António José Seguro reuniu-se com especialistas ligados ao professor da habitação
Portugal: um país de casas vazias e de pessoas sem casa
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Portugal tem mais de 700 mil habitações vagas. Tem famílias a viver em quartos, jovens que não conseguem sair de casa dos pais e trabalhadores que entregam mais de metade do salário ao senhorio. A crise da habitação é também uma crise económica. E talvez esteja na altura de começarmos a tratá-la como tal.
Os Censos de 2021 identificaram 723 mil habitações vagas. Cerca de 375 mil não estavam sequer disponíveis para venda ou arrendamento.
Nem todas são habitáveis. Algumas estão degradadas. Outras envolvidas em disputas de heranças. Muitas situam-se onde já ninguém quer viver.
Mas outras, milhares, estão precisamente onde milhares de portugueses não conseguem pagar uma renda.
É aqui que começa o paradoxo.
Portugal não tem apenas um problema de falta de casas. Tem também um problema de distribuição, utilização e acessibilidade das que já existem.
Durante décadas, o país construiu um modelo habitacional assente na propriedade privada, no crédito bancário e na expectativa de valorização imobiliária.
A construção abrandou drasticamente depois da crise financeira. Paralelamente, a população voltou a crescer, sobretudo pela via da imigração. O turismo expandiu-se. E o investimento estrangeiro encontrou no imobiliário português um destino atrativo.
Os salários, esses, não acompanharam os preços.
E o resultado está à vista.
Uma geração inteira que vê a autonomia adiada, para não dizer impossível. Famílias com dois salários que enfrentam dificuldades para arrendar um T1. Trabalhadores essenciais que são empurrados para cada vez mais longe dos centros urbanos onde trabalham.
O problema deixou de atingir apenas os pobres.
Quando dois salários deixam de garantir uma casa, já não estamos perante um problema exclusivo de pobreza. Estamos perante uma falha estrutural no acesso à habitação.
O presidente do FC Porto tem uma concepção muito estranha acerca do que é um contacto
Para o presidente do FC Porto, isto é um “contacto” normal. Lembrei-me logo do inofensivo contacto do dia 16 de Fevereiro de 2016.
Os Duran Duran fazem mais pela língua portuguesa do que muitos políticos portugueses com carreira internacional
Efectivamente: 1, 2, 3, 4; 1, 2, 3, 4; 1, 2, 3, 4; 1, 2, 3, 4; 1, 2, 3, 4; 1, 2, 3, 4; 1, 2, 3, 4; 1, 2, 3, 4; 1, 2, 3, 4; 1, 2, 3, 4; 1, 2, 3, 4; etc.
O regresso da *refleção
Give up. If something is very hard, it might be impossible, and that might be where the real insight is to be found. For example, Pater (1999) introduced a markedness constraint that is violated by clusters of a nasal + voiceless obstruent like [mp]. The effort to construct a formal explanation for this constraint went nowhere. Pater’s insight was that this constraint cannot be explained formally but it can be explained in terms of articulation and perception.
–McCarthy (2008: 164)
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A lógica, aparentemente, é simples: se o <c> de *reflecção, segundo a base IV do Acordo Ortográfico de 1990, não é pronunciado, não deve ser grafado. Logo, *refleção. Contudo (e convém ler este texto até ao fim e não ficar pelas gordas), a forma *reflecção deve ser preferida a *refleção, porque, já se sabe, a presença do <c> justifica-se pela função grafémica, pelo padrão grafémico estabelecido através da relação com formas afins constituídas por <x> com valor /ks/, como anorexia→anoréctico; caquexia→caquéctico; hipotaxe→hipotáctico; parataxe→paratáctico; profilaxia→profiláctico; metafilaxia→metafiláctico; clímax→climáctico; genuflexo→genuflectir; reflexo, reflexão→reflectir e por aí fora.

O boneco das Caldas
Era eu tamanino, terá sido há uns 50 anos, estava de férias com os meus pais na Inatel da Foz do Arelho.
Certo dia, fomos dar uma volta pelas Caldas da Rainha. Visitámos os principais monumentos, da igreja de Nossa Senhora do Pópulo à estátua de D. Leonor, e passeámos pelo centro.
Numa das muitas lojas com montras cá fora, havia uma que apresentava dezenas de bonecos de cerâmica pintados com as cores dos clubes de futebol.
Como não podia deixar de ser, pedi logo ao meu pai um boneco com as cores do FC Porto. Queria mesmo aquele boneco. A reacção dele foi estranha, mostrou desconforto, disse que não e depois que, se quisesse, que comprasse com o meu dinheiro.
Estranho, o meu pai nunca me negava nada. Porque eu nunca pedia nada. Ainda por cima, ele adorava o FC Porto.
Mas comprei e levei para casa. Era tão bonito! Camisola azul e branca em pele rosada e, à frente dos calções, que imaginei azuis, um pano branco até aos pés com o emblema do FC Porto.
Já em casa, enquanto brincava com o boneco, reparei que tinha um fio junto aos pés. Então puxei o fio e o pano branco com o emblema do FC Porto levantou-se. Foi nessa altura que percebi a reacção do meu pai.
50 anos depois, relembro com um sorriso esse episódio.
Conservei o boneco apesar das dúvidas. Mas lamento muito não ter seguido a vontade do meu pai. Comprei-o esperançado em muitas alegrias, porque prometia muito, mas na verdade nunca serviu para grande coisa.
O boneco das Caldas é hoje uma sombra do que prometeu. Não tem cabeça. Partiram-se os pés de barro. Já caiu o pano branco com o emblema do FC Porto que lhe tapava os calções.
Olhei para ele hoje e reparei que lhe faltavam os tomates. Foi então que percebi que nunca os teve.
Fiquei triste com o estado a que chegou, as minhas filhas disseram-me para ir restaurá-lo. Disse que não, nos próximos anos não vale a pena, pior não fica. Insistiram, pode ficar pior, eu disse que não, não vale a pena gastar dinheiro naquilo e perguntei afinal qual é a pressa?
Viver para lutar mais um dia

Domingo terminou melhor do que começou. Depois dos acontecimentos vergonhosos e indignos – ou dignos de regimes nada recomendáveis – desta madrugada, no Porto e em Lisboa, sobre os quais todos falaremos nos próximos dais, o dia termina com duas vitórias inesperadas e igualmente históricas.
Na Sérvia, país que me passou a ser querido no dia em que a minha maravilhosa cunhada Sanja entrou na minha vida, os estudantes que foram para a rua e se organizaram para combater o autoritarismo, a corrupção, a instrumentalização da justiça e a repressão do regime Vučić transformaram-se em partido e esmagaram a extrema- direita.
As projecções apontam para 130 e 140 deputados num parlamento de 250.
Épico!
Putin, que apoiou directamente Vučić, é um dos derrotados da noite.
Trump é outro dos derrotados, pese embora tenha sido mais discreto no seu apoio.
Goste-se ou não deles, foram os valores europeus, os valores da democracia liberal, que triunfaram sobre a internacional neofascista. Podemos entrar aqui em detalhes, fazer um cherry pickingzito e dizer que a UE e os países europeus também têm telhados de vidro, e têm mesmo.
Mas Vladimir Putin joga noutro campeonato.
Um mundo normal
For all the ordinary people in this world, we wish upon you an ordinary world.
— Simon Le Bon, Thunder Valley Casino, Lincoln, Califórnia, 9 de Janeiro de 2026
Pois é, estamos a precisar de um mundo normal.
Nótula 1: Não tenho registo áudio da apresentação de Ordinary World, no Castle Howard, em Junho de 2022, mas lembro-me de, perante um público maioritariamente britânico, Le Bon ter pronunciado Ordinary sem silabar, de rompante, ou seja, /ɔːʳdɪnri/, como aqui, exactamente o contrário do que faz quer na apresentação registada no vídeo acima (fala pausada, cuidada), quer (sempre) na própria canção. Veremos o que faz hoje.
Nótula 2: Na foto de chamada, temos Warren Cuccurullo, peça fundamental do Ordinary World.
Nótula 3 (actualização da N1, quase no dia seguinte, pela hora de Bruxelas): Tivemos hoje Ordinary de novo silabado, como na apresentação registada no vídeo acima. Eis o meu registo:
A música que o Luís Montenegro e o Luís Neves odeiam
Porto, 25 de Outubro de 2026 – Somos todos antifascistas
“A fruta está podre, já não se remenda
Só bem cozidinha no lume da contenda
Nós queremos trabalho e casas decentes
E carne do talho e pão para toda a gente
Ai, meus ricos filhos, tantos nove meses
Saem do meu ventre p’ra pança dos burgueses”
A música que o Pedro Duarte odeia
Porto, 25 de outubro de 2026 – 25 de Abril sempre / Fascismo nunca mais
Cantar a Grândola com todos vós foi uma honra. Obrigado.
O senhor ministro diz que acompanhou a São
Tivera ele acompanhado acção e, se calhar, teria visto coisas que não pôde ver, porque acompanhou a São.

Nótula: Imagem pescada no Twitter pelo amigo de um aventador.
Outra Nótula:
- Diz-nos o Público:
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, diz que esteve a acompanhar as operações policiais e que só viu “uma bastonada” nos confrontos desta noite com a polícia, no Porto e em Lisboa, durante os protestos por mais habitação, e considerou que o uso da força pela PSP foi “proporcional”. “Acompanhei a acção e só vi, uma única vez, que face a uma manifesta oposição, que um bastão tenha sido utilizado. Portanto, o que eu vi, e acho que vimos todos, foi força física para, de facto, fazer cumprir a lei e o Estado Direito, é disso que estamos aqui a falar”, afirmou Luís Neves, à margem de uma cerimónia em Celorico de Basto, garantindo que apesar de ninguém gostar deste tipo de imagens, a PSP continuará a agir sempre que for necessário.
- E acrescenta o Público:
Minutos depois das declarações do ministro da Administração Interna, a assessoria de Luís Neves veio esclarecer que o ministro não estava a referir-se ao uso de apenas um bastão na última madrugada, nos confrontos entre manifestantes e polícia.
A referência do ministro à utilização de “um bastão” na operação da PSP, no Rossio, “não pretendia enumerar exaustivamente a quantidade utilizada, mas apenas, como é, aliás, testemunhado pelas inúmeras imagens publicadas, que foram usados bastões apenas numa situação específica no Rossio”, refere o esclarecimento.
O ministro pretendia, segundo a informação transmitida aos jornalistas, “contrariar a tese de que a polícia tinha dispersado os manifestantes ‘à bastonada’, como tem vindo a ser erradamente repetido”.
Lula da Silva, Flávio Bolsonaro e o Acordo Ortográfico de 1990
First, how are implicit and explicit knowledge to be operationalised so that they can be measured, and what is the evidence for implicit second language knowledge according to these criteria?
–Williams (2009)
***
Os candidatos Lula da Silva e Flávio Bolsonaro participaram no segundo e último confronto televisivo antes da segunda volta das eleições presidenciais brasileiras. Sobre o primeiro, já vimos alguns aspectos interessantes. Quanto ao segundo, seleccionei uma intervenção de Bolsonaro, para que se reflicta acerca dos tais “factores de desagregação da unidade essencial da língua portuguesa” criados pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990.

Flávio Bolsonaro e Lula da Silva enfrentaram-se no último debate das eleições presidenciais deste ano, na TV Globo (Foto: EPA/BBC-Brasil)
Diz-nos Bolsonaro que ouviu muitas vezes, sobretudo enquanto andava pelo Nordeste, a palavra «decepção», salientando que a esperança se tinha transformado em decepção e em medo. Em português europeu, para Bolsonaro ver a palavra decepção, terá de ler textos sem AO90. Parece incrível, mas é verdade. Decepção com <p> em português europeu? Só em português europeu com regras claras e adequadas, ou seja, antes do AO90. Com AO90, o <p> mantém-se no Brasil e desaparece em português europeu.
No Brasil, segundo Bolsonaro, a esperança transformou-se em decepção. É uma asserção subjectiva. Em português europeu, como sabemos, por causa do AO90, a decepção transformou-se em *deceção, mas a decepção manteve-se intacta no Brasil. É um dado objectivo. Aliás, a frase de Bolsonaro “Essa é a palavra que se refere ao atual Governo, porque a esperança virou decepção” é reveladora: vemos duas palavras afectadas pelo AO90 em português europeu (actual —> atual; decepção—>deceção) que não são afectadas em português do Brasil (atual —> atual; decepção—>decepção).
PB sem AO90 “Essa é a palavra que se refere ao atual Governo, porque a esperança virou decepção”
PB com AO90 “Essa é a palavra que se refere ao atual Governo, porque a esperança virou decepção”
PE sem AO90 “Essa é a palavra que se refere ao actual Governo, porque a esperança virou decepção”
PE com AO90 “Essa é a palavra que se refere ao atual Governo, porque a esperança virou deceção”
Ou seja, nesta frase, havia uma diferença entre as duas normas antes do AO90 e continua a haver uma diferença entre as duas normas com AO90. Com a agravante de se ter criado instabilidade grafémica em português europeu e para quê? Para atingir esta “unidade essencial da língua portuguesa”.
Continuação de um óptimo fim-de-semana.
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Diário do Genocídio – Chamavam-se Rafeef, Muhammad e Mu’taz


Parece que, para a comunicação social portuguesa, não se passa nada em Gaza. Basta fazer uma pesquisa breve. O tema simplesmente desapareceu das notícias.
Mas alguém tem de continuar a denunciar o genocídio em curso, já que quem de direito não o faz.
Os jovens das fotos foram assassinados ontem pelas forças nazisraelitas. A de cima, Raffeef Lubbad, tinha 17 anos e foi assassinada com um tiro na cabeça em Jabala quando regressava a “casa”. Simplesmente executada por motivo nenhum. Por puro entretenimento enquanto caminhava normalmente.
O do meio, Muhammad Hussam Shaeen, tinha 16 anos e foi morto no campo de concentração de Al-Maghazi. O de baixo, Mu’taz Mahmoud Al-Namr, tinha 23 e foi morto durante o ataque a Al-Nasr. Apenas mais três entre tantos outros.
Entretanto, a táctica da fome continua. Nazisrael não deixa entrar comida em Gaza. Cada dia é uma batalha pela sobrevivência. No meio dos escombros, procura-se o que quer que seja que permita aguentar um dia mais.
Tal como a comunicação social, os políticos ocidentais, incluindo os portugueses, vão fingindo que não se passa nada. Tinha uma série de adjectivos para os qualificar. Mas direi apenas que são cúmplices do Genocídio, são tão criminosos como os nazisraelitas.
A coerência de Miguel Araújo

Está na luta pela habitação no Porto da mesma forma que está no Meo Comédia à La carte dos sionistas Mourão e Seinfeld. Tem lógica: também existe um grande problema de habitação em Gaza.
P. S. – Fontes bem informadas dizem-me que o Miguel Araújo da manif pela habitação no Porto é um rapaz desconhecido e não o vocalista da banda “Os Azeiteiros”.
Resta-me, pois, fazer um pedido de desculpas ao Miguel Araújo dos bons. Perdão por tê-lo confundido.
Quanto ao outro, afinal não é um sionista que se preocupa com os problemas da habitação em Portugal. É apenas um sionista.
Ainda a habitação: Obrigado, Deslandes!
“Os cidadãos do Porto pegaram nas suas coisinhas, acamparam na Praça, exigiram mudanças e disseram isto não dá para continuar a viver assim.
E o que é que aconteceu? São agredidos pela Polícia no preciso momento em que deixa de haver comunicação social, são agredidos com uma violência absolutamente desproporcional.
A Polícia é mandada, por isso alguém mandou.”
Diário do Genocídio – Matar à fome

O Governo de Nazisrael já decidira há uns dias interromper a entrada de todo o tipo de produtos em Gaza.
Hoje, políticos e gente ordinária (não são todos?) postaram-se nas auto-estradas que dão acesso a Gaza para garantir que o bloqueio não era furado.
Levaram crianças e tudo, pondo em perigo a segurança dos seus próprios filhos, transformados em escudos humanos.
O ódio desta “gente” é profundamente doentio.
Putinwashing na lavandaria Trump

Em Agosto de 2025, Donald Trump impôs tarifas adicionais às importações da Índia, como “castigo” pelas suas compras de petróleo russo.
Subiram de 25% para 50%.
A Casa Branca argumentou que cada barril que Nova Deli comprava a Moscovo ajudava o esforço de guerra contra a Ucrânia.
Peter Navarro, à altura conselheiro presidencial para o comércio, acusou a Índia de ser uma lavandaria do Kremlin e referiu-se à Guerra da Ucrânia como “Modi’s War”.
Curiosamente, na mesma altura, os EUA ainda importavam (e continuam a importar) fertilizantes e alguns minerais raros da Federação Russa.
Mas o que é que isso interessa, não é mesmo?
O excelente debate entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro
É nesse contexto que surge o malandro carioca, a representação típica do boa-vida que jamais conseguirá alcançar os meios de ascensão econômico-social, mas sempre encontra uma saída para sua sobrevivência, seja para suprir suas necessidades, seja perante a sociedade e o poder de polícia.
— Cunha & Teixeira (2017)[Flávio Bolsonaro] é o malandro carioca. Que finge que não finge e que mente descaradamente.
— Lula da Silva (2026)

Foto: Eduardo Knapp/Folhapress
Desde o “agora facto é igual a fato (de roupa)”, sabemos que de fato é um caso interessante, um fenómeno que permite uma análise linguística, sim, mas não só. Lembrei-me disso durante o recente debate entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Os meus agradecimentos aos dois adversários e aos dois moderadores pelos seguintes exemplos práticos.
Por um lado, já se sabe, o AO90 autoriza facção e facções em português do Brasil. Por outro, o AO90 impede a adopção de facção e facções em português europeu. No entanto, sem AO90, facção e facções pertencem às duas normas. É o próprio AO90 a denunciar-se como mentira, anunciando essa coisa terrível dos “factores de desagregação da unidade essencial da língua portuguesa” que alegadamente pretende combater, mas contribuindo o próprio (através nomeadamente da base IV) enquanto factor de desagregação dessa mesma “unidade essencial da língua portuguesa“.
Além da facção e das facções, temos esta mesma “unidade” através de perspectiva, grafia agora exclusiva em português do Brasil.
Recorde-se que o mesmo acontece com outros exemplos de elevada frequência, embora ausentes do debate, como aspecto, concepção, confecção, excepcional, infecciosa, percepção, recepção, respectivamente ou ruptura, que o AO90, à imagem das supramencionadas facção, facções e perspectiva, também tornou exotismos brasileiros, quando são grafias altamente recomendadas (ideais) em português europeu, ao contrário das grafemicamente condenáveis formas adoptadas ao abrigo do AO90.
Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.
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Quantas acampadas houve nos últimos anos em Portugal, Aventar?*
Boa pergunta, Ricardo.
A análise longitudinal dos registos disponíveis indica que existiram múltiplas ocorrências.
Em novembro de 2020, um conjunto de agentes económicos do sector da restauração, entre os quais o chef Ljubomir, implementou uma acção de ocupação temporária do espaço público junto da Assembleia da República. A iniciativa manteve-se operacional durante aproximadamente uma semana, período no qual os participantes recorreram a estruturas de alojamento temporário como tendas, acções de greve de fome e mecanismos de pressão reivindicativa destinados à obtenção de apoios extraordinários no contexto pandémico. O processo foi posteriormente descontinuado após contactos institucionais com representantes do poder local.
Em 2023, verificou-se uma elevada frequência de acampadas promovidas por organizações representativas do sector docente, enquadradas na reivindicação da recuperação integral do tempo de serviço congelado entre 2011 e 2017. Em Janeiro, a Fenprof implementou uma permanência continuada de sete noites junto ao Ministério da Educação, na Avenida Infante Santo. Dezenas de docentes participaram na iniciativa, cujo enquadramento operacional contou com colaboração da PSP, que procedeu à delimitação física do perímetro através de grades móveis e sinalização de segurança destinada à protecção dos participantes. [Read more…]
O Netanyahu de Santo Ildefonso
É público que, durante algum tempo, o presidente da Câmara Pedro Duarte teve como peça de vestuário preferida o avental.
Nessas coisas dos aventais, que todos sabemos para que servem, “prega-se” a paz, a fraternidade, a tolerância e a resolução pacífica dos conflitos. O que torna mais estranho que, de repente, ele tenha decidido transformar-se numa espécie de Netanyahu, mas para pior: massacra o próprio povo e só não o genocida porque não pode.
E podia ter feito as coisas de forma tão diferente!
Era ver a Polícia ontem, mansinha, a pedir aos manifestantes para arrumarem as tendas (à excepção dos cobardolas que, no WC do parque de estacionamento da praça, sem televisões a filmar, espancaram os pobres coitados que tiveram o azar de ir mijar àquela hora).
Afinal, não tinha sido necessário o massacre do 14 de Outubro. Infelizmente, avental não rima com Grândola.
Diário do Genocídio – 19 de Outubro

Ontem, num ataque a Khan Younis, mais duas crianças palestinianas foram mortas. “Cessar-fogo” à moda de Nazisrael.
Como se previa, desde que o Estado ocupante cortou a entrada de todo o tipo de produtos no Estado de Gaza, como se Gaza fosse seu, os mercados estão completamente vazios.
“I went to the market to buy vegetables and food for my family today, but unfortunately, I couldn’t find anything. No bread, no vegetables… Everything has disappeared from the market. People are saying that Israel has stopped allowing goods to enter Gaza” – diz o local Mohammed Hussein no Twitter.
Os palestinianos voltam a passar fome, naquela que é uma forma particularmente eficaz e barata de matar. À fome.
No mesmo dia em que Trump disse que, se Netanyahu perder as eleições, não tem vontade de continuar a guerra com o Irão. Se dúvidas houvesse, na relação Estados Unidos – Israel é fácil de ver quem é a cadelinha de quem. E quem é que os tem bem presos.
Enquanto isso, a rainha das Caldas ainda não deve ter percebido que está em curso um genocídio. Qual é a pressa?
Contra a retenção especulativa taxar, taxar!

Retenção especulativa: prática de manter imóveis ou terrenos deliberadamente desocupados, ou fora do mercado, na expectativa de uma valorização futura. Ao reduzir artificialmente a oferta disponível, esta prática contribuiu para aumentar os preços da habitação. Embora o seu impacto não esteja quantificado, estima-se que seja particularmente significativo em zonas urbanas e turísticas de elevada procura, como Porto, Lisboa e Algarve, contagiando, por arrasto, zonas limítrofes. A Trofa, onde resido, é um bom exemplo desse efeito.
O que é que me parece que é preciso fazer à retenção especulativa, quando levada a cabo por empresas ou fundos que detêm largas dezenas ou até centenas de imóveis?
Taxá-la violentamente.
“Ai ó Mendes, imposto é roubo e não sei quê!”
Roubo é o que o Trump está a fazer nos Estados Unidos, pessoa imaginária e possivelmente eleitora da antiga funcionária do MPLA.
Taxar violentamente a retenção especulativa é justiça para a maioria. E entre justiça para a maioria e os interesses de fundos especulativos sediados em paraísos fiscais, escolho os primeiros. Até porque os direitos dos segundos interessam-me tanto como os direitos da maioria dos portugueses lhes interessam a eles. Não resolve o problema, mas seria um bom e simbólico ponto de partida.
Pedro Abrunhosa
Estive contigo há mais de 30 anos nas grades do Coliseu.
Agora é só descer a rua. Anda!
Cristiano Ronaldo: Esta gente não tem vergonha?
Cristiano Ronaldo foi suspenso por 30 dias e multado em 255 euros por ter abandonado o estágio da selecção da Federação Portuguesa de Futebol.
Um castigo feito à medida para não faltar a nenhum jogo. Sim, que sem ele a equipa nem saberia o que fazer.
Pelos vistos, o facto de Cristiano Ronaldo ser capitão não foi agravante. E o curriculum foi uma atenuante, quando devia ser uma agravante.
Ainda sou do tempo em que Ricardo Carvalho foi suspenso por um ano pelo mesmo comportamento. E nem sequer tinha a agravante de ser capitão de equipa. Embora devamos reconhecer que tinha uma agravante de peso. Afinal, tinha sido Campeão Europeu pelo FC Porto e isso é algo que neste país não se perdoa facilmente.
30 dias de castigo por desertar? Está visto que em Portugal Cristiano Ronaldo pode tudo. É o único que pode ter o seu director de comunicação dentro dos estágios da selecção, é o único que pode ter o seu roupeiro particular, é o único que pode receber a família durante a concentração. E é o único que pode desertar sem consequências mesmo depois de emitir um comunicado a enxovalhar o seleccionador nacional.
No fundo, Cristiano Ronaldo é o menos culpado disto tudo. Tal como o menino mimado que faz birras não tem culpa, ele também não. Faz o que o deixam fazer. É inimputável.
E a senhora presidente do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, que até tem (dizem…) um curso de Direito? Pode ter licenciaturas, mestrados e doutoramentos. Vergonha é que não tem nenhuma.







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