Professores, seus ingratos

Já muito se escreveu sobre os exames e a experiência do Fernando.

Ficai a saber, seus ingratos professores, que não dais o devido valor ao facto de o Fernando colocar Portugal na linha da frente.

Vejam como estamos lado a lado com o que se passa nas américas, mais concretamente, no México.

A maior universidade do México, a UNAM, Universidade Nacional Autónoma do México, resolveu, pela primeira vez,  realizar a prova de acesso completamente de forma remota, utilizando um browser “bloqueado” e um software com monitorização por webcam com inteligência artificial.

Se tem AI, controlo por webcam e prova 100% digital e remota o que é que poderia correr mal? Perguntem lá ao Fernando se ele não apoiaria toda esta inovação.

É certo que houve alguns soluços e que a UNAM vai repetir a prova a 58 mil candidatos devido a suspeitas de copianço generalizado. Uns desconfiados, é o que é. Consta que entre 2021 e 2025, 3,5% dos candidatos obtiveram 100 ou mais pontos na prova (em120) e que este ano a percentagem foi 16,3%. E que entre 2021 e 2025, 0,9% dos candidatos obtiveram uma nota igual ou superior a 110 valores, tendo este ano subido para 5,5%. Mas, seus desconfiados, isto apenas demonstra como os alunos aproveitaram o tempo da deslocação à universidade, onde iriam realizar a prova, para estudar mais e os resultados estão à vista!

Apesar dos excelentes resultados que este método trouxe, a tese dos incrédulos ganhou terreno, houve uma escandaleira e as provas terão que ser repetidas.

Valha-nos o nosso Fernando que não cai em desnorte como o reitor da UNAM. Cá, a inovação é levada a sério e a digitalização das provas de resposta, cortadas em tirinhas para que não haja cá arredondamentos de “, 1” na nota final, é um sucesso retumbante, pese embora alguns ingratos alunos que teimam em querer ver a prova completa e apenas com as suas repostas. Uma cambada não inclusiva, é o que esta gente que rejeita as respostas de outros na sua prova é.

CEUTA

Os africanos invadiram África. Ele há cada coisa…

(A) Odisseia

Sanctuary was massive.
Johnny Marr

***

Hei-de ver o filme A Odisseia — aparentemente, o título em português do filme tem um A antes da Odisseia, mas vê-lo-ei na Bélgica, por isso, este pormenor de interesse geral português é-me individualmente irrelevante: verei o filme no inglês original, com legendas em francês e em flamengo.

Felizmente, tenho conseguido desviar o olhar das várias tentativas, nas redes sociais e alhures, de me darem cabo da ida ao cinema. Hei-de vê-lo, pois as minhas impressões iniciais raras vezes (diria nunca, mas isto é tudo muito subjectivo) são afectadas negativamente pelas experiências novas. Acrescentaria mesmo que antes pelo contrário.

Até hoje, a minha versão cinematográfica predilecta da Odisseia é o “O Brother, Where Art Thou?“. Exactamente, essa versão aproximada. Não me estragou a “minha” (todos temos a “nossa”) Odisseia original: longe disso, enriqueceu-a. Vários filmes e séries têm reproduzido obras literárias que aprecio, mas não me recordo de qualquer impacto negativo na minha impressão inicial, nas minhas representações pessoais originais de personagens, narradores, enredos, tempos, espaços.

Apesar de ter visto incontáveis e belíssimos Hamlets, a minha representação pessoal do primeiro acto do Hamlet valeu-me, há poucos anos, uma vitória que me deixou mais eufórico do que o golo do Éder em 2016 ou o vozeirão do Ian Astbury em 1993. Em suma, quando regresso ao texto, é a minha representação original que prevalece.


Ao falar em Hamlet, lembrei-me da Helena de Tróia. Sim, essa. Adiante. O significado da palavra representação é unívoco. A representação respeita todos os elementos da obra? Excelente. Não respeita? Choca? Óptimo.

Antes de regressar ao impacto da instrução na aquisição e aprendizagem de segmentos de uma L2 (porque a vida não é só ficção), vamos à forma como a Odisseia efectivamente acaba. Como diz uma pessoa da minha família, é assim (a tradução portuguesa, na imagem supra, é de Frederico Lourenço):


ὣς φάτ᾽ Ἀθηναίη, ὁ δ᾽ ἐπείθετο, χαῖρε δὲ θυμῷ.
ὅρκια δ᾽ αὖ κατόπισθε μετ᾽ ἀμφοτέροισιν ἔθηκεν
Παλλὰς Ἀθηναίη, κούρη Διὸς αἰγιόχοιο,
Μέντορι εἰδομένη ἠμὲν δέμας ἠδὲ καὶ αὐδήν.

***

Geografia da Conveniência

Pé ante pé, não vá a água estar fria

O Chega e a «traição de 74»

Num texto publicado hoje no Facebook, Bruno Nunes, deputado do Chega, comenta os problemas ocorridos em Ceuta, usando a previsível linguagem própria de um marialva, ao mesmo tempo que faz referência à «nossa civilização», à boa maneira dos fachos que não querem perder tempo a estudar História.

O que vale a pena realçar, no entanto, é o modo como Bruno se refere ao 25 de Abril: a «traição de 74». Nada que já não se soubesse, mas é sempre importante confirmar.

Não é especialmente preocupante haver gente que odeia a revolução dos cravos – muito preocupante é haver muita gente a votar em quem pensa assim, numa ilusão de que o regresso à ditadura, essa idade de ouro dos cheganos, irá trazer a ordem e a segurança, como se viver em ditadura significasse viver em ordem e em segurança.

Guiana Francesa

Se um cidadão brasileiro atravessar o rio Oiapoque para ir comprar caramelos à Guiana Francesa, ele chegou à Europa?

Frei Tomás, versão extrema-direita

Conheço – de vista – um construtor civil que gosta muito do André Ventura. Porque ele diz as “verdades”, pese embora seja o maior aldrabão da política portuguesa desde José Sócrates. Não admira que tenha votado nele.

Adiante: este construtor civil, ouvi-o eu dizer, está “farto de monhés” e quer, claro, que eles voltem para a sua terra. Curiosamente, tendo passado há dias numa obra da sua empresa, a esmagadora maioria dos seus trabalhadores, imagina tu, são do subcontinente indiano.

Sim, estamos perante um hipócrita, mas não é isso que me traz aqui. O que me traz aqui é que este caso ilustra uma realidade mais ampla, uma característica base da extrema-direita populista, que se resume a pregar como Frei Tomás. [Read more…]

Péssimo filme

Imagem gerada com recurso à IA.

“Deputado do Chega filmado a entrar no Parlamento às 7h da manhã; gabinete ficou aberto de noite”

Um momento extraordinário

Dave Mustaine dos Megadeth a cantarolar Wild Flower dos The Cult.

Isto não é um país

O Novo Aeroporto de Lisboa, tal como desdenhado em 1969, no Decreto-Lei n.º 48902, de 8 de Março. Transcorreram 20.956 dias: 57 anos, 4 meses e 15 dias.

Porque Portugal quando não é um país de vadios é um país de amadores.
A fé da profissão, isto é, o segredo do triunfo dos povos, é absolutamente alheio ao organismo português do que resulta esta contínua atmosfera de tédio
que transborda de qualquer resignação. Também o português não sente a necessidade da arte como não sente a necessidade de lavar os pés.*

vide https://lnkd.in/ezQxJGha

  • Almada Negreiros, in CONFERÊNClA FUTURISTA, Maio de 1917

Sebastião Bugalho critica o ministro da Educação

Sebastião Bugalho, em boa hora porta-voz do PSD, fez declarações sobre o problema dos exames nacionais.

Como lídimo representante do povo português, recorreu à técnica da falsa insinuação das comadres, que consiste em dizer mal de alguém fingindo que se está apenas a insinuar a maledicência. Não é uma técnica ao alcance de qualquer um, porque uma falsa insinuação mal aplicada pode atingir o alvo errado ou passar ao largo do pretendido.

A falsa insinuação consubstancia-se em expressões como “certas e determinadas pessoas”, “não é como uns e outros”, “cala-te, boca” ou  “e fico-me por aqui”. Ao invés de dar o dito por não-dito, a falsa insinuação dá o não-dito por dito e o que se finge não dizer fica dito de modo muito claro.

Normalmente, o emissor da falsa insinuação assume uma atitude que mistura superioridade e desprezo. Sebastião Bugalho é um dos grandes especialistas nacionais nessa junção, como cultor da escola passista do descaimento das pontas labiais, que acrescenta à falsa insinuação uma sisudez que é o principal sinal de uma seriedade milenar. O risco ao lado, o fato e a gravata reforçam a imagem.

Não tive oportunidade de ler a notícia, mas a frase destacada é uma inspirada variação da falsa insinuação: Bugalho diz que não quer usar a palavra que efectivamente usa. É, no entanto, lamentável que o porta-voz de um partido venha acusar um ministro de sabotagem, mas percebe-se: para um processo correr tão mal, é difícil pensar noutra possibilidade.

P.S. – estava a brincar, li a notícia. Não vou dizer que Sebastião Bugalho é uma besta. Não é como certas e determinadas pessoas. Cala-te, boca!

Diz-se que há grande possibilidade de o Governo cair

ἄνδρα μοι ἔννεπε, μοῦσα, πολύτροπον, ὃς μάλα πολλὰ πλάγχθη, ἐπεὶ Τροίης ἱερὸν πτολίεθρον ἔπερσεν
Hom. Od. 1.1

***

Um apontamento da actualidade leva-me a revisitar tema que, como sabeis, ou sabereis, me agrada particularmente discutir. Não, não estou a falar do AO90. Refiro-me a este “do governo [sic] cair”.

 

A regra que proíbe contracções na presença de um infinitivo pessoal é aparentemente simples de aprender. Em suma, é incorrecto o recurso à contracção de preposição com artigo ou pronome, quando estes iniciam uma oração infinitiva. Por exemplo, na presença de um infinitivo pessoal, os imaginados dos, das, dele, dela, deles, etc., são efectivamente de os, de as, de ele, de ela, de eles, etc..

Vejamos três casos concretos: [Read more…]

L7 – Ao vivo na The Current (2018)

KCMP (89.3 FM, 89.3 the Current)

Jennifer Finch (1966-2026) [Read more…]

Messi e Yamal: a conspiração

A common definition of conspiracy theory is the conviction that a group of actors meets in secret agreement with the purpose of attaining some malevolent goal (e.g., Bale, 2007).
— van Prooijen & van Vugt (2018)

***

O Mundial 2026 está prestes a chegar ao fim. Depois da eliminação de França e Inglaterra, ficámos a saber que a final de depois de amanhã, entre Espanha e Argentina, terá sido há muito combinada, pois fará parte de um plano diabólico engendrado pela FIFA. Quem nos conta os pormenores desta coisa sem ponta por onde se lhe pegue é Jimmy Fallon. Efectivamente, no domingo, teremos dois cabeças de cartaz: Lionel Messi e Lamine Yamal. Enquanto todos nos preparamos mentalmente para mais uma final, esta fotografia tem vindo a ser espalhada pelas redes sociais.

É uma foto verdadeira, digo-vos eu, que detesto inteligências artificiais utilizadas para falsificações, informações erradas e desinformações. Trata-se de facto de uma fotografia de Messi com o bebé Lamine Yamal. É mesmo, o próprio, é Yamal em versão bebé, com um ainda jovem Messi, numa fotografia autêntica de 2007.

Obviamente, já temos uma multidão a apontar o dedo à FIFA, acusando-a de ter preparado ao pormenor o guião de todos os jogos de futebol dos últimos anos. Isto é, não se trata de uma partida do destino. A manipuladora FIFA é que determinou a existência de uma final Argentina-Espanha, Messi-Yamal. Volta, Searle, eles não sabem o que fazem.

Fallon diz que isto é tudo um absurdo. Também acho. Só um nabo acreditaria numa história  tão mirabolante, certamente alimentada por quem odeia Messi e Yamal e, mutatis mutandis, futebol. No entanto… Se pegarmos num microscópio, ou mesmo numa simples lupa, reparamos em pormenores, no mínimo, interessantes.

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Nunca esquecer que o futebol é um desporto colectivo

Estes jovens jogadores da selecção de Espanha, ambos adolescentes, são Campeões da Europa em título e estão a um jogo de poderem conquistar o Campeonato do Mundo. Sorte terem nascido em Espanha, porque em Portugal ou Argentina o mais provável seria não calçarem, andarem pelos sub 21 como outros talentos da sua idade como G. Quenda ou R. Mora.

Algumas selecções como a Espanha, sistematicamente renovam, apesar de terem conquistado um inédito Mundial em 2010, não assistimos ao arrastar pelos campos de futebol de Xavi, Iniesta, Busquets, Puyol, S. Ramos e companheiros, a lenda perdurará na memória de quem viveu as conquistas, mas o futebol não é palco para gratidão ou obtenção de estatísticas individuais, mas um desporto colectivo, onde ninguém ganha sozinho, mesmo que por vezes alguns jogadores o façam parecer, como acontece por exemplo na Argentina, um jogador de classe estratosférica teima contrariar o inevitável, apesar da fraca qualidade de futebol praticado, muito por culpa da não renovação dos jogadores, mas o treinador teimosamente está preso na gratidão aos Campeões de 2022.

A vitória da Espanha ontem frente à super favorita França, veio provar uma vez mais que uma boa equipa é mais forte que um grupo de bons jogadores. Luis de la Fuente conseguiu que a soma das invidualidades resultasse num colectivo mais forte, Didier Deschamps não, ficou sempre à espera que o inegável talento individual dos jogadores emergisse, mas ontem, tal não aconteceu.

Sobre a modernidade na correcção, perdão, classificação, dos exames nacionais

Aqui está um vídeo picante para Fernando Alexandre. Quando ele o vê, até deve fraquejar das pernas.

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A ameaça terrorista em Portugal

Pode ser uma imagem de estrado

1

Em Junho de 2025, a Unidade Nacional de Contra Terrorismo da Polícia Judiciária desmantelou o Movimento Armilar Lusitano, uma milícia de extrema-direita, de inspiração neonazi.

Esta organização terrorista, formada em 2018, defendia abertamente o uso da violência armada contra todos os seus alvos, fossem eles políticos de esquerda ou da direita moderada, imigrantes, ambientalistas ou membros de associações cívicas.

O plano, para além da consolidação do seu grupo paramilitar terrorista, incluía a criação de uma extensão política capaz de representar os seus interesses e de concorrer a eleições. No fundo, uma espécie de Hezbollah português. Resta saber quem seria o Irão destes fundamentalistas nazis.

O objectivo final, segundo a investigação da Judiciária, passava pela deposição do sistema democrático português, pela supressão do Estado de Direito e das liberdades e garantias constitucionalmente garantidas, substituindo-o por um regime totalitário inspirado pelas ideias de Adolf Hitler. Numa fase inicial, apurou a PJ, os terroristas pretendiam criar “tribunais populares” para julgar e executar aqueles que considerava responsáveis pelo “declínio da nação”, como é o caso de Nuno Markl, esse perigoso consumidor de banda desenhada.

Cada país tem o Estado Islâmico que merece.

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A Volta a Portugal em Bicicleta 2026

Exactamente.

Monocultura

Como é que se diz monocultura quando em dobro?

Portugal não é Cristiano

Confesso que reflecti um bocado antes de avançar para este texto. Mas a irritação é demasiada e não consegui evitar.

Estou farto desta narrativa de que temos de estar gratos a um jogador de futebol pela “identidade nacional” ou por “colocar Portugal no mapa”. Cansa. É redutor. É ignorante e, no limite, é até bastante anti-patriota pensar assim. Se Portugal, enquanto país, deixa a sua imagem depender de um jogador de futebol, para o bem e para o mal, então Portugal não é um país. É um entreposto de néscios deslumbrados com a grandeza de um só um homem.

Portugal tem mais de novecentos anos de História. Já éramos Portugal antes do jogador de futebol e continuaremos a ser Portugal depois do jogador de futebol. Seja esse jogador de futebol quem for. Sim, Cristiano Ronaldo é uma marca e, como tal, usa o marketing e a publicidade a seu favor. E aprendeu-o, sobretudo, em Madrid, no clube que melhor faz lavagem de imagem na Europa. Na Arábia, cimentou-o: depois de lavada a sua própria imagem, especialmente depois da fuga ao fisco espanhol e da violação de Kathryn Mayorga, foi lavar a imagem da pior ditadura do Mundo a troco de muito dinheiro. A carreira futebolística de Cristiano acabou quando saiu da Juventus; tendo, a partir daí, virado a antena para os negócios, sendo o futebol apenas a linha férrea que transportava o comboio até ao destino final.

Um estupendo jogador de futebol que como pessoa deixa muito a desejar, por tudo o que tem mostrado ser neste final de carreira.  [Read more…]

Crepúsculo

Não pretendo fazer uma análise ao Portugal – Espanha que ditou a eliminação da Selecção nos oitavos de final do Mundial 2026. Após o final do jogo, o capitão Cristiano Ronaldo afirmou ter ganho 3 títulos internacionais ao serviço de Portugal, que anteriormente à sua chegada nada ganhava.

Uma vez que Cristiano para o bem e para o mal chama a si o protagonismo, permito-me escrever estas linhas que não pretendem de forma alguma menosprezar a carreira do melhor jogador que o futebol português já produziu.

O futebol é um desporto colectivo, que permite que os executantes talentosos se destaquem, para gáudio dos adeptos que por vezes os elevam ao patamar de Deuses. Mas são sempre as equipas que ganham ou perdem, Léo Messi não seria Campeão do Mundo em título se D. Martinez não tem defendido no último minuto o remate de K. Muani, por exemplo. E tantos outros exemplos poderiam ser apontados a comprovar que ninguém ganha sozinho uma partida de futebol, embora por vezes assim pareça. [Read more…]

Para que serviu a Guerra no Irão?

Tankers struck near Strait of Hormuz amid Iran-U.S. tensions | PBS News

Aparentemente, o conflito no Irão terá chegado ao fim. E chega ao fim sem que qualquer objectivo enunciado por Trump no final de Fevereiro, quando ordenou o ataque contra o regime teocrático, tenha sido alcançado.

Contas feitas, os EUA não derrubaram o regime, não vergaram militarmente o Irão, não destruíram os proxies e, em bom rigor, não mudaram nem obliteraram coisa nenhuma. O único efeito prático da intervenção americana ordenada por Telavive foi a oferta, numa bandeja dourada, de uma nova e poderosa arma à Guarda Revolucionária Iraniana, que é quem, de facto, governa o país: o Estreito de Ormuz. Mais eficaz e fácil de usar que a hipotética arma nuclear que o Irão nunca teve nem estava perto de ter.

O regime americano sai deste conflito em pior posição no Médio Oriente. Aliados desconfiados e com elevados prejuízos, capacidade de produção e exportação de petróleo e gás altamente condicionada, portagens no Estreito de Ormuz e o stock de antiaéreas em mínimos históricos. Até os Patriot estacionados na Coreia do Sul foram transferidos para a região.

Já os oligarcas do trumpismo ganharam imenso dinheiro. Trump, os seus filhos, o seu genro, os techbros, os fundamentalistas evangélicos e os cryptomafiosos saem disto com os bolsos cheios. Os restantes – onde eu e o caro leitor nos incluímos – ficaram mais pobres.

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Um documento preciosíssimo

Eis a pronunciação dos nomes dos futebolistas e treinadores principais presentes no Mundial de 2026, ainda por cima, realizada pelos próprios. É um apontador precioso para linguistas, educadores, estudantes de línguas, jornalistas e população em geral. Um documento destes transporta, obviamente, alguma carga subjectiva. A este respeito, aponte-se a pronunciação de Stephen por Eustáquio, que me traz à memória a de Curry, e relembre-se a palavra Félix, aqui pronunciada ao vivo e a cores pelo excelente Joāo Félix. Por falar nisso, reflicta-se acerca da forma como se pronuncia Haaland, provavelmente o nome de futebolista mais badalado e tudo por causa da dúvida entre uma vogal oral velar baixa não arredondada e uma vogal oral central baixa. Há outras curiosidades, mas não vos quero estragar o filme. As selecções estão por ordem alfabética dos códigos da FIFA (descobri isso por causa da Noruega e da Nova Zelândia) e os jogadores encontram-se ordenados pelos respectivos números.

Kim Gordon: PLAY ME

Altice do Bem

A Altice é uma empresa privada à qual o Estado português (nós todos) decidiu confiar (porque é mais barato e de melhor qualidade?) uma faceta fundamental do Serviço Nacional de Saúde (a que todos têm acesso, qualquer que seja a condição social ou contributiva).

Aparentemente, os trabalhadores que desempenham aquela tarefa são duplamente precários: no vínculo laboral e na sua saúde. Tudo devidamente normalizado pelo Estado português (nós todos).

O novo normal.

A obliteração de Thomas Massie

Rep. Thomas Massie, R-Ky., listens during a joint subcommittee hearing of the House Judiciary Committee, on Capitol Hill, April 1, 2025, in Washington. (AP Photo/Mark Schiefelbein, File)

Thomas Massie já era uma estrela do partido republicano quando Trump ainda comprava e votava em candidatos democratas.

Fervoroso opositor do intervencionismo militar, adepto do controle da despesa e de um governo limitado nos seus poderes, Massie foi e é o enfant terrible do Partido Republicano, mas não era um problema para Donald Trump.

Sobretudo se Trump tivesse cumprido o que prometeu.

Mas Trump não só não cumpriu, como, em muitos casos, fez o exacto aposto daquilo que prometeu em campanha.

O caldo começou a entornar-se quando Massie decidiu exigir toda a verdade sobre os ficheiros Epstein. E agravou-se com a oposição à Guerra do Irão e com a denuncia de um alegado “takeover” da administração Trump e do Tesouro Americano por parte do Estado de Israel, representado nos EUA pela poderosa e opaca AIPAC. Thomas Massie cumpriu a sua promessa eleitoral. Donald Trump, que fez campanha a prometer revelar os ficheiros, acabar com as forever wars e meter todas as fichas no America First, não.

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“Sem pedir desculpa”

É verdade. Escreveu aquele “agora facto é igual a fato (de roupa)” e nunca se retractou.

Foto:Paulo Novais/Lusa

 

O congresso

Estive a ouvir o Hugo Soares em declarações à RTP.

Muito divertido.

Diz que ficou à espera do telefonema do Chega e este não veio. Coitados dos que sofrem de paixões não correspondidas.

Falou ainda do acordo que tinham firmado com o Chega para, logo a seguir, evocar as linhas vermelhas.

Isto só não se pode chamar de stand-up comedy porque ele estava sentado.

É preciso topete, como diria o ministro playmobil, para falar de linhas vermelhas depois de se enrolarem na cama.

Pois a linha vermelha é clara. Vale tudo menos beijar na boca, que isso é muito íntimo.

O resto, passa-se debaixo dos lençóis e só espero que depois do serviço não tenham ficado esquecidos os 50€ na mesinha de cabeceira.

Se bem que não sei bem quem estaria ali a pagar, apesar do Passos Coelho ter sido claro sobre quem era o prostituto.

Uma ADVENTURA no Parlamento

Psycho ADVENTURA

A AD e Ventura deliciaram-nos com a demonstração prática da Gaiola Dourada onde vive a coligação AD / CHEGA.

Foi uma tragicomédia. Assistimos à tragédia de o Governo continuar a trazer temas sem relevo para o país como forma de desviar a atenção da forma como não resolve os problemas da nação. E acabou com a comédia da facada do CHEGA, como se alguém com dois dedos de testa negociasse com um demagogo traiçoeiro.

Hoje está a decorrer um epílogo onde o PSD procura colar o PS ao CHEGA com uma suposta aliança entre estes dois partidos.

Tem a sua graça termos visto Montenegro mendigar o apoio de Ventura para agora vir com esta teoria.

Deve ter sido mais um golpe de asa da agência de comunicação que governa o Governo.

A Gaiola Dourada


A Gaiola Dourada da AD



Historicamente, os partidos tradicionais de direita que aceitaram alianças com a extrema-direita achavam sempre que os conseguiriam domesticar e conter dentro das instituições democráticas. Uma estratégia que correu invariavelmente mal na Europa dos anos 30 e que, passados 100 anos, continua a correr mal aos partidos que ocupavam o espaço da direita moderada.

Julgando aplicar essa velha cartilha, o PSD assumiu o governo em minoria achando que conseguiria construir uma gaiola dourada para conter o crescimento do Chega e, simultaneamente, beneficiar desses deputados para conseguir a maioria que os portugueses não lhe deram. O que o centro-direita não percebeu é que a armadilha funciona ao contrário: a governação tornou-se a verdadeira gaiola, e o isco é a própria ilusão de estabilidade.

O PSD mantém-se no poder, mas cada votação é um exercício de cativeiro. Nesta aliança enjaulada, a chave da sobrevivência legislativa está no bolso da extrema-direita, que vai abrindo e fechando a porta num jogo calculista de toca e foge. O PSD descobrirá, tarde demais, que a fera controla o ritmo dos seus passos e que, mesmo governando, é Montenegro e o seu governo que estão dentro da jaula.