Etiquetas de Posts poesia
Poesia Luso-Árabe
Colocado por Frederico Mendes Paula em cultura, história, literatura em 24 de Janeiro de 2010
“A noite lavava as sombras
Das suas pálpebras com a aurora.
Ligeira corria a brisa.
E bebemos! Um vinho velho cor de rubi,
Denso de aroma e de corpo suave”
Poema escrito por Al-Mu’tamid
No ano de 1031 cai o Califado de Córdoba e o Al-Andalus divide-se em reinos independentes, que ficaram conhecidos pelo nome de Reinos de Taifas (do Árabe Muluk At-Tawaif ou reinos fraccionados).
O poder centralizado do Califado Omíada, cada vez mais dependente de uma máquina administrativa pesada e geradora de pesados impostos, aliado aos desejos de autonomia das inúmeras etnias que povoavam o Andalus, estão na origem deste fraccionamento do poder político.
No Sul do território hoje ocupado por Portugal, o Gharb Al-Andalus, constituem-se 4 reinos de taifas _ um grande reino na zona mais a Norte com capital em Batalyaws (Badajoz), um reino correspondendo à região do Baixo Alentejo com capital em Mârtula(Mértola) e dois reinos no actual Algarve, concretamente os reinos de Xilb (Silves) e Xanta Marya Ibn Harun (Faro).
É neste período que floresce uma cultura Hispano-Arabe, sobretudo ao nível da poesia, resultado de uma identidade local criada pela fusão de elementos étnicos árabes, berberes, judeus, hispano-romanos e hispano-godos. Leia o resto do post »
a lição do professor: o contexto social da criança
Colocado por Raul Iturra em sociedade em 14 de Janeiro de 2010
Ensaio de Antropologia da Educação

Conceição Lopes, a Sardinheira
1. Abertura com todos os instrumentos.
Costumamos pensar que é o professor quem ensina. Na pré primaria, ensino básico, ensino secundário, nos outros ciclos, no ensino denominado superior. Os primeiros ciclos, formam um cidadão; os segundos, orientam para um trabalho ou profissão que, os habilitam para tarefas técnicas ou académicas. Todas as alternativas são necessárias e respeitáveis. Todos os de diferentes ciclos, em permanente debate. Nunca há pleno acordo em relação à maneira de ensinar e sobre o que deve ser aprendido pelos mais novos. Mais novo que, pela sua vez, andam a aprender nos seus próprios ciclos de vida: na escola, na casa, no bairro. Crianças nascidas numa sociedade de quem são herdeiros, entendam ou não, saibam ou não, aceitem ou não, mudem ou não.
Normalmente, acabam por retirar da memória social esse palavrão usado por mim e por outros em tantos textos e que consiste em transferir as ideias de uma geração à seguinte – da memória social, o que deve ser feito e o que não. Por outras palavras e de forma simples, retiram de memória social o bem e o mal. Branco e preto. Sem gradações pelo meio, sem mais alternativas que as usadas e inventadas pelos seres que manipulam a vida para continuar, para produzir, para reproduzir. Leia o resto do post »
presentes de natal:ofertas ou coima social?
Colocado por Raul Iturra em arte, cultura, educação, história, justiça, literatura, política nacional, sociedade em 26 de Dezembro de 2009

a rosa da dádiva
Um minuto antes de começar este ensaio, acabei um livro sobre o grupo doméstico. O livro nasceu de uma conferência proferida em Alicante, no IV Congresso de Antropologia de Espanha. Como eram 25 páginas, com imensas citações, fiz de cada citação um texto, com imagens, comentários e definições. Um livro de texto. O livro foi-se escrevendo: é um livro de texto para os meus discentes, o meu presente de Natal. Foi escrito com imagens das etnias que estudamos, fotos dos pais fundadores da nossa ciência, comentários sobre a sua vida pessoal e, como gosto de dizer, outras ervas para criar uma obra com amor nos tempos de cólera. De cólera doença, não de cólera sentimento. Enquanto escrevia, como é época de Natal, fui pensando nos presentes oferecidos, nos recebidos e no silêncio da minha casa antigamente cheia de barulho na quadra natalícia. Quer a dos meus pais, quando éramos adolescentes ou púberes, quer, quando formámos a nossa própria família, quer ainda, na minha casa de hoje, ninho vazio dos passarinhos feitos por nós, enquanto eles fazem os seus próprios e os criam.
Apareceu na minha cabeça esta ideia que o sábio Maori Tamati Rainipiri,

sábio maori Tamati Rainipiri
explicara a um discípulo de Mauss, o criador do conceito reciprocidade como oferecer – aceitar – devolver, em conjunto, reciprocar. Pensamos sempre em reciprocidade como troca mútua ou compensação. Leia o resto do post »
Memorial poético (1)
Colocado por J. Mário Teixeira em literatura em 24 de Dezembro de 2009
Confronto
O ódio é arma que mata,
O divórcio é a secura,
Os remorsos são a errata,
De um amor que é a cura.
Príncipe sem principado,
Soberano por quimera,
Amante sem ser amado,
Herói de uma outra era.
O Homem é poeta,
Sonhador sem igual,
Expulsou Cristo da Terra,
E recusa-se a ser mortal.
Viajante nas horas do tempo,
Ulisses no mundo do sonho,
Já fui guerreiro do Olimpo,
Dando a parte pelo todo.
(Porto, Dezembro de 1993)
Bukowski revisitado #2
Colocado por A. Pedro Correia em literatura em 24 de Dezembro de 2009
Porque toda a gente tem direito a um Natal feliz, eis outro poema de Charles Bukowski, também simples e informalmente traduzido:
as putas de Hamburgo
as prostitutas de Akron estão em todo o lado.
vejo-as em todo o lado
nos filmes
nas outras cidades do mundo
mas vi as putas de
Hamburgo só uma vez.
.
estão lá como seres eternos
à espera.
.
Bukowski revisitado
Colocado por A. Pedro Correia em geral, literatura em 23 de Dezembro de 2009
Dei com um livro de Charles Bukowski esta manhã, acabado de acordar, quando me encontrava na casa de banho. Lugar adequado, pensei, com o sorriso semi-alarve e o preconceito de quem se habituou a olhar para a biografia e para a fama, mais do que para o escritor (apesar, claro, de todo o esforço deliberado que o escritor fez para que confundíssemos obra e biografia, até porque a sua escrita é, quase sempre, autobiográfica). Há anos que eu não lia Bukowski.
Avançando na leitura, libertando-me da ganga inicial, encontrei um poeta – não exactamente um poeta maldito – um poeta apenas, dos bons.
O livro estava em italiano, numa tradução do inglês de Luigi Schenoni. É a partir dessa versão que vos traduzo, de forma simples e rápida Leia o resto do post »
They met some thirty years ago…
Colocado por Raul Iturra em justiça, literatura, música em 21 de Dezembro de 2009
Some thirty years ago, I used to carry my youngest daughter to the school, half a block away from the house. She was blonde, red on her white cheeks, very cheeky, even with me. What a big patience from Dad…
Her face used to illuminate as soon as she saw Katy Pompar, her teacher, and that lot of friends, always surrounded by Russel, Cosh, or Campbell, Harrison and another, distant classmate, Felix Ilsley. There were many more. Time passes away and one forgets names, but not faces, games and intimacy

children playing away
Time passes away. They grow up. They study. They ride their bicycles in our Cambridge town and surroundings countryside. Secondary School meets them at their eleven years of age, and six years later, the Pre University A level School. Camila was always a bright student. Just a glance on a book and the ideas, as also happened with our elder daughter Paula, became a memory in their minds.
To wake her up in the morning was an agony. She always wanted to sleep more! I used to go into her bedroom and bed and sung for her. It used to be a sweet lullaby to wake her up, very smoothly, lovely and tender. For a number of years, she came to be the woman of the house: her Mother used to work away from Cambridge, and I, away from UK. Problems of the adults…that children pay…
Time flew away. She became my soul mate, my companion, my caretaker. I am so grateful!
Because of family work, Felix had to leave St. Pauls’ Primary school….
Years later, they mate again…and the miracle

love and tenderness
Jardim de Inverno: Neruda
Colocado por Carla Romualdo em literatura em 21 de Dezembro de 2009
Jardín de invierno
Llega el invierno. Espléndido dictado
me dan las lentas hojas
vestidas de silencio y amarillo.
Soy un libro de nieve,
una espaciosa mano, una pradera,
un círculo que espera,
pertenezco a la tierra y a su invierno. Leia o resto do post »
Melodía de Invierno
Colocado por Carlos Loures em cultura em 21 de Dezembro de 2009
Mañana de invierno. Silencio. Neblina.
La vega aplanada exhala luz divina.
Mudos los jardines bellos.
Cielo azul. Fuentes heladas.
Mustias rosas escarchadas.
Blancos e turbios destellos.
Una madre andrajosa cruza el jardín.
Tiene el sol un crescendo. Leia o resto do post »
A pálida luz da manhã de inverno
Colocado por Carlos Loures em literatura em 21 de Dezembro de 2009
A pálida luz da manhã de inverno,
O cais e a razão
Não dão mais ’sperança, nem menos ’sperança sequer,
Ao meu coração.
O que tem que ser
Será, quer eu queira que seja ou que não.
No rumor do cais, no bulício do rio
Na rua a acordar
Não há mais sossego, nem menos sossego sequer,
Para o meu ’sperar.
O que tem que não ser
Algures será, se o pensei; tudo mais é sonhar.
Fernando Pessoa
Poesia – Inverno – Bocage
Colocado por José Fernando Magalhães em literatura em 20 de Dezembro de 2009
Já o Inverno, expremendo as cãs nevosas,
Geme, de horrendas nuvens carregado;
Luz o aéreo fuzil, e o mar inchado
Investe ao pólo em serras escumosas;
Ó benignas manhãs!, tardes saudosas,
Em que folga o pastor, medrando o gado,
Em que brincam no ervoso e fértil prado
Ninfas e Amores, Zéfiros e Rosas!
Voltai, retrocedei, formosos dias:
Ou antes vem, vem tu, doce beleza
Que noutros campos mil prazeres crias;
E ao ver-te sentirá minha alma acesa
Os perfumes, o encanto, as alegrias,
Da estação que remoça a natureza.
Inverno: Jorge de Sena
Colocado por Carla Romualdo em literatura em 20 de Dezembro de 2009
Glosa À Chegada do Inverno
Ao frio suave, obscuro e sossegado,
e com que a noite, agora, se anuncia
depois de posto, ao longe, um sol dourado
que a uma rosada fímbria arrasta e esfia…
Da solidão dos homens apartado,
e entregue a tal silêncio, que devia
mais entender as sombras a meu lado
que a terra nua onde se atrasa o dia…
Recordo o amor distante que em mim vive,
sem tempo ou espaço, e apenas amarrado
à liberdade imensa que não tive,
e que não há. Como o recordo agora
que a luz do dia já se não demora,
se apenas de si próprio é recordado?
(Líricas Portuguesas, Portugália Editora)
Poemas com história: Memória descritiva
Colocado por Carlos Loures em literatura, memória descritiva em 20 de Dezembro de 2009

Com «Memória descritiva» encerro esta série dos «Poemas com história» Durante alguns meses, à razão de um por semana, aqui fui fazendo desfilar textos poéticos que escrevi, sobretudo durante o período da ditadura – alguns pertenciam a livros que foram apreendidos pela polícia, tais como «A Voz e o Sangue» (1ª edição em1967) e «A Poesia Deve Ser Feita Por Todos» (1970). O primeiro destes títulos foi a causa próxima da minha prisão em princípio de 1968. Outros pertenciam à única colectânea de poemas que publiquei depois de 1974 – «O Cárcere e o Prado Luminoso» (1990). Alguns, muito poucos, eram inéditos. Leia o resto do post »
Poemas com história: Trago uma voz encarcerada
Colocado por Carlos Loures em literatura em 19 de Dezembro de 2009
O poeta Marcos Ana na Feira do Livro de Madrid, em Junho de 2009.
O escritor Marcos Ana, pseudónimo de Fernando Macarro Castillo, nasceu perto de Salamanca em 1920. Durante a Guerra Civil, integrado no Exército da República, participou na Batalha de Madrid. Preso, foi torturado e condenado à morte, embora a pena nunca tenha sido cumprida. Em meados dos anos 50 começou, na prisão, a escrever os seus poemas. A sua obra chegou a diversos intelectuais e gerou-se um movimento para a sua libertação. A Amnistia Internacional pressionou o governo de Franco e, em Novembro de 1961, foi exilado em França. Leia o resto do post »
Poemas com história: Defesa de um ladrão de fogo
Colocado por Carlos Loures em literatura em 12 de Dezembro de 2009
Este poema, publicado em «O Cárcere e o Prado Luminoso», terá sido escrito pouco antes da Revolução de Abril, quando a luta armada, através das acções da LUAR, da ARA e das BR, começava a ferir as estruturas militares da ditadura. Em 1973, Outubro, salvo erro, aderi ao Partido Revolucionário do Proletariado, que se formara em Setembro, em Argel. Como se sabe, o PRP apareceu como estrutura política das Brigadas Revolucionárias, que já existiam e operavam. Ladrões de fogo era uma designação que eu usava, desde há muito tempo, para os que lutavam contra o regime, fazendo apelo ao mito de Prometeu. O poema é, portanto, uma auto-justificação e, num sentido mais amplo, uma explicação dos mecanismos que levam os homens a pôr em causa a sua liberdade e até o seu bem-estar para lutar por uma causa. Neste caso, o roubar o fogo do Olimpo, o poder, retirando-o da mão dos deuses, os oligarcas, e entregando-o ao povo. Passado este tempo, vejo que apenas simbolicamente o fogo está em poder do povo. Mas já todos aqui conhecem o que penso sobre a Democracia que temos. Vamos mas é ao poema. Leia o resto do post »
Poemas do ser e não ser
Colocado por Adão Cruz em literatura em 11 de Dezembro de 2009
Ouço o silêncio
dos olhos que se fecham
na falta de esperança.
Amo o silêncio
das cores vivas e do sonho
que nos tece a alma
entre a vida e a morte.
Dói-me o silêncio negro
dos gritos proibidos
e sinto o dourado silêncio
dos gestos da noite
que nos abrem os olhos.
Amargo o silêncio
das horas sem brilho
e vivo o silêncio do mar
que risca na areia a força vencida.
Assumo o silêncio sagrado
da liberdade e da vida
e o silêncio de um céu de fogo
que nos abre a cova na terra fria.
Poemas do Ser não Ser
Diz-me onde tens a alma
gostava tanto de saber
gostava tanto de beber
um cálice de vodka
ou de porto
à saúde da tua alma…
Ou de fel
não importa.
Poemas estoricônticos
Colocado por Adão Cruz em história, literatura em 27 de Novembro de 2009
Ela viveu muitos anos na cidade da memória
e foi-se perdendo pelos recantos
da alegria e da tristeza.
Recordo-a ainda
nos pátios sevilhanos
da minha história
nas madrugadas alucinantes
do canto cigano de Las Chapas
e do plangente grito das guitarras nuas.
Eu quis que este encontro
assomasse a alma das coisas
e tocasse as cordas de um violino
onde quer que ele estivesse.
Eu quis que a pintura fosse dura
poética
incendiada
mas a melodia desconcertada
foi uma dramática dança de marionetas.
Poemas do ser e não ser
Colocado por Adão Cruz em Sem categoria em 23 de Novembro de 2009
Mãos de ausência
As mãos grudadas de ausência
fincam dedos na argila dos lençóis
e abrem sulcos no ventre da noite.
Mãos sem poder nem domínio
sem rigor nem justiça
mãos impermanentes
demasiado abertas
para os punhos fechados que encerram.
Mãos secas
pegadas à idade das pedras
a cabeça de ontem
nas grades ferrugentas de hoje.
Olhos molhados
um olhar mendigo a tempos de outro tempo.
Dentro da quinta em ruínas
no meio de silvados
urtigas e ervas daninhas
anos e lustros a caminho de séculos.
Os olhos de minha mãe
cheios de outroras e lágrimas
mostram-me todas as lágrimas do mundo
nas lágrimas de tudo o que se verte em lágrimas
por dentro e por fora do tempo.
Restos de um lago seco
entulhos e restos
esqueletos de cameleiras
escadas sem fins nem degraus
portas e janelas esventradas
de foras e sombras.
Mãe
que o sol se lembre de nascer
onde o carinho é poema
onde o amor e o mar se tocam
dentro de uma gota de orvalho.

















Comentários recentes