Como ousam gritar(?)
Aquando da carga policial ocorrida na Praça D. João I, no Porto, sobre os manifestantes, cedo foi dada como proporcional e adequada por Pedro Duarte, Luís Montenegro, André Ventura, Mariana Leitão, Paulo Núncio, Pedro Pinto, etc. Estes ilustres da Direita, falaram com tal certeza que qualquer um pensaria que tinham estado lá a assistir e que falavam com conhecimento de causa. Mais, ainda, Rui Rio disse que, pela sua experiência em sede destas situações, a PSP deve ter agido correctamente, algo que o Capitão Renault de “Casablanca”, na esteira da sua clássica fala “Round up the usual suspects“, não teria dito melhor.
O pior, foi mesmo Carlos Abreu Amorim, que no Parlamento disse “O Governo não vai ceder aos gritos que vêm das ruas”. Talvez pouco ambicioso, pois que, em bom rigor o que o Governo tem feito é não ouvir, seja o que vem das ruas seja o que for.
Considerando que para haver gritos nas ruas em Portugal é preciso que algo esteja mesmo muito mal, Carlos Abreu Amorim revelou um completo desacerto com a realidade histórica e social do país. Desacerto e não ignorância. O que revela bem a lógica social-democrata que impera no actual PPD: grau zero. Talvez uma boa notícia para Pedro Passos Coelho e para o seu sonho de aliança com o Chega.
Entretanto, continuamos a braços com o problema da habitação que é grave, muito grave. E nenhuma resposta eficaz tem sido dada por parte deste Governo. Tal como não foi dada pelo Governo de António Costa – que mostrou ser um excelente gestor, mas, infelizmente, apenas da sua carreira política e não do país. E, perante um problema grave que persiste, agrava, ninguém resolve, como ousa vir alguém gritar para a rua? Como ousam gritar na rua, para que um Governo ouça o que urge resolver? Como ousam gritar na rua a falta de tecto? Como ousam? Mas pensam que são quem? Zeca Afonso?
Diário do Genocídio – 16 de Outubro

Ontem à noite, num raide na zona de Sheikh Radwan, em Gaza, as forças de Nazisrael assassinaram mais um jornalista Palestiniano.
Chamava-se Ubada al-Murtadji e é mais um a juntar aos mais de 260 que já foram mortos nos últimos três anos. Nazisrael não quer testemunhas do genocídio em curso.
Pela manhã, a jornalista americana Heidi Levine, em serviço para o Washington Post, fora agredida selvaticamente, durante 10 minutos, ao murro e ao pontapé. Por quê? Por estar a fazer a cobertura de mais um ataque de 80 colonos nazisraelitas, protegidos pelas IDF, aos apanhadores palestinianos de azeitona na cidade de Abu Falah.
Isto no mesmo dia em que a pequena Maryam Ghanem, que viu a sua mãe ser queimada viva dentro do seu apartamento pelas forças nazisraelitas, na quarta-feira, continua a sua recuperação.
Quanto aos políticos portugueses e europeus, continuam a assobiar para o lado.
Os especuladores agradecem. Os idiotas úteis aplaudem.

Entristece-me a leveza com que tantos celebram o uso excessivo do cassetete contra manifestantes inofensivos que tentam chamar a atenção para o grande problema deste tempo.
Como se lutar por um tecto a preço justo fosse um crime de lesa-pátria.
Se isto fosse a Rússia, estas pessoas estariam a aplaudir a repressão de Putin contra qualquer protesto pró-democracia.
Se fosse a China, estariam do lado do tanque de Tiananmen.
Pedro Duarte, O Implacável
Sem alma e com muitas Ale-Hop, Tiger e Normal. É no que se transformou o Porto – numa cidade banal.
Mas para essa banalidade chamada Pedro Duarte, o problema é a justa e pacífica luta dos portuenses pelo direito à habitação.
Diz o presidente da Câmara, O Implacável, que a praça D. João I não pode ser um parque de campismo.
Curiosamente, só é implacável quando lhe dá jeito. [Read more…]
Rita Matias e outros arruaceiros invadem a RUC

Putin, Trump e seus lacaios europeus: a mesma luta

Donald Trump chegou a um acordo com Vladimir Putin, que envolve a compra de gasóleo russo. O acordo surge num momento em que o Estreito de Ormuz se mantém fechado, fruto da guerra lançada por Trump contra o Irão, aliado estratégico da Rússia.
Porque é que isto acontece?
Porque Trump está preocupado com aumento do custo de sobrevivência dos seus súbditos?
Claro que não.
Por estes dias
Com a habitual fanfarronice, o Agente Laranja anunciou que Putin veio em seu socorro face ao pânico eleitoral do próximo Novembro. Saber-se-á um dia, talvez, quanto lhe pagará, para além da óbvia permissão para poder continuar a lixar, com F, a Europa.
Pelo caminho, lá foi fazendo a liturgia aos acólitos da MAGA sobre controlar TOTALMENTE, a gritar como escreve, o Estreito de Hormuz e qualquer coisa sobre a bomba nucelar do Irão agora não vir a existir, isto depois ele dizer que o primeiro ataque ao Irão o tinha impossibilitado de a construir. Trump é um alucinado mas é preciso não esquecer que mais de metade dos eleitores americanos votaram naquele monte de esterco. E a outra metade anda à sombra da bananeira à espera de vez. A mesma metade que elegeu o Santo Obama, o qual declarou solenemente que o foco da América passaria a ser o Pacífico, em vez da Europa. Com amigos destes, quem precisa de inimigos?
Entretanto, o caixeiro-viajante Rubio veio cá vender o seu produto, os caças que Portugal poderá vir a comprar. Pelo caminho, trouxe chantilly para enfeitar o bolo das relações diplomáticas e uns alertas sobre o escorpião chinês, como se não fossem os americanos da era MAGA o maior desastre que aconteceu à Europa e a Portugal por arrasto. Não é que antes dos MAGA as coisas estivessem bem. Mas Trump deu terreno a Putin e a Bibi para fazerem a porcaria que fizeram. E, com o ego bem afagado por Bibi, deixou-se arrastar para o conflito no Irão que os israelitas desejavam há décadas. Portanto, o sr. Rubio que vá dar banho ao cão, juntamente com o seu amigo JD, que já disse ao que vem quanto à Europa.
Resta saber se Jacinto Leite Capelo Rego voltará a fazer generosos donativos ao CDS. Que os negócios da Defesa estão envoltos num nevoeiro mais denso do que o de Alcácer-Quibir, estão.
Pelo caminho, Amadeu Guerra acabou com o Think Tank – iniciativa Antifraude. Parece que havia lá uma juíza que fazia relatórios chatos sobre o PRR, esses onde o inspetor-geral das Finanças confessou, em audiência parlamentar, que dava uns jeitinhos para “não fechar a torneira dos fundos”. Vale a pena ler o artigo de Susana Peralalta no Público “Extinção preventiva“, onde ela explica a “história mais verdadeira e menos recomendável sobre a extinção do Think Tank”.
Só gostava de saber onde andam os do O Insurgente e companhia que passavam o tempo a bater no PS e que agora andam calados com o Sócrates, perdão, o Montenegro que nos governa. Ah esperem, agora chegaram a excelsos deputados.
Com tanta tragédia, valha-nos a comédia com que Montenegro nos tem brindado com a novela mexicana de quem não tem um espelho em casa.
Depois do número de prestidigitação ao ligar para a FPF, Ró náldo, como dizem nas televisões, e para Jesus, brinda-nos agora com umas bocas a Varandas. Enquanto se fala do acessório, não se fala do estado do Estado. Haja um ilusionista que nos entretanha.
Contra o Orçamento do Estado para 2027
Jacques Chancel: Mais vous êtes conscient de faire quelque chose d’utile ?
Michel Foucault: Vous supprimeriez ma personne et mes livres, ça ne changerait pratiquement rien.
—Michel Foucault Entretiens radiophoniques, 1961-1983 Flammarion / VRIN / INA***
Dizia-nos ontem o Público que “a proposta orçamental elaborada pelo segundo Governo de Luís Montenegro será entregue esta tarde [8 de Outubro de 2026], às 14h15“. Isto significa que seriam 15h15 onde me encontro e não poderia estudar a proposta a tempo de acabar o texto no próprio dia. Com um dia de atraso em relação ao ideal, espero que a amostra seja do vosso agrado.

O ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, faz a entrega do OE a José Pedro Aguiar Branco, presidente da AR. Foto: Nuno Ferreira Santos
Após 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017, 2018, 2019, 2020, 2021, 2022 [1] e [2], 2023, 2024, 2025 e 2026, foi finalmente admitida, embora de forma implícita, a razão pela qual muitos representantes do povo têm votado favoravelmente as várias propostas.
Efectivamente, para a tomada de decisões, há partidos aos quais bastam umas ideias gerais (“exigência sobre a revisão constitucional que tinham feito a Montenegro”) e uns nomes de pessoas (“salientam também como dado positivo suplementar a escolha de Paulo Mota Pinto para dirigir o processo no PSD”) . Independentemente do texto. Em suma, o texto não interessa absolutamente nada. Tudo isto poderia ser tramitado através da oralidade, como acontece com umas toalhas de praia compradas na feira ou com uns ovos trazidos da senhora que está às segundas de manhã nas arcadas.
A verdade nua e crua é que quem irá votar o OE2027 não terá lido aquilo que lá está escrito. Uma excepção, já sabemos, será a deputada Eva Cruzeiro. Mas isso não chega. Tudo isto é triste, tudo isto é grave, excessivamente grave, como diria o outro.
De facto, o que encontramos no Relatório sobre a proposta de Lei do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027) (pdf)?
Vejamos uma pequena e simples amostra: [Read more…]
A Eva Marie, a Marie-Eve e a Eve Marie
Father Barry: I’m in the church if you need me.
Edie: You’re in the church if I need you? Did you ever hear of a saint hiding in a church? I want to know who killed my brother!
—Há Lodo no CaisKitty Fremont: We have a saying in Indiana: “The braver the bird, the fatter the cat.”
—Exodus
***
No dia em que é notícia a morte de Eva Marie Saint, lembrei-me de uma letra e de uma história. Antes de ter decorado a letra da Rattlesnakes dos Lloyd Cole and the Commotions, nunca tivera dúvidas quanto ao nome da senhora: Eva Marie Saint. Eva. Com a. Mas o excelente Lloyd Cole enganou-se no nome da actriz em apreço (como diz a juventude actual, “quem nunca?”) e saiu-lhe “She looks like Eve Marie Saint in On The Waterfront“. Eve em vez de Eva. Não é grave, Lloyd Cole, c’est pas grave, estás perdoado. Aliás, aparentemente, só eu é que dei por ela. Entre Eva e Eve, por amor dos deuses (direis). Mas estas coisas, não sendo graves, têm consequências, têm impacto. Por exemplo, há uns anos, por causa de um estudo, em vez de ligar a uma amiga especialista (Marie-Eve), liguei a outra (Eva Marie). Tudo se resolveu. Pois é. Siga. Descanse em paz, Eva Marie Saint (1924-2026).
***
Glorioso SLB

Onze inicial do Benfica no jogo de apresentação da época 1982/83, numa vitória por 4-2 frente ao Ferencvaros. Em cima, da esquerda para a direita: Nené, Filipovic, Humberto Coelho, António Bastos Lopes, Shéu e Bento. Em baixo: Veloso, Chalana, Carlos Manuel, Alves e Pietra.
A frase do dia de anteontem:
“Isto é muito confuso para a tua cabeça”
—Jorge Jesus
40 anos disto: Somewhere in Time, dos Iron Maiden
Efectivamente. Há 40 anos, foi-nos apresentado o melhor álbum dos Iron Maiden. Muito agradecido por 40 anos disto.
Jorge Palma Ao Vivo No Eléctrico (Participação Especial de Sérgio Godinho)
A gente vai continuar, Jorge
R.I.P. Jorge Palma
A estrada não chegou ao fim, a tua música irá continuar.
Obrigado, Jorge!
Segundo reza a lenda…
… Les Claypool fez um pacto com o diabo. Até hoje, não se sabe o que Claypool recebeu em troca. O diabo, esse, ficou com umas maravilhosas lições de baixo.
Umar Kremlev, o oligarca russo que pagou o casamento do filho de Trump

Umar Kremlev não é apenas um dos mais influentes oligarcas russos, próximo, claro, de Vladimir Putin. Ele foi o principal patrocinador do casamento de Donald Trump Jr., um dos nepo-babies do Corrupt-in-Chief.
Proponho o seguinte exercício: imaginemos que o filho do Lula da Silva decide dar o nó e que a boda, nas Bahamas, é financiada por um oligarca russo da entourage de Putin.
Consegues imaginar a onda de revolta no comentariado nacional?
Consegues imaginar a seita neofascista a guinchar no Parlamento?
Consegues imaginar a demagogia do Pedro Pinto em Ozempic que a IL tem a usufruir de um tacho em Bruxelas, mas que passa os dias a falar dos tachos dos outros em vídeos no Tiktok do PCC, em vez de trabalhar?
Eu sei que consegues.
A frase do dia:
O ano do cancelamento de Ricardo Reis

Ricardo Reis é um dos economistas portugueses mais reputados, dentro e fora de portas. E estava na linha da frente para ser o novo economista-chefe do FMI.
Acontece que Ricardo Reis, sendo um economista sério, independentemente daquilo que possamos achar do seu pensamento económico e político, teve a ousadia de afirmar o óbvio: que as tarifas de Trump afectariam sobretudo o regular Sam.
Trump não gostou.
Reis foi cancelado.
E a sua candidatura a economista-chefe do FMI desconsiderada.
Quem o afirma é o Financial Times, esse perigoso órgão de propaganda comunista.
Se não servir para outra coisa, que o cancelamento de Ricardo Reis sirva para que a direita democrática – sobretudo a liberal que gosta de flirtar com Mileis e Bukeles – perceba que ninguém está a salvo do fascismo pós-moderno de Trump. Agora podem ser os “socialistas”, but make no mistake: os próximos “socialistas” serão vocês. E não digam que o Niemöller não avisou.
A frase do dia:
“Não está em causa o direito à opinião, está em causa o relativismo opinativo”
—Ana Cristina Leonardo
Seinfeld e os hipócritas

Não me interessa se o Seinfeld vem ou não a Portugal.
Não muda nada.
Não salva uma pessoa, não acaba com a fome, não pára o genocídio.
E não faltam por cá colaboracionistas que defendem a matança e o terrorismo sionista nas principais TVs e jornais deste país.
Também não faltam hipocrisias.
Das alegadas feministas que promovem produtos da Prozis aos alegados cristãos a defendem o bombardeamento de civis inocentes, passando pelos nacionalistas que juram vassalagem aos líderes de outros países ou pelos anti-comunistas que deslocalizaram a produção para Guangzhou, temos cá de tudo, da esquerda à direita, do liberalismo mais selvagem ao conservadorismo mais castrador.
Também não me venham com as ligações da MEO ao regime sionista. Se vamos por aí, vamos ter que boicotar muitas empresas portuguesas. E todos os partidos do PS até aos neonazis. E clubes de futebol. E empresas de construção. E comunicação social. E marcas de roupa. E hipermercados. Nunca mais saíamos daqui.
Uma coisa te garanto: se o festival fosse patrocinado por uma empresa russa próxima do Kremlin e tivesse um putinista como cabeça-de-cartaz, não estaríamos a ter a mesma conversa.
E essa é a maior de todas as hipocrisias.
P.S: A direita woke guincha, histérica, com o alegado cancelamento do Seinfeld. Enquanto aplaude as perseguições, os homicídios de dissidentes e a proibição de livros que Trump e a sua seita de corruptos têm promovido. Parabéns, por conseguirem ser ainda mais morcões que a esquerda woke. Não foi fácil, mas vocês conseguiram.








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