verdadeiro insulto  à classe a que pertence. Face a isto  a isto, fico tentado a generalizar.

    

 

 

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