Conduzir à Esquerda — Notas Sobre o Fim do Comum

Foto de <a href="https://unsplash.com/pt-br/@samuelwu?utm_source=unsplash&utm_medium=referral&utm_content=creditCopyText">Yue WU</a> na <a href="https://unsplash.com/pt-br/fotografias/homem-idoso-com-bengala-atravessando-rua-movimentada-m2CYNtnHGPw?utm_source=unsplash&utm_medium=referral&utm_content=creditCopyText">Unsplash</a>

Foto de Yue WU na Unsplash

Há um problema que me persegue no dia-a-dia, sobretudo quando saio de casa e tenho de frequentar locais públicos, ou locais que implicam a interacção com outras pessoas.

Este problema manifesta-se de várias formas: ou estou na estrada e alguém decide fazer uma rotunda completamente pela direita; ou estou num transporte público a ouvir, sem ter pedido, a sucessão de sons irritantes do telemóvel da pessoa ao lado, presa no scroll infinito num TikTok desta vida; ou então, fruto da destruição de todos os microfones de telemóveis, tenho de ouvir os dois lados de uma vídeochamada, como se ouvir um deles não fosse já castigo suficiente.

Lembrei-me destes e de outros exemplos ao ouvir Steven Pinker, no podcast 45 Graus, falar sobre a destruição do chão comum, a propósito do seu novo livro “Quando Todos Sabem Que Todos Sabem…”. Tendo por base o episódio do podcast apenas, os exemplos são claros o suficiente para merecerem uma reflexão.

Pinker argumenta, num racional bastante defensável, que se a grande maioria das pessoas começar a conduzir à esquerda, a nossa melhor decisão será fazê-lo também. Um argumento de coordenação, logicamente correcto, e aparentemente irrefutável, se pensarmos individualmente.

No entanto, se aplicarmos este racional a outros âmbitos, facilmente começamos a desvendar um problema que, em último caso, poderá colocar um fim à Humanidade conforme a conhecemos. E isto leva-me, sobretudo, às redes sociais.

Também nas palavras de Pinker, antigamente as televisões e os jornais eram um meio de propagação de informação que, sendo de massas, criavam um chão comum. As pessoas viam, genericamente, as mesmas coisas, o que criava uma teia que sustentava a sociedade. Não apenas no sentido informativo, mas também de entretenimento. Viam as mesmas séries, os mesmos filmes, e havia um corpo comum de cultura que era massificado e, por isso, importante para o diálogo entre a espécie.

O advento das redes sociais veio trazer montras individuais construídas via algoritmos que são, eles próprios, controlados por empresas tecnológicas que têm na mão o poder político. E isto cria um problema para a Humanidade: a destruição do chão comum que nos abrange a todos.

Findo o chão comum, o que resta? Um conjunto de indivíduos atomizados, o fim da verdade como conceito genérico e um mundo fragmentado em pequenas ilusões individuais, enfraquecendo a teia que une os humanos, salvo quando é assegurada por um ponto de contacto entre dois algoritmos individuais.

Este é o sistema para o qual a Humanidade caminhou. Um sistema assente numa ideia de capitalismo metabólico, fase presente e quiçá última, em que a própria crítica ao sistema (como esta que o leitor acede de momento) é feita dentro do sistema, utilizando as ferramentas do sistema — a internet, as redes, dependendo delas para chegar ao máximo número de pessoas —, entregue acriticamente apenas àqueles que já estão, à priori, interessados no assunto, quer a favor, quer visceralmente contra.

E visceralmente é a palavra certa. Porque nós, humanos, não estamos preparados para este estado de coisas. Continuamos a ver a informação que nos é individualmente servida como a verdade absoluta e inquestionável, e respondemos de uma forma tribal. A partir do momento em que estamos tribalizados, deixamos de orientar a crítica para cima, e passamos a orientá-la para o lado, para os pares. A teia destruída, por fim.

E quando a teia se destrói, perdemos o chão comum. Se a verdade individualizada que nos chega é para nós inquestionável enquanto verdade absoluta mas chega apenas a nós, o outro, aquele a quem a teia me ligava, passa a ser o inimigo. Vitória do sistema.

Um sistema que é uma ditadura encapotada. Há 8 anos, num evento inserido nas comemorações do dia mundial do livro e do 25 de Abril, questionaram-me se ainda vivíamos numa ditadura. Disse que sim. Mas pior, porque mais difícil de identificar. Um levantamento popular para a derrubar é impossível, pois a destruição do chão comum implica a mudança do inimigo de cima para o lado. Desse sistema para o nosso concidadão.

E termino este texto como saí do podcast: pessimista. A destruição do chão comum poderá levar ao fim da Humanidade como a conhecemos. E talvez como diz Pinker, a nossa melhor opção seja mesmo aceitar conduzir também à esquerda.

Deixem a NATO em paz

Pode ser uma imagem de texto que diz "TheHague he Haye avi The Hague La Haye 24-25V12025 Vi 2028 Summit Summit|Sommet Sommet NATO OTAN ne Hague Haye 2028 Sommat"

A NATO não é o que Donald Trump quer que ela seja, dependendo de como acorda num determinado dia. E muito menos está ao serviço da sua oligarquia corrupta. Ou pelo menos não devia estar.

A NATO é uma aliança defensiva. Com regras bem definidas e plasmadas num tratado fundador. O objectivo primordial da NATO é garantir a defesa mútua dos seus membros. Não é atacar ninguém. E repare, caro leitor, que o que acabou de ler não é uma opinião minha. É o que está escrito no Tratado do Atlântico Norte, que deu origem à NATO e funciona como sua base legal. E foi exactamente com esses termos que os signatários concordaram e debaixo dos quais colocaram a sua assinatura.

Dito isto, o que aconteceu no Médio Oriente, por muito que abominemos o regime iraniano, e eu abomino-o com todas as forças, foi um ataque dos EUA e de Israel contra o Irão, não o contrário. Os Estados Unidos não foram atacados, o que significa que não existe enquadramento legal para envolver a NATO em mais um conflito provocado no Golfo Pérsico para encher os bolsos aos suspeitos do costume. E a Vladimir Putin, que é, literalmente, o grande vencedor desta guerra.

[Read more…]

André Ventura apoia violadores

“Agressões com socos, chapadas e coronhadas” 

“Vítimas humilhadas e filmadas; as gravações foram posteriormente divulgadas num grupo de whatsapp com setenta polícias”

“Um cidadão marroquino foi alegadamente sodomizado com um bastão; os agentes tentaram depois inserir um cabo de vassoura no anûs do cidadão imigrante” 

“Pessoas detidas sem acusação, algemadas no carro da PSP e obrigadas a cantar os ‘Parabéns’”

”Uma cidadã afrodescendente foi algemada como se estivesse num crucifixo” 

“Cidadão imigrante alvo de insultos foi obrigado a colocar-se de joelhos e a beijar as botas de agentes da PSP”

Continua…

jornal Público

André Ventura defende, apoia e exige mais violadores. Sobretudo, nas forças de segurança. É fácil: é o mais próximo dos métodos da PIDE-DGS que encontrou nos últimos tempos.

Chega acusa ministro Luís Neves de “fazer gala” de ações contra polícias e marca debate sobre forças de segurança

Sabemos, agora, que o líder a extrema-direita portuguesa tem um plano para os violadores portugueses: colocá-los na PSP e na GNR a violar imigrantes, sem-abrigo e mulheres. Finalmente um proposta concreta da extrema-direita.

A quem se achar surpreendido, nada temam, os sinais estavam à vista: André Ventura é da Opus Dei e fundou um partido destinado a pedófilos e violadores.

A todos os profissionais da PSP, especialmente ao Director Nacional, pede-se que se demarquem desta posição escabrosa dos proto-fascistas portugueses, a bem da instituição que, como é público, vai degradando a sua imagem, à custa de toda a merda que recrutou, na última década e meia.

Sorri, foste assaltado pela extrema-direita. Outra vez.

Pode ser uma imagem de o salão oval e texto

O preço dos combustíveis voltou a subir.

Nunca é demais reforçar o factual: nenhuma gasolineira sobe os preços por necessidade ou por risco de falência. Os combustíveis que estão a vender foram comprados há vários meses, a preços bem mais baixos do que valor de referência à data de hoje. O que as gasolineiras estão a fazer é aproveitar-se da instabilidade causada pela guerra e de um monopólio controlado por meia-dúzia de empresas para aumentar os seus lucros.

O argumento dos impostos é falacioso. O problema não está nos impostos, mesmo que concordemos – e eu concordo – que são excessivos. Mas não foram os impostos que aumentaram. Foram os preços. Artificialmente. [Read more…]

João Marques de Almeida e as greves

João Marques de Almeida, alegado comentador televisivo, declarou que «as greves são um bom pretexto para não se ir trabalhar». Ou seja: há pessoas que decidem fazer greve, acto que implica não ir trabalhar e que, por essa razão, aproveitam para faltar ao trabalho. Não só faltam ao trabalho como, para cúmulo, faltam ao trabalho.

Como muitos outros alegados comentadores, também chama a atenção para o facto de que, mais uma vez, irá haver uma greve encostada a um feriado. Outros comentadores, tantas vezes alegados, também vivem revoltados com as greves às sextas, num prolongamento escandaloso do fim-de-semana.

Os alegados comentadores, no entanto, nunca acrescentam que o dia de greve corresponde a um desconto bastante largo no salário, o que é natural, uma vez que o verdadeiro objectivo não é comentar o cabimento da greve, é defender um mundo em que a greve volte a ser proibida.

Enquanto essa proibição não volta, é importante deixar no ar a ideia de que fazer greve é só uma forma injustificável de ser preguiçoso, aproveitando, ainda, o prolongamento de feriados e de fins-de-semana para usufruir de férias próprias dos privilegiados num país com um salário médio que mal dá para pagar a renda da casa.

João Marques de Almeida ainda alude ao problema de representatividade das centrais sindicais, mas, de quisesse ser sério, esperaria pela dimensão da greve, que, curiosamente, pode ser feita por qualquer trabalhador, sindicalizado ou não.

O mundo do comentário na comunicação social é um lugar muito mal frequentado. Vale pena comentar o comentário.

AI, AI, AI que a Máquina voltará a ser tema

Montenegro defende diálogo com Putin e gera um terramoto na redacção do Expresso

Efectivamente, reparai naquele Vladirmir em vez de Vladimir. Terá sido um sismo ou um avião de combate a passar a barreira do som? Não confundir a luz com o som. À luz, o paradoxo do pai e da mãe. Ao som, o Chuck Yeager (e o Sam Shepard).

***

Megadeth — “Mechanix” (Dirk Verbeuren)

Descobri na passada terça-feira que este vídeo deveria ter saído no dia 22 de Setembro de 2024, às 23h30. Pronto, ei-lo.

Sim, é preciso continuar a celebrar o 25 de Abril

Sim, é preciso continuar a celebrar o 25 de Abril.

Todos os anos e, se possível, todos os dias.

Porque o 25 de Abril é libertação, é igualdade perante a lei, é a liberdade de dizer o que pensamos, de votarmos em quem quisermos – incluindo em partidos que se opõem aos valores de Abril, algo que a ditadura nunca teria permitido – e de lutarmos pelos ideais que nos guiam.

25 de Abril é Democracia.
É a paz, o pão, habitação, saúde e educação.
Para todos, todos, todos!

Sim, ainda há caminho a fazer para cumprir Abril. Mas não te deixes iludir pelo cherry picking dos saudosistas da ditadura, cuja estratégia assenta em explorar as debilidades da nossa democracia para te bombardear com a maior mentira dos últimos 52 anos: antigamente é que era bom.

Só que não era. [Read more…]

25 de Abril! Ontem, hoje e sempre

Retrospectiva e uma nótula explicativa

With an eye toward future replication and extension studies, we address a range of conceptual and methodological issues that scholars should further elaborate, expand, and refine.
— Saito et al. (2022)

***

A confeção não existe no Brasil. Basta perguntar-lhe, a ele, ao Vocabulário da ABL:

E a confecção?

A confecção existe no Brasil.

No entanto, onde se adopta a escrita em português europeu, por causa daquele “critério fonético (ou da pronúncia)”, inventado em cima do joelho e aplicado às três pancadas, acontece exactamente o contrário, pois debalde procuramos confecção em dicionários com AO90.

Encontramos apenas nos dicionários em português europeu de qualidade, ou seja, sem AO90: [Read more…]

CHEGA a fomentar a corrupção, com o apoio de algum PSD

O CHEGA é um partido que tem a corrupção na boca a toda a hora. Palavras. E actos?

Audições sobre financiamento dos partidos, à CIG e à ministra da Cultura adiadas pelo Chega
Tal como nos outros requerimentos, o Chega colocou um travão à votação destas audições, mediante um pedido potestativo — ou seja, de carácter obrigatório.

Talvez logo à noite sintonize a RTP, SIC e TVI para ver se os líderes partidários da oposição* aparecem a dizer alguma coisa ou se andam todos a dormir.

Mas o tema não só sobre o CHEGA. Pedro Duarte, Presidente da Câmara Municipal do Porto, Conselheiro de Estado e com um extenso currículo no PSD, defende o anonimato de quem financia os partidos com o argumento de que essa divulgação pode expor cidadãos a pressões no local de trabalho.

Rui Rio, considera “um disparate” a decisão da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos segundo a qual já não é possível saber quem financia os partidos e as campanhas eleitorais. Haja alguém com decência!

Voltando ao CHEGA e à história da corrupção, vê-se que é um feijão-frade com duas caras. Diz que é a favor da transparência mas veta-a logo que pode, como se viu perante o chumbo desta audição. Será porque tem telhados de vidro? Auditoria exige ao Chega explicação sobre 20 mil euros vindos de conta de milionário português nos EUA. Não foi um chumbo qualquer. Teve carácter potestativo. Foi algo que quiseram mesmo evitar.

*não é erro; o CHEGA é parceiro deste Governo, seja porque o Governo o escolhe para certos temas, seja pela adopção por parte do Governo de temas bandeira do CHEGA.

“Pedro Passos Coelho foi mais papista do que o Papa.”

Colo aqui parte de uma entrevista a Nuno Cassola, actual professor na Universidade Milão Bicocca. Trabalhou cinco anos no Banco de Portugal, antes de ingressar no Banco Central Europeu onde esteve 20 anos nas direcções de Política Económica, de Mercados, de Investigação e de Supervisão.

Entre vários assuntos da actualidade (China, EUA, Irão, dólar, euro, soberania europeia, Trump, etc.), há um particularmente interessante sobre a vinda da Troika para Portugal.

Para quem não se recorde, na altura houve a célebre frase de Marco António Costa “Ou há eleições no país, ou há eleições no PSD“. Mas pin de Portugal na lapela é que é.

Esteve em Portugal antes da entrada da troika em 2011?
Estive, sim. A negociar o apoio do BCE ao PEC IV [Programa de Estabilidade e Crescimento], um programa que a oposição chumbou [23.3.2011] levando o Governo a cair, o que desencadeou o pedido de ajuda externa.

O que é que tinha sido acordado entre o BCE e o Governo da época, chefiado por José Sócrates?
A compra pelo BCE de títulos da dívida pública portuguesa [à volta de oito mil milhões] no mercado secundário para estabilizar as taxas de juro [os juros das obrigações a dez anos superavam os 7,75%]. Em contrapartida, era executado um programa de ajustamento sem a severidade do que viria a ser imposto pela troika [3.5.2011]. E, como bem se lembra, o Governo seguinte [Passos Coelho] disse que queria ir para além da troika. Em 2011, ainda acompanhei a troika em Portugal, antes de ir para Espanha, e nunca a troika exigiu às autoridades portuguesas tanta austeridade como a que foi feita. Pedro Passos Coelho foi mais papista do que o Papa.

Ficará sempre a dúvida sobre se o PEC IV teria sido eficaz, tendo em conta a gravidade da situação portuguesa naquele momento.
O que sei é que Portugal não teria tido o traumatismo de ter dentro o FMI e teria tido, talvez, um ajustamento mais suave. Para ser rigoroso, não há certeza de que o PEC IV cumprisse as expectativas, mas realmente não era tão restritivo, e, não o sendo, talvez a banca portuguesa não tivesse sofrido tanto. Talvez, não se sabe — e não se pode saber.

Segunda parte da entrevista: Nuno Cassola: “A China quer acabar com a hegemonia do dólar, mas não quer ter a moeda dominante”

Angine de Poitrine

ESMA, Rennes, França, Trans Musicales 2025, 4 de Dezembro de 2025

O Evangelho segundo Quentin Tarantino

Nada disto surpreende. Até porque a religião, para um extremista, raramente é convicção. Regra geral, é um meio para atingir um fim. E, no caso dos nacional-populistas americanos, é evidente que personagens sinistras como Trump, Thiel, Bannon ou Miller são a absoluta negação dos valores do Cristianismo. De todas as formas possíveis.

Mas não deixa de ser mais uma prova factual do quão vazio, mal encenado e patético tudo isto é, ver Pete Hegseth, o troll fundamentalista que dirige o Pentágono, usar o monólogo do Samuel L. Jackson na cena do apartamento do Pulp Fiction, durante uma oração do próprio perante militares e familiares do soldado resgatado no Irão, como se de uma passagem bíblica se tratasse.

Spoiler alert: não é Ezequiel 25-17. É Quentin Tarantino.

[Read more…]

O Anticristo

Pode ser uma imagem de texto que diz "Donald DonaldJ.Trump J. Trump @realDonaldTrump 6h"

Qualquer outro líder político que cometesse a “heresia” de se retratar como Cristo seria imediatamente sujeito a um Auto de Fé digital e queimado na fogueira das redes sociais pela turba de alegados cristãos parida nas catacumbas do nacional-populismo.
O chapinhar na lama e os guinchos seriam ensurdecedores.
Diriam tratar-se de um ataque inaceitável contra a matriz judaico-cristã, contra os valores da família, contra a tradição e mais não sei o quê. Haveria indignação, teorias da conspiração sobre o anticristo e petições para ilegalizar a existência dessa pessoa. Pedir-se-iam cabeças. Literalmente. É gente violenta. Gente que diz adorar Jesus, apesar de se assemelhar mais ao Maomé das guerras do século VII.

[Read more…]

Kim

Ontem, por volta desta hora, tivemos Kim Gordon, no regresso a Bruxelas (Noha Khaldi fez um bom apanhado da noite e em flamengo, comme il faut).

KG, AB, 15/04/2026, FMV

A baixista dos maravilhosos Sonic Youth e autora de Girl in a Band apresentou-nos PLAY ME. No final da lista deste disco, chegados a BYEBYE — uma despedida diferente da BYE BYE do anterior The Collective — ouviu-se uma enxurrada de referências aparentemente proibidas pela actual administração dos EUA, palavras/conceitos cuja menção justificará a anulação de propostas, de subsídios, lá se vai a investigação fundamental, lá se vão as bolsas, lá se vai a América. Pois, a AB insinua que sim.

Ei-la, uma enxurrada (e no original, porque soa melhor):

  • Mental health
  • Electric vehicle
  • Gulf of Mexico
  • Energy conversion
  • Gay
  • Bird flu
  • Advocate
  • Pregnant person
  • Immigrants
  • Intersex
  • Victim
  • Male dominated
  • Care
  • Diversity
  • Tribal
  • Transgender
  • Hispanic
  • Green
  • Fluoride
  • Female
  • Hate
  • Injustice
  • Opportunity
  • Dietary guidelines
  • Housing for the future

Viktor Orbán e derrota da oligarquia nacional-populista

Nenhuma descrição de foto disponível.

A queda de um autocrata é sempre motivo de celebração. Melhor ainda quando cai por dentro, sem derramamento de sangue. Sem violência policial ou tentativas de golpe de Estado. Sem terrorismo, vá.

Mas não foi só Orbán que perdeu.

Perdeu Putin, que ficou sem o seu cavalo de Tróia no Conselho Europeu.

Perdeu Trump, que viu cair o aliado mais importante em solo europeu, após se ter envolvido directamente na campanha e ter enviado Rubio e Vance a Budapeste.

Perdeu Netanyahu, que tinha em Orbán um defensor do genocídio em Gaza e da colonização da Cisjordânia.

Até Xi Jinping, que tem privilegiado a relação com a Hungria, pode sair a perder desta eleição.

Ganhou a democracia.

 

[Read more…]

Quadro e giz?

O governo da República Portuguesa publica uma nota sobre Educação utilizando uma fotografia de um suposto professor em suposto ambiente de suposta sala de aula com um quadro e giz.

Há quantas décadas desapareceram os quadros e giz das salas de aula na república portuguesa…?

https://www.facebook.com/share/1BDWRJ2iCQ/

Neemias Queta foi vítima de Portugal

Efectivamente, isto iria acontecer, mais tarde ou mais cedo. Nem falo do triplo (parabéns, Neemias Queta!), falo disto.

Tivera sido no jogo contra os Knicks e, aqui no Aventar, teríamos sido dos primeiros a dar conta do recado. É o improviso, é a falta de rigor, é o costume.

Foi contra os Pelicans: de Nova Orleães. Nova IorqueNova Orleães, como selecçãoseleção.

Exactamente.

Eis os pontos altos do jogo, com o melhor basquetebolista português de todos os tempos a marcar o primeiro triplo na NBA aos 6:07:

Dry Cleaning

Efectivamente, na KEXP.

Por acaso, já agora… Um dia, estava eu no Castle Howard, a recordar, reviver e revisitar, mas num ambiente pop, quando me apareceram de surpresa. Amanhã, em Bruxelas, voltarei a vê-los e ouvi-los. Com novidades, anunciadas há meses por Alexis Petridis, como “alien offshoot mushroom, going the gym to get slim“, “my dream house is a negative space of rock” ou “when I was a child I wanted to be a horse, eating onions, carrots, celery“. Em princípio, será isto. Veremos.

Viktor Orbán: o corrupto favorito de André Ventura

Pode ser uma imagem de futebol, futebol e texto que diz "VENTURA 10"

Sim, eu sei: quem é que quer saber da Hungria? A menos que Portugal vá lá jogar – e até foi, em Setembro, fazer uma bela partida, que vencemos por 2-3, com aquele golaço do Cancelo – ninguém quer saber da Hungria.

Acontece que a Hungria dos anos 20 deste século, mais do que o culto da Seita dos Trumps dos Últimos Dias, é o farol de propaganda e o laboratório de ideias que cria a jurisprudência da internacional iliberal.

“Iliberal” é um eufemismo muito bem sacado.

Para uma oligarquia com um nível de corrupção idêntica à russa, uma colonização quase total dos tribunais, da administração pública, dos grandes negócios do Estado e da comunicação social, que distorceu o sistema eleitoral em seu benefício, enquanto enriquece os homens do presidente, “iliberal” soa muito fofinho. Mais ainda se tivermos em conta o alinhamento fraterno com Moscovo e Mar-a-Lago, ou a honra que lhe foi concedida por Pequim, que incluiu a Hungria no périplo de Xi pela Europa, em 2024, parte de uma lista restrita de apenas três países: Hungria, Sérvia e França.

[Read more…]

Eu não pagaria taxas destas

Furthermore, most people within the top 1 percent are what Leona Helmsley called “little people,” as in “Only the little people pay taxes.” The ultra-rich — the 0.1 percent, the 0.01 percent, the 0.00001 percent — pay much lower tax rates than the merely rich.
Paul Krugman

***

A fiscalidade leva-me a regressar ao excelente Krugman.

Perante esta publicação no Diário da República, quem paga as “novas taxas para a freguesia” deve protestar e recusar-se a pagar e quem cobrou essas taxas deve devolver o valor e exigir a respectiva correcção. Além disso, repare-se que estas “novas taxas para a freguesia”, no singular, poderiam ser “nova taxa para a freguesia”, sim, mas também “nova taxa pára a freguesia” — adiante.

Efectivamente, há muitas ocorrências afins no sítio do costume e ninguém se mexe: nem a autoridade (desautorizada desde que o “agora facto é igual a fato (de roupa)” veio à tona), nem quem, na presença de *fatos, cobra e paga as tais “novas taxas”. Sendo verdade que ficar especado a especular é uma prática indígena — e um interessante caso grafofonémico — a história do espetador a espetar descansa-nos quanto à norma a seguir: a de 1945/73.

Exactamente.

Por outro lado e mudando de assunto, estivera eu em Nova Iorque e teria ido ver este fabuloso Knicks–Celtics.

Neste instantâneo da partida, vemos os meus dois jogadores predilectos da NBA da actualidade: Jalen Brunson (com a bola) e o inconfundível Neemias Queta (para completar o ramalhete, à direita, temos Towns e White).

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

***

Imagens curiosas do Google Street View (II)

Tuttle Creek Rd., Lone Pine, Califórnia, EUA, Junho de 2025
(a propósito de tudo sobre o excelente Bad Day at Black Rock, por causa do Spencer Tracy)

A melhor arma contra o populismo, o autoritarismo e a demagogia

Provedoria de Justiça pede revisão de candidaturas recusadas no programa  “Edifícios Mais Sustentáveis” - Expresso

No episódio do A Prova dos Factos que tem Mafalda Livermore como protagonista, é na reportagem que não tem nada a ver com o CH que podemos ter um vislumbre da formação do combustível que alimenta a narrativa da extrema-direita.

A investigação conta a história de várias associações de condóminos que submeteram pedidos de obras de beneficiação energética em prédios antigos, ao abrigo do PRR, e que, dada a demora da tutela em despachar os processos, muitas obras aprovadas correm o risco de não avançar devido à validade do apoio que termina a 30 de Junho.

A incompetência da tutela é revoltante. O Fundo Ambiental, que gere os 12 milhões de euros disponíveis, foi incapaz de cumprir os prazos a que estava obrigado. A investigação da RTP revela que as candidaturas submetidas até ao final de 2023 deveriam ter sido analisadas em 60 dias úteis. Algumas demoraram 540 dias. Um ano e meio.

Há também o caso dos pagamentos atrasados, e não são poucos, que colocam em causa a continuidade de obras em curso. A Prova dos Factos entrevistou gestores de alguns projectos que garantem que obras em curso há meses ainda não receberam um cêntimo do Fundo Ambiental. E empreiteiros que ameaçam deixar obras a meio se continuarem sem receber.

Incompetência total.

Mas não são só obras que se perdem. É o dinheiro que aquelas pessoas puseram do seu bolso. São horas de trabalho pós-laboral. São custos com autorizações, licenças, taxas e taxinhas. É a expectativa de uma vida um pouco mais confortável que se perde, em edifícios antigos e, em alguns casos, bastante degradados. Onde faz muito frio no Inverno e demasiado calor no Verão. É o Estado que falha. São as instituições. É o sistema. E a União Europeia também.

Nada mina a democracia como a incompetência, calculada ou não, que tende a prejudicar sempre os mesmos. É terreno fértil para a narrativa da “bandalheira” germinar. Experimenta colocar-te no lugar daquelas pessoas, muitas delas reformadas, com rendimentos pequenos e dificuldades grandes, que passaram os anos 90 a ver tratantes a sacar milhões em fundos europeus para criar empresas que duraram pouco, mas tempo suficiente para sacar um Ferrari, uma mansão, um apartamento na praia e uma reforma dourada. Quem os pode condenar por acreditar que o “sistema” só beneficia a elite e não lhes serve para nada?

As melhores armas contra o populismo, o autoritarismo e a demagogia são boas políticas públicas, pessoas competentes e geri-las e justiça social. Quando estão presentes, a democracia é mais forte e o bom senso prevalece. Não é assim tão difícil. Ou pelo menos não devia ser.

Já alguém lá chegara em 1973

Anti-semitismo selectivo

IDF admits Tehran synagogue damaged in strike targeting Iranian commander, regrets 'collateral damage' | The Times of Israel

Com a brutalidade a que já nos habituaram, o regime neofascista de Israel e a autocracia americana em construção bombardearam e arrasaram a sinagoga de Rafi-Nia, em Teerão.

Duas notas:
1. Sim, existe uma comunidade judaica no Irão, de cerca de 10 mil crentes, que pratica livremente o seu culto.
2. Sim, isto aconteceu mesmo. As forças armadas israelitas já admitiram o “dano colateral”.

Agora supõe que, no lugar de Israel e EUA, a notícia era “Irão e Afeganistão bombardeiam e arrasam sinagoga”.

Consegues imaginar os trolls e avençados da embaixada de Israel e gritar “anti-semitismo!!!!”, enquanto rasgam as vestes manchadas de sangue palestiniano e libanês?

Eu sei que consegues.

Pode parecer, mas o anti-semitismo selectivo não é uma doença mental. É engenharia social e propaganda patrocinada pelos mesmos monstros que estão por trás do nosso empobrecimento, do regresso em força da censura, da polarização, do aumento da insegurança mundial e dos massacres no Médio Oriente. Não são adversários. São inimigos.

A doença

A esquerda ficou indignadíssima com a “proibição” de Saramago. A esquerda “sorriu” condescendente com o facto de alguém ter atirado um “cocktail Molotov” para uma manifestação de direita.

Tudo isto alicerçado numa comunicação social arregimentada e alinhada que empolou e distorceu a primeira notícia e relativizou a segunda.

E entre um facto que o não é (ninguém quer proibir Saramago, só querem apresentar alternativas) e outro que, indiscutivelmente, ocorreu, entre algo que pretende acrescentar liberdade e algo que pôs em causa a integridade física ou mesmo a vida de várias pessoas (crianças incluídas), a esquerda releva qual?

Depois digam-me que eu não estou correcto, digam-me que ser de esquerda ainda é uma mera questão ideológica, que ser de esquerda não é já apenas uma situação clínica, que ser de esquerda não implica um nível de psicopatia inaceitável, etc.

Está na hora de “chamar os bois pelos nomes”, de nos deixarmos de “paninhos quentes” e de dizer com “todas as letras” o que a esquerda é: uma condição psicótica.

Ser de esquerda é estar doente. Muito, muito doente.

Celebrar a morte como um cristão

Pode ser uma imagem de texto que diz "Donald DonaldJ.Trump J. Trump @realDonaldTrump ト Robert Mueller just died. Good, I'm glad he's dead. He can no longer hurt innocent people! President DONALD J. TRUMP 258 ReTruths 775 Likes 3/21/26, 12:26 PN"

Não sei quanto a vós, mas eu ainda estou recordado dos dias após a morte de Charlie Kirk, e da onda de indignação contra aqueles que celebraram a tragédia.

Na altura, muitos foram aqueles que, lá como cá, escreveram longos textos sobre a esquerda degenerada que celebra a morte de adversários políticos, e que, por essa razão, não tem lugar na sociedade, devendo ser perseguida, cancelada e presa.

E reparem que era toda a esquerda, não apenas aqueles que foram para as redes dizer o homem foi bem morto, porque tinha uma retórica violenta e colheu o que semeou. A culpa era colectiva. Como convém aos puros populistas, que a usam sempre que convém, para justificar intervenções divinas como o genocídio em Gaza às mãos da “única democracia do Médio Oriente”.

Pois bem, ainda não se leu ou ouviu um único destes puros sobre o tweet que Trump usou para celebrar, com todas as letras, a morte de Robert Mueller. Mueller que era odiado à direita (apesar de ser republicano) como Kirk a esquerda, não pela retórica agressiva ou pelo incentivo à violência, mas por ter liderado a investigação à interferência russa nas eleições de 2016.

Em princípio estamos perante uma celebração da morte do bem. Parece-me plausível. Seguramente inspirada por Jesus, que de resto foi quem nos enviou Trump. E se Jesus nos enviou Trump, a investigação de Mueller só podia ser obra do anticristo. Deve ser isso.

 

 

Extrema-Inflação

Pode ser uma imagem de texto que diz "CUSTODE DE VIDA Combustíveis fazem taxa de inflação disparar para oS 2,7% em março 1 SSWIS CRISEENEAGÉTICA CRUSE Linfemixina รฟ่ทุณปิว4 LoE GASOLINA GASÓLEO GASÓLEO Puchan Cacho Ruchas 25iBros M2A222 A taxa de inflação de março já efletiu subida dos produtos energéticos, fruto da crise no Médio Oriente Horacio Villalobos Getty Images"

Não é culpa dos impostos.
Não é culpa dos wokes.
Não é culpa do Estado.
Ou da comunicação social.

Também não é culpa do socialismo, que para alguns académicos da Ventura School of Palermonics é tudo o que não seja a direita mais radical ou extrema.

Mas sim, a inflação que dispara tem dedos no gatilho.

Os dedos de Donald Trump, de Benjamin Netanyahu e de todos os líderes internacionais que apoiam mais um acto de terrorismo de Estado, que se está nas tintas para libertar quem quer que seja, como se viu na Venezuela. Terrorismo esse que, incapaz de derrubar o regime iraniano, derruba as condições de vida, as finanças e a segurança do cidadão comum.

[Read more…]