Thomas Massie já era uma estrela do partido republicano quando Trump ainda comprava e votava em candidatos democratas.
Fervoroso opositor do intervencionismo militar, adepto do controle da despesa e de um governo limitado nos seus poderes, Massie foi e é o enfant terrible do Partido Republicano, mas não era um problema para Donald Trump.
Sobretudo se Trump tivesse cumprido o que prometeu.
Mas Trump não só não cumpriu, como, em muitos casos, fez o exacto aposto daquilo que prometeu em campanha.
O caldo começou a entornar-se quando Massie decidiu exigir toda a verdade sobre os ficheiros Epstein. E agravou-se com a oposição à Guerra do Irão e com a denuncia de um alegado “takeover” da administração Trump e do Tesouro Americano por parte do Estado de Israel, representado nos EUA pela poderosa e opaca AIPAC. Thomas Massie cumpriu a sua promessa eleitoral. Donald Trump, que fez campanha a prometer revelar os ficheiros, acabar com as forever wars e meter todas as fichas no America First, não.
A obliteração de Thomas Massie
“Sem pedir desculpa”
É verdade. Escreveu aquele “agora facto é igual a fato (de roupa)” e nunca se retractou.

Foto:Paulo Novais/Lusa
O congresso
Estive a ouvir o Hugo Soares em declarações à RTP.
Muito divertido.
Diz que ficou à espera do telefonema do Chega e este não veio. Coitados dos que sofrem de paixões não correspondidas.
Falou ainda do acordo que tinham firmado com o Chega para, logo a seguir, evocar as linhas vermelhas.
Isto só não se pode chamar de stand-up comedy porque ele estava sentado.
É preciso topete, como diria o ministro playmobil, para falar de linhas vermelhas depois de se enrolarem na cama.
Pois a linha vermelha é clara. Vale tudo menos beijar na boca, que isso é muito íntimo.
O resto, passa-se debaixo dos lençóis e só espero que depois do serviço não tenham ficado esquecidos os 50€ na mesinha de cabeceira.
Se bem que não sei bem quem estaria ali a pagar, apesar do Passos Coelho ter sido claro sobre quem era o prostituto.
Uma ADVENTURA no Parlamento
A AD e Ventura deliciaram-nos com a demonstração prática da Gaiola Dourada onde vive a coligação AD / CHEGA.
Foi uma tragicomédia. Assistimos à tragédia de o Governo continuar a trazer temas sem relevo para o país como forma de desviar a atenção da forma como não resolve os problemas da nação. E acabou com a comédia da facada do CHEGA, como se alguém com dois dedos de testa negociasse com um demagogo traiçoeiro.
Hoje está a decorrer um epílogo onde o PSD procura colar o PS ao CHEGA com uma suposta aliança entre estes dois partidos.
Tem a sua graça termos visto Montenegro mendigar o apoio de Ventura para agora vir com esta teoria.
Deve ter sido mais um golpe de asa da agência de comunicação que governa o Governo.
A Gaiola Dourada
Historicamente, os partidos tradicionais de direita que aceitaram alianças com a extrema-direita achavam sempre que os conseguiriam domesticar e conter dentro das instituições democráticas. Uma estratégia que correu invariavelmente mal na Europa dos anos 30 e que, passados 100 anos, continua a correr mal aos partidos que ocupavam o espaço da direita moderada.
Julgando aplicar essa velha cartilha, o PSD assumiu o governo em minoria achando que conseguiria construir uma gaiola dourada para conter o crescimento do Chega e, simultaneamente, beneficiar desses deputados para conseguir a maioria que os portugueses não lhe deram. O que o centro-direita não percebeu é que a armadilha funciona ao contrário: a governação tornou-se a verdadeira gaiola, e o isco é a própria ilusão de estabilidade.
O PSD mantém-se no poder, mas cada votação é um exercício de cativeiro. Nesta aliança enjaulada, a chave da sobrevivência legislativa está no bolso da extrema-direita, que vai abrindo e fechando a porta num jogo calculista de toca e foge. O PSD descobrirá, tarde demais, que a fera controla o ritmo dos seus passos e que, mesmo governando, é Montenegro e o seu governo que estão dentro da jaula.
Os cigarros e os médicos do David Hockney (1937-2026) não interessam a ninguém,
The Guardian. O que interessa é a arte, a arte, a arte!

(Foto de Francis Goodman/Getty Images)
MANGOS
Depois do acrónimo FAANG (Facebook, Apple, Amazon, Netflix, Google), eis os novos reis da arena IT: MANGOS (Meta, Anthropic, Nvidia, Google, OpenAI, SpaxeX).
De empresas de subscrições a empresas de infraestrutura. Sendo algumas delas repetidas.
Como a AI vê o lado positivo deste mundo futuro:
E como a mesma AI vê o lado negro deste futuro:
Claro que a IA não vê nada, pelo que as imagens resultaram dos meus prompts. É assim com qualquer ferramenta: o lado bom ou mau prevalece em função do que as pessoas fizerem com ela.
Produtividade
Volta e meia lá vem o tema da produtividade como justificação habitual para aumentar a carga do trabalho, diminuir a retribuição pelo trabalho, ou ambos.
Mas falamos de quê?

Esta é a definição clássica de produtividade. Sendo uma divisão, aumenta a produtividade se aumentar o numerador ou se baixar o denominador.
A fórmula seguinte acaba por ser equivalente e traduz a perspectiva financeira:
Produtividade = (valor gerado)/(custo para gerar o valor)
Porém, quando os paineleiros do comentário, os doutos lentes da academia e os nobres políticos que efemeramente governam o país falam de produtividade têm uma obsessão apenas com uma das componentes da fórmula. Nomeadamente, o custo para gerar valor e, em particular, o custo do trabalho. Quando há outras variáveis no custo, como custo das matérias primas, custo da energia, impostos, etc.
Podíamos ver esta gente falar em aumentar a produtividade sob a perspectiva de aumentar o numerador. Por vezes, ouvem-se uns ecos sobre aumentar a eficiência mas, até isso, consiste em mexer no denominador.
Para verdadeiramente aumentar a produtividade é preciso mexer no numerador e isso implica transformar o modelo económico do país. Obriga a não estar no final da cadeia de valor onde o diferenciador está no custo com salários. Requer planeamento muito para além de uma legislatura, ou seja fora do ciclo de resultados imediatos das eleições. Precisa que produzamos bens, materiais ou imateriais, de enorme valor acrescentado.
Porque os nossos políticos estão mais interessados em ganhar a próxima eleição do que em transformar o país, não saímos deste lodo há décadas. Tem havido uns momentos de ilusão graças aos dinheiros da CEE e da UE e, agora, com o turismo.
Mas onde está a verdadeira produção criada desde que entrámos na CEE?
Vimos, isso sim, o país ser transformado num centro de serviços, uma colónia balnear, com produção própria residual, extramente dependente do estrangeiro e sem um sector onde possamos dizer que damos cartas.
Os sucessivos governos fizeram obra com o pressuposto que o resto viria. Afinal, a obra era a indústria ela mesma e aqui estamos a discutir produtividade num país que não consegue descolar dos salários baixos como modelo económico.
Aumentar a produtividade pelo aumento do valor gerado é tema literalmente ausente no discurso económico e político em Portugal.
Porquê? Porque são burros e não sabem como se define a produtividade? Ou porque estão apenas a olhar para resultados imediatos sem de facto mudarem o país?
Nenhuma das hipóteses lhes assenta bem.
Ao cuidado dos fãs mais distraídos dos Knicks (e dos Spurs)
You know, I remember in high school, already I was pretty old. I suddenly asked myself at one point, why do I care if my high school team wins the football game? [laughter] I mean, I don’t know anybody on the team, you know? [audience roars] I mean, they have nothing to do with me, I mean, why I am cheering for my team? It doesn’t mean any — it doesn’t make sense. But the point is, it does make sense: it’s a way of building up irrational attitudes of submission to authority, and group cohesion behind leadership elements — in fact, it’s training in irrational jingoism.
— Noam Chomsky
***
Efectivamente, esta será a terceira final nacional seguida dos Knicks contra os Spurs: a final da NBA perdida em 1999, a recente vitória na Taça NBA e o momento que começa daqui a pouco.
Quanto a essa longínqua final de 1999, registe-se a curiosidade da presença, no plantel dos Knicks, de Rick Brunson, o pai do magnífico Jalen Brunson (entrou no jogo 3, no final do segundo período) e, no dos Spurs, de uma das maiores estrelas do basquetebol português: Mario Elie, craque da Ovarense, que viria a ser campeão da NBA por três vezes: exactamente, Mario Elie.
Voltando à actualidade, passados os 4-0 aos Cavs na meia-final (final da Conferência Leste), com uma recuperação histórica no primeiro jogo, vejamos o que acontece frente aos Spurs do extraordinário Wembanyama. Aconteça o que acontecer, já há um campeão: Sochan foi transferido durante esta época dos Spurs para o Benfica… perdão… para os Knicks.

SAN ANTONIO, TX – 29 de Março de 2024: Victor Wembanyama (#1), dos San Antonio Spurs, defende contra Jalen Brunson (#11), dos New York Knicks, a 29 de Março de 2024, no Frost Bank Center, em San Antonio, Texas. Darren Carroll/NBAE via Getty Images https://bleacherreport.com/articles/10114948-knicks-jalen-brunson-scores-61-victor-wembanyama-electrifies-nba-fans-in-spurs-win
Eis uma cábula, com o calendário e os plantéis (se detectardes erros, utilizai sff a caixa dos comentários).
Calendário (hora portuguesa):
- Jogo 1: 04/06/26 — 01h30 (Knicks em San Antonio)
- Jogo 2: 06/06/26 — 01h30 (Knicks em San Antonio)
- Jogo 3: 09/06/26 — 01h30 (Spurs em Nova Iorque)
- Jogo 4: 11/06/26 — 01h30 (Spurs em Nova Iorque)
- Jogo 5* (se necessário): 14/06/26 — 01h30 (Knicks em San Antonio)
- Jogo 6* (se necessário): 17/06/26 — 01h30 (Spurs em Nova Iorque)
- Jogo 7* (se necessário): 20/06/26 — 01h30 (Knicks em San Antonio
PLANTÉIS
O grevista e o português
Montenegro espera que os grevistas “deixem os portugueses trabalhar”
Português: Olha lá, o que é que estás aqui a fazer?
Grevista: Greve.
Português: Então és um grevista…
Grevista: Sim, especialmente quando faço greve.
Português: Vai para a tua terra!
Grevista: Mas eu sou daqui!
Português: Daqui donde?
Grevista: Sou português.
Português: Não pode ser!
Grevista: Não pode ser como?
Português: O nosso primeiro-ministro disse que quem é grevista não é português.
Grevista: Olha que carago! Queres ver que perco a nacionalidade por fazer greve?!
Português: Não sei de nada! Se o Montenegro disse, é porque é verdade.
Grevista: Olha aqui o cartão de cidadão, pá!
Português: Isso é um bocado de plástico, deve ter sido o sindicato dos comunas que te arranjou isso. Vai para a tua terra!
Grevista: Então e qual é a minha terra?
Português: Deve ser a terra das greves, sei lá!
Grevista: E nessa terra, as pessoas estão sempre em greve?
Português: De certeza, é gente que não quer trabalhar.
Grevista: Então, um grevista é alguém que não quer trabalhar?
Português: Se quisesse, trabalhava.
Grevista: E se trabalhar, já é português?
Português: Claro.
Grevista: Pronto, às vezes, é preciso não ser português.
Prostituição política
Para alguns portugueses – incluindo André Ventura, que parecia um groupie erecto a contemplar o criador – Pedro Passos Coelho é uma espécie de figura messiânica e impoluta que paira acima do comum mortal.
Ainda tenho memória das mentiras pré-eleitorais, daquilo que foi feito a Manuela Ferreira Leite, da escolha entre a aprovação do PEC IV ou eleições internas, da Tecnoforma, do “ir além da Troika” e de outros sucessos de bilheteira que demonstram, de forma categórica, que Passos não só não paira como está ao nível de qualquer comum mortal, com virtudes – eu não as conheço, mas seguramente as terá – e defeitos.
Flotilhas e Terroristas

Duas flotilhas depois, fica claro que a iniciativa deu frutos. Expôs Ben-Gvir, um terrorista sionista execrável promovido a ministro, criou uma crise política que resultará, em breve, na dissolução do parlamento israelita, e isolou ainda mais o regime sionista, que nunca foi tão impopular. Por mérito próprio. E se Netanyahu cair e a democracia israelita ainda funcionar, veremos o genocida ser julgado e preso por corrupção. Seria a cereja no topo do bolo.
A diferença entre a primeira e a segunda flotilha, por cá, foi apenas uma: o ódio da extrema-direita e da direita radical contra Mariana Mortágua. E como na segunda flotilha iam dois médicos de boas famílias, quase não se viram os habituais grunhos a pedir execuções.
Político, a profissão mais antiga do mundo
«Faz de mim a tua puta»
Pedro Abrunhosa, “Não posso mais”
Passos Coelho reapareceu e começou por permitir que o gravassem em amena cavaqueira com André Ventura, o seu filho dilecto. Logo aí deixou escapar a ideia de que é preciso mais ritmo e de que as pessoas estão «impacientes». Ventura contrapôs que as pessoas estavam «desanimadas», mas Passos, grave, não concordou, impacientes é que era.
Este duelo de adjectivos caracteriza bem as pitonisas do espaço público que sabem tudo sobre o que as pessoas ou os portugueses ou o povo sentem, precisam, sabem, entre outras intimidades. Passos, Ventura e outros do mesmo calibre afectam penetrar na psique colectiva com uma facilidade que faria inveja ao mentalista mais competente. Da próxima vez que alguém me perguntar o que penso ou o que sinto, terei de pedir que aguarde a informação que me será enviada por Passos Coelho. Para já, fiquei a saber que estou impaciente.
Mais à frente, Passos fez referência a políticos que são «prostitutos sem carácter», que, ao que parece, são aqueles que, não sendo populistas, imitam os populistas. Por falar em populistas, é importante lembrar que André Ventura continuava na assistência.
O mesmo André Ventura veio explicar que Passos estaria a referir-se ao governo. André Ventura terá confessado que a expressão não poderia referir-se a si próprio, porque tem carácter. [Read more…]
Tamir Pardo, ex-director da Mossad, tem vergonha de ser judeu

Tamir Pardo foi director da Mossad entre 2011 e 2016. Aparentemente, ter-se-á convertido num perigoso antisemita, pese embora seja judeu. A brutalidade sionista atingiu uma patamar de obscenidade tal que começa a ser difícil encontrar argumentos para a defender. Haja esperança nos israelitas com espinha dorsal.
Anti-semitismo, culpa colectiva e maniqueísmo

Está a acontecer um fenómeno triste, revoltante e digno de análise, que não é novo nem parece ter as causas que os avençados da embaixada de Israel tentam vender em alguns órgãos de comunicação social.
O anti-semitismo está a aumentar.
Qual será a causa?
Não tenho como provar a minha hipótese, mas julgo que este aumento poderá estar relacionado com o genocídio em Gaza, com a ocupação violenta da Cisjordânia e com a terraplanagem em curso no Sul do Líbano. O ser humano, em condições normais, não lida bem com a morte em massa de inocentes, sobretudo quando há crianças massacradas nesta equação demoníaca. [Read more…]
Guerra Fria 2.0

Talvez: Bad Bunny, as mensagens de plástico e as palavras que se perdem

Fotografia: CARLOTA BARRENTO
Começo por dizer que sou fã de Bad Bunny e que adoraria ter ido ao concerto (caso este não fosse no Estádio da Luz, uma vez que me recuso a entrar nesse estádio, com a única excepção a ser uma deslocação do FC Porto a Lisboa). Não vá dar-se o caso de sub ou sobre-interpretarem este texto.
Hoje temos sempre de fazer este género de avisos; que não somos anti-semitas por criticar o governo de Israel, que não somos comunistas por defender impostos progressivos ou que não somos homofóbicos por contarmos ou nos rirmos de uma piada que envolva homossexuais. Depois do aviso, aqui vai.
Muitos artistas atingem o estrelato e cimentam-se no mainstream com mensagens de amor, de paz e de solidariedade. No início, tal voragem humanista é o que os eleva. E parece-me sempre genuíno. Depois, o tempo passa e, estando no mainstream, a mensagem perde-se e o artista volta a ser o que estava planeado: um bem de consumo que passa de boca em boca até se perder na viragem do novo álbum, do single mais recente ou de outro artista que aparece… com outra mensagem. E o ciclo repete-se.
Benito, como é conhecido Bad Bunny, começou na música com o reggaeton mais convencional, com toques de hiphop. Depois, criou a sua imagem, aproveitando o crescimento do ódio, usando a sua posição como cidadão porto-riquenho para chamar a atenção para os problemas que assolam o seu território e que, directa e indirectamente, atingem toda a economia mundial: desregulação económica selvagem, especulação imobiliária, gentrificação ou a capitalização das cidades como grandes Disneylands, foram os temas que catapultaram o artista de Porto Rico para o mainstream definitivamente. O álbum DtMF explodiu e músicas como a que dá nome ao álbum, Baile Inolvidable, NuevaYol ou Café con Ron tornaram-se verdadeiros hinos de 2025, passaram na mente e ecoaram pelos lábios de quase toda a gente durante o Verão do ano passado e atravessaram o ano de 2026 com uma tour internacional anunciada, para delírio de muitos. [Read more…]
O Culpado

Um dia, a narrativa será “a culpa foi político X”.
E de facto foi.
Do político Donald Trump.
Mas não será do abusador corrupto, das suas tarifas, ameaças, ou da sua guerra idiota que estaremos a falar.
Será do “culpado”.
Quem?
O primeiro-ministro que estiver em funções quando a bolha rebentar. Seja Luís Montenegro ou quem lhe suceder. A culpa é sempre do tipo que administra, com as mãos atadas por Bruxelas, nunca do sindicato do crime económico internacional que fabrica crises financeiras, golpes de estado e guerras. E lucra com elas. Com juros da dívida pública de países expostos e em apuros, por exemplo.
Esses migrantes, pá

“Vem p’ra cá destruir a nossa cultura, não falam a nossa língua pá, não ouvem a nossa música pá, não bebem o nosso vinho pá”.
Entretanto, portugueses no Luxemburgo. Ou Suíça. Ou Crawley ao lado do aeroporto de Gatwick.
Deixem a NATO em paz

A NATO não é o que Donald Trump quer que ela seja, dependendo de como acorda num determinado dia. E muito menos está ao serviço da sua oligarquia corrupta. Ou pelo menos não devia estar.
A NATO é uma aliança defensiva. Com regras bem definidas e plasmadas num tratado fundador. O objectivo primordial da NATO é garantir a defesa mútua dos seus membros. Não é atacar ninguém. E repare, caro leitor, que o que acabou de ler não é uma opinião minha. É o que está escrito no Tratado do Atlântico Norte, que deu origem à NATO e funciona como sua base legal. E foi exactamente com esses termos que os signatários concordaram e debaixo dos quais colocaram a sua assinatura.
Dito isto, o que aconteceu no Médio Oriente, por muito que abominemos o regime iraniano, e eu abomino-o com todas as forças, foi um ataque dos EUA e de Israel contra o Irão, não o contrário. Os Estados Unidos não foram atacados, o que significa que não existe enquadramento legal para envolver a NATO em mais um conflito provocado no Golfo Pérsico para encher os bolsos aos suspeitos do costume. E a Vladimir Putin, que é, literalmente, o grande vencedor desta guerra.
Sorri, foste assaltado pela extrema-direita. Outra vez.

O preço dos combustíveis voltou a subir.
Nunca é demais reforçar o factual: nenhuma gasolineira sobe os preços por necessidade ou por risco de falência. Os combustíveis que estão a vender foram comprados há vários meses, a preços bem mais baixos do que valor de referência à data de hoje. O que as gasolineiras estão a fazer é aproveitar-se da instabilidade causada pela guerra e de um monopólio controlado por meia-dúzia de empresas para aumentar os seus lucros.
O argumento dos impostos é falacioso. O problema não está nos impostos, mesmo que concordemos – e eu concordo – que são excessivos. Mas não foram os impostos que aumentaram. Foram os preços. Artificialmente. [Read more…]
João Marques de Almeida e as greves
João Marques de Almeida, alegado comentador televisivo, declarou que «as greves são um bom pretexto para não se ir trabalhar». Ou seja: há pessoas que decidem fazer greve, acto que implica não ir trabalhar e que, por essa razão, aproveitam para faltar ao trabalho. Não só faltam ao trabalho como, para cúmulo, faltam ao trabalho.
Como muitos outros alegados comentadores, também chama a atenção para o facto de que, mais uma vez, irá haver uma greve encostada a um feriado. Outros comentadores, tantas vezes alegados, também vivem revoltados com as greves às sextas, num prolongamento escandaloso do fim-de-semana.
Os alegados comentadores, no entanto, nunca acrescentam que o dia de greve corresponde a um desconto bastante largo no salário, o que é natural, uma vez que o verdadeiro objectivo não é comentar o cabimento da greve, é defender um mundo em que a greve volte a ser proibida.
Enquanto essa proibição não volta, é importante deixar no ar a ideia de que fazer greve é só uma forma injustificável de ser preguiçoso, aproveitando, ainda, o prolongamento de feriados e de fins-de-semana para usufruir de férias próprias dos privilegiados num país com um salário médio que mal dá para pagar a renda da casa.
João Marques de Almeida ainda alude ao problema de representatividade das centrais sindicais, mas, de quisesse ser sério, esperaria pela dimensão da greve, que, curiosamente, pode ser feita por qualquer trabalhador, sindicalizado ou não.
O mundo do comentário na comunicação social é um lugar muito mal frequentado. Vale pena comentar o comentário.
Montenegro defende diálogo com Putin e gera um terramoto na redacção do Expresso

Efectivamente, reparai naquele Vladirmir em vez de Vladimir. Terá sido um sismo ou um avião de combate a passar a barreira do som? Não confundir a luz com o som. À luz, o paradoxo do pai e da mãe. Ao som, o Chuck Yeager (e o Sam Shepard).
***
Megadeth — “Mechanix” (Dirk Verbeuren)
Descobri na passada terça-feira que este vídeo deveria ter saído no dia 22 de Setembro de 2024, às 23h30. Pronto, ei-lo.
Sim, é preciso continuar a celebrar o 25 de Abril

Sim, é preciso continuar a celebrar o 25 de Abril.
Todos os anos e, se possível, todos os dias.
Porque o 25 de Abril é libertação, é igualdade perante a lei, é a liberdade de dizer o que pensamos, de votarmos em quem quisermos – incluindo em partidos que se opõem aos valores de Abril, algo que a ditadura nunca teria permitido – e de lutarmos pelos ideais que nos guiam.
25 de Abril é Democracia.
É a paz, o pão, habitação, saúde e educação.
Para todos, todos, todos!
Sim, ainda há caminho a fazer para cumprir Abril. Mas não te deixes iludir pelo cherry picking dos saudosistas da ditadura, cuja estratégia assenta em explorar as debilidades da nossa democracia para te bombardear com a maior mentira dos últimos 52 anos: antigamente é que era bom.
Só que não era. [Read more…]













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