O futuro das direitas em Portugal

Um longo monólogo, com muitos gestos e fundo musical

E o colega com bichinhos carpinteiros.

As perguntas que já não se fazem, colocam-se.

Uma confusão de pessoas e de nomes.

No afã de interromper e de falar por cima, quase saía

um cinquenta por cento, em vez de trinta. [Read more…]

Santana Lopes diz que faz

uma constatação de factos“. Factos? Com /k/? Estranho. Então e o “agora facto é igual a fato (de roupa)“?

A multiplicação dos tachos no Chega

André Ventura e Bruno Mascarenhas, candidato do Chega à Câmara de Lisboa. Foto: António Cotrim/Lusa

Foto: António Cotrim/Lusa
Vou tentar escrever isto no idioma comum da extrema-direita portuguesa: de há uns tempos para cá, não há um dia que não surja um novo tacho com a chancela do partido de André Ventura.
Na semana passada escrevi aqui sobre a nomeação da irmã de Rui Cristina, autarca eleito pelo CH para a CM de Albufeira, para um cargo na autarquia dirigida pelo irmão.
Dias depois foi a vez de Hugo Aires, militante do CH eleito para a Assembleia Municipal de Albufeira, ser nomeado diretor do Departamento de Projetos e Edifícios Municipais da autarquia.
E no final da passada semana, ficamos a saber que Rui Cristina, autarca que André Ventura foi recrutar ao “sistema”, nomeou mais uma militante do CH, Andreia Cópio, para o cargo de Chefe da Divisão de Águas e Saneamento.
Mas a distribuição de tachos a militantes e familiares de militantes do CH não se esgota em Albufeira.

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Disse oije o nosso querido primeiro-ministro:

“o nosso sentimento e as nossas condolências para com as famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida”. Sacanas das pessoas, culpadas de não terem evitado morrer.

Uma provocação destas não se faz

Entrevista de Seguro à SIC, 1 Fevereiro 2026

Querem ver que ainda aparece o Ventura com um ramo de giestas a apagar o fogo?!

Um Governo para a sua clientela. E vocês não fazem parte dela.

Não sei quem é o autor do texto. [É de Eduardo Maltez Silva] Mas não poderia estar mais de acordo.

Já o vídeo, esse sei de quem é. É do ministro Leitão Amaro, que aproveitou a desgraça alheia para auto-promoção. Vídeo que apagou  logo que se tornou óbvio que o efeito era contrário ao pretendido – mas sacudindo a água do capote, típico da habitual cobardice de quem não assume o que faz.

Leitão Amaro num vídeo de edição profissional para auto-promoção

“No auge da crise, o Governo lança um vídeo com produção profissional, música de fundo e mangas arregaçadas — a fingir que governa. Um teatro nojento, enquanto o país caía aos bocados.

Do outro lado, Ventura apaga fogos com um galho.
Dois lados da mesma fraude… performance em vez de solução.

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O Boss, sobre os esbirros de Trump

O santo conveniente

Desde a sua prematura morte em 1980, que Sá Carneiro tem sido usado como evocação reverencial pela Direita portuguesa. Dado seu papel fundador do PSD, partido de referência no arco governativo e nessa invenção de impacto maior na política nacional chamada “Bloco Central”, com naturalidade que muitos foram os “sociais-democratas” que invocaram o seu pensamento político e o citaram em frases mais ou menos exactas em relação às originais. O mesmo se dizendo do CDS, com qual foi estabelecida a impactante AD, por vontade e esforço conjugados entre Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, e decorrente da comunhão trágica da morte de ambos.

Com o passar do tempo, assistiu-se a uma lógica de santificação política de Sá Carneiro, enquanto pensamento, acção política, intervenção histórica, etc. Algo perfeitamente natural, até porque houve um considerável período de sentimento de orfandade por parte do PSD que viu o seu líder fundador morrer em tão trágicas e prematuras circunstâncias.

Com a fragmentação da Direita nos últimos anos, donde emergiu o Chega e a Iniciativa Liberal, Sá Carneiro passou a ser uma espécie de santo conveniente, sendo invocado por tudo e por todos, de acordo com as conveniências de circunstância, as ambições de cada um. Todos querem ter na sua posse, uma imaterial relíquia de Sá Carneiro, legitimadora para o que dizem, defendem, propagandeiam, em exibição pública perante os fiéis. Não sendo um dente, um fio de cabelo, um sudário ou um pedaço de roupa, as relíquias são frases e, mais do que isso, certezas legitimadoras de que, se Sá Carneiro fosse vivo, ele pensaria da mesma forma, agiria do mesmo modo, e estaria ao lado de quem o invoca. [Read more…]

Desputedo

André Ventura quer “despartidarizar” a administração pública.

@expresso

TACO = Trump always chickens out

Não é Trump always *chicken out (00:31). O verbo é to chicken out, conjugado na terceira pessoa do singular (presente do indicativo), logo, aquele s faz imensa falta. Oh yeah!

Pedro Frazão apoia 1143

Perfil do deputedo no Threads em 24/01/2026

O CHefe continua sem se demarcar do esgoto neonazi que é a seita 1143. Bárbara Reis desmonta com mestria a “entrevista” onde Ventura não vai além de meias palavras e mentiras.

A verdade é que a ligação é inequívoca e um não se distingue do outro. Cobardes como são, escondem-se fazendo de conta que não mas agindo como sim.

Mama do Bem

Rui Cristina, antigo deputado do PSD que o partido de André Ventura foi recrutar ao “sistema”, foi eleito presidente da CM de Albufeira em Outubro. E como prometido, acabou com a mama.

Como?

Garantindo uma boa nomeação para a própria irmã, outrora candidata do sistema pelo PSD, nos quadros da autarquia.

Dir-me-ão: mas os partidos do sistema não fazem o mesmo?

Fazem.

O que vem provar que, a este nível, a nível da tal mama, e do compadrio em geral, nada distingue o CH de PS ou PSD. Com a diferença que Ventura deseja 3 salazares para o país, desejo que, no geral, equivale a encerrar a democracia, instaurar uma ditadura, impor a miséria à maioria, torturar os dissidentes, matar os mais audíveis e entregar o monopólio dos negócios do Estado à elite económica e financeira do país. Em triplicado. Porque, por muitas voltas que se queiram dar, o regresso de Salazar seria igualmente o regresso do regime mais corrupto da história da República.

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O valor do silêncio

Primeiro vieram buscar os socialistas, e eu fiquei calado — porque não era socialista.

Então, vieram buscar os sindicalistas, e eu fiquei calado — porque não era sindicalista.

Em seguida, vieram buscar os judeus, e eu fiquei calado — porque não era judeu.

Foi então que vieram buscar-me, e já não havia mais ninguém para me defender.”

(Martin Niemöller)

Foi após o 25 de Abril de 1974, que se consagrou o direito ao silêncio, como um dos maiores expoentes da Democracia. Pois que o silêncio deixou de ser uma arma de opressão e repressão, e passou a ser uma garantia de que ninguém poderia ser prejudicado por não falar. Passou a ser um direito, tanto mais para não se auto-incriminar. Até porque falar ou não, é um direito pessoal, manifestação de livre vontade do indivíduo.

Isto, após o regime do Estado Novo de Salazar, em que se impunha o silêncio a quem pretendia se expressar de forma contrária ao que o regime ditava como certo ou errado. E impunha-se pela força, fosse por espancamento ou mesmo morte. Impunha-se até em julgamentos nos tribunais plenários, com espancamentos diante dos olhos de magistrados em pleno julgamento.

Sim: o Estado Novo de Salazar matou gente. Matou a tiro, por tortura, por degredo. E castrou o pensamento livre, calando com censura, garantindo-se com eleições forjadas, matando opositores, prendendo a crítica, tudo sob a batuta do medo. E no mais terrífico silêncio imposto.

O objectivo do silenciamento foi sempre um só: permitir ao Estado Novo, a manutenção do status quo das ditas elites, garantindo a submissão dos demais.

A Democracia, por seu turno, permite o debate de ideias, expressão livre do voto em eleições sem fraudes, e até mesmo, que aqueles que não comunguem dos ideais da Democracia, defendam teses autocráticas.

Porque a Liberdade, enquanto valor estruturante de qualquer Democracia digna de tal nome, permite isso mesmo: que se fale, que se expresse, que se verbalize. Pois que na Democracia, respeita-se o silêncio. Não se impõe. [Read more…]

V-E-R-G-O-N-H-A

Então, Ventura, já há expulsões ou não?

Imagem: PÚBLICO

Rita Castro, João Peixoto, Rui Roque, André Caeiro. “O PÚBLICO pediu uma reacção ao Chega, mas ainda aguarda resposta.” Talvez o sr. Ventura se digne abrir a boca numa das muitas ocasiões que as televisões lhe venham a dar – esta semana já vai em três entrevistas. Segunda-feira, RTP; Terça-feira, CMTV; Quarta-feira, RTP novamente. A palhaçada não se faz sem palco, é preciso não esquecer.

Uma réstia de esperança

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No início era o almirante.
À primeira volta.

Depois já seria entre ele e Marques Mendes, que teria o apoio do PSD num momento em que o partido é hegemónico em toda a linha.

Chegados ao day after de jornada eleitoral, passam à segunda volta André Ventura, o saudosista da ditadura corrupta de Salazar, e António José Seguro, o underdog do PS. Uma pesada derrota para o PSD, para o governo e para Luís Montenegro, que foi um dos primeiros a pronunciar-se, a antecipar o desastre que aí vinha.

André Ventura tem uma grande vitória, mesmo ficando em segundo lugar. E isso são, a meu ver, péssimas notícias para aqueles que se revêm na democracia liberal, em particular para os partidos da direita democrática, que perdem terreno e arriscam, no caso do PSD, a perder a liderança do lado direito do espectro para o populista.

Mas a verdade é que Ventura estagnou, obtendo um resultado muito idêntico àquele que o partido alcançou nas Legislativas. E isso é bastante significativo, na medida em que esta é uma eleição personalizada, por oposição a umas Legislativas, onde o partido tem mais peso. Mais do que um teste ao CH, este foi um teste ao próprio Ventura, que ficou aquém dos votos conseguidos em Maio.

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Muda o tacho e toca o mesmo

Rui Cristina (CHEGA), ainda agora aterrou na presidência da CM de Albufeira e já tratou de nomear a própria irmã como adjunta.

Não são anti-sistema, são o pior que o sistema já pariu. O documento pode ser consultado AQUI.

Rui Cristina, ex-PSD, foi eleito presidente da CM de Albufeira nas passadas eleições autárquicas. A ligação política à irmã já vem dos tempos do PSD quando, juntos, eram candidatos a vários cargos na Câmara Municipal… de Loulé.

 

PSD Loulé – 2021

 

Pela democracia liberal, contra o autoritarismo populista

Pode ser uma imagem de multidão
Daqui para a frente já não é sobre socialismo, liberalismo, conservadorismo ou social-democracia. É sobre democracia liberal ou autoritarismo populista.
É entre um político moderado com a rara característica de não se lhe conhecerem telhados de vidro e um extremista que os tem com fartura, que faz da mentira uma arma, do ódio estratégia e do medo o meio privilegiado para atingir o fim que sempre o moveu: poder absoluto.
É entre um democrata que respeita a constituição, a liberdade e as instituições e um protofascista que as pretende destruir e abrir espaço ao regresso da miséria, da fome, da censura, das prisões arbitrárias, da tortura, da guerra, do analfabetismo e da corrupção salazarista. Em triplicado.

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Uns cobardes

Entre democracia e populismo. Entre um racista e xenófobo e alguém decente. Entre quem faz repetidos apelos a Salazar e quem rejeita a ditadura.

Entre um ditador wanna be e um democrata, Cotrim, Gouveia e Melo e Marques Mendes mostraram o seu apoio ao não rejeitarem explicitamente a abjecção. A eles se juntou Montenegro, o qual já tinha mandado as linhas vermelhas às urtigas há muito tempo.

Não foi uma noite má de todo

Podia ter sido melhor se o Ventura não tivesse passado. Mesmo assim, ficou essencialmente pelo mesmo resultado das legislativas.

Agora está na televisão a queixar-se das sondagens manipuladas. É capaz de ter razão – davam-no sempre à frente.

Ficou em primeiro lugar o mal menor. E ganhou o candidato do Montenegro.

A gregar a direita

made w/ chatgpt

Prémio Nobel da Cinologia

Maria Corina Machado prestou-se ao triste papel de se deslocar à Casa Branca para oferecer o Nobel da Paz a Donald Trump, o delinquente que lidera a Gestapo americana e que tudo tem feito para abafar o maior escândalo de pedofilia da história moderna. Só por isto, já merecia que o prémio lhe fosse retirado. Mas, a julgar pela quantidade de delinquentes que já o receberam, conclui-se que foi business as usual.

Não sei o que Corina Machado esperava deste acto de vassalagem canina, para além do sabor dos sapatos de Trump na sua língua, mas nada mudou. Trump não declarou o seu apoio à senhora, não se comprometeu com eleições livres na Venezuela e vai continuar a trabalhar com o regime, que mantém o exacto mesmo poder interno que detinha antes do sequestro de Maduro. Além da remoção de Maduro, nada mudou. Rigorosamente nada.

Compreende-se este estado de coisas: um delinquente entende-se melhor com os seus pares, e a escumalha que lidera o regime venezuelano não é assim tão diferente da escumalha trumpista. É natural que Trump escolha falar e negociar com os autocratas de Caracas. Ou será que já nos esquecemos que este é mesmo Trump que ataca as democracias ocidentais, ameaça invadir o Canadá e a Dinamarca, e estende a passadeira vermelha a Putin, MBS e Netanyahu?

Qual é a dúvida?

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Nova Ordem Maquinal

Bill Gates says these are his superpowers

Gustavo Santos, o Cristiano Ronaldo da chalupice nacional, foi ao podcast de um indivíduo que fala com uma máquina que desmascara o sistema, ou seja, propaga teorias absurdas sobre vacinas, novas ordens mundiais e restantes talking points do manual de instruções da extrema-direita.
Fun fact: durante a conversa, que não ouvi na íntegra, a bem da minha sanidade mental – mas da qual ouvi partes no Extremamente Desagradável de hoje e da passada Sexta, que vos aconselho vivamente – fiquei a saber que a tal máquina é, afinal, o ChatGPT. O ChatGPT da empresa OpenAI, que tem como principal acionista a Microsoft de Bill Gates, que segundo pessoas como Gustavo Santos e outros utilizadores de chapéus de alumínio é o anti-Cristo que nos quer todos escravos.
Como é que tanta gente come esta narrativa absolutamente alucinada é algo que nunca vou perceber. Se alguém me conseguir explicar, agradeço.

Quem não quer ser Ventura que não lhe vista a pele

João Cotrim de Figueiredo apareceu no panorama político nacional como uma frescura. Um ar que nos dá. Uma brisa que passa. Tal como o partido em que milita.

“O primeiro partido liberal português”, o que em parte pode ter um fundo de razão, é também uma hipérbole porque do PS ao Chega todos eles, de uma forma ou outra, integram o liberalismo nas suas hostes (seja social ou económico). No entanto, passados meses e anos, aquele que parecia, afinal um partido verdadeiramente liberal transformou-se noutra coisa qualquer que pouco tem a ver com o liberalismo clássico que as ideias iluministas nos trouxeram.

O crescimento da IL, que estagnou, fez-se também a reboque do crescimento do Chega. Se o Chega crescia doze, a IL crescia cinco. Sustentado num discurso radical e, em boa medida, também ele populista, a IL atraiu jovens, empresários e gente da elite económica do país, que ali via um espaço da direita neo-liberal mais assumida. E João Cotrim de Figueiredo foi o seu primeiro líder.

Durante anos, defendi a tese de que Cotrim era dos únicos, dentro da IL, com algum bom senso para não defender ideias libertárias que aproximavam a IL de uma nova extrema-direita que surgia e se colava aos movimentos MAGA nos EUA ou que deu o poder a Javier Milei na Argentina. Enganei-me redondamente. Há uns anos, João Fernando teve uma tirada absurda no Parlamento: enquanto se discutia o racismo e a xenofobia na sociedade portuguesa, o então líder da IL, do alto da sua sapiência, comparou o racismo ao desdém que alguns mostram pela elite financeira. Dizia ele que: “Se substituirmos as palavras ‘negro’ ou ‘cigano’ (…) por investidor privado ou investidor bolsista é arrepiantemente próximo da discriminação e do ódio que aqui (…) queremos condenar”. Ri-me, achei atrevido, mas deixei passar. [Read more…]

O triunfo do bordel neofascista

Pode ser um gráfico de ‎texto que diz "‎NEW BALANCE OF NEWBALANCEOFPOWER POWER YOU'RE SUPPOSED TO BE ATTHE AT THE OTHER END شالان tAHer‎"‎

Trump foi, de facto, a melhor coisa que aconteceu a Putin. Aliás, foi revelado esta semana que o Kremlin foi alertado pelos amigos de Mar-a-Lago sobre o que acabaria por acontecer na Venezuela no passado fim-de-semana, e mandou retirar todos os seus diplomatas e respectivas famílias do país.

E se o sequestro de Maduro foi um convite a abdução de Zelensky (ou de Cho Jung-tai), a ameaça de invasão e ocupação do território dinamarquês da Gronelândia é para levar muito a sério. E vai acontecer. Será o fim da NATO, ou pelo menos da encenação multilateral, e um convite à entrada dos exércitos russos pela Europa de Leste adentro. Seremos um quintal com dois donos.

Importa sublinhar que quem defende esta a nova estratégia de Trump está, a partir de agora, na mesma barricada que Putin, Lukashenko e Ali Khamenei, por muito que se esforce por provar o contrário. É, aliás, um traidor no contexto nacional e europeu. Claro que tal não irá afectar minimamente os trumpistas. Os membros de um culto fundamentalista nunca foram conhecidos por valorizar a lógica ou a razão. São fanáticos, idiotas úteis, à espera de migalhas. O mais certo é terem destino idêntico ao do marido da cantora cubana pró-Trump que actuou num dos seus comícios, detido pelo ICE para deportação. [Read more…]

Made in Bangladesh

Isto não é o Bangladesh. Mas as camisolas de campanha do encantador de burros, vêm directamente do Bangladesh.

Nunca acabem, antas com pernas.

ANDRÉ VENTURA ARRASA QUEM APOIA DITADURAS

As relações entre Portugal e a Venezuela esfriaram há alguns anos. Mas não passaram de prazo de validade.

Em 2013, depois da morte de Hugo Chávez – já habituado aos botões de rosa que Sócrates lhe fazia -, Nicolás Maduro assumiu a presidência venezuelana e logo tratou de tentar estreitar as relações entre o seu país e a Europa. Como seria de esperar, Portugal, este país tão forte na letra e tão fraco na acção, estava na linha da frente.

Numa visita à Europa, em Junho de 2013, Maduro aterrava em Portugal. Tinha à sua espera uma comitiva sedenta de negociatas para mascarar as trapalhadas dos cortes e da perda de direitos. Portugal não era novo nas andanças; as relações com o regime venezuelano vinham de trás, com gigajogas à mistura, as relações com a Rússia e com a China viam dias resplandecentes e Angola era uma maravilha para o Estado português.

Recebido pelo primeiro-ministro de então, Pedro Passos Coelho, que resumiu as relações de Portugal com a Venezuela da seguinte forma:

“Não é por de mais dizer que as relações políticas entre Portugal e a Venezuela são excelentes. A visita do Presidente Maduro, incluída na sua primeira deslocação à Europa, é demonstrativa da vontade em aprofundar a parceria existente entre os dois países, fundada numa sólida base de confiança, amizade e compreensão mútuas”, considerou Passos Coelho, numa intervenção de menos de dez minutos.” [Read more…]

Lebensraum

O cartaz mostra um mapa da “Grande Alemanha” logo antes do início da Segunda Guerra Mundial (fonte) – “Também aqui se encontra o nosso espaço vital”

Lebensraum. Venezuela já está. Colômbia, México, Canadá, Canal do Panamá e Gronelândia na mira. Lajes não é preciso. Já é americana.

O que é que justifica um estado capturar uma pessoa estrangeira e julgá-la, para além de dar palha ao gado na arena internacional (e interna)?

A sofisticada Europa do calibre da fruta não tem tomates para dizer à corja a evidência: O que vocês fizeram foi um crime e não têm o nosso apoio.

Quem te mandou aceitar o Nobel da Paz, Maria Corina Machado?

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas e texto

Existe uma diferença entre ordenar um golpe de Estado para instalar um fantoche, como os EUA fizerem várias, sobretudo ao longo da segunda metade do século XX, e o que se passou na noite de Sexta para Sábado, que foi uma operação rápida e tremendamente eficaz de sequestro do presidente venezuelano, seguido do anúncio de Trump de que os EUA irão governar a Venezuela e gerir os seus recursos. Uma espécie de colonização-relâmpago.

Maria Corina Machado, que todos esperávamos ver receber o poder das mãos de Trump, e que muito inteligentemente garantiu que mudaria a embaixada venezuelana em Israel para Jerusalém, algo que acrescenta zero à vida dos venezuelanos, mas que demonstra claramente que Corina Machado sabe onde reside o poder real e que está na disposição de se submeter, foi, ainda assim, prontamente descartada por Trump:

“Não tem o apoio nem o respeito do país.”

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O triunfo dos porcalhões

José Gabriel

Vejam-nos em todos os canais. O modo como é dada a notícia. O entusiasmo dos filhos da puta. A submissão, até à oferta anal, da maioria dos comentadores. Que até falam em instauração da democracia, como se a história das intervenções dos Estados Unidos na América do Sul alguma vez tivesse essa preocupação. Foi sempre exactamente o contrário. Lembram-se de Pinochet?
Olhem como quase todos eles se esquecem desta vez, de falar me direito internacional. Os canais televisivos são hoje, sem excepção, a festa dos cevados. Da vacalhada servil. Cérebros, deixaram-nos à porta dos estúdios; só levaram as carteiras.

A posição de presidente da República é a de uma galinha desossada. Diz que vai acompanhar, etc e tal. A fascistagem exulta, quiçá na esperança de que os canalhas norte americanos cá venham fazer-lhe um favorzinho.

Não, criaturas, não está em causa e regime da Venezuela e juízos sobre a sua natureza. O mesmo acontecendo com a já ameaçado Irão. Eu diria precisamente o mesmo em qualquer caso. Mesmo a corja que agora se bamboleia nas televisões sabe que isto não tem nada a ver com democracia nem com narcotráfico, mas com as maiores reservas de petróleo do mundo, mesmo que tenha de se desenterrar a arqueológica doutrina Monroe. Mentem e distorcem porque é para isso que são pagos.

Em vão esperaremos que governantes e responsáveis aflorem o mais pequeno tom de indignação. Agora mesmo o rastejante Marques Mendes mostra a sua estatura de político. Abjecto.

E não esqueçamos a legitimação que este acto confere às outras grandes potências. A Ucrânia deve ter ficado a tremer. Taiwan também. E não esqueçamos e referência de Trump, no primeiro mandato, sobre a posse da Ilha Terceira. Porque já estou a ver os nossos governantes, calças em baixo e cu para o ar, esperando os “libertadores” Yankees.

Quem branqueou o regime da Venezuela?

A resposta nas imagens. Abaixo.

Pedro Passos Coelho (PSD) e Hugo Chávez.

José Sócrates (PS) e Hugo Chávez.

Paulo Portas (CDS-PP) e Hugo Chávez.