
Guerra Fria 2.0
Talvez: Bad Bunny, as mensagens de plástico e as palavras que se perdem

Fotografia: CARLOTA BARRENTO
Começo por dizer que sou fã de Bad Bunny e que adoraria ter ido ao concerto (caso este não fosse no Estádio da Luz, uma vez que me recuso a entrar nesse estádio, com a única excepção a ser uma deslocação do FC Porto a Lisboa). Não vá dar-se o caso de sub ou sobre-interpretarem este texto.
Hoje temos sempre de fazer este género de avisos; que não somos anti-semitas por criticar o governo de Israel, que não somos comunistas por defender impostos progressivos ou que não somos homofóbicos por contarmos ou nos rirmos de uma piada que envolva homossexuais. Depois do aviso, aqui vai.
Muitos artistas atingem o estrelato e cimentam-se no mainstream com mensagens de amor, de paz e de solidariedade. No início, tal voragem humanista é o que os eleva. E parece-me sempre genuíno. Depois, o tempo passa e, estando no mainstream, a mensagem perde-se e o artista volta a ser o que estava planeado: um bem de consumo que passa de boca em boca até se perder na viragem do novo álbum, do single mais recente ou de outro artista que aparece… com outra mensagem. E o ciclo repete-se.
Benito, como é conhecido Bad Bunny, começou na música com o reggaeton mais convencional, com toques de hiphop. Depois, criou a sua imagem, aproveitando o crescimento do ódio, usando a sua posição como cidadão porto-riquenho para chamar a atenção para os problemas que assolam o seu território e que, directa e indirectamente, atingem toda a economia mundial: desregulação económica selvagem, especulação imobiliária, gentrificação ou a capitalização das cidades como grandes Disneylands, foram os temas que catapultaram o artista de Porto Rico para o mainstream definitivamente. O álbum DtMF explodiu e músicas como a que dá nome ao álbum, Baile Inolvidable, NuevaYol ou Café con Ron tornaram-se verdadeiros hinos de 2025, passaram na mente e ecoaram pelos lábios de quase toda a gente durante o Verão do ano passado e atravessaram o ano de 2026 com uma tour internacional anunciada, para delírio de muitos. [Read more…]
O Culpado

Um dia, a narrativa será “a culpa foi político X”.
E de facto foi.
Do político Donald Trump.
Mas não será do abusador corrupto, das suas tarifas, ameaças, ou da sua guerra idiota que estaremos a falar.
Será do “culpado”.
Quem?
O primeiro-ministro que estiver em funções quando a bolha rebentar. Seja Luís Montenegro ou quem lhe suceder. A culpa é sempre do tipo que administra, com as mãos atadas por Bruxelas, nunca do sindicato do crime económico internacional que fabrica crises financeiras, golpes de estado e guerras. E lucra com elas. Com juros da dívida pública de países expostos e em apuros, por exemplo.
Esses migrantes, pá

“Vem p’ra cá destruir a nossa cultura, não falam a nossa língua pá, não ouvem a nossa música pá, não bebem o nosso vinho pá”.
Entretanto, portugueses no Luxemburgo. Ou Suíça. Ou Crawley ao lado do aeroporto de Gatwick.
Deixem a NATO em paz

A NATO não é o que Donald Trump quer que ela seja, dependendo de como acorda num determinado dia. E muito menos está ao serviço da sua oligarquia corrupta. Ou pelo menos não devia estar.
A NATO é uma aliança defensiva. Com regras bem definidas e plasmadas num tratado fundador. O objectivo primordial da NATO é garantir a defesa mútua dos seus membros. Não é atacar ninguém. E repare, caro leitor, que o que acabou de ler não é uma opinião minha. É o que está escrito no Tratado do Atlântico Norte, que deu origem à NATO e funciona como sua base legal. E foi exactamente com esses termos que os signatários concordaram e debaixo dos quais colocaram a sua assinatura.
Dito isto, o que aconteceu no Médio Oriente, por muito que abominemos o regime iraniano, e eu abomino-o com todas as forças, foi um ataque dos EUA e de Israel contra o Irão, não o contrário. Os Estados Unidos não foram atacados, o que significa que não existe enquadramento legal para envolver a NATO em mais um conflito provocado no Golfo Pérsico para encher os bolsos aos suspeitos do costume. E a Vladimir Putin, que é, literalmente, o grande vencedor desta guerra.
Sorri, foste assaltado pela extrema-direita. Outra vez.

O preço dos combustíveis voltou a subir.
Nunca é demais reforçar o factual: nenhuma gasolineira sobe os preços por necessidade ou por risco de falência. Os combustíveis que estão a vender foram comprados há vários meses, a preços bem mais baixos do que valor de referência à data de hoje. O que as gasolineiras estão a fazer é aproveitar-se da instabilidade causada pela guerra e de um monopólio controlado por meia-dúzia de empresas para aumentar os seus lucros.
O argumento dos impostos é falacioso. O problema não está nos impostos, mesmo que concordemos – e eu concordo – que são excessivos. Mas não foram os impostos que aumentaram. Foram os preços. Artificialmente. [Read more…]
João Marques de Almeida e as greves
João Marques de Almeida, alegado comentador televisivo, declarou que «as greves são um bom pretexto para não se ir trabalhar». Ou seja: há pessoas que decidem fazer greve, acto que implica não ir trabalhar e que, por essa razão, aproveitam para faltar ao trabalho. Não só faltam ao trabalho como, para cúmulo, faltam ao trabalho.
Como muitos outros alegados comentadores, também chama a atenção para o facto de que, mais uma vez, irá haver uma greve encostada a um feriado. Outros comentadores, tantas vezes alegados, também vivem revoltados com as greves às sextas, num prolongamento escandaloso do fim-de-semana.
Os alegados comentadores, no entanto, nunca acrescentam que o dia de greve corresponde a um desconto bastante largo no salário, o que é natural, uma vez que o verdadeiro objectivo não é comentar o cabimento da greve, é defender um mundo em que a greve volte a ser proibida.
Enquanto essa proibição não volta, é importante deixar no ar a ideia de que fazer greve é só uma forma injustificável de ser preguiçoso, aproveitando, ainda, o prolongamento de feriados e de fins-de-semana para usufruir de férias próprias dos privilegiados num país com um salário médio que mal dá para pagar a renda da casa.
João Marques de Almeida ainda alude ao problema de representatividade das centrais sindicais, mas, de quisesse ser sério, esperaria pela dimensão da greve, que, curiosamente, pode ser feita por qualquer trabalhador, sindicalizado ou não.
O mundo do comentário na comunicação social é um lugar muito mal frequentado. Vale pena comentar o comentário.
Montenegro defende diálogo com Putin e gera um terramoto na redacção do Expresso

Efectivamente, reparai naquele Vladirmir em vez de Vladimir. Terá sido um sismo ou um avião de combate a passar a barreira do som? Não confundir a luz com o som. À luz, o paradoxo do pai e da mãe. Ao som, o Chuck Yeager (e o Sam Shepard).
***
Megadeth — “Mechanix” (Dirk Verbeuren)
Descobri na passada terça-feira que este vídeo deveria ter saído no dia 22 de Setembro de 2024, às 23h30. Pronto, ei-lo.
Sim, é preciso continuar a celebrar o 25 de Abril

Sim, é preciso continuar a celebrar o 25 de Abril.
Todos os anos e, se possível, todos os dias.
Porque o 25 de Abril é libertação, é igualdade perante a lei, é a liberdade de dizer o que pensamos, de votarmos em quem quisermos – incluindo em partidos que se opõem aos valores de Abril, algo que a ditadura nunca teria permitido – e de lutarmos pelos ideais que nos guiam.
25 de Abril é Democracia.
É a paz, o pão, habitação, saúde e educação.
Para todos, todos, todos!
Sim, ainda há caminho a fazer para cumprir Abril. Mas não te deixes iludir pelo cherry picking dos saudosistas da ditadura, cuja estratégia assenta em explorar as debilidades da nossa democracia para te bombardear com a maior mentira dos últimos 52 anos: antigamente é que era bom.
Só que não era. [Read more…]
CHEGA a fomentar a corrupção, com o apoio de algum PSD
O CHEGA é um partido que tem a corrupção na boca a toda a hora. Palavras. E actos?
Audições sobre financiamento dos partidos, à CIG e à ministra da Cultura adiadas pelo Chega
Tal como nos outros requerimentos, o Chega colocou um travão à votação destas audições, mediante um pedido potestativo — ou seja, de carácter obrigatório.
Talvez logo à noite sintonize a RTP, SIC e TVI para ver se os líderes partidários da oposição* aparecem a dizer alguma coisa ou se andam todos a dormir.
Mas o tema não só sobre o CHEGA. Pedro Duarte, Presidente da Câmara Municipal do Porto, Conselheiro de Estado e com um extenso currículo no PSD, defende o anonimato de quem financia os partidos com o argumento de que essa divulgação pode expor cidadãos a pressões no local de trabalho.
Já Rui Rio, considera “um disparate” a decisão da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos segundo a qual já não é possível saber quem financia os partidos e as campanhas eleitorais. Haja alguém com decência!
Voltando ao CHEGA e à história da corrupção, vê-se que é um feijão-frade com duas caras. Diz que é a favor da transparência mas veta-a logo que pode, como se viu perante o chumbo desta audição. Será porque tem telhados de vidro? Auditoria exige ao Chega explicação sobre 20 mil euros vindos de conta de milionário português nos EUA. Não foi um chumbo qualquer. Teve carácter potestativo. Foi algo que quiseram mesmo evitar.
*não é erro; o CHEGA é parceiro deste Governo, seja porque o Governo o escolhe para certos temas, seja pela adopção por parte do Governo de temas bandeira do CHEGA.
“Pedro Passos Coelho foi mais papista do que o Papa.”
Colo aqui parte de uma entrevista a Nuno Cassola, actual professor na Universidade Milão Bicocca. Trabalhou cinco anos no Banco de Portugal, antes de ingressar no Banco Central Europeu onde esteve 20 anos nas direcções de Política Económica, de Mercados, de Investigação e de Supervisão.
Entre vários assuntos da actualidade (China, EUA, Irão, dólar, euro, soberania europeia, Trump, etc.), há um particularmente interessante sobre a vinda da Troika para Portugal.
Para quem não se recorde, na altura houve a célebre frase de Marco António Costa “Ou há eleições no país, ou há eleições no PSD“. Mas pin de Portugal na lapela é que é.
Esteve em Portugal antes da entrada da troika em 2011?
Estive, sim. A negociar o apoio do BCE ao PEC IV [Programa de Estabilidade e Crescimento], um programa que a oposição chumbou [23.3.2011] levando o Governo a cair, o que desencadeou o pedido de ajuda externa.O que é que tinha sido acordado entre o BCE e o Governo da época, chefiado por José Sócrates?
A compra pelo BCE de títulos da dívida pública portuguesa [à volta de oito mil milhões] no mercado secundário para estabilizar as taxas de juro [os juros das obrigações a dez anos superavam os 7,75%]. Em contrapartida, era executado um programa de ajustamento sem a severidade do que viria a ser imposto pela troika [3.5.2011]. E, como bem se lembra, o Governo seguinte [Passos Coelho] disse que queria ir para além da troika. Em 2011, ainda acompanhei a troika em Portugal, antes de ir para Espanha, e nunca a troika exigiu às autoridades portuguesas tanta austeridade como a que foi feita. Pedro Passos Coelho foi mais papista do que o Papa.Ficará sempre a dúvida sobre se o PEC IV teria sido eficaz, tendo em conta a gravidade da situação portuguesa naquele momento.
O que sei é que Portugal não teria tido o traumatismo de ter dentro o FMI e teria tido, talvez, um ajustamento mais suave. Para ser rigoroso, não há certeza de que o PEC IV cumprisse as expectativas, mas realmente não era tão restritivo, e, não o sendo, talvez a banca portuguesa não tivesse sofrido tanto. Talvez, não se sabe — e não se pode saber.
Segunda parte da entrevista: Nuno Cassola: “A China quer acabar com a hegemonia do dólar, mas não quer ter a moeda dominante”
Angine de Poitrine
ESMA, Rennes, França, Trans Musicales 2025, 4 de Dezembro de 2025
O Evangelho segundo Quentin Tarantino
Nada disto surpreende. Até porque a religião, para um extremista, raramente é convicção. Regra geral, é um meio para atingir um fim. E, no caso dos nacional-populistas americanos, é evidente que personagens sinistras como Trump, Thiel, Bannon ou Miller são a absoluta negação dos valores do Cristianismo. De todas as formas possíveis.
Mas não deixa de ser mais uma prova factual do quão vazio, mal encenado e patético tudo isto é, ver Pete Hegseth, o troll fundamentalista que dirige o Pentágono, usar o monólogo do Samuel L. Jackson na cena do apartamento do Pulp Fiction, durante uma oração do próprio perante militares e familiares do soldado resgatado no Irão, como se de uma passagem bíblica se tratasse.
Spoiler alert: não é Ezequiel 25-17. É Quentin Tarantino.
O Anticristo

Kim
Ontem, por volta desta hora, tivemos Kim Gordon, no regresso a Bruxelas (Noha Khaldi fez um bom apanhado da noite e em flamengo, comme il faut).

KG, AB, 15/04/2026, FMV
A baixista dos maravilhosos Sonic Youth e autora de Girl in a Band apresentou-nos PLAY ME. No final da lista deste disco, chegados a BYEBYE — uma despedida diferente da BYE BYE do anterior The Collective — ouviu-se uma enxurrada de referências aparentemente proibidas pela actual administração dos EUA, palavras/conceitos cuja menção justificará a anulação de propostas, de subsídios, lá se vai a investigação fundamental, lá se vão as bolsas, lá se vai a América. Pois, a AB insinua que sim.
Ei-la, uma enxurrada (e no original, porque soa melhor):
- Mental health
- Electric vehicle
- Gulf of Mexico
- Energy conversion
- Gay
- Bird flu
- Advocate
- Pregnant person
- Immigrants
- Intersex
- Victim
- Male dominated
- Care
- Diversity
- Tribal
- Transgender
- Hispanic
- Green
- Fluoride
- Female
- Hate
- Injustice
- Opportunity
- Dietary guidelines
- Housing for the future
Viktor Orbán e derrota da oligarquia nacional-populista

A queda de um autocrata é sempre motivo de celebração. Melhor ainda quando cai por dentro, sem derramamento de sangue. Sem violência policial ou tentativas de golpe de Estado. Sem terrorismo, vá.
Mas não foi só Orbán que perdeu.
Perdeu Putin, que ficou sem o seu cavalo de Tróia no Conselho Europeu.
Perdeu Trump, que viu cair o aliado mais importante em solo europeu, após se ter envolvido directamente na campanha e ter enviado Rubio e Vance a Budapeste.
Perdeu Netanyahu, que tinha em Orbán um defensor do genocídio em Gaza e da colonização da Cisjordânia.
Até Xi Jinping, que tem privilegiado a relação com a Hungria, pode sair a perder desta eleição.
Ganhou a democracia.
Quadro e giz?

O governo da República Portuguesa publica uma nota sobre Educação utilizando uma fotografia de um suposto professor em suposto ambiente de suposta sala de aula com um quadro e giz.
Há quantas décadas desapareceram os quadros e giz das salas de aula na república portuguesa…?
Neemias Queta foi vítima de Portugal
Efectivamente, isto iria acontecer, mais tarde ou mais cedo. Nem falo do triplo (parabéns, Neemias Queta!), falo disto.

Tivera sido no jogo contra os Knicks e, aqui no Aventar, teríamos sido dos primeiros a dar conta do recado. É o improviso, é a falta de rigor, é o costume.
Foi contra os Pelicans: de Nova Orleães. Nova Iorque ≠ Nova Orleães, como selecção ≠ seleção.
Exactamente.
Eis os pontos altos do jogo, com o melhor basquetebolista português de todos os tempos a marcar o primeiro triplo na NBA aos 6:07:
Dry Cleaning
Efectivamente, na KEXP.
Por acaso, já agora… Um dia, estava eu no Castle Howard, a recordar, reviver e revisitar, mas num ambiente pop, quando me apareceram de surpresa. Amanhã, em Bruxelas, voltarei a vê-los e ouvi-los. Com novidades, anunciadas há meses por Alexis Petridis, como “alien offshoot mushroom, going the gym to get slim“, “my dream house is a negative space of rock” ou “when I was a child I wanted to be a horse, eating onions, carrots, celery“. Em princípio, será isto. Veremos.
Viktor Orbán: o corrupto favorito de André Ventura

Sim, eu sei: quem é que quer saber da Hungria? A menos que Portugal vá lá jogar – e até foi, em Setembro, fazer uma bela partida, que vencemos por 2-3, com aquele golaço do Cancelo – ninguém quer saber da Hungria.
Acontece que a Hungria dos anos 20 deste século, mais do que o culto da Seita dos Trumps dos Últimos Dias, é o farol de propaganda e o laboratório de ideias que cria a jurisprudência da internacional iliberal.
“Iliberal” é um eufemismo muito bem sacado.
Para uma oligarquia com um nível de corrupção idêntica à russa, uma colonização quase total dos tribunais, da administração pública, dos grandes negócios do Estado e da comunicação social, que distorceu o sistema eleitoral em seu benefício, enquanto enriquece os homens do presidente, “iliberal” soa muito fofinho. Mais ainda se tivermos em conta o alinhamento fraterno com Moscovo e Mar-a-Lago, ou a honra que lhe foi concedida por Pequim, que incluiu a Hungria no périplo de Xi pela Europa, em 2024, parte de uma lista restrita de apenas três países: Hungria, Sérvia e França.
Eu não pagaria taxas destas
Furthermore, most people within the top 1 percent are what Leona Helmsley called “little people,” as in “Only the little people pay taxes.” The ultra-rich — the 0.1 percent, the 0.01 percent, the 0.00001 percent — pay much lower tax rates than the merely rich.
—Paul Krugman
***
A fiscalidade leva-me a regressar ao excelente Krugman.
Perante esta publicação no Diário da República, quem paga as “novas taxas para a freguesia” deve protestar e recusar-se a pagar e quem cobrou essas taxas deve devolver o valor e exigir a respectiva correcção. Além disso, repare-se que estas “novas taxas para a freguesia”, no singular, poderiam ser “nova taxa para a freguesia”, sim, mas também “nova taxa pára a freguesia” — adiante.

Efectivamente, há muitas ocorrências afins no sítio do costume e ninguém se mexe: nem a autoridade (desautorizada desde que o “agora facto é igual a fato (de roupa)” veio à tona), nem quem, na presença de *fatos, cobra e paga as tais “novas taxas”. Sendo verdade que ficar especado a especular é uma prática indígena — e um interessante caso grafofonémico — a história do espetador a espetar descansa-nos quanto à norma a seguir: a de 1945/73.
Exactamente.
Por outro lado e mudando de assunto, estivera eu em Nova Iorque e teria ido ver este fabuloso Knicks–Celtics.

Neste instantâneo da partida, vemos os meus dois jogadores predilectos da NBA da actualidade: Jalen Brunson (com a bola) e o inconfundível Neemias Queta (para completar o ramalhete, à direita, temos Towns e White).
Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.
***
Imagens curiosas do Google Street View (II)

Tuttle Creek Rd., Lone Pine, Califórnia, EUA, Junho de 2025
(a propósito de tudo sobre o excelente Bad Day at Black Rock, por causa do Spencer Tracy)
A melhor arma contra o populismo, o autoritarismo e a demagogia

No episódio do A Prova dos Factos que tem Mafalda Livermore como protagonista, é na reportagem que não tem nada a ver com o CH que podemos ter um vislumbre da formação do combustível que alimenta a narrativa da extrema-direita.
A investigação conta a história de várias associações de condóminos que submeteram pedidos de obras de beneficiação energética em prédios antigos, ao abrigo do PRR, e que, dada a demora da tutela em despachar os processos, muitas obras aprovadas correm o risco de não avançar devido à validade do apoio que termina a 30 de Junho.
A incompetência da tutela é revoltante. O Fundo Ambiental, que gere os 12 milhões de euros disponíveis, foi incapaz de cumprir os prazos a que estava obrigado. A investigação da RTP revela que as candidaturas submetidas até ao final de 2023 deveriam ter sido analisadas em 60 dias úteis. Algumas demoraram 540 dias. Um ano e meio.
Há também o caso dos pagamentos atrasados, e não são poucos, que colocam em causa a continuidade de obras em curso. A Prova dos Factos entrevistou gestores de alguns projectos que garantem que obras em curso há meses ainda não receberam um cêntimo do Fundo Ambiental. E empreiteiros que ameaçam deixar obras a meio se continuarem sem receber.
Incompetência total.
Mas não são só obras que se perdem. É o dinheiro que aquelas pessoas puseram do seu bolso. São horas de trabalho pós-laboral. São custos com autorizações, licenças, taxas e taxinhas. É a expectativa de uma vida um pouco mais confortável que se perde, em edifícios antigos e, em alguns casos, bastante degradados. Onde faz muito frio no Inverno e demasiado calor no Verão. É o Estado que falha. São as instituições. É o sistema. E a União Europeia também.
Nada mina a democracia como a incompetência, calculada ou não, que tende a prejudicar sempre os mesmos. É terreno fértil para a narrativa da “bandalheira” germinar. Experimenta colocar-te no lugar daquelas pessoas, muitas delas reformadas, com rendimentos pequenos e dificuldades grandes, que passaram os anos 90 a ver tratantes a sacar milhões em fundos europeus para criar empresas que duraram pouco, mas tempo suficiente para sacar um Ferrari, uma mansão, um apartamento na praia e uma reforma dourada. Quem os pode condenar por acreditar que o “sistema” só beneficia a elite e não lhes serve para nada?
As melhores armas contra o populismo, o autoritarismo e a demagogia são boas políticas públicas, pessoas competentes e geri-las e justiça social. Quando estão presentes, a democracia é mais forte e o bom senso prevalece. Não é assim tão difícil. Ou pelo menos não devia ser.











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